{"id":3961,"date":"2012-12-03T19:13:44","date_gmt":"2012-12-03T19:13:44","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3961"},"modified":"2012-12-03T19:13:44","modified_gmt":"2012-12-03T19:13:44","slug":"novo-codigo-mineral-e-q-caixa-pretaq","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3961","title":{"rendered":"Novo c\u00f3digo mineral \u00e9 &#8221; caixa preta&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p>Trancado h\u00e1 mais de dois anos nas gavetas da Casa Civil, o novo c\u00f3digo de minera\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi at\u00e9 o momento apresentado pelo governo \u00e0 sociedade para suscitar saud\u00e1vel debate sobre a explora\u00e7\u00e3o das riquezas minerais do pa\u00eds. As expectativas de empres\u00e1rios do setor e de ambientalistas e ONGs est\u00e3o frustradas, pois o teor das novas regras continua restrito aos gabinetes do Planalto. Os rumores de que em 2013 o assunto poder\u00e1 ser encaminhado ao Congresso via Medida Provis\u00f3ria (MP) t\u00eam aumentado o temor de que n\u00e3o haja transpar\u00eancia nesse processo.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as das regras para a explora\u00e7\u00e3o mineral v\u00e3o mexer com um setor que movimenta mais de US$ 50 bilh\u00f5es ao ano e envolve interesses de grandes conglomerados econ\u00f4micos e grupos sociais nos territ\u00f3rios minerados, al\u00e9m dos aspectos ambientais. H\u00e1 quase 25 anos as regras que movem o universo mineral no Brasil permanecem intocadas. O medo \u00e9 de que mudem para pior, adverte o advogado Marcello Lima, especialista em direito mineral.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o de empres\u00e1rios, ONGs e ambientalistas sobre os destinos da nova regula\u00e7\u00e3o do setor coincide em um ponto: para todos os envolvidos o que est\u00e1 em jogo \u00e9 o aumento do controle do Estado sobre as atividades minerais.<\/p>\n<p>Elmer Prata Salom\u00e3o, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Empresas de Pesquisa Mineral (ABPM), v\u00ea o novo marco como uma forma de estatizar os recursos minerais. &#8220;O governo vai leiloar as \u00e1reas para pesquisa mineral e, assim, eliminar a institui\u00e7\u00e3o da prioridade&#8221;, disse ao Valor.<\/p>\n<p>Segundo ele, a mudan\u00e7a incomoda os empres\u00e1rios e est\u00e1 por tr\u00e1s da suspens\u00e3o de autoriza\u00e7\u00e3o de novas pesquisas minerais e novos alvar\u00e1s de portaria de lavra. &#8220;Quem descobre primeiro \u00e9 que tem o direito de prioridade de explorar a \u00e1rea&#8221;, defende.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dez anos, foram protocoladas no DNPM 217 mil requerimentos de pesquisa e apenas 12 mil tiveram relat\u00f3rio de pesquisa aprovado. No final, s\u00f3 tr\u00eas mil resultaram em portarias de lavra, 1,5% do total. &#8220;Encontrar uma jazida \u00e9 como procurar uma agulha no palheiro&#8221;, compara Salom\u00e3o, para quem a inten\u00e7\u00e3o do governo \u00e9 a de desmontar todo o sistema de explora\u00e7\u00e3o mineral e substituir por recursos p\u00fablicos. &#8220;Vai estatizar o risco?&#8221;, indaga o presidente da ABPM.<\/p>\n<p>Bruno Milanez, um dos autores do estudo &#8220;Novo marco legal de minera\u00e7\u00e3o no Brasil. Para qu\u00ea? Para quem?&#8221;, compara o novo c\u00f3digo &#8220;a uma grande caixa preta&#8221;. O texto coordenado por Juliana Malerba, da ONG FASE, faz o seguinte alerta. &#8220;Se de um lado o novo c\u00f3digo visa ampliar a explora\u00e7\u00e3o mineral para responder ao atual momento de aumento de pre\u00e7os dos min\u00e9rios, por outro, pretende aumentar a participa\u00e7\u00e3o do Estado nos resultados econ\u00f4micos gerados pela minera\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Em seu estudo, Juliana diz ainda: &#8220;a maior presen\u00e7a do Estado na minera\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem sido, por\u00e9m, capaz de resolver a quest\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o desigual dos impactos negativos da explora\u00e7\u00e3o dos recursos minerais sobre popula\u00e7\u00f5es historicamente vulnerabilizadas por esta explora\u00e7\u00e3o, como \u00edndios, quilombolas e posseiros, dentre outros&#8221;.