{"id":3688,"date":"2012-10-10T17:44:59","date_gmt":"2012-10-10T17:44:59","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3688"},"modified":"2012-10-10T17:44:59","modified_gmt":"2012-10-10T17:44:59","slug":"desmate-cresce-e-governo-anuncia-pacote","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3688","title":{"rendered":"Desmate cresce e governo anuncia pacote"},"content":{"rendered":"\n<p>O desmatamento na Amaz\u00f4nia Legal entre agosto e setembro foi de 804 km2, o maior n\u00edvel do per\u00edodo nos \u00faltimos tr\u00eas anos, puxado pela seca intensa de 2012 e a expans\u00e3o das \u00e1reas para plantio de soja, garimpo e pecu\u00e1ria. Apenas em agosto, o desflorestamento foi de 522 km2 (mais de duas vezes o tamanho da cidade do Recife), um aumento de 220% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de 2011. Na s\u00e9rie hist\u00f3rica, o pico s\u00f3 n\u00e3o foi mais alto que em julho de 2009, quando o total destru\u00eddo chegou a 835 km2.<\/p>\n<p>Os dados foram apresentados ontem pelos ministros do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e da Justi\u00e7a, Jos\u00e9 Eduardo Cardozo, que anunciaram um pacote de medidas para intensificar a preven\u00e7\u00e3o e o combate ao desmatamento. A atua\u00e7\u00e3o do governo se dar\u00e1 em cinco a\u00e7\u00f5es principais, sendo a mais importante a fiscaliza\u00e7\u00e3o permanente na regi\u00e3o. Parte delas ser\u00e1 oficializada at\u00e9 o fim da semana em decreto da presidente Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>Atualmente, os agentes federais trabalham principalmente no per\u00edodo de seca, de abril a outubro, quando os desmatadores atuam com mais facilidade e a falta de nuvens favorece o monitoramento por sat\u00e9lite. Por\u00e9m, a derrubada de floresta vem ocorrendo mesmo em per\u00edodo chuvoso, apesar das dificuldades para a retirada de madeira, o que for\u00e7ou uma reorienta\u00e7\u00e3o na repress\u00e3o.<\/p>\n<p>A For\u00e7a Nacional de Seguran\u00e7a criar\u00e1 uma companhia ambiental na Amaz\u00f4nia. As atividades de intelig\u00eancia v\u00e3o contar com o background militar. Ser\u00e1 criado ainda o Proteger Ambiental, que voltar\u00e1 a estrutura e o efetivo das For\u00e7as Armadas para a\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o da mata. O governo classificou o pacote como um forte refor\u00e7o, mas se negou a divulgar n\u00fameros. &#8220;Se eu disser o efetivo, dou muni\u00e7\u00e3o para o bandido&#8221;, disse Cardozo.<\/p>\n<p>Queda de \u00e1rvores. Par\u00e1, Mato Grosso, Rond\u00f4nia e Amazonas foram os Estados com maior desmate em agosto.<\/p>\n<p>Apesar dos dados negativos, a ministra ponderou que o refor\u00e7o na fiscaliza\u00e7\u00e3o j\u00e1 possibilitou a redu\u00e7\u00e3o do ritmo da destrui\u00e7\u00e3o em setembro, com 282 km2. &#8220;Houve o aumento do pre\u00e7o do ouro (o que estimula a abertura de garimpos) e da soja internacional. As pessoas est\u00e3o desmatando por soja, pecu\u00e1ria, madeira e ouro&#8221;, disse Izabella.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Acordo tribut\u00e1rio com Reino Unido depende do Congresso<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O governo brasileiro est\u00e1 negociando acordos espec\u00edficos de troca de informa\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias com alguns pa\u00edses para contornar a aus\u00eancia de tratados que impedem a bitributa\u00e7\u00e3o. O objetivo \u00e9 coibir crimes como sonega\u00e7\u00e3o de impostos e lavagem de dinheiro. No fim de setembro, o Brasil assinou um acordo com o Reino Unido. O documento, no entanto, ainda depende de aprova\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional para come\u00e7ar a vigorar.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o segundo tratado para troca de informa\u00e7\u00f5es assinado pelo Brasil. O primeiro foi fechado, em 2007, com os Estados Unidos. Por enquanto, essa parceria n\u00e3o est\u00e1 funcionando pois precisa ser confirmada pelo Senado Federal brasileiro. A expectativa da Receita Federal \u00e9 de sejam assinados, ainda neste ano, acordos semelhantes com o Uruguai, Bermudas e duas ilhas do Canal da Mancha, Jersey e Guernsey.<\/p>\n<p>O coordenador-geral de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Receita Federal, Flavio Ara\u00fajo, disse ao Valor que esses tratados impedem que contribuintes fechem neg\u00f3cios em outros pa\u00edses com o objetivo de esconder opera\u00e7\u00f5es. Essa \u00e9 uma maneira de assegurar o cumprimento da legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria e evitar sonega\u00e7\u00e3o de impostos, fraudes e lavagem de dinheiro, explicou o coordenador.