{"id":3855,"date":"2012-11-13T18:51:55","date_gmt":"2012-11-13T18:51:55","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3855"},"modified":"2012-11-13T18:51:55","modified_gmt":"2012-11-13T18:51:55","slug":"o-poderio-nacional-dos-eua-e-a-diplomacia-contra-as-drogas-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3855","title":{"rendered":"O poderio nacional dos EUA e a diplomacia contra as drogas na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"\n<p>Rebeli\u00f3n (*)<\/p>\n<p>Os EUA fazem uso dos instrumentos do poderio nacional para implementar de forma mais consensual os interesses de sua pol\u00edtica externa e de seguran\u00e7a na Am\u00e9rica Latina. Neste trabalho, analisamos os objetivos priorit\u00e1rios a serem alcan\u00e7ados, vendo como se articulam os instrumentos econ\u00f4micos, pol\u00edticos, diplom\u00e1ticos, militares e informacionais, a partir da diplomacia, contra as drogas. Para esta an\u00e1lise s\u00e3o considerados os elementos da diplomacia transformacional, o smart power e os Tr\u00eas D (Desenvolvimento, Diplomacia e Defesa) como instrumentos-chave da sua pol\u00edtica externa e de seguran\u00e7a para a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>Os instrumentos fundamentais do poderio nacional dos EUA se articulam no fundamental atrav\u00e9s de instrumentos militares, pol\u00edticos, econ\u00f4micos, diplom\u00e1ticos, ideol\u00f3gicos, culturais e informacionais. Estes se desenvolvem a partir das prioridades que estabelece o Estado-Na\u00e7\u00e3o para alcan\u00e7ar seus objetivos estrat\u00e9gicos a n\u00edvel internacional. Mediante sua combina\u00e7\u00e3o efetiva, consegue exercer influ\u00eancia n\u00e3o somente com o uso da for\u00e7a (militar) ou a amea\u00e7a da mesma, mas tamb\u00e9m atrav\u00e9s do emprego a fundo dos instrumentos econ\u00f4micos, diplom\u00e1ticos, pol\u00edticos e informacionais. Neste sentido se desenha a pol\u00edtica exterior e de seguran\u00e7a dos EUA para alcan\u00e7ar seus objetivos estrat\u00e9gicos.<\/p>\n<p>O uso ou combina\u00e7\u00e3o destes instrumentos est\u00e3o apenas condicionados pela conjuntura pol\u00edtica, econ\u00f4mica ou militar que afronte o pa\u00eds, assim como pelos instrumentos que sejam delineados como preponderantes por cada administra\u00e7\u00e3o. N\u00e3o obstante, sempre existe uma continuidade entre um governo e outro, independentemente de se o partido que esteja \u00e0 frente seja democrata ou republicano. Afinal de contas, a classe dominante, a elite do poder [1], \u00e9 a que imp\u00f5e seus interesses priorit\u00e1rios e em fun\u00e7\u00e3o destes se articulam os instrumentos do poderio nacional.<\/p>\n<p>Por outro lado, cada administra\u00e7\u00e3o deve trabalhar com bases no legado deixado pelo seu antecessor, de modo que, ao t\u00e9rmino do governo W. Bush, Obama teve de se esfor\u00e7ar para empregar instrumentos pol\u00edticos, diplom\u00e1ticos e informacionais que melhoraram a credibilidade e a imagem exterior deste pa\u00eds, sem prescindir, por isso, da for\u00e7a militar. Os instrumentos do poderio nacional se combinam e complementam como um complexo de ferramentas a serem utilizadas em cada momento, atendendo \u00e0s circunst\u00e2ncias espec\u00edficas com que se deparam. Valorando as situa\u00e7\u00f5es, os objetivos e interesses da elite de poder, bem como o contexto interno e as circunst\u00e2ncias internacionais, se aplicam os instrumentos, atendendo as prioridades que se estabelecem na constru\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica externa.<\/p>\n<p>O processo de constru\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica exterior se compreende, segundo pontua Dra. Soraya Castro, como \u201c(&#8230;) o complexo padr\u00e3o de intera\u00e7\u00f5es entre organiza\u00e7\u00f5es, mecanismos e institui\u00e7\u00f5es do sistema pol\u00edtico, que d\u00e3o origem a decis\u00f5es e linhas de a\u00e7\u00e3o espec\u00edficas, tomando em conta as orienta\u00e7\u00f5es e objetivos do Estado. Este processo reflete a ess\u00eancia e a natureza do Estado, em que se evidenciam as ideias e concep\u00e7\u00f5es das classes que ostentam o poder pol\u00edtico do pa\u00eds em quest\u00e3o e a inter-rela\u00e7\u00e3o existente com outras classes da sociedade\u201d.[2]<\/p>\n<p>Deve-se destacar que o uso de um instrumento n\u00e3o descarta o outro, de modo que o que mais se aprecia na atualidade \u00e9 a combina\u00e7\u00e3o dos instrumentos-chave do poderio nacional para fazer poss\u00edvel a lideran\u00e7a internacional, buscando a consolida\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica. A hegemonia, vista como meta e objetivo, compreende-se como uma necessidade para alcan\u00e7ar um maior poderio nacional. Esta se entende como a \u201c(&#8230;) capacidade da classe dominante de obter e manter seu poder sobre a sociedade, n\u00e3o somente pelo seu controle dos meios de produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4micos e dos instrumentos repressivos, mas sobretudo porque \u00e9 capaz de produzir e organizar o consenso e a dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, intelectual e moral da mesma\u201d. [3]<\/p>\n<p>No emprego de instrumentos que possibilitem obter o consenso sem a necessidade do uso da for\u00e7a, cria-se um conjunto de valores e condicionamentos morais e socioculturais, impostos direta ou indiretamente pela classe dominante. Esta classe conta com um poder cultural que lhe possibilita influenciar ideias e matrizes de opini\u00e3o, para o que se vale n\u00e3o somente de um controle sobre as institui\u00e7\u00f5es e \u00f3rg\u00e3os repressivos, mas tamb\u00e9m dos\u00a0thinking tanks e grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o. O alcance dos padr\u00f5es pol\u00edtico-ideol\u00f3gicos e morais desta elite de poder resulta imensur\u00e1vel, em uma era onde a revolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfico-tecnol\u00f3gica faz chegar a informa\u00e7\u00e3o a qualquer lugar do mundo em fra\u00e7\u00f5es de segundos. Com este poder informacional, o exerc\u00edcio de influ\u00eancia rebaixa as fronteiras nacionais, pretendendo internacionalizar padr\u00f5es pol\u00edtico-ideol\u00f3gicos que facilitem o consenso.<\/p>\n<p>Nesta din\u00e2mica pode-se ver como o\u00a0soft power e sua rela\u00e7\u00e3o com a ideologia e com a cultura dentro do sistema de domina\u00e7\u00e3o estadunidense busca consolidar e manter a lideran\u00e7a e hegemonia dos EUA a n\u00edvel global. Para isso estabelecem uma inter-rela\u00e7\u00e3o entre as organiza\u00e7\u00f5es, mecanismos e institui\u00e7\u00f5es do sistema pol\u00edtico estadunidense.<\/p>\n<p>O sistema pol\u00edtico dos EUA deve ser entendido como um conjunto de institui\u00e7\u00f5es, organiza\u00e7\u00f5es, mecanismos e regras de classe, constitu\u00eddo por elementos organizativos do sistema, bem como das institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. O mesmo \u00e9 concebido como um aparato de poder pol\u00edtico das classes dominantes, como um sistema de coer\u00e7\u00e3o, coopta\u00e7\u00e3o e clientelismo.<\/p>\n<p>O sistema pol\u00edtico tamb\u00e9m pode ser concebido segundo o estudo das rela\u00e7\u00f5es de poder. O objeto de estudo s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e o estudo dos sistemas. No caso dos EUA, resulta necess\u00e1rio o conhecimento dos principais instrumentos do sistema pol\u00edtico, n\u00e3o como de um ente isolado, mas como um pa\u00eds que se entende como a primeira pot\u00eancia mundial. A partir deste pressuposto, o sistema pol\u00edtico n\u00e3o s\u00f3 concebe a necess\u00e1ria estabilidade pol\u00edtica no interior do pa\u00eds, mas tamb\u00e9m nos locais de interesse al\u00e9m de suas fronteiras. A partir desta perspectiva \u00e9 que se analisa as ferramentas com as quais se constr\u00f3i sua hegemonia.