{"id":3761,"date":"2012-10-26T17:27:59","date_gmt":"2012-10-26T17:27:59","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3761"},"modified":"2012-10-26T17:27:59","modified_gmt":"2012-10-26T17:27:59","slug":"texto-completo-do-discurso-de-ivan-marquez-em-oslo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3761","title":{"rendered":"Texto completo do discurso de Iv\u00e1n M\u00e1rquez em Oslo"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>\u201cN\u00e3o se pode atrelar este processo a uma pol\u00edtica enfocada exclusivamente na obten\u00e7\u00e3o exorbitante de lucros para uns poucos capitalistas\u201d.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><\/strong><\/p>\n<p><strong>&#8220;A paz n\u00e3o significa o sil\u00eancio dos fuzis&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>LA HABANA \/ ANNCOL \/ 19 DE OUTUBRO \/ Com a instala\u00e7\u00e3o da mesa de negocia\u00e7\u00e3o nas cercanias de Oslo, come\u00e7ou o processo de paz que ser\u00e1 desenvolvido pelas FARC-EP e pelo governo da Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>O ato p\u00fablico teve seu in\u00edcio com a interven\u00e7\u00e3o do principal porta-voz do governo, Humberto de la Calle Lombana e prosseguiu com as palavras do chefe da delega\u00e7\u00e3o das FARC-EP, Iv\u00e1n M\u00e1rquez, integrante do Secretariado Nacional da organiza\u00e7\u00e3o insurgente.<\/p>\n<p>A seguir, apresentamos o texto completo do discurso das FARC-EP:<\/p>\n<p><em><strong>Nosso sonho, a paz com justi\u00e7a social e soberania.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><strong>\u201cA paz que n\u00f3s queremos e pela qual lutamos por muito tempo, sempre foi buscando acabar com as desigualdades que nesse pa\u00eds s\u00e3o t\u00e3o grandes\u201d.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>(Manuel Marulanda V\u00e9lez)<\/p>\n<p>Senhoras e senhores<\/p>\n<p>Amigas e amigos da paz da Col\u00f4mbia<\/p>\n<p>Compatriotas<\/p>\n<p>Viemos at\u00e9 este paralelo 60, at\u00e9 esta cidade de Oslo desde o tr\u00f3pico remoto, desde o Macondo da injusti\u00e7a, o terceiro pa\u00eds mais desigual do mundo, com um sonho coletivo de paz, com um ramo de oliva em nossas m\u00e3os.<\/p>\n<p>Chegamos a esta Noruega setentrional para buscar a paz com justi\u00e7a social para a Col\u00f4mbia por meio do di\u00e1logo, onde o soberano, que \u00e9 o povo, ter\u00e1 que ser o principal protagonista. Nele repousa a irresist\u00edvel for\u00e7a da paz. Esta n\u00e3o depende de um acordo entre porta-vozes das partes conflitantes. Quem deve tra\u00e7ar o caminho da solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 o povo e a ele mesmo corresponder\u00e1 estabelecer os mecanismos para referendar suas aspira\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Tal empreendimento estrat\u00e9gico n\u00e3o pode conceber-se como um processo contra o rel\u00f3gio. A pretendida paz expressada por alguns, por sua vol\u00e1til subjetividade e por seus af\u00e3s, s\u00f3 conduziria aos precip\u00edcios da frustra\u00e7\u00e3o. Uma paz que n\u00e3o aborde a solu\u00e7\u00e3o dos problemas econ\u00f4micos, pol\u00edticos e sociais geradores do conflito, \u00e9 uma veleidade e equivaleria semear de quimeras o solo da Col\u00f4mbia. Necessitamos edificar a conviv\u00eancia sobre bases p\u00e9treas, como os im\u00f3veis fiordes destas terras, para que a paz seja est\u00e1vel e duradoura.<\/p>\n<p>N\u00e3o somos os belicistas que querem pintar alguns meios de comunica\u00e7\u00e3o. Viemos \u00e0 mesa de negocia\u00e7\u00f5es com propostas e projetos para alcan\u00e7ar a paz definitiva, uma paz que implique uma profunda desmilitariza\u00e7\u00e3o do Estado e reformas socioecon\u00f4micas radicais que fundem a democracia, a justi\u00e7a e a liberdade verdadeiras. Viemos aqui com o ac\u00famulo de uma luta hist\u00f3rica pela paz, a buscar, lado a lado com nosso povo, a vit\u00f3ria da solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica sobre a guerra civil que destr\u00f3i a Col\u00f4mbia, N\u00e3o obstante, nossa determina\u00e7\u00e3o tem a fortaleza para enfrentar os belicistas que acreditam que com o estrondo das bombas e dos canh\u00f5es podem dobrar a vontade daqueles que mant\u00e9m no alto as bandeiras da mudan\u00e7a e da justi\u00e7a social.