{"id":3808,"date":"2012-11-06T13:45:55","date_gmt":"2012-11-06T13:45:55","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3808"},"modified":"2012-11-06T13:45:55","modified_gmt":"2012-11-06T13:45:55","slug":"que-luta-e-essa-que-partido-e-este-que-desperta-tanto-odio-de-classe-da-burguesia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3808","title":{"rendered":"Que luta \u00e9 essa, que partido \u00e9 este, que desperta tanto \u00f3dio de classe da burguesia?"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"text-align: right;\"><em>S\u00f3\u00a0vos pe\u00e7o\u00a0uma coisa: se sobreviverdes a esta \u00e9poca, n\u00e3o vos esque\u00e7ais!<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>N\u00e3o vos esque\u00e7ais nem dos bons, nem dos maus.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Juntai com paci\u00eancia as testemunhas daqueles que tombaram por eles e por v\u00f3s.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Um belo dia, hoje ser\u00e1\u00a0o passado, e falar\u00e3o numa grande \u00e9poca<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>e nos her\u00f3is an\u00f4nimos que criaram a hist\u00f3ria.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Gostaria que todo mundo soubesse que n\u00e3o h\u00e1\u00a0her\u00f3is an\u00f4nimos.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Eles eram pessoas, e tinham nomes, tinham rostos, desejos e esperan\u00e7as,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>e a dor do \u00faltimo entre os \u00faltimos n\u00e3o era menor do que a dor do primeiro,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>cujo nome h\u00e1\u00a0de ficar.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Queria que todos esses vos fossem t\u00e3o pr\u00f3ximos como pessoas que tiv\u00e9sseis<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Conhecido como membros da sua fam\u00edlia, como v\u00f3s mesmos.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Julius Fuchik<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Para Neide Alves Santos, \u00fanica mulher do PCB, morta pela ditadura militar<\/p>\n<p>Hoje, como fa\u00e7o desde 2009, acordei cedo para reunir-me \u00e0queles que comparecem a Alameda Casa Branca, ao local onde foi assassinado o l\u00edder comunista Carlos Marighella, para prestar-lhe mais uma homenagem. \u00c9 um ato coberto por um grande simbolismo, com a presen\u00e7a de hist\u00f3ricos militantes da causa revolucion\u00e1ria em nosso pa\u00eds, mas tamb\u00e9m, com a presen\u00e7a daqueles que representam, nos dias atuais, a luta e o desejo, da nossa classe, em prosseguir fazendo hist\u00f3ria e perseverando na luta pela revolu\u00e7\u00e3o socialista.<\/p>\n<p>Marighella, her\u00f3ico combatente contra a ditadura burgo-militar, tombou nesta data pela cilada covarde da repress\u00e3o, em 1969. No entanto, n\u00e3o tombaram\u00a0seus sonhos e id\u00e9ias. Homens e mulheres, juventude aguerrida e trabalhadores, continuam em marcha para confeccionar no palmilhar do dia-a-dia, a esperan\u00e7a do mundo emancipado da explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem.<\/p>\n<p>Mas, ao voltar-me neste dia para Carlos Marighella, nesta justa homenagem, desperto para a luta sem tr\u00e9gua dos seus camaradas do Partido Comunista Brasileiro (PCB), operador pol\u00edtico no qual foi militante, parlamentar e dirigente durante 33 anos da sua vida, saindo dele, por diverg\u00eancia na forma de enfrentar a ditadura burgo-militar, 02 anos antes de ser assassinado.<\/p>\n<p>O \u00f3dio de classe exercitado pela burguesia durante todo o s\u00e9culo XX contra o PCB foi levado \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias pela ditadura militar: eles prenderam, torturaram e mataram os militantes mais destacados de um operador pol\u00edtico que teve seus erros no pr\u00e9-1964, mas que resolveu articular uma ampla luta de massas contra a ditadura burgo-militar, e por isso pagou um gigantesco tributo, que foi regado com sofrimento e sangue de seus militantes.