{"id":3964,"date":"2012-12-04T11:25:51","date_gmt":"2012-12-04T11:25:51","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=3964"},"modified":"2012-12-04T11:25:51","modified_gmt":"2012-12-04T11:25:51","slug":"o-direito-a-autodefesa-uma-tremenda-vitoria-da-propaganda-israelita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3964","title":{"rendered":"O \u201cDireito \u00e0 autodefesa\u201d, uma tremenda vit\u00f3ria da propaganda israelita"},"content":{"rendered":"\n<p>Este artigo, de uma jornalista israelita e publicado no importante jornal Haaretz, \u00e9 duplamente significativo e corajoso: pela recusa da propaganda que novamente pretende transformar agressores em agredidos, e pelo testemunho que d\u00e1 de que o sionismo pode ser esmagadoramente dominante na sociedade israelita, mas que continua a haver &#8211; e possivelmente a aumentar &#8211; entre os israelitas a recusa e o combate essa ideologia racista, colonialista e fascista, factor central da longa e intoler\u00e1vel trag\u00e9dia do povo palestino e do M\u00e9dio Oriente.<\/p>\n<p>Com o seu apoio \u00e0 ofensiva de Israel em Gaza, os l\u00edderes ocidentais deram carta-branca aos israelitas para que fa\u00e7am aquilo que melhor sabem fazer: chafurdar na sua vitimiza\u00e7\u00e3o e ignorar o sofrimento palestino.<\/p>\n<p>Uma das tremendas vit\u00f3rias da propaganda de Israel \u00e9 que tenha sido aceite como v\u00edtima dos palestinos, tanto em termos da opini\u00e3o p\u00fablica israelita como da dos l\u00edderes ocidentais, que se apressam a falar do direito de Israel a defender-se. A propaganda \u00e9 t\u00e3o eficaz que apenas os foguetes palestinos no sul de Israel, e agora em Tel Aviv, s\u00e3o inventariados no balan\u00e7o das hostilidades. Os foguetes, ou os danos no que h\u00e1 de mais sagrado &#8211; um jeep militar- s\u00e3o sempre apresentados como ponto de partida e, ao som da aterradora sirene, como se se tratasse de um filme da Segunda Guerra Mundial, constroem a meta-narrativa da v\u00edtima que tem direito a defender-se.<\/p>\n<p>Todos os dias, e na realidade em todos os momentos, esta meta-narrativa permite a Israel acrescentar um outro elo \u00e0 cadeia do saque de uma na\u00e7\u00e3o t\u00e3o antiga como o pr\u00f3prio Estado, enquanto ao mesmo tempo \u00e9 ocultado o facto de que um fio condutor se desenrola desde 1948 quando foi negado aos refugiados palestinos o regresso aos seus lares, a expuls\u00e3o dos bedu\u00ednos do deserto de Negev em principios de 1950, a expuls\u00e3o actual dos bedu\u00ednos do vale do Jord\u00e3o, as fazendas para os judeus no Negev, a discrimina\u00e7\u00e3o nos or\u00e7amentos de Israel e os disparos contra os pescadores de Gaza para os impedir de ganhar a vida de forma respeit\u00e1vel. Milh\u00f5es destes fios cont\u00ednuos n\u00e3o tiveram interrup\u00e7\u00e3o desde 1948 at\u00e9 ao presente. \u00c9 este o tecido da vida da na\u00e7\u00e3o palestina, t\u00e3o isolados como est\u00e3o na solid\u00e3o dos seus diversos confinamentos. \u00c9 assim o tecido da vida dos cidad\u00e3os palestinos de Israel e dos que vivem nas suas terras de exilio.<\/p>\n<p>Mas estes fios n\u00e3o constituem toda a trama da vida. A resist\u00eancia aos fios que n\u00f3s, os israelitas, fazemos indefinidamente girar, tamb\u00e9m \u00e9 parte da trama da vida dos palestinos. O significado da palavra resist\u00eancia foi degradado para lhe atribuir o sentido de uma disputa muito masculina na qual os m\u00edsseis ter\u00e3o por alvo zonas muito afastadas (uma disputa entre as organiza\u00e7\u00f5es palestinas, e entre elas mesmas e o ex\u00e9rcito regular israelita). Isto n\u00e3o invalida o facto de que, em ess\u00eancia, a resist\u00eancia \u00e0 injusti\u00e7a inerente \u00e0 domina\u00e7\u00e3o israelita \u00e9 parte integrante da vida quotidiana dos palestinos.