{"id":4008,"date":"2012-12-10T22:15:43","date_gmt":"2012-12-11T01:15:43","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4008"},"modified":"2017-11-09T16:31:20","modified_gmt":"2017-11-09T19:31:20","slug":"14d-encontro-internacional-de-partidos-comunistas-e-operarios-contribuicao-do-partido-comunista-da-grecia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4008","title":{"rendered":"14\u00b0 Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Oper\u00e1rios &#8211; Contribui\u00e7\u00e3o do Partido Comunista da Gr\u00e9cia"},"content":{"rendered":"<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"imagem\" title=\"imagem\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/lh6.googleusercontent.com\/-o3dWN8arZ9o\/UMZgL9k4DPI\/AAAAAAAACPo\/jbTALM3lT00\/s640\/aleka.jpg?w=747&#038;ssl=1\" alt=\"imagem\" \/><!--more-->Discurso da Secret\u00e1ria Geral do CC do KK, A.Papariga, no 14\u00ba Encontro Internacional dos Partidos Comunistas e Oper\u00e1rios.<\/p>\n<p>Beirute, 22-25 de novembro de 2012.<\/p>\n<p>Tema \u201cFortalecer as lutas contra a agressividade imperialista crescente para satisfazer os direitos socioecon\u00f4micos, democr\u00e1ticos e as aspira\u00e7\u00f5es dos povos, pelo socialismo\u201d.<\/p>\n<p>Estimados camaradas:<\/p>\n<p>Queremos agradec\u00ea-los por acolher o encontro em um pa\u00eds, em uma regi\u00e3o, que sofre h\u00e1 anos, assim como nos \u00faltimos dias, com a interven\u00e7\u00e3o imperialista e a invas\u00e3o, elementos quase permanentes que marcam todos os n\u00edveis da barb\u00e1rie e do autoritarismo. A Gr\u00e9cia tamb\u00e9m se insere nesta regi\u00e3o e, por isso, sentimos que \u00e9 sempre nosso dever n\u00e3o s\u00f3 expressar nossa solidariedade internacionalista, mas considerar seriamente os acontecimentos que possuem um impacto tamb\u00e9m em nosso pa\u00eds, como um pa\u00eds capitalista plenamente assimilado nos objetivos estrat\u00e9gicos da UE, da OTAN e dos EUA, com o acordo volunt\u00e1rio da grande maioria das for\u00e7as pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Condenamos o acordo estrat\u00e9gico assinado entre a Gr\u00e9cia e Israel, porque, sem d\u00favida, n\u00e3o tem nada a ver com os interesses comuns aos povos e sim com os objetivos estrat\u00e9gicos e antipopulares da burguesia, tanto de nosso pa\u00eds como a de Israel. Trata-se de uma coopera\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica militar e econ\u00f4mica, que tem como objetivo a participa\u00e7\u00e3o na luta incondicional e implac\u00e1vel pelos recursos energ\u00e9ticos e os recursos da regi\u00e3o em geral. A Gr\u00e9cia est\u00e1 disposta a contribuir com as interven\u00e7\u00f5es militares de Israel, sobretudo, se Israel decidir atacar o Ir\u00e3. De fato, s\u00e3o realizados exerc\u00edcios conjuntos com Israel que incluem exerc\u00edcios id\u00eanticos \u00e0s opera\u00e7\u00f5es militares contra a S\u00edria ou contra ou Ir\u00e3.<\/p>\n<p>N\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0por acaso que o governo grego n\u00e3o manifeste nenhuma express\u00e3o formal de compaix\u00e3o ao povo palestino torturado, que sofre, mais uma vez, com os bombardeios, enquanto os demais partidos da oposi\u00e7\u00e3o se mantem em sil\u00eancio.<\/p>\n<p>H\u00e1\u00a0muitos anos, a regi\u00e3o sofre com a interven\u00e7\u00e3o imperialista multifacetada para o benef\u00edcio dos governos e dos regimes reacion\u00e1rios. No entanto, a situa\u00e7\u00e3o que experimentamos nos \u00faltimos anos, e atualmente, est\u00e1 diretamente relacionada com o desenvolvimento da profunda e prolongada crise econ\u00f4mica capitalista na zona do euro, que possui um impacto direto a n\u00edvel mundial e, inclusive, nos centros e nas pot\u00eancias imperialistas estabelecidas e emergentes.