{"id":3726,"date":"2012-10-20T00:40:32","date_gmt":"2012-10-20T00:40:32","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3726"},"modified":"2012-10-20T00:40:32","modified_gmt":"2012-10-20T00:40:32","slug":"lancamento-do-livro-o-velho-graca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3726","title":{"rendered":"Lan\u00e7amento do livro O Velho Gra\u00e7a"},"content":{"rendered":"\n<p align=\"JUSTIFY\">Dentro das comemora\u00e7\u00f5es dos 120 anos do escritor Graciliano Ramos, que se completam no dia 27 de outubro pr\u00f3ximo, a Boitempo Editorial est\u00e1 relan\u00e7ando, com novo projeto gr\u00e1fico e caderno in\u00e9dito de fotos, o livro O velho Gra\u00e7a: uma biografia de Graciliano Ramos, de D\u00eanis de Moraes. Publicado h\u00e1 20 anos por ocasi\u00e3o do centen\u00e1rio de nascimento do romancista, o livro reconstitui a sua extraordin\u00e1ria trajet\u00f3ria pessoal, liter\u00e1ria, intelectual e pol\u00edtica. Graciliano foi militante hist\u00f3rico do Partido Comunista Brasileiro, ao qual se filiou em 1945, a convite do ent\u00e3o secret\u00e1rio-geral, Luiz Carlos Prestes. A nova edi\u00e7\u00e3o incluiu o pref\u00e1cio original de Carlos Nelson Coutinho e vem acrescida de textos in\u00e9ditos de dois especialistas na obra de Graciliano, os professores Alfredo Bosi, da USP, e Wander Melo Miranda, da UFMG.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">O livro de D\u00eanis de Moraes foi aclamado pela cr\u00edtica e pela intelectualidade, tendo merecido resenhas assinadas, entre outros por Antonio Callado, Otto Lara Resende, Wilson Martins, Moacir Werneck de Castro, F\u00e1bio Lucas, Affonso Romano de Sant\u2019Anna, Joel Silveira, Antonio Carlos Villa\u00e7a, Muniz Sodr\u00e9 e Her\u00e1clio Sales. O velho Gra\u00e7a refaz a trajet\u00f3ria luminosa e sofrida de Graciliano com rigoroso e amplo trabalho de pesquisa, que resultou em texto ao mesmo tempo leve e erudito. Tendo como objeto de estudo um escritor aferrado ao seu tempo, Moraes desenha o pano de fundo de cinco d\u00e9cadas de grande efervesc\u00eancia pol\u00edtica e de transforma\u00e7\u00f5es aceleradas no processo modernizador do Brasil.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">A garimpagem em arquivos p\u00fablicos e privados de Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo e Alagoas, assim como as dezenas de testemunhos de amigos, parentes, artistas, intelectuais e companheiros de gera\u00e7\u00e3o enriqueceram sobremaneira o trabalho. \u201cCom arg\u00facia de historiador e sensibilidade liter\u00e1ria\u201d, como sublinha Wander Melo Miranda, D\u00eanis de Moraes tra\u00e7a a interliga\u00e7\u00e3o entre as v\u00e1rias personas de Graciliano Ramos: o menino traumatizado pelas surras na inf\u00e2ncia; o jovem autodidata que lia Balzac, Zola e Marx em franc\u00eas; o m\u00edtico comerciante da loja Sincera; o revolucion\u00e1rio prefeito de Palmeira dos \u00cdndios; o zeloso diretor da Imprensa Oficial e da Instru\u00e7\u00e3o P\u00fablica de Alagoas; o preso pol\u00edtico no inferno da Ilha Grande; o escritor sufocado por apuros financeiros; o estilista da palavra na reda\u00e7\u00e3o do Correio da Manh\u00e3; o fiel militante comunista que soube preservar a sua autonomia intelectual e liter\u00e1ria, n\u00e3o se curvando \u00e0s imposi\u00e7\u00f5es do realismo socialista (a dogm\u00e1tica pol\u00edtica cultural que o stalinismo impunha aos partidos comunistas aliados).<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Sem cair na armadilha do biografismo, D\u00eanis de Moraes recomp\u00f5e a emerg\u00eancia dessa complexa figura, reconstituindo no percurso dial\u00e9tico de seus diversos momentos alguns dilemas fundamentais de nossa forma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. \u201cTemos um Graciliano sem retoques: duro, mas apaixonado; frio e \u00e1spero na superf\u00edcie da fala e do gesto, mas ardente e sempre humano na fonte da vida pessoal\u201d, ressalta Alfredo Bosi, que tamb\u00e9m encontrou na biografia \u201co cruzamento de itiner\u00e1rios do homem capaz de refletir, como num jogo de espelhos, a somat\u00f3ria de viv\u00eancias acumuladas: \u201ca paix\u00e3o pela palavra nele precedeu e acompanhou a op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que, por sua vez, transcendeu (mas jamais renegou) a ades\u00e3o partid\u00e1ria\u201d.