{"id":3687,"date":"2012-10-10T14:22:18","date_gmt":"2012-10-10T14:22:18","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3687"},"modified":"2012-10-10T14:22:18","modified_gmt":"2012-10-10T14:22:18","slug":"entrevista-exclusiva-com-integrantes-das-farc-ep-na-mesa-de-dialogo-com-o-governo-colombiano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3687","title":{"rendered":"ENTREVISTA EXCLUSIVA COM INTEGRANTES DAS FARC-EP NA MESA DE DI\u00c1LOGO COM O GOVERNO COLOMBIANO"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>ENTREVISTA EXCLUSIVA COM INTEGRANTES DAS FARC-EP NA MESA DE DI\u00c1LOGO COM O GOVERNO COLOMBIANO <\/strong><\/p>\n<p>\u201cO triunfo de um povo \u00e9 o triunfo de todos\u201d<\/p>\n<p>O jornal Imprensa Popular entrevistou com exclusividade em Havana, capital de Cuba, os representantes da Equipe de Di\u00e1logo das FARC-EP Marco Le\u00f3n Calarc\u00e1, Hermes Aguilar e Ricardo Teles, que participam dos di\u00e1logos de paz entre a insurg\u00eancia e o governo colombiano. Confira, a seguir, a \u00edntegra da entrevista:<\/p>\n<p>IMPRENSA POPULAR &#8211; Camaradas, \u00e9\u00a0uma honra para n\u00f3s do Partido Comunista Brasileiro e do jornal Imprensa Popular poder realizar essa entrevista com a Equipe de Di\u00e1logo das FARC-EP neste momento t\u00e3o transcendental para a hist\u00f3ria da Col\u00f4mbia e para os rumos da Am\u00e9rica Latina. Na sua opini\u00e3o, o que devem fazer os internacionalistas brasileiros para colaborar na busca da almejada paz com justi\u00e7a social na Col\u00f4mbia?<\/p>\n<p>Marco &#8211; Primeiramente, enviamos as sauda\u00e7\u00f5es das FARC ao povo brasileiro atrav\u00e9s do Partido Comunista Brasileiro. Pensamos que a solidariedade \u00e9 inerente \u00e0 paz. Neste momento estamos claros de que o processo e a possibilidade de construir os caminhos para a paz s\u00e3o um triunfo do movimento popular &#8211; do qual fazemos parte. Assim como conseguimos abrir a porta, necessitamos ajuda para mant\u00ea-la aberta e avan\u00e7ar.<\/p>\n<p>E n\u00e3o somente dos internacionalistas brasileiros, mas de todos os povos do mundo, porque inclusive pensamos que temos a necessidade de paz em todo o mundo. A paz \u00e9\u00a0um direito essencial, e a \u00fanica possibilidade de avan\u00e7ar na constru\u00e7\u00e3o de sociedades dignas que merecem os povos, que merecemos n\u00f3s, tamb\u00e9m. Porque \u00e9 conhecido o n\u00edvel de explora\u00e7\u00e3o dos povos, que \u00e9 um n\u00edvel de explora\u00e7\u00e3o ao que se somam a repress\u00e3o, a viol\u00eancia, os assassinatos, a impunidade. Isso configura uma imagem do que foi a hist\u00f3ria da Col\u00f4mbia, e \u00e9 uma hist\u00f3ria que se repete. L\u00e1 os ventos de mudan\u00e7a s\u00e3o tamb\u00e9m os ventos de transforma\u00e7\u00e3o da Nossa Am\u00e9rica. Por essa raz\u00e3o e import\u00e2ncia, eu n\u00e3o concordo em que o processo poderia ser mais r\u00e1pido, mais lento, que deva se ceder ante tal ou qual coisa.<\/p>\n<p>\u00c9 inquestion\u00e1vel que existem em nossa Am\u00e9rica algumas mudan\u00e7as, algumas expectativas de que em realidade alguns governos estariam representando os interesses da popula\u00e7\u00e3o. Mas, ainda existem pa\u00edses onde esses ventos de mudan\u00e7a n\u00e3o sopram, enfrentam barreiras que os det\u00eam.<\/p>\n<p>E h\u00e1\u00a0ventos e ventos, que respondem a qualquer mudan\u00e7a de tempo ou posi\u00e7\u00e3o. E os acordos com freq\u00fc\u00eancia s\u00e3o os que explicam qualquer tipo de facilidade para essas mudan\u00e7as. N\u00e3o obstante acabam por ser arrumados de acordo com a hist\u00f3ria do mundo e a conjuntura atual.<\/p>\n<p>IP &#8211; Qual deveria ser a postura do Brasil e da Unasul nesse momento?