<\/p>\n<p>A crise que estamos vivendo, que teve como ponto de partida os EUA, \u00e9 a continua\u00e7\u00e3o da crise que eclodiu em fins da d\u00e9cada de 1990, nos chamados Tigres Asi\u00e1ticos, na R\u00fassia, assim como nos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. No entanto, mesmo quando foi poss\u00edvel a recupera\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se obteve a taxa da estabilidade anterior. N\u00e3o exclu\u00edmos a possibilidade de uma recupera\u00e7\u00e3o an\u00eamica, que ser\u00e1 seguida de uma crise ainda mais profunda e sincronizada na UE, nos EUA e no Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>O sistema capitalista n\u00e3o pode gerir a crise com a facilidade com que fazia antes. N\u00e3o pode lidar com as consequ\u00eancias da pobreza e da indig\u00eancia como antes. Mas isto n\u00e3o significa que o sistema colapsar\u00e1 por si mesmo, devido a suas contradi\u00e7\u00f5es. Isto s\u00f3 ocorrer\u00e1, a menos que se forme em cada pa\u00eds um movimento oper\u00e1rio poderoso, capaz de levar a cabo um assalto geral, e preparado para quando se produzir a situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria ou quando esta seja eminente. O movimento revolucion\u00e1rio n\u00e3o brotar\u00e1 de repente. Ele est\u00e1 sendo preparado, est\u00e1 sendo educado, est\u00e1 adquirindo experi\u00eancia nas lutas di\u00e1rias.<\/p>\n<p>O in\u00edcio da crise econ\u00f4mica capitalista sincronizada e generalizada destacou o car\u00e1ter historicamente antiquado e desumano do sistema capitalista contempor\u00e2neo, a atualidade e a necessidade do socialismo, a necessidade de reagrupamento do movimento comunista internacional.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0que movimento oper\u00e1rio, que movimento popular pode avan\u00e7ar no \u00e1spero caminho cheio de curvas, subidas e descidas, sem atrapalhar-se, sem degenerar-se? A experi\u00eancia anterior e recente nos proporcionou uma quantidade de provas sobre esse perigo. Que movimento oper\u00e1rio e popular poder\u00e1 se levantar contra a agressividade imperialista, abrir\u00e1 uma frente contra a guerra imperialista e a paz imperialista para que os povos n\u00e3o derramem seu sangue pelos interesses dos imperialistas?<\/p>\n<p>A linha para o fortalecimento do movimento oper\u00e1rio, sua alian\u00e7a com os setores populares, somente pode fomentar, preparar e avan\u00e7ar nas batalhas di\u00e1rias no caminho da luta emancipacionista, com objetivos anti-monopolistas e anti-imperialistas, a n\u00edvel nacional e em termos de coopera\u00e7\u00e3o internacionalistas e a\u00e7\u00e3o conjunta.<\/p>\n<p>Hoje em dia, o patriotismo contempor\u00e2neo se expressa com a luta pela derrocada do capitalismo, pelo socialismo. Nenhum pa\u00eds capitalista, por mais avan\u00e7ada que seja a democracia parlamentar, n\u00e3o pode garantir a independ\u00eancia nacional de seu povo e o respeito dos direitos soberanos, exceto em um sentido meramente formal e sem conte\u00fado substancial.<\/p>\n<p>Acompanhamos de perto as reflex\u00f5es, os debates no movimento comunista sobre o imperialismo, a estrat\u00e9gia do movimento, as acusa\u00e7\u00f5es que se dirigem contra a pol\u00edtica neoliberal de gest\u00e3o do sistema capitalista. Em nossa opini\u00e3o, assim como \u00e9 importante dar passos e fazer progressos na atividade pr\u00e1tica, no esfor\u00e7o para reunir amplas massas populares e oper\u00e1rias, \u00e9 igualmente importante esclarecer quest\u00f5es s\u00e9rias acerca da ideologia e da teoria que tem a ver com a estrat\u00e9gia e com a t\u00e1tica do movimento contra o imperialismo.