{"id":4011,"date":"2012-12-11T18:41:33","date_gmt":"2012-12-11T18:41:33","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4011"},"modified":"2012-12-11T18:41:33","modified_gmt":"2012-12-11T18:41:33","slug":"em-seis-anos-tesouro-injetou-r-390-bi-em-bancos-publicos-para-estimular-credito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4011","title":{"rendered":"Em seis anos, Tesouro injetou R$ 390 bi em bancos p\u00fablicos para estimular cr\u00e9dito"},"content":{"rendered":"\n<p>A forte expans\u00e3o \u00e9 resultado da estrat\u00e9gia do governo de estimular a atividade econ\u00f4mica e aumentar a concorr\u00eancia no setor financeiro. Quarta-feira, o governo deu mostras de que a estrat\u00e9gia permanecer\u00e1 ativa. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou a libera\u00e7\u00e3o de R$ 100 bilh\u00f5es para o BNDES no ano que vem. Desse valor, cerca de R$ 45 bilh\u00f5es poder\u00e3o ter como fonte o Tesouro Nacional.<\/p>\n<p>Para muitos analistas, por\u00e9m, o modelo adotado pelo governo traz pelo menos dois riscos. O primeiro \u00e9 financeiro: um crescimento muito acelerado do cr\u00e9dito pode implicar pesadas perdas no futuro caso haja alguma mudan\u00e7a abrupta no cen\u00e1rio econ\u00f4mico brasileiro e\/ou global. Foi o que deu origem \u00e0 crise financeira internacional que estourou em 2008.<\/p>\n<p>&#8220;Se hoje, com a economia relativamente em boa situa\u00e7\u00e3o, os \u00edndices de inadimpl\u00eancia est\u00e3o elevados, o que pode acontecer se houver uma reviravolta?&#8221;, indaga o analista de institui\u00e7\u00f5es financeiras da Austin Rating, Lu\u00eds Miguel Santacreu. Ele pondera que, atualmente, &#8220;o cr\u00e9dito est\u00e1 andando na frente da economia, quando o ideal \u00e9 que os dois caminhem juntos&#8221;.<\/p>\n<p>O analista refere-se \u00e0 velocidade de expans\u00e3o dos empr\u00e9stimos e do Produto Interno Bruto (PIB). Nos 12 meses terminados em outubro, o cr\u00e9dito total no Pa\u00eds cresceu 16,6%, enquanto o PIB deve avan\u00e7ar cerca de 1% no ano.<\/p>\n<p>Na Caixa Econ\u00f4mica Federal, o ritmo tem sido muito mais expressivo: 45%. Em geral, os grandes bancos privados de varejo consideram saud\u00e1vel um crescimento do cr\u00e9dito duas vezes superior ao do PIB, j\u00e1 descontada a infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>D\u00edvida do governo<\/p>\n<p>O segundo risco apontado pelos especialistas na estrat\u00e9gia do governo \u00e9 fiscal: a d\u00edvida p\u00fablica bruta \u00e9 pressionada pelos desembolsos do Tesouro Nacional aos bancos, embora a d\u00edvida l\u00edquida (que desconta os ativos do governo federal) permane\u00e7a em trajet\u00f3ria de queda.<\/p>\n<p>&#8220;Se essa pol\u00edtica for mantida indefinidamente, poder\u00e1 levar o Brasil a ter problemas de solv\u00eancia no futuro&#8221;, afirmou o economia Felipe Salto, especialista em finan\u00e7as p\u00fablicas e analista da Tend\u00eancias Consultoria Integrada.<\/p>\n<p>Salto, que levantou os n\u00fameros para o Estado, observa que a d\u00edvida bruta brasileira deve encerrar 2012 pr\u00f3xima de 64% do PIB, segundo os crit\u00e9rios do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI). Na m\u00e9dia, os pa\u00edses emergentes est\u00e3o com endividamento na casa dos 35% do PIB. Os avan\u00e7ados, que enfrentam grave crise de confian\u00e7a justamente por causa das d\u00edvidas elevadas, est\u00e3o com 111% do PIB.