{"id":3690,"date":"2012-10-11T00:15:38","date_gmt":"2012-10-11T00:15:38","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3690"},"modified":"2012-10-11T00:15:38","modified_gmt":"2012-10-11T00:15:38","slug":"assimilacao-ou-rotura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3690","title":{"rendered":"Assimila\u00e7\u00e3o ou Rotura"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Aleka Papariga*<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o hoje bem conhecidas as tr\u00e1gicas consequ\u00eancias da crise econ\u00f3mica na vida da classe oper\u00e1ria e dos trabalhadores visto que a crise j\u00e1 dura h\u00e1 mais de cinco anos enquanto, em todos os pa\u00edses afectados, todas as medidas b\u00e1rbaras seguem na mesma direc\u00e7\u00e3o e todas elas t\u00eam o mesmo objectivo: \u00a0 reduzir o pre\u00e7o da m\u00e3o-de-obra a um n\u00edvel extremamente baixo, abrir novas oportunidades de rentabilidade no per\u00edodo da crise, sobretudo ap\u00f3s a esperada recupera\u00e7\u00e3o que ser\u00e1 d\u00e9bil e mais ou menos de curta dura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Actualmente temos uma experi\u00eancia ainda mais rica, n\u00e3o s\u00f3 por causa da Gr\u00e9cia mas tamb\u00e9m dos estados-membros da UE, em especial dos membros da zona do euro, e ainda da crise nos EUA em 2008 e n\u00e3o s\u00f3. Al\u00e9m disso, temos a experi\u00eancia bem recente das crises na R\u00fassia, na Argentina e nos chamados tigres asi\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Consideramos que o movimento dos trabalhadores e os partidos comunistas em todos os pa\u00edses devem lutar a fim de que o povo clarifique o car\u00e1cter da crise e, em simult\u00e2neo, seja detida a deteriora\u00e7\u00e3o da vida das popula\u00e7\u00f5es, para uma sa\u00edda em prol do povo.<\/p>\n<p>O facto de a crise, em 2008-2009, se ter manifestado no sistema financeiro, na esfera da circula\u00e7\u00e3o do capital, ou o facto de na Gr\u00e9cia a crise estar relacionada com a d\u00edvida e os d\u00e9fices n\u00e3o significa de modo algum que temos uma crise de um tipo novo. Desde o in\u00edcio definimos que \u00e9 uma crise de sobre-acumula\u00e7\u00e3o do capital, cujas ra\u00edzes residem na rela\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho pelo capital, i.e., na esfera da produ\u00e7\u00e3o capitalista. A contrac\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o industrial, tanto nos EUA como na UE, assim como nos pa\u00edses que ainda n\u00e3o entraram no ciclo da crise s\u00e3o pe\u00e7as de uma prova irrefut\u00e1vel. Observamos todas as caracter\u00edsticas que s\u00e3o inerentes ao capitalismo: anarquia, desigualdade no desenvolvimento de sectores e ramos, uma competi\u00e7\u00e3o feroz que \u00e9 promovida por meios pol\u00edtico-econ\u00f3micos e tamb\u00e9m pelas armas.<\/p>\n<p>Em todo o mundo capitalista est\u00e3o a ser tomadas as mesmas medidas e a ser usados os mesmos argumentos, quer a d\u00edvida seja maior ou menor, quer o d\u00e9fice esteja inflacionado em maior ou menor extens\u00e3o, quer os pa\u00edses participem ou n\u00e3o no mecanismo de estabiliza\u00e7\u00e3o com o acordo da UE-BCE-FMI. Al\u00e9m disso, \u00e9 sintom\u00e1tico que as zonas de pobreza n\u00e3o aparecem apenas nos pa\u00edses capitalistas menos desenvolvidos, nos pa\u00edses que t\u00eam uma posi\u00e7\u00e3o interm\u00e9dia no sistema imperialista, mas tamb\u00e9m nos pa\u00edses capitalistas mais poderosos e desenvolvidos.<\/p>\n<p>Consideramos que, devido ao desenvolvimento desigual, a crise explodir\u00e1 noutros pa\u00edses da zona do euro, j\u00e1 que at\u00e9 mesmo a Alemanha mostra sinais de fadiga e esses sinais tamb\u00e9m est\u00e3o a come\u00e7ar a aparecer na China.