<\/p>\n<p>Para Marcello Lima, o novo c\u00f3digo ignora pontos pol\u00eamicos da explora\u00e7\u00e3o mineral no pa\u00eds: minera\u00e7\u00e3o em terras ind\u00edgenas, em faixa de fronteira e sobre unidades de conserva\u00e7\u00e3o mineral, espa\u00e7os especiais protegidos para garantir o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico. &#8220;O processo de encaminhamento do novo c\u00f3digo reflete uma postura oficial autorit\u00e1ria, de empurrar goela abaixo da sociedade o futuro marco regulat\u00f3rio da minera\u00e7\u00e3o&#8221;, critica.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Sem investimentos, mal\u00e1ria volta a preocupar a Gr\u00e9cia<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>A falta de recursos para a sa\u00fade fez a mal\u00e1ria ressurgir na Gr\u00e9cia. A doen\u00e7a era end\u00eamica no pa\u00eds at\u00e9 os anos 1970, quando foi eliminada. Neste ano, por\u00e9m, j\u00e1 foram registrado quase 80 casos. Somente 5 das mais de 20 regi\u00f5es do pa\u00eds mantiveram em 2012 os programas de combate ao mosquito.<\/p>\n<p>Por causa da volta da doen\u00e7a, a entidade M\u00e9dicos Sem Fronteiras acabou lan\u00e7ando uma opera\u00e7\u00e3o de tratamento equivalente \u00e0 realizada na \u00c1frica.<\/p>\n<p>&#8220;Deixar um pa\u00eds europeu voltar a ter casos de mal\u00e1ria \u00e9 um sintoma muito grave da crise&#8221;, declarou o diretor de opera\u00e7\u00f5es dos M\u00e9dicos Sem Fronteiras, Apostolos Veizis.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Aquecimento global permite viagem in\u00e9dita para a \u00c1sia pelo \u00c1rtico<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Um navio-tanque carregado de g\u00e1s natural est\u00e1 prestes a completar uma viagem in\u00e9dita para a \u00c1sia atrav\u00e9s do Oceano \u00c1rtico, uma rota possivelmente transformadora que est\u00e1 sendo aberta por uma combina\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, da revolu\u00e7\u00e3o do g\u00e1s de xisto e do terremoto no Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>O navio Ob River deve entregar amanh\u00e3 um carregamento de g\u00e1s noruegu\u00eas muito aguardado no Jap\u00e3o, ap\u00f3s partir da Noruega e passar pelo \u00c1rtico acima da R\u00fassia. A viagem levar\u00e1 tr\u00eas semanas menos do que levaria pela rota normal, via Mar Mediterr\u00e2neo, Canal de Suez e em torno da \u00c1sia.<\/p>\n<p>Tr\u00eas eventos separados tornaram a viagem poss\u00edvel e lucrativa. Mudan\u00e7as clim\u00e1ticas permitiram que navios passem pelo \u00c1rtico durante o ver\u00e3o no Hemisf\u00e9rio Norte. A abund\u00e2ncia de g\u00e1s de xisto nos Estados Unidos ajudou a empurrar pre\u00e7os para baixo na Europa, e uma demanda maior na \u00c1sia, em parte por causa do terremoto de 2011 no Jap\u00e3o, tornou economicamente vi\u00e1vel o esfriamento e a liquefa\u00e7\u00e3o de g\u00e1s natural europeu para despachar para a \u00c1sia.<\/p>\n<p>O custo maior do seguro e do navio quebra-gelo que precede o navio-tanque \u00e9 compensado pelo per\u00edodo menor de aluguel deste \u00faltimo, pois a viagem \u00e9 mais curta.<\/p>\n<p>A Gazprom Marketing and Trading, unidade da produtora russa de g\u00e1s Gazprom, est\u00e1 por tr\u00e1s do projeto de enviar o carregamento inicial de g\u00e1s natural liquefeito (GNL) das instala\u00e7\u00f5es da Hammerfest Snohvit, na Noruega, para a companhia japonesa de energia Kyushu Electric Power. O g\u00e1s tem que ser refrigerado sob press\u00e3o para que se liquefa\u00e7a, sendo ent\u00e3o carregado nos tanques do navio.