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica que predomina, a n\u00edvel mundial, n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0simplesmente uma receita de gest\u00e3o liberal, como se costuma afirmar. Independentemente de certas diferen\u00e7as entre as receitas liberais e socialdemocratas, trata-se da estrat\u00e9gia contempor\u00e2nea a favor dos monop\u00f3lios, que foi elaborada depois da crise de 1971-1973, como uma resposta ao problema da tend\u00eancia decrescente da taxa de lucros, em termos de antagonismo interimperialista, enquanto o desenvolvimento desigual se aprofunda, dado que \u00e9 inerente ao sistema capitalista internacional.<\/p>\n<p>Um componente da pol\u00edtica contempor\u00e2nea a favor dos monop\u00f3lios \u00e9\u00a0a for\u00e7a de trabalho barata, as reestrutura\u00e7\u00f5es reacion\u00e1rias, as \u201cliberaliza\u00e7\u00f5es\u201d, as privatiza\u00e7\u00f5es, a interven\u00e7\u00e3o imperialista e a guerra pela redistribui\u00e7\u00e3o dos mercados.<\/p>\n<p>Esta linha pol\u00edtica a favor dos monop\u00f3lios foi e continua sendo seguida pelas for\u00e7as governamentais burguesas liberais e socialdemocratas, assim como pelos governos da centro-esquerda, nos \u00faltimos trinta anos. Iniciou nos EUA e na Gr\u00e3-Bretanha e logo se expandiu \u00e0 UE. No s\u00e9culo XX, tanto a gest\u00e3o liberal como a gest\u00e3o keynesiana n\u00e3o conseguiram, e nem podem, cancelar a crise econ\u00f4mica e a guerra imperialista.<\/p>\n<p>O principal assunto \u00e9\u00a0convencer a maior parte poss\u00edvel da classe oper\u00e1ria, do povo trabalhador, acerca do verdadeiro car\u00e1ter da crise, como uma crise de superacumula\u00e7\u00e3o sobre a base da propriedade capitalista e da explora\u00e7\u00e3o classista. Assim, confrontar com argumentos o esfor\u00e7o sistem\u00e1tico de desinformar e ocultar, com o objetivo de encobrir as verdadeiras causas e os fatores da crise, as teorias sobre o \u201ccapitalismo cassino\u201d, a teoria de que a crise se deve exclusivamente ao sistema financeiro, ao \u201cconsumo excessivo\u201d e\/ ou seu oposto, o \u201csubconsumo\u201d.<\/p>\n<p>O movimento oper\u00e1rio e seus aliados n\u00e3o devem ficar presos \u00e0s diversas f\u00f3rmulas de gest\u00e3o da crise que aparecem hoje na UE, assim como a n\u00edvel internacional. Nenhuma delas aponta para uma sa\u00edda da crise a favor do povo. Todas as f\u00f3rmulas que s\u00e3o claramente expressas baseiam-se no barateamento da for\u00e7a de trabalho, afetam um grande n\u00famero de setores pequenos e m\u00e9dios e apoiam as reestrutura\u00e7\u00f5es capitalistas.<\/p>\n<p>Hoje em dia, existe um debate intenso e existem s\u00e9rios desacordos entre os estados-membros da UE, entre os setores da burguesia em cada pa\u00eds, entre os partidos pol\u00edticos burgueses sobre se uma quebra controlada \u00e9\u00a0a solu\u00e7\u00e3o, sobre se a zona do euro deve permanecer intacta, sobre se a UE deve transformar-se em uma federa\u00e7\u00e3o, o que possivelmente conduzir\u00e1 \u00e0 expuls\u00e3o de alguns Estados, etc.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, c\u00edrculos pol\u00edticos burgueses e empresariais fomentam a teoria de que a sa\u00edda da zona do euro ou, inclusive, da UE, ajudaria um governo burgu\u00eas a libertar-se dos compromissos da moeda \u00fanica, a imprimir seu pr\u00f3prio dinheiro, a trazer investidores que apostem em uma moeda nacional barata, etc.<\/p>\n<p>Esta posi\u00e7\u00e3o tem um car\u00e1ter classista na medida em que \u00e9 promovida por setores da burguesia e especuladores. N\u00e3o tem nada a ver com a posi\u00e7\u00e3o classista do KKE sobre o poder oper\u00e1rio e popular, a retirada da EU, o cancelamento unilateral da d\u00edvida e a socializa\u00e7\u00e3o dos monop\u00f3lios, cooperativas populares de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola que estejam integradas, at\u00e9 certo grau, na planifica\u00e7\u00e3o central.