<\/p>\n<p>O soft power, de acordo com J. Nye, pretende mudar a face militarista da domina\u00e7\u00e3o dos EUA para uma outra que busca um maior consenso e participa\u00e7\u00e3o, que concede diplomaticamente o caminho do multilateralismo. Desta forma pretende obter a lideran\u00e7a, mas n\u00e3o sob imposi\u00e7\u00e3o declarada, mas em coordena\u00e7\u00e3o \u2013 ao menos formalmente &#8211; com outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>O soft power pode ser visto como o dom\u00ednio dos espa\u00e7os em constru\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o de ideias, cujo objetivo se concentra em conseguir o respaldo dos interesses da classe dominante. Com ele se pretende o apoio da sociedade civil a n\u00edvel internacional. No atual contexto internacional, em que os EUA atravessam uma de suas mais graves crises &#8211; que parte da economia mas estende-se para a pol\u00edtica, a cultura e os valores -, o desenvolvimento de outras formas de influ\u00eancia \u00e9 imprescind\u00edvel.<\/p>\n<p>A classe dominante entende a necessidade de aplicar efetivamente instrumentos do poderio nacional como um multiplicador de seus interesses e, portanto, brindam-no com seu apoio a partir do controle que t\u00eam sobre as transnacionais, ONGs, funda\u00e7\u00f5es, centros de difus\u00e3o de pensamento, as institui\u00e7\u00f5es internacionais, principais meios de comunica\u00e7\u00e3o e das Tecnologias da Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00f5es (TIC).<\/p>\n<p>Um exemplo destes programas multiplicadores de ideologia foi o Projeto Democracia, de Reagan, em 1983, quando se centraliza na Casa Branca a Dire\u00e7\u00e3o da Diplomacia P\u00fablica. Dentro dos temas priorit\u00e1rios nos instrumentos do poderio nacional destacam-se: direitos humanos, democracia, governabilidade, seguran\u00e7a (tr\u00e1fico de drogas, terrorismo internacional, \u00a0meio ambiente, etc). Estes temas est\u00e3o presentes na opini\u00e3o p\u00fablica mundial, impulsionados pelo uso dos instrumentos de informa\u00e7\u00e3o, pol\u00edticos e diplom\u00e1ticos, que condicionam as matrizes de opini\u00e3o.<\/p>\n<p>Com o prop\u00f3sito de dar seguimento a alguns destes temas, surgem institui\u00e7\u00f5es como a USAID, que conferem um respaldo pol\u00edtico-diplom\u00e1tico ao verdadeiro rosto imperial. Os instrumentos do poderio nacional t\u00eam como papel vincular a ideologia, os valores, a cultura e a informa\u00e7\u00e3o da sociedade com a diplomacia e o poder militar para atingir os objetivos da elite do poder. Neste sentido, hoje se poderia incluir as Empresas Privadas de Contrata\u00e7\u00e3o como outros elementos do poderio nacional, uma vez que sua utiliza\u00e7\u00e3o lhes confere menor compromisso pol\u00edtico-diplom\u00e1tico.<\/p>\n<p>O instrumento diplom\u00e1tico tem sido t\u00e3o eficaz que o Departamento de Estado \u2013 a partir da assessoria de eminentes ide\u00f3logos &#8211; incorporou o conceito de Diplomacia Transformacional, como uma necessidade dos novos tempos. Nesta &#8220;nova&#8221; forma de fazer diplomacia prevalece o instrumento informacional, a consci\u00eancia de sua efetividade para chegar a setores populacionais que comumente n\u00e3o t\u00eam alta participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Com esse objetivo utiliza-se as TICs como um complemento \u00e0 m\u00eddia convencional, para uma efetiva propaganda da diplomacia p\u00fablica e da ajuda ao exterior.<\/p>\n<p>Dado que os interesses do poderio nacional procuram preservar a lideran\u00e7a e a hegemonia dos EUA em escala global, refor\u00e7am-se instrumentos-chave como o econ\u00f4mico, o diplom\u00e1tico, a for\u00e7a do Complexo Industrial de Seguran\u00e7a [4], o poder cultural [5] e de informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O poder informacional tem grande impacto sobre as guerras culturais e de domina\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica por parte dos EUA, especialmente para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe. A evidente assimetria tecnol\u00f3gica possibilita que o controle e as maneiras de transmitir informa\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s dos meios de comunica\u00e7\u00e3o facilitem a demoniza\u00e7\u00e3o dos processos pol\u00edticos contestat\u00f3rios que se vive na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Dentro dos instrumentos diplom\u00e1ticos podem incluir-se aspectos de seguran\u00e7a e economia que adquirem um matiz diplom\u00e1tico. Um exemplo claro dessa instrumentaliza\u00e7\u00e3o se evidencia na chamada diplomacia contra as drogas, onde se aplicam projetos de domina\u00e7\u00e3o tomando por justifica\u00e7\u00e3o este flagelo. Bel\u00e9n Boville Luca (2007) define que &#8220;a diplomacia contra as drogas \u00e9 uma doutrina pol\u00edtica e diplom\u00e1tica que se encaixa perfeitamente com as fun\u00e7\u00f5es e exig\u00eancias dos Estados Unidos em sua especial rela\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social com a Am\u00e9rica Latina, e substitui a percep\u00e7\u00e3o ideologizada dos pressupostos da Guerra Fria &#8220;. [6]<\/p>\n<p>Certamente a complementa\u00e7\u00e3o dos instrumentos possibilita a constru\u00e7\u00e3o de fachadas pol\u00edtico-diplom\u00e1ticas que tentam esconder a verdadeira face imperial do poderio nacional dos EUA.<\/p>\n<p>O poderio nacional, de acordo com a teoria realista desenvolvida por Hans Morgenthau em &#8220;A pol\u00edtica entre as Na\u00e7\u00f5es. A luta pelo poder e pela paz &#8221; [7], \u00e9\u00a0\u00a0o conjunto de elementos que determinam a capacidade de influenciar os acontecimentos que tem uma na\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m o poderio nacional, que constitui a for\u00e7a de um Estado-Na\u00e7\u00e3o, comp\u00f5e-se segundo Hartman por sete elementos: o geogr\u00e1fico, o demogr\u00e1fico, o econ\u00f4mico, o cient\u00edfico-tecnol\u00f3gico, o hist\u00f3rico e o organizativo-administrativo.<\/p>\n<p>Para o caso estadunidense, o Complexo Militar-Industrial poderia ser tomado de forma ampliada, como um Complexo industrial de seguran\u00e7a, pois dentro dos aspectos de seguran\u00e7a se incluem outros instrumentos n\u00e3o militares que compreendem a quest\u00e3o da seguran\u00e7a informacional, onde se incluem as TICs e os meios de comunica\u00e7\u00e3o convencionais, enfatizando a complexa interdepend\u00eancia entre os instrumentos do poderio nacional.<\/p>\n<p>Mat\u00edas Marini enfatiza que os \u201c(&#8230;) pa\u00edses podem se valer de seus recursos de soft power (comunica\u00e7\u00e3o, informa\u00e7\u00e3o, cultura, m\u00eddias) para tentar modelar a agenda informativa e orientar as prefer\u00eancias de outros atores.\u201d [8] J Nye, por sua vez, define entre os meios: a coer\u00e7\u00e3o, com a amea\u00e7a do uso da for\u00e7a (militar); os instrumentos econ\u00f4micos e a atra\u00e7\u00e3o a partir do soft power.<\/p>\n<p>O soft power tenta rearticular as for\u00e7as do poderio nacional estadunidense, para o cumprimento de seus interesses estrat\u00e9gicos. Neste af\u00e3, empregam-se os instrumentos que desempenhem uma hegemonia simb\u00f3lica, intelectual e cultural sobre a chamada aldeia global, em uma tentativa de internacionalizar os valores estadunidenses.<\/p>\n<p>Neste \u201ctipo\u201d de globaliza\u00e7\u00e3o dos estere\u00f3tipos estadunidenses, deve considerar-se a evolu\u00e7\u00e3o dos instrumentos do poderio nacional afinados com as mudan\u00e7as que se produzem na arena internacional. A complexidade das rela\u00e7\u00f5es\u00a0 demanda uma interdepend\u00eancia complexa \u2013 no dizer de Keohane \u2013 e, por isso, os instrumentos pol\u00edticos, diplom\u00e1ticos, culturais e informacionais desempenham um papel crucial na constru\u00e7\u00e3o de matrizes de opini\u00e3o, que gerem consensos e obtenham o apoio de pa\u00edses terceiros.<\/p>\n<p>Entre as raz\u00f5es que geraram essa evolu\u00e7\u00e3o no uso dos instrumentos do poderio nacional deve ser observada como fundamental a revolu\u00e7\u00e3o das comunica\u00e7\u00f5es, o que levou a novas formas de diplomacia, devido \u00e0 import\u00e2ncia crescente da opini\u00e3o p\u00fablica e aos caminhos diferentes que s\u00e3o criados para seu condicionamento. Nas circunst\u00e2ncias atuais, a lideran\u00e7a internacional n\u00e3o se limita ao dom\u00ednio militar, pol\u00edtico ou econ\u00f4mico; mas \u00e9 necess\u00e1rio condicionar a mente dos homens e \u00e9 neste espa\u00e7o que desempenha um papel essencial o instrumento informativo.