{"id":3670,"date":"2012-10-08T19:15:17","date_gmt":"2012-10-08T19:15:17","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3670"},"modified":"2012-10-08T19:15:17","modified_gmt":"2012-10-08T19:15:17","slug":"cai-investimento-em-infraestrutura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3670","title":{"rendered":"Cai investimento em infraestrutura"},"content":{"rendered":"\n<p>Apesar dos esfor\u00e7os do governo para viabilizar os investimentos em infraestrutura no Brasil, o setor dever\u00e1 receber este ano aportes de apenas 1,96% do Produto Interno Bruto (PIB) &#8211; ou R$ 86,8 bilh\u00f5es em n\u00fameros absolutos. Ser\u00e1 o pior desempenho desde o in\u00edcio do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC) e a primeira vez, desde 2007, que o Pa\u00eds romper\u00e1 o piso de 2%. A proje\u00e7\u00e3o consta de estudo do economista Claudio Frischtak, da Inter.B Consultoria.<\/p>\n<p>O levantamento destacou que as limita\u00e7\u00f5es se concentram na esfera p\u00fablica, que n\u00e3o consegue sustentar o arranque da infraestrutura. De 2010, auge dos investimentos nas obras do PAC, a 2012, houve um recuo de 0,5% do PIB na fatia de investimento p\u00fablico destinada a setores como energia el\u00e9trica, telecomunica\u00e7\u00f5es, rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, metr\u00f4, hidrovias e saneamento.<\/p>\n<p>&#8220;Os n\u00fameros mostram que o setor p\u00fablico n\u00e3o consegue liderar investimentos em infraestrutura, apesar de esfor\u00e7os como o PAC&#8221;, diz Frischtak. A constata\u00e7\u00e3o do fracasso do modelo ancorado no setor p\u00fablico foi decisivo, acredita, para a decis\u00e3o do governo em promover o novo pacote de concess\u00f5es privadas.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s crescer entre 2007 e 2010, o total aportado pelo governo federal em infraestrutura entrou em queda no ano passado. A previs\u00e3o \u00e9 que ele recue novamente este ano, com sua participa\u00e7\u00e3o saindo de 16,2% para 11% do investimento total no setor. Em valor, o montante ser\u00e1 de R$ 9,6 bilh\u00f5es em 2012, ante R$ 13,8 bilh\u00f5es em 2011.<\/p>\n<p>Somando os dados do governo federal aos de empresas p\u00fablicas, chega-se a menos da metade (47,5%) dos recursos destinados \u00e0 \u00e1rea no Pa\u00eds este ano, revertendo a situa\u00e7\u00e3o registrada em 2011 e 2010. Por sua vez, a contribui\u00e7\u00e3o privada para projetos de infraestrutura se expandiu de 39% para 52% nos \u00faltimos dois anos. Os grupos privados v\u00e3o desembolsar R$ 44,8 bilh\u00f5es dos R$ 86,8 bilh\u00f5es que o setor de infraestrutura receber\u00e1 em 2012.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o que se coloca a partir dos dados \u00e9 se 2012 ser\u00e1 o fundo do po\u00e7o, isto \u00e9, se o pacote de concess\u00f5es do governo surtir\u00e1 efeito e ajudar\u00e1 o Pa\u00eds a eliminar gargalos como a falta de estradas pavimentadas. A resposta depende de vari\u00e1veis como o an\u00fancio de novas concess\u00f5es pelo governo, o refor\u00e7o na qualidade das ag\u00eancias reguladoras e um ambiente em que os investidores enxerguem um horizonte de previsibilidade para os contratos.<\/p>\n<p>&#8220;Se o governo tocar o pacote para frente nessas condi\u00e7\u00f5es, voc\u00ea ter\u00e1 uma rea\u00e7\u00e3o danada em 2013&#8221;, diz Frischtak, para quem h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de dobrar para 2% a fatia do setor privado nos investimentos de infraestrutura at\u00e9 2015.