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode atrelar este processo a uma pol\u00edtica enfocada exclusivamente na obten\u00e7\u00e3o exorbitante de lucros para uns poucos capitalistas a quem n\u00e3o importa a pobreza que abate 70% da popula\u00e7\u00e3o. Eles s\u00f3 pensam no aumento de seus saques, n\u00e3o na redu\u00e7\u00e3o da mis\u00e9ria. Mais de 30 milh\u00f5es de colombianos vivem na pobreza, 12 milh\u00f5es na indig\u00eancia, 50% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa agoniza entre o desemprego e o subemprego, quase 6 milh\u00f5es de camponeses perambulam pelas ruas, v\u00edtimas de deslocamentos for\u00e7ados. De 114 milh\u00f5es de hectares que possui o pa\u00eds, 38 est\u00e3o ligados \u00e0 explora\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera, 11 milh\u00f5es \u00e0 explora\u00e7\u00e3o mineradora; dos 750 mil hectares em explora\u00e7\u00e3o florestal se projeta passar para 12 milh\u00f5es. A pecu\u00e1ria extensiva ocupa 39.2 milh\u00f5es. A \u00e1rea cultiv\u00e1vel \u00e9 de 21.5 milh\u00f5es de hectares, por\u00e9m somente 4.7 milh\u00f5es delas est\u00e3o dedicadas \u00e0 agricultura, retrato de uma decad\u00eancia j\u00e1 que o pa\u00eds importa 10 milh\u00f5es de toneladas de alimentos ao ano.<\/p>\n<p>Em nossa vis\u00e3o, colocar sobre a mesa o assunto do desenvolvimento agr\u00e1rio integral como primeiro ponto do acordo geral remete a assumir a an\u00e1lise de um dos aspectos centrais do conflito. O problema da terra \u00e9 causa hist\u00f3rica da confronta\u00e7\u00e3o de classes na Col\u00f4mbia. Nas palavras do comandante Alfonso Cano, as FARC nasceram resistindo \u00e0 viol\u00eancia olig\u00e1rquica que utiliza sistematicamente o crime pol\u00edtico para liquidar a oposi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e revolucion\u00e1ria; tamb\u00e9m como resposta camponesa e popular \u00e0 agress\u00e3o latifundi\u00e1ria e terratenente que inundou de sangue os campos colombianos, usurpando terras de camponeses e colonos.<\/p>\n<p>Aquela que foi causa essencial da insurrei\u00e7\u00e3o armada e de uma heroica resist\u00eancia camponesa, ao longo do tempo, se aprofundou. A gan\u00e2ncia dos latifundi\u00e1rios acentuou a desequilibrada e injusta estrutura da posse da terra. O coeficiente GINI no campo alcan\u00e7a a taxa de 0.89. Espantosa desigualdade! Os mesmos dados oficiais d\u00e3o conta de que as fazendas de mais de 500 hectares correspondem a 0.4% dos propriet\u00e1rios que controlam 61.2% da superf\u00edcie agr\u00edcola. Se trata de uma acumula\u00e7\u00e3o por espolia\u00e7\u00e3o, cuja mais recente refer\u00eancia fala de 8 milh\u00f5es de hectares arrebatados a sangue e fogo, atrav\u00e9s de massacres paramilitares, fossas comuns, desaparecimentos e deslocamentos for\u00e7ados, crimes de lesa humanidade, acentuados durante os 8 anos de governo Uribe, todos eles componentes do terrorismo de Estado na Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Para as FARC, Ex\u00e9rcito do Povo, o conceito de TERRA est\u00e1 indissoluvelmente ligado ao territ\u00f3rio; s\u00e3o um todo indivis\u00edvel que vai mais al\u00e9m do aspecto meramente agr\u00e1rio e que toca interesses estrat\u00e9gicos, vitais, de toda a na\u00e7\u00e3o. Por isso, a luta pelo territ\u00f3rio est\u00e1 no centro das lutas que s\u00e3o travadas hoje na Col\u00f4mbia. Falar de terra significa para n\u00f3s falar do territ\u00f3rio como uma categoria que, al\u00e9m do subsolo e do solo, entranha rela\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-hist\u00f3ricas de nossas comunidades que levam imerso o sentimento de p\u00e1tria, que concebe a terra como abrigo, e o sentido do bem viver. A este respeito, devemos internalizar a profunda defini\u00e7\u00e3o do Libertador Sim\u00f3n Bol\u00edvar sobre o que \u00e9 a p\u00e1tria, nosso solo, nosso territ\u00f3rio: Primeiro, o solo nativo \u2013 