<\/p>\n<p>O tratado entre Brasil e Reino Unido foi assinado, no dia 28 de setembro. Na ocasi\u00e3o, o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, fazia uma visita ao pa\u00eds. O acordo prev\u00ea que as economias poder\u00e3o solicitar informa\u00e7\u00f5es, desde que respeitada a legisla\u00e7\u00e3o de cada pa\u00eds, assim como o sigilo. Os dados n\u00e3o poder\u00e3o ser repassados a terceiros. Al\u00e9m disso, as opera\u00e7\u00f5es com ind\u00edcios de irregularidades poder\u00e3o ser informadas espontaneamente. O acordo prev\u00ea a possibilidade de recusar o atendimento de um pedido em casos como segredo comercial, empresarial e industrial ou processo comercial. Normalmente, conforme o coordenador da Receita Federal, o prazo para resposta \u00e9 de cerca de 90 dias, podendo, dependendo da situa\u00e7\u00e3o, ser estendido.<\/p>\n<p>Segundo Ara\u00fajo, o Brasil tem um pouco mais de 30 acordos internacionais para evitar bitributa\u00e7\u00e3o com na\u00e7\u00f5es como \u00c1frica do Sul, Argentina, Canad\u00e1 e Espanha. Nesse tipo de acerto j\u00e1 existem cl\u00e1usulas que estabelecem regras m\u00ednimas para troca de informa\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m, em muitos casos, essa negocia\u00e7\u00e3o \u00e9 demorada e para viabilizar, pelo menos o interc\u00e2mbio de dados, v\u00e1rios pa\u00edses est\u00e3o optando por acordos espec\u00edficos para troca de informa\u00e7\u00f5es. J\u00e1 foram fechados no mundo cerca de 800 acordos desse tipo. Sem tratado para evitar bitributa\u00e7\u00e3o com os Estados Unidos e Reino Unido, o governo brasileiro recorreu ao tratado de troca de informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do coordenador, o pa\u00eds que se nega a fazer interc\u00e2mbio de dados acaba sendo mal visto pela comunidade internacional. Tanto \u00e9 que pa\u00edses ou depend\u00eancias considerados pela Receita Federal brasileira como um &#8220;para\u00edso fiscal&#8221; por ter uma tributa\u00e7\u00e3o favorecida e regimes fiscais privilegiados, est\u00e3o assinando acordos para troca de informa\u00e7\u00f5es. Esse \u00e9 o caso de Ilhas das Bermudas e Jersey, cujos tratados com o Brasil j\u00e1 foram negociados e precisam apenas ser assinados.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Produ\u00e7\u00e3o industrial cresce no Nordeste, mas continua em queda na regi\u00e3o Sudeste<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A ind\u00fastria do Nordeste se descolou do resto do pa\u00eds e encerrou os primeiros oito meses do ano com uma produ\u00e7\u00e3o 2,2% maior do que a de igual per\u00edodo do ano passado. Na mesma compara\u00e7\u00e3o, a ind\u00fastria de S\u00e3o Paulo registrou queda de 5,6%, enquanto a do Rio de Janeiro e a do Esp\u00edrito Santo ca\u00edram mais de 6%, resultados que contribuiram para a retra\u00e7\u00e3o de 3,4% na m\u00e9dia nacional, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Nos \u00faltimos dois meses, essa dicotomia entre o Nordeste e o Sudeste arrefeceu.<\/p>\n<p>Isolado, o m\u00eas de agosto mostrou uma recupera\u00e7\u00e3o mais disseminada da produ\u00e7\u00e3o industrial nas regi\u00f5es pesquisadas pelo IBGE, movimento que fortalece a vis\u00e3o de que o setor se enquadra num processo, ainda lento, de crescimento, segundo especialistas ouvidos pelo Valor.<\/p>\n<p>De acordo com a Pesquisa Industrial Mensal &#8211; Produ\u00e7\u00e3o F\u00edsica (PIM-PF) Regional de agosto, 9 dentre 14 localidades apresentaram alta na produ\u00e7\u00e3o na passagem de julho para agosto, feitos os ajustes sazonais. A m\u00e9dia do pa\u00eds foi de avan\u00e7o de 1,5% da produ\u00e7\u00e3o industrial nessa compara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No intervalo anterior (passagem de junho para julho), a produ\u00e7\u00e3o industrial tinha crescido 0,5%. No entanto, a produ\u00e7\u00e3o recuou em 9 de 14 regi\u00f5es &#8211; movimento oposto ao observado em agosto. A retomada da atividade industrial na compara\u00e7\u00e3o por regi\u00f5es se soma a um dado que havia sido divulgado na semana passada. Entre os 27 ramos contemplados pela PIM no conjunto do pa\u00eds, 20 apresentaram alta na produ\u00e7\u00e3o em agosto, ante julho.