{"id":3798,"date":"2012-11-04T20:42:54","date_gmt":"2012-11-04T20:42:54","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3798"},"modified":"2012-11-04T20:42:54","modified_gmt":"2012-11-04T20:42:54","slug":"chile-o-triunfo-da-antipolitica-e-seus-legados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3798","title":{"rendered":"Chile: o triunfo da \u201cantipol\u00edtica\u201d e seus legados"},"content":{"rendered":"\n<p>Uma visita a Santiago e Valpara\u00edso e uma s\u00e9rie de intensas reuni\u00f5es com jovens de diferentes movimentos sociais do Chile nos permitiu calibrar os alcances do triunfo ideol\u00f3gico do neoliberalismo nesse pa\u00eds e os funestos legados da ditadura pinochetista. Como \u00e9 sabido, para esta, a pol\u00edtica era igual \u00e0 politicagem e corrup\u00e7\u00e3o e a miss\u00e3o salvadora de Pinochet \u2013 n\u00e3o s\u00f3 um assassino sanguin\u00e1rio, mas tamb\u00e9m um ladr\u00e3o vulgar, como se comprovaria com a descoberta de suas v\u00e1rias contas secretas nos bancos dos Estados Unidos \u2013 requeria eliminar a pol\u00edtica da vida p\u00fablica chilena. Da\u00ed a met\u00f3dica pedagogia do poder desp\u00f3tico dirigida a desqualificar qualquer iniciativa social baseada em estrat\u00e9gias e\/ou em sujeitos coletivos. A salva\u00e7\u00e3o neste mundo era um assunto estritamente individual, e quem n\u00e3o entendesse essa verdade elementar s\u00f3 acentuaria seus problemas e, al\u00e9m disso, contribuiria para a dissolu\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>O exacerbado individualismo constantemente proclamado por dois infames Pr\u00eamios Nobel de Economia que visitaram o tirano \u2013 Milton Friedman e Friedrich von Hayek \u2013 valia tanto para a economia quanto para a pol\u00edtica, a sociedade e a cultura. Com a sucess\u00e3o de Pinochet por uma conivente Concertaci\u00f3n e, mais tarde, pela direita ainda mais complacente da Alianza, com Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era \u00e0 frente, a continuidade do pinochetismo se verificou n\u00e3o apenas na pol\u00edtica econ\u00f4mica \u2013 que \u00e9 o vi\u00e9s mais conhecido \u2013 mas, sobretudo, no plano da cultura pol\u00edtica. Nem a Concertaci\u00f3n, que esteve no La Moneda durante nada menos que vinte anos, nem a Alianza fizeram qualquer tentativa de reverter os criminosos legados do pinochetismo, que, de acordo com Bertolt Brecht, poder\u00edamos caracterizar como a sistem\u00e1tica promo\u00e7\u00e3o do \u201canalfabetismo pol\u00edtico.\u201d<\/p>\n<p>O analfabeto pol\u00edtico detesta a pol\u00edtica e n\u00e3o sabe que sua \u201cantipol\u00edtica\u201d \u00e9 uma forma de fazer pol\u00edtica que beneficia seus opressores. Essa atitude, ampliada na \u00e9poca de Pinochet, n\u00e3o fez sen\u00e3o crescer no frustrante per\u00edodo \u201cdemocr\u00e1tico\u201d que lhe sucedeu. A indiferen\u00e7a governamental diante do aumento da desigualdade e da injusti\u00e7a social em um dos pa\u00edses que, no passado, figurava junto com a Argentina, Costa Rica e Uruguai como um dos mais igualit\u00e1rios do continente, terminou por desiludir profundamente os cidad\u00e3os e, sobretudo, as jovens gera\u00e7\u00f5es. Nelas, a aprova\u00e7\u00e3o popular dos partidos pol\u00edticos e do Congresso oscila em torno de apenas 10%. O grau de desprest\u00edgio dos partidos \u00e9 t\u00e3o marcante que, nos panfletos das candidaturas a vereadores e a prefeitos para as elei\u00e7\u00f5es do dia 28 de outubro, s\u00f3 