<\/p>\n<p>Para o economista-chefe da LCA Consultores, Br\u00e1ulio Borges, esses dados mostram que a d\u00edvida bruta brasileira, hoje, n\u00e3o \u00e9 alta nem baixa. &#8220;A quest\u00e3o \u00e9 que a prud\u00eancia recomenda que um governo mantenha o endividamento em n\u00edveis baixos para ter espa\u00e7o fiscal caso tenha de enfrentar uma crise inesperada, como a de 2008&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Se a folga fiscal n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande, o socorro de um governo para evitar (ou amenizar) uma recess\u00e3o pode se transformar em uma crise ainda maior. \u00c9 o que ocorreu nos Estados Unidos, que tinham um n\u00edvel de endividamento relativamente confort\u00e1vel antes da quebradeira de bancos.<\/p>\n<p>As medidas de George W. Bush e Barack Obama para evitar uma depress\u00e3o como a dos anos 30 elevaram a d\u00edvida e, por tabela, o risco fiscal. A situa\u00e7\u00e3o americana s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 mais delicada porque o pa\u00eds emite o d\u00f3lar, ainda a moeda mais confi\u00e1vel do mundo.<\/p>\n<p>Por tudo isso, o s\u00f3cio da MCM Consultores e ex-diretor do Banco Central (BC), Jos\u00e9 Julio Senna, avalia que o governo tem de trocar de estrat\u00e9gia. &#8220;O problema do Brasil, hoje, \u00e9 estimular a oferta da economia, e n\u00e3o a demanda, seja por meio de mais cr\u00e9dito p\u00fablico ou outros instrumentos&#8221;, argumenta.<\/p>\n<p>Ele pondera que, na fase mais aguda da crise, a resposta do governo fez sentido. &#8220;Foi aceit\u00e1vel, naquela ocasi\u00e3o, o aumento do cr\u00e9dito p\u00fablico. Mas hoje vivemos a fase cr\u00f4nica da crise, que precisa de outro tipo de rem\u00e9dio.&#8221;<\/p>\n<p>Senna afirma ainda que n\u00e3o v\u00ea riscos de solv\u00eancia no Brasil de hoje, porque v\u00e1rios outros pa\u00edses t\u00eam situa\u00e7\u00e3o fiscal pior. &#8220;Minha preocupa\u00e7\u00e3o maior \u00e9 com o uso dos recursos p\u00fablicos, que deveriam ser direcionados para quest\u00f5es mais prementes do dia a dia dos brasileiros, como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<p>Ele acrescenta, ainda, que empr\u00e9stimos concedidos por institui\u00e7\u00f5es financeiras privadas tendem a ser mais bem aplicados (e, portanto, mais eficientes) porque n\u00e3o costuma haver interfer\u00eancia pol\u00edtica na decis\u00e3o.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Cal\u00e7adistas fecham f\u00e1bricas at\u00e9 fora do RS<\/p>\n<p>Zero Hora<\/p>\n<p>Ainda que os problemas que as atinjam hoje sejam diferentes, para o presidente do Badesul e coordenador do setor coureiro-cal\u00e7adista da Pol\u00edtica Industrial do Estado, Marcelo Lopes, as dificuldades enfrentadas por essas empresas podem apontar um erro de avalia\u00e7\u00e3o sobre os riscos de fazer a migra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2013 Algumas sa\u00edram e acabaram voltando, e outras tantas t\u00eam crescido sem deixar o Rio Grande do Sul. Construir um cluster (complexo) cal\u00e7adista n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, e isso j\u00e1 est\u00e1 estabelecido aqui \u2013 afirma Lopes.