<\/p>\n<p>Para Julio Gomes de Almeida, professor da Unicamp e ex-secret\u00e1rio de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica da Fazenda, tais fatores ganham ainda mais relev\u00e2ncia quando esse crescimento \u00e9 acompanhado por Estados como S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, que possuem parques industriais mais complexos e, portanto, refletem uma recupera\u00e7\u00e3o mais org\u00e2nica quando registram avan\u00e7o na produ\u00e7\u00e3o. &#8220;Isso nos d\u00e1 um grau maior de certeza de que esse crescimento veio para ficar, pois ele est\u00e1 bem distribu\u00eddo entre os segmentos da ind\u00fastria e entre as regi\u00f5es&#8221;, avalia.<\/p>\n<p>Na passagem de julho para agosto, feitos os ajustes sazonais, a atividade industrial cresceu 2,7% em S\u00e3o Paulo e 3,3% em Minas Gerais. Outro importante e complexo parque industrial, segundo o professor da Unicamp, \u00e9 o do Rio de Janeiro. Ali, a produ\u00e7\u00e3o cresceu 0,6% na mesma compara\u00e7\u00e3o. &#8220;O fato de a produ\u00e7\u00e3o crescer em regi\u00f5es onde a ind\u00fastria \u00e9 mais diversificada \u00e9 um sinal de que o miolo da ind\u00fastria est\u00e1 se recuperando. N\u00e3o se trata apenas de movimentos setoriais.&#8221;<\/p>\n<p>O economista Alexandre Andrade, da Votorantim Corretora, discorda. Para ele, a recupera\u00e7\u00e3o vista na ind\u00fastria em agosto \u00e9 reflexo do bom desempenho apresentado por setores espec\u00edficos. &#8220;Esse resultado foi bastante influenciado pelo desempenho de alguns setores, especialmente os que receberam benef\u00edcios fiscais do governo&#8221;, afirma o economista, segundo quem a recupera\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria ainda est\u00e1 calcada em bens dur\u00e1veis.<\/p>\n<p>&#8220;Vamos, aos poucos, superar a concentra\u00e7\u00e3o em bens de consumo dur\u00e1veis, como autom\u00f3veis, m\u00f3veis e eletrodom\u00e9sticos, e espalhar a recupera\u00e7\u00e3o para bens dur\u00e1veis, intermedi\u00e1rios e, finalmente, bens de capital&#8221;, avalia Andrade.<\/p>\n<p>Apesar da estagna\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o industrial no Nordeste em agosto, ante julho, a regi\u00e3o diverge do restante do pa\u00eds no acumulado do ano. Entre janeiro e agosto, a produ\u00e7\u00e3o industrial da regi\u00e3o cresceu 2,2% na compara\u00e7\u00e3o com igual per\u00edodo de 2011. O saldo total da ind\u00fastria, contabilizando, inclusive, o Nordeste, \u00e9 de recuo de 3,4% nessa mesma compara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, o resultado da regi\u00e3o est\u00e1 diretamente ligado \u00e0 robustez de seu mercado consumidor. &#8220;O reajuste de 14% do sal\u00e1rio m\u00ednimo em 2012 pode ter dado um empuxo de demanda, o que ajudou o setor industrial ao longo do ano. O mercado dom\u00e9stico est\u00e1 impulsionando o Nordeste&#8221;, diz Vale.<\/p>\n<p>Dois segmentos se destacam na abertura dos dados da ind\u00fastria do Nordeste. Contribuem para o avan\u00e7o de 2,2% no acumulado do ano os setores de produtos qu\u00edmicos, que responde por 1,8 ponto percentual dessa alta, e de alimentos e bebidas, que responde por 0,74 ponto.<\/p>\n<p>Andrade, da Votorantim, acrescenta que, principalmente no setor de alimentos e bebidas, s\u00e3o as vendas no varejo que alavancam a produ\u00e7\u00e3o industrial. &#8220;O com\u00e9rcio varejista no Nordeste nos \u00faltimos anos tem mostrado um desempenho acima da m\u00e9dia nacional. Isso tem a ver com o aumento de poder aquisitivo das fam\u00edlias.&#8221;<\/p>\n<p>Apesar da recupera\u00e7\u00e3o em agosto, os Estados da regi\u00e3o Sudeste ainda acumulam queda entre janeiro e agosto, na compara\u00e7\u00e3o com igual per\u00edodo de 2011. Em S\u00e3o Paulo, o recuo da produ\u00e7\u00e3o \u00e9 de 5,6%. No Rio, de 6,5% e, em Minas Gerais, de 0,4%, sempre na compara\u00e7\u00e3o entre 2012 e 2011, no acumulado at\u00e9 agosto. No Brasil, a queda nessa an\u00e1lise \u00e9 de 3,4%.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Gregos contra Merkel<\/p>\n<p>Correio Braziliense<\/p>\n<p>A chanceler alem\u00e3, Angela Merkel, foi recebida ontem por manifesta\u00e7\u00f5es de protesto em sua primeira visita \u00e0 Gr\u00e9cia desde que a crise da d\u00edvida explodiu, em 2009. Em reuni\u00e3o com o primeiro-ministro, Antonis Samaras, ela pediu ao governo local que mantenha as medidas de austeridade para equilibrar as contas e assegurou apoio \u00e0 perman\u00eancia do pa\u00eds na Zona do Euro.<\/p>\n<p>Por sua postura radical em defesa do equil\u00edbrio or\u00e7ament\u00e1rio, Merkel se converteu em uma personalidade odiada na Gr\u00e9cia. Fortemente endividado, o pa\u00eds se viu obrigado pelos credores a aplicar dr\u00e1sticos cortes de gastos p\u00fablicos, que acentuaram a recess\u00e3o, em troca de um programa de resgate financeiro.