<\/p>\n<p>O economista citou o financiamento como um quarto fator-chave para uma revolu\u00e7\u00e3o log\u00edstica e energ\u00e9tica no Brasil. Hoje, o BNDES concentra o papel de financiador de projetos de infraestrutura, mas a crise internacional pode ser uma oportunidade. A falta de alternativas de investimento com boa rentabilidade tornar\u00e1 as concess\u00f5es nacionais mais atraentes.<\/p>\n<p>&#8220;No pr\u00f3ximo ano e meio, pode haver uma explos\u00e3o de financiamento privado para projetos de infraestrutura, desde que os juros internacionais continuem muito baixos&#8221;, diz Frischtak.<\/p>\n<p>Divis\u00e3o. O estudo da Inter.B separa os recursos por segmento desde 2008. Desde l\u00e1, os l\u00edderes em investimentos s\u00e3o os setores de energia, telecomunica\u00e7\u00f5es e rodovi\u00e1rio. J\u00e1 os aeroportos mantiveram uma participa\u00e7\u00e3o de menos de 2% do total investido em infraestrutura a cada ano, enquanto os portos tiveram desempenho s\u00f3 um pouco superior. A perspectiva n\u00e3o \u00e9 de grande altera\u00e7\u00e3o no curto prazo, embora os aeroportos possam ser beneficiados pela aproxima\u00e7\u00e3o da Copa do Mundo.<\/p>\n<p>Frischtak calcula que o Brasil teria de investir R$ 2,5 trilh\u00f5es adicionais nos pr\u00f3ximos 25 anos para dobrar o n\u00edvel de investimentos dos cerca de 2% atuais para 4% do PIB, porcentual considerado por ele o m\u00ednimo para modernizar a infraestrutura brasileira. Na ponta do l\u00e1pis, seriam mais R$ 100 bilh\u00f5es anualmente &#8211; tendo como base o total de R$ 85 bilh\u00f5es investidos no ano passado.<\/p>\n<hr \/>\n<p>El\u00e9tricas n\u00e3o cumprem metas<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O suinocultor goiano Walter Bail\u00e3o ainda faz as contas do preju\u00edzo que sofreu na semana retrasada, quando um apag\u00e3o de quase tr\u00eas dias provocou a morte de 200 leit\u00f5es em sua granja, localizada no munic\u00edpio de Rio Verde (GO). &#8220;A luz acabou na ter\u00e7a-feira, perto do meio-dia, e s\u00f3 voltou \u00e0s 18h de sexta-feira&#8221;, lamenta Bail\u00e3o. O sistema de ventila\u00e7\u00e3o parou e o bombeamento de \u00e1gua do po\u00e7o artesiano da granja foi interrompido. Ele tamb\u00e9m perdeu o estoque de vacinas e o banco de s\u00eamen dos animais, que estavam refrigerados. &#8220;Al\u00e9m dos leit\u00f5es que morreram, algumas porcas estressaram e abortaram&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Por mais que o drama do suinocultor seja um caso peculiar, a qualidade do fornecimento de eletricidade est\u00e1 em xeque, na maior parte do pa\u00eds. H\u00e1 tr\u00eas anos seguidos, o n\u00famero m\u00e9dio de horas que os consumidores brasileiros s\u00e3o obrigados a ficar sem luz supera o limite fixado pela Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica (Aneel). Em 2011, foram 18,4 horas no escuro, duas a mais do que o m\u00e1ximo permitido.<\/p>\n<p>Dados compilados pela Aneel indicam que pelo menos 15 das 33 distribuidoras de grande porte extrapolaram as metas contratuais no ano passado. O pior caso \u00e9 o da Celpa, no Par\u00e1, que registrou 99,5 horas de cortes no fornecimento &#8211; mais de tr\u00eas vezes acima do limite. A Celpa est\u00e1 em processo de recupera\u00e7\u00e3o judicial e foi vendida por R$ 1 \u00e0 Equatorial Energia, h\u00e1 duas semanas, mas a situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 desconfort\u00e1vel nas principais distribuidoras do pa\u00eds: Eletropaulo, CPFL Paulista e Light deixaram seus consumidores mais tempo sem luz, no ano passado, do que em 2001, quando teve in\u00edcio o racionamento de energia el\u00e9trica.