{"id":389,"date":"2010-04-12T02:50:05","date_gmt":"2010-04-12T02:50:05","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=389"},"modified":"2010-04-12T02:50:05","modified_gmt":"2010-04-12T02:50:05","slug":"um-tratado-indesejavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/389","title":{"rendered":"Um tratado indesej\u00e1vel"},"content":{"rendered":"\n<p>Podemos firmar acordos semelhantes com pa\u00edses que podem comparar-se ao nosso, mas n\u00e3o com aquela rep\u00fablica. \u00c9 lament\u00e1vel que esse tratado seja negociado pelo atual governo.<\/p>\n<p>Segundo a imprensa internacional, prev\u00ea-se a instala\u00e7\u00e3o de uma base norte-americana no Brasil. A \u00faltima base americana em nosso ch\u00e3o se limitava ao acompanhamento dos primeiros sat\u00e9lites artificiais, em Fernando Noronha. Ela foi discretamente fechada em 1961, por iniciativa de Tancredo que, como primeiro-ministro, negou-se a prorrogar o conv\u00eanio, sob o argumento de que ainda n\u00e3o obtivera a opini\u00e3o das For\u00e7as Armadas. Geisel, em 1977, em pleno regime ditatorial, denunciou o Tratado Militar que t\u00ednhamos com Washington, e fora renovado em 1952, por iniciativa de Jo\u00e3o Neves da Fontoura, contra a opini\u00e3o do ministro da Guerra de ent\u00e3o, o general Estillac Leal \u2013 que se demitiu como protesto. \u00c9 da restaura\u00e7\u00e3o paulatina desse antigo Tratado que se trata.<\/p>\n<p>Antes houve a base de Natal, no esfor\u00e7o comum da guerra contra a Alemanha nazista. Terminado o conflito, em 1945, Get\u00falio agradeceu muito a contribui\u00e7\u00e3o norte-americana e, mesmo com as press\u00f5es ianques a fim de manter o enclave militar, dispensou-os desse cuidado. N\u00e3o havia necessidade de tanto disp\u00eandio para a nossa hipot\u00e9tica prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que as negocia\u00e7\u00f5es para a instala\u00e7\u00e3o de uma base norte-americana no Brasil, para o combate \u00e0s drogas, foram anunciadas, em Quito, pelo subsecret\u00e1rio de Estado para o Hemisf\u00e9rio Ocidental, Arturo Valenzuela, e repercutiram no exterior, em que pesem os desmentidos do Brasil. Apesar de sua cuidadosa linguagem diplom\u00e1tica, a nota oficial do Itamaraty n\u00e3o \u00e9 suficiente para afastar as d\u00favidas: trata, em termos vagos e gen\u00e9ricos da \u201ccoopera\u00e7\u00e3o em assuntos da defesa\u201d e interc\u00e2mbio no treinamento militar. N\u00f3s conhecemos essa antiga can\u00e7\u00e3o, que nos remete ao centro de doutrinamento ideol\u00f3gico do Panam\u00e1. Ali muitos de nossos oficiais foram moldados para a submiss\u00e3o aos interesses norte-americanos, em nome da divis\u00e3o do mundo entre os bons (os ianques) e os maus (quaisquer outros que contestassem a sua hegemonia). Foram alguns deles, com Castello Branco, Lincoln Gordon, Vernon Walters, a Quarta Frota e a CIA, que fizeram o golpe de 1964.<\/p>\n<p>Os vizinhos sul-americanos \u2013 e os parceiros do Bric \u2013 se inquietam, e com raz\u00e3o. Eles t\u00eam contado com a firmeza do Brasil em defender a soberania de nossos pa\u00edses contra qualquer presen\u00e7a militar estrangeira no continente, como ocorreu no caso da Col\u00f4mbia. A mesma firmeza deveremos ter se, amanh\u00e3, a Venezuela aceitar bases russas em seu territ\u00f3rio, ainda que a pretexto de se defender de amea\u00e7a na fronteira.<\/p>\n<p>Acordos dessa natureza devem ser discutidos, previamente, com a sociedade e com o Congresso. Doutor Rosinha, deputado do PT do Paran\u00e1, membro da Comiss\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da C\u00e2mara, estranha que seu \u00f3rg\u00e3o n\u00e3o tenha sido informado do andamento do processo de negocia\u00e7\u00f5es, cuja iniciativa \u00e9 debitada ao Minist\u00e9rio da Defesa.<\/p>\n<p>Conviria ao ministro Nelson Jobim poupar-se de outro escolho biogr\u00e1fico \u2013 ele que deles anda bem servido \u2013 e explicar sua posi\u00e7\u00e3o no epis\u00f3dio. A rea\u00e7\u00e3o, no Congresso, \u00e9 de perplexidade. \u00c9 quase certo que o Poder Legislativo negue ratifica\u00e7\u00e3o ao Tratado. Quando se estabelecem acordos de coopera\u00e7\u00e3o de defesa militar, pressup\u00f5e-se que haja inimigos comuns, a serem eventualmente combatidos. N\u00e3o sabemos de que inimigos se trata. Certamente n\u00e3o ser\u00e3o a China, a \u00cdndia, nem a R\u00fassia, nossos aliados estrat\u00e9gicos no Bric, e tampouco a Bol\u00edvia ou a Venezuela, bons vizinhos. \u00c9 inadmiss\u00edvel pensar que venha a ser o distante Ir\u00e3. Provavelmente, um dos interesses seja sabotar os nossos entendimentos com os parceiros do Bric, e da Unasul, que nos fortalecem no mundo.<\/p>\n<p>Esse Tratado compromete o futuro do pa\u00eds e tem um motivo estrat\u00e9gico maior por parte de Washington, ainda que bem dissimulado e a prazo mais longo: o controle da Amaz\u00f4nia e a reconquista do poder colonial sobre o continente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: IN\n\n\n\n\n08\/04\/2010\nPor Mauro Santayana\nCom todas as explica\u00e7\u00f5es, inclu\u00eddas as do Itamaraty, em nota oficial, \u00e9 inconveniente o Acordo Militar que o Brasil est\u00e1 pronto a assinar com os Estados Unidos.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/389\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-389","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6h","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/389","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=389"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/389\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=389"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=389"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=389"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}