{"id":3917,"date":"2012-11-26T14:19:26","date_gmt":"2012-11-26T14:19:26","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3917"},"modified":"2012-11-26T14:19:26","modified_gmt":"2012-11-26T14:19:26","slug":"as-elites-vao-fazer-conosco-o-que-fazem-com-os-habitantes-de-gaza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3917","title":{"rendered":"As elites v\u00e3o fazer conosco o que fazem com os habitantes de Gaza"},"content":{"rendered":"\n<p>Traduzido e comentado por\u00a0<strong>Baby Siqueira Abr\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><strong>Coment\u00e1rio da tradutora:<\/strong> Quem me conhece sabe que penso exatamente como Hedges. Infelizmente, n\u00e3o tenho seu talento e meu artigo sobre esse assunto est\u00e1 s\u00f3 na forma de esbo\u00e7o.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso ler este texto para entender por que os sionistas est\u00e3o pressionando tanto o FSMPL (F\u00f3rum Social Mundial pela Palestina Livre)&#8211; trata-se de uma pedra no sapato de quem, como eles, v\u00eam mostrando as garras na Am\u00e9rica Latina e dominando nossos governos. \u00c9 preciso ler este texto para saber por que insisto tanto num foco de luta mais amplo, contra o sionismo.<\/p>\n<p>Vamos deixar como est\u00e1 ou vamos reagir?<\/p>\n<p>Gaza \u00e9 a janela de nossa futura distopia. A crescente divis\u00e3o entre a elite do mundo e sua miser\u00e1vel massa de humanidade \u00e9 mantida por meio de uma viol\u00eancia em espiral. Muitas regi\u00f5es empobrecidas do planeta, que ca\u00edram no abismo econ\u00f4mico, come\u00e7am a assemelhar-se a Gaza, onde 1,6 milh\u00f5es de palestinos vivem no maior campo de concentra\u00e7\u00e3o do planeta <strong>[1]<\/strong>.<\/p>\n<p>Essas zonas de sacrif\u00edcio, cheias de pessoas deploravelmente pobres, presas em favelas miser\u00e1veis ou em aldeias cujas casas t\u00eam paredes de barro, cada vez mais v\u00eam sendo sitiadas por cercas eletr\u00f4nicas, monitoradas por c\u00e2meras de vigil\u00e2ncia e\u00a0<em>drones<\/em>, e rodeadas por guardas de fronteira ou unidades militares que atiram para matar.<\/p>\n<p>Essas distopias de pesadelo se estendem da \u00c1frica subsaariana ao Paquist\u00e3o e \u00e0 China. Nesses locais, assassinatos propositais s\u00e3o executados, ataques militares brutais s\u00e3o feitos a pessoas deixadas sem defesa, sem ex\u00e9rcito, sem marinha e sem for\u00e7a a\u00e9rea. Todas as tentativas de resist\u00eancia, embora ineficazes, deparam com a carnificina que caracteriza a moderna ind\u00fastria da guerra.<\/p>\n<p>No novo cen\u00e1rio global, como nos territ\u00f3rios ocupados por Israel e nos projetos imperialistas dos EUA no Iraque, no Paquist\u00e3o, na Som\u00e1lia, no I\u00eamen e no Afeganist\u00e3o, massacres de milhares de inocentes indefesos s\u00e3o classificados como \u201cguerra\u201d.<\/p>\n<p>A resist\u00eancia \u00e9 denominada provoca\u00e7\u00e3o, terrorismo ou crime contra a humanidade. O respeito \u00e0s leis, assim como as mais b\u00e1sicas liberdades civis e o direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o usada como rela\u00e7\u00f5es-p\u00fablicas para aplacar a consci\u00eancia de quem vive nas zonas de privil\u00e9gio.