nos diz \u2013 ele forma com seus elementos nosso ser; nossa vida n\u00e3o \u00e9 outra coisa que a ess\u00eancia de nosso pr\u00f3prio pa\u00eds; ali se encontram os testemunhos de nosso nascimento, os criadores de nossa exist\u00eancia e os que nos deram alma pela educa\u00e7\u00e3o; os sepulcros de nossos pais jazem ali e nos reclamam seguran\u00e7a e repouso; tudo nos recorda um dever, tudo nos excita sentimentos ternos e mem\u00f3rias deliciosas; ali foi o teatro de nossa inoc\u00eancia, de nossos primeiros amores, de nossas primeiras sensa\u00e7\u00f5es e de tudo quanto nos tem formado. Que t\u00edtulos podem ser mais sagrados que o amor e a consagra\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Partimos desta vis\u00e3o para alertar a Col\u00f4mbia toda: a titula\u00e7\u00e3o de terras, tal como planejado pelo governo atual, \u00e9 uma engana\u00e7\u00e3o; encarna uma sorte de despojo legal atrav\u00e9s do qual se busca que o campon\u00eas, uma vez com o t\u00edtulo de propriedade em suas m\u00e3os, n\u00e3o tenha outra sa\u00edda sen\u00e3o vender ou arrendar \u00e0s transnacionais e conglomerados financeiros, aqueles a quem somente interessa o saque exagerado dos recursos minerais e energ\u00e9ticos que est\u00e3o debaixo do solo. Dentro de sua estrat\u00e9gia est\u00e1 a utiliza\u00e7\u00e3o do solo para ampliar as explora\u00e7\u00f5es florestais e as imensas planta\u00e7\u00f5es, n\u00e3o para resolver o grave problema alimentar que padece nosso povo, mas para produzir agrocombust\u00edveis que alimentar\u00e3o autom\u00f3veis. No melhor dos casos, a gente do campo ficar\u00e1 com uma renda miser\u00e1vel, por\u00e9m longe da terra e confinada nos cintur\u00f5es de mis\u00e9ria das grandes cidades. Ao cabo de 20 ou 30 anos de contrato, ningu\u00e9m vai se lembrar do verdadeiro dono da terra. Asseguramos, sem vacila\u00e7\u00f5es: a bancariza\u00e7\u00e3o da terra, derivada da titula\u00e7\u00e3o, acabar\u00e1 tomando a terra do campon\u00eas. Est\u00e3o nos empurrando para a estrangeiriza\u00e7\u00e3o da terra e ao desastre ambiental dinamizado brutalmente pela explora\u00e7\u00e3o min\u00e9rio-energ\u00e9tica e florestal. A natureza como fonte de informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica n\u00e3o pode ser convertida em saque das transnacionais. Opomo-nos \u00e0 invas\u00e3o das sementes transg\u00eanicas e \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o de nossa biodiversidade e \u00e0 pretens\u00e3o de fazer de nossos camponeses pe\u00e7a da engrenagem dos agroneg\u00f3cios e suas cadeias industriais. Est\u00e3o em jogo a soberania e a pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>Nestes termos, a titula\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mais que a legalidade que pretende lavar o rosto ensanguentado do despojo que durante d\u00e9cadas veio sendo executado pelo terrorismo de Estado. Para uma transnacional \u00e9 mais apresent\u00e1vel dizer \u201ctenho um t\u00edtulo de minera\u00e7\u00e3o\u201d, que lhe isente de ter financiado grupos paramilitares e desterrado uma popula\u00e7\u00e3o inteira para fazer vi\u00e1vel seu projeto extrativo. Dentro desta din\u00e2mica, na Col\u00f4mbia o regime assassina n\u00e3o s\u00f3 com seus planos de guerra, com seus paramilitares e matadores, mas tamb\u00e9m com suas pol\u00edticas econ\u00f4micas que matam de fome. Hoje, viemos desmascarar esse assassino metaf\u00edsico que \u00e9 o mercado, denunciar a criminalidade do capital financeiro, sentar o neoliberalismo nos banco dos r\u00e9us, como carrasco de povos e fabricante de morte.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos enganemos: a pol\u00edtica agr\u00e1ria do regime \u00e9 retr\u00f3gada e enganosa. A verdade pura e limpa, como diz o Libertador Sim\u00f3n Bol\u00edvar, \u00e9 o melhor modo de persuadir. A mentira s\u00f3 conduz ao aprofundamento do conflito. O objetivo final de tais pol\u00edticas, em detrimento da soberania e do bem-estar comum, \u00e9 dar seguran\u00e7a jur\u00eddica aos investidores, liberalizar o mercado de terras e lan\u00e7ar o territ\u00f3rio ao campo da especula\u00e7\u00e3o financeira e mercados de futuro. Independentemente de que exista ou n\u00e3o a insurg\u00eancia armada, esta pol\u00edtica multiplicar\u00e1 os conflitos e a viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Acumula\u00e7\u00e3o por espolia\u00e7\u00e3o e nova espacialidade capitalista, eis a f\u00f3rmula do projeto pol\u00edtico-econ\u00f4mico das elites neoliberais fazendo jorrar o sangue da p\u00e1tria da cabe\u00e7a aos p\u00e9s.