{"id":3722,"date":"2012-10-18T21:39:08","date_gmt":"2012-10-18T21:39:08","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3722"},"modified":"2012-10-18T21:39:08","modified_gmt":"2012-10-18T21:39:08","slug":"caio-prado-junior-teoria-e-militancia-politica-dossie-do-marxismo21-sobre-caio-prado-jr","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3722","title":{"rendered":"Caio Prado J\u00fanior: teoria e milit\u00e2ncia pol\u00edtica (dossi\u00ea do marxismo21 sobre Caio Prado Jr.)"},"content":{"rendered":"\n<p>Dando sequ\u00eancia \u00e0 s\u00e9rie de mat\u00e9rias sobre\u00a0os trabalhos de relevantes autores do pensamento marxista brasileiro,<strong> marxismo21<\/strong> divulga agora\u00a0a obra\u00a0de Caio Prado Jr. Nesta p\u00e1gina divulgamos o primeiro cap\u00edtulo de\u00a0<em>A revolu\u00e7\u00e3o brasileira,<\/em> livro que, no final da d\u00e9cada de 1960 e nos anos 1970, provocou intensos debates no interior das esquerdas brasileiras. Sofia Manzano, do comit\u00ea editorial, escreveu,\u00a0especialmente para esta se\u00e7\u00e3o, um breve artigo sobre o significado te\u00f3rico e\u00a0pol\u00edtico do livro; outro pesquisador,\u00a0Luiz Bernardo Peric\u00e1s, \u00e9 autor de um texto bio-bibliog\u00e1fico sobre CPJr.. A seguir, divulgamos documentos, artigos e trabalhos acad\u00eamicos sobre aspectos da obra do historiador marxista brasileiro. Os\u00a0<em>Editores<\/em>.<\/p>\n<p><strong>*****<\/strong><\/p>\n<p><strong>A Revolu\u00e7\u00e3o Brasileira<\/strong><\/p>\n<p>Caio Prado Jr.<\/p>\n<p>O termo \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d encerra uma ambiguidade (ali\u00e1s na verdade muitas, mas fiquemos aqui na principal) que tem dado margem a frequentes confus\u00f5es.<\/p>\n<p>No sentido em que \u00e9 ordinariamente usado, \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d quer dizer o emprego da for\u00e7a e da viol\u00eancia para a derrubada de governo e tomada do poder por algum grupo, categoria social ou outra for\u00e7a qualquer na oposi\u00e7\u00e3o. \u201cRevolu\u00e7\u00e3o\u201d tem a\u00ed o sentido que mais apropriadamente caberia ao termo \u201cinsurrei\u00e7\u00e3o\u201d. Mas \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d tem tamb\u00e9m o significado de transforma\u00e7\u00e3o do regime pol\u00edtico-social que pode ser e em regra tem sido historicamente desencadeada ou estimulada por insurrei\u00e7\u00f5es. Mas que necessariamente n\u00e3o o \u00e9. O significado pr\u00f3prio se concentra na transforma\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o no processo imediato atrav\u00e9s de que se realiza. A Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, por exemplo, foi desencadeada e em seguida acompanhada, sobretudo em seus primeiros tempos, de sucessivas a\u00e7\u00f5es violentas. Mas n\u00e3o foi isso, por certo, que constituiu o que propriamente se entende por \u201crevohi\u00e7\u00e3o francesa\u201d. N\u00e3o s\u00e3o, \u00e9 claro, a tomada da Bastilha, as agita\u00e7\u00f5es camponesas de julho e agosto de 1789, a marcha do povo sobre Versalhes em outubro do mesmo ano, a queda da Monarquia e a execu\u00e7\u00e3o de Lu\u00eds XVI, o terror e outros incidentes da mesma ordem que constituem a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, ou mesmo simplesmente que a caracterizam e lhe d\u00e3o conte\u00fado.