aparecem a foto, o nome e o n\u00famero de identifica\u00e7\u00e3o do candidato, mas sem mencionar o partido pol\u00edtico ao qual pertence. S\u00f3 excepcionalmente algu\u00e9m apela para o\u00a0photoshop para colocar, ao lado de sua foto, a foto de Michelle Bachelet. N\u00e3o vimos ningu\u00e9m que tivesse a ousadia de se colocar junto do rosto incompreensivelmente sorridente do presidente Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era. Em suma: n\u00e3o h\u00e1 partidos, n\u00e3o h\u00e1 ideologia, n\u00e3o h\u00e1 apela\u00e7\u00e3o a um sujeito coletivo, n\u00e3o h\u00e1 utopia que alcan\u00e7ar e pela qual lutar; mas, de repente, quase milagrosamente, pode aparecer uma palavra de ordem invariavelmente de corte tecnocr\u00e1tico e um indefinido apelo ao &#8220;povo&#8221;.<\/p>\n<p>Afortunadamente h\u00e1\u00a0outro Chile, que n\u00e3o aparece no plano oficial, onde est\u00e1 a juventude, que toma as ruas para exigir educa\u00e7\u00e3o gratuita e de qualidade e, al\u00e9m disso, o abandono do asfixiante modelo neoliberal. E onde tamb\u00e9m est\u00e3o os mapuche, sobre os quais vamos nos referir mais abaixo. A contrarreforma universit\u00e1ria de Pinochet (e continuada por seus sucessores) fez com que fosse introduzido o ensino pago nos cursos de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o das universidades p\u00fablicas, ou seja, foram sendo privatizadas, enquanto proliferavam muitas institui\u00e7\u00f5es privadas, algumas delas fundadas pela Opus Dei ou pela Legi\u00e3o de Maria e outras, diretamente vinculadas a grandes grupos econ\u00f4micos que necessitam formar seus quadros na certeza de que nenhuma ideia minimamente cr\u00edtica irrompa para perturbar a absoluta coer\u00eancia de seu imaculado neoliberalismo e seu culto ao hiperindividualismo.<\/p>\n<p>O modelo dessas institui\u00e7\u00f5es, nas p\u00fablicas (se \u00e9 que se pode chamar assim) e sobretudo nas privadas, \u00e9 o dos\u00a0colleges estadunidenses: copiam suas formas e apar\u00eancias externas tanto quanto o conte\u00fado de seus curr\u00edculos, quase sempre muito reacion\u00e1rio (sobretudo nas ci\u00eancias humanas e nas ci\u00eancias sociais). As universidades privadas constituem um sistema marcadamente estratificado: de um lado, temos as j\u00e1 mencionadas, que preparam cuidadosamente a futura elite pol\u00edtica e econ\u00f4mica do Chile; de outro lado, as outras, de baix\u00edssima qualidade, que fazem seu neg\u00f3cio lucrando com o desespero dos setores m\u00e9dios que ainda sonham com a mobilidade social via educa\u00e7\u00e3o. A tarifa m\u00e9dia dos estudos de gradua\u00e7\u00e3o, para obter uma licenciatura, \u00e9 de cerca de 600 d\u00f3lares mensais, a pagar durante dez meses. Por\u00e9m, o rendimento de uma fam\u00edlia de classe media, trabalhando pai e m\u00e3e, \u00e9 de pouco mais do que isso. O resultado: um massivo endividamento com a esperan\u00e7a \u2013 certamente bastante ilus\u00f3ria \u2013 de que os futuros formandos encontrar\u00e3o um trabalho adequadamente remunerado para pagar os empr\u00e9stimos contra\u00eddos para financiar seus estudos.