{"id":3770,"date":"2012-10-28T00:44:38","date_gmt":"2012-10-28T00:44:38","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3770"},"modified":"2012-10-28T00:44:38","modified_gmt":"2012-10-28T00:44:38","slug":"qimpera-na-esquerda-reciclada-um-cinismo-assombrosoq-jose-paulo-netto-na-caros-amigos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3770","title":{"rendered":"&#8220;Impera na esquerda \u2018reciclada\u2019 um cinismo assombroso&#8221; &#8211; Jos\u00e9 Paulo Netto na Caros Amigos"},"content":{"rendered":"\n<p>&#8220;O professor de Servi\u00e7o Social e pensador marxista explica a hist\u00f3ria da esquerda no Brasil e seus desdobramentos no momento atual em entrevista especial para o site da Caros Amigos, em raz\u00e3o do lan\u00e7amento da edi\u00e7\u00e3o especial &#8220;Dilemas e Desafios da Esquerda Brasileira&#8221;. Confira.<\/p>\n<p>Por Tatiana Merlino<\/p>\n<p><strong>Caros Amigos &#8211; Quando se poderia afirmar que surgiu uma esquerda no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>Sem pretender rigor cronol\u00f3gico, diria que se pode falar em uma proto-hist\u00f3ria da esquerda brasileira a partir da \u00faltima d\u00e9cada do s\u00e9culo 19 e nos primeiros anos do s\u00e9culo 20. Pense-se, para ficarmos em exemplos conhecidos, nos nomes de Silv\u00e9rio Fontes, em parte da atividade de Euclides da Cunha e mesmo nas posi\u00e7\u00f5es de Lima Barreto. Mas, com rigor, penso que a hist\u00f3ria da nossa esquerda tem mesmo o seu momento fundacional com a atividade dos grupos anarquistas, especialmente em S\u00e3o Paulo e no Rio de Janeiro, no per\u00edodo imediatamente anterior \u00e0 Primeira Guerra Mundial. Julgo correta a afirma\u00e7\u00e3o de que os anarquistas inauguraram a hist\u00f3ria da esquerda no Brasil.<\/p>\n<p><strong>Caros Amigos &#8211; Qual foi a influ\u00eancia da imigra\u00e7\u00e3o europeia na consolida\u00e7\u00e3o de uma ideologia de esquerda no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>Esta influ\u00eancia foi absolutamente fundamental \u2013 n\u00e3o por acaso, mencionei, acima, que os anarquistas inauguraram a hist\u00f3ria da esquerda em nosso pa\u00eds. E sabemos do papel dos imigrantes neste processo (ali\u00e1s, a oligarquia percebeu-o claramente: recorde-se a \u201clei celerada\u201d, de 1907). Mas \u00e9 necess\u00e1rio enfatizar que n\u00e3o se tratou de nenhuma transplanta\u00e7\u00e3o artificial: a incipiente industrializa\u00e7\u00e3o criava as condi\u00e7\u00f5es para que as ideias difundidas pelas lideran\u00e7as anarquistas penetrassem com for\u00e7a no nascente movimento oper\u00e1rio. A greve de 1917, em S\u00e3o Paulo, mostra-o suficientemente.<\/p>\n<p><strong>Caros Amigos &#8211; Que ideias os imigrantes trouxeram?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o cabe aqui, suponho, sumariar o ide\u00e1rio anarquista (que, diga-se de passagem, chega-nos como um caldo de cultura bastante heterog\u00eaneo). A mim, parece-me que o mais significativo pode ser resumido em dois pontos elementares: a defesa da dignidade do\u00a0trabalho e do trabalhador e a defini\u00e7\u00e3o clar\u00edssima das linhas b\u00e1sicas do antagonismo entre os interesses dos trabalhadores e os da oligarquia. Num pa\u00eds onde a heran\u00e7a do escravismo, ademais de pesad\u00edssima, estava muito viva, a simples afirma\u00e7\u00e3o dos direitos civis e pol\u00edticos do trabalhador \u201clivre\u201d j\u00e1 era, em si, revolucion\u00e1ria. Quanto \u00e0 determina\u00e7\u00e3o das lutas de classes, o princ\u00edpio da autonomia pol\u00edtica dos trabalhadores (mesmo que, para os anarquistas, isto significasse uma recusa da interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica institucional, o que se demonstrou insustent\u00e1vel), no Brasil n\u00f3s o devemos aos anarquistas.