<\/p>\n<p>Mais de 6 mil policiais foram destacados para patrulhar o centro da capital durante a visita da l\u00edder alem\u00e3, que durou apenas seis horas. Cerca de 25 mil pessoas participaram dos protestos. Os agentes dispararam bombas de g\u00e1s lacrimog\u00eaneo para dispersar grupos de manifestantes que tentavam derrubar uma barricada que protegia um dos acessos do local da reuni\u00e3o entre Merkel e Samaras.<\/p>\n<p>Duas bandeiras nazistas foram colocadas em uma barreira de metal pr\u00f3xima ao Parlamento e incendiadas. Na manifesta\u00e7\u00e3o era poss\u00edvel ler cartazes como: &#8220;Fora Merkel, a Gr\u00e9cia n\u00e3o \u00e9 uma col\u00f4nia&#8221; e &#8220;N\u00e3o ao 4\u00ba Reich&#8221;.<\/p>\n<p>Momento crucial<\/p>\n<p>&#8220;Estou profundamente convencida de que estes esfor\u00e7os valem a pena e que a Alemanha quer ser um bom s\u00f3cio&#8221;, disse Merkel, depois do encontro com o primeiro-ministro grego. &#8220;Muito foi alcan\u00e7ado, mas ainda h\u00e1 muito por fazer e Alemanha e Gr\u00e9cia trabalhar\u00e3o juntos&#8221;, acrescentou. Samaras respondeu que a &#8220;Gr\u00e9cia est\u00e1 determinada a cumprir com seus compromissos&#8221; e afirmou que o povo grego sangra, mas est\u00e1 determinado a vencer a batalha da competitividade.<\/p>\n<p>A visita de Merkel acontece em um momento crucial para Atenas, que est\u00e1 finalizando com a troika de credores (Uni\u00e3o Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monet\u00e1rio Internacional) um novo pacote de cortes fiscais de ao menos 13,5 bilh\u00f5es de euros para continuar recebendo ajuda financeira internacional. Segundo o Minist\u00e9rio de Finan\u00e7as, o pr\u00f3ximo lote, de 31,5 bilh\u00f5es de euros, que Atenas espera h\u00e1 meses, ser\u00e1 recebido at\u00e9 o fim de novembro.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Investimento n\u00e3o decola<\/p>\n<p>Correio Braziliense<\/p>\n<p>Nenhum pacote ou medida parece ter sido suficiente para impulsionar mais fortemente o crescimento da economia. A avalia\u00e7\u00e3o de integrantes da equipe econ\u00f4mica \u00e9 de que o empresariado n\u00e3o est\u00e1 disposto a tirar projetos da gaveta a uma velocidade adequada para incrementar a taxa de investimentos do pa\u00eds em 2013. Segundo esses t\u00e9cnicos, se o ritmo do setor privado n\u00e3o se alterar nos pr\u00f3ximos meses, essa taxa pode ficar pr\u00f3xima do que o mercado espera para 2012, algo ao redor de 18% do Produto Interno Bruto (PIB), ou pouco acima disso.<\/p>\n<p>Dados da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV) refor\u00e7am a percep\u00e7\u00e3o de que os empres\u00e1rios ainda n\u00e3o est\u00e3o \u00e0 vontade para bancar novos projetos ou ampliar suas opera\u00e7\u00f5es. A previs\u00e3o \u00e9 de que, no terceiro trimestre, a taxa de investimento recue 1% e termine o ano com retra\u00e7\u00e3o de 1,5%. O diagn\u00f3stico do governo e de economistas independentes \u00e9 semelhante: sem investimentos, o pa\u00eds n\u00e3o crescer\u00e1 a uma taxa mais robusta.<\/p>\n<p>&#8220;Embora haja melhora dos fundamentos e algumas evid\u00eancias de crescimento mais disseminado, a incerteza permanece elevada&#8221;, observou Ilan Goldfajn, economista-chefe do Ita\u00fa Unibanco. Segundo ele, h\u00e1 possibilidade de um desempenho fraco no quarto trimestre do ano e a contribui\u00e7\u00e3o do setor automobil\u00edstico, no per\u00edodo, tende a ser menor. &#8220;Logo, os investimentos precisam acelerar para que a expans\u00e3o do PIB se mantenha mais alta, mesmo com menor crescimento do consumo&#8221;, ponderou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos investimentos, especialistas alertam para outros fatores que t\u00eam travado o Brasil. &#8220;Destaco como causa do crescimento brasileiro ter ficado abaixo das expectativas, a piora do cen\u00e1rio externo e dos reflexos, ainda discretos, da substantiva redu\u00e7\u00e3o da Selic&#8221;, explicou Sidnei Nehme, economista e diretor-executivo da NGO Corretora. Na vis\u00e3o dele, os efeitos da queda da taxa de juros, que recuou de 12,5% ao ano para 7,5%, foram mais fracos devido \u00e0 inadimpl\u00eancia dos consumidores.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio de fraqueza econ\u00f4mica \u00e9 evidenciado pelas constantes revis\u00f5es das proje\u00e7\u00f5es do Banco Mundial e do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) para o Brasil e para o mundo. Na reuni\u00e3o que ocorre esta semana em T\u00f3quio, economistas das duas entidades devem fazer um alerta para as economias emergentes, que dificilmente conseguir\u00e3o se proteger da desacelera\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses ricos.