{"id":3930,"date":"2012-11-27T14:32:19","date_gmt":"2012-11-27T14:32:19","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3930"},"modified":"2012-11-27T14:32:19","modified_gmt":"2012-11-27T14:32:19","slug":"debates-delancamento-sobre-o-velho-graca-de-denis-de-moraes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3930","title":{"rendered":"Debates de lan\u00e7amento sobre O velho Gra\u00e7a, de D\u00eanis de Moraes"},"content":{"rendered":"\n<p>Nesta semana, a Boitempo Editorial realiza na Livraria da Travessa (Leblon), no Rio de Janeiro; e no Espa\u00e7o Revista CULT, em S\u00e3o Paulo, o lan\u00e7amento da nova edi\u00e7\u00e3o da biografia O velho Gra\u00e7a, de D\u00eanis de Moraes. No Rio, dia 27, haver\u00e1 um debate entre D\u00eanis de Moraes, Felipe Pena e Jos\u00e9 Paulo Netto, seguido de sess\u00e3o de aut\u00f3grafos com o autor. Em S\u00e3o Paulo, dia 30, o debate ser\u00e1 entre D\u00eanis de Moraes e Miguel Yoshida.<\/p>\n<p>O velho Gra\u00e7a \u00e9 considerada a melhor biografia de Graciliano Ramos, que neste ano faria 120 anos. D\u00eanis de Moraes, nos conduz pelos sessenta anos de hist\u00f3ria de um dos maiores narradores da literatura brasileira, com todo o rigor da documenta\u00e7\u00e3o e dos depoimentos pessoais daqueles que o cercavam. O livro chega aos leitores com acr\u00e9scimos que acentuam o conhecimento pormenorizado da vida e da obra do escritor alagoano. Entre as novidades est\u00e3o um bem-cuidado caderno iconogr\u00e1fico, com imagens raras e at\u00e9 in\u00e9ditas, e a mais esclarecedora entrevista concedida pelo escritor, em 1944, nunca antes publicada em livro.<\/p>\n<p>Reavaliada 120 anos depois de seu in\u00edcio, em 27 de outubro de 1892, a extraordin\u00e1ria trajet\u00f3ria pessoal, liter\u00e1ria, intelectual e pol\u00edtica de Graciliano Ramos contada por seu melhor bi\u00f3grafo ganha nova edi\u00e7\u00e3o, ampliada e revisada, pela Boitempo Editorial.<\/p>\n<p><em>O velho Gra\u00e7a<\/em>, de D\u00eanis de Moraes, nos conduz pelos sessenta anos de hist\u00f3ria de um dos maiores narradores da literatura brasileira, com todo o rigor da documenta\u00e7\u00e3o e dos depoimentos pessoais daqueles que o cercavam. O livro chega aos leitores com acr\u00e9scimos que acentuam o conhecimento pormenorizado da vida e da obra do escritor alagoano. Entre as novidades est\u00e3o um bem-cuidado caderno iconogr\u00e1fico, com imagens raras e at\u00e9 in\u00e9ditas, e a mais esclarecedora entrevista concedida pelo escritor, em 1944, nunca antes publicada em livro.<\/p>\n<p>Publicado pela primeira vez no centen\u00e1rio de Graciliano Ramos, o trabalho de Moraes foi recebido com grande entusiasmo pela cr\u00edtica, por se tratar da primeira \u201cbiografia de conjunto\u201d sobre o romancista, como classificou Carlos Nelson Coutinho no pref\u00e1cio.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2012\/11\/final_com-alterac3a7c3b5es2.jpg?w=747\" border=\"0\"  \/><\/p>\n<p>O estilo jornal\u00edstico do bi\u00f3grafo se perfaz num rigoroso e amplo trabalho de pesquisa \u2013 com texto ao mesmo tempo leve e erudito, escrito com s\u00f3bria simplicidade,\u00a0<em>O velho Gra\u00e7a<\/em> refaz a trajet\u00f3ria luminosa e sofrida de Graciliano. Tendo como objeto de estudo um escritor aferrado ao seu tempo, Moraes desenha o pano de fundo de cinco d\u00e9cadas de grande efervesc\u00eancia pol\u00edtica e de transforma\u00e7\u00f5es aceleradas no processo modernizador do Brasil.