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o do car\u00e1cter da crise n\u00e3o \u00e9 meramente uma quest\u00e3o te\u00f3rica. \u00c9 claramente uma quest\u00e3o pr\u00e1tica porque determina a especializa\u00e7\u00e3o da linha pol\u00edtica dos partidos comunistas em condi\u00e7\u00f5es de crise.<\/p>\n<p>Portanto, quaisquer peculiaridades na manifesta\u00e7\u00e3o, na intensidade ou na dura\u00e7\u00e3o da crise, de pa\u00eds para pa\u00eds, n\u00e3o determinam o car\u00e1cter da crise nem dever\u00e3o influenciar a estrat\u00e9gia e as t\u00e1cticas do partido comunista.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria provou que, quando os estados capitalistas n\u00e3o conseguem gerir a crise e sobretudo as suas consequ\u00eancias, tamb\u00e9m recorrem ao uso das armas, ou seja \u00e0 guerra imperialista, n\u00e3o para venderem armas claro, como alguns pacifistas afirmam, mas porque, na espec\u00edfica conjuntura, o uso das armas \u00e9 mais eficaz para a redistribui\u00e7\u00e3o dos mercados.<\/p>\n<p>A crise e a guerra-paz imperialistas est\u00e3o inextricavelmente ligadas e \u00e9 assim que devemos consider\u00e1-las. Isto \u00e9 verdade em especial para n\u00f3s na Gr\u00e9cia que est\u00e1 situada numa regi\u00e3o em ponto de ebuli\u00e7\u00e3o, uma regi\u00e3o que inclui o M\u00e9dio Oriente e o norte de \u00c1frica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a prolongada crise capitalista est\u00e1 a apresentar uma outra coisa que \u00e9 muito importante para a estrat\u00e9gia e as t\u00e1cticas dos partidos comunistas. Mostra que a pol\u00edtica de gest\u00e3o burguesa enfrenta novas dificuldades, que n\u00e3o teve em per\u00edodos anteriores, na gest\u00e3o para a sa\u00edda da crise, entrando num novo ciclo de produ\u00e7\u00e3o capitalista alargada, pondo um trav\u00e3o na pobreza absoluta e relativa das massas, fazendo mesmo algumas manobras. Surgiram duas receitas para gerir a crise, embora cada uma delas apare\u00e7a em v\u00e1rias vers\u00f5es. Na ess\u00eancia, temos que lidar com a gest\u00e3o burguesa expansiva e restritiva com o objectivo de controlar a dimens\u00e3o da deprecia\u00e7\u00e3o do capital e de efectuar a necess\u00e1ria distribui\u00e7\u00e3o de preju\u00edzos e do capital acumulado. Estas duas formas de gest\u00e3o conduzem aos mesmos resultados b\u00e1rbaros para as popula\u00e7\u00f5es e para os seus direitos. A disputa sobre uma ou outra forma de gest\u00e3o, que \u00e9 particularmente aguda na Europa, n\u00e3o tem nada a ver com a disputa a favor ou contra os interesses das popula\u00e7\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 uma disputa entre uma linha pol\u00edtica conservadora e uma de esquerda progressista, como o Partido Europeu de Esquerda vem afirmando actualmente.<\/p>\n<p>A defesa de um ou do outro tipo de gest\u00e3o baseia-se nos interesses da burguesia de cada estado membro, das alian\u00e7as que ele pretende formar no quadro da competi\u00e7\u00e3o. Os movimentos dos trabalhadores e das popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem assumir o partido de um ou do outro rival, ser\u00e1 a perda de tudo.<\/p>\n<p>De acordo com a nossa avalia\u00e7\u00e3o, o que tem prevalecido at\u00e9 agora \u00e9 a vis\u00e3o da UE de que a Europa unificada e a zona do euro t\u00eam que permanecer intoc\u00e1veis apesar das diferen\u00e7as e da competi\u00e7\u00e3o, enquanto a longo prazo n\u00e3o se exclui a possibilidade de uma separa\u00e7\u00e3o. Por essa raz\u00e3o, cada governo e os principais sectores do capital est\u00e3o a preparar a possibilidade de um pa\u00eds poder regressar \u00e0 sua divisa nacional, depois de escolher o bloco da coliga\u00e7\u00e3o imperialista com que desejam alinhar.