<\/p>\n<p>Diante da imin\u00eancia das pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es municipais, v\u00e1rios setores da juventude est\u00e3o debatendo a atitude que v\u00e3o tomar. S\u00e3o muitos os jovens cr\u00edticos das pol\u00edticas oficiais que, a favor da recente modifica\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o eleitoral \u2013 que inscreve automaticamente os eleitores e consagra o car\u00e1ter volunt\u00e1rio do sufr\u00e1gio (enquanto que antes a inscri\u00e7\u00e3o era volunt\u00e1ria, mas votar era obrigat\u00f3rio) \u2013, consideram que o modo de manifestar seu rep\u00fadio ao sistema \u00e9 abstendo-se de votar. Dado que n\u00e3o veem alternativas reais (e n\u00e3o apenas n\u00e3o se veem, mas que por ora n\u00e3o h\u00e1), o melhor, dizem, \u00e9 demonstrar seu rep\u00fadio pela sua aus\u00eancia. Permitimo-nos discordar desse crit\u00e9rio porque se h\u00e1 algo que as classes dominantes querem \u00e9 precisamente isto, que o povo soberano n\u00e3o vote, n\u00e3o se informe, n\u00e3o participe. Desde os debates da conven\u00e7\u00e3o constituinte dos Estados Unidos, em 1787, at\u00e9 a obra de te\u00f3ricos neoconservadores, como Samuel P. Huntington e seus colegas da Comiss\u00e3o Trilateral dos anos de 1970, a direita invariavelmente coincide em colocar obst\u00e1culos \u00e0 concorr\u00eancia eleitoral, estimulando o absentismo das urnas para conjurar o perigo de uma plebeia \u201ctirania das maiorias.\u201d Por se reproduzir, o massivo absentismo juvenil, longe de preocupar a conservadora classe pol\u00edtica chilena, seria um incentivo para que nada mude e tudo fique como est\u00e1. Seria interpretado, seguindo a mais estrita l\u00f3gica do individualismo neoliberal que impregna as altas esferas do Estado, como um cheque em branco outorgado ao governo pelos ausentes, os quais, como bons atores \u201cego\u00edstas racionais\u201d, preferem ficar em suas casas porque entendem que as coisas est\u00e3o bem, uma esp\u00e9cie de consenso t\u00e1cito lockeano; ou, sob outra hip\u00f3tese, porque n\u00e3o teria sentido, desde o derrotismo da an\u00e1lise \u201ccusto-benef\u00edcio\u201d, se preocupar em ir votar resignados como estavam diante da absoluta impossibilidade de se mudar algo.<\/p>\n<p>A op\u00e7\u00e3o absentista \u00e9\u00a0promovida por um amplo setor da juventude ganho por uma difusa e inconstante mescla de autonomismo e anarquismo p\u00f3s-moderno, que involuntariamente termina favorecendo os planos da direita, sempre interessada em reduzir ao m\u00ednimo a participa\u00e7\u00e3o eleitoral. N\u00e3o \u00e9 um dado menor que hoje seja esse grupo que presida a FECH, a Federa\u00e7\u00e3o de Estudantes da Universidade do Chile. Outro setor, majoritariamente vinculado ao Partido Comunista Chileno, acredita que se deve participar e acompanhar com seu voto o recente acordo entre essa for\u00e7a pol\u00edtica e a Concertaci\u00f3n. N\u00e3o obstante, \u00e9 um acompanhamento relutante porque n\u00e3o s\u00e3o poucos os que na Juventude Comunista temem, com raz\u00e3o, a dilui\u00e7\u00e3o de sua identidade partid\u00e1ria, ou o custo que teria de se pagar pela associa\u00e7\u00e3o com uma for\u00e7a pol\u00edtica t\u00e3o desprestigiada como a &#8220;Concertaci\u00f3n&#8221;. Finalmente, h\u00e1 um n\u00facleo emergente de inspira\u00e7\u00e3o marxista e (afortunadamente), n\u00e3o dogm\u00e1tico, nucleado na UNE, Uni\u00e3o Nacional Estudantil, que neste momento ainda debate a postura a se adotar. Nossa opini\u00e3o \u00e9 que melhor seria que essa juventude \u2013 que, com tanta valentia, ganhou as ruas em 2011 e resistiu \u00e0 violenta repress\u00e3o dos carabineiros \u2013 fosse votar, e o fizesse em um personagem que, n\u00e3o sendo candidato, sintetizasse suas aspira\u00e7\u00f5es. Esses votos seriam anulados, por\u00e9m isso \u00e9 o de menos. Acreditamos que, se no pr\u00f3ximo domingo, aparecesse uma grande quantidade de votos a favor de, digamos, Salvador Allende, a classe pol\u00edtica chilena daria conta de que o solo est\u00e1 se movendo sob seus p\u00e9s e que poderia estar se gestando uma alternativa at\u00e9 agora inexistente.