<\/p>\n<p>A garimpagem em arquivos p\u00fablicos e privados de Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo e Alagoas, assim como as dezenas de testemunhos de amigos, parentes, artistas, intelectuais e companheiros de gera\u00e7\u00e3o enriqueceram sobremaneira o trabalho. Com arg\u00facia de historiador e sensibilidade liter\u00e1ria, Moraes tra\u00e7a a interliga\u00e7\u00e3o entre as v\u00e1rias personas de Graciliano Ramos: o menino traumatizado pelas surras na inf\u00e2ncia; o jovem autodidata que lia Balzac, Zola e Marx em franc\u00eas; o m\u00edtico comerciante da loja Sincera; o revolucion\u00e1rio prefeito de Palmeira dos \u00cdndios; o zeloso diretor da Imprensa Oficial e da Instru\u00e7\u00e3o P\u00fablica de Alagoas; o preso pol\u00edtico no inferno da Ilha Grande; o escritor sufocado por apuros financeiros; o estilista da palavra na reda\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>Correio da Manh\u00e3<\/em>; o militante comunista aos esbarr\u00f5es com a burocracia partid\u00e1ria.<\/p>\n<p>Sem cair na armadilha do biografismo, Moraes recomp\u00f5e a emerg\u00eancia dessa complexa figura, reconstituindo no percurso dial\u00e9tico de seus diversos momentos alguns dilemas fundamentais de nossa forma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. \u201cTemos um Graciliano sem retoques: duro, mas apaixonado; frio e \u00e1spero na superf\u00edcie da fala e do gesto, mas ardente e sempre humano na fonte da vida pessoal\u201d, diz na capa o professor Alfredo Bosi, que tamb\u00e9m encontrou na biografia o cruzamento de itiner\u00e1rios do homem capaz de refletir, como num jogo de espelhos, a somat\u00f3ria de viv\u00eancias acumuladas: \u201ca paix\u00e3o pela palavra nele precedeu e acompanhou a op\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que, por sua vez, transcendeu (mas jamais renegou) a ades\u00e3o partid\u00e1ria\u201d.<\/p>\n<p>Para o autor, remontar o quebra-cabe\u00e7a de Graciliano assemelhou-se ao of\u00edcio de artes\u00e3o, j\u00e1 que os fragmentos do passado precisavam ser pacientemente reunidos e dispostos com a m\u00e1xima coer\u00eancia poss\u00edvel, a despeito da pluralidade de suas significa\u00e7\u00f5es. A necessidade de correlacionar perip\u00e9cias, valores e sentimentos foi inspirada em uma passagem do pr\u00f3logo de Mem\u00f3rias do c\u00e1rcere. O escritor consciente, assinala Graciliano, n\u00e3o deve esquivar-se dos zigue-zagues e tumultos pr\u00f3prios de uma exist\u00eancia. \u201cEsforcei-me para mirar o objeto sem perder de vista suas interfaces e imbrica\u00e7\u00f5es, tratando de averiguar convic\u00e7\u00f5es, d\u00favidas, anseios, vicissitudes e triunfos a fim de estabelecer conex\u00f5es com a esfera ficcional engendrada por ele. Nas tens\u00f5es entre o homem, a atmosfera social e a cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria recolhi pistas que me levassem \u00e0s motiva\u00e7\u00f5es familiares, afetivas, est\u00e9ticas, ideol\u00f3gicas e pol\u00edticas presentes em sua interven\u00e7\u00e3o na realidade concreta\u201d, completa Moraes. O resultado \u00e9 uma hist\u00f3ria de proje\u00e7\u00f5es e influ\u00eancias, de paradoxos e contrastes, mas, sobretudo, de coer\u00eancia na busca incessante do que \u00e9 essencial \u00e0 vida.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Sobre\u00a0<em>O velho Gra\u00e7a<\/em><\/strong><\/p>\n<p>\u201cUm belo livro, uma biografia de classe.\u201d \u2013 Antonio Callado<\/p>\n<p>\u201cO livro de D\u00eanis de Moraes est\u00e1 para Graciliano Ramos assim como o de Francisco de Assis Barbosa para Lima Barreto. \u00c9 um ponto de partida fundamental, com passagens e personagens que emocionam.\u201d \u2013 Otto Lara Resende<\/p>\n<p>\u201cUm livro bem pesquisado, bem pensado e bem escrito. \u00c9 uma obra-modelo.\u201d \u2013 Affonso Romano de Sant\u2019Anna<\/p>\n<p>\u201cRevisitar sua vida e obra pelas m\u00e3os de seu melhor bi\u00f3grafo \u00e9 uma leitura imperd\u00edvel.\u201d \u2013 Wander Melo Miranda.