<\/p>\n<p><strong>Caros Amigos &#8211; Quais eram as correntes que atuaram no pa\u00eds no come\u00e7o do s\u00e9culo 20? Como era tal atua\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0 mobiliza\u00e7\u00e3o anarquista, a oligarquia respondeu imediatamente (para al\u00e9m da repress\u00e3o) com o est\u00edmulo ao sindicalismo \u201camarelo\u201d, explicitamente bancado pelo governo federal (pense-se, por exemplo, no esfor\u00e7o de M\u00e1rio Hermes da Fonseca, filho do Presidente da Rep\u00fablica, para a cria\u00e7\u00e3o do \u201cpeleguismo\u201d no IV Congresso Oper\u00e1rio, realizado no Rio de Janeiro). No per\u00edodo que sucede imediatamente \u00e0 Primeira Guerra Mundial, o movimento oper\u00e1rio tem a sua din\u00e2mica fundada no confronto entre estas duas tend\u00eancias. E suas formas de interven\u00e7\u00e3o eram, \u00e9 \u00f3bvio, inteiramente diversas: os anarquistas jogavam forte na cria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas constitutivas da consci\u00eancia classista (sua \u00eanfase na educa\u00e7\u00e3o e na imprensa independente s\u00e3o seus tra\u00e7os caracter\u00edsticos) e apostavam na a\u00e7\u00e3o direta; os \u201camarelos\u201d incorporavam a ideologia da colabora\u00e7\u00e3o de classes e se subordinavam \u00e0s diretrizes legal-institucionais da oligarquia.<\/p>\n<p><strong>Caros Amigos &#8211; Como foi o processo que resultou na cria\u00e7\u00e3o do PCB? Quais foram as for\u00e7as que o formaram?<\/strong><\/p>\n<p>Se n\u00e3o estou em erro, diria que o PCB (fundado em mar\u00e7o de 1922) resulta da conflu\u00eancia de dois vetores: o exaurimento do poder de atra\u00e7\u00e3o do anarquismo entre os trabalhadores e o impacto da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro. A greve de 1917, que p\u00f4s a correr, em S\u00e3o Paulo, as autoridades e deixou a capital nas m\u00e3os dos trabalhadores \u2013 ponto mais alto da interven\u00e7\u00e3o anarquista em nosso pa\u00eds \u2013, tamb\u00e9m deixou a nu a incapacidade do anarquismo para tratar a quest\u00e3o do poder. O impacto da Revolu\u00e7\u00e3o Russa conferiu grande prest\u00edgio (o que, ali\u00e1s, foi um fen\u00f4meno mundial) ao comunismo, num primeiro momento inclusive entre os anarquistas. Evidentemente, n\u00e3o se esgotam nestes dois vetores as bases para o surgimento do PCB \u2013 para compreend\u00ea-lo, \u00e9 necess\u00e1rio observar as mudan\u00e7as societais que estavam em curso, mesmo larvares, no pa\u00eds, que alteravam claramente a estrutura de classes e as pr\u00e1ticas pol\u00edticas (pense-se, aqui, no que o \u201ctenentismo\u201d sinalizava) e atingiam inclusive as express\u00f5es est\u00e9ticas (n\u00e3o \u00e9 casual, ainda que expressando posi\u00e7\u00f5es de classe muito diversas, que o PCB seja coet\u00e2neo ao Modernismo). Importa observar que o surgimento do Partido Comunista no Brasil, \u00e0 diferen\u00e7a do ocorrido em muitos outros pa\u00edses, inclusive da Am\u00e9rica Latina, n\u00e3o se beneficiou da exist\u00eancia do que podemos designar como \u201ccultura socialista\u201d: aqui, o peso do anarquismo na funda\u00e7\u00e3o do PCB (lembre-se que o nome mais conhecido dentre os fundadores era o de Astrogildo Pereira, que provinha do anarquismo) foi hipertrofiado precisamente pela aus\u00eancia de qualquer outro componente significativo de esquerda \u2013 n\u00e3o \u00e9 por acaso que, no PCB, manifestam-se precocemente diverg\u00eancias de monta (por exemplo, j\u00e1 em 1927-1928).<\/p>\n<p><strong>Caros Amigos &#8211; Como se desenvolveu a esquerda durante o Estado Novo, o que ela enfrentou, como atuou?<\/strong><\/p>\n<p>O Estado Novo se ergue ap\u00f3s uma s\u00e9ria derrota da principal for\u00e7a de esquerda operante no pa\u00eds a partir do segundo ter\u00e7o da d\u00e9cada de 1930 \u2013 refiro-me ao PCB que, ap\u00f3s a ilegaliza\u00e7\u00e3o da Alian\u00e7a Nacional Libertadora (que, de fato, era uma frente que inclu\u00eda outras for\u00e7as al\u00e9m do PCB), lidera a tentativa de tomada do poder em novembro de 1935. Durante os anos de 1938 a 1943, per\u00edodo em que o Estado Novo se manteve em face de uma oposi\u00e7\u00e3o imobilizada pela repress\u00e3o (mas n\u00e3o s\u00f3), a interven\u00e7\u00e3o da esquerda foi praticamente