<\/p>\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o torna mais complexa a emiss\u00e3o de consensos e a fal\u00e1cia da democracia se complexifica, nos emaranhadas planos dos instrumentos do poderio nacional. Mediante seu planejamento, constr\u00f3i-se inimigos imagin\u00e1rios, sobredimensiona-se perigos estrangeiros e se acentuam outros at\u00e9 ent\u00e3o latentes, que possibilitem continuar acelerando gastos militares e a condu\u00e7\u00e3o de fundos para programas como os da USAID.<\/p>\n<p>A partir destes instrumentos se tecem ideologias tais como o smart power, para a consolida\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica externa e de seguran\u00e7a do pa\u00eds hegem\u00f4nico, a partir de aspectos-chave, como a diplomacia e o desenvolvimento como complemento da defesa (os j\u00e1 citados \u201cTr\u00eas D\u201d). A capacidade que t\u00eam as m\u00eddias para incluir temas na agenda internacional, a partir de media\u00e7\u00f5es e a constru\u00e7\u00e3o de consensos, as convertem num ator de peso nas din\u00e2micas pol\u00edtico-diplom\u00e1ticas, a ponto de se falar em uma diplomacia das m\u00eddias. [9]<\/p>\n<p>Neste contexto hist\u00f3rico, o uso dos instrumentos de poderio nacional lembram as premissas de Hans Morgenthau ao definir a diplomacia como a arte de combinar os v\u00e1rios elementos do poderio nacional com o maior impacto sobre o interesse nacional. [10] O lament\u00e1vel \u00e9 que este interesse, implementado pelo poderio dos EUA, tende a atentar contra a soberania, a integridade territorial e autodetermina\u00e7\u00e3o de outros povos.<\/p>\n<p>&#8220;A interven\u00e7\u00e3o no Afeganist\u00e3o primeiramente e a interven\u00e7\u00e3o e ocupa\u00e7\u00e3o do Iraque em mar\u00e7o de 2003 demostraram que a for\u00e7a militar e sua vari\u00e1vel tecnol\u00f3gica, como dispositivo cardeal do poderio nacional dos EUA, renasceu como o instrumento de poder mais importante na pol\u00edtica externa e de seguran\u00e7a contra aqueles que, de forma unilateral, o governo dos EUA define como \u2018Estados vil\u00f5es\u2019.\u201d [11]<\/p>\n<p>A diplomacia contra as drogas: estrat\u00e9gia de domina\u00e7\u00e3o dos EUA na Am\u00e9rica Latina<\/p>\n<p>O problema das drogas deve ser analisado a partir de seus antecedentes hist\u00f3ricos, para que se perceba as mudan\u00e7as que ocorreram em torno deste flagelo. &#8220;Nos \u00faltimos cem anos, a pol\u00edtica de drogas, que deveria ser uma\u00a0 preocupa\u00e7\u00e3o genu\u00edna relacionada a quest\u00f5es de sa\u00fade e sociais \u00a0associadas ao seu consumo, foi se misturando com aspectos geopol\u00edticos, econ\u00f4micos, diplom\u00e1ticos e militares&#8221;. [12]<\/p>\n<p>A partir desta perspectiva, devem ser compreens\u00edveis os interesses dos EUA em manter o neg\u00f3cio ilegal de drogas. \u00c9\u00a0em torno disso que se articulam os instrumentos da pol\u00edtica externa e de seguran\u00e7a dos Estados Unidos, que durante a administra\u00e7\u00e3o Obama teve um predom\u00ednio do smart power e dos Tr\u00eas D como principais instrumentos de proje\u00e7\u00e3o dos seus interesses geoestrat\u00e9gicos. Para se justificarem, valem-se do poder informacional do controle hegem\u00f4nico sobre os meios de comunica\u00e7\u00e3o e sua alta entrada nas redes sociais de internet.<\/p>\n<p>A diplomacia contra as drogas [13] surge como a express\u00e3o conjunta dos instrumentos do poderio nacional dos EUA a fim de consolidar seus interesses hegem\u00f4nicos. Para a pol\u00edtica externa e de seguran\u00e7a com respeito \u00e0 Am\u00e9rica Latina t\u00eam sido aperfei\u00e7oadas as pol\u00edticas de drogas com o passar dos anos. Obviamente, as ag\u00eancias governamentais dos EUA mais relacionados a este assunto t\u00eam se envolvido em negocia\u00e7\u00f5es com v\u00e1rios cart\u00e9is de drogas, pol\u00edticos corruptos e tr\u00e1fico de armas, com o interesse de, por um lado, continuar a guerra contra o chamado narcotr\u00e1fico e, por outro lado, consolidar seus interesses econ\u00f4micos, pol\u00edticos, diplom\u00e1ticos e militares na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto, o fato de serem os EUA o primeiro mercado de drogas em todo o mundo e, portanto, o consumidor m\u00e1ximo, leva a uma an\u00e1lise estrutural sobre os fundamentos que estimulam a chamada guerra contra as drogas. Quando o centro do capitalismo mundial est\u00e1 enfrentando uma das maiores crises econ\u00f4micas de sua hist\u00f3ria, e at\u00e9 a pr\u00f3pria Wall Street tem seus \u201cocupadores\u201d; enquanto o desemprego, as hipotecas e a viol\u00eancia chamam \u00e0 irracionalidade; o Complexo Industrial de Seguran\u00e7a continua a se desenvolver.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a diplomacia se exalta para solapar a crueldade das guerras, tentando emprestar uma imagem de credibilidade para o governo dos EUA. O problema das drogas n\u00e3o deve se limitar a quest\u00f5es de seguran\u00e7a. Os multimilion\u00e1rios custos econ\u00f4micos que geram, tanto para criminosos como para as ag\u00eancias estatais e privadas que se dedicam ao seu enfrentamento; conformam uma s\u00e9rie de interesses econ\u00f4micos, pol\u00edticos e diplom\u00e1ticos, que conduzem a uma leitura mais exitosa para os objetivos geoestrat\u00e9gicos dos Estados Unidos na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Os momentos de crise na periferia geralmente geram lucros para a pot\u00eancia envolvida, assim como por tr\u00e1s dos conflitos no Oriente M\u00e9dio e na \u00c1sia Central est\u00e1 tamb\u00e9m a droga; para o caso latino-americano, o controle geoestrat\u00e9gicos de zonas de interesse (a Amaz\u00f4nia, a Tr\u00edplice Fronteira e outros) \u00e9 crucial para o governo dos EUA. Nesse sentido, a diplomacia contra as drogas alcan\u00e7ou mais \u00eaxitos do que aqueles normalmente relatados. Se os interesses dos EUA s\u00e3o avaliados de acordo com a aplica\u00e7\u00e3o dos instrumentos de pol\u00edtica externa e de seguran\u00e7a na regi\u00e3o, pode-se observar que o benef\u00edcio nem sempre consiste em vencer a guerra, mas que o simples fato de mant\u00ea-la pode gerar maiores lucros.<\/p>\n<p>Obviamente, esta pol\u00edtica n\u00e3o se deve a um governo ou outro, mas por tr\u00e1s dos pol\u00edticos est\u00e3o os objetivos estrat\u00e9gicos da elite do poder, que n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0nada mais do que a classe dominante que de fato governa o Estado. H\u00e1\u00a0em torno deste tema elementos conceituais que devem ser considerados na an\u00e1lise das rela\u00e7\u00f5es internacionais, bem como da pol\u00edtica externa, tal como entendidos por Roberto Gonzalez: &#8220;(&#8230;) a atividade de um Estado em suas rela\u00e7\u00f5es com outros Estados, procurando realiza\u00e7\u00e3o de objectivos externos que determinam os interesses da classe dominante em um momento ou per\u00edodo determinado&#8221;. [14]<\/p>\n<p>Se em algum problema de alcance global pode se apreciar mais claramente a combina\u00e7\u00e3o dos instrumentos do poderio nacional dos EUA, \u00e9 no flagelo das drogas. Nisso se interconectam os interesses econ\u00f4micos, pol\u00edticos, diplom\u00e1ticos, militares e informacionais de hegemonia, a fim de consolidar os EUA como garantidor da seguran\u00e7a global. A pol\u00edtica contra o tr\u00e1fico ilegal de drogas tem mostrado uma natureza sist\u00eamica, uma vez que, independentemente do partido que dirija a administra\u00e7\u00e3o, s\u00e3o mantidas as bases que fazem da chamada luta contra as drogas uma estrat\u00e9gia de domina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fazendo um balan\u00e7o\u00a0 \u00a0das possibilidades econ\u00f4micas, pol\u00edticas, militares e diplom\u00e1ticas na Am\u00e9rica Latina, a guerra contra as drogas tem facilitado o crescimento do poderio militar na regi\u00e3o, alcan\u00e7ando um maior controle geoestrat\u00e9gico. Tanto \u00e9 assim que a pol\u00edtica anti-drogas dos EUA, em vez de conter o narcotr\u00e1fico na sub-regi\u00e3o andina &#8211; por meio do Plano Col\u00f4mbia -, tem\u00a0 permitido a generaliza\u00e7\u00e3o do problema para toda a Am\u00e9rica Latina, com \u00eanfase particular no M\u00e9xico e na Am\u00e9rica Central.