<\/p>\n<p>\u201cRevolu\u00e7\u00e3o\u201d em seu sentido real e profundo, significa o processo hist\u00f3rico assinalado por reformas e modifica\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, sociais e pol\u00edticas sucessivas, que, concentradas em per\u00edodo hist\u00f3rico relativamente curto, v\u00e3o dar em transforma\u00e7\u00f5es estruturais da sociedade, e em especial das rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e do equil\u00edbrio reciproco das diferentes classes e categorias sociais. O ritmo da Hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 uniforme. Nele se alternam per\u00edodos ou fases de relativa estabilidade e aparente imobilidade, com momentos de ativa\u00e7\u00e3o da vida pol\u00edtico-social e bruscas mudan\u00e7as em que se alteram profunda e aceleradamente as rela\u00e7\u00f5es sociais. Ou mais precisamente, em que as institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, econ\u00f4micas e sociais se remodelam a fim de melhor se ajustarem e melhor atenderem a necessidades generalizadas que antes n\u00e3o encontravam devida satisfa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o esses momentos hist\u00f3ricos de brusca transi\u00e7\u00e3o de uma situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, social e pol\u00edtica para outra, e as transforma\u00e7\u00f5es que ent\u00e3o se verificam, que constituem o que propriamente se h\u00e1 de entender por \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d .<\/p>\n<p>\u00c9 nesse sentido que o termo \u201crevolu\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 empregado no t\u00edtulo do presente livro. O que se objetiva nele \u00e9 essencialmente mostrar que o Brasil se encontra na atualidade em face ou na imin\u00eancia de um daqueles momentos acima assinalados em que se imp\u00f5em de pronto reformas e transforma\u00e7\u00f5es capazes de reestruturarem a vida do pa\u00eds de maneira consent\u00e2nea com suas necessidades mais gerais e profundas, e as aspira\u00e7\u00f5es da grande massa de sua popula\u00e7\u00e3o que, no estado atual, n\u00e3o s\u00e3o devidamente atendidas. Para muitos \u2013 mas assim mesmo, no conjunto do pa\u00eds, minoria insignificante, embora se fa\u00e7a mais ouvir porque det\u00e9m nas suas m\u00e3os as alavancas do poder e a domina\u00e7\u00e3o. econ\u00f4mica, social e pol\u00edtica \u2013 tudo vai, no fundamental, muito bem, faltando apenas (e a\u00ed se observam algumas diverg\u00eancias de segunda ordem) alguns retoques e aperfei\u00e7oamentos das atuais institui\u00e7\u00f5es, \u00e0s vezes n\u00e3o mais que simples mudan\u00e7a de homens nas posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e administrativas, para que o pa\u00eds encontre uma situa\u00e7\u00e3o e um equil\u00edbrio satisfat\u00f3rios. Para a grande maioria restante, contudo, e mesmo que ela n\u00e3o se d\u00ea sempre conta perfeita da realidade, incapaz que \u00e9 de projetar em plano geral e de conjunto suas insatisfa\u00e7\u00f5es, seus desejos e suas aspira\u00e7\u00f5es pessoais, o que se faz mister, para lhe dar condi\u00e7\u00f5es satisfat\u00f3rias e seguras de exist\u00eancia, \u00e9 muito mais que aquilo. E sobretudo algo de mais profundo e que leve a vida do pa\u00eds por novo rumo.<\/p>\n<p>E os fatos, adequadamente analisados e profundos, o confirmam. O Brasil se encontra num destes instantes decisivos da evolu\u00e7\u00e3o das sociedades humanas em que se faz patente, e sobretudo sens\u00edvel e suficientemente consciente a todos, o desajustamento de suas institui\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas. (leia mais:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.vigotski.net\/pradojr_2.pdf\">acesso<\/a>)<\/p>\n<p>*****<\/p>\n<p><strong>Caio Prado Jr. e a constru\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o brasileira<\/strong><\/p>\n<p>Sofia Manzano *<\/p>\n<p>Muitos jovens estudantes brasileiros, desde os anos 1970, estudam a hist\u00f3ria do pa\u00eds a partir das id\u00e9ias formuladas por Caio Prado Jr. Principalmente