<\/p>\n<p>A Gazprom, grande fornecedora para a Europa, j\u00e1 vende parte do seu g\u00e1s para a \u00c1sia. A empresa est\u00e1 tentando ampliar suas vendas l\u00e1.<\/p>\n<p>A Gazprom fretou o navio-tanque de GNL da companhia grega Dynagas. Seu casco foi refor\u00e7ado para a jornada pelas \u00e1guas geladas da Rota do Mar do Norte, segundo um executivo da Gazprom. O navio tem chegada prevista para amanh\u00e3 em Tobata, no sul do Jap\u00e3o, disseram o executivo e outros funcion\u00e1rios da Gazprom.<\/p>\n<p>O GNL foi enviado no come\u00e7o de novembro de uma planta que a petrol\u00edfera norueguesa Statoil tem em Melkoya, Hammerfest, norte da Noruega, disse a empresa, que n\u00e3o quis dar mais detalhes porque n\u00e3o \u00e9 a dona do carregamento.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o se sabe se esse percurso de um m\u00eas, naveg\u00e1vel s\u00f3 em alguns meses do ano, se mostrar\u00e1 economicamente vi\u00e1vel no longo prazo. Poucos navios de transporte de GNL pr\u00f3prios para gelo foram constru\u00eddos at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os vendedores de g\u00e1s ter\u00e3o uma concorr\u00eancia acirrada, inclusive da Am\u00e9rica do Norte, depois que terminais de exporta\u00e7\u00e3o forem constru\u00eddos no oeste do Canad\u00e1, possibilitando a remessa de g\u00e1s pelo Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>O g\u00e1s de baixo custo da Am\u00e9rica do Norte j\u00e1 est\u00e1 substituindo o carv\u00e3o usado por empresas de energia nos EUA e Canad\u00e1. Esse carv\u00e3o est\u00e1 sendo agora despachado para a Europa e, por sua vez, tomando o lugar do oneroso g\u00e1s natural, a maioria do qual geralmente vem da R\u00fassia e da Noruega.<\/p>\n<p>Pre\u00e7os mais baixos do g\u00e1s na Europa t\u00eam implica\u00e7\u00f5es no plano da R\u00fassia de vender g\u00e1s para a China via um gasoduto. A R\u00fassia queria um pre\u00e7o que seguisse o dos europeus, o que a China rejeitou. Mas o pre\u00e7o do g\u00e1s europeu est\u00e1 em queda e isso pode facilitar o neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>O gasoduto pode ser discutido numa reuni\u00e3o esta semana entre os premi\u00eas da China, Wen Jiabao, e da R\u00fassia, Dmitri Medvedev.<\/p>\n<p>A R\u00fassia, um dos maiores produtores de g\u00e1s do mundo, est\u00e1 procurando mercados na \u00c1sia para compensar a queda nas suas margens e na demanda pelo seu g\u00e1s, relativamente caro, numa economicamente abalada Europa, que \u00e9 o seu principal mercado.<\/p>\n<p>No ano passado, Vladimir Putin, ent\u00e3o premi\u00ea russo e hoje presidente, descreveu a rota do \u00c1rtico para a \u00c1sia como uma futura &#8220;art\u00e9ria do transporte internacional&#8221;, capaz de competir com outras rotas mar\u00edtimas em custo, seguran\u00e7a e qualidade.<\/p>\n<p>&#8220;O \u00c1rtico atingiu sua extens\u00e3o m\u00ednima de gelo no ano, desde o in\u00edcio dos registros de sat\u00e9lite, em 16 de setembro, com 3,41 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados&#8221;, informou a Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial, ag\u00eancia da ONU, num comunicado aos negociadores da Confer\u00eancia de Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, que est\u00e1 ocorrendo em Doha.<\/p>\n<p>&#8220;Janeiro a outubro de 2012 foi o nono per\u00edodo mais quente desde que os registros come\u00e7aram, em 1850&#8221;, acrescentou a organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Barents Observer, site de not\u00edcias gerenciado pelo Secretariado Noruegu\u00eas Barents, em Kirkenes, diz que o n\u00famero de navios que trafegam pela passagem do \u00c1rtico tem crescido regularmente, de 4 em 2010 para 34 em 2011. Ao menos 46 fizeram a viagem este ano.