<\/p>\n<p>Sobre esta situa\u00e7\u00e3o, Noam Chomsky declarou: &#8220;Eu n\u00e3o acho que a guerra contra as drogas seja um fracasso, ela tem um prop\u00f3sito diferente do anunciado (&#8230;). O problema das drogas na Am\u00e9rica Latina est\u00e1 aqui nos Estados Unidos. N\u00f3s fornecemos a demanda, as armas, e eles (na Am\u00e9rica Latina) sofrem &#8220;. [15]<\/p>\n<p>O problema baseia-se num importante fundo econ\u00f4mico. Em primeiro lugar, porque o neg\u00f3cio da droga \u00e9 um dos mais rent\u00e1veis a n\u00edvel mundial, n\u00e3o s\u00f3 pelos lucros que promove, mas tamb\u00e9m pelos ganhos que gera colateralmente para sua sustenta\u00e7\u00e3o. Atrav\u00e9s do tr\u00e1fico de drogas [16] a n\u00edvel internacional, ganha-se mais de 320 bilh\u00f5es [17] de d\u00f3lares, tornando-se a segunda atividade econ\u00f4mica global, com um mercado de 200 milh\u00f5es de consumidores no mundo todo. [18]<\/p>\n<p>O car\u00e1ter ilegal do mesmo e as pol\u00edticas militaristas que o governo dos EUA indicam como o &#8220;melhor&#8221; enfrentamento incentivam a compra de armas e outros suprimentos de seguran\u00e7a para conceder um perfil mais beligerante aos cart\u00e9is. Esta situa\u00e7\u00e3o, associada ao fomento do conflito entre os cart\u00e9is, e destes contra os governos latino-americanos que os enfrentam, s\u00e3o um excelente incentivo para o complexo industrial de seguran\u00e7a dos EUA.<\/p>\n<p>A gera\u00e7\u00e3o de empregos que provoca o problema das drogas, juntamente com as inser\u00e7\u00f5es pol\u00edtico-diplom\u00e1ticas que possibilita a luta contra as drogas, constitui para os EUA um excelente objetivo, da\u00ed ser a diplomacia contra as drogas uma das express\u00f5es mais eficazes dos instrumentos de pol\u00edtica externa e de seguran\u00e7a dos EUA.<\/p>\n<p>A localiza\u00e7\u00e3o de bases militares em regi\u00f5es geoestrat\u00e9gicas e a ativa\u00e7\u00e3o da Quarta Frota manifestam pretens\u00f5es mais amplas do que a luta contra as drogas. Os interesses econ\u00f4micos t\u00eam participa\u00e7\u00e3o evidente, tal como no encaminhamento &#8220;(&#8230;) dos recursos inicialmente anti-drogas contidos no Plano Col\u00f4mbia e\u00a0 Iniciativa Regional Andina (que) tamb\u00e9m est\u00e3o sendo usados para a prote\u00e7\u00e3o militar do oleoduto colombiano de Ca\u00f1o Lim\u00f3n-Cove\u00f1as, de propriedade mista colombiana-americana&#8221;. [19]<\/p>\n<p>No entanto, a aten\u00e7\u00e3o para os setores mais pobres das sociedades latino-americanas, com alternativas que freiem os incentivos dos neg\u00f3cios das drogas, resultam limitadas. &#8220;Quando se negligencia os aspectos do desenvolvimento, priorizando os da seguran\u00e7a, perpetua-se uma situa\u00e7\u00e3o que favorece a expans\u00e3o do cultivo de coca e o fornecimento constante de mat\u00e9ria-prima para a elabora\u00e7\u00e3o da coca\u00edna&#8221;. [20]<\/p>\n<p>Definitivamente, na pol\u00edtica externa dos EUA repercutem as problem\u00e1ticas internas e, em um contexto de crise, o dinheiro \u00e9\u00a0canalizado para os setores que podem gerar demandas maiores. Este fen\u00f4meno de depend\u00eancia das decis\u00f5es da pol\u00edtica externa das situa\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas deve-se a que &#8220;(&#8230;) o papel relativamente aut\u00f4nomo do sistema pol\u00edtico interno, \u00e0s vezes \u00e9 decisivo no desenvolvimento de uma pol\u00edtica estrangeira determinada, e em qualquer an\u00e1lise relativamente s\u00e9ria deve ser tomado em conta &#8220;. [21] Por estas raz\u00f5es, embora n\u00e3o seja objeto do presente artigo, a crise econ\u00f4mica que continua a afetar os Estados Unidos deve ser considerada a todo momento para se entender o contexto de muitas decis\u00f5es tomadas em pol\u00edtica externa, e a pol\u00edtica de drogas n\u00e3o \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma manifesta\u00e7\u00e3o do duplo padr\u00e3o da diplomacia contra as drogas travada pelos EUA constituiu a escandalosa Opera\u00e7\u00e3o Velozes e Furiosos, mediante a qual este governo forneceu armas para narcotraficantes. Esta opera\u00e7\u00e3o mostrou como que, mediante a cruzada anti-drogas dos EUA, incentiva-se a venda de armas, ao passo em que se aumenta o car\u00e1ter beligerante dos cart\u00e9is, com efeitos incalcul\u00e1veis para a viol\u00eancia e a inseguran\u00e7a na Am\u00e9rica Latina. &#8220;Uma investiga\u00e7\u00e3o do Departamento de Justi\u00e7a dos EUA determinou hoje (19 de setembro de 2012) que houve \u2018falhas graves\u2019 na opera\u00e7\u00e3o secreta \u2018Velozes e Furiosos\u2019, que permitiu o contrabando de cerca de 2.000 armas para o M\u00e9xico em 2009, mas absolveu o procurador-geral, Eric Holder &#8220;. [22]<\/p>\n<p>Apesar do desprest\u00edgio internacional que significou o desmascaramento de uma tal opera\u00e7\u00e3o frente \u00e0\u00a0opini\u00e3o p\u00fablica, o Congresso e o Departamento de Justi\u00e7a\u00a0 reconheceram a Opera\u00e7\u00e3o Velozes e Furiosos como um fracasso e n\u00e3o como um erro, concluindo o processo judicial com penas disciplinares e n\u00e3o penais (criminais). &#8220;A esperada an\u00e1lise do inspetor-geral do Departamento de Justi\u00e7a, Michael Horowitz, recomenda a\u00e7\u00f5es disciplinares \u2013 mas n\u00e3o penais &#8211; contra 14 funcion\u00e1rios da Secretaria para Controle de \u00c1lcool, Tabaco e Armas de Fogo (ATF, em Ingl\u00eas)&#8221; [23].<\/p>\n<p>O destino e as mortes que venham a causar as armas da Opera\u00e7\u00e3o Velozes e Furiosos s\u00e3o imprevis\u00edveis. Sobre o ocorrido, n\u00e3o foram dados todos os elementos ao governo do M\u00e9xico, nem se levou em conta os grandes perigos \u00a0ocasionados \u00e0 sociedade civil. Definitivamente, os m\u00e9todos da guerra contra as drogas est\u00e1 longe de proporcionar a paz e a seguran\u00e7a na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia militarizada da guerra contra os cart\u00e9is<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia militarizada da guerra contra os cart\u00e9is tem levado a resultados prejudiciais para a seguran\u00e7a interna, para a corrup\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-institucional e para a governan\u00e7a. No Relat\u00f3rio sobre drogas 2011, emitido pelo Departamento de Estado dos EUA, qualificou-se a Argentina\u00a0 como o segundo mercado de drogas na Am\u00e9rica do Sul. Este aumento coincidiu com o crescimento das exporta\u00e7\u00f5es para a Europa Ocidental e Central atrav\u00e9s de pa\u00edses da \u00c1frica Ocidental, que servem como corredores (rotas) de coca\u00edna. Sem negar a prolifera\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio das drogas no Cone Sul nos \u00faltimos anos, resulta um tanto sobredimensionada a vis\u00e3o dos EUA a respeito do problema, o que mostre um alerta para onde podem vir a estender as estrat\u00e9gias pol\u00edticas e militares no futuro.<\/p>\n<p>No contexto atual das rela\u00e7\u00f5es internacionais, os EUA t\u00eam defendido uma militariza\u00e7\u00e3o geral da sua proje\u00e7\u00e3o exterior. Neste sentido, os esfor\u00e7os para combater a droga se militarizam. As consequ\u00eancias desta militariza\u00e7\u00e3o no combate aos cart\u00e9is da droga na Am\u00e9rica Latina t\u00eam levado \u00e0 intensifica\u00e7\u00e3o dos conflitos sociais nos pa\u00edses em causa. As din\u00e2micas pol\u00edtico-diplom\u00e1ticas dos pa\u00edses mais afetados pelo flagelo da droga s\u00e3o influenciadas por elementos de seguran\u00e7a que devem ser priorizados, dadas as terr\u00edveis consequ\u00eancias da guerra contra os cart\u00e9is.