<\/p>\n<p>Os minist\u00e9rios dos Estrangeiros e do Desenvolvimento no Ocidente e nos Estados Unidos colaboram aleivosamente na mentirosa representa\u00e7\u00e3o de Israel como v\u00edtima, uma vez que a cada semana recebem relat\u00f3rios dos seus representantes na Margem Ocidental e na Faixa de Gaza sobre um elo mais que foi acrescentado \u00e0 cadeia de desapropria\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o que Israel imp\u00f5e, ou at\u00e9 porque os seus pr\u00f3prios contribuintes \u201cdoam dinheiro para alguns dos desastres humanit\u00e1rios, grandes e pequenos, infligidos por Israel\u201d.<\/p>\n<p>Em 8 de Novembro, dois dias antes do ataque ao mais santo dos santos &#8211; os soldados de um ex\u00e9rcito em jeep \u2013 esses contribuintes poderiam ter lido que os soldados israelitas tinham morto Ahmad Abu Daqqa, de 13 anos, que estava a jogar futebol com os seus amigos na povoa\u00e7\u00e3o de Abassan, a leste de Khan Yunis. Os soldados estavam a 1,5 quil\u00f3metros das crian\u00e7as, dentro da zona da Faixa de Gaza, ocupados em \u201cexpor\u201d (palavra utilizada para branquear uma outra, \u201cdestruir\u201d) as terras agr\u00edcolas. Sendo assim, \u00bfporque n\u00e3o come\u00e7ar a narrativa da escalada de agress\u00e3o na morte do menino? Em 10 de Novembro, depois do ataque ao jeep, o ex\u00e9rcito israelita matou outros quatro civis de 16 a 19 anos.<\/p>\n<p><strong>Chafurdar na ignor\u00e2ncia<\/strong><\/p>\n<p>Os l\u00edderes do Ocidente podiam saber que antes do exerc\u00edcio do ex\u00e9rcito de Israel da passada semana, dezenas de fam\u00edlias bedu\u00ednas do vale do Jord\u00e3o foram obrigadas a evacuar os seus lares. \u00a1N\u00e3o \u00e9 curioso que os treinos do ex\u00e9rcito israelita tenham sempre que ser realizados nos lugares onde vivem os bedu\u00ednos e n\u00e3o onde est\u00e3o os colonos israelitas, e que esse facto constitua um motivo para os expulsar? Outra raz\u00e3o. Outra expuls\u00e3o. Os l\u00edderes do Ocidente tamb\u00e9m poderiam ter sabido, com base no artigo impresso a quatro cores em papel cromo em que \u00e9 feito o relat\u00f3rio das finan\u00e7as dos seus pa\u00edses, que desde o in\u00edcio de 2012 Israel destruiu 569 edif\u00edcios e estruturas palestinas, incluindo po\u00e7os de agua e 178 moradias. No total, 1.014 personas foram afectadas pelas demoli\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00e3o ouvimos as massas de Tel Aviv nem os residentes das zonas do sul advertir os administradores do Estado sobre as implica\u00e7\u00f5es desta destrui\u00e7\u00e3o sobre a popula\u00e7\u00e3o civil. Os israelitas chafurdam alegremente na sua ignor\u00e2ncia. Esta informa\u00e7\u00e3o e a de outros factos semelhantes est\u00e1 dispon\u00edvel e acess\u00edvel a qualquer um que esteja realmente interessado. Mas os israelitas optam por n\u00e3o saber. Esta ignor\u00e2ncia voluntaria \u00e9 uma pedra angular da constru\u00e7\u00e3o do sentido de vitimiza\u00e7\u00e3o de Israel. Mas a ignor\u00e2ncia \u00e9 ignor\u00e2ncia: o facto de que os israelitas n\u00e3o querem saber o que est\u00e3o a fazer, como pot\u00eancia ocupante, n\u00e3o nega os seus actos nem a resist\u00eancia palestina.<\/p>\n<p>Em 1993 os palestinos deram uma prenda a Israel, uma oportunidade dourada para cortar a trama dos fios que atam 1948 at\u00e9 ao presente, de abandonar as caracter\u00edsticas de pa\u00eds de saque colonial, e de planear juntos um futuro diferente para os dois povos na regi\u00e3o. A gera\u00e7\u00e3o palestina que aceitou os Acordos de Oslo (cheios de armadilhas colocadas por inteligentes advogados israelitas) \u00e9 a gera\u00e7\u00e3o que conheceu uma multifac\u00e9tica, e at\u00e9 normal, sociedade israelita que permitiu a ocupa\u00e7\u00e3o de 1967 (com o fim de conseguir m\u00e3o de obra barata) com uma liberdade de movimentos quase completa. Os palestinos chegaram a um acordo sobre a base das suas reivindica\u00e7\u00f5es m\u00ednimas. Um dos pilares destas exig\u00eancias m\u00ednimas definia a Faixa de Gaza e a Cisjord\u00e2nia como uma entidade territorial \u00fanica.