<\/p>\n<p>Hermes &#8211; Sem d\u00favida, o Brasil, pelas suas dimens\u00f5es e grau de desenvolvimento \u00e9 muito representativo na Am\u00e9rica Latina. Pode-se dizer que em um futuro n\u00e3o muito distante, as decis\u00f5es do Brasil ser\u00e3o determinantes, pois novos elementos geoestrat\u00e9gicos est\u00e3o aparecendo no ambiente pol\u00edtico do Continente. Atrav\u00e9s, tanto do MERCOSUL quanto da UNASUL se est\u00e3o estabelecendo novas rela\u00e7\u00f5es entre governos, povos e ex\u00e9rcitos dos pa\u00edses que os integram, rela\u00e7\u00f5es que nada t\u00eam a ver com a prepotente e dominadora doutrina Monroe que diz \u201cAm\u00e9rica para os americanos\u201d. Hoje tudo passa pelo Brasil. Ademais, devemos levar em conta outros organismos que t\u00eam a ver com esse processo de integra\u00e7\u00e3o, como a CELAC, na qual se integram Cuba e toda Am\u00e9rica Latina. Esse processo come\u00e7a a formar um forte movimento em nosso Continente.<\/p>\n<p>Na Col\u00f4mbia h\u00e1, infelizmente, uma das \u201cdemocracias\u201d mais atrasadas, por n\u00e3o ter modificado em nada sua forma de funcionar. Nunca houve uma possibilidade de abertura, sequer na democracia burguesa.<\/p>\n<p>E vejam bem&#8230;. j\u00e1\u00a0os EUA n\u00e3o conseguem impor sua domina\u00e7\u00e3o como antes. Basta lembrar a amarga experi\u00eancia de ter que ver com seus pr\u00f3prios olhos a derrota contundente de seu projeto conhecido como ALCA. Mas, n\u00e3o deixa de tentar recuperar o terreno perdido, mediante a estrat\u00e9gia do &#8220;n\u00e3o mas sim&#8221;. Quem n\u00e3o lembra do golpe de Estado na Venezuela?<\/p>\n<p>No Haiti, lembrem uma trag\u00e9dia terr\u00edvel para invadir seu territ\u00f3rio com milhares de soldados, quando o que necessita o povo desse pa\u00eds s\u00e3o m\u00e9dicos (as), enfermeiros (as), \u00e1gua, comida, barracas, rem\u00e9dios, hospitais de campanha, ambul\u00e2ncias, etc, etc, etc. Algo tem por tr\u00e1s dessa invas\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois, a bola da vez foi Honduras: golpe de Estado. E seguindo nessa linha, temos mais recentemente o golpe de Estado no Paraguai. Por outra parte, continuam a instalar Bases Militares em nosso Continente. H\u00e1 pa\u00edses que aceitam ceder territ\u00f3rio; outros, com atitude digna e soberana, lhe dizem: n\u00e3o. E n\u00e3o podemos esquecer que por ai anda a Quarta Frota. Fazendo o que?<\/p>\n<p>Os EUA ficam nervosos quando observam o esp\u00edrito soberano e de independ\u00eancia que t\u00eam a integra\u00e7\u00e3o e a complementariedade de nossos pa\u00edses, assim como a consci\u00eancia pol\u00edtica e a luta anti-imperialista dos seus povos. E mais, ainda, est\u00e3o muito preocupados, pois sabem das grandes possibilidades que Am\u00e9rica Latina unida tem para fazer excelentes planos de desenvolvimento a serem inclu\u00eddos na agenda geoestrat\u00e9gica mundial, j\u00e1 que conta com as maiores reservas de recursos naturais determinantes para a sobreviv\u00eancia da Humanidade. E, em todo isso, o Brasil tem uma grande miss\u00e3o a cumprir.<\/p>\n<p>IP &#8211; E como, de fato, voc\u00ea\u00a0 avalia a atua\u00e7\u00e3o do Brasil e da UNASUL nesse epis\u00f3dio espec\u00edfico de di\u00e1logos para a paz na Col\u00f4mbia e ao longo dos \u00faltimos anos?<\/p>\n<p>Ricardo &#8211; Aproveito a oportunidade de estar falando com os camaradas do Partido Comunista Brasileiro para enviar uma calorosa, ampla e generosa sauda\u00e7\u00e3o aos revolucion\u00e1rios e ao povo do Brasil. Sentimos o calor e a solidariedade dos brasileiros atrav\u00e9s de todos esses anos de intensa luta na Col\u00f4mbia, incluindo os dez \u00faltimos anos de uma guerra que foi incrementada pelo senhor Uribe Velez.