<\/p>\n<p>Prisioneiros s\u00e3o rotineiramente torturados ou \u201cdesaparecidos\u201d. A falta de alimentos e de suprimentos m\u00e9dicos s\u00e3o uma t\u00e1tica de controle aceita. Mentiras permeiam as ondas eletromagn\u00e9ticas (r\u00e1dios e TVs). Grupos religiosos, raciais e \u00e9tnicos s\u00e3o demonizados. Chovem m\u00edsseis sobre casebres de alvenaria, unidades mecanizadas atiram em alde\u00f5es desarmados, canhoneiras esmagam campos de refugiados com bombardeios pesados, e os mortos, incluindo crian\u00e7as, enfileiram-se em corredores de hospitais aos quais faltam eletricidade e medicamentos.<\/p>\n<p>O colapso iminente da economia internacional, os ataques ao clima e suas consequ\u00eancias, como secas, alagamentos, decl\u00ednio r\u00e1pido de safras e aumento no pre\u00e7o dos alimentos est\u00e3o criando um universo onde o poder se divide entre elites restritas, que t\u00eam nas m\u00e3os sofisticados instrumentos de morte, e massas enraivecidas.<\/p>\n<p>As crises v\u00eam incentivando uma guerra de classes que sobrepujar\u00e1 tudo aquilo que Karl Marx poderia ter imaginado. Elas est\u00e3o construindo um mundo onde a maioria ter\u00e1 fome e viver\u00e1 com medo, enquanto poucos ir\u00e3o se empanturrar com del\u00edcias em fortins protegidos. E mais e mais pessoas ser\u00e3o sacrificadas para manter esse desequil\u00edbrio.<\/p>\n<p>Por ter poder para isso, Israel \u2013 assim como os Estados Unidos \u2013 desrespeitam<strong> [2]<\/strong> o direito internacional para manter na mis\u00e9ria uma popula\u00e7\u00e3o dominada. A presen\u00e7a continuada das for\u00e7as de ocupa\u00e7\u00e3o israelenses [nos Territ\u00f3rios Palestinos Ocupados- TPOs] desafia quase cem resolu\u00e7\u00f5es do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU pedindo sua retirada [dos TPOs].<\/p>\n<p>O bloqueio israelense a Gaza, estabelecido em junho de 2007, \u00e9 uma forma brutal de puni\u00e7\u00e3o coletiva que viola o artigo 33 da IV Conven\u00e7\u00e3o de Genebra, que determina as regras para a \u201cprote\u00e7\u00e3o de civis em tempo de guerra\u201d.<\/p>\n<p>O bloqueio transformou Gaza num peda\u00e7o de inferno, num gueto administrado por Israel onde milhares morrem, incluindo os 1,4 mil [s\u00e3o quase 1,5 mil] civis assassinados na incurs\u00e3o israelense de 2008. Com 95% das f\u00e1bricas fechadas, a ind\u00fastria palestina virtualmente parou de funcionar. Os restantes 5% operam com 25% a 50% de sua capacidade. At\u00e9 o setor pesqueiro est\u00e1 moribundo. Israel recusa-se a permitir que os pescadores ultrapassem tr\u00eas milhas n\u00e1uticas da costa, e dentro desse limite os barcos pesqueiros com frequ\u00eancia s\u00e3o alvo dos tiros israelenses.<\/p>\n<p>As patrulhas de fronteira israelenses confiscaram 35% das terras cultiv\u00e1veis de Gaza para criar nelas zonas-tamp\u00f5es <strong>[3]<\/strong>.<\/p>\n<p>O colapso da infraestrutura e o confisco israelense dos aqu\u00edferos fazem com que em muitos campos de refugiados, como Khan Yunis, n\u00e3o haja \u00e1gua corrente.<\/p>\n<p>A Ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas de Assist\u00eancia aos Refugiados Palestinos (UNRWA, na sigla em ingl\u00eas) estima que 80% de todos os habitantes de Gaza dependem, atualmente, de ajuda alimentar. E a alega\u00e7\u00e3o israelense de autodefesa esconde o fato de que Israel mant\u00e9m uma ocupa\u00e7\u00e3o ilegal e viola o direito internacional ao impor a puni\u00e7\u00e3o coletiva aos palestinos.<\/p>\n<p>Foi Israel que escolheu aumentar a viol\u00eancia quando, durante uma incurs\u00e3o a Gaza no in\u00edcio do m\u00eas, suas for\u00e7as mataram um garoto de 13 anos. \u00c0 medida que o mundo se arrebenta, este se torna o novo paradigma: senhores da guerra modernos se inundam com tecnologias e armas aterrorizantes, que matam povos inteiros.