<\/p>\n<p>\u00c9 a isto que resistimos. As FARC n\u00e3o se op\u00f5em a uma verdadeira restitui\u00e7\u00e3o e titula\u00e7\u00e3o de terras. Por anos temos lutado, como povo em armas, por uma reforma agr\u00e1ria eficaz e transparente, e \u00e9 precisamente por ela que n\u00e3o se pode permitir que se implemente o despojo legal que o governo projeta com sua lei de terras. Por meio da viol\u00eancia do Plano Col\u00f4mbia e do projeto paramilitar, se preparou o territ\u00f3rio para o assalto das transnacionais. A lei geral agr\u00e1ria e de desenvolvimento rural \u00e9, essencialmente, um projeto de reordenamento territorial concebido para abrir o campo \u00e0 economia extrativa contra a economia camponesa, em detrimento da soberania alimentar e do mercado interno, ao sobrepor o mapa mineiro-energ\u00e9tico ao espa\u00e7o agr\u00edcola. Nem sequer se leva em conta a promo\u00e7\u00e3o de uma agroecologia que permita uma intera\u00e7\u00e3o amig\u00e1vel com a natureza.<\/p>\n<p>Por outro lado, a restitui\u00e7\u00e3o de terras tem que aludir \u00e0s terras que foram violentamente arrebatadas dos camponeses, ind\u00edgenas e afrodescendentes, e n\u00e3o os lugares baldios distantes de seus s\u00edtios, hoje tamb\u00e9m cobi\u00e7ados pelas multinacionais. Por\u00e9m, resulta que este \u00e9 um problema que est\u00e1 relacionado a todo o povo colombiano e que, de fato, est\u00e1 salpicando de conflitos todo o territ\u00f3rio. Existe uma profunda inconformidade do pa\u00eds com a quadrilha financeira que est\u00e1 se apropriando da Orinoqu\u00eda. Agora, vem aparecendo uns tais \u201cnovos agricultores\u201d, que de agricultores n\u00e3o t\u00eam nada, como os magnatas Sarmiento Angulo e Julio Mario Santodomingo (filhos), os propriet\u00e1rios de terras Eder del Valle del Cauca, o senhor Efromovich, o ex-vicepresidente Francisco Santos (gestor do grupo paramilitar Bloque Capital), os filhos de Uribe V\u00e9lez, entre outros embusteiros, que n\u00e3o possuem nenhum direito sobre essas terras e que s\u00f3 querem cravar suas garras no petr\u00f3leo, no ouro, no coltan, no l\u00edtio, explorar grandes projetos agroindustriais e a biodiversidade do planalto. Abordar o assunto agr\u00e1rio \u00e9 discutir com o pa\u00eds sobre este problema, Que falem os verdadeiros agricultores, esses de pele tostada pelo sol dos bancos de savana; esses que por s\u00e9culos convivem em harmonia com os morichales e o voo das gar\u00e7as; esses de p\u00e9s descal\u00e7os que com sua bravura hist\u00f3rica empunharam as lan\u00e7as para nos dar a liberdade.<\/p>\n<p>O povo tamb\u00e9m tem a palavra. Um exemplo \u00e9 a patri\u00f3tica resist\u00eancia dos trabalhadores petroleiros contra a canadense Pacific-Rubiales, em Puerto Gait\u00e1n, cujo cen\u00e1rio de saque foi preparado com sangue pelos paramilitares de V\u00edctor Carranza. Diariamente, o vampiro transnacional leva mais de 250 mil barris de petr\u00f3leo, enquanto suga o sangue de mais de 12.500 trabalhadores terceirizados que, como escravos, tem que trabalhar 16 horas por dia, por 21 dias cont\u00ednuos, por uma semana de descanso. Sua situa\u00e7\u00e3o trabalhista \u00e9 mais atroz que a imposta pelos exploradores bananeiros dos anos 20.<\/p>\n<p>Outro exemplo \u00e9 a resist\u00eancia dos povoados de Quimbo, onde o governo pretende tirar a patadas as pessoas que ali vivem h\u00e1 mais de um s\u00e9culo, destruindo assim suas tradi\u00e7\u00f5es culturais, de vida e seu entorno ambiental. Vamos deixar ferir de morte o rio da p\u00e1tria, o R\u00edo Grande de la Magdalena, s\u00f3 para construir uma represa que gerar\u00e1 energia para exporta\u00e7\u00e3o e n\u00e3o para resolver a demanda interna de milh\u00f5es de colombianos que n\u00e3o possuem acesso \u00e0 energia el\u00e9trica? Para o governo est\u00e3o em primeiro lugar os lucros da transnacional EMGESA e, depois, a sorte das fam\u00edlias que ficar\u00e3o desarraigadas.