<\/p>\n<p><strong>Os reformistas-oportunistas <\/strong><\/p>\n<p>Tanto mais que, agora melhor do que nunca, tamb\u00e9m podemos ver na Gr\u00e9cia que os partidos burgueses, velhos e novos, os reformistas-oportunistas, como a SYRIZA, est\u00e3o a formular posi\u00e7\u00f5es estranhas, concentrando-se em alian\u00e7as, at\u00e9 mesmo uma alian\u00e7a transatl\u00e2ntica ou procurando alian\u00e7as com a R\u00fassia, ou a China. Isso tornou-se bem aparente na disputa entre a UE e os EUA que se manifestou durante as elei\u00e7\u00f5es nacionais com a ajuda tanto do bloco da direita como do da \u201cesquerda\u201d. Hoje as contradi\u00e7\u00f5es inter-imperialistas dizem respeito ao sistema pol\u00edtico burgu\u00eas no seu todo e at\u00e9 amea\u00e7am a unidade de qualquer partido nessa base.<\/p>\n<p>Em conclus\u00e3o, consideramos que a crise se vai prolongar e aprofundar e que tamb\u00e9m vai afectar outros pa\u00edses. Mesmo que um pa\u00eds, por exemplo a Gr\u00e9cia, entre numa fase de recupera\u00e7\u00e3o, essa recupera\u00e7\u00e3o ser\u00e1 tempor\u00e1ria, d\u00e9bil, com n\u00edveis de desemprego incomport\u00e1veis que nos transportar\u00e3o ao final do s\u00e9culo XIX. Irromper\u00e1 um novo ciclo de crise antes de essa recupera\u00e7\u00e3o se consolidar. Isto n\u00e3o \u00e9 v\u00e1lido apenas para a Gr\u00e9cia mas tamb\u00e9m para outros pa\u00edses. Haver\u00e1 realinhamentos nas alian\u00e7as e temos que ter em considera\u00e7\u00e3o uma nova vaga de guerras locais, n\u00e3o excluindo a possibilidade de uma guerra imperialista generalizada.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia tamb\u00e9m confirma a posi\u00e7\u00e3o que o nosso partido formulou logo aos primeiros sinais da crise, i.\u00e9., que a pobreza, a crise econ\u00f3mica n\u00e3o conduz automaticamente ao desenvolvimento da luta de classes, da organiza\u00e7\u00e3o, do desenvolvimento da consci\u00eancia pol\u00edtica. H\u00e1 duas op\u00e7\u00f5es poss\u00edveis neste caso: ou o movimento recua e \u00e9 derrotado por um per\u00edodo mais curto ou mais longo ou passa \u00e0 ofensiva e amadurece o entendimento da necessidade de derrubar o sistema capitalista. Ainda nada est\u00e1 resolvido.<\/p>\n<p>Na Gr\u00e9cia, apesar de terem ocorrido lutas importantes e prolongadas, apesar de o movimento grego ter evolu\u00eddo para um dos movimentos mais fortes do mundo e n\u00e3o apenas na Europa, vemos que no final todas essas medidas n\u00e3o foram travadas. Claro que o movimento lhes imp\u00f4s um certo atraso mas, se nada mais mudar imediatamente, todas elas ser\u00e3o aprovadas dentro de pouco tempo. E todos sabemos muito bem que as lutas que n\u00e3o trazem alguns resultados cansam e desmotivam o povo.<\/p>\n<p>O nosso partido considera que as suas defici\u00eancias e fraquezas, que n\u00e3o pretende esconder, t\u00eam tido algum impacto no atraso do contra-ataque da popula\u00e7\u00e3o e dos trabalhadores, embora n\u00e3o tenham desempenhado um papel decisivo. Assim como n\u00e3o desempenharam um papel decisivo na redu\u00e7\u00e3o da sua for\u00e7a eleitoral. Isso n\u00e3o significa que n\u00e3o devamos colocar uma \u00eanfase especial no desenvolvimento da compet\u00eancia e da resist\u00eancia do partido.