<\/p>\n<p>Andr\u00e9 Pepitone da N\u00f3brega, um dos diretores da Aneel, diz que a ag\u00eancia est\u00e1 de olho nas distribuidoras com problemas de qualidade no fornecimento e faz uma advert\u00eancia: as concess\u00f5es com vencimento entre 2015 e 2017 podem n\u00e3o ser prorrogadas, caso seus indicadores estiverem muito ruins e n\u00e3o houver uma percep\u00e7\u00e3o clara do governo de que essa situa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 revertida. &#8220;O que vai pautar o processo de renova\u00e7\u00e3o dos contratos, para as distribuidoras, \u00e9 a qualidade do servi\u00e7o. \u00c9 um forte ind\u00edcio de que a ag\u00eancia poder\u00e1 promover a relicita\u00e7\u00e3o da concess\u00e3o&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, o governo s\u00f3 apresentou os crit\u00e9rios para prorrogar contratos de gera\u00e7\u00e3o e de transmiss\u00e3o. A distribui\u00e7\u00e3o, que ficou de fora, ter\u00e1 regras detalhadas somente em mar\u00e7o de 2013.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que ocorre com os segmentos de gera\u00e7\u00e3o e de transmiss\u00e3o, as tarifas das distribuidoras j\u00e1 refletem a amortiza\u00e7\u00e3o dos investimentos, por meio das revis\u00f5es peri\u00f3dicas feitas pela Aneel. Por isso, a expectativa da ag\u00eancia \u00e9 que haja queda apenas residual das tarifas quando os contratos de distribui\u00e7\u00e3o forem prorrogados, em 2013. \u00c9 nesse sentido, segundo Pepitone, que a principal discuss\u00e3o deve envolver a qualidade do servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Ao todo, 44 distribuidoras t\u00eam contratos expirando at\u00e9 2017, o que inclui empresas importantes do setor &#8211; como a mineira Cemig, a paranaense Copel e a ga\u00facha CEEE. As concess\u00f5es da Eletropaulo, da CPFL e da Light est\u00e3o longe de vencer. A brasiliense CEB, outra distribuidora que tem concess\u00e3o prestes a acabar, deixou seus consumidores no escuro por 15,6 horas em 2011. O limite estipulado pela Aneel era de 12,9 horas.<\/p>\n<p>Na quinta-feira passada, uma queimada debaixo de um &#8220;linh\u00e3o&#8221; da companhia afetou 70% do Distrito Federal, incluindo o Pal\u00e1cio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal, que funcionaram \u00e0 base de geradores pr\u00f3prios. A seca e o calor t\u00eam aumentado os inc\u00eandios na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Os fen\u00f4menos clim\u00e1ticos s\u00e3o cada vez mais intensos&#8221;, lembra o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Distribuidores de Energia El\u00e9trica (Abradee), Nelson Leite. N\u00e3o s\u00f3 as queimadas, mas a incid\u00eancia maior de raios tem provocado interrup\u00e7\u00f5es no fornecimento, segundo o executivo.<\/p>\n<p>Sem comentar n\u00fameros espec\u00edficos de empresas, Leite diz que uma parte dos apag\u00f5es \u00e9 atribu\u00edda indevidamente \u00e0s distribuidoras. Mesmo quando a falha no sistema ocorre nas usinas hidrel\u00e9tricas, ou nas linhas de transmiss\u00e3o, as distribuidoras n\u00e3o podem &#8220;expurgar&#8221; os cortes de luz dos indicadores medidos pela ag\u00eancia reguladora. Isso leva uma parcela das empresas a ultrapassar as metas da Aneel, ainda que a origem do problema n\u00e3o esteja na rede de distribui\u00e7\u00e3o, gerando multas e compensa\u00e7\u00f5es financeiras diretamente nas contas dos consumidores.<\/p>\n<p>&#8220;O ideal seria identificar onde teve origem a ocorr\u00eancia&#8221;, afirma Leite. Quando um consumidor perde um eletrodom\u00e9stico, por causa de um apag\u00e3o, \u00e9 a distribuidora quem precisa ressarci-lo. S\u00f3 com um longo processo, comprovando que a falta de luz n\u00e3o foi motivada por imprevistos em sua pr\u00f3pria rede, \u00e9 que a conta da indeniza\u00e7\u00e3o vai parar na geradora ou na transmissora.