ap\u00f3s as reformas educacionais implementadas pela ditadura militar que visaram eliminar a cr\u00edtica do processo educativo, uma das formas de construir um ensino minimamente cr\u00edtico, encontrada pelos professores da \u00e1rea de humanas, era ensinar uma hist\u00f3ria que acertava contas com o passado, e essa hist\u00f3ria tem sua origem em Caio Prado Jr. Essas palavras expressas aqui por mim n\u00e3o s\u00e3o resultado de nenhuma pesquisa na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o, s\u00e3o apenas um testemunho da minha pr\u00f3pria experi\u00eancia, estudando nos anos 1980 nas escolas p\u00fablicas do estado de S\u00e3o Paulo e em contato com professores de hist\u00f3ria e geografia que, apesar de n\u00e3o citarem Caio Prado Jr., estavam nos despertando para a compreens\u00e3o do \u201csentido\u201d hist\u00f3rico da na\u00e7\u00e3o, a partir do \u201csentido da coloniza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Caio Prado Jr. foi, assim, ganhando um estatuto cl\u00e1ssico na forma\u00e7\u00e3o dos jovens brasileiros, muito al\u00e9m de sua aceita\u00e7\u00e3o na academia. Ali, as controv\u00e9rsias sobre sua obra sempre foram grandes e as correntes predominantes nos estudos cient\u00edficos tomaram muitos caminhos, diferentes daqueles apontados por Caio Prado, mas sempre tendo que fazer refer\u00eancia a ele.<\/p>\n<p>Em se tratando aqui de se fazer uma breve apresenta\u00e7\u00e3o ao cap\u00edtulo I ao livro de Caio Prado Jr., publicado pela primeira vez em 1966,\u00a0<em>A<\/em><em> Revolu\u00e7\u00e3o Brasileira<\/em>, pretendo destacar ao leitor do\u00a0<strong>marxismo21<\/strong> apenas o que considero fundamental na contribui\u00e7\u00e3o desse grande pensador e militante revolucion\u00e1rio brasileiro, vale dizer, o resgate do<em>m\u00e9todo marxista<\/em> para a an\u00e1lise cient\u00edfica da realidade concreta, com vistas \u00e0 sua transforma\u00e7\u00e3o rumo ao socialismo. Desde seus primeiros escritos, nos anos 1930, Prado Jr., primou por aplicar uma das principais contribui\u00e7\u00f5es de Marx \u00e0 humanidade, seu m\u00e9todo materialista e dial\u00e9tico. Superando, desde cedo, as influ\u00eancias positivistas, dogm\u00e1ticas (a \u201cteoria consagrada\u201d elaborada pelo VI Congresso da III Internacional, em 1928), e mesmo pragm\u00e1ticas, que imperavam nas an\u00e1lises da esquerda brasileira \u2013 principalmente no principal partido at\u00e9 o final da d\u00e9cada de 1970, o PCB, ao qual ele pertencia \u2013 Caio Prado Jr., lutou implacavelmente para que a teoria da revolu\u00e7\u00e3o brasileira fosse compat\u00edvel com nossa realidade. Diz ele, \u201ctrata-se de definir uma teoria revolucion\u00e1ria que seja a express\u00e3o da conjuntura econ\u00f4mica, social e pol\u00edtica do momento, para as quais essas quest\u00f5es apontam.\u201d N\u00e3o significando, com isso, para os leitores apressados, que a teoria da revolu\u00e7\u00e3o brasileira fosse apenas baseada numa an\u00e1lise conjuntural.<\/p>\n<p>Por isso, ele n\u00e3o abre m\u00e3o de fazer a mais profunda e honesta cr\u00edtica, at\u00e9 mesmo ao partido ao qual pertencia, por suas defici\u00eancias te\u00f3ricas que, certamente, levaram a uma pr\u00e1tica equivocada na constru\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. Neste livro, que ora apresentamos, Caio Prado afirma que pretende mostrar: \u201cas insufici\u00eancias te\u00f3ricas das esquerdas brasileiras na g\u00eanese daquelas ilus\u00f5es que n\u00e3o lhes permitiram enxergar a realidade da situa\u00e7\u00e3o e pressentir o desenlace que as aguardava.