<\/p>\n<p>Mas desde que teve in\u00edcio a aplica\u00e7\u00e3o de Oslo, Israel fez sistematicamente todo o poss\u00edvel para que a Faixa de Gaza se convertesse numa entidade independente, desligada, no quadro da insist\u00eancia de Israel em manter e ampliar a trama de 1948. Desde o aparecimento do Hamas tem feito todos os poss\u00edveis para dar apoio \u00e0 concep\u00e7\u00e3o que Hamas prefere: que a Faixa de Gaza \u00e9 uma entidade pol\u00edtica separada onde n\u00e3o existe ocupa\u00e7\u00e3o. Se isto \u00e9 assim, por que n\u00e3o ver as cosas da seguinte maneira: Como entidade pol\u00edtica independente, qualquer incurs\u00e3o no territ\u00f3rio de Gaza \u00e9 uma viola\u00e7\u00e3o da sua soberania, e Israel est\u00e1 constantemente a faz\u00ea-lo. \u00bfPor acaso n\u00e3o ter\u00e1 o governo do estado de Gaza o direito de responder, de ripostar, ou ao menos o direito masculino &#8211; um g\u00e9meo do direito masculino do ex\u00e9rcito israelita \u2013 a assustar os israelitas da mesma forma que eles o fazem com os palestinos?<\/p>\n<p>Mas Gaza n\u00e3o \u00e9 um Estado. Gaza est\u00e1 sob ocupa\u00e7\u00e3o israelita, apesar de todas as acrobacias verbais tanto de Hamas como de Israel. Os palestinos que vivem ali s\u00e3o parte de um povo cujo ADN cont\u00e9m a resist\u00eancia \u00e0 opress\u00e3o.<\/p>\n<p>Na Cisjord\u00e2nia, os activistas palestinos procuram desenvolver um tipo de resist\u00eancia diferente da resist\u00eancia armada masculina. Mas o ex\u00e9rcito israelita destr\u00f3i com zelo e determina\u00e7\u00e3o toda a resist\u00eancia popular. N\u00e3o temos ouvido dizer que os residentes de Tel Aviv e das zonas do sul se queixem da simetria de dissuas\u00e3o que o ex\u00e9rcito israelita est\u00e1 a construir contra a popula\u00e7\u00e3o civil palestina.<\/p>\n<p>E assim de novo Israel oferece mais raz\u00f5es a mais jovens palestinos, para quem Israel \u00e9 uma sociedade anormal de ex\u00e9rcitos e de colonos, para concluir que a \u00fanica resist\u00eancia racional \u00e9 o derramamento de sangue e o contraterrorismo. E assim todos os elos da opress\u00e3o israelita e toda a ignor\u00e2ncia da exist\u00eancia da opress\u00e3o israelita nos vai arrastando encosta abaixo na ladeira da disputa masculina.<\/p>\n<p><em>*Amira Hass, jornalista israelita, filha de dois sobreviventes do Holocausto que, ao chegarem a Israel, se recusaram a viver em casas roubadas a palestinianos entretanto expulsos da sua terra.<\/em><\/p>\n<p><em>Fonte original:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.haaretz.com\/news\/features\/israel-s-right-to-self-defense-a-tremendous-propaganda-victory.premium-1.478913\" target=\"_blank\">http:\/\/www.haaretz.com\/news\/features\/israel-s-right-to-self-defense-a-tremendous-propaganda-victory.premium-1.478913<\/a><\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.odiario.info\/?p=2687\" target=\"_blank\">http:\/\/www.odiario.info\/?p=2687<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nOdiario.info\n\n\n\n\n\n\n\n\nAmira Hass* (Haaretz)\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/3964\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[78],"tags":[],"class_list":["post-3964","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c91-solidariedade-a-palestina"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-11W","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3964","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3964"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3964\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3964"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3964"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3964"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}