<\/p>\n<p>&#8220;At\u00e9 a Alemanha&#8221;<\/p>\n<p>Em artigo publicado recentemente, o megainvestidor h\u00fangaro-americano George Soros prev\u00ea que at\u00e9 mesmo a poderosa Alemanha deve entrar em recess\u00e3o dentro de seis meses. Al\u00e9m disso, a China, maior parceiro comercial do Brasil, tem se apresentado como um problema a mais com o que tem sido chamado de &#8220;pouso suave do drag\u00e3o&#8221; \u2014 ou seja, a queda do ritmo de expans\u00e3o da economia chinesa.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio de incerteza j\u00e1 levou o governo a fazer seguidas revis\u00f5es das proje\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas. A \u00faltima estimativa do Banco Central aponta para uma alta de apenas 1,6% do PIB neste ano. Na segunda-feira, foi a vez do FMI revisar n\u00fameros. Para a institui\u00e7\u00e3o, o Brasil n\u00e3o avan\u00e7ar\u00e1 2,5% em 2012 como projetado em julho, mas apenas 1,5% \u2014 um dos piores desempenhos da Am\u00e9rica Latina e tamb\u00e9m entre os pa\u00edses que foram a sigla Brics (Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul).<\/p>\n<hr \/>\n<p>Previs\u00e3o de aumento da arrecada\u00e7\u00e3o federal cai \u00e0 metade<\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<p>As previs\u00f5es de uma expans\u00e3o menor da economia brasileira e as desonera\u00e7\u00f5es fiscais realizadas pelo governo para estimular o consumo devem se refletir em crescimento menor na arrecada\u00e7\u00e3o de impostos em 2012. Nas palavras do secret\u00e1rio da Receita Federal, Carlos Alberto Teixeira, os efeitos da desacelera\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica e das benesses fiscais devem reduzir a proje\u00e7\u00e3o de alta de 5% (feitas no in\u00edcio do ano) para 2,5% em termos reais. No come\u00e7o do ano, a estimativa do governo para o Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e servi\u00e7os produzidos) era de crescimento de 4%. Hoje, j\u00e1 \u00e9 consenso que n\u00e3o deve superar 1,6%.<\/p>\n<p>&#8211; Essa previs\u00e3o at\u00e9 o final do ano (de 5%) deve se reduzir \u00e0 metade. Quando colocamos esse n\u00edvel de crescimento em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, est\u00e1vamos ainda considerando outros indicadores que serviram de balizamento para essas estimativas. Com a mudan\u00e7a dos indicadores macroecon\u00f4micos, nossa previs\u00e3o \u00e9 que haja uma redu\u00e7\u00e3o \u00e0 metade dessa previs\u00e3o, chegando a 2,5% &#8211; disse Teixeira.<\/p>\n<p>Depois de registrar uma queda de 12,26% de julho para agosto na arrecada\u00e7\u00e3o federal &#8211; de R$ 87,94 bilh\u00f5es para R$ 77,07 bilh\u00f5es -, Teixeira salientou que os dados da Receita mostram que j\u00e1 em setembro poder\u00e1 haver uma ligeira recupera\u00e7\u00e3o da arrecada\u00e7\u00e3o na compara\u00e7\u00e3o com o m\u00eas anterior, mas ele n\u00e3o arriscou de quanto ser\u00e1 essa melhora.<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o tenho este n\u00famero (de setembro em rela\u00e7\u00e3o a agosto) at\u00e9 o momento &#8211; disse ele, logo depois de participar de semin\u00e1rio em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Teixeira lembrou, no entanto, que na compara\u00e7\u00e3o entre outubro e setembro, a arrecada\u00e7\u00e3o mostrar\u00e1 crescimento, por conta da retomada da atividade econ\u00f4mica no segundo semestre do ano e do menor impacto das desonera\u00e7\u00f5es fiscais, sobretudo do IPI menor para o setor automotivo.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Buraco fiscal cresce e amea\u00e7a a Espanha<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O buraco negro no or\u00e7amento da Espanha cresceu mais r\u00e1pido do que a tentativa do primeiro-ministro Mariano Rajoy de reduzi-lo, pressagiando a mesma turbul\u00eancia que inferniza a Gr\u00e9cia.<\/p>\n<p>A mais dura austeridade desde o retorno \u00e0 democracia, em 1978, n\u00e3o foi capaz de conter o d\u00e9ficit e a economia est\u00e1 se afundando cada vez mais em recess\u00e3o. O d\u00e9ficit cresceu no primeiro semestre do ano, assim como nos \u00faltimos 12 meses. Mesmo ap\u00f3s um aumento nos impostos sobre o consumo e cortes no atendimento de sa\u00fade terem sido postos em pr\u00e1tica neste trimestre, o d\u00e9ficit ainda poder\u00e1 aproximar-se dos 9,4% do Produto Interno Bruto (PIB) registrados no ano passado, disse Ignacio Conde-Ruiz, economista da Funda\u00e7\u00e3o de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada, um instituto independente madrilenho.