nula. O pr\u00f3prio PCB (que, \u00e0 \u00e9poca, assistiu ao surgimento de outras fra\u00e7\u00f5es comunistas, como, por exemplo, aquela animada por Herm\u00ednio Sacchetta) praticamente desaparece como organiza\u00e7\u00e3o entre os finais dos anos 1930 e a realiza\u00e7\u00e3o da c\u00e9lebre \u201cConfer\u00eancia da Mantiqueira\u201d (1943). \u00c9 somente a partir de 1943 \u2013 e n\u00e3o se subestime nisto a viragem que ocorre no decurso da guerra, especialmente ap\u00f3s a vit\u00f3ria sovi\u00e9tica em Stalingrado \u2013 que se pode falar de uma retomada da interven\u00e7\u00e3o da esquerda, inclusive com o surgimento de uma esquerda n\u00e3o-marxista.<\/p>\n<p><strong>Caros Amigos &#8211; E durante o intervalo democr\u00e1tico entre 45 e 64?<\/strong><\/p>\n<p>Penso que devemos ter alguma cautela ao mencionar o per\u00edodo 1945-1964 como um \u201cintervalo democr\u00e1tico\u201d \u2013 n\u00e3o nos esque\u00e7amos que o Governo Dutra foi emblem\u00e1tico da Guerra Fria que nascia com o seu zool\u00f3gico anticomunismo: foi, dos governos \u201cconstitucionais\u201d, um dos mais, sen\u00e3o o mais, antidemocr\u00e1tico que tivemos. A repress\u00e3o que ent\u00e3o se abateu sobre o movimento oper\u00e1rio-sindical responde, em grande medida, pela interrup\u00e7\u00e3o do crescimento da esquerda, vis\u00edvel em 1945-1946. Mas esta repress\u00e3o n\u00e3o impediu a interven\u00e7\u00e3o significativa da esquerda, seja no pr\u00f3prio per\u00edodo Dutra (evoque-se o papel do Partido Comunista na luta rural de Porecatu, no Paran\u00e1), seja na abertura dos anos 1950, em especial no movimento oper\u00e1rio-sindical, quando os comunistas estabelecem, de fato, uma alian\u00e7a com setores do Partido Trabalhista Brasileiro (o PTB de Vargas).<\/p>\n<p>A meu ju\u00edzo, \u00e9 na segunda metade da d\u00e9cada de 1950 \u2013 mais precisamente, ap\u00f3s o suic\u00eddio de Vargas e a intentona golpista de 1955 \u2013 que podemos registrar um efetivo crescimento da esquerda no pa\u00eds. No per\u00edodo posterior a 1955, s\u00e3o constituintes deste crescimento dois fen\u00f4menos: a crise e a recupera\u00e7\u00e3o do PCB e o surgimento de for\u00e7as de esquerda independentemente da influ\u00eancia do PCB. Conhece-se a crise do PCB na imediata sequ\u00eancia do XX Congresso do PCUS (fevereiro de 1956): a chamada \u201cden\u00fancia do culto \u00e0 personalidade\u201d de Stalin leva o PCB, desde 1945 fortemente stalinizado, a uma crise que p\u00f5e o partido no fundo do po\u00e7o. Somente em 1958, mediante uma \u201cnova pol\u00edtica\u201d (cuja formula\u00e7\u00e3o inicial est\u00e1 na discutida \u201cDeclara\u00e7\u00e3o de Mar\u00e7o\u201d), o partido dos comunistas ganha um novo f\u00f4lego, que lhe permitir\u00e1 ser uma refer\u00eancia nos anos seguintes (apesar da fratura que sobrev\u00e9m em 1962 e que d\u00e1 origem ao PC do B).<\/p>\n<p>Mas \u00e9 tamb\u00e9m no fim dos anos 1950 que surgem n\u00facleos de esquerda, marxistas e revolucion\u00e1rios, que n\u00e3o carregam a hipoteca do stalinismo que marcara o PCB. Este movimento, que se tornar\u00e1 inteiramente vis\u00edvel na entrada dos anos 1960 e que enriquece a esquerda, n\u00e3o expressa t\u00e3o somente a din\u00e2mica da sociedade brasileira, mas tamb\u00e9m sinaliza giros ocorrentes em outras experi\u00eancias pol\u00edticas (ademais da Revolu\u00e7\u00e3o Chinesa, incide aqui, poderosamente, o influxo das lutas de liberta\u00e7\u00e3o nacional em todo o \u00e0 \u00e9poca denominado Terceiro Mundo e, particularmente nos anos seguintes, da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana). Creio que \u00e9 preciso estudar com mais cuidado estes anos f\u00e9rteis para a esquerda brasileira, quando o PCB perde o monop\u00f3lio do marxismo entre n\u00f3s \u2013 e o marxismo se espraia para muito al\u00e9m das fronteiras do PCB.