<\/p>\n<p>Fizemos [os estadunidenses] o mesmo no Afeganist\u00e3o, no Iraque, no Paquist\u00e3o, no I\u00eamen e na Som\u00e1lia.<\/p>\n<p>As for\u00e7as do mercado e os mecanismos militares que protegem essas for\u00e7as s\u00e3o a \u00fanica ideologia que governa os Estados industriais e o relacionamento dos seres humanos com o mundo natural. \u00c9 uma ideologia que resulta em milh\u00f5es de mortos e outros milh\u00f5es de desalojados no mundo moderno. E a espantosa\/abomin\u00e1vel \u00e1lgebra dessa ideologia significa que essas for\u00e7as ir\u00e3o, eventualmente, tamb\u00e9m desencadear-se sobre n\u00f3s.<\/p>\n<p>Aqueles que n\u00e3o s\u00e3o \u00fateis para as for\u00e7as do mercado s\u00e3o considerados descart\u00e1veis. N\u00e3o t\u00eam direitos nem legitimidade. Sua exist\u00eancia, seja em Gaza, seja em cidades p\u00f3s-industriais doentes como Camden, Nova Jersey, \u00e9 considerada dejeto da efici\u00eancia e do progresso. Essas pessoas s\u00e3o vistas como refugo. E como refugo n\u00e3o t\u00eam voz nem liberdade, e podem ser extintas ou aprisionadas \u00e0 vontade. Este \u00e9 um mundo onde apenas o poder corporativo e o lucro s\u00e3o sagrados. \u00c9 um mundo de barb\u00e1rie.<\/p>\n<p>\u201c<em>Ao dispor do poder de trabalho humano, o sistema disporia, incidentalmente, da entidade \u201cser humano\u201d sob os pontos de vista f\u00edsico, psicol\u00f3gico e moral<\/em>\u201d, escreveu Karl Polanyi <strong>[4]<\/strong> em\u00a0<em>The Great Transformation<\/em> [A grande transforma\u00e7\u00e3o].<\/p>\n<p>E continua:<\/p>\n<p><em>Privados da cobertura protetora de institui\u00e7\u00f5es culturais, os seres humanos pereceriam diante dos efeitos da exposi\u00e7\u00e3o social; morreriam como v\u00edtimas de deslocamentos sociais agudos em consequ\u00eancia do v\u00edcio, do crime e da fome.<\/em><\/p>\n<p><em>A natureza seria reduzida a seus elementos, com vizinhan\u00e7as e paisagens violadas, rios polu\u00eddos, seguran\u00e7a militar amea\u00e7ada, poder de produzir alimentos e mat\u00e9ria prima destru\u00eddo.<\/em><\/p>\n<p><em>Finalmente, a administra\u00e7\u00e3o do mercado de compra de poder periodicamente liquidaria empresas comerciais porque a escassez e a fartura de dinheiro provariam ser t\u00e3o desastrosas para os neg\u00f3cios como os alagamentos e as secas para as sociedades primitivas.<\/em><\/p>\n<p><em>Sem d\u00favida, os mercados de trabalho, da terra e do dinheiro s\u00e3o essenciais para uma economia de mercado. Mas nenhuma sociedade pode aguentar os efeitos desse sistema de fic\u00e7\u00f5es brutas, nem mesmo pelo menor per\u00edodo, a menos que sua subst\u00e2ncia humana e natural, assim como sua organiza\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios, estejam protegidas contra os estragos desse moinho sat\u00e2nico.<\/em><\/p>\n<p>Existem 47,1 milh\u00f5es de estadunidenses que dependem de aux\u00edlio-alimenta\u00e7\u00e3o para comer. As elites est\u00e3o tramando acabar com esse aux\u00edlio, assim como com outros programas de \u201cdireitos\u201d que evitam que os pobres se tornem miser\u00e1veis.<\/p>\n<p>O \u00edmpeto de trilh\u00f5es de d\u00f3lares do\u00a0<em>Medicare<\/em>,\u00a0<em>Medicaid<\/em> e de outros programas sociais, dado o impasse pol\u00edtico em Washington e o aumento do \u201cabismo fiscal\u201d, agora parece incerto.