<\/p>\n<p>Nesse processo, recebemos a solidariedade efetiva e o calor do povo brasileiro, principalmente quando no Brasil Oliv\u00e9rio Medina, um dos nossos dirigentes, foi detido. Foi o povo brasileiro quem impediu que fosse extraditado, sendo que os comunistas e revolucion\u00e1rios brasileiros tiveram um papel determinante, impedindo que nosso companheiro hoje estivesse na pris\u00e3o pagando por delitos que n\u00e3o cometeu. Agora, sobre a UNASUL e os outros organismos que est\u00e3o surgindo, \u00e9 uma nova forma de fazer diplomacia na Am\u00e9rica Latina. Os EUA j\u00e1 n\u00e3o podem fazer em nosso Continente o que tradicionalmente vinham fazendo. Os organismos fundados como fantoches, a exemplo da OEA, est\u00e3o nesse momento ultrapassados, e na nova diplomacia v\u00e3o ganhando mais for\u00e7a os povos que come\u00e7am a se despertar para o processo de unidade latino-americana e caribenha.<\/p>\n<p>Nesse sentido a UNASUL, a ALBA, a CELAC v\u00e3o jogar um papel decisivo para impedir que os EUA sigam dominando nossos pa\u00edses como vinham fazendo.<\/p>\n<p>Existe uma quest\u00e3o que n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0conhecida, mas nessa aproxima\u00e7\u00e3o entre as FARC e o governo colombiano, generosamente o governo do Brasil ofereceu seu territ\u00f3rio para que se iniciassem os di\u00e1logos discretos e secretos entre as duas partes. Tamb\u00e9m, na recente crise entre Col\u00f4mbia e Venezuela o governo brasileiro, assim como o cubano, teve papel determinante para evitar uma guerra. Dessa forma, acreditamos que a UNASUL tem um papel fundamental nesse momento de inicio dos di\u00e1logos.<\/p>\n<p>Num futuro pr\u00f3ximo \u00e9\u00a0poss\u00edvel esperar que a UNASUL e o Brasil venham a fazer parte da mesa de di\u00e1logo para acompanhar o processo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o Brasil poderia participar de um grupo de pa\u00edses amigos pela paz na Col\u00f4mbia, porque esse processo n\u00e3o afeta somente o territ\u00f3rio colombiano, \u00e9 um assunto regional. O Brasil tem um papel importante para a paz no Continente.<\/p>\n<p>IP &#8211; Que garantias s\u00e3o necess\u00e1rias para que n\u00e3o venha a se repetir o que ocorreu com a Uni\u00e3o Patri\u00f3tica e o assassinato de milhares de lutadores no passado?<\/p>\n<p>Marco &#8211; A garantia necess\u00e1ria, a \u00fanica condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para que n\u00e3o ocorra o que aconteceu com a Uni\u00e3o Patri\u00f3tica \u00e9 a vontade pol\u00edtica da classe dominante colombiana, que abandone o esquema da doutrina da Seguran\u00e7a Nacional que, para a vergonha do pa\u00eds, \u00e9 a \u00fanica na\u00e7\u00e3o que a segue aplicando agora com o nome de Seguran\u00e7a Democr\u00e1tica, porque n\u00e3o existe a possibilidade real de conter os assassinos do povo.<\/p>\n<p>O que existe \u00e9\u00a0a press\u00e3o popular, existe a defesa popular, mas ent\u00e3o cairemos no mesmo: para defender o caminho da paz temos que nos armar para acabar com esses grupos paramilitares que funcionam a mando das for\u00e7as oficiais. Ent\u00e3o, \u00e9 um problema de vontade pol\u00edtica, para que de verdade se olhe para o futuro da p\u00e1tria constru\u00eddo em conjunto com as for\u00e7as populares.<\/p>\n<p>Do contr\u00e1rio seria, ent\u00e3o, levar ao fracasso qualquer tentativa de paz. \u00c9 que n\u00f3s como insurg\u00eancia, as FARC, somos resultado e consequ\u00eancia dessa viol\u00eancia oficial. N\u00f3s n\u00e3o fazemos a guerra porque gostamos da guerra, j\u00e1 que para n\u00f3s a guerra n\u00e3o \u00e9 um fim. Desde 1964, em um dos primeiros documentos que publicaram os marquetalianos &#8211; como chamamos os nossos fundadores &#8211; com o t\u00edtulo de Programa Agr\u00e1rio dos Guerrilheiros, que afirma que somos revolucion\u00e1rios e buscamos a transforma\u00e7\u00e3o pela via democr\u00e1tica e de massas. Mas essa porta nos foi fechada violentamente. No entanto, como somos revolucion\u00e1rios e temos um objetivo, tivemos que buscar outra forma de luta, a luta armada.