<\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o dos anos 1950 aos 1960 \u00e9 de crescimento (inclusive org\u00e2nico-partid\u00e1rio) da esquerda brasileira \u2013 e isto vale, a meu ju\u00edzo, tanto para o PCB como as outras fra\u00e7\u00f5es emergentes fora do circuito da tradi\u00e7\u00e3o marxista. Penso na constitui\u00e7\u00e3o de setores socialistas em partidos inteiramente alheios a esta tradi\u00e7\u00e3o (basicamente no PTB) e no aparecimento de segmentos socialistas laicos vinculados a diferentes igrejas, embora com visibilidade maior para os de extra\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica (em fun\u00e7\u00e3o, inclusive, do ponder\u00e1vel redirecionamento da Igreja a partir do papado de Jo\u00e3o XXIII). \u00c9 mais ou menos claro que este crescimento da esquerda (e, em todas estas respostas, estou designando por \u201cesquerda\u201d um leque muito amplo e heterog\u00eaneo de for\u00e7as, cujo denominador comum me parece ser o antiimperialismo e a cr\u00edtica \u00e0 ordem burguesa numa perspectiva voltada para o futuro, excluindo-se, pois, o anticapitalismo rom\u00e2ntico pr\u00f3prio da direita restauradora) expressou, naqueles anos, um efetivo processo de democratiza\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira \u2013 processo ele mesmo relacionado \u00e0s mudan\u00e7as estruturais em curso (consolida\u00e7\u00e3o da industrializa\u00e7\u00e3o substitutiva de importa\u00e7\u00f5es, urbaniza\u00e7\u00e3o etc.).<\/p>\n<p><strong>Caros Amigos &#8211; O que representou o golpe de 64 para a esquerda no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>Entendo o golpe do 1\u00ba de abril conforme a brilhante caracteriza\u00e7\u00e3o de Florestan Fernandes: foi parte de um processo mundial de contra-revolu\u00e7\u00e3o preventiva. Representou, para as massas trabalhadoras brasileiras, a liquida\u00e7\u00e3o de um processo de democratiza\u00e7\u00e3o que certamente conduziria a profundas modifica\u00e7\u00f5es econ\u00f4mico-sociais, capazes de desobstruir a via para o rompimento da nossa heteronomia econ\u00f4mica. Para a esquerda, foi uma derrota de enormes implica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m entendo que a esquerda laborou em equ\u00edvocos e cometeu erros que facilitaram o golpe e a instaura\u00e7\u00e3o da ditadura. Mas, ao contr\u00e1rio de muitos analistas, n\u00e3o debito a derrota de abril aos equ\u00edvocos e erros da esquerda: o golpe, parte da mencionada contra-revolu\u00e7\u00e3o preventiva, deve ser explicado pela natureza da domina\u00e7\u00e3o de classe exercida no Brasil pela burguesia. Naquele momento, incapaz de ser classe dirigente, ela escolheu, conscientemente, enquanto classe, ser classe dominante \u2013 e armou um esquema de alian\u00e7as, nacionais e internacionais, que lhe possibilitou, durante quase 20 anos, instaurar o que o mesmo Florestan designou como autocracia burguesa.<\/p>\n<p><strong>Caros Amigos &#8211; Como avalia as diversas organiza\u00e7\u00f5es que surgiram no p\u00f3s-golpe? Por que foram tantas, por que eram tantas correntes? Porque n\u00e3o conseguiram se unir?<\/strong><\/p>\n<p>A unidade entre as for\u00e7as reacion\u00e1rias e\/ou conservadoras nunca constituiu um problema de vulto na hist\u00f3ria pol\u00edtica do s\u00e9culo 20 \u2013 e se compreende a raz\u00e3o: seus interesses econ\u00f4micos t\u00eam fundamentos comuns e est\u00e3o enraizados no presente. No quadro da esquerda, a unidade \u00e9 sempre problem\u00e1tica, porque os enlaces se d\u00e3o mais na prospec\u00e7\u00e3o do futuro do que na defesa de interesses materiais imediatos; \u00e9 problem\u00e1tica, mas poss\u00edvel, como resultado de longos processos de debates, do conhecimento da experi\u00eancia hist\u00f3rica, de combates pr\u00e9vios travados em comum e, sobretudo, do pr\u00f3prio n\u00edvel de consci\u00eancia das massas trabalhadoras, conquistado em suas experi\u00eancias diretas. Frente a um inimigo comum \u2013 como era o caso da ditadura instaurada em 1964 e cujo car\u00e1ter de classe se explicitou, sem deixar margem a d\u00favidas, em 1968, com o AI-5 \u2013 seria esper\u00e1vel a constitui\u00e7\u00e3o de uma unidade entre as for\u00e7as