{"id":3799,"date":"2012-11-04T20:44:11","date_gmt":"2012-11-04T20:44:11","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3799"},"modified":"2012-11-04T20:44:11","modified_gmt":"2012-11-04T20:44:11","slug":"a-doutrina-obama-e-a-guerra-na-siria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3799","title":{"rendered":"A DOUTRINA OBAMA E A GUERRA NA S\u00cdRIA"},"content":{"rendered":"\n<p>A pol\u00edtica exterior norte-americana apresenta sinais de esgotamento. N\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel aos EUA continuar operando sob o mesmo registro da \u00faltima d\u00e9cada. O mundo n\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o d\u00f3cil aos seus comandos, nem sua situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica \u00e9 doce o suficiente para projetar-se como modelo a ser seguido pela humanidade.<\/p>\n<p>Diante desta encruzilhada, o governo democrata atualizou sua estrat\u00e9gia militar para o mundo, reduziu as iniciativas de invas\u00e3o norte-americana direta, que possui um custo pol\u00edtico e econ\u00f4mico alto, e vem promovendo uma forma mais insidiosa de controle geopol\u00edtico. Em uma t\u00e1tica similar \u00e0s empregadas pela administra\u00e7\u00e3o Reagan (1981-89), que patrocinou oposi\u00e7\u00f5es armadas contra o governo sandinista na Nicar\u00e1gua, grupos conhecidos como\u00a0Contras, o governo de Obama aposta na produ\u00e7\u00e3o e fortalecimento de dissid\u00eancias em pa\u00edses que rejeitam o comando de Washington. A onda de protestos em diversos pa\u00edses de maioria mu\u00e7ulmana, a chamada \u201cPrimavera \u00c1rabe\u201d, foi percebida e explorada como uma janela de oportunidade para a pol\u00edtica exterior norte-americana desestabilizar regimes n\u00e3o compat\u00edveis com seu sistema de domina\u00e7\u00e3o. Foi assim na L\u00edbia, tem sido assim na S\u00edria.<\/p>\n<p>A l\u00f3gica de opera\u00e7\u00e3o estadunidense na nova doutrina imperialista de Washington articula as seguintes linhas de a\u00e7\u00e3o: 1) Cria\u00e7\u00e3o de uma opini\u00e3o p\u00fablica internacional e regional anti-regime utilizando como mote \u201ca luta pela democracia\u201d; 2) Ressurei\u00e7\u00e3o de diferen\u00e7as \u00e9tnicas e religiosas no interior dos pa\u00edses, explorando em especial minorias alijadas do poder de estado; 3) Envolvimento e mobiliza\u00e7\u00e3o dos aliados regionais.<\/p>\n<p>A CIA (Central Inteligence Agency) n\u00e3o apenas colabora com as dissid\u00eancias armadas, mais do que isso as fomenta, treina, arma e as abastece de suprimentos. No entanto, formalmente, tanto os EUA, quanto seus aliados europeus negam a participa\u00e7\u00e3o direta nos conflitos, mas declaram apoio aos rebeldes em seus objetivos anti- regime. Depois do desmantelamento da L\u00edbia, a Casa Branca tem a S\u00edria e o Ir\u00e3 como alvos imediatos.<\/p>\n<p>A guerra na S\u00edria: a aplica\u00e7\u00e3o das tr\u00eas linhas de a\u00e7\u00e3o da Doutrina Obama<\/p>\n<p>A S\u00edria, alvo preferencial dos EUA no momento, conhecida por ser o Estado mais est\u00e1vel da regi\u00e3o e operador pol\u00edtico importante do nacionalismo \u00e1rabe, sempre foi base de apoio dos grupos antiimperialistas do Oriente M\u00e9dio. [3]Durante o per\u00edodo de governo da Frente Progressista Nacional (FPN)[4]iniciado em 1963 esse pa\u00eds sempre teve sintonizado internacionalmente com o Bloco Socialista e posteriormente com a R\u00fassia e China, procurando construir um estado republicano, laico, igualitarista e soberano. Por esta raz\u00e3o, sempre foi um pedra no caminho dos estadunidenses e seus aliados [5].<\/p>\n<p>No caso da S\u00edria, os EUA procuram reproduzir a mesma estrat\u00e9gia utilizada na L\u00edbia: articula\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica, dissid\u00eancias internas e mercen\u00e1rios, assim como apoio dos aliados regionais. Conforme expomos anteriormente,\u00a0a primeira linha de a\u00e7\u00e3o se d\u00e1 no plano da m\u00eddia, para isso utiliza os meios mundiais de comunica\u00e7\u00e3o e em especial a\u00a0Al Jazira, maior ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o do mundo \u00e1rabe. Tal empresa televisiva tem n\u00e3o apenas orientado mas produzido fatos no que tange a guerra civil s\u00edria, anunciando manifesta\u00e7\u00f5es artificiais, \u201cinformando\u201d mortes e conflitos que tem como objetivo central desmoralizar o Governo S\u00edrio e inflar (ou superestimar) as for\u00e7as dos grupos de dissidentes. Esta forma orquestrada de manipula\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica, t\u00e3o comum em outras situa\u00e7\u00f5es [6], n\u00e3o \u00e9 casual. Basta lembrar que a Al Jazira \u00e9 de propriedade da fam\u00edlia\u00a0Al Thani, que nada mais \u00e9 do que a fam\u00edlia real do Qatar (pa\u00eds sede da empresa). \u00c9 no m\u00ednimo um engano acreditar que a\u00a0Al Jazira dos\u00a0Al Thani esteja preocupada com o bem estar do povo s\u00edrio, uma vez que a pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o catariana \u00e9 exclu\u00edda dos resultados da renda do petr\u00f3leo, sendo este de propriedade do Emir Hamadbin Khalifa (o monarca). Nem o Qatar, tampouco a Ar\u00e1bia Saudita, outra monarquia absolutista, s\u00e3o modelos de refer\u00eancia em termos pol\u00edticos ou econ\u00f4micos para a popula\u00e7\u00e3o s\u00edria.<\/p>\n<p>Este golpe midi\u00e1tico vem acompanhado do cerco aos meios de comunica\u00e7\u00e3o do Estado e das organiza\u00e7\u00f5es populares s\u00edrias. Comp\u00f5em esse expediente, desde bombardeios ao sistema de comunica\u00e7\u00e3o estatal at\u00e9 a interfer\u00eancia e bloqueio de sinais de r\u00e1dio e internet da popula\u00e7\u00e3o, por meio do corte das transmiss\u00f5es via sat\u00e9lite. O mundo e o pr\u00f3prio povo s\u00edrio recebem, quase que exclusivamente, sinais de comunica\u00e7\u00e3o provenientes das dissid\u00eancias golpistas e de seus aliados na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A\u00a0segunda linha de a\u00e7\u00e3o estadunidense na produ\u00e7\u00e3o de conflitos refere-se \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de dissid\u00eancias internas. Na S\u00edria, o Partido Baath, e seus aliados da FPN [7], lograram construir um equil\u00edbrio entre as diferentes etnias e religi\u00f5es por meio da edifica\u00e7\u00e3o de um estado laico [8]. Os EUA incentivam o radicalismo fundamentalista sunita, para decompor o alicerce social da organiza\u00e7\u00e3o nacional s\u00edria. Takfiris [9] estrangeiros, mercen\u00e1rios (l\u00edbios, tunisianos, jordanianos, paquistaneses, sauditas e eg\u00edpcios) financiados, equipados e treinados pela CIA [10] e militares da Ar\u00e1bia Saudita, Qatar, Turquia e Israel conjuntamente com salafitas s\u00edrios ligados \u00e0 Irmandade Mu\u00e7ulmana s\u00e3o a espinha dorsal dos rebeldes.