{"id":3765,"date":"2012-10-28T00:22:48","date_gmt":"2012-10-28T00:22:48","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3765"},"modified":"2012-10-28T00:22:48","modified_gmt":"2012-10-28T00:22:48","slug":"por-que-a-america-latina-e-um-territorio-vigiado-pelo-governo-dos-estados-unidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3765","title":{"rendered":"Por que a Am\u00e9rica Latina \u00e9 um territ\u00f3rio vigiado pelo governo dos Estados Unidos?"},"content":{"rendered":"\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: ADITAL<\/p>\n<p>O conflito geoestrat\u00e9gico com a China, o futuro da Am\u00e9rica Latina e o interesse de Washington na regi\u00e3o s\u00e3o o miolo do novo livro da analista Telma Luzzani, Territorios Vigilados, recentemente apresentado em Buenos Aires, que deixa claro como opera a rede de bases militares estadunidenses na Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>Segundo a autora, a ideia do livro foi amadurecendo pouco a pouco at\u00e9 que, em 2008, escreveu uma nota sobre a reativa\u00e7\u00e3o por parte dos Estados Unidos da IV Frota do Comando Sul para patrulhar os Oceanos Pac\u00edfico e Atl\u00e2ntico.<\/p>\n<p>&#8220;O que me perguntava nessa nota \u2013assinala Telma- \u00e9 por que raz\u00e3o os EUA teriam interesse em reativar uma frota semelhante poder de fogo no territ\u00f3rio onde, visivelmente, n\u00e3o havia nada que chamasse a uma guerra\u201d.<\/p>\n<p>&#8220;Falei com v\u00e1rios analistas e o resultado dessa nota era que, justamente, nossas riquezas, com os recursos naturais e mais as mudan\u00e7as que estavam acontecendo no mundo em \u00e2mbito econ\u00f4mico e pol\u00edtico, tornavam necess\u00e1rio para os Estados Unidos, militarizar a zona, para continuar mantendo seu poder e seu dom\u00ednio\u201d.<\/p>\n<p>Depois ficou-se sabendo que o ex-presidente da Col\u00f4mbia, \u00c1lvaro Uribe, naquele momento \u00e0 frente do governo, havia acordado a presen\u00e7a de sete bases militares em seu pa\u00eds. Esse foi o in\u00edcio de uma investiga\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios anos e de um livro que tardou quase dois anos para ser publicado.<\/p>\n<p>Com a colabora\u00e7\u00e3o dos jornalistas Emiliano Guido e Federico Luzzani, a autora come\u00e7ou a desenrolar o motivo que levou \u00e0 instala\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o das bases militares \u2013que passaram de 14 (em 1938) para 30.000 (em 1945), das quais, ao finalizar a II Guerra Mundial, somente permaneceram abertas 2.000- sem conflito b\u00e9lico \u00e0 vista. Explica: &#8220;Todos os imp\u00e9rios tiveram bases militares. Os pa\u00edses que tem uma frota mar\u00edtima significativa necessitam de lugares onde abastecer-se, treinar-se, acumular recursos. Ent\u00e3o, as bases militares, na realidade, s\u00e3o parte da estrutura militar de uma pot\u00eancia\u201d. &#8220;Quando os Estados Unidos converteram-se na maior pot\u00eancia juntamente com a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, ap\u00f3s a II Guerra Mundial, decidem expandir suas bases em fun\u00e7\u00e3o de um projeto de domina\u00e7\u00e3o global\u201d.<\/p>\n<p>Segundo a jornalista, em cada per\u00edodo pol\u00edtico e, de acordo com as circunst\u00e2ncias, as bases v\u00e3o mudando de caracter\u00edsticas: &#8220;Uma base tradicional, grande, com muito pessoal \u00e9 muito cara e \u00e9 odiosa para o pa\u00eds que tem que aloj\u00e1-la. Em geral, cria conflitos, traz problemas ambientais\u201d. &#8220;Ap\u00f3s a queda da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, os Estados Unidos redesenharam seu poder militar e decidiram em algum lugar deixar as bases tradicionais e, em outros, abrir novas bases ou substituir as que tinham por outras menores, dissimuladas, com pouco pessoal, que \u00e9 rotativo. Para o governo que as aloja, \u00e9 f\u00e1cil convencer aos seus cidad\u00e3os de que n\u00e3o se trata de uma base militar&#8230;\u201d.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao crit\u00e9rio empregado para situar as bases, a autora ressaltou que o mesmo \u00e9 geoestrat\u00e9gico. &#8220;Est\u00e1 vinculado \u00e0 guerra e ao com\u00e9rcio\u201d. E aprofundou em uma das hip\u00f3teses de seu livro, o potencial conflito entre os Estados Unidos e a China rumo a 2016: &#8220;\u00c9 somente uma proje\u00e7\u00e3o. 2016 ser\u00e1 o ano assinalado pelo Banco Mundial como o momento em que, provavelmente, a China superaria aos Estados Unidos como primeira pot\u00eancia econ\u00f4mica do mundo. Os Estados Unidos n\u00e3o v\u00e3o esperar por 2016 e que isso seja um fato consumado; essas coisas s\u00e3o resolvidas antes que aconte\u00e7am. N\u00e3o sabemos se a China continuar\u00e1 o mesmo esquema expansionista dos Estados Unidos. Vamos rumo a um sistema que ainda n\u00e3o conhecemos\u201d.