<\/p>\n<p>Vagas perdidas n\u00e3o retornar\u00e3o<\/p>\n<p>Mesmo que as empresas que deixaram o Estado estejam encontrando dificuldades em outros lugares, para o diretor-executivo da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Ind\u00fastrias de Cal\u00e7ados (Abical\u00e7ados), Heitor Klein, os empregos que se perderam com o fechamento das f\u00e1bricas locais n\u00e3o devem voltar ao Estado. Conforme dados do Minist\u00e9rio do Trabalho e da Abical\u00e7ados, em 1991, o setor empregava 56,8 mil pessoas. No ano passado, eram 44,6 mil. Em duas d\u00e9cadas, 12,2 mil vagas foram suprimidas.<\/p>\n<p>\u2013 S\u00e3o situa\u00e7\u00f5es muito pontuais, n\u00e3o ter\u00e3o reflexos no emprego aqui. As empresas brasileiras sofrem com os importados \u2013 avalia Klein.<\/p>\n<p>O presidente do Badesul, no entanto, considera poss\u00edvel a volta das empresas. Lopes afirma que est\u00e3o sendo realizadas reuni\u00f5es com representantes do segmento para discutir a\u00e7\u00f5es que ampliem a competitividade do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>\u2013 A quest\u00e3o fiscal \u00e9 central para as empresas cal\u00e7adistas. Tivemos modifica\u00e7\u00f5es no ano passado, e \u00e9 poss\u00edvel que possamos avan\u00e7ar nesse tema \u2013 projeta Lopes.<\/p>\n<p>Nem na Bahia estrangeiros d\u00e3o tr\u00e9gua<\/p>\n<p>Fundada em Parob\u00e9, no Vale do Paranhana, onde chegou a ter 8 mil funcion\u00e1rios, a Azaleia deixou definitivamente de produzir no Estado em 2011. Agora est\u00e1 fechando 12 filiais no Nordeste, desempregando 4 mil trabalhadores. A \u00fanica f\u00e1brica baiana que seguir\u00e1 \u00e9 a de Itapetinga.<\/p>\n<p>A op\u00e7\u00e3o da Azaleia por produzir no Nordeste foi baseada principalmente nos incentivos fiscais recebidos. Conforme a Abical\u00e7ados, enquanto no Rio Grande do Sul o ICMS chega a 12%, a al\u00edquoita na Bahia est\u00e1 perto de zero.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a m\u00e3o de obra nordestina, no in\u00edcio da migra\u00e7\u00e3o das empresas ga\u00fachas, h\u00e1 mais de 20 anos, era em m\u00e9dia 10% mais barata. Hoje, essa diferen\u00e7a quase inexiste.<\/p>\n<p>A Vulcabras, dona da Azaleia, afirma que est\u00e1 fechando as unidades em fun\u00e7\u00e3o de \u201csucessivos e elevados preju\u00edzos financeiros\u201d. O problema seria causado pela maior competi\u00e7\u00e3o com produtos importados a pre\u00e7os baixos. Conforme analistas de mercado, o modelo de unidades em diferentes cidades estaria aumentando as perdas, o que explicaria a op\u00e7\u00e3o por centralizar a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2013 A carga tribut\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ICMS, e em certos setores se justifica n\u00e3o produzir no Brasil \u2013 diz o especialista em direito tribut\u00e1rio e professor da UFRGS, Humberto \u00c1vila.<\/p>\n<p>Falta de boa m\u00e3o de obra na Nicar\u00e1gua<\/p>\n<p>A Schmidt Irm\u00e3os chegou a ter 21 unidades no Estado, com 3 mil funcion\u00e1rios. Fundada em 1943, em Campo Bom, a empresa foi atra\u00edda para a Nicar\u00e1gua em 2010 principalmente pelo acordo de livre com\u00e9rcio firmado entre pa\u00edses da Am\u00e9rica Central e os Estados Unidos. O Cafta prev\u00ea imposto menor para exportar, gerando redu\u00e7\u00e3o no pre\u00e7o final do produto entre 10% a 12% em rela\u00e7\u00e3o ao Brasil.<\/p>\n<p>Pouco mais de um ano depois, a ind\u00fastria perdeu seu principal cliente nos EUA. Al\u00e9m disso, teve dificuldades para treinar m\u00e3o de obra qualificada. Em agosto, a Schmidt Irm\u00e3os come\u00e7ou a reduzir sua equipe na Nicar\u00e1gua, e a tend\u00eancia \u00e9 de que a unidade seja fechada.