<\/p>\n<p>A fronteira da Turquia tem sido a principal base de apoio log\u00edstico e pol\u00edtico. O Conselho Nacional S\u00edrio, centro de comando dos rebeldes est\u00e1 instalado neste pa\u00eds, agentes da CIA operam ali construindo redes de Intelig\u00eancia para a dissid\u00eancia, fornecem fotos \u00e1reas e de sat\u00e9lites, al\u00e9m de informa\u00e7\u00f5es militares sobre a movimenta\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito S\u00edrio. \u00c9 pela Turquia que grande parte dos equipamentos ditos \u201cn\u00e3o letais\u201d [11] provenientes da Fran\u00e7a, Alemanha e Reino Unido s\u00e3o entregues aos rebeldes. A Alemanha por sua vez admitiu que envia informa\u00e7\u00f5es obtidas por seus navios na costa s\u00edria. [12] Israel e Turquia possuem um papel relevante enviando comandos de opera\u00e7\u00f5es especiais (grupo de elite do ex\u00e9rcito) para atuarem dentro das fronteiras s\u00edrias, mais uma clara manifesta\u00e7\u00e3o da inger\u00eancia estrangeira no conflito[13]. Cabendo por fim ao Qatar e a Ar\u00e1bia Saudita o suprimento de armamento pesado aos dissidentes. [14]<\/p>\n<p>A\u00a0terceira linha de a\u00e7\u00e3o de Washington no conflito se refere \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o de seus aliados no Oriente M\u00e9dio. O cen\u00e1rio \u00e9 extremamente desfavor\u00e1vel para a S\u00edria neste campo, sendo que os EUA lograram articular diferentes n\u00edveis de colabora\u00e7\u00e3o regional com os golpistas do Conselho Nacional S\u00edrio. A Turquia, Ar\u00e1bia Saudita e Qatar est\u00e3o diretamente envolvidos no fornecimento de armas. Israel age em opera\u00e7\u00f5es de \u201ccomandos\u201d distribu\u00eddos dentro das fronteiras s\u00edrias, realizando a\u00e7\u00f5es de terror entre a popula\u00e7\u00e3o. O presidente eg\u00edpcio Mohamed Mursi, membro da Irmandade Mu\u00e7ulmana, realizou declara\u00e7\u00f5es a favor da mudan\u00e7a do regime. Extraoficialmente, membros da Irmandade est\u00e3o atuando entre os rebeldes, mesma postura assumida pela Jord\u00e2nia. Complementando este repert\u00f3rio anti-s\u00edrio est\u00e3o o Reino Unido, Alemanha e Fran\u00e7a que fornecem os suprimentos para as organiza\u00e7\u00f5es de oposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os EUA t\u00eam o prop\u00f3sito claro de criar uma situa\u00e7\u00e3o de conflito permanente no Oriente M\u00e9dio, abrindo caminho para a desestabiliza\u00e7\u00e3o da S\u00edria e do Ir\u00e3. Assim, arma pa\u00edses aliados que est\u00e3o dentro do c\u00edrculo de fogo do confronto contribuindo para o desiquil\u00edbrio da correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as na regi\u00e3o em favor do Ocidente. \u00c9 evidente que os interesses econ\u00f4micos que est\u00e3o inseridos na din\u00e2mica de opera\u00e7\u00e3o do imperialismo, principalmente em rela\u00e7\u00e3o ao petr\u00f3leo [15], ser\u00e3o garantidos de maneira mais s\u00f3lida com a derrota dos pa\u00edses de orienta\u00e7\u00e3o soberana e pan-\u00e1rabe. No entanto, a guerra \u00e9, por ela mesma, um neg\u00f3cio lucrativo. A venda de armas norte-americanas para o mundo, no ano de 2011, triplicou chegando \u00e0 cifra de 66,3 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, um recorde. Mais da metade deste valor foi comprado pelos aliados do Golfo P\u00e9rsico (com destaque para a Ar\u00e1bia Saudita, Emirados \u00c1rabes e Om\u00e3).[16]A combina\u00e7\u00e3o entre a produ\u00e7\u00e3o de conflitos e o mercado b\u00e9lico n\u00e3o \u00e9 novidade, est\u00e1 contida na tentativa de indu\u00e7\u00e3o da economia estadunidense em crise, via o fortalecimento do complexo militar-industrial, utilizada diversas vezes pela classe dirigente norte-americana.<\/p>\n<p>\u00c0 articula\u00e7\u00e3o destas tr\u00eas linhas de a\u00e7\u00e3o relan\u00e7adas por Washington, classificamos como a\u00a0Doutrina Obama. [17]Nessa nova abordagem, a CIA assume relev\u00e2ncia na pol\u00edtica exterior dos EUA, diminuindo o papel do Pent\u00e1gono (Departamento de Defesa), que foi na administra\u00e7\u00e3o Bush o instrumento preferencial de a\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica. Tendencialmente as opera\u00e7\u00f5es militares estadunidenses ter\u00e3o como linha geral a desestabiliza\u00e7\u00e3o de governos e a explora\u00e7\u00e3o do mercado de armas proveniente dos conflitos armados por eles mesmos induzidos. O aparente distanciamento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s guerras na L\u00edbia e na S\u00edria, colaborando com os rebeldes, sem, contudo, utilizar de invas\u00e3o terrestre oficial, j\u00e1 \u00e9 ind\u00edcio que a Casa Branca procura formas mais eficazes de manuten\u00e7\u00e3o de seu poder no cen\u00e1rio mundial, sem deformar ainda mais sua imagem perante a opini\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>A Doutrina Obama dissimula o car\u00e1ter da guerra na S\u00edria. N\u00e3o se trata de um conflito dom\u00e9stico, mas de uma reconfigura\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica de domina\u00e7\u00e3o imperialista no Oriente M\u00e9dio e no Norte da \u00c1frica. A indu\u00e7\u00e3o de oposi\u00e7\u00f5es armadas internas, na L\u00edbia e agora na S\u00edria, possui vantagens importantes para o condom\u00ednio de poder norte-americano.