de esquerda. Sabemos que isto n\u00e3o ocorreu. Muitas foram as causas da dispers\u00e3o de esfor\u00e7os e de combates. Penso que parte delas estava inscrita na an\u00e1lise que as diferentes for\u00e7as fizeram (ou deixaram de fazer) da natureza do regime instaurado em 1964 e, ainda, das causas que permitiram a vit\u00f3ria das for\u00e7as de direita. Mas tamb\u00e9m pesaram as concep\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas quanto \u00e0 derrota da ditadura, a extra\u00e7\u00e3o de classe dos resistentes e a conjuntura ideol\u00f3gica da \u00e9poca. Substantivamente, pesou igualmente a pondera\u00e7\u00e3o diferente que as v\u00e1rias for\u00e7as de esquerda (profundamente debilitadas, pela repress\u00e3o sistem\u00e1tica a que foram submetidas, em sua rela\u00e7\u00e3o com as massas trabalhadoras) faziam do papel a ser desempenhado por estas mesmas massas.<\/p>\n<p><strong>Caros Amigos &#8211; Como a luta de massa se organizou na segunda metade dos anos 70?<\/strong><\/p>\n<p>Parece-me que estavam na dire\u00e7\u00e3o mais correta aquelas for\u00e7as (e este foi, entre outros, o caso do PCB) que entendiam a derrota da ditadura como resultado de lutas de massas. O fracasso do \u201cmodelo econ\u00f4mico\u201d da ditadura (evidenciado claramente a partir de 1974-1975), as divis\u00f5es que come\u00e7aram a erodir a estreita base pol\u00edtica do regime de 1964 e, sobretudo, a at\u00e9 ent\u00e3o lenta reinser\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria na cena pol\u00edtica criaram as condi\u00e7\u00f5es para que a resist\u00eancia democr\u00e1tica deixasse os nichos em que subsistia e ampliasse o seu raio de influ\u00eancia. Frentes de luta at\u00e9 ent\u00e3o subestimadas (contra a carestia, pela anistia e mesmo processos eleitorais) ganharam uma pondera\u00e7\u00e3o at\u00e9 ent\u00e3o insuspeitada para muitos setores da esquerda.<\/p>\n<p><strong>Caros Amigos &#8211; Qual foi o papel desempenhado pelo sindicalismo no per\u00edodo pr\u00e9-democratiza\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Aqui, a resposta \u00e9 simples: foi absolutamente fundamental. Mediante a a\u00e7\u00e3o do movimento oper\u00e1rio-sindical \u00e9 que se processou a reinser\u00e7\u00e3o das massas trabalhadoras (especificamente do proletariado) na cena pol\u00edtica brasileira. At\u00e9 ent\u00e3o, a oposi\u00e7\u00e3o e a resist\u00eancia \u00e0 ditadura tinham uma incontest\u00e1vel hegemonia burguesa (n\u00e3o se deve subestimar o papel do falecido Movimento Democr\u00e1tico Brasileiro\/MDB); mediante a a\u00e7\u00e3o oper\u00e1rio-sindical, que come\u00e7a a ganhar vulto a partir de 1976-1977, a oposi\u00e7\u00e3o burguesa \u00e9 afetada, sua hegemonia na resist\u00eancia institucional \u00e9 amea\u00e7ada e a eros\u00e3o do regime se acelera.<\/p>\n<p><strong>Caros Amigos &#8211; Qual foi a import\u00e2ncia da esquerda no fim da ditadura e na redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 assinalei que a reinser\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria na cena pol\u00edtica, no \u00faltimo ter\u00e7o da d\u00e9cada de 1970, foi o componente central para a derrota da ditadura. Foi atrav\u00e9s da dinamiza\u00e7\u00e3o do movimento sindical que esta inser\u00e7\u00e3o se viabilizou \u2013 e teve como efeito a cataliza\u00e7\u00e3o das demandas democr\u00e1ticas numa escala at\u00e9 ent\u00e3o inimagin\u00e1vel, arrastando amplos setores das camadas m\u00e9dias, da intelectualidade e at\u00e9 mesmo de segmentos burgueses prejudicados no marco do \u201cmodelo econ\u00f4mico\u201d. N\u00e3o penso que este arco de for\u00e7as, originalmente, possa ser visto como uma cria\u00e7\u00e3o da esquerda \u2013 embora novos setores de esquerda e antigos militantes, que puderam sobreviver \u00e0 repress\u00e3o, tenham tido papel significativo na sua constitui\u00e7\u00e3o. Mas \u00e9 indiscut\u00edvel que, com o quadro novo criado pela movimenta\u00e7\u00e3o oper\u00e1rio-sindical, distintas for\u00e7as de esquerda, operando em especial a partir do fim do AI-5 e da anistia, deixaram a sua marca no processo de derrota da ditadura.