\u201d Teorias estas que advinham de \u201cmodelos estranhos e completamente alheados da realidade do pa\u00eds\u201d que, na pr\u00e1tica, contribu\u00edram para a cruel derrota dos trabalhadores brasileiros com o golpe militar de 1964, que custou a vida de valiosos militantes revolucion\u00e1rios brasileiros.<\/p>\n<p>Com o fim da URSS, os militantes revolucion\u00e1rios de todo o mundo quedaram, inicialmente, perplexos, esmagados pela vaga reacion\u00e1ria que a seguiu, mas levantam-se, a partir das lutas em todo o mundo, para a constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa socialista ao capitalismo. Essa nova pr\u00e1tica pol\u00edtica tem muito que aprender com Caio Prado Jr., que, tendo como \u00e2ncora fundamental o materialismo dial\u00e9tico de Marx, desde sempre clamou pela m\u00e1xima de L\u00eanin, ou seja, que em cada parte do mundo, os militantes que se querem revolucion\u00e1rios, devem fazer a \u201can\u00e1lise concreta da realidade concreta\u201d, sem modelos pr\u00e9-estabelecidos, mas com crit\u00e9rios cient\u00edficos.<\/p>\n<p>Durante toda sua vida Caio Prado Jr. foi militante do PCB. Nem por isso aceitou aderir \u00e0s principais teses do partido, mantendo-se firme estudioso marxista da causa revolucion\u00e1ria brasileira, influenciando gera\u00e7\u00f5es de estudiosos e militantes, e sendo respeitado tanto no partido, como no meio acad\u00eamico, apesar de nunca ter sido aceito entre os quadros da universidade.<\/p>\n<p>A divulga\u00e7\u00e3o que\u00a0<strong>marxismo21<\/strong> faz dessa introdu\u00e7\u00e3o do livro\u00a0<em>A Revolu\u00e7\u00e3o Brasileira<\/em>pretende ser apenas o aperitivo para que nossos leitores retomem, ou iniciem, estudos mais dedicados \u00e0 obra de Caio Prado Jr., n\u00e3o apenas para reverenci\u00e1-lo, mas acima de tudo para aprender com ele como se constr\u00f3i uma teoria revolucion\u00e1ria, a partir do marxismo, que leve a real constru\u00e7\u00e3o do socialismo no Brasil.<\/p>\n<p>* Sofia Manzano, economista, professora universit\u00e1ria, diretora do Instituto Caio Prado Jr e comit\u00ea editorial deste\u00a0<em>blog<\/em>.<\/p>\n<p>*****<\/p>\n<p><strong> Sobre a trajet\u00f3ria pol\u00edtica de Caio Prado Jr.<\/strong><\/p>\n<p>Luiz Bernardo Peric\u00e1s *<\/p>\n<p>A partir do momento em que ingressou no PCB, em 1931, Caio Prado J\u00fanior iria se destacar como um dos mais importantes intelectuais marxistas do Brasil, ao mesmo tempo em que se empenharia, especialmente naquela d\u00e9cada, em cumprir uma intensa agenda como militante. \u00c9 verdade que desde o final dos anos vinte, a pol\u00edtica do Comintern de persegui\u00e7\u00e3o a dirigentes e intelectuais que representavam, supostamente, vozes dissonantes dentro da linha de \u201cclasse contra classe\u201d propugnada por Moscou, havia resultado na expuls\u00e3o ou exclus\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os m\u00e1ximos dos diferentes partidos comunistas, de personalidades destacadas como Jay Lovestone, Benjamin Gitlow e Bertram Wolfe, nos Estados Unidos; Manabendra Nath Roy, na \u00cdndia; Heinrich Brandler, na Alemanha; Joaqu\u00edn Maur\u00edn, na Espanha; Jos\u00e9 Penel\u00f3n, na Argentina; e Octavio Brand\u00e3o, Astrojildo Pereira e Le\u00f4ncio Basbaum no Brasil, s\u00f3 para citar alguns exemplos. A onda de expurgos por \u201cdesvios\u201d de direita e pequeno-burgueses abarcou agremia\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 IC em todo o mundo. Caio Prado J\u00fanior se filiou ao PCB, portanto, num per\u00edodo \u201cobreirista\u201d teoricamente desfavor\u00e1vel \u00e0queles com sua trajet\u00f3ria pessoal e origem de classe. Afinal, ele era filho de uma das mais ricas e tradicionais fam\u00edlias da elite paulista, e fora integrante, desde 1928, do Partido Democr\u00e1tico. Mas