<\/p>\n<p>Primeiro por estabelecer um mote geral mais palat\u00e1vel para a opini\u00e3o p\u00fablica internacional, a suposta \u201cluta pela democracia\u201d, um marketing de guerra mais amplo do que a luta contra o \u201cterrorismo\u201d (sem, contudo, abandon\u00e1-lo). Dialoga, portanto, com o sistema ideol\u00f3gico europeu &#8211; norte-americano, que tem como pano de fundo a cren\u00e7a na miss\u00e3o democratizante do Ocidente, sendo esses \u201cos povos eleitos\u201d, destinadosa irradiar a \u201cliberdade\u201d para o mundo, \u201cincluir as na\u00e7\u00f5es selvagens \u00e0 humanidade capitalista liberal\u201d, livr\u00e1-los do \u201catraso oriental, mu\u00e7ulmano\u201d, ou seja, libert\u00e1-los deles mesmos.<\/p>\n<p>Esta vis\u00e3o pretensamente universalista guarda ra\u00edzes feudais, no cristianismo fundamentalista cruzado, e tem larga aceita\u00e7\u00e3o no senso comum europeu e estadunidense, bem como nas elites ocidentalizadas da Am\u00e9rica Latina, \u00c1frica e \u00c1sia. At\u00e9 mesmo os setores de orienta\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e de esquerda, em sua maioria, n\u00e3o est\u00e3o imunes ao clich\u00ea \u201cliberdade e democracia\u201d, se recusam a denunciar o golpismo e apoiar o governo s\u00edrio. Escolhem falsas sa\u00eddas, puramente ret\u00f3ricas, do tipo \u201capoio \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria, abaixo o governo\u201d, como se houvesse algum elemento progressista entre as falanges de mercen\u00e1rios e fan\u00e1ticos religiosos que se re\u00fanem em torno da oposi\u00e7\u00e3o armada, e mistificam o apoio popular \u00e0 dissid\u00eancia e os \u00eaxitos [18] do Conselho Nacional S\u00edrio (CNS) e do Ex\u00e9rcito Livre da S\u00edria (ELS). [19]<\/p>\n<p>Aquecer o mercado armamentista \u00e9 outra vantagem objetiva com a nova abordagem estadunidense. \u00c9 \u00fatil para este ramo o envolvimento amplo de na\u00e7\u00f5es no conflito, pois exploram o mercado consumidor gerado pela guerra. Uma guerra sem fim, na qual o peso de um aliado \u00e9 calculado pela quantidade de equipamento militar que ele se disp\u00f5e a comprar. O prolongamento temporal e territorial do conflito ainda possui o benef\u00edcio de estender a demanda por suprimentos pelas partes beligerantes, l\u00f3gica que influencia a tomada de decis\u00f5es da Casa Branca e do Congresso pressionados pelo lobbydo complexo militar-industrial, interessados diretos no confronto. Afinal, a guerra \u00e9 uma oportunidade de neg\u00f3cios que os EUA sabem aproveitar como nenhuma outra na\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m dos dados j\u00e1 apresentados, existe um mercado milion\u00e1rio de mercen\u00e1rios, monopolizados por empresas norte-americanas de propriedade de ex-funcion\u00e1rios do governo, da CIA e do Departamento de Seguran\u00e7a. Estas corpora\u00e7\u00f5es, que tem como representante mais destacada a antiga\u00a0Blackwater Worldwide (atual\u00a0Xe), recrutam ex-soldados de setores de elite do ex\u00e9rcito para executarem opera\u00e7\u00f5es ilegais (aquelas que a CIA n\u00e3o pode fazer diretamente por restri\u00e7\u00f5es legais) como assassinatos, atentados, torturas, etc. Elas atuam como for\u00e7a auxiliar no Afeganist\u00e3o e Iraque e tiveram um papel pronunciado na queda de Kadafi na L\u00edbia. Atualmente realizam opera\u00e7\u00f5es junto ao ELS na S\u00edria, inauguraram a era moderna das guerras terceirizadas.<\/p>\n<p>Os interesses econ\u00f4micos, principalmente da ind\u00fastria petrol\u00edfera, s\u00e3o os mais evidentes. No entanto, a ind\u00fastria das armas, de seguran\u00e7a (mercen\u00e1rios) e constru\u00e7\u00e3o civil (economia de reconstru\u00e7\u00e3o p\u00f3s-guerra), apesar de terem interesses mais discretos ganham destaque num ambiente de crise econ\u00f4mica internacional.Por fim, o interesse dos bancos, que vislumbram atuar no mercado de empr\u00e9stimos aos governos fantoches (como ocorre hoje no Afeganist\u00e3o, Iraque e L\u00edbia) lucrando com juros de d\u00edvidas impag\u00e1veis, contra\u00eddas geralmente de forma fraudulenta.<\/p>\n<p>A Doutrina Obama logrou alcan\u00e7ar um n\u00edvel de sofistica\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica exterior imposs\u00edvel para a estreita vis\u00e3o de George W. Bush e do atual candidato republicano Mitt Romney. \u00c9 uma tentativa decidida, por\u00e9m limitada, de conter a tend\u00eancia decrescente do poder estadunidense nas rela\u00e7\u00f5es internacionais. O tom pretensioso das declara\u00e7\u00f5es de Barack Obama e dos chefes de estado europeus em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 necessidade de \u201cdemocracia\u201d e do fim do regime do Baath na S\u00edria contrastam com o ambiente de incertezas e de instabilidade econ\u00f4mica e social que vivem suas pr\u00f3prias \u201cdemocracias\u201d. O poder de decis\u00e3o das pot\u00eancias imperialistas \u00e9 constrangido, cada vez mais, pelas contradi\u00e7\u00f5es de seu pr\u00f3prio sistema de reprodu\u00e7\u00e3o material. O imperialismo luta para sobreviver. A sobreviv\u00eancia \u00e9 sempre mais violenta do que a vida.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica de terra arrasada<\/p>\n<p>O objetivo imediato das opera\u00e7\u00f5es da CIA junto com as dissid\u00eancias (CNS e ELS) \u00e9 destruir a viabilidade nacional s\u00edria. Para al\u00e9m do declarado, \u201cfim da ditadura de Bashar Al Assad e pela democracia\u201d, o que se planeja \u00e9 a\u00a0balcaniza\u00e7\u00e3o [20] do territ\u00f3rio, constru\u00e7\u00e3o de governos fantoches em pequenos estados \u00e9tnico-religiosos [21]. Tal medida pavimentaria objetivos estrat\u00e9gicos de governos pr\u00f3-ocidentais no Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>Para Israel, o plano de fragmenta\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o do Levante [22] em uma mir\u00edade de estados fracos \u00e9 uma doutrina geopol\u00edtica antiga, de ideologia sionista, e ganhou for\u00e7a na d\u00e9cada de 80 sob o nome de Plano Yinon. As diretrizes apontadas pelo artigo\u00a0A Strategy for Israel in the Nineteen Eighties(1982), de autoria de Oded Yinon, defendem que a auto-afirma\u00e7\u00e3o do Estado de Israel depende da divis\u00e3o da S\u00edria e do Iraque em micro-estados religiosos, confessionais e \u00e9tnicos. [23]<\/p>\n<p>J\u00e1\u00a0para as monarquias sunitas\u00a0wahhabitas, como Ar\u00e1bia Saudita, Qatar, Emirados \u00c1rabes Unidos e Bahrein bem como a Jord\u00e2nia, a desagrega\u00e7\u00e3o da S\u00edria significa um golpe mortal no inimigo pol\u00edtico-ideol\u00f3gico antigo, o republicanismo pan-\u00e1rabe, que vigora em Damasco desde a d\u00e9cada de 60. Al\u00e9m de ser na dimens\u00e3o religiosa uma manobra de isolamento doxiismo.