<\/p>\n<p>Nesse contexto, Luzzani analisou a papel da Am\u00e9rica Latina e ressaltou duas quest\u00f5es importantes. &#8220;Uma \u00e9 que, pela primeira vez, os Estados Unidos t\u00eam que deslocar uma presen\u00e7a militar evidente, que, at\u00e9 que aparece a Base de Manta, isso n\u00e3o fazia falta porque havia uma quantidade significativa de governos militares, cuja linha de mando terminava diretamente no Pent\u00e1gono. E, em segundo lugar, uma escassez de recursos naturais que, em nosso territ\u00f3rio, \u00e9 abundante\u201d.<\/p>\n<p>Luzzani tamb\u00e9m busca desmascarar com seu texto a denominada irrelev\u00e2ncia latino-americana. &#8220;Outra hip\u00f3tese que trabalho no livro \u00e9 o fundamento que diz que a Am\u00e9rica Latina n\u00e3o tem nenhuma import\u00e2ncia para os Estados Unidos. Tento demonstrar que \u00e9 exatamente ao contr\u00e1rio\u201d. &#8220;\u00c9 t\u00e3o importante que, em geral, sempre est\u00e1 presente em seus primeiros objetivos sobre o que vai acontecer na regi\u00e3o. Sem a Am\u00e9rica do Sul e a Am\u00e9rica central, os Estados Unidos n\u00e3o poderiam ser a pot\u00eancia que s\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A jornalista argumentou que da\u00ed prov\u00e9m a necessidade de dominar a regi\u00e3o e de separar o Brasil e a Argentina, uni\u00e3o que considerou como &#8220;um dos piores pesadelos dos Estados Unidos\u201d.<\/p>\n<p>Telma Luzzani explicou que alguns fatos pol\u00edticos n\u00e3o puderam ser inclu\u00eddos no livro: &#8220;O que aconteceu com [Fernando] Lugo \u00e9 importante porque eles t\u00eam uma base militar, que \u00e9 a de Mariscal Estigarribia; que no Paraguai exista um governo como o de Lugo ou o de Federico Franco faz uma grande diferen\u00e7a. Nesse sentido, me interessava muito ampliar esse enfoque\u201d.<\/p>\n<p>Antecipou que poderia mudar algum cap\u00edtulo para aprofundar sobre o processo de paz iniciado entre o governo colombiano e as For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia (Farc): &#8220;O presidente Juan Manuel Santos surpreendeu muito. A Col\u00f4mbia sempre foi o pa\u00eds aliado estrat\u00e9gico dos Estados Unidos. A presen\u00e7a do Plano Col\u00f4mbia justificada pelo narcotr\u00e1fico, pelo terrorismo, parece que vai por \u00e1guas abaixo caso avance o processe de paz. Suponhamos que o processo seja um \u00eaxito e que o argumento do terrorismo e do narcotr\u00e1fico se debilitam.Ent\u00e3o, n\u00e3o se justificaria semelhante deslocamento militar\u201d.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o do presidente venezuelano Hugo Ch\u00e1vez, a autora ressaltou que para os Estados Unidos \u00e9 uma m\u00e1 not\u00edcia e ressaltou que esse pa\u00eds tamb\u00e9m est\u00e1 rodeado por bases militares norte-americanas. &#8220;H\u00e1 bases que est\u00e3o a 50 quil\u00f4metros da costa venezuelana. Est\u00e3o tamb\u00e9m as bases da Col\u00f4mbia. O modelo venezuelano, o tipo de pol\u00edtica que \u00e9 levado adiante na Venezuela \u00e9 exatamente o que os Estados Unidos n\u00e3o gostariam que tivesse \u00eaxito, porque \u00e9 totalmente contr\u00e1rio ao que eles disseram por toda a vida que era melhor\u201d.<\/p>\n<p>Na hora de desvelar se a Am\u00e9rica Latina pode libertar-se do controle norte-americano, Luzzani n\u00e3o deu lugar a d\u00favidas: &#8220;Se pensarmos nas riquezas que temos, creio que, no momento, \u00e9 muito dif\u00edcil que deixemos de ser um territ\u00f3rio vigiado\u201d.<\/p>\n<p>[Territorios vigilados. Como opera la red de bases militares norteamericanas en Sudam\u00e9rica; Editorial Debate, Buenos Aires, 560 p\u00e1ginas].<\/p>\n<p>http:\/\/www.adital.com.br\/site\/noticia.asp?boletim=1&#038;lang=PT&#038;cod=71516<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: Adital\n\n\n\n\n\n\n\n\nRomina Lascano\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3765\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-3765","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-YJ","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3765","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3765"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3765\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3765"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3765"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3765"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}