<\/p>\n<p><strong>Caros Amigos &#8211; Como avalia o processo de surgimento do PT, da CUT e do MST?<\/strong><\/p>\n<p>Entendo que o surgimento do PT e da CUT est\u00e3o diretamente ligados ao que designo como reinser\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria na cena pol\u00edtica brasileira \u2013 diria que ambos, emergentes nos anos 1980, s\u00e3o um fruto daquele processo. E um processo daquela relev\u00e2ncia origina naturalmente, numa sociedade diferenciada e complexa, tal como j\u00e1 se apresentava a nossa na abertura daquela d\u00e9cada, distintas express\u00f5es pol\u00edticas. Nas suas origens, embora militando noutra organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, vi o surgimento de ambos como algo basicamente positivo \u2013 por\u00e9m, sempre tive preocupa\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao seu futuro, preocupa\u00e7\u00f5es referidas \u00e0 ret\u00f3rica \u201cesquerdista\u201d e sect\u00e1ria (quem n\u00e3o se lembra daquela bobagem eleitoreira de \u201ctrabalhador vota em trabalhador\u201d?), \u00e0s liga\u00e7\u00f5es internacionais (especialmente no caso da CUT) e, muito especialmente, \u00e0 ignor\u00e2ncia (nalguns casos, o desprezo) em rela\u00e7\u00e3o ao passado de lutas dos trabalhadores e das outras for\u00e7as de esquerda. Mas, \u00e0 \u00e9poca, debitei tudo isto \u00e0 necessidade natural de constituir uma identidade partid\u00e1ria e confiei em que a presen\u00e7a de lideran\u00e7as expressivas de lutas sociais precedentes poderia fazer amadurecer esta identidade num sentido efetivamente de esquerda.<\/p>\n<p>Penso que \u00e9 diferente o caso do MST. Tamb\u00e9m fruto das condi\u00e7\u00f5es que levaram \u00e0 derrota da ditadura, o MST, a meu ju\u00edzo, tornou-se um movimento verdadeiramente aut\u00f4nomo, com objetivos muito claros e uma estrat\u00e9gia de luta flex\u00edvel e que leva em conta a experi\u00eancia do passado. \u00c9 bastante prov\u00e1vel, em fun\u00e7\u00e3o das aceleradas transforma\u00e7\u00f5es operadas no campo, que o movimento seja, na atualidade, compelido a repensar-se e a repensar a natureza e a fun\u00e7\u00e3o das suas lutas \u2013 mas me parece o \u00fanico protagonista pol\u00edtico significativo que p\u00f5e em pr\u00e1tica algumas refer\u00eancias pr\u00f3prias da esquerda, como a sistem\u00e1tica forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e a solidariedade internacionalista.<\/p>\n<p><strong>Caros Amigos &#8211; O que representaram para a hist\u00f3ria da esquerda as elei\u00e7\u00f5es de 89?<\/strong><\/p>\n<p>O balan\u00e7o, feito \u00e0 dist\u00e2ncia, do processo eleitoral de 1989 \u00e9 paradoxal. De uma parte, mostrou a for\u00e7a das aspira\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas num momento preciso \u2013 o saldo eleitoral, do ponto de vista imediato, foi not\u00e1vel: demonstrou a possibilidade efetiva de derrotar, nos marcos da institucionalidade formal, as for\u00e7as da direita, desde que se realizasse, ainda que momentaneamente, uma unidade da esquerda e de setores democr\u00e1ticos (recorde-se que tanto os partidos comunistas quanto Covas e Brizola apoiaram Lula no segundo turno). De outra parte, o ganho organizativo, para o conjunto da esquerda, parece-me que foi pouco mais que residual \u2013 n\u00e3o teve a menor simetria com o ganho eleitoral.Mas \u00e9 preciso dizer outra coisa importante: ficou claro que a grande burguesia, em processos eleitorais minimamente democr\u00e1ticos, n\u00e3o tinha, no final dos anos 1980, a menor chance de se viabilizar se apresentasse o seu pr\u00f3prio rosto (Collor nunca passou de um aventureiro pol\u00edtico, que n\u00e3o expressava organicamente os interesses do grande capital; foi apenas um instrumento para evitar a vit\u00f3ria de Lula). E a grande burguesia aprendeu a li\u00e7\u00e3o: no processo eleitoral seguinte, foi obrigada a usar, para a defesa das suas posi\u00e7\u00f5es, a maquiagem da esquerda \u2013 da\u00ed o seu apoio a FHC.