<\/p>\n<p>Em 2010 e 2011, de forma acumulada, os consumidores receberam compensa\u00e7\u00f5es das distribuidoras no valor de R$ 745 milh\u00f5es. Antes, os cortes no fornecimento geravam multas \u00e0s empresas, mas a Aneel decidiu aperfei\u00e7oar o processo e instituiu um sistema de devolu\u00e7\u00e3o aos consumidores, por meio da fatura. Neste ano, at\u00e9 julho, houve mais R$ 166 milh\u00f5es em ressarcimentos.<\/p>\n<p>Pepitone ressalta que, a partir de 2013, um novo indicador ser\u00e1 inclu\u00eddo na f\u00f3rmula dos reajustes anuais das distribuidoras. O fator Xq, como \u00e9 chamado na ag\u00eancia, refletir\u00e1 na tarifa a qualidade do servi\u00e7o. Se o servi\u00e7o piorar de um ano para outro, com maior frequ\u00eancia e dura\u00e7\u00e3o dos cortes, o reajuste fica menor.<\/p>\n<p>O professor Nivalde de Castro, coordenador do grupo de estudos do setor el\u00e9trico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), chama aten\u00e7\u00e3o para o risco associado ao processo de renova\u00e7\u00e3o das concess\u00f5es. Se houver um aperto muito grande \u00e0s empresas, com tarifas excessivamente baixas para remunerar a opera\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o das redes, os problemas podem at\u00e9 se intensificar. Por isso, Castro aventa a hip\u00f3tese de que o governo seja um pouco menos duro com as concession\u00e1rias, para n\u00e3o comprometer o investimento nas redes.<\/p>\n<p>No dia em que a energia acabou na granja de Bail\u00e3o, o suinocultor goiano, outros produtores vizinhos tamb\u00e9m tiveram perdas, com mortes de aves. Apesar de toda a dor de cabe\u00e7a, ele reclama que a Celg, distribuidora local, n\u00e3o lhe deu &#8220;nenhuma satisfa\u00e7\u00e3o&#8221;. &#8220;Depois desse susto, fiquei com medo e resolvi comprar um gerador&#8221;, afirma. Ele diz ter dado entrada em um pedido de financiamento banc\u00e1rio, no valor de R$ 500 mil, para montar um equipamento capaz de gerar energia com o biog\u00e1s &#8211; a partir dos res\u00edduos de seus porcos.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Europeus devem anunciar reforma &#8216;cosm\u00e9tica&#8217; no FMI<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Os europeus devem anunciar uma reforma apenas cosm\u00e9tica nas cadeiras que ocupam no conselho que comanda o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), sem de fato transferir poder para as economias emergentes mais din\u00e2micas durante reuni\u00e3o anual do organismo que acontece nesta semana em T\u00f3quio.<\/p>\n<p>Um acordo fechado em 2010 havia determinado que a Europa desenvolvida abrisse m\u00e3o, em favor dos emergentes, de dois dos oito assentos que ocupa de forma permanente no conselho diretor do Fundo, um colegiado com 24 membros que toma as decis\u00f5es mais importantes no dia-a-dia do organismo.<\/p>\n<p>O esp\u00edrito da mudan\u00e7a era tirar poder de pa\u00edses com representa\u00e7\u00e3o desproporcional \u00e0 sua import\u00e2ncia econ\u00f4mica atual, como B\u00e9lgica e Su\u00ed\u00e7a, para dar voz a emergentes como Indon\u00e9sia e \u00c1frica do Sul, que fazem parte do G20 mas n\u00e3o est\u00e3o diretamente representados no conselho do FMI.<\/p>\n<p>O jeito criativo encontrado pela Europa para reter poder no conselho diretor do FMI foi transferir cadeiras, de forma rotativa, a economias emergentes da pr\u00f3pria Uni\u00e3o Europeia, como Pol\u00f4nia, Hungria e Rep\u00fablica Tcheca. A \u00fanica economia genuinamente emergente que dever\u00e1 ganhar uma cadeira \u00e9 a Turquia, ainda assim de forma rotativa.