<\/p>\n<p>Mas n\u00f3s desde nossa origem temos mantido erguida a bandeira da paz, que sempre foi nossa vontade &#8211; assim como \u00e9\u00a0agora -, que sempre foi nossa convic\u00e7\u00e3o. J\u00e1 o outro lado at\u00e9 agora n\u00e3o teve convic\u00e7\u00e3o. Esperamos que agora, com condi\u00e7\u00f5es diferentes (me referia anteriormente aos ares de mudan\u00e7a no continente, \u00e0 movimenta\u00e7\u00e3o social que existe em Col\u00f4mbia) para for\u00e7ar a oligarquia a modificar seu m\u00e9todo de fazer pol\u00edtica, porque nos acusam de violentos, mas s\u00e3o eles que desde a \u00e9poca da independ\u00eancia utilizam o assassinato como arma pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Em 1830 assassinaram o Marechal Antonio Jos\u00e9\u00a0de Sucre e se recordamos a hist\u00f3ria sempre recorreram \u00e0\u00a0viol\u00eancia para tratar de calar o povo, para tratar de impedir as mudan\u00e7as. Ent\u00e3o, desse ponto de vista, existe uma for\u00e7a popular que veremos se consegue convenc\u00ea-los a n\u00e3o utilizar a viol\u00eancia, porque se recorrem \u00e0 viol\u00eancia ent\u00e3o n\u00e3o poderemos construir a paz, j\u00e1 que at\u00e9 agora as condi\u00e7\u00f5es que nos obrigam a estar armados n\u00e3o mudaram, pelo contr\u00e1rio, se agravam. N\u00f3s queremos solucionar essas condi\u00e7\u00f5es e que a viol\u00eancia n\u00e3o seja aplicada contra o nosso povo, porque temos claro que a viol\u00eancia reacion\u00e1ria sempre ter\u00e1 como resposta a viol\u00eancia revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>IP &#8211; O governo Santos teria como cumprir essas garantias necess\u00e1rias para o processo de paz?<\/p>\n<p>Hermes &#8211; Vamos sentar \u00e0 mesa para tratar dessas quest\u00f5es. Nos encontros explorat\u00f3rios que foram feitos durante 6 meses as duas partes se sentaram \u00e0 mesa para construir uma agenda de di\u00e1logos sobre o problema nacional. Isso quer dizer que haver\u00e1 uma batalha, n\u00e3o no campo de guerra, mas em uma mesa em que o movimento guerrilheiro estar\u00e1 na defesa de todo povo colombiano, colocando os temas necess\u00e1rios para que a viol\u00eancia n\u00e3o siga. Iremos tratar nos di\u00e1logos com o governo das causas da viol\u00eancia e buscar caminhos para solucion\u00e1-las.<\/p>\n<p>Se o governo somente tiver como objetivo submeter o movimento a uma desmobiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o iremos avan\u00e7ar: a \u00fanica garantia para que se conquiste a paz na Col\u00f4mbia \u00e9 o combate \u00e0s causas da viol\u00eancia, dando condi\u00e7\u00f5es dignas de vida para o povo. Hoje a Col\u00f4mbia \u00e9 um dos pa\u00edses mais desiguais do planeta, com a maioria do povo vivendo na pobreza e a oligarquia nadando em enormes riquezas. Nos momentos anteriores ao di\u00e1logo o paramilitarismo chegou ao seu auge, tendo liga\u00e7\u00f5es diretas com pol\u00edticos, latifundi\u00e1rios, empres\u00e1rios e militares, sempre tendo como pano de fundo o narcotr\u00e1fico.<\/p>\n<p>Cerca de 80% dos pol\u00edticos colombianos t\u00eam liga\u00e7\u00e3o com a narcopol\u00edtica, assim como muitos oficiais das For\u00e7as Armadas, alguns tendo inclusive sido condenados nos EUA por ter liga\u00e7\u00e3o com o narcotr\u00e1fico. Se o governo tentar repetir o que ocorreu anteriormente seria um desastre para o pa\u00eds, como j\u00e1 foi demonstrado no passado.