isso n\u00e3o impediu que desenvolvesse distintas atividades de apoio aos trabalhadores e \u00e0 Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>J\u00e1 em 1932 foi um dos fundadores de duas entidades importantes, a Sociedade de Socorros M\u00fatuos Internacionais e o Clube de Artistas Modernos. Durante todo aquele ano, trabalhou com entusiasmo para criar cursos marxistas e uma publica\u00e7\u00e3o voltada para o movimento oper\u00e1rio. Ainda assim, seria acusado pelo Comit\u00ea Regional de seu partido de estar planejando um \u201cgolpe de Estado\u201d interno e de ter v\u00ednculos com elementos \u201ctrotskistas\u201d, ambas as acusa\u00e7\u00f5es que ele rejeitaria categoricamente.\u00a0 Na ocasi\u00e3o, se situaria no campo do \u201cmarxismo-leninismo\u201d.<\/p>\n<p>Logo depois de entrar no Partido Comunista, participou de sess\u00f5es do \u201cCongresso Social\u201d e da \u201cSociedade dos Amigos da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica\u201d na capital paulista. A partir de 1933, estabeleceu contato com a Associa\u00e7\u00e3o de Amigos da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica espanhola, e dois anos mais tarde, na condi\u00e7\u00e3o de secret\u00e1rio da rec\u00e9m-fundada Associa\u00e7\u00e3o dos Ge\u00f3grafos Brasileiros, escreveu para a VOKS, com o intuito de criar uma ponte entre as duas entidades e intercambiar publica\u00e7\u00f5es. Nos anos trinta, Ca\u00edto tamb\u00e9m seria respons\u00e1vel pela tradu\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>Teoria do materialismo hist\u00f3rico, <\/em>de Nikolai Bukh\u00e1rin (Edi\u00e7\u00f5es Caramuru), em quatro volumes.<\/p>\n<p>\u00c9 importante lembrar que j\u00e1 naquela primeira d\u00e9cada no PCB, CPJ iria adquirir a obra completa de Marx, Engels e L\u00eanin, assim como alguns livros de Kaganovich, Stalin, Trotsky, Bela Kun, Rosa Luxemburgo, Georges Sorel, Losovsky e Riazanov.\u00a0 Ele compraria muitos destes volumes remetendo dinheiro diretamente ao\u00a0<em>Bureau D\u2019Editions<\/em>do Partido Comunista Franc\u00eas, que lhe enviaria periodicamente livros e publica\u00e7\u00f5es comunistas. Em outras palavras, Prado J\u00fanior certamente possu\u00eda um s\u00f3lido conhecimento do marxismo, ao contr\u00e1rio do que muitos cr\u00edticos tentaram insinuar, mesmo que seus textos n\u00e3o refletissem\u00a0<em>necessariamente<\/em> isso.<\/p>\n<p>Sua atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica se aprofundou em 1935, ao se tornar vice-presidente da ANL (Alian\u00e7a Nacional Libertadora) em S\u00e3o Paulo; por ser um dos principais articuladores da \u201cFrente Popular por P\u00e3o, Terra e Liberdade\u201d, no mesmo estado; no ex\u00edlio na Fran\u00e7a, entre 1937 e 1939, participando de um comit\u00ea em apoio aos refugiados republicanos que lutavam contra as hostes fascistas de Franco na Guerra Civil espanhola; ao manter, na mesma \u00e9poca, liga\u00e7\u00f5es com o Partido Comunista Franc\u00eas; nos embates da II Confer\u00eancia Nacional do Partido (o \u201cEncontro da Mantiqueira\u201d), em 1943, ao integrar, junto a amigos militantes como Heitor Ferreira Lima, Astrojildo Pereira e M\u00e1rio Schemberg, os \u201cComit\u00eas de A\u00e7\u00e3o\u201d, que defendiam a luta contra o governo Vargas, em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 Comiss\u00e3o Nacional de Organiza\u00e7\u00e3o Provis\u00f3ria, apoiada por Luiz Carlos Prestes; e ao ser eleito deputado estadual em 1947 (tendo seu mandato cassado no ano seguinte, ap\u00f3s dez meses atuando ativamente como parlamentar). (ler mais:\u00a0\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/marxismo21.org\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/L-Peric%C3%A1s-CPJr.1.pdf\">acesso<\/a><\/strong> )<\/p>\n<p>* Luiz