<\/p>\n<p>&#8220;Essa \u00e9 uma mudan\u00e7a, em larga medida, cosm\u00e9tica&#8221;, afirmou Paulo Nogueira Batista J\u00fanior, diretor-executivo para o Brasil e outros oito pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e Caribe no conselho do FMI, que diz opinar em car\u00e1ter pessoal.<\/p>\n<p>A entrega das cadeiras no conselho do FMI faz parte de uma s\u00e9rie de reformas nos organismos multilaterais para ampliar sua legitimidade, refletindo uma realidade em que as economias emergentes se tornaram motor do crescimento mundial.<\/p>\n<p>A agenda inclui ainda a reforma das quotas do Fundo, transferindo poder de voto de economias desenvolvidas para emergentes. Por um acordo fechado em 2010, nesta reuni\u00e3o em T\u00f3quio economias avan\u00e7adas sobrerrepresentadas deveriam abrir m\u00e3o de 6% das quotas em favor de pa\u00edses emergentes. O Brasil seria um dos ganhadores, aumentando seu poder de voto no FMI de 1,78% para 2,31%.<\/p>\n<p>Mas essa parte da redistribui\u00e7\u00e3o de poder no FMI seguir\u00e1 sem ser implementada, pois depende da aprova\u00e7\u00e3o pelo Congresso do maior s\u00f3cio do FMI, os Estados Unidos. O governo americano est\u00e1 comprometido com a reforma, mas n\u00e3o h\u00e1 clima para aprov\u00e1-la agora por causa da forte divis\u00e3o pol\u00edtica criada pelas elei\u00e7\u00f5es no pa\u00eds, em que o presidente Barack Obama disputa um segundo mandato.<\/p>\n<p>O acordo tamb\u00e9m determina que, at\u00e9 janeiro de 2013, os membros do FMI discutam uma nova f\u00f3rmula de c\u00e1lculo das quotas com vistas a uma nova rodada de redistribui\u00e7\u00e3o de poder. Mas as negocia\u00e7\u00f5es entraram num impasse, por isso \u00e9 pouco prov\u00e1vel que haja progressos nesta reuni\u00e3o de T\u00f3quio.<\/p>\n<p>Pa\u00edses emergentes querem que o tamanho da economia seja o principal, sen\u00e3o \u00fanico, componente da f\u00f3rmula. As economias da Europa defendem a manuten\u00e7\u00e3o na f\u00f3rmula de crit\u00e9rios que mant\u00e9m seu poder de voto no FMI, sobretudo o grau de abertura comercial dos membros. &#8220;A fraqueza econ\u00f4mica e financeira da \u00e1rea do euro tornou os europeus ainda mais resistentes a abrir espa\u00e7o no FMI&#8221;, afirma Nogueira Batista.<\/p>\n<p>Hoje, Portugal, Irlanda e Gr\u00e9cia s\u00e3o os maiores tomadores de empr\u00e9stimos do FMI, com programas que somam US$ 79 bilh\u00f5es, pouco mais de metade carteira do organismo. Quando s\u00e3o somados dois pa\u00edses emergentes da Europa do Leste, Hungria e Rom\u00eania, a Europa absorve quase 70% do dinheiro do FMI. As cifras podem aumentar ainda mais se a Espanha vier a ser socorrida pelo Fundo.<\/p>\n<p>Hoje, tr\u00eas grandes economias da Europa (Alemanha, Fran\u00e7a e Reino Unido) comandam sozinhas tr\u00eas assentos do FMI. Essas cadeiras n\u00e3o est\u00e3o sob quest\u00e3o, assim como a da It\u00e1lia, que \u00e9 cabe\u00e7a de um grupo formado sobretudo por europeus.<\/p>\n<p>Pelo acordo que deve ser confirmado nesta semana, a B\u00e9lgica migrar\u00e1 para o grupo da Holanda, abrindo uma cadeira cujo comando ser\u00e1 revezado pela Turquia, Hungria e Rep\u00fablica Tcheca. A Su\u00ed\u00e7a dividir\u00e1 sua cadeira com a Pol\u00f4nia. A cadeira hoje encabe\u00e7ada pela Dinamarca vai fazer um revezamento com os pa\u00edses b\u00e1lticos. Em alguns per\u00edodos, os europeus chegam a ocupar nove cadeiras do Fundo, quando a Espanha se torna titular de um assento dividido com M\u00e9xico e Venezuela.