<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias fiscais e pol\u00edticas da exig\u00eancia de austeridade em uma economia cada vez menos aquecida ressaltam o dilema de Rajoy. Para receber uma t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o financeira europeia, ele poder\u00e1 ter de impor cortes ainda maiores, repetindo o padr\u00e3o observado na Gr\u00e9cia, Portugal e Irlanda.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 nenhuma chance de que a Espanha alcan\u00e7ar\u00e1 suas metas&#8221;, disse Megan Greene, diretora de economia europeia na Roubini Global Economics, em uma entrevista por telefone. &#8220;As metas para o d\u00e9ficit s\u00e3o um suic\u00eddio econ\u00f4mico.&#8221;<\/p>\n<p>Rajoy conseguiu aprovar mais de \u20ac 100 bilh\u00f5es (US$ 130 bilh\u00f5es) em aumento de impostos e cortes de gastos em um per\u00edodo de desaquecimento econ\u00f4mico que est\u00e1 esvaziando sua base de receitas e empurrando o desemprego para 25%. O primeiro-ministro de 57 anos tamb\u00e9m est\u00e1 enfrentando uma amea\u00e7a de secess\u00e3o da Catalunha, crescentes protestos populares e instabilidade em regi\u00f5es for\u00e7adas a conter seus pr\u00f3prios gastos.<\/p>\n<p>Entre julho e setembro, a economia espanhola provavelmente se contraiu pelo quinto trimestre consecutivo, de acordo com o banco central. A produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o retornar\u00e1 ao n\u00edvel de 2008 at\u00e9 pelo menos 2017, dizem as previs\u00f5es do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI). Em consequ\u00eancia, o programa de consolida\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria que a Uni\u00e3o Europeia (UE) originalmente definiu para a Espanha em 2009 est\u00e1 indo de marcha a r\u00e9.<\/p>\n<p>&#8220;Mesmo com os cortes, a diferen\u00e7a entre os gastos e as receitas \u00e9 cada vez maior&#8221;, disse Jonathan Tepper, s\u00f3cio da firma londrina Variant Perception.<\/p>\n<p>No ano passado, quando o governo anterior fixou uma meta de 6% para o d\u00e9ficit, o buraco no or\u00e7amento ultrapassou o d\u00e9ficit de 9,3% em 2010, depois que o ministro do Or\u00e7amento, Cristobal Montoro contabilizou cerca de \u20ac 5 bilh\u00f5es em preju\u00edzos devido ao socorro aos bancos. Esses custos &#8211; que a UE trata como itens excepcionais &#8211; mais que dobrar\u00e3o neste ano, em que a meta \u00e9 de 6,3%, disse ele.<\/p>\n<p>Em seu relat\u00f3rio &#8220;Panorama Econ\u00f4mico Mundial&#8221;, o FMI prev\u00ea que o d\u00e9ficit da Espanha ser\u00e1 de 7% neste ano, excluindo o custo do socorro aos bancos. O d\u00e9ficit do pr\u00f3ximo ano ser\u00e1 de 5,7%, contra uma meta de 4,5%, disse o Fundo.<\/p>\n<p>&#8220;O que \u00e9 importante para o governo espanhol \u00e9 continuar com seu programa de reformas, reduzir o d\u00e9ficit or\u00e7ament\u00e1rio e ent\u00e3o dissipar todas as d\u00favidas sobre o futuro da zona euro&#8221;, disse ontem o ministro da Economia Luis de Guindos a jornalistas em Luxemburgo, onde se reuniu com colegas europeus. &#8220;Essa \u00e9 a quest\u00e3o fundamental.&#8221;<\/p>\n<p>A d\u00edvida p\u00fablica vai saltar 17 pontos percentuais, para 85% do PIB, em 2012, depois que o Estado absorver os custos do socorro aos bancos, ao sistema de eletricidade e a empreiteiras contratadas pelo setor p\u00fablico. Isso adicionar\u00e1 pelo menos \u20ac 10 bilh\u00f5es aos custos dos empr\u00e9stimos da Espanha no pr\u00f3ximo ano, anulando os ganhos projetados com o aumento dos impostos sobre o consumo.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos em uma tend\u00eancia totalmente insustent\u00e1vel&#8221;, disse Dario Perkins, diretor para economia mundial na Lombard Street Research, em Londres, em entrevista por telefone. &#8220;A economia dom\u00e9stica implodiu totalmente.&#8221;<\/p>\n<p>O d\u00e9ficit de 4,3% no primeiro semestre foi 0,5 ponto percentual superior ao do mesmo per\u00edodo no ano anterior, segundo Conde-Ruiz, um assessor econ\u00f4mico no governo socialista anterior e o professor de economia Juan Rubio-Ramirez, na Duke University.<\/p>\n<p>Em m\u00e9dia, nos \u00faltimos quatro anos, os d\u00e9ficits no segundo semestre ultrapassaram os do primeiro em \u20ac 15 bilh\u00f5es, segundo eles. As proje\u00e7\u00f5es (para as contas) do governo central e do sistema de seguridade social em 2013 dever\u00e3o fazer com que o d\u00e9ficit ultrapasse em 12% os \u20ac 35 bilh\u00f5es previstos no or\u00e7amento deste ano.