<\/p>\n<p>Logo, no primeiro momento, quando se estabeleceu as trevas golpistas que cortaram as luzes da democracia em constru\u00e7\u00e3o, no \u00faltimo dia de mar\u00e7o de 1964, a burguesia e seu aparato militar\/policial repressivo partiu para cima dos comunistas. Era a bota de chumbo pisando o sol da liberdade, come\u00e7aram a ceifar as vidas da vanguarda comunista. E a primeira v\u00edtima foi o estivador e sindicalista, Antogildo Pascoal Viana (AM), assassinado no dia 08 de abril de 1964, seguiram-se a ele, ainda em 1964, os seguintes camaradas: o oper\u00e1rio eletricista e sindicalista\u00a0Carlos Schirmer (MG), no dia 1\u00ba de maio;\u00a0Pedro Domiense de Oliveira (BA), sindicalista e l\u00edder dos posseiros urbanos, assassinado no dia 07 de maio;\u00a0Manuel Alves de Oliveira (SE), militar assassinado no dia 08 de maio; o gr\u00e1fico e sindicalista\u00a0Newton Eduardo de Oliveira (PE) foi morto, em 1\u00ba de setembro; o l\u00edder campon\u00eas\u00a0Jo\u00e3o Alfredo Dias (PB), conhecido como \u201cnego fub\u00e1\u201d, sapateiro e ex-vereador, foi sacrificado pela repress\u00e3o em 07 de setembro; ainda no dia da p\u00e1tria, tamb\u00e9m foi assassinado o l\u00edder campon\u00eas e presidente das ligas camponesas de Sap\u00e9,\u00a0Pedro In\u00e1cio de Ara\u00fajo (PB); no dia 15 de novembro a ditadura matou o gr\u00e1fico,\u00a0Israel Tavares Roque (BA) e no final do ano de 1964 e\/ou come\u00e7o de 1965, o mar\u00edtimo catarinense\u00a0Divo Fernandes D\u2019oliveira.<\/p>\n<p>Ao todo, em 1964, a ditadura matou 29 militantes que lutavam contra o arb\u00edtrio, sendo 09 do PCB. Esses dados podem n\u00e3o conter desaparecimentos e algumas mortes estranhas, n\u00e3o computadas diretamente \u00e0 repress\u00e3o. Mas, com certeza, em virtude da a\u00e7\u00e3o criminosa do estado ditatorial naquele momento.<\/p>\n<p>Em 1965 a sanha assassina da ditadura matou o ex-militar, que havia participado das lutas dos tenentes com Luiz Carlos Prestes,\u00a0Severino Elias de Melo (PB). E em 10 de outubro de 1969, matou\u00a0Jo\u00e3o Roberto Borges de Souza (PB), que era l\u00edder estudantil e vice-presidente da UEE da Para\u00edba.<\/p>\n<p>O recrudescimento da ditadura avan\u00e7ou ap\u00f3s o AI-5 em 1968, uma parte importante da esquerda brasileira, rompida com o PCB, enfrentava as trevas de armas na m\u00e3o, sofrendo o massacre da ditadura. O PCB, consciente da necessidade de colocar as massas no processo de resist\u00eancia, desenvolvia seu trabalho.<\/p>\n<p>No decorrer de 1971, o terror da ditadura matou muitos revolucion\u00e1rios. Novamente voltou a eliminar comunistas do PCB. J\u00e1 no dia 02 de fevereiro era assassinado o sindicalista\u00a0Jos\u00e9 Dalmo Guimar\u00e3es Lins (AL); o ex-militar, ex-banc\u00e1rio e funcion\u00e1rio da Embratel\u00a0Francisco da Chagas Pereira (PB) foi desaparecido desde 05 de agosto; e o sapateiro comunista, organizador de trabalhadores do garimpo em Jacund\u00e1 (PA),\u00a0Epaminondas Gomes de Oliveira (MA) foi assassinado em 20 de agosto.<\/p>\n<p>Em 1972 foram mortos pela repress\u00e3o, o militante secundarista\u00a0Ismael Silva de Jesus (GO) no dia 09 de agosto (torturado at\u00e9 a morte) e\u00a0C\u00e9lio Augusto Guedes (BA), dentista de hist\u00f3rica fam\u00edlia de comunistas baianos (irm\u00e3o de Arm\u00eanio Guedes), que trabalhou diretamente com Prestes e exerceu v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es dentro do partido. Foi morto em 15 de agosto, sob tortura, ap\u00f3s ser preso na fronteira do Brasil com o Uruguai.<\/p>\n<p>O her\u00f3i da segunda guerra\u00a0Jos\u00e9 Mendes de S\u00e1 Roriz (CE), l\u00edder dos combatentes, e que salvou da morte no campo de Batalha o marechal Cordeiro de Farias, teve seu filho e neta seq\u00fcestrados pelo Ex\u00e9rcito, que exigiam, sob tortura do filho, a pris\u00e3o dele para liberar os ref\u00e9ns. O comunista se entregou ao marechal Cosme de Farias. No entanto, foi assassinado na mais cruel tortura no dia 17 de fevereiro de 1973.