<\/p>\n<p>Temos enfrentado uma frente unida a n\u00edvel pol\u00edtico e social que, apesar das diverg\u00eancias nas suas fileiras, t\u00eam uma posi\u00e7\u00e3o comum no que se refere ao car\u00e1cter da sa\u00edda da crise, nomeadamente a mudan\u00e7a na f\u00f3rmula para a gest\u00e3o do sistema. Prevaleceu a pol\u00edtica de assimila\u00e7\u00e3o e, claro, teve um impacto negativo na orienta\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora e seus aliados. Apesar disso, existe no movimento uma corrente radical, com orienta\u00e7\u00e3o de classe que nesta fase tem que ultrapassar as consequ\u00eancias das elei\u00e7\u00f5es, avan\u00e7ar para a linha da frente e mobilizar for\u00e7as mais alargadas de trabalhadores e da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As lutas provocaram abalos no sistema pol\u00edtico burgu\u00eas da Gr\u00e9cia e inviabilizaram a possibilidade de servir o sistema com a sucess\u00e3o de governos de um s\u00f3 partido, entre o partido liberal e a social-democracia.<\/p>\n<p><strong>Ilus\u00f5es parlamentares <\/strong><\/p>\n<p>Mas estes abalos n\u00e3o se transformaram em fendas profundas. Predominaram as ilus\u00f5es parlamentares de que pode haver uma solu\u00e7\u00e3o governativa alternativa de esquerda, i.e., reformista-oportunista. Deste modo, tornou-se claro que o sistema pol\u00edtico burgu\u00eas tamb\u00e9m tem outras ferramentas para gerir esses abalos. Actualmente na Gr\u00e9cia o sistema bipolar da ND liberal e do PASOK social-democrata est\u00e1 a ser substitu\u00eddo por outro sistema bipolar: de um lado o polo centro-direita-direita e do outro um polo de \u201cesquerda\u201d que se formou com o synaspismos\u00a0<a href=\"http:\/\/www.resistir.info\/grecia\/papariga_01out12_p.html#nt\" target=\"_blank\">[1]<\/a>oportunista no seu n\u00facleo e com a transfer\u00eancia maci\u00e7a do principais funcion\u00e1rios e mecanismos do PASOK, em especial dos estratos m\u00e9dios, dos trabalhadores do sector p\u00fablico, estreito ou mais alargado, do aparelho ideol\u00f3gico do estado, etc.<\/p>\n<p>Claro que o processo ainda n\u00e3o terminou, est\u00e1 a ser preparada uma nova cena pol\u00edtica de transi\u00e7\u00e3o, ou uma mais permanente, a fim de impedir a radicaliza\u00e7\u00e3o, para quebrar o movimento antes que este recupere de modo maci\u00e7o, e obviamente para desferir um golpe contra o KKE.<\/p>\n<p><strong>Sobre a Aurora Dourada <\/strong><\/p>\n<p>As duas batalhas eleitorais elevaram a Aurora Dourada a uma for\u00e7a parlamentar com 19 deputados. \u00c9 uma forma\u00e7\u00e3o criminosa, nazi, racista que se concentra principalmente na persegui\u00e7\u00e3o de imigrantes, em especial os asi\u00e1ticos, com espancamentos, ataques assassinos, actos de viol\u00eancia, extors\u00e3o e amea\u00e7as. O seu apoio eleitoral, principalmente entre grupos mais jovens, foi formado com base nos seus slogans falsos, visto que se apresenta como um partido anti-sistema.<\/p>\n<p>A nossa aprecia\u00e7\u00e3o \u00e9 que esta forma\u00e7\u00e3o se desenvolve em paralelo com os esquadr\u00f5es da morte do per\u00edodo de Hitler e que o objectivo b\u00e1sico \u00e9 ser usado para quebrar o movimento dos trabalhadores e da popula\u00e7\u00e3o e desferir um golpe contra o KKE. Por detr\u00e1s da Aurora Dourada h\u00e1 servi\u00e7os secretos e sec\u00e7\u00f5es do aparelho de estado e, muito provavelmente, liga\u00e7\u00f5es internacionais. \u00c9 apoiada por c\u00e9lulas do sistema no interior das for\u00e7as de seguran\u00e7a e do ex\u00e9rcito, enquanto, em termos pol\u00edticos, \u00e9 de grande ajuda ao sistema, na medida em que a maior parte dos partidos invocam o perigo dos chamados dois extremos, comparando o fascismo ao comunismo. N\u00e3o pode ser considerada na base de uma frente anti-fascista