<\/p>\n<p>Num movimento independente \u00e0 reforma dos europeus, a Col\u00f4mbia dever\u00e1 anunciar a troca da cadeira do Brasil pela do M\u00e9xico, conforme antecipado pelo Valor. O Brasil, que j\u00e1 comunicou o ingresso do Timor Leste na sua cadeira, tenta atrair outros pa\u00edses, mas mant\u00e9m as negocia\u00e7\u00f5es em sigilo.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Instituto v\u00ea uma s\u00e9ria amea\u00e7a de recess\u00e3o global<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica mundial vai mal e h\u00e1 uma s\u00e9ria amea\u00e7a de outra reca\u00edda em recess\u00e3o global. \u00c9 o que mostra o mais recente \u00edndice de acompanhamento Brookings Institution-&#8220;Financial Times&#8221;, apesar dos grandes esfor\u00e7os de bancos centrais de todo o mundo para impulsionar a demanda.<\/p>\n<p>No momento em que os EUA entram na reta final da elei\u00e7\u00e3o presidencial, a maior economia do planeta \u00e9 o \u00fanico poss\u00edvel ponto luminoso fora dos mercados financeiros. Desde o segundo trimestre, dados econ\u00f4micos e de confian\u00e7a no resto das economias desenvolvidas e nos emergentes do G-20 apresentaram deteriora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O \u00edndice Tiger (&#8220;Tracking Indices for the Global Economic Recovery&#8221;) lan\u00e7a uma sombra sobre as reuni\u00f5es nesta semana do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) e do Banco Mundial em T\u00f3quio, em paralelo \u00e0 luta de ministros das Finan\u00e7as e presidentes de bancos centrais para encontrar maneiras de gerar crescimento autossustent\u00e1vel. O agravamento dos n\u00fameros e da confian\u00e7a for\u00e7ou analistas a rebaixar suas estimativas de crescimento para 2012 e 2013.<\/p>\n<p>O vazamento das previs\u00f5es detalhadas do FMI, a serem publicadas amanh\u00e3, mostrou que o Fundo revisou para baixo sua estimativa de expans\u00e3o global neste ano, dos 3,4% calculados em julho para 3,3%, e eliminou outro 0,3 ponto percentual da previs\u00e3o de 3,9% feita em julho para 2013.<\/p>\n<p>Eswar Prasad, professor do Brookings Institution, disse: &#8220;A recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica global vai mal, prejudicada por conflitos pol\u00edticos internos e externos dos pa\u00edses, pela falta de a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas decisivas e pela incapacidade de os governos enfrentarem problemas enraizados tais como finan\u00e7as p\u00fablicas insustent\u00e1veis que est\u00e3o sufocando o crescimento&#8221;.<\/p>\n<p>O \u00edndice Tiger mostra uma perda de ritmo na economia global, apesar de a\u00e7\u00f5es do Federal Reserve (o BC dos EUA), do Banco Central Europeu, do Banco do Jap\u00e3o e do Banco da Inglaterra para impulsionar a recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O \u00edndice Tiger combina medi\u00e7\u00f5es da atividade da economia real, vari\u00e1veis financeiras e indicadores de confian\u00e7a, conforme o n\u00edvel de suas movimenta\u00e7\u00f5es simult\u00e2neas para cima ou para baixo.<\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es para conter a desacelera\u00e7\u00e3o impediram que os mercados financeiros se juntassem \u00e0 tend\u00eancia de queda, com o componente financeiro do \u00edndice registrando em setembro a sua posi\u00e7\u00e3o mais forte desde junho de 2011.<\/p>\n<p>O professor Prasad acrescentou: &#8220;Na aus\u00eancia de uma gama mais ampla de medidas pol\u00edticas decisivas, incluindo reformas fiscais, do sistema financeiro e estruturais necess\u00e1rias em muitos pa\u00edses, a economia mundial pode em breve ir \u00e0 lona&#8221;.