Bernardo Peric\u00e1s \u00e9 historiador e professor pesquisador IEB-USP<\/p>\n<p>*****<\/p>\n<p><strong>Textos sobre a obra te\u00f3rica e a trajet\u00f3ria pol\u00edtica<\/strong><\/p>\n<table border=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>Caio Prado Jr., a rebeli\u00e3o moral, Florestan FERNANDES<\/td>\n<td style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/marxismo21.org\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/CPJ-FF1.zip\">acesso<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Percurso hist\u00f3rico e pol\u00edtico de um te\u00f3rico marxista, Milton PINHEIRO<\/td>\n<td style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/marxismo21.org\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/Caio-Prado-Jr-M-Pinheiro.zip\">acesso<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>O marxismo de Caio Prado Jr., Lincoln SECCO<\/td>\n<td style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/www.fpabramo.org.br\/o-que-fazemos\/editora\/teoria-e-debate\/edicoes-anteriores\/ensaio-o-marxismo-de-caio-prado-jr\">acesso<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Sobre a teoria da Revolu\u00e7\u00e3o de C. Prado Jr., Pl\u00ednio A SAMPAIO JR.<\/td>\n<td style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/www.vigotski.net\/sampaiojr.pdf\">acesso<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>O Brasil de Caio Prado Jr., \u00c2ngela de SOUZA<\/td>\n<td style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/www.verinotio.org\/di\/di16_caioprado.pdf\" target=\"_blank\">acesso<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Na\u00e7\u00e3o e barb\u00e1rie: Caio Prado, Jr., F. Fernandes e C. Furtado, Pl\u00ednio A. SAMPAIO Jr.<\/td>\n<td style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/www.bibliotecadigital.unicamp.br\/document\/?code=vtls000122819&amp;opt=4\">acesso<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Caio Prado Jr., Leandro KONDER<\/td>\n<td style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/www.espacoacademico.com.br\/077\/77konder.htm\">acesso<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Caio Prado Jr.: obra economicista?, Jayro Gon\u00e7alves MELO<\/td>\n<td style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/marxismo21.org\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/CPJr-economicismo-J.-Gon%C3%A7alves.pdf.zip\">acesso<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Caio Prado Jr. e o capitalismo no Brasil, Virg\u00ednia FONTES<\/td>\n<td style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/www.espacoacademico.com.br\/070\/70esp_fontes.htm\">acesso<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Caio Prado e o desenvolvimento econ\u00f4mico, Jo\u00e3o Antonio de PAULA<\/td>\n<td style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/www.pucsp.br\/pos\/ecopol\/downloads\/edicoes\/(29)joao_antonio.pdf\">acesso<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Caio Prado Jr., Historiador, Fernando NOVAIS<\/td>\n<td style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/pt.scribd.com\/doc\/44615113\/Fernando-Novais-Caio-Prado-Jr-Historiador\">acesso<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Caio Prado Jr. e a revolu\u00e7\u00e3o brasileira, Jos\u00e9 Carlos REIS<\/td>\n<td style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0102-01881999000100012&amp;lng=pt&amp;nrm=iso\">acesso<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Caio Prado Jr.: o primeiro marxista brasileiro, Bernardo RIC\u00daPERO<\/td>\n<td