nem de uma frente contra a viol\u00eancia em geral qualquer que seja a sua origem, porque essa atitude leva a um ataque ao pr\u00f3prio movimento. A Aurora Dourada tem que ser considerada pelo movimento organizado, nos locais de trabalho, nos sectores, nas organiza\u00e7\u00f5es populares, denunciando o seu papel como apoiante do sistema, e as ofensas criminais que eles praticam com os seus ataques assassinos a que eles chamam agarrar na lei com as pr\u00f3prias m\u00e3os. Os outros partidos tratam a Aurora Dourada numa perspectiva de legalidade burguesa e de condena\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia que, para eles, inclui as greves e as manifesta\u00e7\u00f5es militantes.<\/p>\n<p><strong>O KKE ajustou as suas posi\u00e7\u00f5es e reivindica\u00e7\u00f5es, a sua estrat\u00e9gia e t\u00e1cticas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es da crise. <\/strong><\/p>\n<p>Nas condi\u00e7\u00f5es actuais, n\u00e3o s\u00f3 porque \u00e9 a nossa escolha, mas porque objectivamente a quest\u00e3o amadureceu, apresentamos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o a linha de contra-ataque que tem o seu ponto de partida na luta contra as medidas, na luta por medidas de al\u00edvio, assim como no caminho para uma sa\u00edda atrav\u00e9s da luta pelo poder da classe trabalhadora e da popula\u00e7\u00e3o em geral.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica de alian\u00e7as que propomos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 relacionada com a forma\u00e7\u00e3o da alian\u00e7a do povo que tem uma clara orienta\u00e7\u00e3o anti-monop\u00f3lios (que, claro, na ess\u00eancia \u00e9 anti-capitalista porque o capitalismo evoluiu para o capitalismo de monop\u00f3lio). Nestas condi\u00e7\u00f5es, a alian\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o organiza e coordena a resist\u00eancia, a luta pela sobreviv\u00eancia, est\u00e1 dirigida segundo uma linha de rotura com as uni\u00f5es imperialistas, a guerra imperialista, pelo derrube do capitalismo, pelo poder da classe trabalhadora e da popula\u00e7\u00e3o em geral.<\/p>\n<p>Apresentamos abertamente \u00e0 popula\u00e7\u00e3o a necessidade de lutar pelo cancelamento unilateral da d\u00edvida, i.e., n\u00e3o a reconhecer, porque reconhec\u00ea-la leva a negocia\u00e7\u00f5es, o que significa novos memorandos e novas medidas. Em simult\u00e2neo, sublinhamos a necessidade de a popula\u00e7\u00e3o lutar pela sa\u00edda da Uni\u00e3o Europeia. Explicamos as raz\u00f5es porque \u00e9 que esta sa\u00edda e o cancelamento da d\u00edvida implicam a luta pelo poder do povo, com a socializa\u00e7\u00e3o dos monop\u00f3lios, um desenvolvimento planeado que vai utilizar o potencial de crescimento existente do pa\u00eds, a retirada das guerras imperialistas e os acordos da paz internacional, a sa\u00edda da NATO, a luta por rela\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas internacionais mutuamente ben\u00e9ficas.<\/p>\n<p>Apresentamos o caminho de desenvolvimento em prol da popula\u00e7\u00e3o contra a via de desenvolvimento capitalista. Expomos o conte\u00fado real da chamada reconstru\u00e7\u00e3o produtiva que est\u00e1 a ser promovida por todos os partidos burgueses incluindo a SYRIZA cujas propostas se enquadram dentro da UE. Esta via de desenvolvimento est\u00e1 a tentar transformar a Gr\u00e9cia num elo para o transporte de energia e mercadorias. Leva \u00e0 explora\u00e7\u00e3o conjunta das reservas energ\u00e9ticas do Egeu, da J\u00f3nia e do Sul de Creta atrav\u00e9s de acordos com os monop\u00f3lios.