<\/p>\n<p>\u2013 A empresa ainda mantinha funcion\u00e1rios em Campo Bom, que agora devem perder seus empregos. Avaliamos que estejam encerrando definitivamente suas atividades \u2013 afirma o presidente do Sindicato dos Sapateiros de Campo Bom, Vicente Selistre.<\/p>\n<p>A Schmidt Irm\u00e3os confirma que deve deixar a Am\u00e9rica Central, mas n\u00e3o comenta desdobramentos.<\/p>\n<p>\u2013 H\u00e1 problemas culturais, que as empresas precisam analisar antes de decidir ir para outro pa\u00eds \u2013 analisa Jos\u00e9 Carlos Lehn, especialista em administra\u00e7\u00e3o e neg\u00f3cios internacionais e professor da Universidade Feevale.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Analistas reduzem proje\u00e7\u00f5es para o PIB<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O mercado financeiro continuou a reduzir suas apostas para o crescimento da economia brasileira neste e no pr\u00f3ximo ano. Mediana das estimativas de cerca de cem analistas consultados pelo Banco Central para o Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 1,27% para 1,03% em 2012 e desceu de 3,70% para 3,50% em 2013. Os n\u00fameros est\u00e3o no boletim Focus, divulgados ontem.<\/p>\n<p>A expectativa do mercado financeiro para a infla\u00e7\u00e3o neste ano voltou a se deteriorar. A mediana das estimativas dos analistas para o \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA), apurada pelo Banco Central para o boletim Focus, subiu de 5,43% para 5,58%.<\/p>\n<p>Na sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) mostrou que o IPCA marcou alta de 0,60% em novembro, ante 0,59% em outubro, uma varia\u00e7\u00e3o bem acima da expectativa m\u00e9dia de 0,50%, apurada pelo Valor Data.<\/p>\n<p>No acumulado at\u00e9 novembro, o IPCA marcou 5,01% e, em 12 meses, 5,53%. No Focus de ontem, a mediana para a infla\u00e7\u00e3o em 12 meses passou de 5,39% para 5,44%. Para 2013, foi mantida a estimativa de 5,40% para o IPCA.<\/p>\n<p>Na segunda-feira, mais dois indicativos de que a infla\u00e7\u00e3o ao consumidor est\u00e1 mais salgada. O IPC-S, da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas, se acelerou de 0,45% na \u00faltima semana de novembro para 0,63% na primeira de dezembro. E o IPC tamb\u00e9m aumentou, para 0,56% na primeira pr\u00e9via do IGP-M de dezembro, de 0,16% no mesmo per\u00edodo de novembro.<\/p>\n<p>Apesar da perspectiva de deteriora\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o e da atividade ainda fraca, o mercado n\u00e3o alterou sua proje\u00e7\u00e3o para a Selic ao fim de 2013. A mediana ficou em 7,25%, taxa atual. J\u00e1 h\u00e1 quem considere uma taxa abaixo desse n\u00edvel em 2013, mas essa expectativa ainda n\u00e3o chegou ao Focus.<\/p>\n<hr \/>\n<p>L\u00edderes europeus pedem que a It\u00e1lia mantenha reformas<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>Diante da volta da turbul\u00eancia, lideran\u00e7as europeias foram un\u00e2nimes em condenar o retorno da incerteza pol\u00edtica na It\u00e1lia e apelaram para que 0 pr\u00f3ximo governo itaLiano mantenha as reformas iniciadas por Monti. &#8220;Berlusconi \u00e9 uma amea\u00e7a para a Europa e para 0 mundo&#8221;, disse Martin Schultz, presidente do Parlamento Europeu. H\u00e1 dois anos, Berlusconi comparou 0 pol\u00edtico alem\u00e3o a um &#8220;guarda&#8221; na porta de um campo de concentra\u00e7\u00e3o. &#8220;Monti foi um grande primeiro-ministro e espero que as pol\u00edticas que implementou continuem depois das elei\u00e7\u00f5es&#8221;, disse Herman Van Rompuy, presidente do Conselho Europeu em Oslo. 0 coro foi refor\u00e7ado pelo ministro de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da Fran\u00e7a, Laurent Fabius, e pelo homem que tem a chave do cofre do resgate europeu, Klaus Regling, chefe do Fundo de Resgate da Europa.