<\/p>\n<p>As for\u00e7as oportunistas que adotam uma posi\u00e7\u00e3o contra a receita alem\u00e3 promovem o relaxamento da pol\u00edtica fiscal e a quebra controlada, assim como a ideia de que existe um programa pol\u00edtico de transi\u00e7\u00e3o de luta e poder que pode equilibrar os interesses dos monop\u00f3lios e do povo trabalhador. Tal programa governamental, que possui resultados favor\u00e1veis tanto para os monop\u00f3lios como para os povos, n\u00e3o existe em nenhum lugar e nem existe hoje, no sentido de ter sido confirmado no \u00e2mbito nacional ou em um grupo de pa\u00edses. N\u00e3o \u00e9 por acaso que n\u00e3o se menciona nenhum pa\u00eds como exemplo da aplica\u00e7\u00e3o desta op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Vivemos um per\u00edodo em que as contradi\u00e7\u00f5es interimperialistas, na condi\u00e7\u00e3o de uma crise profunda, est\u00e3o empurrando setores da burguesia, toda a burguesia de um pa\u00eds ou outro para escolherem se permanecem em um campo imperialista ou se v\u00e3o para outro, para decidir ao lado de qual pot\u00eancia imperialista conv\u00e9m estar. Al\u00e9m disso, nas alian\u00e7as imperialistas se produzem realinhamentos, os quais s\u00e3o assuntos fluidos e que, em nossa opini\u00e3o, est\u00e3o relacionados com a regi\u00e3o mais ampla do Leste do Mediterr\u00e2neo e, inclusive, da \u00c1frica do Norte.<\/p>\n<p>O alinhamento do movimento oper\u00e1rio e de seus aliados com uma ou outra f\u00f3rmula de gest\u00e3o, com uma ou outra pot\u00eancia imperialista, significa submiss\u00e3o e alistamento sob uma bandeira distante. Vejamos como s\u00e3o as coisas na zona do euro.<\/p>\n<p>A burguesia alem\u00e3\u00a0e a burguesia francesa enfrentam s\u00e9rios dilemas quanto ao futuro da zona do euro. Apesar de suas contradi\u00e7\u00f5es, ambas acordaram, como aconteceu no passado, um compromisso temporal fr\u00e1gil que n\u00e3o alivia, em absoluto, a barb\u00e1rie das medidas contra os trabalhadores e das reformas reacion\u00e1rias, al\u00e9m de n\u00e3o negar as causas do aprofundamento das contradi\u00e7\u00f5es interimperialistas.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia dominante da burguesia alem\u00e3\u00a0apresenta como prioridade o fortalecimento do euro, a estabilidade monet\u00e1ria e se nega a assumir o custo pela deprecia\u00e7\u00e3o do capital nos pa\u00edses altamente endividados. Uma segunda tend\u00eancia que est\u00e1 se fortalecendo na UE \u00e9 a que quer manter intacta a zona do euro para que o mercado europeu n\u00e3o se contraia diante do duro antagonismo internacional. Uma terceira questiona a forma atual da zona do euro em seu conjunto e d\u00e1 prioridade \u00e0 aproxima\u00e7\u00e3o com o eixo China- R\u00fassia.<\/p>\n<p>Os governos burgueses, os partidos liberais e socialdemocratas, assim como os chamados partidos da esquerda, da renova\u00e7\u00e3o, se alinham em uma ou outra vers\u00e3o de gest\u00e3o que, esquematicamente, a uma se caracteriza como restritiva e outra como expansiva.<\/p>\n<p>Estamos certos de uma coisa \u2013 sem subestimar as dificuldades trazidas pelas ilus\u00f5es e pelas vis\u00f5es ut\u00f3picas ao fortalecimento do movimento \u2013 que, objetivamente, cada vez mais setores da classe oper\u00e1ria entrar\u00e3o em conflito com as solu\u00e7\u00f5es de gest\u00e3o burguesa, que trata de controlar a extens\u00e3o da depreda\u00e7\u00e3o de capital e a distribui\u00e7\u00e3o do dano entre seus diferentes setores.<\/p>\n<p>Os partidos comunistas, a vanguarda radical, n\u00e3o devem perder a independ\u00eancia de opini\u00e3o e a\u00e7\u00e3o diante dos v\u00e1rios blocos que est\u00e3o ao lado de uma ou outra pot\u00eancia imperialista, com um setor da burguesia contra os outros, a favor dos altos estratos intermedi\u00e1rios.<\/p>\n<p>O car\u00e1ter anticapitalista e anti-monopolista da luta deve se fortalecer e, deste ponto de vista, devem tratar dos compromissos e da depend\u00eancia que sofrem os pa\u00edses e os povos que est\u00e3o integrados nas uni\u00f5es imperialistas, como a OTAN e a UE.