<\/p>\n<p>O frete de um navio-tanque de GNL custava at\u00e9 US$ 150 mil por dia no segundo trimestre, e em torno de US$ 105 mil por dia em novembro. Um carregamento de g\u00e1s do Mar do Norte para o norte da \u00c1sia poderia economizar at\u00e9 US$ 3 milh\u00f5es usando a passagem do \u00c1rtico, sem contar despesas como a contrata\u00e7\u00e3o de quebra-gelos.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea n\u00e3o tem que passar por Suez, que cobra ped\u00e1gio, nem ir pela costa da \u00c1frica, que \u00e9 provavelmente tr\u00eas vezes mais longa&#8221;, disse Hidetoshi Shioda, analista da SMBC Nikko Securities.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Pela primeira vez em quase 40 anos, Europa reduz or\u00e7amento da sa\u00fade<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>H\u00e1 poucas semanas, um caso comoveu a opini\u00e3o p\u00fablica grega. Uma mulher deu \u00e0 luz em um hospital no sul do pa\u00eds. Dias depois, recebeu, ainda em seu leito, uma conta de 1,2 mil (cerca de R$ 3,3 mil) pelo atendimento. A mulher informou que n\u00e3o tinha como pagar e a resposta que recebeu causou pol\u00eamica: se n\u00e3o quitasse sua d\u00edvida, n\u00e3o poderia levar o beb\u00ea do hospital.<\/p>\n<p>Diante da como\u00e7\u00e3o nacional, o hospital acabou cedendo e n\u00e3o cobrou pelo parto da mo\u00e7a. Assim, a crise que assola a Europa come\u00e7a a ser sentida de forma profunda n\u00e3o apenas nas bolsas de valores ou nos mercados.<\/p>\n<p>Pela primeira vez em quase 40 anos, os endividados pa\u00edses europeus reduzem os or\u00e7amentos para a sa\u00fade, em um dos exemplos mais claros de como as pol\u00edticas de austeridade est\u00e3o desmontando parte do sistema de bem-estar social criado na Europa ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p>Um levantamento produzido pela Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) revela que, a partir de 2010, governos europeus inverteram a tend\u00eancia de d\u00e9cadas passadas e passaram a cortar gastos com a sa\u00fade. Em 2010, o corte de gastos por habitante foi de 0,6%. Foi o primeiro corte desde 1975. E ele foi mantido em 2011 e em 2012.<\/p>\n<p>S\u00f3 na Irlanda, por exemplo, a redu\u00e7\u00e3o foi de 8%, depois de ter sido elevada a cada ano, em m\u00e9dia 6,5%, entre 2000 e 2009. Na Est\u00f4nia, a redu\u00e7\u00e3o nos gastos com a sa\u00fade foi de 7,3%.<\/p>\n<p>Em termos absolutos, por\u00e9m, os gastos de governos europeus com a sa\u00fade continuam sendo bem superiores ao brasileiro. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), Bras\u00edlia destina \u00e0 sa\u00fade de um cidad\u00e3o um quarto do que gregos destinam aos seus. O governo brasileiro garante cerca de US$ 433 por ano pela sa\u00fade de cada habitante, na Espanha o volume chega a quase US$ 2 mil.<\/p>\n<p>Cortes. Em m\u00e9dia, 9% do Produto Interno Bruno (PIB) dos pa\u00edses europeus vai para a sa\u00fade. H\u00e1 dois anos, a taxa era de 9,2%. Pa\u00edses como Alemanha, Fran\u00e7a e Holanda continuam com taxas acima de 11%. Na Gr\u00e9cia, o corte foi de 6,7% s\u00f3 em 2010. Mas o n\u00famero deve subir para 10% ao fim de 2012. No total, 2,5 bilh\u00f5es desaparecer\u00e3o dos or\u00e7amentos da sa\u00fade em cinco anos.<\/p>\n<p>A Merck decidiu interromper o suprimento de rem\u00e9dios contra o c\u00e2ncer para os hospitais gregos. Isso por causa de milh\u00f5es de euros que esses hospitais devem \u00e0 empresa alem\u00e3 h\u00e1 meses e simplesmente n\u00e3o t\u00eam como pagar.<\/p>\n<p>A Federa\u00e7\u00e3o Europeia da Ind\u00fastria Farmac\u00eautica garante que as empresas j\u00e1 deram descontos de 7 bilh\u00f5es aos pa\u00edses do sul da Europa na venda de rem\u00e9dio. Mas nem isso adiantou.