<\/p>\n<p>A longa batalha dos mapuche \u00e9\u00a0outro alentador exemplo de que, como dizia Galileu em rela\u00e7\u00e3o \u00e0\u00a0Terra, a vida pol\u00edtica chilena \u201cno entanto se move\u201d.\u00a0 Suas heroicas lutas pela recupera\u00e7\u00e3o de suas terras e direitos ancestrais \u00e9 reprimida de uma maneira sanguin\u00e1ria: se a repress\u00e3o aos estudantes exibe o ensaio pr\u00f3prio do \u00f3dio classista, no caso dos mapuche isso se potencializa ao se combinar com um escandaloso racismo, amparado pela implac\u00e1vel aplica\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o antiterrorista institu\u00edda por Pinochet em 1984. Um exemplo clar\u00edssimo da baixa qualidade da \u201cdemocracia\u201d no Chile \u2013 erigida pelo saber convencional das ci\u00eancias sociais como o modelo pol\u00edtico a ser imitado \u2013 nos oferece o fato de que os governos que lhe sucederam n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o revogaram o monstrengo repressivo do tirano, mas tamb\u00e9m o aperfei\u00e7oaram. Julgamentos fraudados, condena\u00e7\u00f5es absurdas e injustas, greves de fome a que o governo responde com indiferen\u00e7a criminosa, ataques a mulheres, anci\u00e3os e crian\u00e7as indefesas e assassinato de militantes configuram um quadro \u2013 certamente silenciado pelos oligop\u00f3lios midi\u00e1ticos \u2013 que faz com que o Chile, ao sul do rio B\u00edob\u00edo, se identifique mais com a Col\u00f4mbia do que com o resto do pa\u00eds. Como afirma um dos l\u00edderes mapuche, Pedro Cayuqueo, as for\u00e7as especiais dos carabineiros atuam na Araucan\u00eda com a ferocidade de um\u00a0pitbull fora de controle. O governo de Pi\u00f1era, assim como fez a ditadura genocida argentina, sustenta que as for\u00e7as da ordem se \u201cexcedem\u201d em seu zelo repressivo. N\u00e3o obstante, \u00e9 o governo que tem o dever de impedir que o\u00a0pitbull fardado prossiga semeando destrui\u00e7\u00e3o e morte em terras mapuche \u2013 mas n\u00e3o o faz.<\/p>\n<p>As mobiliza\u00e7\u00f5es estudantis e mapuche contrastam vivamente com a esclerose que afeta as forma\u00e7\u00f5es partid\u00e1rias e, em boa medida, ao debilitado sindicalismo chileno. Apesar de serem vigorosas e merecedoras de todo apoio, seu foco tem\u00e1tico e sua descontinuidade, sobretudo no caso dos estudantes, conspiram contra sua efic\u00e1cia pr\u00e1tica. Um exemplo disso foi a nula resist\u00eancia popular ante a recente instala\u00e7\u00e3o de uma base militar dos Estados Unidos em Fuerte Aguayo, em Conc\u00f3n, poucos quil\u00f4metros ao norte de Valpara\u00edso. Essa base, subordinada ao Comando Sul, se especializar\u00e1 no treinamento militar requerido por um programa do Pent\u00e1gono denominado MOUT (Military Operations on Urban Terrain), ou seja, \u201copera\u00e7\u00f5es militares em terreno urbano\u201d, ou, falando sem eufemismos, treinamento de for\u00e7as especializadas na repress\u00e3o ao protesto social. Washington e Santiago negociaram esse acordo no mais absoluto sigilo \u2013 outra caracter\u00edstica da tal \u201cdemocracia\u201d \u2013 e, quando a not\u00edcia foi divulgada, a prop\u00f3sito da visita ao Chile do Secret\u00e1rio de Defesa dos Estados Unidos, Leon Panetta, em abril deste ano, a base, constru\u00edda em tempo recorde, j\u00e1 havia sido estabelecida. Por\u00e9m, nem antes nem depois houve marchas ou manifesta\u00e7\u00f5es repudiando tal maquina\u00e7\u00e3o ou exigindo o desmantelamento da base.