<\/p>\n<p>No momento, n\u00e3o se observam inten\u00e7\u00f5es pol\u00edticas ou econ\u00f4micas nos setores dirigentes dos EUA que se vinculam \u00e0\u00a0necessidade de reduzir o incentivo ao com\u00e9rcio de drogas na regi\u00e3o, o que se reflete na car\u00eancia de mudan\u00e7as substanciais nos objetivos e estrat\u00e9gias j\u00e1 definidos. Na realidade, h\u00e1 fatores pol\u00edticos e econ\u00f4micos que n\u00e3o permitem uma solu\u00e7\u00e3o definitiva para o problema. H\u00e1 fartas provas do crescente envolvimento da Ag\u00eancia Central de Intelig\u00eancia (CIA), e sua responsabilidade no com\u00e9rcio ilegal de drogas, especialmente nas zonas onde se implantam as for\u00e7as militares dos Estados Unidos (sejam estatais ou privadas).<\/p>\n<p>Para empresas como Chase Manhattan Bank (propriet\u00e1rios da rede de televis\u00e3o ABC); General Electric (propriet\u00e1ria da NBC); Brown Brothers Harrimen (da CBS); ter cerca de 10 milh\u00f5es de lucros l\u00edquidos adicionais derivados dos neg\u00f3cios das drogas, suporia o aumento do valor das a\u00e7\u00f5es na bolsa em 300 milh\u00f5es de euros; o que problematiza a situa\u00e7\u00e3o, porque essas empresas possuem o controle das principais redes de televis\u00e3o dos EUA. Neste sentido, \u00e9 dif\u00edcil de acreditar que iriam apresentar not\u00edcias que\u00a0 prejudicariam sua cotiza\u00e7\u00e3o na bolsa. [24]<\/p>\n<p>Os graves perigos que se apresentam \u00a0a n\u00edvel mundial, e para a regi\u00e3o da Am\u00e9rica Latina em particular, mostram a necessidade urgente de vincular e sensibilizar os setores mais afetados da sociedade a respeito das graves conseq\u00fc\u00eancias disto. O incremento dos efetivos militares e a penetra\u00e7\u00e3o de for\u00e7as militares estrangeiras, bem como de espionagem, sob o pretexto da luta contra o &#8220;tr\u00e1fico&#8221; nesses pa\u00edses, resulta em elemento crucial para a compreens\u00e3o desta problem\u00e1tica.<\/p>\n<p>Um exemplo claro da crescente militariza\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o das demandas ao Complexo Industrial de Seguran\u00e7a foi revelado pelo jornal The New York Times, que afirmou: &#8220;a ag\u00eancia anti-drogas dos EUA tem cinco comandos [25] operativos que levam a cabo miss\u00f5es secretas em pa\u00edses da Am\u00e9rica Central, Am\u00e9rica do Sul e Caribe. (&#8230;) Esse pequeno ex\u00e9rcito de opera\u00e7\u00f5es especiais criado h\u00e1 seis anos para combater o cultivo de \u00f3pio pelos talib\u00e3s, no Afeganist\u00e3o, foi transferido com autoriza\u00e7\u00e3o da Casa Branca &#8220;. [26]<\/p>\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o revela uma vis\u00e3o muito mais ampla e perigosa sobre a realidade trazida pela pol\u00edtica externa e de seguran\u00e7a dos EUA para consolidar sua hegemonia em n\u00edvel global.<\/p>\n<p>Conclus\u00f5es<\/p>\n<p>O governo dos EUA teve que ir reestruturando a sua pol\u00edtica no Departamento de Estado e de Defesa devido a um contexto hist\u00f3rico concreto que reivindicou a adequa\u00e7\u00e3o das diferentes inst\u00e2ncias e ag\u00eancias governamentais aos interesses atuais dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>O uso do smart power surge como a arte de combinar o poder suave e o poder duro para a consolida\u00e7\u00e3o de seus interesses a n\u00edvel global. Neste sentido,\u00a0 trabalha-se em \u00e1reas que melhorem a credibilidade e a legitimidade do governo dos EUA, em um per\u00edodo atormentado pela crise econ\u00f4mica global e pela agudiza\u00e7\u00e3o da inseguran\u00e7a dom\u00e9stica. Para fazer isso, n\u00e3o basta somente fazer uso dos aparatos estatais, mas ter um envolvimento crescente com empresas contratantes e ONGs, buscando uma maior credibilidade dos programas implementados.<\/p>\n<p>A necessidade de consolida\u00e7\u00e3o da hegemonia e da lideran\u00e7a internacional, em um momento onde a crise multidimensional do sistema mundo &#8211; nos dizeres de Wallerstein &#8211; atingiu n\u00edveis em que n\u00e3o apenas a periferia, mas tamb\u00e9m o centro, s\u00e3o afetado por esta situa\u00e7\u00e3o; o governo dos Estados Unidos teve que fazer mudan\u00e7as em suas pol\u00edticas, a fim de proteger e recuperar os espa\u00e7os perdidos.<\/p>\n<p>Esta reestrutura\u00e7\u00e3o tem sido expressa nas mudan\u00e7as realizadas, n\u00e3o apenas de figuras que comandavam os fios pol\u00edtico-diplom\u00e1ticos e militares do governo, mas tamb\u00e9m das estruturas departamentais que existiam anteriormente. Al\u00e9m disso, houve um trabalho s\u00e9rio, com uso do poder informacional que se desenvolve nas \u00e1reas de inova\u00e7\u00e3o e de novas tecnologias da informa\u00e7\u00e3o e da comunica\u00e7\u00e3o (TIC), colocadas em fun\u00e7\u00e3o da chamada Diplomacia Transformacional.<\/p>\n<p>Neste sentido, ag\u00eancias como a USAID foram objetos de reformas importantes, buscando obter um maior impacto nas \u00e1reas de interesse. Para isso se focaram no trabalho com setores vulner\u00e1veis da sociedade, a fim de aumentar as diferen\u00e7as e obter novos aliados para, conscientemente ou n\u00e3o, apoiar a sustenta\u00e7\u00e3o de sua hegemonia em regi\u00f5es-chave como a Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Nestas pol\u00edticas, h\u00e1\u00a0elementos conceituais a serem reconsiderados pela sua efetividade para a manipula\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica, a partir de estrat\u00e9gias que possuem como foco os temas da agenda nacional de seguran\u00e7a, problemas que se desatam em outras regi\u00f5es do mundo. Seguindo esses prop\u00f3sitos, n\u00e3o basta a valida\u00e7\u00e3o de interesses econ\u00f4micos, mas tamb\u00e9m merecem difus\u00e3o e influ\u00eancia os valores democr\u00e1ticos, pol\u00edticos e institucionais que s\u00e3o emitidos por Washington como padr\u00f5es de governan\u00e7a global, para al\u00e9m das alteridades existentes e das diferentes latitudes em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Neste aspecto, deve-se reconsiderar aqueles problemas globais que se definem como amea\u00e7as \u00e0\u00a0seguran\u00e7a e \u00e0\u00a0paz internacionais e que possuem uma incid\u00eancia sobre as estrat\u00e9gias delineadas pelo Departamento de Estado e de Defesa, para a pol\u00edtica externa e de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Amea\u00e7as como o terrorismo, tr\u00e1fico il\u00edcito de drogas, a guerra cibern\u00e9tica, a inseguran\u00e7a na inform\u00e1tica, viola\u00e7\u00f5es dos Direitos Humanos, entre outros, s\u00e3o muitas vezes atra\u00eddos para a agenda nacional, como objetivos de seguran\u00e7a nacional, para a domina\u00e7\u00e3o das zonas de interesse geoestrat\u00e9gico.<\/p>\n<p>Isso tem exigido mudan\u00e7as a n\u00edvel doutrinal e estrutural na forma\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica externa dos EUA, o que levou a reformas importantes no governo, que se ajustam \u00e0s circunst\u00e2ncias internacionais e dom\u00e9sticas e ao que prev\u00eaem do que pode suceder no cen\u00e1rio internacional . Estas reformas repercutem nos objetivos nacionais deste pa\u00eds, no interesse de manter a lideran\u00e7a global.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica externa e de seguran\u00e7a d os EUA continuou a promover a instala\u00e7\u00e3o de bases militares, seguidas pela reativa\u00e7\u00e3o da Quarta Frota e o fortalecimento do Comando Sul. No campo informacional, t\u00eam sido aperfei\u00e7oadas as campanhas de domina\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica, incentivado os planos desestabilizadores contra governos contestadores, tal como os da Venezuela, Bol\u00edvia e Equador.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, ag\u00eancias como a USAID e a NED aumentaram a sua cota de influ\u00eancia e desestabiliza\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o. O golpe de Estado em Honduras, a tentativa golpista contra Rafael Correa e as campanhas contra a Revolu\u00e7\u00e3o Bolivariana e da ALBA-TCP, s\u00e3o express\u00e3o disso. Al\u00e9m do mais, as pol\u00edticas separatistas continuam a debilitar o processo de integra\u00e7\u00e3o, com a\u00e7\u00f5es que pretendem aumentar as contradi\u00e7\u00f5es hist\u00f3rico-pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Evidentemente, a perman\u00eancia de processos contestat\u00f3rios ao regime imperial e a ascens\u00e3o do Brasil como pot\u00eancia emergente t\u00eam sido temas de preocupa\u00e7\u00e3o que, juntamente com os recursos energ\u00e9ticos dispon\u00edveis para a regi\u00e3o, est\u00e3o inclu\u00eddos entre os interesses da pol\u00edtica externa dos EUA no tocante ao Hemisf\u00e9rio Ocidental.