<\/p>\n<p>O governo grego chegou a pensar em adotar uma regra que, para ser atendido, um paciente teria de pagar 25 em um hospital p\u00fablico, al\u00e9m de 1 extra para cada receita. O valor foi considerado escandaloso, numa sociedade em que parte dos aposentados vive com menos de 500.<\/p>\n<p>Entre os m\u00e9dicos, a decis\u00e3o foi a de atender idosos e pobres de gra\u00e7a, mesmo que o sistema os recuse. &#8220;Precisamos manter a sociedade grega viva&#8221;, disse Dimitris Varnavas, presidente do sindicato de m\u00e9dicos do pa\u00eds. Mas ele reconhece que a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 perdendo a calma. Hospitais colocaram placas pedindo que os doentes sejam solid\u00e1rios ao aguardar o atendimento. &#8220;Trate os funcion\u00e1rios desse hospital de forma civilizada. H\u00e1 seis meses eles n\u00e3o recebem sal\u00e1rios&#8221;, diz uma das placas.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Analistas estimam alta de 3,3% para 2013<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O crescimento aqu\u00e9m do esperado no Produto Interno Bruto (PIB) entre o segundo e o terceiro trimestres e a revis\u00e3o para baixo nos resultados de abril a junho provocaram uma onda de redu\u00e7\u00f5es nas estimativas dos economistas para 2012 e 2013. Parte dos analistas j\u00e1 n\u00e3o acredita que a economia brasileira ter\u00e1 f\u00f4lego para se expandir acima de 1% neste ano, dado o aumento de apenas 0,6% no terceiro trimestre em rela\u00e7\u00e3o aos tr\u00eas meses anteriores, descontados os efeitos sazonais. A varia\u00e7\u00e3o foi a metade da prevista por 11 institui\u00e7\u00f5es financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data no in\u00edcio da semana.<\/p>\n<p>Na sexta-feira, durante a divulga\u00e7\u00e3o dos dados do PIB do terceiro trimestre, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) informou que o desempenho da economia brasileira no segundo trimestre n\u00e3o foi 0,4% superior ao dos tr\u00eas primeiros meses do ano, como anteriormente anunciado. O crescimento, segundo o IBGE, foi menor, de 0,2%, sempre em termos dessazonalizados.<\/p>\n<p>Esses dois fatores &#8211; a revis\u00e3o do segundo trimestre e o terceiro trimestre mais fraco &#8211; retiraram 0,5 ponto percentual de crescimento do PIB projetado para este ano, segundo os economistas. A m\u00e9dia das previs\u00f5es de 16 consultorias e bancos consultados pelo Valor Data ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o do PIB aponta para uma expans\u00e3o de apenas 1% na economia brasileira em 2012, com as proje\u00e7\u00f5es variando entre 0,8% e 1,2%. O resultado do pr\u00f3ximo ano tamb\u00e9m ser\u00e1 afetado, de acordo com os analistas. A m\u00e9dia das estimativas, que antes indicava alta de 3,7% no PIB do pr\u00f3ximo ano, agora aponta crescimento mais modesto, de 3,3% em 2013. As previs\u00f5es v\u00e3o de 2,9% a 3,8%.<\/p>\n<p>Para o quarto trimestre deste ano, as opini\u00f5es divergem. H\u00e1 quem entenda que o fraco desempenho do terceiro trimestre implicar\u00e1 em menor avan\u00e7o entre outubro e dezembro, mas h\u00e1 tamb\u00e9m aqueles que pensam o contr\u00e1rio, que a baixa base do terceiro trimestre possibilita uma alta mais intensa no quarto trimestre. Na m\u00e9dia, as expectativas para o PIB no quarto trimestre ficaram inalteradas, com avan\u00e7o de 1% frente ao terceiro trimestre e intervalo de previs\u00f5es entre 0,4% e 1,5%.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o moderado da economia no terceiro trimestre ter\u00e1 efeitos (de desacelera\u00e7\u00e3o) sobre o quarto trimestre, ressalta o economista-chefe da Prosper Planner Corretora, Eduardo Velho, para quem a economia brasileira avan\u00e7ar\u00e1 apenas 0,98% neste ano e 2,97% em 2013. Para ele, a quinta queda consecutiva do investimento \u00e9 o principal destaque negativo do resultado do terceiro trimestre e mostra o quanto os empres\u00e1rios est\u00e3o c\u00e9ticos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capacidade de crescimento da economia no futuro. Entre julho e setembro, o investimento recuou 2% em rela\u00e7\u00e3o ao trimestre imediatamente anterior e 5,6% na compara\u00e7\u00e3o com igual per\u00edodo de 2011.