<\/p>\n<p>A Turquia, al\u00e9m de colaborar com os esfor\u00e7os norte-americanos por ser parte de o seu condom\u00ednio de poder (OTAN), tem objetivos pr\u00f3prios e complexos, principalmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o curda. Apoia a cria\u00e7\u00e3o de um Estado Curdo dentro das \u00e1reas do Curdist\u00e3o Iraquiano e S\u00edrio, exceto naquela fra\u00e7\u00e3o que est\u00e1 dentro do seu pr\u00f3prio territ\u00f3rio. Mant\u00eam rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com o Governo Regional do Curdist\u00e3o (Iraque) sem passar por qualquer media\u00e7\u00e3o com o governo central em Bagd\u00e1. Mas o principal problema de Ancara \u00e9 com o Partido dos Trabalhadores do Curdist\u00e3o, uma organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria que percebeu a manobra do imperialismo e apoia o governo de Damasco, e, al\u00e9m disso, tem ganhado expressiva for\u00e7a nas \u00e1reas curdas dentro do territ\u00f3rio turco. O Governo Turco tem sido um dos atores principais da guerra na S\u00edria, \u00e9 a principal retaguarda estrat\u00e9gica do CNS e do ELS, a cabe\u00e7a de ponte do imperialismo no conflito.<\/p>\n<p>Desde 4 de outubro, a situa\u00e7\u00e3o militar entre Turquia e S\u00edria se agrava diuturnamente, logo depois que o Parlamento turco votou pela autoriza\u00e7\u00e3o ao Ex\u00e9rcito de realizar opera\u00e7\u00f5es em territ\u00f3rio do pa\u00eds vizinho. O estopim desta medida teria sido a morte de 5 pessoas em uma aldeia turca de Ak\u00e7akale, na regi\u00e3o fronteiri\u00e7a (03\/10), em consequ\u00eancia de disparos de artilharia do Ex\u00e9rcito da S\u00edria. Fato extremamente controverso, pois tais disparos aparecem como uma agress\u00e3o de Damasco, mas outras possibilidades n\u00e3o s\u00e3o levantadas. H\u00e1 ind\u00edcios de acidente uma vez que os combates entre os dissidentes armados e o Ex\u00e9rcito S\u00edrio se d\u00e3o perto dali, em territ\u00f3rio da S\u00edria.Outra possibilidade \u00e9 que os pr\u00f3prios rebeldes (em conjunto com seus apoiadores) tenham criado um ataque de provoca\u00e7\u00e3o, gerando uma justificativa para a Turquia entrar formalmente na guerra.O governo de Bashar Al Assad \u00e9 cauteloso, em resposta oficial declara que est\u00e3o sendo investigadas as circunst\u00e2ncias dos disparos. No entanto, independentemente dos autores dos disparos e suas raz\u00f5es, este fato foi extremamente ben\u00e9fico para a dissid\u00eancia e para a alian\u00e7a pr\u00f3-ocidental que a apoia. At\u00e9 o momento, tanto a S\u00edria quanto a Turquia disparam morteiros de retalia\u00e7\u00e3o, conforme o protocolo dos tratados internacionais. A situa\u00e7\u00e3o se degrada e a guerra entre os dois pa\u00edses \u00e9 cada vez mais pr\u00f3xima. A suposta agress\u00e3o colabora com os objetivos do Primeiro Ministro turco, Tayyip Erdogan, que j\u00e1 algum tempo vem procurando motivos, \u201creais ou artificiais\u201d, para justificar uma guerra aberta contra a S\u00edria.\u00a0 Exemplo disso \u00e9 a tentativa da Turquia de provocar um conflito aberto por meio da invas\u00e3o do seu espa\u00e7o a\u00e9reos\u00edrio [24] e a retaguarda que oferece aos efetivos e equipamentos militares dos rebeldes anti-governo de Assad.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio considerar outra dimens\u00e3o do conflito, a barb\u00e1rie contra a popula\u00e7\u00e3o e os s\u00edmbolos nacionais, culturais e religiosos do povo s\u00edrio. Al\u00e9m da tentativa de fragmentar o Estado e seu territ\u00f3rio, \u00e9 fundamental que os dissidentes e seus parceiros, para que atinjam seus objetivos, promovam a destrui\u00e7\u00e3odas bases de manifesta\u00e7\u00e3o de um sentimento nacional. A demoli\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico \u2013 cultural, como ataque a mesquitas, igrejas, locais sagrados de peregrina\u00e7\u00e3o, s\u00edtios arqueol\u00f3gicos, obras arquitet\u00f4nicas de mil\u00eanios, como acontecem nas cidades de Aleppo e Homs, \u00e9 uma prova que a subjetividade dos s\u00edrios \u00e9 tamb\u00e9m um alvo militar. A destrui\u00e7\u00e3o dos monumentos vem acontecendo de forma sistem\u00e1tica, criando um impacto psicol\u00f3gico de massas, com grande alcance e prolongado efeito. Aliado a isso, franco atiradores disparam contra manifestantes e espectadores de atos p\u00fablicos contra ou a favor do governo, disseminando o terror no seio do povo[25].\u00a0 N\u00e3o \u00e9 sem prop\u00f3sito que o Conselho Nacional S\u00edrio utiliza outra bandeira, diferente do pavilh\u00e3o oficial da Rep\u00fablica \u00c1rabe S\u00edria [26].\u00a0 Dividir o territ\u00f3rio, soterrar a hist\u00f3ria, profanar os s\u00edmbolos, violar a mem\u00f3ria individual e coletiva s\u00e3o tamb\u00e9m express\u00f5es da estrat\u00e9gia ocidental, a dimens\u00e3o psicol\u00f3gica (disseminar o terror ou guerra psicol\u00f3gica) \u00e9 tamb\u00e9m um instrumento militar.<\/p>\n<p>Portanto, para destruir a viabilidade nacional s\u00edria a dissid\u00eancia executa a pol\u00edtica de terra arrasada. Opera no sentido de dilacerar a capacidade econ\u00f4mica, pol\u00edtica, militar, diplom\u00e1tica e simb\u00f3lica do Estado, mas tamb\u00e9m age psicologicamente sobre a popula\u00e7\u00e3o, lhe subtraindo parcelas de sua subjetividade, de sua trajet\u00f3ria individual, comunit\u00e1ria e social. \u00c9 uma guerra total, n\u00e3o se trata de remover um governante ou mudar um regime, trata-se de destruir a S\u00edria e seu povo, em sua dimens\u00e3o de projeto pan-\u00e1rabe, como povo soberano e autodeterminado, como fra\u00e7\u00e3o singular da humanidade.