<\/p>\n<p><strong>Trecho do livro<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Fico imaginando o que Graciliano acharia de ter sido biografado. Talvez fingisse desprezo por sua escolha. O que me leva a crer nisso? Uma declara\u00e7\u00e3o feita por ele, em novembro de 1937, em uma carta ao tradutor argentino Ra\u00fal Navarro, que lhe pedira um curr\u00edculo sum\u00e1rio para anexar a um conto em vias de publica\u00e7\u00e3o em Buenos Aires.<\/p>\n<p><em>Os dados biogr\u00e1ficos \u00e9 que n\u00e3o posso arranjar, porque n\u00e3o tenho biografia. Nunca fui literato, at\u00e9 pouco tempo vivia na ro\u00e7a e negociava. Por infelicidade, virei prefeito no interior de Alagoas e escrevi uns relat\u00f3rios que me desgra\u00e7aram. Veja o senhor como coisas aparentemente inofensivas inutilizam um cidad\u00e3o. Depois que redigi esses infames relat\u00f3rios, os jornais e o governo resolveram n\u00e3o me deixar em paz. Houve uma s\u00e9rie de desastres: mudan\u00e7as, intrigas, cargos p\u00fablicos, hospital, coisas piores e tr\u00eas romances fabricados em situa\u00e7\u00f5es horr\u00edveis \u2013 Caet\u00e9s, publicado em 1933, S. Bernardo, em 1934, e Ang\u00fastia, em 1936. Evidentemente, isso n\u00e3o d\u00e1 para uma biografia. Que hei de fazer? Eu devia enfeitar-me com algumas mentiras, mas talvez seja melhor deix\u00e1-las para romances.<\/em>&#8220;<\/p>\n<p><strong>Sobre o autor <\/strong><\/p>\n<p>D\u00eanis de Moraes nasceu no Rio de Janeiro em 1954. \u00c9 doutor em Comunica\u00e7\u00e3o e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e p\u00f3s-doutor pelo Consejo Latinoamericano de Ciencias Sociales (Clacso), sediado em Buenos Aires. Atualmente, \u00e9 professor associado do Departamento de Estudos Culturais e M\u00eddia da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) e da Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas Filho de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). \u00c9 autor e organizador de mais de vinte livros, dos quais oito foram editados no exterior (Argentina, Espanha, Cuba e M\u00e9xico). Al\u00e9m de\u00a0<em>O velho Gra\u00e7a<\/em>, publicou duas biografias de intelectuais e artistas de esquerda:\u00a0<em>Vianinha, c\u00famplice da paix\u00e3o: uma biografia de Oduvaldo Vianna Filho<\/em> (Rio de Janeiro, Record, 2000; S\u00e3o Paulo, Express\u00e3o Popular, no prelo) e\u00a0<em>O rebelde do tra\u00e7o: a vida de Henfil<\/em> (Rio de Janeiro, Jos\u00e9 Olympio, 1996) e, ainda, com Francisco Viana,\u00a0<em>Prestes: lutas e autocr\u00edticas<\/em> (Petr\u00f3polis, Vozes, 1982; Rio de Janeiro, Mauad, 1998), obra baseada no \u00fanico depoimento concedido pelo l\u00edder comunista Luiz Carlos Prestes sobre sua trajet\u00f3ria.<\/p>\n<p align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/www.boitempo.com\/livro_completo.php?isbn=978-85-7559-292-2\">http:\/\/www.boitempo.com\/livro_completo.php?isbn=978-85-7559-292-2<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nBoitempo\n\n\n\n\n\n\n\n\nDebate de lan\u00e7amento de\u00a0O velho Gra\u00e7a no Rio de Janeiro e em S\u00e3o Paulo\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3930\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-3930","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c61-cultura-revolucionaria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-11o","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3930","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3930"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3930\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3930"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3930"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3930"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}