<\/p>\n<p>Em um cen\u00e1rio em que os investimentos se recuperam mais lentamente, o Barclays avalia que o PIB, em 2012, ser\u00e1 de 0,9%, acelerando para 3% em 2013 e 3,6% em 2014. Apesar de esperar uma rea\u00e7\u00e3o dos investimentos nos pr\u00f3ximos meses, a Tend\u00eancias Consultoria tamb\u00e9m baixou suas estimativas para 2012 (de 1,3% para 0,8%) e 2013 (de 3,6% para 3,2%). Em relat\u00f3rio para clientes, a economista Alessandra Ribeiro ressalta que os investimentos v\u00e3o melhorar &#8220;refletindo juro real mais baixo, c\u00e2mbio mais desvalorizado e acelera\u00e7\u00e3o de obras do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC).&#8221;<\/p>\n<p>Mariana Hauer, do Banco ABC Brasil, nota que para que o investimento melhore \u00e9 preciso um crescimento mais consistente da ind\u00fastria. &#8220;O avan\u00e7o que vimos agora ainda \u00e9 pontual&#8221;, diz a economista, referindo-se \u00e0 alta de 1,1% no setor entre o segundo e o terceiro trimestres. Embora espere um resultado melhor no quarto trimestre &#8211; a institui\u00e7\u00e3o elevou de 0,8% para 1,2% sua estimativa para o per\u00edodo, em rela\u00e7\u00e3o ao terceiro trimestre &#8211; a expectativa para 2012 \u00e9 de um resultado mais fraco, de 1,1% (antes, ela era de 1,4%).<\/p>\n<p>Alexandre Andrade, da Votorantim Corretora, observa que o an\u00eamico resultado do terceiro trimestre lan\u00e7a d\u00favidas quanto ao desempenho da economia nos \u00faltimos tr\u00eas meses de 2012. &#8220;Pode haver alguns resqu\u00edcios de incerteza em rela\u00e7\u00e3o ao comportamento da demanda e como ficaria a economia depois de o governo retirar os incentivos&#8221;, comenta o economista, acrescentando que outro resultado ruim pode estar por vir. &#8220;Na melhor das hip\u00f3teses, o PIB deste ano ficar\u00e1 em 1%.&#8221;<\/p>\n<p>Apostando em um posicionamento ainda mais ativo do governo nas pr\u00f3ximas semanas, Fl\u00e1vio Combat, da Conc\u00f3rdia Corretora, manteve em 1% sua estimativa de crescimento para o quarto trimestre na compara\u00e7\u00e3o com o anterior. A expans\u00e3o de apenas 0,6% no PIB do terceiro trimestre, segundo ele, deve fazer com que o governo abra ainda mais os cofres para impulsionar a economia nos \u00faltimos meses de 2012. &#8220;H\u00e1 uma margem fiscal para isso e creio que o governo vai utiliz\u00e1-la&#8221;, diz Combat, que reduziu de 1,4% para 1,2% sua proje\u00e7\u00e3o para o PIB de 2012 e de 4% para 3,8% a previs\u00e3o para 2013.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Custo menor garante apoio da ind\u00fastria<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A ind\u00fastria est\u00e1 fazendo planos sobre o que fazer com os ganhos que espera ter a partir de 2013 com a redu\u00e7\u00e3o das tarifas de energia el\u00e9trica. Daqui a um m\u00eas, se a promessa de Dilma Rousseff for cumprida, o setor passar\u00e1 a ter uma redu\u00e7\u00e3o importante de custos. Pelos planos do governo &#8211; expressos na Medida Provis\u00f3ria 579 -, o corte da tarifa chegar\u00e1 a 28% nos segmentos intensivos em energia.