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Mercado de trabalho reage nos EUA, mas em ritmo lento<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A taxa de desemprego nos EUA teve forte queda em setembro para o menor n\u00edvel desde janeiro de 2009, sugerindo que o crescimento do emprego de junho a agosto foi maior do que se supunha, algo que tamb\u00e9m pode influenciar as elei\u00e7\u00f5es presidenciais no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Dados divulgados na sexta-feira retrataram um mercado de trabalho que se animou um pouco desde o segundo trimestre, mas continua crescendo a uma taxa apenas modesta. O \u00edndice de desemprego caiu para 7,8%, segundo o Departamento do Trabalho &#8211; marca inferior a 8% pela primeira vez desde a posse do presidente Barack Obama. O \u00edndice caiu meio ponto percentual desde julho, quando estava em 8,3%.<\/p>\n<p>Os empregadores acrescentaram 114 mil postos de trabalho, em n\u00fameros ajustados sazonalmente &#8211; um ritmo bastante lento, acompanhado por revis\u00f5es de dados que aumentaram em 86 mil os postos acrescentados nos meses anteriores. Os novos n\u00fameros mostram que o pa\u00eds ganhou 181 mil empregos em julho e 142 mil em agosto, e que o crescimento do emprego no terceiro trimestre foi muito maior do que no segundo.<\/p>\n<p>Mas parte do crescimento se deve a uma alta no n\u00famero de pessoas trabalhando em empregos de meio per\u00edodo. Isso sugere que os empregadores continuam relutando em se expandir, em face das amea\u00e7as \u00e0 economia americana e outras economias mundiais, incluindo a deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es na Europa e a perspectiva de cortes de gastos e aumento de impostos nos EUA no fim do ano.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio levantou as bolsas na sexta, com a M\u00e9dia Industrial Dow Jones subindo 34,79 pontos e fechando em 13.610,15.<\/p>\n<p>Os dados n\u00e3o indicam, necessariamente, uma acelera\u00e7\u00e3o s\u00fabita no mercado de trabalho. Mas sugerem que uma freada nas contrata\u00e7\u00f5es no segundo trimestre foi de curta dura\u00e7\u00e3o, e que a economia americana voltou \u00e0 sua tend\u00eancia recente de acrescentar 150 mil empregos mensalmente, em m\u00e9dia. N\u00e3o \u00e9 um crescimento robusto, especialmente com o desemprego ainda alto em termos hist\u00f3ricos, mas representa uma clara melhoria em rela\u00e7\u00e3o ao segundo trimestre, quando a economia registrou tr\u00eas meses consecutivos com menos de 100 mil novas vagas.<\/p>\n<p>A taxa de desemprego mostrou uma melhoria mais acentuada, mas o n\u00famero se baseia em uma pesquisa menor e mais vol\u00e1til do que os dados principais, vindos das folhas de pagamento.<\/p>\n<p>Alguns economistas dizem que a grande queda no desemprego em setembro provavelmente reflete v\u00e1rios meses de progresso no mercado de trabalho, e n\u00e3o uma mudan\u00e7a brusca em um s\u00f3 m\u00eas.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio tem import\u00e2ncia pol\u00edtica, j\u00e1 que o desemprego \u00e9 uma das principais medidas da economia nesta fase que antecede as elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 6 de novembro. A taxa de desemprego voltou para onde estava quando Obama assumiu, depois de atingir um pico de 10% em outubro de 2009.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos avan\u00e7ando&#8221;, disse Obama em um com\u00edcio na Universidade George Mason, no Estado de Virg\u00ednia, na sexta-feira.