<\/p>\n<p>A guerra forjada pelo governo e pelo paramilitarismo tem sido muito cruel para o povo colombiano, que sofre com os assassinatos e desapari\u00e7\u00f5es de sindicalistas, camponeses, estudantes, l\u00edderes comunit\u00e1rios, al\u00e9m dos que morrem em combate por uma solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e0s injusti\u00e7as. O governo n\u00e3o tem alternativa sen\u00e3o a de iniciar o di\u00e1logo com a insurg\u00eancia e com o povo, porque a outra via apenas aprofundar\u00e1 a crise. Al\u00e9m do mais, existe uma crise de partidos e um movimento que vem diariamente se fortalecendo, chamado Marcha Patri\u00f3tica, que pode garantir a sustenta\u00e7\u00e3o desse novo processo.<\/p>\n<p>A Marcha Patri\u00f3tica tem modificado profundamente o cotidiano nacional e objetiva conquistar direitos que beneficiem o povo. Este processo de di\u00e1logo deve necessariamente estar acompanhado pelo povo e suas organiza\u00e7\u00f5es, pois \u00e9 o \u00fanico capaz de obrigar o Estado a fazer as mudan\u00e7as urgentes. \u00c9 somente o povo organizado que pode conquistar as transforma\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias em benef\u00edcio da maioria.<\/p>\n<p>IP &#8211; E como est\u00e1\u00a0hoje a mobiliza\u00e7\u00e3o popular para pressionar o governo e exigir conquistas nos diversos aspectos relacionados com a paz?<\/p>\n<p>Hermes &#8211; Neste momento existe uma grande for\u00e7a dos setores populares e do movimento revolucion\u00e1rio. N\u00f3s das FARC n\u00e3o somos apenas guerrilheiros. Desenvolvemos um trabalho pol\u00edtico clandestino em diversos setores da sociedade colombiana, desde o Partido Comunista Clandestino, junto ao movimento oper\u00e1rio, juvenil, campon\u00eas, comunit\u00e1rio, cultural, etc. Em cada brecha na sociedade colombiana existem revolucion\u00e1rios trabalhando e aportando para o processo.<\/p>\n<p>Hoje vemos marchas na Col\u00f4mbia que n\u00e3o se viam desde 1948, constru\u00eddas por mais de 2 mil organiza\u00e7\u00f5es camponesas, afrodescendentes, ind\u00edgenas, sindicais, estudantis, culturais e art\u00edsticas, que chegaram a mobilizar cerca de 2 milh\u00f5es de colombianos e colombianas: o movimento Marcha Patri\u00f3tica. O movimento vem se organizando em n\u00edvel nacional, em cada regi\u00e3o da Col\u00f4mbia, realizando marchas e mobiliza\u00e7\u00f5es nacionais, regionais e locais, o que mostra seu intenso processo de consolida\u00e7\u00e3o como for\u00e7a pol\u00edtica.<\/p>\n<p>A juventude tamb\u00e9m tem feito um belo trabalho. Recentemente os estudantes enfrentaram uma lei que avan\u00e7aria na privatiza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o superior e venceram o governo. \u00c9\u00a0um momento importante, em que o povo tem mostrado \u00e0s classes dominantes a sua imensa for\u00e7a.<\/p>\n<p>IP &#8211; Para finalizar, que mensagem gostariam de enviar aos militantes do PCB e, em especial, \u00e0 juventude comunista no Brasil e a outros internacionalistas?<\/p>\n<p>Ricardo &#8211; Certamente por sorte voc\u00eas, por sua juventude, n\u00e3o haviam nascido quando aconteceu o golpe de Estado e a ditadura pavorosa que o Brasil sofreu e que logo se espalhou por todo o continente. A\u00ed a juventude brasileira deu uma cota muito grande de sangue enfrentando a ditadura.<\/p>\n<p>Atualmente a juventude brasileira tamb\u00e9m enfrenta grandes batalhas para melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida de seu povo. Certamente voc\u00eas n\u00e3o vivem uma guerra aberta de car\u00e1ter militar contra o Estado, mas existem outras formas de luta, de organiza\u00e7\u00e3o popular, desde que o Estado burgu\u00eas permite esse tipo de organiza\u00e7\u00e3o sem o risco de serem assassinados. \u00c9 justa a participa\u00e7\u00e3o em qualquer atividade de tipo legal, ocupando as contradi\u00e7\u00f5es dos grandes ou pequenos espa\u00e7os existentes no estado burgu\u00eas.