{"id":391,"date":"2010-04-12T02:52:01","date_gmt":"2010-04-12T02:52:01","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=391"},"modified":"2010-04-12T02:52:01","modified_gmt":"2010-04-12T02:52:01","slug":"ainda-sobre-acordos-militares-brasilestados-unidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/391","title":{"rendered":"AINDA SOBRE ACORDOS MILITARES BRASIL\/ESTADOS UNIDOS:"},"content":{"rendered":"\n<p>A divulga\u00e7\u00e3o da Nota Pol\u00edtica do PCB <strong><em>\u201cFora qualquer base norte-americana no Brasil\u201d <\/em><\/strong> cumpriu o importante papel de chamar a aten\u00e7\u00e3o para as negocia\u00e7\u00f5es em curso entre o Brasil e os Estados Unidos, no campo militar.<\/p>\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o, o tema era apenas objeto de especula\u00e7\u00f5es da imprensa burguesa, sem que o governo brasileiro prestasse ao pa\u00eds qualquer informa\u00e7\u00e3o a respeito. S\u00f3 depois que as not\u00edcias vieram \u00e0 luz do dia \u00e9 que os porta-vozes do governo e do PT passaram a se pronunciar.<\/p>\n<p>Estes porta-vozes n\u00e3o negam as negocia\u00e7\u00f5es, tampouco a iminente assinatura do acordo. Usam a t\u00e1tica de procurar subestimar os entendimentos, para evitar a mobiliza\u00e7\u00e3o dos setores antiimperialistas e para preservar Lula e sua candidata, no \u00fanico tema a que se apegam para tentar caracterizar seu governo como de esquerda: a pol\u00edtica externa.<\/p>\n<p>Recorrem a uma discuss\u00e3o sem\u00e2ntica sobre o conceito de base militar, insistindo em que n\u00e3o se trata de uma base do tipo colombiano e que o acordo n\u00e3o prev\u00ea presen\u00e7a de tropas norte-americanas em solo brasileiro.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00f3bvio que n\u00e3o faz sentido uma base militar cl\u00e1ssica ianque (com soldados armados e fardados) em territ\u00f3rio brasileiro ou de qualquer outro pa\u00eds da Am\u00e9rica do Sul, exceto na Col\u00f4mbia, onde a insurg\u00eancia das FARC \u00e9 militar, um Ex\u00e9rcito do Povo, com milhares de combatentes e quase 50 anos de resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Nos demais pa\u00edses da regi\u00e3o, o imperialismo n\u00e3o precisa manter soldados de plant\u00e3o, mas bases de intelig\u00eancia e espionagem. Na grande maioria dos casos, como o do Brasil, porque as classes dominantes n\u00e3o contrariam os interesses do imperialismo. Al\u00e9m do mais, as tropas norte-americanas j\u00e1 rondam os mares do nosso continente, armadas at\u00e9 os dentes, numa imensa base m\u00f3vel chamada IV Frota, reativada h\u00e1 poucos anos. As tropas ianques podem ser transportadas rapidamente, como foi no caso do Haiti. A pretexto do terremoto, em 48 horas os Estados Unidos invadiram o pa\u00eds com mais de 10.000 soldados, um contingente maior do que o total das tropas da ONU, vergonhosamente comandadas pelo Brasil.<\/p>\n<p>Pelo que apuramos com responsabilidade, em consultas a diversas fontes, inclusive algumas de nossas rela\u00e7\u00f5es internacionais, a presen\u00e7a militar norte-americana no Brasil ser\u00e1 uma importante base de intelig\u00eancia e espionagem, como algumas que j\u00e1 existem no Paraguai (para parte do Cone Sul), no Peru (para a regi\u00e3o andina) e em El Salvador (para a Am\u00e9rica Central). S\u00e3o bases que abrigam centenas de militares norte-americanos em roupa civil e agentes da CIA, que t\u00eam como suas principais miss\u00f5es a escuta telef\u00f4nica e o controle de toda a comunica\u00e7\u00e3o via Internet nas regi\u00f5es de sua jurisdi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Pent\u00e1gono, hoje em dia, privilegia este tipo de bases como um novo sistema de controle militar regional. Chamam-nas de FOL (Forward Operation Location), centros de \u201cmobilidade estrat\u00e9gica\u201d para guerras-rel\u00e2mpago, usando tropas aerotransportadas de r\u00e1pida mobiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 ind\u00edcios de que a base de intelig\u00eancia pode ser instalada pr\u00f3ximo ao Rio de Janeiro, para criar um tri\u00e2ngulo de espionagem envolvendo bases similares em Portugal e na Fl\u00f3rida. H\u00e1 ind\u00edcios tamb\u00e9m de que o poderoso ministro da Defesa de Lula, o famigerado Nelson Jobim, j\u00e1 estaria em Washington para acertar os detalhes finais e possivelmente assinar o acordo. Interessante notar que o assunto est\u00e1 sendo tratado pelos Minist\u00e9rios da Defesa dos dois pa\u00edses, e n\u00e3o pelos de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores.<\/p>\n<p>S\u00f3 o Presidente Lula \u00e9 quem pode hoje impedir a assinatura deste absurdo acordo. Caso ele assine, restar\u00e1 uma luta para que o Congresso Nacional n\u00e3o o homologue. Em vista da grande maioria burguesa no parlamento brasileiro, s\u00f3 a press\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica poder\u00e1 revogar o acordo.<\/p>\n<p>Resta-nos aguardar alguns dias para que o quadro fique mais claro, mas sem deixar de nos mobilizarmos atrav\u00e9s da mais ampla den\u00fancia dos entendimentos em curso.<\/p>\n<p>Rio de Janeiro, 11 de abril de 2010<\/p>\n<p>Ivan Pinheiro<\/p>\n<p>Secret\u00e1rio Geral do PCB<\/p>\n<p><strong><em>Obs.: Como subs\u00eddio, anexo aqui dois importantes textos sobre o assunto:<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>&#8211; \u201c<a href=\"index.php?option=com_content&#038;view=article&#038;id=1545\" target=\"_blank\">O imp\u00e9rio e o sub-imp\u00e9rio<\/a>\u201d, de Manuel Freytas;<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>&#8211; \u201c<a href=\"index.php?option=com_content&#038;view=article&#038;id=1544\" target=\"_blank\">Um tratado indesej\u00e1vel<\/a>\u201d, de Mauro Santayana.<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PCB\n\n\n\n\nIvan Pinheiro\nFora qualquer base norte-americana no Brasil!\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/391\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-391","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6j","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/391","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=391"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/391\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=391"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=391"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=391"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}