<\/p>\n<p>A resist\u00eancia do governo e do povo s\u00edrio<\/p>\n<p>Mesmo com todo aparato midi\u00e1tico, a chamada dissid\u00eancia s\u00edria n\u00e3o consolidou um amplo movimento de massas contra o governo do Bashar al Assad, a for\u00e7a dos rebeldes est\u00e1 diretamente relacionada ao apoio estrangeiro em\u00a0 armamentos, suprimentos, informa\u00e7\u00f5es e mercen\u00e1rios. Enquanto isso a popula\u00e7\u00e3o se unifica em torno da defesa da S\u00edria, realizando manifesta\u00e7\u00f5es contundentes contra a Guerra Civil e em apoio a regime. Voluntariamente, milhares de jovens se alistam no Ex\u00e9rcito \u00c1rabe da S\u00edria, contrariando a informa\u00e7\u00e3o sobre as deser\u00e7\u00f5es em massa.<\/p>\n<p>Tem se tornado mais claras as inten\u00e7\u00f5es da dissid\u00eancia entre a popula\u00e7\u00e3o s\u00edria, mesmo a parcela que se op\u00f5e ao governo de Bashar Al Assad, que existe e se organiza em partidos de oposi\u00e7\u00e3o ao regime, n\u00e3o admite a solu\u00e7\u00e3o pr\u00f3-ocidente, nem tampouco a decomposi\u00e7\u00e3o da unidade territorial. Este fato constrange o desenvolvimento de uma opini\u00e3o p\u00fablica interna anti-regime.<\/p>\n<p>No campo internacional, o Governo S\u00edrio conta com a colabora\u00e7\u00e3o ativa da R\u00fassia, China, \u00cdndia e Ir\u00e3 nas disputas diplom\u00e1ticas. O Hezbollah (L\u00edbano) tamb\u00e9m participa do movimento internacional de apoio ao governo s\u00edrio, principalmente denunciando os interesses de Israel na decomposi\u00e7\u00e3o do quadro militar e pol\u00edtico do pa\u00eds vizinho. Na ONU, a cada dia mais pa\u00edses transitam da situa\u00e7\u00e3o de apoiadores dos rebeldes para uma posi\u00e7\u00e3o abstencionista, o que melhora significativamente o quadro diplom\u00e1tico e a capacidade de Damasco solidificar um campo de disputa e defesa mais amplo no cen\u00e1rio internacional. Exemplo disso foram\u00a0 resultados da Confer\u00eancia do Movimento dos Pa\u00edses N\u00e3o-Alinhados que aconteceu no Teer\u00e3, em agosto, c\u00fapula que fortaleceu a posi\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e a rejei\u00e7\u00e3o veemente da interven\u00e7\u00e3o das pot\u00eancias ocidentais no conflito.<\/p>\n<p>No teatro de guerra, o Estado S\u00edrio tem alcan\u00e7ando \u00eaxitos significativos. Primeiro, porque logrou desenvolver uma estrat\u00e9gia de combate de alto-rendimento. Conseguiu isolar substancialmente a linha de abastecimento log\u00edstico dos rebeldes, bloqueando as principais rotas de acesso \u00e0 Turquia, e sem esta oferta de suprimentos os grupos armados perdem capacidade operacional significativamente. No terreno da intelig\u00eancia, agentes do governo s\u00edrio est\u00e3o infiltrados no interior das fileiras rebeldes e j\u00e1 lograram desmantelar um grande n\u00famero de grupos armados e destruir dep\u00f3sitos de armas, suprimentos e equipamentos de comunica\u00e7\u00e3o. A vit\u00f3ria nos combates na regi\u00e3o de Aleppo teve uma forte repercuss\u00e3o no moral da dissid\u00eancia, que come\u00e7a a recuar das posi\u00e7\u00f5es que havia conquistado no noroeste do pa\u00eds, principal \u00e1rea de contato com os apoiadores estabelecidos na fronteira da Turquia. O grande eixo estrat\u00e9gico do conflito est\u00e1 ao norte do pa\u00eds (fronteira turca), que vai de Latakia \u00e1 Al Hasakah. Latakia \u00e9 um reduto alau\u00edta, pr\u00f3-Governo, mais ao leste fica Aleppo, regi\u00e3o mais \u201cquente\u201d do conflito, e na prov\u00edncia de Al Hasakah o governo conta com a colabora\u00e7\u00e3o das guerrilhas do Partido dos Trabalhadores do Curdist\u00e3o, que isolam parte consider\u00e1vel da fronteira nordeste, que segundo informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o oficiais \u00e9 a linha de comunica\u00e7\u00e3o dos apoios ao governo provenientes do Ir\u00e3.<\/p>\n<p>Por fim, o povo s\u00edrio entrou na resist\u00eancia contra o golpe, o Governo construiu um sistema de comunica\u00e7\u00e3o direto com a popula\u00e7\u00e3o, esta informa \u00e0s autoridades a movimenta\u00e7\u00e3o dos rebeldes, locais de esconderijo e a localiza\u00e7\u00e3o de contrabandistas e agentes estrangeiros em opera\u00e7\u00e3o no pa\u00eds.<\/p>\n<p>A consci\u00eancia nacional s\u00edria parece entender que os problemas s\u00edrios devem ser resolvidos pela popula\u00e7\u00e3o e n\u00e3o por estrangeiros ou grupos antinacionais. Este fator tem sido menosprezado pelo Ocidente. A solu\u00e7\u00e3o militar est\u00e1 longe de ser uma estrat\u00e9gia vitoriosa para os dissidentes, por\u00e9m pode ser prolongada pela colabora\u00e7\u00e3o ativa de seus patrocinadores ocidentais e pr\u00f3-ocidentais. Na dimens\u00e3o social, se encontram cada vez mais isolados do povo s\u00edrio, e quanto mais se amplia o isolamento, mais cruel se torna o seu\u00a0modus operandi.<\/p>\n<p>Disjuntiva Estrat\u00e9gica do Mundo \u00c1rabe<\/p>\n<p>Os resultados do conflito em curso na S\u00edria definem em grande parte o destino do Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria do governo da S\u00edria implica na sobreviv\u00eancia do nacionalismo \u00e1rabe, e na eleva\u00e7\u00e3o do prest\u00edgio pol\u00edtico dessa corrente de pensamento que tem em Damasco o seu principal p\u00f3lo de difus\u00e3o. Antes de tudo por ser uma ideologia das classes subalternas do mundo \u00e1rabe que tem uma cultura pol\u00edtica perme\u00e1vel \u00e0s posi\u00e7\u00f5es de confronto ao imperialismo e defesa do republicanismo e da laicidade das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. O projeto pan-\u00e1rabe, que vislumbra a cria\u00e7\u00e3o de um \u00fanico estado para os povos \u00e1rabes, permanecer\u00e1 vivo enquanto o regime s\u00edrio resistir. O vigor deste projeto reside principalmente na capacidade da intelectualidade s\u00edria de perceber que a Quest\u00e3o Nacional \u00c1rabe passa pela cria\u00e7\u00e3o de um \u00fanico estado que compreende a S\u00edria, L\u00edbano, Jord\u00e2nia e Palestina inicialmente, com possibilidades de expans\u00e3o para o Iraque e Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica. Um estado vi\u00e1vel nacionalmente e capaz de ter uma posi\u00e7\u00e3o mais favor\u00e1vel nas rela\u00e7\u00f5es internacionais. [27]<\/p>\n<p>O destino do Ir\u00e3\u00a0est\u00e1\u00a0imbricado com a guerra no Levante. De alguma maneira a ofensiva imperialista sobre o povo iraniano