<\/p>\n<p>Mas o pior ainda estava por vir. A ditadura fascista iria ca\u00e7ar os comunistas brasileiros, aprofundava-se em 1974 uma longa persegui\u00e7\u00e3o, planejada para liquidar o PCB, cuja pol\u00edtica de resist\u00eancia democr\u00e1tica se consolidava na frente ampla contra o regime. No come\u00e7o do ano, em 19 de mar\u00e7o, foram assassinados\u00a0Davi Capistrano da Costa (CE) e\u00a0Jos\u00e9 Roman (SP). O primeiro era um importante dirigente comunista, militar, havia participado do levante de 1935, quando foi preso por sua participa\u00e7\u00e3o. Fugiu de Ilha Grande e foi lutar, em 1936, na Espanha ao lado dos republicanos como brigadista internacionalista. Participou de forma her\u00f3ica na batalha de Ebro, que ocorreu entre julho e outubro de 1938. Ainda em 1938 foi para a Fran\u00e7a onde iria lutar na resist\u00eancia a ocupa\u00e7\u00e3o do nazismo. Foi preso pelos nazistas e por ser estrangeiro, n\u00e3o foi executado no primeiro momento, mas foi levado para o campo de Gurs, na Alemanha hitlerista. Quando foi libertado pesava 35 quilos. Voltou ao Brasil, foi preso novamente em Ilha Grande, e com a democratiza\u00e7\u00e3o se elegeu deputado estadual por Pernambuco, em 1947. David Capistrano foi eleito para o CC no IV em 1954. Com a instala\u00e7\u00e3o da ditadura saiu do Brasil e ao voltar, foi preso e assassinado.<\/p>\n<p>O metal\u00fargico Jos\u00e9\u00a0Roman era um destacado militante oper\u00e1rio, foi preso ao ir buscar David Capistrano em Uruguaiana.<\/p>\n<p>O massacre continuava em 1974. O dia 03 de abril seria marcado por uma grande trag\u00e9dia, foram mortos 03 her\u00f3is do povo brasileiro. O oper\u00e1rio metal\u00fargico\u00a0Jo\u00e3o Massena Melo (PE) foi preso em S\u00e3o Paulo e assassinado pela repress\u00e3o. O dirigente metal\u00fargico foi vereador pelo Distrito Federal em 1947 e deputado estadual pelo estado da Guanabara, em 1962. Era membro do CC do PCB e seu corpo continua desaparecido.<\/p>\n<p>Nas mesmas condi\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m foi preso e morto\u00a0Luiz Ign\u00e1cio Maranh\u00e3o Filho (RN). Jornalista, deputado estadual eleito em 1958 pelo Rio Grande do Norte, visitou Cuba a convite de Fidel Castro, era membro do CC do PCB. O jornalista e dirigente comunista esteve preso em v\u00e1rios momentos da hist\u00f3ria republicana. E o oficial do Ex\u00e9rcito\u00a0Walter de Souza Ribeiro (MG), ativo militante das lutas pela paz, era membro do CC do PCB e atuava na estrutura interna do partido.<\/p>\n<p>O professor de Hist\u00f3ria,\u00a0Afonso Henrique Martins Saldanha (PE), foi morto em 08 de dezembro em virtude das torturas que sofreu na cadeia. Foi presidente do sindicato dos professores da cidade do Rio de Janeiro por dois mandatos, sendo cassado no segundo mandato, antes mesmo de tomar posse. Era um militante destacado das bandeiras comunistas no movimento docente.<\/p>\n<p>No ano de 1975 a repress\u00e3o seria mais violenta, ainda, com o PCB. Logo no dia 15 de janeiro, dois lutadores da causa dos trabalhadores s\u00e3o eliminados em S\u00e3o Paulo.\u00a0Elson Costa (MG), membro do CC do PCB e l\u00edder da greve dos caminhoneiros em Minas Gerais foi preso e assassinado, at\u00e9 hoje seu corpo continua desaparecido. E\u00a0Hiran de Lima Pereira (RN), preso e assassinado nas mesmas circunst\u00e2ncias. Membro do CC do PCB foi importante quadro da vida p\u00fablica, sendo secret\u00e1rio de Administra\u00e7\u00e3o de Miguel Arraes na prefeitura de Recife. Em seguida, no dia 04 de fevereiro, era preso e assassinado no Rio de Janeiro, o jornalista e advogado\u00a0Jayme Amorim de Miranda (AL). Grande organizador das lutas oper\u00e1rias e de massas pelo Brasil foi preso v\u00e1rias vezes e sofreu tentativa de homic\u00eddio. Esteve na URSS e exerceu intensa atividade na imprensa comunista; seu corpo at\u00e9 hoje n\u00e3o foi encontrado.