<\/p>\n<p>Os repetidos insucessos no programa de austeridade espanhol colocam em quest\u00e3o a doutrina que a UE e o BCE est\u00e3o impondo aos pa\u00edses em dificuldades situados na periferia da zona do euro, dizem economistas como Perkins.<\/p>\n<p>Antes de a crise ter provocado o estouro da bolha imobili\u00e1ria na Espanha, as finan\u00e7as do pa\u00eds estavam em ordem. Em 2007, a Espanha tinha uma rela\u00e7\u00e3o d\u00edvida\/PIB de 36% e um super\u00e1vit or\u00e7ament\u00e1rio de 1,9%.<\/p>\n<p>Por ora, diz Tepper, a \u00fanica maneira de evitar um desastre na \u00e1rea do euro \u00e9 o BCE intervir mais agressivamente &#8211; uma perspectiva j\u00e1 rejeitada por seu presidente, Mario Draghi, bem como por l\u00edderes alem\u00e3es.<\/p>\n<p>&#8220;Tudo depende de quanto dinheiro o BCE quer imprimir&#8221;, disse Tepper. &#8220;A Espanha e os outros pa\u00edses perif\u00e9ricos estar\u00e3o no mesmo caminho da Gr\u00e9cia, se o BCE n\u00e3o monetizar sua d\u00edvida.&#8221;<\/p>\n<hr \/>\n<p>Ind\u00fastria j\u00e1 faz governo temer pelo PIB de 2013<\/p>\n<p>Correio Braziliense<\/p>\n<p>A demora da economia para reagir aos est\u00edmulos concedidos pelo governo come\u00e7a a lan\u00e7ar sombras sobre o pr\u00f3ximo ano. No Pal\u00e1cio do Planalto, a preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que o baixo ritmo de investimentos do setor privado comprometa a previs\u00e3o de que o Produto Interno Bruto (PIB) dever\u00e1 crescer entre 4% e 4,5% em 2013. Dados do setor industrial, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), refor\u00e7am esse receio. Mesmo com todas as medidas j\u00e1 adotadas para incentivar o segmento, a ind\u00fastria continua em recess\u00e3o.<\/p>\n<p>Nove de 14 regi\u00f5es pesquisadas pelo IBGE acumulam desempenho negativo no ano at\u00e9 agosto. S\u00e3o Paulo, o maior polo industrial do pa\u00eds, tem perdas de 5,6% no per\u00edodo. Com esse desempenho, analistas ponderam que nem mesmo a redu\u00e7\u00e3o do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para diversos produtos pode salvar 2012. A proje\u00e7\u00e3o do mercado \u00e9 de que a produ\u00e7\u00e3o encolha 2% neste ano \u2014 uma previs\u00e3o que piora a cada semana.<\/p>\n<p>&#8220;A ind\u00fastria deveria estar apresentando n\u00fameros melhores, mas ainda pesam sobre ela muito fatores desfavor\u00e1veis&#8221;, explicou Rafael Bacciotti, economista da Tend\u00eancias Consultoria. Segundo ele, a baixa demanda externa e o ritmo ainda expressivo de importa\u00e7\u00f5es, t\u00eam prejudicado as f\u00e1bricas. &#8220;Como a ind\u00fastria teve trajet\u00f3ria de queda nos seis primeiros meses do ano, 2012 deve fechar com recuo de 2% mesmo com alguma recupera\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos meses&#8221;, disse. &#8220;E para que se obtenha esse resultado no fim do ano \u00e9 preciso uma evolu\u00e7\u00e3o positiva de setembro a dezembro.&#8221;<\/p>\n<p>A capacidade da ind\u00fastria de concorrer com competidores externos est\u00e1 reduzida ainda pela baixa qualifica\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o do setor. Os investimentos em tecnologia para aumento de competitividade s\u00e3o quase nulos e os trabalhadores chegam ao mercado de trabalho sem conhecimento adequado. &#8220;A m\u00e3o de obra tem pouco treinamento e, comparada aos nossos pares, tem baixa produtividade, porque a qualidade da educa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds \u00e9 ruim&#8221;, argumentou Jos\u00e9 M\u00e1rcio Camargo, economista-chefe da Opus Investimentos.<\/p>\n<hr \/>\n<p>FMI alerta para riscos da forte expans\u00e3o do cr\u00e9dito<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 um dos pa\u00edses emergentes com risco de cr\u00e9dito mais sens\u00edveis \u00e0s turbul\u00eancias na It\u00e1lia, Portugal, Irlanda e Espanha, aponta o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) em seu Relat\u00f3rio de Estabilidade Financeira Global, divulgado em T\u00f3quio. S\u00f3 as economias do Leste Europeu est\u00e3o numa situa\u00e7\u00e3o menos confort\u00e1vel.<\/p>\n<p>O FMI, que realiza seu encontro anual em T\u00f3quio nesta semana, calculou o quanto o pr\u00eamio de risco de um conjunto de 24 economias emergentes \u00e9 sens\u00edvel \u00e0 deteriora\u00e7\u00e3o do pr\u00eamio de risco desses quatro pa\u00edses da periferia da zona do euro. O Brasil aparece como o quarto mais vulner\u00e1vel, atr\u00e1s apenas de Bulg\u00e1ria, Pol\u00f4nia e Hungria.