<\/p>\n<p>H\u00e1 50 milh\u00f5es de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza, mas porque a linha da pobreza \u00e9 t\u00e3o baixa \u2013 US$ 22.350 para uma fam\u00edlia de quatro pessoas \u2013 esse n\u00famero nada significa. Acrescente-se a isso as dezenas de milh\u00f5es de estadunidenses de uma categoria chamada \u201cpr\u00f3xima \u00e0 pobreza\u201d, incluindo as fam\u00edlias que tentam viver com menos de US$ 45 mil por ano e ter-se-\u00e3o ao menos 30% do pa\u00eds na pobreza.<\/p>\n<p>Assim que essas pessoas perceberem que n\u00e3o haver\u00e1 recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, que seu padr\u00e3o de vida continuar\u00e1 a cair, que foram enganadas, que a esperan\u00e7a no futuro \u00e9 uma ilus\u00e3o, elas se tornar\u00e3o t\u00e3o furiosas como os manifestantes da Gr\u00e9cia e da Espanha ou os militantes de Gaza ou do Afeganist\u00e3o.<\/p>\n<p>Os bancos e outras corpora\u00e7\u00f5es financeiras entregaram trilh\u00f5es em empr\u00e9stimos sem juros do\u00a0<em>Federal Reserve<\/em>, enquanto acumulavam US$ 5 trilh\u00f5es, em grande parte pilhados do Tesouro dos EUA. Quanto mais essas disparidade e desigualdade mundiais forem perpetuadas, mais as massas se revoltar\u00e3o e mais depressa replicaremos internamente o modelo israelense de controle dom\u00e9stico \u2013\u00a0<em>drones<\/em> acima de nossas cabe\u00e7as, todos os dissidentes criminalizados, equipes\u00a0<em>SWAT<\/em> rompendo pelas portas, for\u00e7a mortal como modo aceit\u00e1vel de subjuga\u00e7\u00e3o, alimentos usados como armas e vigil\u00e2ncia constante.<\/p>\n<p>Em Gaza e em outras partes doentes do globo vemos essa nova configura\u00e7\u00e3o de poder.<\/p>\n<p>O que est\u00e1 acontecendo em Gaza, assim como o que ocorre com pessoas negras em comunidades marginais nos EUA, s\u00e3o o modelo. As t\u00e9cnicas de controle, sejam elas aplicadas por israelenses, sejam usadas por unidades de pol\u00edcia militarizada nas guerras contra drogas de nossas cidades, sejam empregadas por for\u00e7as militares especiais ou por mercen\u00e1rios no Paquist\u00e3o, no Afeganist\u00e3o ou no Iraque, s\u00e3o testadas primeiro e aperfei\u00e7oadas nos fragilizados e nos despossu\u00eddos.<\/p>\n<p>Nossa insens\u00edvel indiferen\u00e7a ao apelo dos palestinos e das centenas de milh\u00f5es de pobres empacotados em favelas urbanas na \u00c1sia ou na \u00c1frica, assim como de nossa pr\u00f3pria subclasse, significa que as injusti\u00e7as cometidas contra eles ser\u00e3o cometidas contra n\u00f3s. Ao falhar com eles, falhamos conosco.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que o imp\u00e9rio dos EUA implode, as mais brutais formas de viol\u00eancia empregadas fora do imp\u00e9rio come\u00e7am a migrar de volta para o pa\u00eds. Ao mesmo tempo, os sistemas internos de governan\u00e7a democr\u00e1tica calcificaram-se.<\/p>\n<p>A autoridade centralizada est\u00e1 nas m\u00e3os de um setor executivo que serve, como escravo, aos interesses corporativos globais.<\/p>\n<p>A imprensa e os poderes judici\u00e1rio e legislativo tornaram-se desdentados e decorativos.<\/p>\n<p>O espectro do terrorismo, como em Israel, \u00e9 usado pelo Estado para desviar gigantescos gastos para a seguran\u00e7a do pa\u00eds, para a vigil\u00e2ncia militar e interna.