<\/p>\n<p>O car\u00e1ter do patriotismo contempor\u00e2neo coincide com a derrocada do poder burgu\u00eas e da propriedade capitalista dos meios de produ\u00e7\u00e3o, a retirada de toda coalis\u00e3o interestatal capitalista e alian\u00e7a imperialista.<\/p>\n<p>Portanto, as chamadas frente anti-alem\u00e3 e frente antiamericana, contra os EUA, por si s\u00f3 n\u00e3o podem expressar ou fazer oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 luta contra as consequ\u00eancias da crise. Tampouco, devemos esquecer que o capitalismo monopolista, ou seja o imperialismo, determina o destino e o curso dos estados que n\u00e3o pertencem organicamente \u00e0s uni\u00f5es imperialistas. Hoje em dia n\u00e3o existem pa\u00edses que n\u00e3o estejam conectados, de uma maneira ou de outra, ao sistema global e regional do imperialismo, ao mercado capitalista mundial e a seus mercados regionais. A via de desenvolvimento capitalista \u00e9 o caminho que conduz \u00e0 incorpora\u00e7\u00e3o mais frouxa ou mais apertada no sistema imperialista e, portanto, a luta anti-imperialista \u00e9 anticapitalista, j\u00e1 que nos encontramos na fase imperialista do capitalismo.<\/p>\n<p>Os povos n\u00e3o se tornam mais combativos quando se influenciam por opini\u00f5es que separam a pol\u00edtica imperialista do capitalismo monopolista, quando identificam o imperialismo somente com as rela\u00e7\u00f5es internacionais desiguais, com a interven\u00e7\u00e3o imperialista e a guerra, quando separam as contradi\u00e7\u00f5es internas das interimperialistas.<\/p>\n<p>O Partido Comunista deve ter um papel dirigente na organiza\u00e7\u00e3o independente da resist\u00eancia oper\u00e1ria e popular em todas suas formas, para que a resist\u00eancia se conecte com a luta pela completa derrota da burguesia, dom\u00e9stica e estrangeira, como um invasor, para conectar, na pr\u00e1tica, a luta contra a guerra \u00e0 tomada do poder. Por iniciativa e com a dire\u00e7\u00e3o do Partido, se deve formar uma frente oper\u00e1ria e popular com as formas de atividade, sob o lema: o povo proporcionar\u00e1 a liberdade e a sa\u00edda do sistema capitalista, que enquanto predomina, traz a guerra e a paz com uma pistola na cabe\u00e7a do povo.<\/p>\n<p>Hoje, na Gr\u00e9cia, apoiamos a Alian\u00e7a Popular que expressa os interesses da classe oper\u00e1ria, dos semiprolet\u00e1rios, dos pobres trabalhadores aut\u00f4nomos e dos camponeses, assim como dos cientistas que trabalham por conta pr\u00f3pria, ainda que tenham maior liberdade que os trabalhadores assalariados, que se converter\u00e3o cada vez mais em assalariados em grandes empresas capitalistas com baixa renda, ou em desempregados ou semiempregados. A partir deste ponto de vista, repudiamos todo apoio \u00e0s for\u00e7as pol\u00edticas que apoiam uma ou outra f\u00f3rmula de gest\u00e3o.<\/p>\n<p>Hoje em dia, na Gr\u00e9cia, se levam a cabo processos de reforma do sistema pol\u00edtico, j\u00e1\u00a0que o sistema de altern\u00e2ncia bipartid\u00e1ria da ND liberal e do PASOK socialdemocrata n\u00e3o pode mais funcionar, sobretudo devido \u00e0 desintegra\u00e7\u00e3o do PASOK. Uma grande parte do aparato do PASOK, de setores da aristocracia oper\u00e1ria e do sindicalismo pactualista, de setores das classes m\u00e9dias que operavam como sat\u00e9lites dos monop\u00f3lios, geriam uma parte das subven\u00e7\u00f5es da EU, mudaram de partido, rumaram para o SYRIZA, que de partido oportunista est\u00e1 se transformando em sucessor da socialdemocracia, mantendo algumas palavras de ordem a fim de manter o perfil da renova\u00e7\u00e3o da esquerda comunista.