<\/p>\n<p>Essa passividade \u00e9 um dos piores legados da \u201cantipol\u00edtica\u201d, da longa noite pinochetista e da densa sombra que seus sucessores projetam. Uma passividade estimulada pelo descr\u00e9dito de tudo o que seja p\u00fablico, coletivo, pol\u00edtico. Na contracorrente, os jovens chilenos e os mapuche est\u00e3o fazendo uma obra extraordinariamente importante para seu pa\u00eds: \u00e9 um exemplo de contesta\u00e7\u00e3o em uma sociedade desmobilizada e resignada, entorpecida pela publicidade consumista e submetida a um brutal processo de reeduca\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que, no pr\u00f3ximo ano, cumprir\u00e1 quatro d\u00e9cadas. Uma sociedade, tamb\u00e9m, oprimida por um n\u00edvel de endividamento que generaliza a ang\u00fastia das fam\u00edlias mais pobres ao mesmo tempo que abarrota os cofres dos bancos.<\/p>\n<p>Segundo o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Social do Chile, os setores mais pobres destinavam, no come\u00e7o deste ano, 60% de suas rendas para o pagamento de suas d\u00edvidas, devendo sobreviver com os 40% restantes. Em situa\u00e7\u00f5es t\u00e3o desesperadoras como essa \u00e9 dif\u00edcil poder pensar e atuar politicamente, a menos que se tenha uma clara consci\u00eancia pol\u00edtica. Com suas lutas, os jovens estudantes e os mapuche demostram que nem tudo est\u00e1 perdido, que h\u00e1 futuro e que, talvez, no ano pr\u00f3ximo, quando estar\u00e1 fazendo quarenta anos do mart\u00edrio de Salvador Allende, sua lembran\u00e7a acenda os cora\u00e7\u00f5es de seus compatriotas e os impulsione a concluir uma obra que o criminoso golpe militar de 11 de setembro de 1973 fez com que ficasse inconclusa. Poderia, desse modo, iniciar o crep\u00fasculo da \u201cantipol\u00edtica\u201d, para derrubar o j\u00e1 aludido \u201canalfabetismo pol\u00edtico\u201d, metodicamente alentado como uma estrat\u00e9gia de domina\u00e7\u00e3o pelo pinochetismo e seus sucessores.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito disso, Brecht recordava que \u201co pior analfabeto \u00e9 o analfabeto pol\u00edtico. N\u00e3o ouve, n\u00e3o fala, n\u00e3o participa dos acontecimentos pol\u00edticos. N\u00e3o sabe que o custo de vida, o pre\u00e7o do feij\u00e3o, do p\u00e3o, da farinha, do vestido, do sapato e dos rem\u00e9dios depende de decis\u00f5es pol\u00edticas. O analfabeto pol\u00edtico \u00e9 t\u00e3o burro que se orgulha e enche o peito dizendo que odeia a pol\u00edtica. N\u00e3o sabe que de sua ignor\u00e2ncia pol\u00edtica nasce a prostituta, o menor abandonado e o pior de todos os bandidos, que \u00e9 o pol\u00edtico corrupto, mequetrefe e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.\u201d<\/p>\n<p>Oxal\u00e1\u00a0que essas s\u00e1bias palavras do comunista alem\u00e3o possam ser difundidas massivamente pelos movimentos que lutam por outro Chile. Seria uma maneira muito apropriada de combater um dos mais amea\u00e7adores legados do pinochetismo.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: PCB \u2013 Partido Comunista Brasileiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nIela\n\n\n\n\n\n\n\n\nAtilio A. 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