<\/p>\n<p>Nesses projetos, a figura de Obama tem sido apoiada por setores importantes das elites de poder, tal como a Comiss\u00e3o Trilateral, a Funda\u00e7\u00e3o Ford, o Conselho de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, o Centro de Estudos Estrat\u00e9gicos Internacionais, o setor de intelig\u00eancia e o complexo industrial de seguran\u00e7a. Obama tamb\u00e9m se beneficiou do apoio de figuras dos\u00a0thinking tanks, como Zbigniew Brzezinski, Joseph Nye, George Soros, Henry Kissinger, Madeleine Albright, Carla Hill, Sam Nunn, entre outros.<\/p>\n<p>Ainda em novembro de 2007, Obama dissera: &#8220;(&#8230;) Se eu me tornar a face vis\u00edvel da pol\u00edtica externa e do poder nos EUA, vou tomar decis\u00f5es estrat\u00e9gicas com prud\u00eancia e lidarei com a crise, emerg\u00eancias e oportunidades no mundo, de maneira s\u00f3bria e inteligente &#8220;. [27]<\/p>\n<p>Mais tarde, a Estrat\u00e9gia Nacional de Seguran\u00e7a dos EUA afirmou:. &#8220;N\u00f3s trabalhamos, em uma alian\u00e7a de iguais, para fazer avan\u00e7ar a democracia e a inclus\u00e3o social, garantir tranquilidade dom\u00e9stica e a seguran\u00e7a, promover a energia limpa e defender os valores universais dos povos do hemisf\u00e9rio&#8221; [28]<\/p>\n<p>Ainda detalhou que, para a regi\u00e3o, &#8220;os Estados Unidos v\u00e3o continuar a trabalhar para alcan\u00e7ar um hemisf\u00e9rio ocidental seguro e democr\u00e1tico, atrav\u00e9s do desenvolvimento de defesa regional e colabora\u00e7\u00e3o contra as amea\u00e7as internas e transnacionais, tal como as organiza\u00e7\u00f5es narcoterroristas, o tr\u00e1fico il\u00edcito e a pobreza social .&#8221; [29].<\/p>\n<p>Neste sentido, o smart power tem sido um grande parceiro para a promo\u00e7\u00e3o de id\u00e9ias e valores nas TICs , espa\u00e7o onde Obama tem atuado com grande \u00eaxito, reconhecendo o impacto dessas pol\u00edticas sobre as rela\u00e7\u00f5es internacionais, bem como sua efic\u00e1cia para manipular as matrizes de opini\u00e3o p\u00fablica e a atra\u00e7\u00e3o de setores tradicionalmente &#8220;ap\u00e1ticos&#8221; \u00e0 participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>No atual contexto internacional, aproveita-se a interatividade das plataformas digitais para interagir a partir de novos c\u00f3digos de comunica\u00e7\u00e3o, com\u00a0 atores internacionais que emergem com for\u00e7a, como o Brasil, fazendo um trabalho detalhado com a sociedade civil da regi\u00e3o, concentrando-se nos setores mais vulner\u00e1veis. Neste sentido, se potencializa a media\u00e7\u00e3o aos processos pol\u00edticos mais progressistas na Am\u00e9rica Latina, atrav\u00e9s dos grandes meios de comunica\u00e7\u00e3o e das TICs.<\/p>\n<p>No entanto, n\u00e3o se descarta o uso do poder duro, sempre com a combina\u00e7\u00e3o das ferramentas pol\u00edtico-diplom\u00e1ticas e informacionais, para justificar as pol\u00edticas imperiais, convocando para esses empreendimentos outras pot\u00eancias centrais, a fim de coletivizar os interesses da pol\u00edtica exterior e de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Em documentos orientadores, como a Estrat\u00e9gia de Seguran\u00e7a Nacional de 2010, o Informe Quadrienal de Diplomacia e Desenvolvimento, as Diretrizes da USAID 2011-2015 e o PPD 16, \u00a0confirma-se o trabalho com o poder civil, implementado a partir do smart power e os Tr\u00eas D. No Relat\u00f3rio de Revis\u00e3o Quadrienal de Defesa 2010, destaca-se: &#8220;Nossa postura defensiva no Hemisf\u00e9rio se apoiar\u00e1 nas capacidades inter-ag\u00eancias associadas para combater aspectos cr\u00edticos, incluindo o controle do tr\u00e1fico il\u00edcito (&#8230;)&#8221; [30]<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, continuam as estrat\u00e9gias anteriores destinadas ao fortalecimento do Estado de direito, da conviv\u00eancia democr\u00e1tica, fortalecendo estados falidos, a institucionalidade, a governabilidade, a liberdade de associa\u00e7\u00e3o e de express\u00e3o, os Direitos Humanos e a seguran\u00e7a interna e humana; esta \u00faltima foi recentemente estendida ao termo \u00a0de seguran\u00e7a civil, para a qual se criou uma vice-secretaria no Departamento de Estado.<\/p>\n<p>A diplomacia prioriza o trabalho com as ag\u00eancias governamentais \u00a0e novos atores, empresas, ONGs, grupos religiosos e outros setores privados de influ\u00eancia internacional, onde desempenham uma participa\u00e7\u00e3o crescente as companhias privadas de seguran\u00e7a e outros servi\u00e7os internacionais.<\/p>\n<p>Nesta din\u00e2mica, adequa-se a diplomacia aos novos tempos, identificando-se oportunidades de influ\u00eancia econ\u00f4mica, pol\u00edtica, diplom\u00e1tica e militar, para atender os problemas de seguran\u00e7a, desenvolvimento econ\u00f4mico e estabilidade pol\u00edtica. \u00a0Entre os desafios que se destacam para a sua hegemonia, desempenham um car\u00e1ter central na Am\u00e9rica Latina a seguran\u00e7a dom\u00e9stica, os direitos humanos, tr\u00e1fico internacional de drogas (TID) e outros delitos conexos.<\/p>\n<p>No que diz respeito ao desenvolvimento, procura-se os neg\u00f3cios com empres\u00e1rios e transnacionais, promovendo rela\u00e7\u00f5es de mercado, lucros de empresas transnacionais e afins e dos TLC. Al\u00e9m disso, incentiva-se o desenvolvimento de inova\u00e7\u00e3o nas esferas cient\u00edficas e tecnol\u00f3gicas (economia do conhecimento). Outro item de particular interesse dos EUA na regi\u00e3o \u00e9 o controle dos recursos naturais. Para isso priorizam territ\u00f3rios como a Amaz\u00f4nia, para controlar recursos estrat\u00e9gicos.<\/p>\n<p>Como parte da consolida\u00e7\u00e3o da sua lideran\u00e7a na regi\u00e3o, incentivam contradi\u00e7\u00f5es internas que prejudicam os projetos de integra\u00e7\u00e3o regional, a fim de fortalecer a depend\u00eancia comercial e financeira, procurando mitigar a consolida\u00e7\u00e3o de atores extra-regionais de import\u00e2ncia (a China e a UE).<\/p>\n<p>Finalmente, pode-se considerar que os EUA fazerm uso do smart power e dos Tr\u00eas D para implementar de forma mais consensual pol\u00edticas de domina\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica, econ\u00f4mica, diplom\u00e1tica e militar, a fim de consolidar e perpetuar a sua hegemonia na Am\u00e9rica Latina. Como parte dessa estrat\u00e9gia de domina\u00e7\u00e3o, utiliza-se do flagelo do tr\u00e1fico de drogas na regi\u00e3o como justificativa para a penetra\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-diplom\u00e1tica e militar, sob a cortina de fuma\u00e7a da chamada guerra contra as drogas.<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>[1] \u201cEl camino para comprender el poder de la minor\u00eda norteamericana no est\u00e1 \u00fanicamente en reconocer la escala hist\u00f3rica de los acontecimientos ni en aceptar la opini\u00f3n personal expuesta por individuos indudablemente decisivos. Detr\u00e1s de estos hombres y detr\u00e1s de los acontecimientos de la historia, enlazando ambas cosas, est\u00e1n las grandes instituciones de la sociedad moderna. Esas jerarqu\u00edas del Estado, de las empresas econ\u00f3micas y del ej\u00e9rcito constituyen los medios del poder; como tales, tienen actualmente una importancia nunca igualada antes en la historia humana, y en sus cimas se encuentran ahora los puestos de mando de la sociedad moderna que nos ofrecen la clave sociol\u00f3gica para comprender el papel de los c\u00edrculos sociales m\u00e1s elevados en los Estados Unidos.\u201d Em: Charles Wright Mills. La elite del poder. Fondo de Cultura Econ\u00f3mica, M\u00e9xico, (e.o., 1956\/1987), p.12.<\/p>\n<p>[2] Soraya Castro Mari\u00f1o. El sistema pol\u00edtico y el proceso de conformaci\u00f3n de la pol\u00edtica exterior. in: El proceso de conformaci\u00f3n de la pol\u00edtica exterior de los Estados Unidos, 1998, p, 13.