<\/p>\n<p>Em abril, foi preso e assassinado o l\u00edder campon\u00eas\u00a0Nestor Veras (SP). Organizador das lutas camponesas que teve intensa presen\u00e7a entre os trabalhadores sem terra, foi fundador e respons\u00e1vel pelo jornal\u00a0Terra Livre e dirigente da ULTAB. Era membro do CC do PCB e seu corpo est\u00e1 desaparecido at\u00e9 hoje. No m\u00eas de maio, no dia 25, era preso e assassinado o oper\u00e1rio da constru\u00e7\u00e3o civil,Itair Jos\u00e9 Veloso (MG). L\u00edder oper\u00e1rio foi primeiro sapateiro e depois passou a atuar na constru\u00e7\u00e3o civil, sendo eleito dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Constru\u00e7\u00e3o Civil de Niter\u00f3i e Nova Igua\u00e7u, e foi eleito secret\u00e1rio-geral da Federa\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores da Constru\u00e7\u00e3o Civil. Itair Veloso esteve atrav\u00e9s de delega\u00e7\u00f5es sindicais na URSS e China. Membro do CC do PCB, seu corpo continua desaparecido.<\/p>\n<p>No segundo semestre, em 07 agosto morria\u00a0Alberto Aleixo (MG) em virtude da tortura. Estava preso desde janeiro e n\u00e3o resistiu aos maus tratos, foi um militante gr\u00e1fico, sendo respons\u00e1vel pela gr\u00e1fica do partido e exerceu uma longa jornada de trabalho na imprensa comunista. Era irm\u00e3o do vice-presidente de Costa e Silva, Pedro Aleixo. No dia seguinte, 08 de agosto, era assassinado sob tortura o tenente da PM de S\u00e3o Paulo,\u00a0Jos\u00e9 Ferreira de Almeida (SP). Policial militar da reserva exercia uma intensa atividade na PM paulista e integrava o grupo interno de militares do PCB. No dia 18, ainda no m\u00eas de agosto, morria em virtude das torturas o coronel reformado da PM\/SP,\u00a0Jos\u00e9 Maximino de Andrade Netto (MG), que havia sido cassado em 1964. O militante comunista foi preso em 11 de agosto de 1975 e sofreu intensa tortura, at\u00e9 morrer em um hospital de Campinas. Tamb\u00e9m fazia parte do coletivo de militares do partido.<\/p>\n<p>A repress\u00e3o continuava ca\u00e7ando o PCB. No dia 17 de setembro, o dirigente do partido no estado do Cear\u00e1,\u00a0Pedro Jer\u00f4nimo de Souza (CE), comerci\u00e1rio que se encontrava preso desde 1975, foi morto sob tortura. Pouco tempo depois, no dia 29 de setembro era preso e assassinado o dirigente da juventude comunista,\u00a0Jos\u00e9 Montenegro de Lima (CE). Ativo dirigente estudantil, foi diretor da UNETI, contribuiu para formular as posi\u00e7\u00f5es do PCB na \u00e1rea juvenil. Teve grande participa\u00e7\u00e3o na articula\u00e7\u00e3o de organismos da juventude internacional no Brasil (FMJD). Seu corpo n\u00e3o foi localizado at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Quando chegou o m\u00eas de outubro a ditadura fez outra v\u00edtima, agora, o destacado dirigente comunista\u00a0Orlando da Silva Rosa Bomfim J\u00fanior (ES). Foi preso e assassinado sob tortura no dia 08, seu corpo ainda n\u00e3o foi encontrado. Orlando Bomfim foi jornalista e advogado, tendo sido vereador do PCB por Belo Horizonte, em 1947. Era membro do CC e exerceu intensa atividade jornal\u00edstica. Para fechar o ano de 1975, a repress\u00e3o assassinou, sob tortura,\u00a0Vladimir Herzog (Cro\u00e1cia), no dia 25 de outubro. Herzog era professor da USP e jornalista, militante da base cultural do PCB em S\u00e3o Paulo, foi assassinado ap\u00f3s se apresentar no DOI-CODI para prestar depoimento.<\/p>\n<p>A ditadura dava sinais de exaust\u00e3o; as elei\u00e7\u00f5es municipais de 1976 foram canceladas; a pol\u00edtica do PCB come\u00e7ava a ser vitoriosa na ampla frente democr\u00e1tica. Mas a repress\u00e3o ainda ceifaria as vidas de comunistas naquele ano. No dia 07 de janeiro era morta a militante comunista\u00a0Neide Alves Santos (RJ). Essa mulher de convic\u00e7\u00e3o profunda foi a \u00fanica comunista, do PCB, morta pela ditadura. Era militante do setor de propaganda e atuava juntamente com Hiran de Lima Pereira. Ela havia sido presa em 06 de fevereiro de 1975 e encaminhada para DOI-CODI\/SP e depois para o DOPS\/RJ; foi encontrada morta em via p\u00fablica com sev\u00edcias por todo o corpo. Dez dias depois da morte de Neide, era assassinado sob tortura, no dia 17, o oper\u00e1rio metal\u00fargico\u00a0Manoel Fiel Filho (AL), que era Respons\u00e1vel pela distribui\u00e7\u00e3o da Voz Oper\u00e1ria nas f\u00e1bricas da Mooca. Foi preso no dia 16 e levado para o DOI-CODI\/SP, e assassinado em seguida.