<\/p>\n<p>Para os l\u00edderes europeus, a d\u00edvida italiana de 124% do PIB precisar\u00e1 ser tratada e as reformas ter\u00e3o de avan\u00e7ar, n\u00e3o importa quem ven\u00e7a as elei\u00e7\u00f5es. Na Espanha, 0 ministro de Economia, Luis de Guindos, disse que a instabilidade provocada pela It\u00e1lia poderia contaminar seu pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;A ajuda que a Espanha necessita hoje \u00e9 que se eliminem as d\u00favidas sobre o futuro do euro.&#8221;<\/p>\n<hr \/>\n<p>Poss\u00edvel fim do corte do IPI puxa venda de carros<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>Na primeira semana do m\u00eas, as vendas de ve\u00edculos cresceram 13% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo de novembro, somando 84 mil unidades. A possibilidade do fim da redu\u00e7\u00e3o do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), em vigor desde o fim de maio, est\u00e1 levando mais pessoas \u00e0s lojas, informam concession\u00e1rios. J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o a dezembro de 2011 o resultado da primeira semana \u00e9 de queda de 16, 7%.<\/p>\n<p>H\u00e1 grande expectativa entre as montadoras de que o governo manter\u00e1 o IPI menor ao menos at\u00e9 mar\u00e7o, com receio de uma queda expressiva na atividade econ\u00f4mica no primeiro trimestre de 2013. Mas, se isso ocorrer, o an\u00fancio da prorroga\u00e7\u00e3o ser\u00e1 feito somente depois do dia 20.<\/p>\n<p>At\u00e9 l\u00e1, fabricantes e concession\u00e1rios v\u00e3o fazer campanhas com o mote de &#8220;\u00faltimo m\u00eas de redu\u00e7\u00e3o do IPI&#8221; para atrair clientela. A General Motors realizou feir\u00e3o na f\u00e1brica de S\u00e3o Caetano do Sul (SP) no \u00faltimo fim de semana usando o chamativo e vai repetir a dose no pr\u00f3ximo s\u00e1bado e no domingo.<\/p>\n<p>&#8220;Nesta segunda-feira (ontem) j\u00e1 notamos maior n\u00famero de clientes na loja, sinalizando uma movimenta\u00e7\u00e3o maior em raz\u00e3o do fim do IPI&#8221;, diz Marcos Leite, gerente da revenda Volkswagen Amazon, na capital paulista. A loja est\u00e1 refor\u00e7ando estoques para evitar falta de produtos e at\u00e9 garantir alguma sobra de modelos com IPI mais baixo para in\u00edcio do pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p>Segundo Leite, apenas modelos importados como Jetta, Tiguan, Passat e Fusca est\u00e3o em falta. &#8220;N\u00e3o aceito nem encomenda, pois n\u00e3o h\u00e1 garantia de entrega at\u00e9 o fim do m\u00eas.&#8221;<\/p>\n<p>Alguns carros que j \u00e1 tinham lista de espera em outubro, quando ocorreu a \u00faltima prorroga\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio do IPI, seguem com dificuldade de entrega. O compacto March, da Nissan, voltou a ser importado do M\u00e9xico mas dificilmente o consumidor vai encontr\u00e1-lo para pronta entrega. Em algumas lojas de S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m h\u00e1 fila para algumas vers\u00f5es do Fiat Grand Siena e do Ford EcoSport, segundo relatam concession\u00e1rios. Na GM, a espera pode passar de 30 dias para Cobalt, Spin, Cruze e o rec\u00e9m-lan\u00e7ado Onix, mas h\u00e1 Agile, Celta e Classic &#8211; alvos principais do feir\u00e3o &#8211; para pronta entrega.