<\/p>\n<p>A privacidade \u00e9 abolida. A dissid\u00eancia \u00e9 trai\u00e7\u00e3o. Os militares, com seu mantra de obedi\u00eancia cega e de for\u00e7a, caracterizam a \u00e9tica sombria da cultura vasta. A beleza e a verdade s\u00e3o abolidas. A cultura \u00e9 degradada em besteiras. A vida emocional e intelectual de cidad\u00e3s e cidad\u00e3os \u00e9 devastada pelo espet\u00e1culo, pelo mau gosto e pela mal\u00edcia, assim como por mont\u00f5es de analg\u00e9sicos e narc\u00f3ticos. A ambi\u00e7\u00e3o cega, o desejo de poder e uma grotesca vaidade pessoal \u2013 exemplificadas por David Petraeus e sua ex-amante \u2013 s\u00e3o os motores do progresso.<\/p>\n<p>O conceito de bem comum n\u00e3o faz mais parte do l\u00e9xico do poder. Este, como a novelista J.M. Coetzee escreve, \u00e9 a \u201cflor suja da civiliza\u00e7\u00e3o\u201d. \u00c9 Roma sob Diocleciano. Somos n\u00f3s. Os imp\u00e9rios, no final, decaem em regimes desp\u00f3ticos, assassinos e corruptos que enfim consomem a si mesmos. E n\u00f3s, como Israel, agora tossimos sangue.<\/p>\n<p><strong>Chris Hedges*<\/strong>, cuja coluna \u00e9 publicada \u00e0s segundas-feiras em\u00a0<em>Truthdig<\/em>, passou quase duas d\u00e9cadas como correspondente internacional na Am\u00e9rica Central, no Oriente M\u00e9dio, na \u00c1frica e nos B\u00e1lc\u00e3s. Escreveu reportagens em mais de 50 pa\u00edses e trabalhou para\u00a0<em>The Christian Science Monitor<\/em>,\u00a0<em>National Public Radio<\/em>,<em>The Dallas Morning News<\/em> e\u00a0<em>The New York Times<\/em>, para o qual foi correspondente internacional por 15 anos.<\/p>\n<hr width=\"33%\" size=\"1\" \/>\n<p><strong>Notas de rodap\u00e9<\/strong><\/p>\n<p><strong>[1]<\/strong> Dada a vida que levam, em consequ\u00eancia do bloqueio e dos ataques genocidas de Israel, os habitantes de Gaza preferem usar a express\u00e3o \u201ccampo de exterm\u00ednio\u201d.<\/p>\n<p><strong>[2]<\/strong> No original,\u00a0<em>flout<\/em>, que tamb\u00e9m significa ca\u00e7oar, zombar \u2013 termos mais apropriados ao que Israel e EUA fazem com o direito internacional.<\/p>\n<p><strong>[3]<\/strong> Zonas-tamp\u00f5es s\u00e3o terras palestinas que Israel confisca para manter, entre a linha de fronteira e Gaza (ou as vilas e cidades da Cisjord\u00e2nia), uma \u00e1rea vazia, de acesso proibido aos palestinos, cercada e vigiada por soldados armados.<\/p>\n<p><strong>[4]<\/strong> Ver\u00a0<a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Karl_Polanyi\" target=\"_blank\"><strong>Karl Polanyi<\/strong><\/a>(em ingl\u00eas). Embora o trecho citado neste texto seja interessante, \u00e9 preciso manter um olhar cr\u00edtico em Polanyi. Ele falhou exatamente onde o outro Karl, o Marx, acertou. Como fil\u00f3sofo, Marx foi fundo na ontologia para entender a forma\u00e7\u00e3o da riqueza e do capital, ao passo que Polanyi n\u00e3o fez sen\u00e3o um sobrevoo nessas mesmas quest\u00f5es.<\/p>\n<p>Postado: vila vudu<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nMr. Fish\n\n\n\n\n\n\n\n\nChris Hedges*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3917\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-3917","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-11b","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3917","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3917"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3917\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3917"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3917"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3917"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}