<\/p>\n<p>Existe tamb\u00e9m a resist\u00eancia dos povoados de Marmato (Caldas), gente humilde que sempre viveu da explora\u00e7\u00e3o artesanal aur\u00edfera e que agora a transnacional MEDORO RESOURCES quer apagar do mapa para converter essa aldeia na maior mina de ouro a c\u00e9u aberto do continente. Recordemos aqui que at\u00e9 a igreja colombiana acompanha essa justa luta na qual o sacerdote Jos\u00e9 Id\u00e1rraga, l\u00edder do Comit\u00ea C\u00edvico Pr\u00f3-Defesa de Marmato, foi crivado pelos capangas das transnacionais.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos esquecer a formid\u00e1vel resist\u00eancia ind\u00edgena e camponesa no Cauca, em defesa de seu territ\u00f3rio e de suas culturas ancestrais, e a de seus irm\u00e3os afro-colombianos, guardi\u00f5es patri\u00f3ticos da soberania do povo sobre o Pac\u00edfico e nossas selvas.<\/p>\n<p>As castas dominantes insistem em destro\u00e7ar a plan\u00edcie de Santurb\u00e1n, riqueza da biodiversidade e de \u00e1guas que saciam a sede de cidades importantes, como Bucaramanga e C\u00facuta. Pela cobi\u00e7a do ouro pretendem destruir a alta montanha e a pureza das \u00e1guas do rio Surat\u00e1. A dignidade dos filhos de Jos\u00e9 Antonio Gal\u00e1n, l\u00edder local, mobilizou a resist\u00eancia, unificando inclusive o povo comum com o empresariado local, que come\u00e7ou a entender que esta \u00e9 uma luta de toda a Col\u00f4mbia.<\/p>\n<p>Como vamos permitir que para saciar a voracidade pelo ouro da ANGLO GOLD ASHANTI se entregue a esta multinacional 5% de nosso territ\u00f3rio? O projeto extrativo dessa empresa em La Colosa (Cajamarca) deixar\u00e1 uma grande devasta\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica e privar\u00e1 de \u00e1gua 4 milh\u00f5es de colombianos que dependem de suas fontes h\u00eddricas.<\/p>\n<p>A locomotiva mineira \u00e9 como um dem\u00f4nio de destrui\u00e7\u00e3o socioambiental que se o povo n\u00e3o det\u00e9m, em menos de uma d\u00e9cada converter\u00e1 a Col\u00f4mbia em um pa\u00eds invi\u00e1vel. \u00c9 preciso frear j\u00e1 as locomotivas f\u00edsicas do Cerrej\u00f3n e da Drummond que, durante as 24 horas do dia, saqueiam nosso carv\u00e3o, despejam polui\u00e7\u00e3o ao passo de seus intermin\u00e1veis vag\u00f5es, deixando, como disse o cantor vallenato, Hernando Mar\u00edn, s\u00f3 t\u00faneis e mis\u00e9ria. \u00c9 preciso frear a BHP BILLITON, a XSTRATA e a ANGLO AMERICAN que, para extrair 600 milh\u00f5es de toneladas de carv\u00e3o que se encontram embaixo do leito do rio Rancher\u00eda, pretendem desviar seu curso, o que diminuir\u00e1 o volume de suas \u00e1guas em 40%, gerando devasta\u00e7\u00e3o ambiental e destrui\u00e7\u00e3o irrepar\u00e1vel do tecido social de um dos povos Way\u00fau.<\/p>\n<p>Como se mostra amedrontado o governo em defender a soberania frente \u00e0 transnacional BHP BILLITON, que saqueia em descarada atitude de lesa p\u00e1tria as jazidas de ferro e n\u00edquel de Cerro Matoso (C\u00f3rdoba) e segue enchendo-se de ricos metais em detrimento da soberania, do bem estar social e do meio ambiente.<\/p>\n<p>Por isso, \u00e9 necess\u00e1rio colocar fim a essa monstruosidade que s\u00e3o os contratos de 20 e 30 anos, que privilegiam os direitos do capital, menosprezando o interesse comum.