<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Fabricantes de Ve\u00edculos Automotores (Anfavea) projeta vendas de quase 370 mil ve\u00edculos este m\u00eas. Se confirmado, ser\u00e1 o terceiro melhor em vendas da hist\u00f3ria, atr\u00e1s dos resultados de dezembro de 2010 (381,5 mil unidades) e agosto deste ano (420 mil).<\/p>\n<p>Atingindo esse volume, a ind\u00fastria fechar\u00e1 2012 com vendas de 3,8 milh\u00f5es de ve\u00edculos, quase 5% acima do resultado de 2011. Para 2013, a estimativa da Anfavea \u00e9 de chegar pr\u00f3ximo das 4 milh\u00f5es de unidades, incluindo caminh\u00f5es, cujas vendas come\u00e7aram a reagir em outubro.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Super\u00e1vit da balan\u00e7a no ano chega a US$ 16,7 bi<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A balan\u00e7a comercial brasileira registrou d\u00e9ficit de US$ 463 milh\u00f5es na primeira semana de dezembro, informou ontem o Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio Exterior (Mdic). O saldo negativo \u00e9 resultado de US$ 4,678 bilh\u00f5es em exporta\u00e7\u00f5es e US$ 5,141 bilh\u00f5es em importa\u00e7\u00f5es. No ano, o resultado das transa\u00e7\u00f5es comerciais brasileiras \u00e9 positivo em US$ 16,722 bilh\u00f5es. No mesmo per\u00edodo do ano passado, o saldo da balan\u00e7a comercial era de US$ 26,309 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>A m\u00e9dia di\u00e1ria de US$ 935,6 milh\u00f5es nas exporta\u00e7\u00f5es da primeira semana de dezembro \u00e9 7% inferior \u00e0 m\u00e9dia di\u00e1ria de US$ 1,006 bilh\u00e3o dos embarques realizados em todo o m\u00eas de dezembro de 2011. Essa queda \u00e9 explicada pelo menor embarque de produtos b\u00e1sicos e manufaturados. Houve avan\u00e7o nas vendas de semimanufaturados na mesma compara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As exporta\u00e7\u00f5es de produtos b\u00e1sicos ca\u00edram 11,1%. No caso de manufaturados, os embarques apresentaram baixa de 7,8%. J\u00e1 para os semimanufaturados, a m\u00e9dia subiu 16,7% na mesma compara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na outra ponta, as importa\u00e7\u00f5es aumentaram 23,5% at\u00e9 a primeira semana de dezembro de 2012, com m\u00e9dia di\u00e1ria de US$ 1,028 bilh\u00e3o, ante US$ 832,7 milh\u00f5es em todo o m\u00eas de dezembro de 2011. Houve aumento de gastos com produtos farmac\u00eauticos (80,2%), cobre e suas obras (73,8%) e aeronaves e pe\u00e7as (53,2%).<\/p>\n<hr \/>\n<p>Bancos desalojam 500 fam\u00edlias espanholas por dia<\/p>\n<p>Carta Maior<\/p>\n<p>\u00c9 a face mais perversa da crise econ\u00f4mica na Espanha: a cada dia mais de 500 fam\u00edlias s\u00e3o expulsas de suas casas pela impossibilidade de seguir pagando o financiamento do im\u00f3vel ao banco. A previs\u00e3o das associa\u00e7\u00f5es de consumidores \u00e9 de que at\u00e9 o final de 2012 o n\u00famero total de desalojamentos for\u00e7ados ultrapasse os 100 mil.<\/p>\n<p>Como se os n\u00fameros n\u00e3o fossem suficientes para demonstrar o drama, h\u00e1 outros v\u00e1rios elementos que multiplicam sua intensidade e que levam milhares de cidad\u00e3os a perguntarem: \u201cpor qu\u00ea?