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Para D\u00eanis de Moraes, remontar o quebra-cabe\u00e7a de Graciliano assemelhou-se ao of\u00edcio de artes\u00e3o, j\u00e1 que os fragmentos do passado precisavam ser pacientemente reunidos e dispostos com a m\u00e1xima coer\u00eancia poss\u00edvel. A necessidade de correlacionar perip\u00e9cias, valores e sentimentos foi inspirada, segundo o autor, em uma passagem do pr\u00f3logo de Mem\u00f3rias do c\u00e1rcere. O escritor consciente, assinala Graciliano, n\u00e3o deve esquivar-se dos zigue-zagues e tumultos pr\u00f3prios de uma exist\u00eancia. \u201cTratei de averiguar convic\u00e7\u00f5es, d\u00favidas, anseios, vicissitudes e triunfos que definiram a jornada de Graciliano, a fim de estabelecer conex\u00f5es com a esfera ficcional engendrada por ele. Nas tens\u00f5es entre o homem, a atmosfera social e a cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria recolhi pistas que me levassem \u00e0s motiva\u00e7\u00f5es familiares, afetivas, est\u00e9ticas, ideol\u00f3gicas e pol\u00edticas presentes em sua interven\u00e7\u00e3o na realidade concreta\u201d, completa Moraes. O resultado \u00e9 uma hist\u00f3ria de proje\u00e7\u00f5es e influ\u00eancias, de paradoxos e contrastes, mas, sobretudo, de coer\u00eancia na busca incessante do que \u00e9 essencial \u00e0 vida e \u00e0 condi\u00e7\u00e3o humana na passagem pela Terra.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Entre os acr\u00e9scimos introduzidos na nova edi\u00e7\u00e3o, D\u00eanis de Moraes destaca especialmente dois. O primeiro diz respeito ao \u00fanico encontro havido entre Graciliano e Get\u00falio Vargas, nos primeiros anos do Estado Novo. Relata o autor: \u201cO Rio de Janeiro era uma cidade bem mais tranquila e segura, as pessoas tinham o h\u00e1bito de sair ap\u00f3s o jantar para dar uma volta pelas redondezas; n\u00e3o havia televis\u00e3o a ret\u00ea-las dentro de casa. De vez em quando, Vargas fazia isso no quarteir\u00e3o do Pal\u00e1cio do Catete, sozinho, sem seguran\u00e7as. Graciliano morava numa pens\u00e3o da Rua Correa Dutra, a poucas quadras do Pal\u00e1cio, e tamb\u00e9m costumava caminhar por ali. Numa noite, os dois quase se esbarraram. Vargas reconheceu o escritor e o cumprimentou de passagem: \u201cBoa noite.\u201d Graciliano, que tamb\u00e9m notara a aproxima\u00e7\u00e3o do presidente, passou por ele sem retribuir a sauda\u00e7\u00e3o. O sil\u00eancio revelava a m\u00e1goa que Graciliano n\u00e3o escondia pelo governo de Vargas, que o prendera, sem processo ou culpa formada, durante dez meses e dez dias, entre 1935 e 1936, juntamente com intelectuais e pol\u00edticos que se opunham \u00e0 escalada repressiva que desembocaria na ditadura do Estado Novo.\u201d Outro acr\u00e9scimo relevante foi a carta que Graciliano chegou a redigir e jamais enviou ao ent\u00e3o presidente Get\u00falio Vargas, em 1938<span lang=\"en-US\">. Um desabafo sobre as dificuldades enfrentadas durante e depois do per\u00edodo da pris\u00e3o (entre 3 de mar\u00e7o de 1936 e 10 de janeiro de 1937)<\/span>. A carta, de uma lauda, era <span lang=\"en-US\">respeitosa, ainda que com algumas ironias, como, por exemplo, ao qualificar Vargas como \u201cmeu colega de profiss\u00e3o\u201d, numa alus\u00e3o ao ingresso do ditador na Academia Brasileira de Letras com apenas um livro de discursos.<\/span><\/p>\n<p>Sobre o autor de O velho Gra\u00e7a:<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">D\u00eanis de Moraes \u00e9 doutor em Comunica\u00e7\u00e3o e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e p\u00f3s-doutor pelo Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales (CLACSO), sediado em Buenos Aires, Argentina. Atualmente, \u00e9 professor associado do Departamento de Estudos Culturais e M\u00eddia da Universidade Federal Fluminense e pesquisador do CNPq e da FAPERJ. Foi contemplado pelo Minist\u00e9rio da Cultura de Cuba e pelo Instituto Cubano do Livro com o Premio Internacional de Ensayo Pensar a Contracorriente, em 2010. \u00c9 autor e organizador de mais de vinte livros, dos quais oito foram editados no exterior (Argentina, Espanha, Cuba e M\u00e9xico). Al\u00e9m de O velho Gra\u00e7a, publicou duas biografias de intelectuais e artistas de esquerda: Vianinha, c\u00famplice da paix\u00e3o: uma biografia de Oduvaldo Vianna Filho (Rio de Janeiro, Record, 2000; S\u00e3o Paulo, Express\u00e3o Popular, no prelo) e O rebelde do tra\u00e7o: a vida de Henfil (Rio de Janeiro, Jos\u00e9 Olympio, 1996). Ainda, com Francisco Viana, Prestes: lutas e autocr\u00edticas (Petr\u00f3polis, Vozes, 1982; Rio de Janeiro, Mauad, 1998), obra baseada no \u00fanico depoimento concedido pelo l\u00edder comunista Luiz Carlos Prestes sobre sua trajet\u00f3ria.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: lh4\n\n\n\n\n\n\n\n\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3726\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-3726","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c61-cultura-revolucionaria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Y6","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3726","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3726"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3726\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3726"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3726"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3726"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}