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que os porta-vozes do governo e da oligarquia se fazem escutar, proclamando o crescimento da economia nacional e de suas exporta\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m, n\u00e3o. Na Col\u00f4mbia n\u00e3o existe uma economia nacional. Quem exporta o petr\u00f3leo, o carv\u00e3o, o ferro, o n\u00edquel, o ouro e se beneficia com eles s\u00e3o as multinacionais. Ent\u00e3o, a prosperidade \u00e9 destas e dos governantes vendidos, n\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Este n\u00e3o \u00e9 um espa\u00e7o para resolver os problemas particulares dos guerrilheiros, mas os problemas do conjunto da sociedade; e dado que um dos fatores que mais impacta negativamente a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 a assinatura dos Tratados de Livre Com\u00e9rcio. Este \u00e9 um tema que ter\u00e1 de ser abordado indefectivelmente. Pobre Col\u00f4mbia, obrigada a competir com as transnacionais com uma infraestrutura arruinada pela corrup\u00e7\u00e3o e pela pregui\u00e7a.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, a paz sim. Sinceramente, queremos a paz e nos identificamos com o clamor majorit\u00e1rio da na\u00e7\u00e3o para encontrar uma sa\u00edda dialogada ao conflito, abrindo espa\u00e7os para a plena participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 nos debates e decis\u00f5es.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a paz n\u00e3o significa o sil\u00eancio dos fuzis, mas abrange a transforma\u00e7\u00e3o da estrutura do Estado e a mudan\u00e7a das formas pol\u00edticas, econ\u00f4micas e militares. Sim, a paz n\u00e3o \u00e9 a simples desmobiliza\u00e7\u00e3o. Dizia o comandante Alfonso Cano: \u201cDesmobilizar-se \u00e9 sin\u00f4nimo de in\u00e9rcia, \u00e9 entrega covarde, \u00e9 rendi\u00e7\u00e3o e trai\u00e7\u00e3o \u00e0 causa popular e ao ide\u00e1rio revolucion\u00e1rio que cultivamos e \u00e0 luta pelas transforma\u00e7\u00f5es sociais; \u00e9 uma indignidade que leva impl\u00edcita uma mensagem de desesperan\u00e7a ao povo que confia em nosso compromisso e na proposta bolivariana\u201d. Necessariamente teremos que abordar as causas geradoras do conflito e sanar, primeiro, o cancro da institucionalidade. Claro, a partir do ponto de vista estritamente econ\u00f4mico, para uma transnacional \u00e9 mais f\u00e1cil saquear os recursos naturais do pa\u00eds sem a resist\u00eancia popular e guerrilheira. Apoiados em simples exerc\u00edcios de matem\u00e1tica, podemos afirmar que a guerra \u00e9 insustent\u00e1vel para o Estado, pelas seguintes considera\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>O gasto militar na Col\u00f4mbia \u00e9 dos mais altos do mundo, em propor\u00e7\u00e3o ao seu Produto Interno Bruto. Este alcan\u00e7a 6.4% quando, h\u00e1 20 anos, estava na casa dos 2.4%; ou seja, triplicou e isso \u00e9 relevante. O gasto militar atualmente oscila entre 23 e 27 bilh\u00f5es de pesos ao ano, descontando que a Col\u00f4mbia \u00e9 o terceiro receptor de \u201cajuda\u201d militar norte-americana no mundo e que, por conta do Plano Col\u00f4mbia, recebe um financiamento equivalente a 700 milh\u00f5es de d\u00f3lares ao ano.<\/p>\n<p>Na Col\u00f4mbia existe um regime jur\u00eddico que \u00e9 acompanhado da prote\u00e7\u00e3o militar aos investimentos. De uns 330.000 efetivos das For\u00e7as Militares, 90 mil soldados s\u00e3o utilizados para cuidar da infraestrutura e dos lucros das multinacionais. O enorme gasto que isto representa, somado ao custo da tecnologia empregada, coloca em evid\u00eancia os limites da sustentabilidade da guerra. N\u00f3s fazemos um sincero apelo aos soldados da Col\u00f4mbia, aos oficiais e aos suboficiais, aos altos comandos que ainda sintam em seu peito o bradar da p\u00e1tria, a recobrar o decoro e a heran\u00e7a do ide\u00e1rio bolivariano, que reclama aos militares empregar sua espada em defesa da soberania e das garantias sociais. Que bom seria protagonizar o surgimento de novas For\u00e7as Armadas. N\u00e3o mais submiss\u00e3o \u00e0 Washington, n\u00e3o mais subordina\u00e7\u00e3o ao Comando Sul e n\u00e3o mais complac\u00eancia com a expans\u00e3o de bases militares estrangeiras em nosso territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a fogueira que arde em nosso cora\u00e7\u00e3o; por isso, n\u00e3o podem ser mais que um agravo os chamados instrumentos jur\u00eddicos de justi\u00e7a transicional que apontam a converter v\u00edtimas em culpados. Que se tenha claro que a insurrei\u00e7\u00e3o armada contra a opress\u00e3o \u00e9 um direito