<\/p>\n<p><strong>Caros Amigos &#8211; Como v\u00ea os rumos do PT desde ent\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>A resposta a esta quest\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 impl\u00edcita linhas acima e, de algum modo, inclui a pergunta subsequente. Os anos 1990 foram de um discreto, aparentemente suave e efetivo deslizamento do PT para o centro \u2013 j\u00e1 no primeiro confronto com FHC, desenhava-se o \u201cLulinha paz e amor\u201d. Ao que parece, no fim da d\u00e9cada, a esquerda foi inteiramente neutralizada no interior do PT \u2013 isto n\u00e3o significa, a meu ju\u00edzo, que desde ent\u00e3o deixaram de estar presentes no PT militantes de esquerda s\u00e9rios, respons\u00e1veis e confi\u00e1veis. Mas tudo indica que s\u00e3o algumas rosas vermelhas num grande campo de braqui\u00e1ria. Posso estar enganado, mas, a partir de 2003, o PT converteu-se no gestor preferencial, para a grande burguesia, deste pa\u00eds. Permita-me recorrer a algo menor, mas que me parece extremamente simb\u00f3lico: semana passada, a grande imprensa noticiou que o ex-presidente da Rep\u00fablica fez uma viagem ao exterior num jatinho de empresa do Grupo Gerdau, mantendo agrad\u00e1vel palestra com o patriarca da fam\u00edlia. N\u00e3o sei se \u00e9 fato, mas sei que \u00e9 emblem\u00e1tico. Emblema de que j\u00e1 tivemos prova, aqui no Rio de Janeiro, h\u00e1 tempos: quando do falecimento de Roberto Marinho, Lula veio ao vel\u00f3rio acompanhado de um s\u00e9quito de ministros; no vel\u00f3rio de Brizola, brilhou pela aus\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Caros Amigos &#8211; Quais foram os efeitos da d\u00e9cada neoliberal na esquerda brasileira?<\/strong><\/p>\n<p>Os efeitos \u2013 ainda que indiretos, mediatos e que precisam ser relacionados aos impactos derivados da queda do \u201cMuro de Berlim\u201d \u2013 foram catastr\u00f3ficos em todo o mundo e n\u00e3o se limitaram, obviamente, ao universo ideol\u00f3gico e ao imagin\u00e1rio pol\u00edtico: o pre\u00e7o da ofensiva do grande capital foi e est\u00e1 sendo pago pelas massas trabalhadoras do mundo inteiro.<\/p>\n<p>Sobre a esquerda brasileira, os efeitos foram imediatamente delet\u00e9rios: o generalizado abandono do ide\u00e1rio socialista e, no limite, a sua convers\u00e3o numa social-democracia t\u00edbia e tardia. For\u00e7as que no passado tiveram expressiva participa\u00e7\u00e3o na luta contra a ditadura e pela democratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds converteram-se ou em abertos porta vozes da ordem (o caso do PT \u00e9 certamente gritante, mas n\u00e3o se esque\u00e7a o posicionamento junto com o DEM \u2013 com o DEM! \u2013 que os ex-comunistas do PPS hoje efetivam) ou abdicaram do seu programa e da sua autonomia na pr\u00e1tica pol\u00edtica (o caso do PCdoB). Evidentemente, estamos defrontados com um processo social profundo, que n\u00e3o pode ser creditado a personalidades ou a oportunismos de ocasi\u00e3o. De qualquer forma, impera na esquerda \u201creciclada\u201d pela ideologia dessa coisa realmente reacion\u00e1ria que grosseiramente se chama neoliberalismo um cinismo assombroso: ex-guerrilheiros que se tornaram paladinos da \u201ccidadania\u201d, ex-l\u00edderes sindicais outrora extremamente radicais defendendo\/teorizando os\/sobre a import\u00e2ncia econ\u00f4mica e democr\u00e1tica de fundos de pens\u00e3o, ex-expoentes de partidos comunistas predicando que a quest\u00e3o central sob o capitalismo est\u00e1 na distribui\u00e7\u00e3o e n\u00e3o no modo de produ\u00e7\u00e3o e coisas que tais.<\/p>\n<p><strong>Caros Amigos &#8211; O que representou a elei\u00e7\u00e3o de Lula em 2002 para a esquerda brasileira? Como avalia desde ent\u00e3o as for\u00e7as de esquerda no pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p>Do ponto de vista pol\u00edtico imediato, o resultado eleitoral de 2002 foi uma derrota da direita e dos conservadores, uma derrota do grande capital. Do ponto de vista simb\u00f3lico, foi extremamente importante a vit\u00f3ria de um l\u00edder pol\u00edtico de extra\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria.<\/p>\n<p>Mas uma coisa foi a vit\u00f3ria eleitoral e outra, muito diversa, o desempenho pol\u00edtico: a enorme legitimidade que as urnas conferiram a Lula para empreender a caminhada no sentido das grandes transforma\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e sociais foi direcionada para outro rumo \u2013 \u00e0 base da reitera\u00e7\u00e3o do fisiologismo pol\u00edtico, a adequa\u00e7\u00e3o do minimalismo da pol\u00edtica social \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o macro-econ\u00f4mica de interesse do grande capital. Lula realizou uma eficiente gest\u00e3o do status quo.<\/p>\n<p>Que fique claro que estou longe de equalizar Lula (e tudo o que ele representa e expressa) a um l\u00edder submisso \u00e0 direita e aos conservadores ou um mero instrumento do grande capital \u2013 mas seus dois per\u00edodos presidenciais estiveram aqu\u00e9m, inclusive, de uma pr\u00e1tica pol\u00edtica \u201cpossibilista\u201d. E seu principal papel, no que tange \u00e0 esquerda, foi desqualific\u00e1-la como capaz sequer de um governo \u201cdiferente\u201d \u2013 e n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil, para a esquerda, livrar-se desta heran\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Caros Amigos &#8211; Por fim, como o senhor avalia o atual momento da esquerda brasileira?<\/strong><\/p>\n<p>Penso que se trata de uma conjuntura extremamente dif\u00edcil (e, insisto, trata-se de um quadro mundial, que n\u00e3o diz respeito somente ao Brasil). O espectro da esquerda org\u00e2nica (bastante diferenciada: PCB, Psol, PSTU) e da esquerda que ainda subsiste no interior de alguns partidos (nomeadamente no PT) n\u00e3o reflete minimamente o peso potencial, mesmo que hoje minorit\u00e1rio, da esquerda na sociedade brasileira (como se pode constatar em movimentos como o MST e em grupos pol\u00edticos min\u00fasculos, mas que podem ser expressivos futuramente). Como escrevi h\u00e1 algum tempo, o nosso d\u00e9ficit \u00e9 organizacional e ele n\u00e3o ser\u00e1 superado da noite para o dia \u2013 temos, a esquerda, um longo caminho a percorrer.<\/p>\n<p>A longo prazo (por mais que esta express\u00e3o provoque um sorriso nos keynesianos), sou otimista. As contradi\u00e7\u00f5es e impasses da ordem do capital, inclusive como se apresentam na periferia, s\u00e3o insol\u00faveis no seu marco \u2013 n\u00e3o h\u00e1 Bolsa Fam\u00edlia, mesmo ampliado, que os resolva. As tens\u00f5es acumuladas na nossa forma\u00e7\u00e3o social n\u00e3o podem ser anestesiadas sem limites. Tenho, para mim, que est\u00e1 e continua em curso um processo de fundo que implicar\u00e1 numa agudiza\u00e7\u00e3o das lutas de classes. Se a normalidade da democracia formal n\u00e3o sofrer interrup\u00e7\u00e3o, a esquerda poder\u00e1 perfeitamente superar a sua debilidade organizacional \u2013 desde que trabalhemos forte j\u00e1 desde agora \u2013 e cumprir o que dela se espera: vencer a cronifica\u00e7\u00e3o da barb\u00e1rie pelo avan\u00e7o na dire\u00e7\u00e3o do horizonte socialista.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nFDR\n\n\n\n\n\n\n\n\nReproduzimos a seguir entrevista de\u00a0Jos\u00e9 Paulo Netto sobre as esquerdas no Brasil para a revista Caros Amigos.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3770\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-3770","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c65-lulismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-YO","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3770","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3770"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3770\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3770"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3770"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3770"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}