j\u00e1 come\u00e7ou e os combates acontecem nas ruas da S\u00edria. Israel j\u00e1 admitiu que \u201cpoder\u00e1\u201d realizar opera\u00e7\u00f5es de sabotagem contra instala\u00e7\u00f5es nucleares iranianas. As monarquias pr\u00f3-estadunidenses se armam e afinam o discurso com Washington, \u201co ataque a Teer\u00e3 passa por Damasco\u201d \u00e9 o mote condutor da estrat\u00e9gia norte-americana. [28]<\/p>\n<p>Tanto a causa palestina quanto a estabilidade no L\u00edbano s\u00e3o influenciadas diretamente pela situa\u00e7\u00e3o na S\u00edria. No entanto, o Hamas, que teve ex\u00edlio nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas em Damasco e participou at\u00e9 agosto do movimento de apoio ao governo de Assad, rompeu a alian\u00e7a e se posicionou em favor da alian\u00e7a anti- S\u00edria, se aproximando da \u00e1rea de influ\u00eancia do Catar. [29] J\u00e1 o Hezbollah tem participado enviando combatentes para as linhas de defesa do governo s\u00edrio[30].<\/p>\n<p>A disjuntiva hist\u00f3rica e estrat\u00e9gica no Oriente M\u00e9dio n\u00e3o cabem na contradi\u00e7\u00e3o entre democracia e ditadura, como anuncia o ocidente desde a chamada \u201cPrimavera \u00c1rabe\u201d. As reivindica\u00e7\u00f5es de liberdade e democracia s\u00e3o leg\u00edtimas, mas n\u00e3o est\u00e3o isoladas do contexto social e internacional do Mundo \u00c1rabe. O curso dos acontecimentos tem mostrado que a contradi\u00e7\u00e3o principal situa-se na consolida\u00e7\u00e3o de uma trajet\u00f3ria soberana para os povos \u00e1rabes em contraposi\u00e7\u00e3o ao aprofundamento do sistema neocolonial pr\u00f3-ocidente [32].\u00a0Autodetermina\u00e7\u00e3o versus subordina\u00e7\u00e3o imperialista.<\/p>\n<p>Os setores socialistas, revolucion\u00e1rios, populares e democr\u00e1ticos caminham para o rumo pol\u00edtico adequado na S\u00edria, colaboram com o Governo e engrossam as fileiras contra o fundamentalismo e o imperialismo. Neste processo, ampliam sua presen\u00e7a pol\u00edtica junto \u00e0s massas, consolidam bases populares e acumulam for\u00e7a social e autoridade pol\u00edtica para pleitear reformas, mudan\u00e7as e aprimoramento no regime, necess\u00e1rios para este momento hist\u00f3rico. O resultado desta linha de a\u00e7\u00e3o pode vir a inaugurar novos patamares de disputa na sociedade S\u00edria, dentro de um ambiente de soberania e unidade nacional.<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria encontra-se nas m\u00e3os do povo s\u00edrio e na solidariedade de todos os oprimidos do mundo. Por isso \u00e9 necess\u00e1rio combater as ilus\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao car\u00e1ter da dissid\u00eancia na S\u00edria, e perceber a realidade existente para al\u00e9m deste terr\u00edvel jogo de sombras.<\/p>\n<p>NOTAS<\/p>\n<p>[1] Estudo explorat\u00f3rio da conjuntura da S\u00edria. Finalizado em 08 de outubro de 2012.<\/p>\n<p>[2] O autor \u00e9 cientista pol\u00edtico, membro do Cedebras e do Conselho Editorial da Revista Bandung. \u00c9 militante das Brigadas Populares.<\/p>\n<p>[3] A complexa configura\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e religiosa presente no Oriente M\u00e9dio, tratada de uma maneira mais geral e sint\u00e9tica, pode ser entendida tomando em considera\u00e7\u00e3o dois grandes campos.<\/p>\n<p>O campo formado por correntes fundamentalistas do sunismo, que com suas diferen\u00e7as internas convergem em uma vis\u00e3o ortodoxa do Isl\u00e3, na qual se inserem o wahhabismo e o salafismo. O\u00a0wahhabismo originou-se no s\u00e9culo XVIII na Ar\u00e1bia Saudita com\u00a0Muhammad binAbd al Wahhab, seu pensamento prev\u00ea o juramento de lealdade do mu\u00e7ulmano ao seu governo e a ado\u00e7\u00e3o da\u00a0sharia &#8211; lei religiosa proveniente do Isl\u00e3 ortodoxo que determina as bases do estado,\u00a0 do governo e a organiza\u00e7\u00e3o da sociedade, a partir de uma vis\u00e3o teocr\u00e1tica. A Ar\u00e1bia Saudita, Qatar, Emirados \u00c1rabes e Bahrein, todas monarquias sunitas, sendo as duas primeiras monarquias absolutistas, adotam e procuram difundir o wahhabismo\u00a0 promovendo a persegui\u00e7\u00e3o de mu\u00e7ulmanos xiitas e de correntes isl\u00e2micas com influ\u00eancia\u00a0sufi (considerada uma corrente her\u00e9tica, principalmente por n\u00e3o adotarem a\u00a0sharia) dentro e fora de suas fronteiras. S\u00e3o aliadas estrat\u00e9gicas dos EUA no Oriente M\u00e9dio, tendo rela\u00e7\u00f5es comerciais importantes no ramo petrol\u00edfero e b\u00e9lico. A Al Qaeda \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o wahhabita mais conhecida, financiada pela CIA nas d\u00e9cadas de 70 e 80 para combater os sovi\u00e9ticos no Afeganist\u00e3o, orientou-se na d\u00e9cada de 90 para uma vis\u00e3o anti-ocidental, sem desprezar, no entanto, alian\u00e7as t\u00e1ticas com o Ocidente para combater regimes e organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas laicas ou religiosas de orienta\u00e7\u00e3o xiita. Os salafitas, por sua vez, proveniente da radicaliza\u00e7\u00e3o do wahhabismo, s\u00e3o uma corrente minorit\u00e1ria dentro do islamismo sunita, tem crescido fortemente na L\u00edbia, Tun\u00edsia, Egito e Iraque, ap\u00f3s a chamada \u201cPrimavera \u00c1rabe\u201d, empreendendo ataque contra crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos xiitas ou sunitas moderados. A\u00a0Irmandade Mu\u00e7ulmana, organiza\u00e7\u00e3o internacional fundada no Egito em 1928 \u00e9 a maior expoente do salafismo.<\/p>\n<p>Um segundo campo, formado pelo pensamento pan-\u00e1rabe, que conta com a converg\u00eancia de setores modernizadores, nacionalistas, socialistas, republicanos e anti-imperialistas, com ampla capilaridade na popula\u00e7\u00e3o de orienta\u00e7\u00e3o mu\u00e7ulmana xiita e sunita moderada, al\u00e9m das minorias n\u00e3o isl\u00e2micas do Oriente M\u00e9dio. Este campo originou-se do desmembramento do Imp\u00e9rio Otomano, no inicio do s\u00e9culo XX, e ganhou for\u00e7a ap\u00f3s o fim da II Guerra Mundial, impulsionado pelo anticolonialismo terceiro-mundista. Tem como fundamento a cria\u00e7\u00e3o de um \u00fanico estado para o povo \u00e1rabe, ideal alimentado por Nasser, no Egito, e pelo Partido Baath, na S\u00edria, com as tentativas de unifica\u00e7\u00e3o destes dois pa\u00edses entre 1958-1961, vindo a formar a Rep\u00fablica \u00c1rabe Unida. A S\u00edria atual continua sendo um polo de irradia\u00e7\u00e3o deste pensamento, tendo perdido terreno na regi\u00e3o em consequ\u00eancia da prolifera\u00e7\u00e3o de governos de orienta\u00e7\u00e3o pr\u00f3-estadunidense<\/p>\n<p>[4] Organiza\u00e7\u00e3o frentista no governo atualmente, que tem como componentes 8 partidos entre eles o Partido \u00c1rabe Socialista Baath.