<\/p>\n<p>Alguns setores j\u00e1 falam em aumentar a produ\u00e7\u00e3o; outros, veem a possibilidade de sair do vermelho ou ent\u00e3o de ampliar sua competitividade no mercado externo. Para algumas ind\u00fastrias que fazem uso intensivo de eletricidade, a mudan\u00e7a poder\u00e1 ser decisiva para manter a produ\u00e7\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o em m\u00e9dia das tarifas para todos os consumidores &#8211; de resid\u00eancias a f\u00e1bricas &#8211; ser\u00e1 de 20%, segundo o governo. Hoje, segundo a Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo (Fiesp), \u00e9 muito frequente que os gastos com energia el\u00e9trica representem algo entre 5% a 7% nos custos operacionais da ind\u00fastria. H\u00e1 setores em que esse percentual \u00e9 maior: 25% na ind\u00fastria de cimento e 40% na de cloro-soda, segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace).<\/p>\n<p>&#8220;O que existe nesse momento na ind\u00fastria \u00e9 uma expectativa muito positiva de que finalmente come\u00e7a-se a recuperar a competitividade do pa\u00eds em rela\u00e7\u00e3o a alguns pontos, entre eles o pre\u00e7o da energia el\u00e9trica&#8221;, diz Paulo Skaf, presidente da Fiesp, um dos defensores mais destacados no meio empresarial da MP 579.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 de Freitas Mascarenhas, diretor de infraestrutura da CNI, diz que h\u00e1 ind\u00fastrias que est\u00e3o saindo do Brasil em dire\u00e7\u00e3o a pa\u00edses lim\u00edtrofes por causa do pre\u00e7o da energia aqui. \u00c9 o caso, disse ele, de empresas de alum\u00ednio, uma das eletro-intensivas em energia. A queda dos pre\u00e7os vai ajudar o segmento a manter suas atividades no Brasil, embora n\u00e3o o suficiente para disputar com players estrangeiros, avalia Mascarenhas.<\/p>\n<p>A Anglo American fez contas preliminares: a energia el\u00e9trica representa atualmente entre 20% a 25% dos custos operacionais da empresa e s\u00f3 com a redu\u00e7\u00e3o dos encargos setoriais previstos na MP, a empresa poder\u00e1 reduzir o seu custo operacional entre 3% a 5%, diz o gerente geral de Energia da empresas, Alfredo Duarte.<\/p>\n<p>Segundo c\u00e1lculos da Fiesp, o pre\u00e7o m\u00e9dio dos contratos de gera\u00e7\u00e3o que vencem a partir de 2015, poderiam cair dos atuais R$ 90 o MW\/h em m\u00e9dia para R$ 21. O governo chegou a um valor ligeiramente maior: R$ 27. O que a Fiesp fez e passou a defender, desde 2010, como receita para uma queda acentuada do pre\u00e7os da energia no Brasil foi simples. Tomava os contratos com valor m\u00e9dio de R$ 90 MW\/h e subtra\u00eda a parcela referente a amortiza\u00e7\u00e3o de usinas que foram constru\u00eddas h\u00e1 d\u00e9cadas e, em tese, j\u00e1 amortizadas. Sobrava cerca de R$ 20. Ou ent\u00e3o, tomava como refer\u00eancia o pre\u00e7o de usinas leiloadas recentemente, e tamb\u00e9m chegava a custos de R$ 20.<\/p>\n<p>O contraponto ao otimismo de mudan\u00e7as para a ind\u00fastria \u00e9 feito pela Abrace. Segundo Paulo Pedrosa, presidente da entidade, a medida do governo poder\u00e1 ter um efeito contr\u00e1rio ao desejado e provocar uma eleva\u00e7\u00e3o imediata &#8211; ainda que n\u00e3o permanente &#8211; no custo da energia comercializada no chamado mercado livre, onde parte da grande ind\u00fastria de base do pa\u00eds compra sua energia.<\/p>\n<p>A CNI, segundo Mascarenhas, n\u00e3o acredita que os pre\u00e7os ficar\u00e3o mais altos para os consumidores livres, mas entende que os maiores beneficiados pela queda de pre\u00e7o ser\u00e3o as empresas que est\u00e3o no mercado regulado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Valor Econ\u00f4mico\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3961\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-3961","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-11T","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3961","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3961"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3961\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3961"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3961"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3961"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}