<\/p>\n<p>Nesta perspectiva analisamos e tratamos da posi\u00e7\u00e3o das for\u00e7as pol\u00edticas e alian\u00e7as a um n\u00edvel nacional e europeu. A forma\u00e7\u00e3o de um programa m\u00ednimo n\u00e3o est\u00e1 alicer\u00e7ada na realidade objectiva do ponto de vista das rela\u00e7\u00f5es entre pol\u00edtica e economia como a sa\u00edda da crise a favor do povo, \u00e9 antes uma quest\u00e3o estrat\u00e9gica.<\/p>\n<p>O papel do Partido de Esquerda Europeu (ELP, na sigla em ingl\u00eas) est\u00e1 a tornar-se ainda mais negativo e corrosivo para o movimento europeu porque, clara e inequivocamente, escolhe uma das diversas formas de gest\u00e3o, seguindo f\u00f3rmulas semelhantes \u00e0s que s\u00e3o apoiadas pelos governos e for\u00e7as sist\u00e9micas em geral da UE a n\u00edvel nacional e continental. Est\u00e1 envolvido nas contradi\u00e7\u00f5es inter-burguesas e inter-imperialistas.<\/p>\n<p>Hoje a prioridade \u00e9 que a popula\u00e7\u00e3o impe\u00e7a uma destrui\u00e7\u00e3o ainda maior e tenha melhores perspectivas para o futuro. Isso exige antecipadamente:<\/p>\n<p><strong>Primeiro <\/strong><\/p>\n<p>Compreender que tipo de crise estamos a viver, nomeadamente uma crise da via capitalista para o desenvolvimento e para a assimila\u00e7\u00e3o na UE, ou seja, a import\u00e2ncia da luta contra os monop\u00f3lios e o seu poder.<\/p>\n<p><strong>Segundo <\/strong><\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores nos locais de trabalho, nos sectores, nos bairros.<\/p>\n<p><strong>Terceiro <\/strong><\/p>\n<p>O refor\u00e7o e a consolida\u00e7\u00e3o da alian\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o entre a classe trabalhadora e as for\u00e7as sociais que t\u00eam interesse em lutar contra os monop\u00f3lios e o capital independentemente das diferen\u00e7as entre eles, com a participa\u00e7\u00e3o refor\u00e7ada das mulheres e dos jovens dos referidos estratos. O movimento tem que ser dirigido para o derrube do poder dos monop\u00f3lios.<\/p>\n<p>O KKE, com clareza e tamb\u00e9m com argumentos espec\u00edficos, recusou-se a participar num governo de gest\u00e3o burguesa proposto pelo novo p\u00f3lo de oportunismo que est\u00e1 a cooperar com uma grande parte do PASOK. A proposta inicialmente visava exercer press\u00e3o pol\u00edtica sobre o KKE, e principalmente roubar votos \u00e0 esfera de influ\u00eancia do KKE. Nem sequer tinha uma base aritm\u00e9tica porque n\u00e3o havia n\u00famero de deputados suficiente para formar um governo. Claro, conforme j\u00e1 sublinh\u00e1mos, n\u00e3o foi por n\u00e3o ser suficiente o n\u00famero de deputados que dissemos N\u00c3O. Mas o facto de essa proposta n\u00e3o ter o n\u00famero necess\u00e1rio de deputados prova o seu car\u00e1cter demag\u00f3gico e o facto de que tinha como alvo a estrat\u00e9gia do KKE.<\/p>\n<p>Tivemos perdas nas elei\u00e7\u00f5es, mas consideramos que as perdas para a popula\u00e7\u00e3o teriam sido muito maiores e irrevers\u00edveis por muito tempo se o KKE tivesse decidido apoiar um governo de gest\u00e3o burguesa e aceitado a assimila\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia na UE e o poder dos monop\u00f3lios na \u00e1rea da economia. No per\u00edodo entre as primeiras e as segundas elei\u00e7\u00f5es, a SYRIZA abandonou alguns dos slogans radicais que tinha e por isso conquistou um maior n\u00famero de votos, o que o colocou em segunda posi\u00e7\u00e3o, votos esses principalmente das massas populares que tinham medo de ser afastadas do euro, e que achavam ser poss\u00edvel uma melhor negocia\u00e7\u00e3o para restringir as medidas sem ter que partir ovos. Agora a Syriza est\u00e1 a intitular-se melhor negociadora em