<\/p>\n<p>O KKE tem resistido \u00e0 grande press\u00e3o exercida para participar de um governo com o SYRIZA. Um governo cujas posi\u00e7\u00f5es program\u00e1ticas t\u00eam uma clara dire\u00e7\u00e3o de apoio ao desenvolvimento capitalista, com contradi\u00e7\u00f5es que, de antem\u00e3o, determinam sua plena assimila\u00e7\u00e3o quando se converte em maioria governamental. Estas posi\u00e7\u00f5es trouxeram um custo eleitoral, por\u00e9m n\u00e3o privaram o partido de sua capacidade, mesmo ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es, de mobilizar e organizar as massas populares. \u00c9 um legado para o futuro, para um movimento que evitar\u00e1 as armadilhas perigosas e os erros que podem prejudicar os interesses populares e que, finalmente, o esmagar\u00e3o por um per\u00edodo de tempo longo e crucial.<\/p>\n<p>O KKE deixou sua clara posi\u00e7\u00e3o desde o primeiro momento das mobiliza\u00e7\u00f5es nos pa\u00edses da \u00c1frica do Norte, assim como no in\u00edcio do conflito armado na S\u00edria. Qualquer que seja a participa\u00e7\u00e3o popular, em particular no Egito e na Tun\u00edsia, vem assinalando, sem d\u00favida, os problemas populares no pa\u00eds, os direitos dos trabalhadores, o desejo de uma mudan\u00e7a pol\u00edtica. Por\u00e9m, n\u00e3o podemos fechar os olhos diante do fato de que foram provocados ou utilizados pelas fortes pot\u00eancias imperialistas, encabe\u00e7adas pelos EUA e seus antagonistas, pelo controle dos recursos naturais, com o fim de mudar o governo por for\u00e7as que podiam control\u00e1-lo melhor. Dizemos claramente que foi parte do plano que Bush tinha declarado como plano de \u201cdemocratiza\u00e7\u00e3o\u201d dos pa\u00edses \u00e1rabes e do mundo \u00e1rabe.<\/p>\n<p>Os acontecimentos na S\u00edria possuem suas ra\u00edzes nos problemas econ\u00f4micos, sociais e pol\u00edticos que est\u00e3o sendo vivenciados pela classe oper\u00e1ria e as demais camadas populares. Por\u00e9m, n\u00f3s nos opomos a qualquer tentativa de uma interven\u00e7\u00e3o imperialista dos EUA, da UE, da OTAN, de Israel, Turquia, Qatar, Ar\u00e1bia Saudita. Denunciamos ao povo grego que os EUA, a UE e Israel est\u00e3o interessados em desestabilizar e debilitar a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as no regime burgu\u00eas s\u00edrio.<\/p>\n<p>O enfraquecimento, a derrocada do regime s\u00edrio abre o apetite dos imperialistas para atacar o Ir\u00e3, para proceder com novos desmembramentos de estados na regi\u00e3o, um efeito domin\u00f3 de desestabiliza\u00e7\u00e3o e de derramamento de sangue que trar\u00e1 novas guerras e interven\u00e7\u00f5es imperialistas.<\/p>\n<p>Consideramos que todos devemos trabalhar na luta anti-imperialista e anti-monopolista comum contra os organismos imperialistas, pela elimina\u00e7\u00e3o das bases militares estrangeiras e nucleares, pelo regresso das for\u00e7as militares das miss\u00f5es imperialistas e pela articula\u00e7\u00e3o desta luta \u00e0 luta pelo poder.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.solidnet.org\/greece-communist-party-of-greece-\/3102-14-imcwp-contribution-of-the-communist-party-of-greece\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.solidnet.org<\/a><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nPCB\n\n\n\n\n\n\n\n\nDiscurso da Secret\u00e1ria Geral do CC do KK, A.Papariga, no 14\u00ba Encontro Internacional dos Partidos Comunistas e Oper\u00e1rios.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4008\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[242,36],"tags":[],"class_list":["post-4008","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-eipco","category-c41-unidade-comunista"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-12E","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4008","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4008"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4008\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4008"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4008"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4008"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}