<\/p>\n<p>[5] Com destaque para o Estado de Israel e as monarquias da regi\u00e3o, em especial a Ar\u00e1bia Saudita, Qatar, Bahrein e Emirados \u00c1rabes Unidos.<\/p>\n<p>[6]Basta recordar o golpe de estado fracassado na Venezuela em abril de 2002, quando a RCTV (principal rede de televis\u00e3o do pa\u00eds) anunciou durante semanas as manifesta\u00e7\u00f5es contra o Presidente Hugo Ch\u00e1vez e simplesmente ignorava as manifesta\u00e7\u00f5es ao seu favor. A rede de TV chegou inclusive a anunciar detalhes do golpe antes mesmos dos fatos terem acontecido.<\/p>\n<p>[7]Composta pelo Partido \u00c1rabe Socialista Al-Baath- PASB, Partido Comunista S\u00edrio \u2013 PCS, Partido Uni\u00e3o Socialista \u00c1rabe, Partido Nacional Socialista S\u00edrio, Partido do Movimento Socialista \u00c1rabe, Partido Nacional Al-Ahd, Partido da Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Socialista, Partido Sindicalista Socialista Democr\u00e1tico e o Partido Sindicalista Socialista.<\/p>\n<p>[8]O panorama religioso conta com 74% de mu\u00e7ulmanos sunitas e cerca de 15% de xiitas( entre eles alau\u00edtas e drusos) e outros 10% de crist\u00e3os. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s etnias, 85% s\u00e3o \u00e1rabes, a principal minoria s\u00e3o os curdos que chega \u00e0 aproximadamente 13% da popula\u00e7\u00e3o. Os alau\u00edtas, mesmo n\u00e3o sendo considerados como isl\u00e2micos pelos demais mu\u00e7ulmanos se auto identificam como xiitas. Bashar al Assad (atual presidente) pertence \u00e0 este setor. Devido \u00e0 natureza popular do xiismo, grande parte dos alauitas \u00e9 partid\u00e1ria do Baath. Os drusos, seita isl\u00e2mica de orienta\u00e7\u00e3o xiita, considerada herege pelos sunitas, tamb\u00e9m s\u00e3o apoiadores do governo s\u00edrio. Grande parte etnia curda \u00e9 de mu\u00e7ulmanos sunitas, no entanto s\u00e3o combatidos pelos sunitas wahhabitas por possu\u00edrem uma teol\u00f3gica mais sincr\u00e9tica, que re\u00fane elementos do lazdaismo (antiga religi\u00e3o da etnia) e influ\u00eancias\u00a0sufi. O Partido dos Trabalhadores do Curdist\u00e3o apoia o governo s\u00edrio.<\/p>\n<p>[9]Mu\u00e7ulmanos que acusam outro mu\u00e7ulmano de heresia. Os Takfiris, neste contexto, s\u00e3o geralmente salafitas.<\/p>\n<p>[10]New York Times, 21\/06\/2012.<\/p>\n<p>[11]Em um conflito desta natureza todo apoio \u00e9 militar. A oferta de equipamentos \u201cn\u00e3o letais\u201d por parte das pot\u00eancias ocidentais tenta esfuma\u00e7ar a opini\u00e3o p\u00fablica internacional, escamoteando seus verdadeiros interesses na queda do regime s\u00edrio. Nada garante que n\u00e3o s\u00e3o equipamentos militares convencionais, e mesmo que fosse n\u00e3o letais uma guerra n\u00e3o se ganha apenas com armas e muni\u00e7\u00e3o; alimentos, medicamentos, instrumentos de comunica\u00e7\u00e3o e transporte s\u00e3o t\u00e3o valiosos e decisivos quanto fuzis e balas.<\/p>\n<p>[12]Fonte: Reuters 16\/08\/2012.<\/p>\n<p>[13] Fonte: <a href=\"http:\/\/actualidad.rt.com\/\" target=\"_blank\">http:\/\/actualidad.rt.com<\/a> 20\/02\/2012<\/p>\n<p>[14] Fonte: <a href=\"http:\/\/www.independent.co.uk\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.independent.co.uk\/<\/a> 13\/06\/2012<\/p>\n<p>[15] Recentemente, foram descobertas novas reservas de g\u00e1s em v\u00e1rios pontos do territ\u00f3rio S\u00edrio, com destaque dep\u00f3sitos localizados em seu mar territorial.<\/p>\n<p>[16] Fonte: New York Times, 26\/08\/2012<\/p>\n<p>[17] \u00c9 importante ressaltar que os elementos do que chamamos \u201cDoutrina Obama\u201d n\u00e3o s\u00e3o novidades na pol\u00edtica imperialista ianque, com intensidades diferentes foram utilizados por diversos governos, principalmente ap\u00f3s a sistematiza\u00e7\u00e3o dada por Henry Kissinger (Secretario de Estado dos EUA entre 1973-77). O que pretendemos com esta caracteriza\u00e7\u00e3o \u00e9 refor\u00e7ar o registro pr\u00f3prio assumido pela administra\u00e7\u00e3o de Barack Obama no que toca a pol\u00edtica exterior, que se diferencia da l\u00f3gica empregada pelo seu antecessor, George W. Bush.<\/p>\n<p>[18] A t\u00edtulo de exemplo, para demonstrar a superficialidade de algumas an\u00e1lises supostamente revolucion\u00e1rias; o atentado de 18 de julho a sede da Seguran\u00e7a Nacional S\u00edria, em Damasco, que levou \u00e0 morte 4 generais do Ex\u00e9rcito, foi celebrada pela imprensa ultra-esquerdista brasileira e mundial como feito de uma \u201caut\u00eantica\u201d insurrei\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria na S\u00edria. Desconheceram, no entanto, que tal opera\u00e7\u00e3o (chamada \u201cvulc\u00e3o de Damasco\u201d) foi dirigida por um dos principais agentes da CIA no Oriente M\u00e9dio, o pr\u00edncipe saudita Bandar benSultanben Abdelazziz Al Sauod, morto por um atentado a bomba no dia 26 de julho; era filho do Ministro da Defesa saudita de 1963 a 2011, o Pr\u00edncipe Sultan. Bandar benSultan foi embaixador em Washington (1983-2005) e possu\u00eda estreitas rela\u00e7\u00f5es com George Bush, que levou a ser chamado pela impressa norte-americana de BandarBush. S\u00e3o pat\u00e9ticas tais leituras que procuram valor revolucion\u00e1rio em um ataque organizado pela CIA e executado por um pr\u00edncipe da Ar\u00e1bia Saudita, uma monarquia absolutista e aliada mais importante dos EUA, depois de Israel, na regi\u00e3o. Tais an\u00e1lises n\u00e3o investigam os fatos, apenas os interpretam \u00e0 sombra de um esquema. Para eles o dogma substituiu o m\u00e9todo.<\/p>\n<p>[19] Respectivamente a estrutura pol\u00edtica e militar da dissid\u00eancia.