<\/p>\n<p>No dia 29 de setembro, ainda em 1976, era assassinado sob tortura o oper\u00e1rio\u00a0Feliciano Eug\u00eanio Neto (MG). Hist\u00f3rico militante comunista realizou tarefas com Maur\u00edcio Grabois e Carlos Danielli, foi oper\u00e1rio da CSN e vereador em Volta Redonda. Ap\u00f3s ser cassado foi ser oper\u00e1rio no ABC paulista. Era respons\u00e1vel pela distribui\u00e7\u00e3o da\u00a0Voz Oper\u00e1ria no estado de S\u00e3o Paulo, at\u00e9 ser preso em 02 de outubro de 1975.<\/p>\n<p>Em 1977 o PCB teve seu \u00faltimo militante assassinado pela ditadura. No dia 30 de setembro era morto sob tortura, nas depend\u00eancias da 1\u00aa\u00a0 CIA da PE do Ex\u00e9rcito no Rio de Janeiro, o professorLouren\u00e7o Camelo de Mesquita (CE). Ativista muito conhecido exercia sua milit\u00e2ncia no comit\u00ea do partido na Esta\u00e7\u00e3o Ferrovi\u00e1ria da Leopoldina.<\/p>\n<p>O PCB foi massacrado de 1973 a 1976 por uma opera\u00e7\u00e3o realizada pelo Ex\u00e9rcito, tratava-se da \u201cOpera\u00e7\u00e3o Radar\u201d, que tinha como objetivo liquidar o hist\u00f3rico operador pol\u00edtico dos comunistas brasileiros. Essa era uma das medidas impostas pela geopol\u00edtica arquitetada por Golbery do Couto e Silva, para flexibilizar a ordem pol\u00edtica brasileira.<\/p>\n<p>Foram 39 militantes assassinados, nas mais diversas modalidades, desde o primeiro momento do golpe at\u00e9 o come\u00e7o da chamada \u201cdistens\u00e3o\u201d do regime militar. Para al\u00e9m dessas mortes, o PCB teve centenas de presos que passaram pela mais atroz tortura.<\/p>\n<p>Porque tanto \u00f3dio da burguesia a este partido? Talvez seja poss\u00edvel responder: o PCB luta ao lado da nossa classe, n\u00e3o tem nenhum acontecimento que diga respeito aos interesses dos trabalhadores na hist\u00f3ria do Brasil que n\u00e3o tenha tido a participa\u00e7\u00e3o decidida dos comunistas. O sangue dos militantes do PCB tingiu de vermelho as bandeiras das lutas oper\u00e1rias de 1922 at\u00e9 1977. A luta do PCB \u00e9 pela revolu\u00e7\u00e3o socialista no Brasil; superados os equ\u00edvocos da sua formula\u00e7\u00e3o, pois errou porque lutou, o PCB quer estar, ao lado de todos aqueles que lutam pela emancipa\u00e7\u00e3o humana na vanguarda da revolu\u00e7\u00e3o brasileira. O \u00f3dio da burguesia \u00e9 contra as ideias do socialismo e contra o partido que luta para operar essa tarefa hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>Vida longa aos her\u00f3is da revolu\u00e7\u00e3o brasileira que tingiram com seu sangue a bandeira da liberdade.<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo, 04 de novembro de 2012.<\/p>\n<p><sup>1<\/sup>Professor de Ci\u00eancia Pol\u00edtica da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e membro do CC do PCB.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nAdufs\n\n\n\n\n\n\n\n\nMilton Pinheiro1\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3808\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-3808","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c56-memoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-Zq","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3808","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3808"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3808\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3808"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3808"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3808"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}