compara\u00e7\u00e3o com o governo da ND-PASOK-Esquerda Democr\u00e1tica e est\u00e1 a aproximar-se de um partido centrista contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>A esquerda governante n\u00e3o vai mudar a linha pol\u00edtica geral nem desferir nenhum golpe contra o apodrecido sistema pol\u00edtico. Nenhum governo, por mais que se intitule de esquerda, comunista, ou mesmo revolucion\u00e1rio, ir\u00e1 respeitar as suas proclama\u00e7\u00f5es se os meios de produ\u00e7\u00e3o e a riqueza continuarem nas m\u00e3os dos monop\u00f3lios, se o povo n\u00e3o detiver nas suas m\u00e3os a posse e o poder do estado.<\/p>\n<p>Em termos gen\u00e9ricos, n\u00e3o \u00e9 por causa da correla\u00e7\u00e3o negativa de for\u00e7as que a batalha na Gr\u00e9cia \u00e9 dif\u00edcil. Seria mais correcto dizer que se tornou mais complexa no terreno da correla\u00e7\u00e3o negativa de for\u00e7as. Exige um alto n\u00edvel de compet\u00eancia e de estabilidade do partido de modo a que este esteja em posi\u00e7\u00e3o de penetrar mais alargadamente na classe trabalhadora e nas massas populares, de gerir a situa\u00e7\u00e3o de modo adequado sem alterar a sua linha pol\u00edtica geral ou de se desligar dos trabalhadores e empregados que t\u00eam ilus\u00f5es e ainda n\u00e3o adquiriram experi\u00eancia pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Para concluir esta quest\u00e3o, o que pretendemos sublinhar \u00e9 que tanto a nossa teoria como a nossa experi\u00eancia hist\u00f3rica demonstram que por mais forte que um PC possa ser eleitoralmente, se assumir posi\u00e7\u00f5es governativas no quadro do sistema burgu\u00eas acaba inevitavelmente por ser assimilado. Esta quest\u00e3o tem que ser discutida atempadamente entre o povo, a fim de que compreenda que as margens para viver uma vida melhor encolheram dramaticamente em compara\u00e7\u00e3o com o passado, n\u00e3o s\u00f3 nas condi\u00e7\u00f5es da crise, mas tamb\u00e9m na fase de recupera\u00e7\u00e3o. Objectivamente as condi\u00e7\u00f5es para um derrube radical amadureceram ainda mais quando os monop\u00f3lios penetraram muito profundamente na economia e em todos os outros aspectos da vida social.<\/p>\n<p>Claro que o factor subjectivo, ou seja, o movimento dos trabalhadores, a for\u00e7a do PC est\u00e1 muito atrasada e temos que avan\u00e7ar rumo ao seu fortalecimento.<\/p>\n<p>N\u00e3o devemos abandonar a luta contra a guerra imperialista e a paz imperialista em nome da crise econ\u00f3mica.<\/p>\n<p>Por conseguinte, temos que real\u00e7ar as raz\u00f5es e os modos como a interven\u00e7\u00e3o imperialista pode ser executada com base nos exemplos e evid\u00eancias da chamada Primavera \u00c1rabe, da L\u00edbia e da S\u00edria. Como se forma uma oposi\u00e7\u00e3o interna no exterior do pa\u00eds, como \u00e9 armada, como tenta o derrube mesmo de governos burgueses devido a contradi\u00e7\u00f5es inter-imperialistas e inter-burguesas. Temos que discutir sistematicamente com argumentos porque a arena internacional de luta se mant\u00e9m crucial e decisiva e, ao mesmo tempo, a import\u00e2ncia da coopera\u00e7\u00e3o e solidariedade internacionalista. O movimento tamb\u00e9m pode utilizar as contradi\u00e7\u00f5es inter-imperialistas de dois modos: denunciar o elemento b\u00e1sico da internacionaliza\u00e7\u00e3o capitalista e, por outro lado, preparar a popula\u00e7\u00e3o para que n\u00e3o apoie a classe burguesa do seu pa\u00eds na competi\u00e7\u00e3o inter-imperialista e na guerra pela redistribui\u00e7\u00e3o de mercados.