<\/p>\n<p>Uma alta de um ponto percentual no spread de risco de cr\u00e9dito dos pa\u00edses da periferia europeia &#8211; medido pelos &#8220;credit default swaps&#8221; (CDS), contratos de derivativos que agem como seguro contra a inadimpl\u00eancia &#8211; leva a uma alta de cerca de 0,45 ponto percentual no spread de risco do Brasil. No caso de Bulg\u00e1ria, Pol\u00f4nia e Hungria, a alta fica em um pouco mais de 0,5 ponto percentual.<\/p>\n<p>Outros dois pa\u00edses latino-americanos, Col\u00f4mbia e M\u00e9xico, n\u00e3o est\u00e3o muito melhores do que o Brasil. Seus spreads de riscos de cr\u00e9dito sofrem uma eleva\u00e7\u00e3o de cerca de 0,4 ponto percentual quando o CDS dos pa\u00edses da periferia da Europa s\u00e3o pressionados. A \u00c1sia, em geral, se mostra menos sens\u00edvel, segundo o documento do FMI. Hong Kong, por exemplo, sofreria um impacto de cerca de apenas 0,05 ponto.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio do FMI mostra, por\u00e9m, que o Brasil est\u00e1 relativamente menos vulner\u00e1vel a uma fuga de capitais estrangeiros de sua d\u00edvida soberana, comparado com outros pa\u00edses emergentes. O principal risco que ronda o Brasil \u00e9 a sua r\u00e1pida expans\u00e3o de cr\u00e9dito, que pode se tornar o epicentro de uma crise no caso de uma desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica mais forte que leve ao aumento da inadimpl\u00eancia.<\/p>\n<p>Num dos exerc\u00edcios apresentados no relat\u00f3rio, o FMI investiga o que ocorreria se todo o capital investido por estrangeiros desde a quebra do banco Lehman Brothers, em 2008, nos mercados locais de d\u00edvida em nove economias emergentes batesse em retirada de uma s\u00f3 vez.<\/p>\n<p>No caso do Brasil, isso representaria uma fuga de US$ 62 bilh\u00f5es. Uma das conclus\u00f5es \u00e9 que esse movimento dificilmente provocaria uma crise cambial, j\u00e1 que o volume de recursos em quest\u00e3o representa aproximadamente 17% das reservas internacionais brasileiras. No caso do M\u00e9xico e da \u00c1frica do Sul, o volume representa cerca de metade das reservas.<\/p>\n<p>Os exerc\u00edcios do FMI mostram que investidores dom\u00e9sticos brasileiros, como fundos de pens\u00e3o, fundos de investimentos e bancos, teriam boa capacidade para ocupar o espa\u00e7o dos estrangeiros no financiamento da d\u00edvida p\u00fablica. No caso de M\u00e9xico, Pol\u00f4nia e Indon\u00e9sia, os bancos teriam que aumentar sensivelmente suas carteiras de t\u00edtulos p\u00fablicos, possivelmente reduzindo a oferta de cr\u00e9dito ao setor privado.<\/p>\n<p>Nesta edi\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio, o FMI volta a expressar preocupa\u00e7\u00e3o com o r\u00e1pido avan\u00e7o de cr\u00e9dito banc\u00e1rio e com a eleva\u00e7\u00e3o no pre\u00e7o dos im\u00f3veis no Brasil e outras economias emergentes. &#8220;O cr\u00e9dito banc\u00e1rio se expandiu a uma m\u00e9dia anual de 15% nos \u00faltimos anos na \u00c1sia e na Am\u00e9rica Latina, com crescimento particularmente r\u00e1pido em Brasil, China, Hong Kong, Cingapura e Vietn\u00e3&#8221;, afirma o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>&#8220;Nos quatro anos seguintes a 2007, os pre\u00e7os de im\u00f3veis subiram perto de 100% acima da infla\u00e7\u00e3o nas maiores cidades do Brasil&#8221;, diz o relat\u00f3rio de estabilidade financeira. O Fundo tamb\u00e9m volta a chamar aten\u00e7\u00e3o para o recente aumento da inadimpl\u00eancia banc\u00e1ria no Brasil. E assinala que as empresas est\u00e3o mais alavancadas, com d\u00edvidas que superam 100% do seu capital em a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Epis\u00f3dios passados de crises indicam claramente que alta alavancagem e queda de lucratividade aumentam a probabilidade de inadimpl\u00eancia de empresas numa desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica&#8221;, afirma trecho do relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>O FMI pondera que, para lidar com sinais de superaquecimento de sua economia, o Brasil subiu seus juros b\u00e1sicos e implementou medidas prudenciais mais r\u00edgidas. Embora ainda existam riscos e parte desse aperto regulat\u00f3rio tenha sido revertido recentemente, diz o Fundo, a estrat\u00e9gia est\u00e1 se mostrando eficaz. Mesmo assim, o organismo recomenda vigil\u00e2ncia redobrada dos supervisores banc\u00e1rios e medidas antic\u00edclicas para preservar a resist\u00eancia do sistema financeiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Estado de S. 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