universal que assiste a todos os povos do mundo, consagrado no pre\u00e2mbulo da declara\u00e7\u00e3o dos direitos humanos aprovada pela ONU em 1948 e que, al\u00e9m disso, \u00e9 um direito estabelecido em muitas constitui\u00e7\u00f5es das na\u00e7\u00f5es do mundo. N\u00e3o somos causa, mas sim resposta \u00e0 viol\u00eancia do Estado, que \u00e9 quem deve submeter-se a um marco jur\u00eddico para que responda por suas atrocidades e crimes de lesa humanidade, como os 300 mil mortos da denominada \u00e9poca da viol\u00eancia nos anos 50, que responda pelo assassinato dos 5 mil militantes e dirigentes da Uni\u00e3o Patri\u00f3tica, pelo paramilitarismo como estrat\u00e9gia contrainsurgente do Estado, pela remo\u00e7\u00e3o de cerca de 6 milh\u00f5es de camponeses, por mais de 50 mil casos de desaparecimentos for\u00e7ados, pelos massacres e pelos falsos positivos, pelas torturas, pelos abusos de poder que significam as deten\u00e7\u00f5es massivas, pela dram\u00e1tica crise social e humanit\u00e1ria; em s\u00edntese, que responda pelo terrorismo de Estado. Quem deve confessar a verdade e reparar as v\u00edtimas s\u00e3o seus culpados entrincheirados na esp\u00faria institucionalidade.<\/p>\n<p>Somos uma for\u00e7a beligerante, uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica revolucion\u00e1ria com um projeto de pa\u00eds esbo\u00e7ado na Plataforma Bolivariana pela Nova Col\u00f4mbia, e nos anima a convic\u00e7\u00e3o de que nosso porto \u00e9 a paz, por\u00e9m n\u00e3o a paz dos vencidos, mas a paz com justi\u00e7a social.<\/p>\n<p>A insurg\u00eancia armada motivada por uma luta justa n\u00e3o poder\u00e1 ser derrotada com bombardeios e nem tecnologias, nem planos por muito sonoros e variados que sejam suas denomina\u00e7\u00f5es. A guerra de guerrilhas m\u00f3veis \u00e9 uma t\u00e1tica invenc\u00edvel. Se equivocam aqueles que embriagados de triunfalismo falam do fim da guerrilha, de pontos de inflex\u00e3o e de derrotas estrat\u00e9gicas, e confundem nossa disposi\u00e7\u00e3o ao di\u00e1logo pela paz com uma inexistente manifesta\u00e7\u00e3o de debilidade. Sim, nos golpearam e n\u00f3s tamb\u00e9m golpeamos. Por\u00e9m, como o romanceiro espanhol, podemos dizer: \u201cpor fortuna os vangloriais, porque vossas armas est\u00e3o polidas; em mudan\u00e7a olhai as minhas, que sujas est\u00e3o, porque ferem e s\u00e3o feridas\u201d. Assim s\u00e3o as vicissitudes da guerra. O Plano Col\u00f4mbia do Comando Sul dos Estados Unidos foi derrotado e a confronta\u00e7\u00e3o b\u00e9lica se estende hoje com intensidade por todo o territ\u00f3rio nacional. N\u00e3o obstante, em n\u00f3s palpita um sentimento de paz fundado no convencimento de que a vit\u00f3ria sempre estar\u00e1 nas m\u00e3os da vontade e da mobiliza\u00e7\u00e3o de nosso povo. \u201cEsta \u00e9 uma mensagem de decis\u00e3o\u201d, dizia h\u00e1 pouco Alfonso Cano: aqui nas FARC ningu\u00e9m est\u00e1 intimado. Estamos absolutamente cheios de moral, de moral de combate!<\/p>\n<p>Convocamos todos os setores sociais do pa\u00eds, o Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (ELN), os Diret\u00f3rios dos partidos pol\u00edticos, o Colombianas e Colombianos pela Paz, organiza\u00e7\u00e3o liderada por Piedad C\u00f3rdoba, que trabalhou incansavelmente para abrir este caminho, a Confer\u00eancia Episcopal e as igrejas, a Mesa Ampla Nacional Estudantil (MANE), a Coordenadoria de Movimentos Sociais da Col\u00f4mbia (COMOSOCOL), os promotores do Encontro pela Paz de Barranca, os ind\u00edgenas, os afrodescendentes, os camponeses, as organiza\u00e7\u00f5es de pessoas que sofreram remo\u00e7\u00f5es, a ACVC, a Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Zonas de Reserva Camponesa (ANZORC), as centrais de trabalhadores, as mulheres, o movimento juvenil colombiano, a popula\u00e7\u00e3o LGTBI, os acad\u00eamicos, os artistas e agricultores, os comunicadores alternativos, o povo em geral, os migrados e os exilados, a Marcha Patri\u00f3tica, o Polo Democr\u00e1tico, o Congresso dos Povos, o Partido Comunista, o MOIR, a Minga Ind\u00edgena, os amantes da paz no mundo, para que encham de esperan\u00e7a esta tentativa de solu\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica ao conflito.