\u00a0In: <a href=\"http:\/\/www.uh.cu\/centros\/ceseu\/BT%20-%20Estados%20Unidos%20y%20los%20Procesos%20Sociopol%EDticos\/ISC07.pdf\" target=\"_blank\">http:\/\/www.uh.cu\/centros\/ceseu\/BT%20-%20Estados%20Unidos%20y%20los%20Procesos%20Sociopol%EDticos\/ISC07.pdf <\/a><\/p>\n<p>[3] Jorge Luis Acanda. 2002. Sociedad Civil y Hegemon\u00eda. La Habana: Centro de Investigaci\u00f3n y Desarrollo de la Cultura Cuba \u201cJuan Marinello\u201d. pp.251<\/p>\n<p>[4] Assume-se este conceito por ser mais abrangente que o de \u201cComplexo Militar Industrial\u201d, que alude a aspectos estritamente militares, ao passo que \u201cInd\u00fastria da Seguran\u00e7a\u201d \u00e9 mais amplo.<\/p>\n<p>[5] Ver: Michel Foucault. Microf\u00edsica del poder. Madrid, 2\u00aa edici\u00f3n de las Ediciones de la Piqueta, 1979. Y Foucault, Michel. Un di\u00e1logo sobre el poder. Espa\u00f1a, Madrid, Editorial Alianza (Alianza Editorial, s.a.) 1995.<\/p>\n<p>[6] Bel\u00e9n Boville Luca de Tena: La Diplomacia de las drogas en las relaciones Estados Unidos- Am\u00e9rica Latina. En Di\u00e1logo. 2007, No.10 Center for Latino Research, p.28.<\/p>\n<p>[7] Hans Morgenthau. \u201cPOL\u00cdTICA ENTRE LAS NACIONES\u201d. La lucha por el poder y la paz. Grupo Editor Latinoamericano, GEL, Sexta edici\u00f3n revisada por Kenneth W.Thompson, Buenos Aires, 1992.<\/p>\n<p>[8] Mat\u00edas Marini: La dimensi\u00f3n comunicativa del poder en las relaciones internacionales. In: <a href=\"http:\/\/www.diplomacia-publica.org\/?p=16\" target=\"_blank\">http:\/\/www.diplomacia-publica.org\/?p=16 <\/a><\/p>\n<p>[9] O italiano Alberto Bruzzone (2005), enxerga a diplomacia p\u00fablica tanto para atividades culturais, como de informa\u00e7\u00e3o e de propaganda internacional. &#8220;A pol\u00edtica p\u00fablica coordenada a partir de um governo que diversifica seu papel atrav\u00e9s dos agentes privados. Promove-se o interesse nacional do pa\u00eds para melhorar a sua percep\u00e7\u00e3o externa; seu destinat\u00e1rio \u00e9 a opini\u00e3o p\u00fablica das na\u00e7\u00f5es estrangeiras que fazem parte de um grupo seleto para os interesses do Estado emissor. Al\u00e9m disso, essa diplomacia tende a estabelecer e melhorar o di\u00e1logo entre os cidad\u00e3os de dois ou mais pa\u00edses.&#8221;<\/p>\n<p>[10] Hans Morgenthau. Pol\u00edtica entre las naciones. La lucha por el poder y la paz. Grupo Editor Latinoamericano, GEL, Sexta edici\u00f3n revisada por Kenneth W.Thompson, Buenos Aires, 1992.<\/p>\n<p>[11] Soraya Castro Mari\u00f1o. Las relaciones entre Cuba y los Estados Unidos despu\u00e9s de la invasi\u00f3n a Iraq. In: Los EE.UU. a la luz del siglo XXI. La Habana, Editorial de Ciencias Sociales, 2008, p.435.<\/p>\n<p>[12] Bel\u00e9n Boville Luca de Tena: La Diplomacia de las drogas en las relaciones Estados Unidos- Am\u00e9rica Latina. In Di\u00e1logo. 2007, No.10 Center for Latino Research, p.24.<\/p>\n<p>[13] Drogas: assume-se o conceito da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS), que \u00e9\u00a0definido como qualquer subst\u00e2ncia que, quando introduzidos no corpo atrav\u00e9s de qualquer via de administra\u00e7\u00e3o, produz, de algum modo, qualquer altera\u00e7\u00e3o no funcionamento do sistema nervoso central do indiv\u00edduo, e tamb\u00e9m \u00e9 suscet\u00edvel de criar depend\u00eancia psicol\u00f3gica, f\u00edsica ou ambas. Ver: <a href=\"http:\/\/www.drogas.cl\/drogas_detail.htm\" target=\"_blank\">http:\/\/www.drogas.cl\/drogas_detail.htm <\/a><\/p>\n<p>[14] Roberto Gonz\u00e1lez G\u00f3mez. Teor\u00eda de la pol\u00edtica Internacional (1\u00aa\u00a0 Parte). Folleto, Universidad de La Habana, Facultad de Filosof\u00eda e Historia, sf, p.22.<\/p>\n<p>[15] David Brooks. Las fallidas consecuencias de la lucha contra el narco.\u00a0In: <a href=\"http:\/\/www.cubadebate.cu\/opinion\/2012\/05\/14\/las-fallidas-consecuencias-de-la-lucha-contra-el-narco\" target=\"_blank\">http:\/\/www.cubadebate.cu\/opinion\/2012\/05\/14\/las-fallidas-consecuencias-de-la-lucha-contra-el-narco <\/a><\/p>\n<p>[16] O com\u00e9rcio il\u00edcito de drogas \u00e9\u00a0uma ind\u00fastria ilegal mundial que consiste no cultivo, produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e venda de drogas ilegais, operando de forma semelhante a outros mercados subterr\u00e2neas que se produz globalmente. O produto final atinge um alto valor no mercado negro. A depend\u00eancia de drogas acarreta importantes conseq\u00fc\u00eancias sociais: \u00a0crime, viol\u00eancia, corrup\u00e7\u00e3o, marginaliza\u00e7\u00e3o. Portanto, a maioria dos pa\u00edses ao redor do mundo pro\u00edbem a produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e venda dessas subst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>[17] Ver: Word Drug Report de 2011. In: <a href=\"http:\/\/www.unodc.org\/documents\/southerncone\/Topics_drugs\/WDR\/2011\/Executive_Summary_-_Espanol.pdf\" target=\"_blank\">http:\/\/www.unodc.org\/documents\/southerncone\/\/Topics_drugs\/WDR\/2011\/Executive_Summary_-_Espanol.pdf <\/a>.\u00a0Otras Instituciones y autores reflejan crifras superiores que oscilan desde 400 mil a 700 mil millones de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>[18] Daniel Estulin. Los secretos del Club de Bilderberg.\u00a0In: <a href=\"http:\/\/www.apitox.es\/docs\/Los_Secretos_Del_Club_Bilderberg.pdf\" target=\"_blank\">http:\/\/www.apitox.es\/docs\/Los_Secretos_Del_Club_Bilderberg.pdf <\/a><\/p>\n<p>[19] Bel\u00e9n Boville Luca de Tena: La Diplomacia de las drogas en las relaciones Estados Unidos- Am\u00e9rica Latina. In Di\u00e1logo. 2007, No.10 Center for Latino Research, p.28.<\/p>\n<p>[20] Bel\u00e9n Boville Luca de Tena: La Diplomacia de las drogas en las relaciones Estados Unidos- Am\u00e9rica Latina. In Di\u00e1logo. 2007, No.10 Center for Latino Research, p.29.<\/p>\n<p>[21] Gonz\u00e1lez G\u00f3mez, Roberto. Ob;cit, p.25.<\/p>\n<p>[22] Informe revela &#8220;graves fallos&#8221; de &#8220;R\u00e1pido y Furioso&#8221; y exime a Eric Holder.\u00a0In: <a href=\"http:\/\/efe.vistasemanal.com\/25_inmigracion-e-hispanos\/1751219_informe-revela-graves-fallos-de-rapido-y-furioso-y-exime-a-eric-holder.html\" target=\"_blank\">http:\/\/efe.vistasemanal.com\/25_inmigracion-e-hispanos\/1751219_informe-revela-graves-fallos-de-rapido-y-furioso-y-exime-a-eric-holder.html <\/a><\/p>\n<p>[23] Idem<\/p>\n<p>[24] Daniel Estulin. \u201cLos secretos del Club de Bindelberg.\u00a0En documento Word P\u00e1g. In: <a href=\"http:\/\/www.apitox.es\/docs\/Los_Secretos_Del_Club_Bilderberg.pdf\" target=\"_blank\">www.apitox.es\/docs\/Los_Secretos_Del_Club_Bilderberg.pdf <\/a><\/p>\n<p>[25] Foi o ex-presidente George W. Bush que criou os cinco comandos secretos sob o nome de Equipe de Apoio e Assessoramento de Desenvolvimento Estrangeiro (FAST, na sua sigla em Ingl\u00eas). Cada esquadr\u00e3o conta com 10 soldados (&#8230;) o atual presidente Barack Obama \u00a0autorizou, ap\u00f3s chegar ao poder, em 2009, a implanta\u00e7\u00e3o dessas cinco esquadr\u00f5es da DEA na Am\u00e9rica Latina, al\u00e9m das \u00e1reas de cultivo de \u00f3pio no Afeganist\u00e3o. A Casa Branca admitiu abertamente esta mudan\u00e7a nas opera\u00e7\u00f5es. O treinamento e os equipamentos dos soldados fica a cargo do Pent\u00e1gono.<\/p>\n<p>[26] EE UU tiene cinco comandos antidroga operativos en Latinoam\u00e9rica.\u00a0In: <a href=\"http:\/\/internacional.elpais.com\/internacional\/2011\/11\/08\/actualidad\/1320728173_644511.html\" target=\"_blank\">http:\/\/internacional.elpais.com\/internacional\/2011\/11\/08\/actualidad\/1320728173_644511.html <\/a><\/p>\n<p>[27] Barack Obama.\u00a0New York Times, 4 de noviembre de 2007.<\/p>\n<p>[28] Estrategia de seguridad nacional estados unidos 2010.<\/p>\n<p>[29] Reporte de Revisi\u00f3n Cuadrienal de Defensa 2010.<\/p>\n<p>[30] Reporte de Revisi\u00f3n Cuadrienal de Defensa 2010.<\/p>\n<p>Bibliografia<\/p>\n<p>Aron, Raymond. Pensar la guerra, Instituto de Publicaciones Navales, Buenos Aires, 1988.<\/p>\n<p>Aron, Raymond. EE.UU. como Rep\u00fablica Mundial. Sistema pol\u00edtico de origen republicano.