<\/p>\n<p>A juventude colombiana, ao contr\u00e1rio, nos \u00faltimos 60 anos nunca p\u00f4de ter um dia de paz ou de sossego, e por isso milhares de jovens se viram obrigados a empunhar as armas. Jovens que nesse momento poderiam estar na universidade, no col\u00e9gio, na escola, preparando-se para as batalhas do futuro.<\/p>\n<p>N\u00f3s, de longe, observamos a juventude brasileira, que se manifesta atrav\u00e9s de seu folclore, da arte, do esporte; temos visto seus cantores, seus estudantes, seus artistas. Uma juventude que tem muita criatividade, que deve aproveitar muito o tempo para o estudo, para sua forma\u00e7\u00e3o, e colocar todo isso a servi\u00e7o de seu povo, evitar a postura de car\u00e1ter ego\u00edsta, o individualismo, e os valores que se perderam devido \u00e0s pol\u00edticas neoliberais.<\/p>\n<p>Acredito que a Juventude Comunista deve ser e \u00e9 exemplo de dignidade, de valores que a sociedade e o mundo necessitam hoje mais do que nunca. Nenhum de n\u00f3s queremos que nenhum jovem do mundo passe por situa\u00e7\u00f5es degradantes e acredito que a juventude est\u00e1 sendo chamada a construir um mundo mais digno, um mundo melhor, com trabalho, com educa\u00e7\u00e3o, com sa\u00fade, com pleno desenvolvimento f\u00edsico e espiritual do ser humano.<\/p>\n<p>Esta \u00e9\u00a0a nossa mensagem dos guerrilheiros colombianos para os militantes do PCB e para a juventude comunista e, atrav\u00e9s de voc\u00eas, a todo o povo brasileiro, em especial a toda a juventude trabalhadora, homens e mulheres.<\/p>\n<p>Marco &#8211; Para finalizar, gostaria de dizer que \u00e9 necess\u00e1ria a solidariedade na luta dos povos, porque o triunfo de um povo \u00e9 o triunfo de todos, e a derrota de um \u00e9 a derrota de todos. Assim, \u00e9 importante esse processo de organiza\u00e7\u00e3o. Que em nossa voz, em nossas respostas, v\u00e1 o esp\u00edrito da Guerrilherada Fariana, desses milhares de guerrilheiros e guerrilheiras que continuamos lutando pela paz e cumprindo com nossa tarefa de avan\u00e7ar nossa revolu\u00e7\u00e3o em benef\u00edcio de todos os povos do mundo.<\/p>\n<p>Hermes &#8211; Eu gostaria de saudar o militantes do PCB e da UJC, e a todos os amigos que nos tem apoiado todos esses anos, com essa solidariedade comunista, combativa, que todos devemos ter. N\u00f3s, guerrilheiros, sempre estamos atentos para que a luta no Brasil, a luta de qualquer pa\u00eds seja nossa luta. Essa experi\u00eancia que estamos adquirindo com a mesa de di\u00e1logo e outras experi\u00eancias que possam surgir, queremos compartilhar com outros pa\u00edses, como Brasil, com os companheiros que ousam e que combatem a cada dia procurando melhorar o pa\u00eds.<\/p>\n<p>E no nosso cora\u00e7\u00e3o fica a palavra de ordem:<\/p>\n<p>Contra o imperialismo, pela p\u00e1tria; contra a oligarquia, pelo povo: somos as FARC &#8211; Ex\u00e9rcito do Povo, at\u00e9 a vit\u00f3ria final!.<\/p>\n<p>Entrevista exclusiva ao Imprensa Popular<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PCB\n\n\n\n\n\n\n\n\nIMPRENSA POPULAR:\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3687\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[96],"tags":[],"class_list":["post-3687","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c109-imprensa-popular"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Xt","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3687","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3687"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3687\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3687"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3687"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3687"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}