<\/p>\n<p>Jack Welch, ex-diretor-presidente da General Electric, provocou uma tempestade no Twitter ao sugerir que o governo manipulou os n\u00fameros. &#8220;N\u00famero de empregos inacredit\u00e1vel. Esses caras de Chicago fazem qualquer coisa. Como n\u00e3o sabem debater, mudam os n\u00fameros&#8221;, escreveu Welch. Ele disse depois ao &#8220;The Wall Street Journal&#8221;: &#8220;Eu n\u00e3o estava brincando&#8221;.<\/p>\n<p>Um alto funcion\u00e1rio do Departamento do Tesouro disse na sexta-feira que qualquer sugest\u00e3o de que os n\u00fameros foram manipulados para render vantagens pol\u00edticas \u00e9 &#8220;simplesmente um absurdo&#8221;.<\/p>\n<p>Keith Hall, que trabalhou no Departamento de Estat\u00edsticas do Trabalho de 2008 at\u00e9 2012, disse na sexta-feira que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma modo de algu\u00e9m dessa ag\u00eancia alterar qualquer dado nas duas pesquisas mensais sobre o emprego. A melhoria significativa no \u00edndice de desemprego pode refletir erros normais de estat\u00edstica no processo de amostragem, disse ele, mas n\u00e3o tem nada a ver com manipula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A economia acrescentou 325 mil empregos sob o comando de Obama, ou 967 mil empregos quando se exclui a perda de cargos no setor p\u00fablico &#8211; n\u00fameros que com certeza ser\u00e3o alardeados na sua campanha pela reelei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O candidato de oposi\u00e7\u00e3o Mitt Romney citou repetidas vezes o desemprego acima de 8% como prova do fracasso da pol\u00edtica econ\u00f4mica do presidente. Na sexta, o ex-governador de Massachusetts argumentou que, mesmo com a melhora recente, o desemprego continua inaceitavelmente alto, como resultado das pol\u00edticas de Obama.<\/p>\n<p>Romney descartou a import\u00e2ncia do relat\u00f3rio de sexta-feira, julgando que o progresso \u00e9 insuficiente. &#8220;A verdade \u00e9 que, se a mesma propor\u00e7\u00e3o de pessoas estivesse participando da for\u00e7a de trabalho hoje como no dia em que o presidente foi eleito, a nossa taxa de desemprego estaria em torno de 11%&#8221;, disse Romney. &#8220;Essa \u00e9 a realidade do que est\u00e1 acontecendo.&#8221;<\/p>\n<p>Apenas um presidente nas \u00faltimas d\u00e9cadas, George W. Bush, venceu a reelei\u00e7\u00e3o com uma taxa de desemprego inalterada ou maior do que quando assumiu o cargo.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio de sexta \u00e9 o primeiro desde a decis\u00e3o do Federal Reserve, o banco central americano, de come\u00e7ar um ambicioso programa de est\u00edmulo \u00e0 economia, comprando mensalmente US$ 40 bilh\u00f5es em t\u00edtulos lastreados em hipotecas, at\u00e9 que o mercado de trabalho dos EUA melhore substancialmente. Os n\u00fameros mais recentes, embora animadores, sugerem que a cria\u00e7\u00e3o de emprego continua mais lenta do que o Fed gostaria.<\/p>\n<p>O quadro geral dos empregos tem v\u00e1rios sinais positivos. Os trabalhadores do setor privado, em m\u00e9dia, aumentaram suas horas semanais. E a participa\u00e7\u00e3o na for\u00e7a de trabalho &#8211; taxa que reflete a propor\u00e7\u00e3o de americanos em idade de trabalho que est\u00e3o empregados ou procurando emprego &#8211; ficou est\u00e1vel, depois de cair nos \u00faltimos meses, embora o n\u00edvel continue baixo em termos hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio ressalta como alguns setores est\u00e3o contratando e outros est\u00e3o inalterados, ou cortando vagas. Dos 104 mil novos cargos no setor privado, a maior parte veio do setor da sa\u00fade, que acrescentou 44 mil vagas, e do transporte e armazenamento. O setor industrial perdeu 16 mil vagas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":" O Estado de S. 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