<\/p>\n<p>Alzugaray Treto, Carlos. De la Fruta Madura a la Ley Helms-Burton: Auge, decadencia y fracaso de la pol\u00edtica imperialista de EE.UU. hacia Cuba. Editorial Universitaria de Panam\u00e1, 1997.<\/p>\n<p>Boville Luca de Tena, Bel\u00e9n La Diplomacia de las drogas en las relaciones Estados Unidos- Am\u00e9rica Latina. En: Di\u00e1logo. 2007, No.10 Center for Latino Research.<\/p>\n<p>Ben\u00edtez, Horacio: Globalizaci\u00f3n, hegemon\u00eda imperialista y guerra asim\u00e9trica.\u00a0In: <a href=\"http:\/\/www.rebelion.org\/\" target=\"_blank\">www.rebelion.org <\/a>y en: <a href=\"http:\/\/www.elzenzontle.org\/boletin\/globalizacionHegemoniaGuerra.html\" target=\"_blank\">http:\/\/www.elzenzontle.org\/boletin\/globalizacionHegemoniaGuerra.html <\/a><\/p>\n<p>Castro Mari\u00f1o, Soraya.An\u00e1lisis de la codificaci\u00f3n del bloqueo econ\u00f3mico, comercial y financiero a la Rep\u00fablica de Cuba por la ley Helms-Burton. Centro de Estudios Sobre Estados Unidos, Universidad de La Habana Abril 1999.<\/p>\n<p>Castro Mari\u00f1o, Soraya: &#8220;Papel y lugar de la Rama Judicial en el Sistema Pol\u00edtico de Estados Unidos&#8221;, Mecanografiado, CESEU, Universidad de La Habana, Mayo 1990.<\/p>\n<p>Castro Mari\u00f1o, Soraya: El sistema pol\u00edtico y el proceso de conformaci\u00f3n de la pol\u00edtica exterior. en: El proceso de conformaci\u00f3n de la pol\u00edtica exterior de los Estados Unidos, Universidad de La Habana, 1998, p. 13.\u00a0In:<a href=\"http:\/\/www.uh.cu\/centros\/ceseu\/BT%20-%20Estados%20Unidos%20y%20los%20Procesos%20Sociopol%EDticos\/ISC07.pdf\" target=\"_blank\">http:\/\/www.uh.cu\/centros\/ceseu\/BT%20-%20Estados%20Unidos%20y%20los%20Procesos%20Sociopol%EDticos\/ISC07.pdf <\/a><\/p>\n<p>Castro Mari\u00f1o, Soraya. Las relaciones entre Cuba y los Estados Unidos despu\u00e9s de la invasi\u00f3n a Iraq. In: Los EE.UU. a la luz del siglo XXI. La Habana, Editorial de Ciencias Sociales, 2008, p.435.<\/p>\n<p>Cece\u00f1a, Ana Esther. Hegemon\u00eda o emancipaci\u00f3n.\u00a0In: <a href=\"http:\/\/www.poderenlared.com\/2011\/12\/09\/hegemonia-o-emancipacion-por-ana-esther-cecena\" target=\"_blank\">http:\/\/www.poderenlared.com\/2011\/12\/09\/hegemonia-o-emancipacion-por-ana-esther-cecena <\/a><\/p>\n<p>Cece\u00f1a, Ana Esther. \u00bfHegemon\u00eda o emancipaci\u00f3n?\u00a0In: <a href=\"http:\/\/www.rebelion.org\/noticia.php?id=140986\" target=\"_blank\">http:\/\/www.rebelion.org\/noticia.php?id=140986 <\/a><\/p>\n<p>Chomsky, Noam: Nuestra Peque\u00f1a Regi\u00f3n de por Aqu\u00ed: Pol\u00edtica de Seguridad de los Estados Unidos, Editorial Nueva Nicaragua, Managua, 1988; pp.143-176.<\/p>\n<p>Hartman: Introducci\u00f3n a las relaciones internacionales.<\/p>\n<p>Foucault, Michel. Microf\u00edsica del poder. Madrid, 2\u00aa\u00a0edici\u00f3n de las Ediciones de la Piqueta, 1979.<\/p>\n<p>Foucault, Michel. Un di\u00e1logo sobre el poder. Espa\u00f1a, Madrid, Editorial Alianza (Alianza Editorial, s.a.) 1995.<\/p>\n<p>Mart\u00ednez Hern\u00e1ndez, Jorge: Seguridad Nacional y Pol\u00edtica Latinoamericana de Estados Unidos, CESEU, Universidad de La Habana, 1989.<\/p>\n<p>Hern\u00e1ndez Mart\u00ednez, Jorge. EE.UU. a la luz del siglo XXI. La Habana, Editorial de Ciencias Sociales, 2008.<\/p>\n<p>Morgenthau, Hans. Pol\u00edtica entre las naciones. La lucha por el poder y la paz. Grupo Editor Latinoamericano, GEL, Sexta edici\u00f3n revisada por Kenneth W.Thompson, Buenos Aires, 1992.<\/p>\n<p>Jack Plano y Roy Olton.\u00a0Diccionario de Relaciones Internacionales. M\u00e9xico: Editorial Limusa, 1975<\/p>\n<p>Gonz\u00e1lez G\u00f3mez, Roberto. Teor\u00eda de las Relaciones Pol\u00edticas Internacionales. La Habana, Editorial Pueblo y Educaci\u00f3n, 1990.<\/p>\n<p>V\u00e1squez,John A. Relaciones Internacionales: el pensamiento de los cl\u00e1sicos. M\u00e9xico: Editorial Limusa, 1994.<\/p>\n<p>La internacionalizaci\u00f3n del capital y sus fronteras tecnol\u00f3gicas, M\u00e9xico, Ediciones El Caballito, 1995. Coordinadora.<\/p>\n<p>Vald\u00e9s Guti\u00e9rrez, Gilberto. &#8220;La hegemon\u00eda como desaf\u00edo. Los nuevos gobiernos y el movimiento social popular en Am\u00e9rica Latina&#8221;. In: Raz\u00f3n, Utop\u00eda y Etica de la Emancipaci\u00f3n. Barcelona: Editorial Leartes. 2011<\/p>\n<p>Marini, Mat\u00edas: La dimensi\u00f3n comunicativa del poder en las relaciones internacionales. En: <a href=\"http:\/\/www.diplomacia-publica.org\/?p=16\" target=\"_blank\">http:\/\/www.diplomacia-publica.org\/?p=16 <\/a><\/p>\n<p>Nieto, Alfonso. La Diplomacia P\u00fablica: Los Medios Informativos y la Cultura como Instrumentos de Pol\u00edtica Exterior.\u00a0In: <a href=\"http:\/\/www.diplomacia-publica.org\/?s=instrumentos+del+poder+nacional\" target=\"_blank\">http:\/\/www.diplomacia-publica.org\/?s=instrumentos+del+poder+nacional <\/a><\/p>\n<p>Wright Mills, Charles. La elite delpoder.\u00a0Fondo de Cultura Econ\u00f3mica, M\u00e9xico, (e.o., 1956\/1987), p.12.<\/p>\n<p>Jorge Luis Acanda. 2002. Sociedad Civil y Hegemon\u00eda. La Habana: Centro de Investigaci\u00f3n y Desarrollo de la Cultura Cuba \u201cJuan Marinello\u201d. p. 251.<\/p>\n<p>Mat\u00edas Marini: La dimensi\u00f3n comunicativa del poder en las relaciones internacionales. En: <a href=\"http:\/\/www.diplomacia-publica.org\/?p=16\" target=\"_blank\">http:\/\/www.diplomacia-publica.org\/?p=16 <\/a><\/p>\n<p>David Brooks. Las fallidas consecuencias de la lucha contra el narco.\u00a0In: <a href=\"http:\/\/www.cubadebate.cu\/opinion\/2012\/05\/14\/las-fallidas-consecuencias-de-la-lucha-contra-el-narco\" target=\"_blank\">http:\/\/www.cubadebate.cu\/opinion\/2012\/05\/14\/las-fallidas-consecuencias-de-la-lucha-contra-el-narco <\/a><\/p>\n<p>Word Drug Report de 2011. In: <a href=\"http:\/\/www.unodc.org\/documents\/southerncone\/Topics_drugs\/WDR\/2011\/Executive_Summary_-_Espanol.pdf\" target=\"_blank\">http:\/\/www.unodc.org\/documents\/southerncone\/\/Topics_drugs\/WDR\/2011\/Executive_Summary_-_Espanol.pdf<\/a>.<\/p>\n<p>Bel\u00e9n Boville Luca de Tena: La Diplomacia de las drogas en las relaciones Estados Unidos- Am\u00e9rica Latina. En Di\u00e1logo. 2007, No.10 Center for Latino Research.<\/p>\n<p>Informe revela &#8220;graves fallos&#8221; de &#8220;R\u00e1pido y Furioso&#8221; y exime a Eric Holder.\u00a0En: <a href=\"http:\/\/efe.vistasemanal.com\/25_inmigracion-e-hispanos\/1751219_informe-revela-graves-fallos-de-rapido-y-furioso-y-exime-a-eric-holder.html\" target=\"_blank\">http:\/\/efe.vistasemanal.com\/25_inmigracion-e-hispanos\/1751219_informe-revela-graves-fallos-de-rapido-y-furioso-y-exime-a-eric-holder.html<\/a><\/p>\n<p>[1] Daniel Estulin. \u201cLos secretos del Club de Bindelberg.\u00a0En documento Word P\u00e1g. En: <a href=\"http:\/\/www.apitox.es\/docs\/Los_Secretos_Del_Club_Bilderberg.pdf\" target=\"_blank\">www.apitox.es\/docs\/Los_Secretos_Del_Club_Bilderberg.pdf <\/a><\/p>\n<p>EE UU tiene cinco comandos antidroga operativos en Latinoam\u00e9rica.\u00a0En: <a href=\"http:\/\/internacional.elpais.com\/internacional\/2011\/11\/08\/actualidad\/1320728173_644511.html\" target=\"_blank\">http:\/\/internacional.elpais.com\/internacional\/2011\/11\/08\/actualidad\/1320728173_644511.html <\/a><\/p>\n<p>Barack Obama.\u00a0New York Times, 4 de noviembre de 2007.<\/p>\n<p>Estrategia de seguridad nacional estados unidos 2010.<\/p>\n<p>Reporte de Revisi\u00f3n Cuadrienal de Defensa 2010.<\/p>\n<p>* Tradu\u00e7\u00e3o: Gustavo Ribeiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n2.bp.blogspot\n\n\n\n\n\n\n\n\nAlejandro L. Perdomo Aguilera\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3855\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-3855","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-10b","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3855","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3855"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3855\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3855"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3855"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3855"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}