style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/www.marilia.unesp.br\/Home\/RevistasEletronicas\/Aurora\/aurora_n3_miscelanea_04.pdf\">acesso<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Caio Prado Jr.: a pol\u00eamica feudalismo x capitalismo, Airton LIMA<\/td>\n<td style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/www.marilia.unesp.br\/Home\/RevistasEletronicas\/Aurora\/aurora_n3_miscelanea_04.pdf\">acesso<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Ci\u00eancia Pol\u00edtica em C. Prado Jr.?, Raimudo SANTOS<\/td>\n<td style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/168.96.200.17\/ar\/libros\/brasil\/cpda\/estudos\/quatorze\/rai14.htm\">acesso<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Dois marxistas brasileiros: CPJ e NWS, Raimundo SANTOS<\/td>\n<td style=\"text-align: right; \"><a href=\"http:\/\/r1.ufrrj.br\/esa\/art\/199311-007-021.pdf\">acesso<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong> Entidade e documentos relevantes <\/strong><strong>sobre a trajet\u00f3ria intelectual, pol\u00edtica e editorial de Caio Prado Jr.<\/strong><\/p>\n<table border=\"0\" width=\"100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>Instituto Caio Prado Jr. (documentos, textos, v\u00eddeos)<\/td>\n<td>\n<p><a href=\"http:\/\/institutocaiopradojrmg.blogspot.com.br\/\">acesso<\/a><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Arquivo da Biblioteca Nacional (biografia, atividades pol\u00edticas, produ\u00e7\u00e3o intelectual e editorial de CPJr.). Em alguns documentos (v. item \u201cmilit\u00e2ncia\u201d)\u00a0podem ser conhecidas as raz\u00f5es obscurantistas da pris\u00e3o do autor pela ditadura militar de 1964.<\/td>\n<td>\n<p><a href=\"http:\/\/bndigital.bn.br\/expo\/caioprado\/index.htm\">acesso<\/a><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Foto de Caio Prado Jr. durante a campanha contra a cassa\u00e7\u00e3o dos mandatos dos parlamentares comunistas durante\u00a0o governo Gaspar Dutra (1946-1950)<\/td>\n<td>\n<p><a href=\"http:\/\/marxismo21.org\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/Defesa-dos-mandatos-deputados-comunistas.pdf\">acesso<\/a><a href=\"http:\/\/bndigital.bn.br\/expo\/caioprado\/index.htm\"> <\/a><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Carta de CPJr. a L\u00edvio Xavier sobre resenha cr\u00edtica de\u00a0<em>Evolu\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica do Brasil<\/em><\/td>\n<td><a href=\"http:\/\/marxismo21.org\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/Carta-para-Livio-Xavier-20-09-19332.pdf\">acesso<\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Carta\u00a0de CPJr. ao amigo\u00a0Nelson Werneck Sodr\u00e9<\/td>\n<td>\n<p><a href=\"http:\/\/marxismo21.org\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/carta-CPJ-a-NWS.pdf\">acesso<\/a><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><a href=\"http:\/\/marxismo21.org\/caio-prado-jr\/\">http:\/\/marxismo21.org\/caio-prado-jr\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: M21\n\n\n\n\n\n\n\n\nCaio Prado J\u00fanior: teoria e milit\u00e2ncia pol\u00edtica\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3722\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-3722","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c61-cultura-revolucionaria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Y2","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3722","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3722"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3722\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3722"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3722"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3722"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}