<\/p>\n<p>O KKE est\u00e1 a tentar estudar, cientificamente e atrav\u00e9s da experi\u00eancia do movimento, o desenvolvimento no seu todo para que as fendas no sistema pol\u00edtico burgu\u00eas sejam refor\u00e7adas, o que contribuir\u00e1 para uma maior emancipa\u00e7\u00e3o do movimento.<\/p>\n<p>Tanto mais porque actualmente o curso dos desenvolvimentos a um n\u00edvel nacional \u00e9 determinado pela correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as internacional e regional assim como pelo dinamismo e pela linha revolucion\u00e1ria do movimento dos trabalhadores e dos comunistas. Cada \u00eaxito num pa\u00eds produz impacto noutros movimentos europeus, e os desvios em compromissos ou o recuo colocar\u00e3o os movimentos de muitos pa\u00edses numa situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil. Claro que os desenvolvimentos ser\u00e3o determinados pelo n\u00edvel das lutas e da alian\u00e7a social, mas hoje tem que haver uma intensa luta ideol\u00f3gica contra as vis\u00f5es burguesas dominantes, reformistas e oportunistas. Sem uma tal luta a n\u00edvel ideol\u00f3gico ser\u00e1 dif\u00edcil \u00e0s massas populares serem orientadas para a luta por medidas de al\u00edvio e pelo cancelamento e derrube das piores medidas. As lutas, ainda que adquiram um car\u00e1cter de massas, n\u00e3o ter\u00e3o o n\u00edvel de organiza\u00e7\u00e3o necess\u00e1rio e uma orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica bem dirigida sem a confronta\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica no interior do movimento.<\/p>\n<p>[1] O Synaspismos surgiu inicialmente como uma coliga\u00e7\u00e3o eleitoral nos finais da d\u00e9cada de 80, com os dois partidos comunistas gregos (o Partido Comunista da Gr\u00e9cia &#8216;KKE&#8217; e a Esquerda Grega, sucessora do Partido Comunista da Gr\u00e9cia, eurocomunista, como principais membros [N.T.]<\/p>\n<p><strong>SIGLAS <\/strong><\/p>\n<p>BCE \u2013 Banco Central Europeu<\/p>\n<p>ELP \u2013 Partido da Esquerda Europeia<\/p>\n<p>FMI \u2013 Fundo Monet\u00e1rio Internacional<\/p>\n<p>ND \u2013 Nova Democracia<\/p>\n<p>PASOK \u2013 Movimento Socialista Pan-hel\u00e9nico<\/p>\n<p>SYRISA \u2013 Coliga\u00e7\u00e3o da Esquerda Radical \u2013 Frente Social Unida<\/p>\n<p>UE \u2013 Uni\u00e3o Europeia<\/p>\n<p><strong>[*] Secret\u00e1ria-geral do CC do KKE. Discurso Introdut\u00f3rio na Confer\u00eancia Comunista Europeia, Bruxelas, 1-2\/Outubro\/2012 <\/strong><\/p>\n<p><strong>O original encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/inter.kke.gr\/News\/news2012\/2012-10-01-ecm-omilia-kke\" target=\"_blank\">http:\/\/inter.kke.gr\/News\/news2012\/2012-10-01-ecm-omilia-kke<\/a> <\/strong><\/p>\n<p><strong>Tradu\u00e7\u00e3o de Margarida Ferreira. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Este discurso encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a> .<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Resistir.info\n\n\n\n\n\n\n\n\n\u2013 A posi\u00e7\u00e3o dos Partidos Comunistas frente \u00e0 crise capitalista\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3690\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[37],"tags":[],"class_list":["post-3690","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c42-comunistas"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Xw","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3690","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3690"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3690\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3690"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3690"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3690"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}