<\/p>\n<p>Sim\u00f3n Trinidad j\u00e1 manifestou do c\u00e1rcere imperial de Florence (Colorado), onde est\u00e1 cumprindo sua injusta condena\u00e7\u00e3o de 60 anos de pris\u00e3o, sua total disposi\u00e7\u00e3o para participar dos di\u00e1logos pela paz da Col\u00f4mbia. Em um ato de sensatez, a Procuradoria colombiana disse que ele possui todo o direito a fazer parte da delega\u00e7\u00e3o das FARC na mesa de conversa\u00e7\u00f5es e o Conselho Superior de Magistratura ofereceu a tecnologia e a log\u00edstica para que isso seja poss\u00edvel. O governo dos Estados Unidos daria uma grande contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia colombiana, ao facilitar a participa\u00e7\u00e3o de Sim\u00f3n, de corpo presente, nesta mesa.<\/p>\n<p>Finalmente, queremos expressar nossa eterna gratid\u00e3o aos governos e povos da Noruega, Cuba, Venezuela e Chile, que empregaram seus esfor\u00e7os coletivos desde a Escandin\u00e1via, do Caribe, do ber\u00e7o de Sim\u00f3n Bol\u00edvar e do indom\u00e1vel Arauco de Neruda e Allende, para que o mundo possa contemplar o prod\u00edgio da nova aurora boreal da paz. Tamb\u00e9m ressaltamos a contribui\u00e7\u00e3o do CICR, como garantia do traslado dos porta-vozes das FARC das agrestes regi\u00f5es colombianas sob o fogo.<\/p>\n<p>Rendemos homenagem a nossos ca\u00eddos, aos nossos prisioneiros de guerra, aos nossos feridos, \u00e0 abnega\u00e7\u00e3o das Mil\u00edcias Bolivarianas, ao Partido Comunista Clandestino e ao Movimento Bolivariano pela Nova Col\u00f4mbia e, junto a eles, ao povo fiel que nutre e acompanha nossa luta.<\/p>\n<p>Sem ainda come\u00e7ar a discuss\u00e3o, n\u00e3o coloquemos como espada de D\u00e2mocles, a pender amea\u00e7as sobre a exist\u00eancia desta mesa. Submetamos as raz\u00f5es de cada uma das partes envolvidas ao veredito da na\u00e7\u00e3o, \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o cidad\u00e3. N\u00e3o permitamos que os manipuladores de opini\u00e3o desviem o rumo desta causa necess\u00e1ria, que \u00e9 a reconcilia\u00e7\u00e3o e a paz dos colombianos em condi\u00e7\u00f5es de justi\u00e7a e dignidade. A grande imprensa n\u00e3o pode continuar atuando como juiz injusto frente ao conflito, porque, como dizia C\u00edcero, \u201cum juiz injusto \u00e9 pior que um carrasco\u201d. Dos esfor\u00e7os de todos e da solidariedade do mundo, depende o destino da Col\u00f4mbia. Que a ora\u00e7\u00e3o pela paz de Jorge Eli\u00e9cer Gait\u00e1n ilumine nosso caminho: \u201cBem aventurados os que entendem que as palavras de conc\u00f3rdia e de paz n\u00e3o devem servir para ocultar sentimentos de rancor e exterm\u00ednio. Mal aventurados os que no governo ocultam por tr\u00e1s da bondade das palavras a impiedade para com os homens do povo, porque eles ser\u00e3o apontados com o dedo da vergonha nas p\u00e1ginas da hist\u00f3ria!<\/p>\n<p>Damos as boas-vindas a este novo empreendimento pela paz com justi\u00e7a social. Todos pela solu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica do conflito colombiano.<\/p>\n<p>Viva Col\u00f4mbia\/ Viva Manuel Marulanda V\u00e9lez\/ Viva a paz!<\/p>\n<p>Secretariado do Estado Maior Central das FARC-EP<\/p>\n<p>*Iv\u00e1n M\u00e1rquez, da dire\u00e7\u00e3o das FARC, um dos grandes protagonistas dos di\u00e1logos de paz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: RLA\n\n\n\n\n\n\n\n\n\nIv\u00e1n M\u00e1rquez*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3761\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-3761","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-YF","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3761","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3761"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3761\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3761"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3761"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3761"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}