<\/p>\n<p>[20] Estrat\u00e9gia adotada pelos EUA na Iugosl\u00e1via nos anos 90, que levou a fragmenta\u00e7\u00e3o do pa\u00eds em diversos estados etnicamente identificados (Eslov\u00eania, Cro\u00e1cia, B\u00f3snia-Herzegovina, S\u00e9rvia e Maced\u00f4nia). O fomento a dissid\u00eancias e o questionamento artificial dos estados plurinacionais s\u00e3o uma das linhas de atua\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica exterior norte-americana.<\/p>\n<p>[21] \u201cMaplecroft da Gr\u00e3-Bretanha, que \u00e9 especializada em consultoria em risco estrat\u00e9gico, disse que n\u00f3s estamos testemunhando a balcaniza\u00e7\u00e3o do Estado s\u00edrio: &#8220;curdos no norte, drusos nas montanhas do sul, alawitas na regi\u00e3o noroeste do litoral montanhoso e a maioria sunita em outro lugar.&#8221;\u00a0Mahdi Darius Nazemroaya. Global Research. 15\/08\/2012.<\/p>\n<p>[22] Levante corresponde \u00e0 regi\u00e3o geogr\u00e1fica que compreende o L\u00edbano, S\u00edria, Jord\u00e2nia, Palestina e Iraque.\u00a0[15]<\/p>\n<p>[23] \u201c(&#8230;) Dissolu\u00e7\u00e3o total do L\u00edbano em cinco prov\u00edncias serve como um precedente para todo o mundo \u00e1rabe, incluindo o Egito, S\u00edria, Iraque e na Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica e j\u00e1 est\u00e1 seguindo essa trilha. A dissolu\u00e7\u00e3o da S\u00edria e do Iraque, mais tarde, em \u00e1reas etnicamente e religiosamente definidas, como no L\u00edbano, \u00e9 alvo prim\u00e1rio de Israel na frente oriental, a longo prazo, enquanto a dissolu\u00e7\u00e3o do poder militar dos Estados serve como o destino de curto prazo. S\u00edria vai desmoronar, de acordo com a sua estrutura \u00e9tnica e religiosa, em v\u00e1rios estados, como no atual L\u00edbano, de modo que haver\u00e1 um estado xiita Alau\u00edta, ao longo de sua costa, um estado sunita na \u00e1rea de Aleppo, outro estado sunita em Damasco, hostil ao seu vizinho do norte, e os drusos, que ir\u00e1 criar um estado, talvez at\u00e9 mesmo em nossa Golan [Israel], e certamente em Hauran e no norte da Jord\u00e2nia. Este estado de coisas vai ser a garantia de paz e seguran\u00e7a na regi\u00e3o, a longo prazo, e que o objetivo j\u00e1 est\u00e1 ao nosso alcance hoje.\u201d YINON, Oded,\u00a0A Strategy for Israel in the Nineteen Eighties, 1982. Publicado no Jornal KIVUNIM, sob responsabilidade do Departamento de Publicidade da\u00a0The World Zionist Organization, Jerusal\u00e9m. Origem:\u00a0<a href=\"http:\/\/members.tripod.com\/alabasters_archive\/zionist_plan.html\" target=\"_blank\">http:\/\/members.tripod.com\/alabasters_archive\/zionist_plan.html<\/a><\/p>\n<p>[24] Tais provoca\u00e7\u00f5es turcas come\u00e7aram h\u00e1 meses. No dia 22 de julho de 2012, um ca\u00e7a turco foi abatido pelas for\u00e7as S\u00edrias quando invadiu o espa\u00e7o a\u00e9reo deste pa\u00eds. Nenhuma retrata\u00e7\u00e3o foi feita pelo governo de Ancara.<\/p>\n<p>[25] Outra pr\u00e1tica muito parecida com a utilizada na tentativa de golpe na Venezuela em 2002.<\/p>\n<p>[26] Mesma t\u00e1tica simb\u00f3lica utilizada pelos rebeldes l\u00edbios anti-Kadafi, que ressuscitaram a bandeira da finada monarquia daquele pa\u00eds.<\/p>\n<p>[27] \u00c9 importante lembrar as iniciativas hist\u00f3ricas neste sentido com a breve unifica\u00e7\u00e3o na Rep\u00fablica \u00c1rabe Unida (S\u00edria e Egito) em 1958 a 1961, em com a ades\u00e3o do I\u00e9men do Norte se constituiu os Estados \u00c1rabes Unidos. O Iraque em 1960 tamb\u00e9m entrou em negocia\u00e7\u00e3o para aderir ao novo arranjo estatal, mas a unidade n\u00e3o se consolidou e entrou em colapso em 61. E a tentativa entre 1972 a 77 de cria\u00e7\u00e3o da Confedera\u00e7\u00e3o de Rep\u00fablicas \u00c1rabes que compreenderia a S\u00edria, o Egito e a L\u00edbia.<\/p>\n<p>[28] Ver entrevista com Tony Cartalucci, analista pol\u00edtico. Escreve para Global Research e Activist Post. Dispon\u00edvel:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.resistir.info\/moriente\/cartalucci_18set12.html\" target=\"_blank\">http:\/\/www.resistir.info\/moriente\/cartalucci_18set12.html<\/a><\/p>\n<p>[29]O Hamas (grupo dirigente da Faixa de Gaza\/Palestina) discute a transfer\u00eancia do escrit\u00f3rio da organiza\u00e7\u00e3o para Doha (Catar) ou Cairo (Egito). Nas \u00faltimas semanas, a dire\u00e7\u00e3o do Hamas tem aparecido publicamente em companhia de representantes dos Al Thani (fam\u00edlia real do Catar). Fontes: <a href=\"http:\/\/www.bbc.co.uk\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.bbc.co.uk<\/a>, <a href=\"http:\/\/mtja.com.br\/\" target=\"_blank\">http:\/\/mtja.com.br\/<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.estadao.com.br\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.estadao.com.br<\/a>.<\/p>\n<p>[30]Fonte: \u201cHezbollah enviou combatentes para apoiar Bashar Al-Assad \u201c fonte: <a href=\"http:\/\/portuguese.ruvr.ru\/\" target=\"_blank\">http:\/\/portuguese.ruvr.ru\/<\/a> 02\/10\/2012<\/p>\n<p>[31]Caso as reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas fossem o combust\u00edvel das revoltas, as monarquias sunitas da pen\u00ednsula ar\u00e1bicas n\u00e3o estariam em relativa calma em rela\u00e7\u00e3o aos conflitos sociais (exceto Bahrein que contou com algumas manifesta\u00e7\u00f5es da maioria xiita), muito menos estariam apoiando movimentos \u201cdemocr\u00e1ticos\u201d de oposi\u00e7\u00e3o na S\u00edria. Apoiam estes movimentos justamente por n\u00e3o serem democr\u00e1ticos, e muito menos s\u00edrios, mas por serem pr\u00f3-ocidente e sunitas wahhabitas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nAvante\n\n\n\n\n\n\n\n\nPor Pedro Otoni[2]\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3799\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-3799","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Zh","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3799","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3799"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3799\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3799"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3799"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3799"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}