\u201d<\/p>\n<p>O primeiro ponto de d\u00favida sobre a validade de a\u00e7\u00f5es de despejo \u00e9 que enquanto os antigos moradores passam a depender do favor de amigos ou parentes para ter um teto, seus lares ficam vazios, j\u00e1 que a recess\u00e3o freou o com\u00e9rcio de im\u00f3veis em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>De fato, em 2011 (antes de que o problema atingisse seu auge, portanto) o n\u00famero de financiamentos concedidos foi 33% inferior ao do ano anterior, mais um dado ruim para um setor que j\u00e1 acumula cinco anos no negativo.<\/p>\n<p>Pior: al\u00e9m de n\u00e3o resolver o problema do banco \u2013 que de qualquer maneira fica sem receber dinheiro pelo im\u00f3vel que retomou \u2013 tomar a casa do comprador inadimplente n\u00e3o o livra da d\u00edvida, como acontece no Brasil. Pelo contr\u00e1rio, o sujeito desalojado fica sem teto e com um d\u00e9bito que varia entre 150 e 300 mil euros, segundo c\u00e1lculos das associa\u00e7\u00f5es que lutam pelos direitos desses cidad\u00e3os afetados pelo problema.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um embargo \u00e0 vida da pessoa porque quando recupera a sua condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, ter\u00e1 uma d\u00edvida imensa para fazer frente\u201d, condena o t\u00e9cnico da Associa\u00e7\u00e3o de Usu\u00e1rios de Bancos, Caixas e Seguros da Espanha (Adicae), Francisco Javier Alvarado, que mant\u00e9m uma organiza\u00e7\u00e3o para tentar evitar os despejos.<\/p>\n<p>Ocorre que grande parte dos inadimplentes est\u00e3o inclu\u00eddos nos 25% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa espanhola desempregada. Existem 1,7 milh\u00e3o de lares espanh\u00f3is nos quais nenhum integrante tem uma renda fixa \u2013 e mais de 5 milh\u00f5es s\u00e3o sustentados por uma \u00fanica pessoa com renda.<\/p>\n<p>Diante dessa situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o parece um absurdo que nos \u00faltimos 40 dias quatro pessoas tenham se suicidado ao receber o comunicado da justi\u00e7a de que devem deixar seus lares.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o dramas humanos muito fortes. H\u00e1 v\u00e1rios casos de desalojo de fam\u00edlias com crian\u00e7as pequenas ou de anci\u00f5es que deram sua casa como garantia ao financiamento pedido pelos filhos. \u00c9 imposs\u00edvel ficar imune\u201d, reconhece o porta-voz do Sindicato Unificado da Pol\u00edcia espanhola, Jos\u00e9 Mar\u00eda Benito Celador.<\/p>\n<p>Os agentes reclamam de um problema de consci\u00eancia: por um lado, n\u00e3o podem descumprir o seu dever nem as ordens que recebem. Por outro, o sindicato j\u00e1 denunciou casos inclusive de mal-estar f\u00edsico, de guardas que tiveram que ser levados ao hospital depois de participar em um despejo. \u201cJ\u00e1 h\u00e1 muitos agentes que se negam a ir a a\u00e7\u00f5es deste tipo\u201d, revela. E coloca o dedo na ferida: \u201cA lei \u00e9 injusta\u201d.<\/p>\n<p>Inadimplentes s\u00e3o acusados sem direito \u00e0 defesa<\/p>\n<p>As centenas de pessoas que perdem suas casas diariamente na Espanha \u2013 j\u00e1 s\u00e3o mais de 500 mil desde 2008 \u2013 n\u00e3o s\u00e3o apenas v\u00edtimas de uma crise econ\u00f4mica que nem o Partido Socialista (PSOE) e tampouco o atual governo comandado pelo Partido Popular (PP) souberam solucionar.<\/p>\n<p>Muitos dos contratos que permitem hoje aos bancos reclamar a casa pelo n\u00e3o pagamento da d\u00edvida de financiamento possuem cl\u00e1usulas abusivas \u2013 a mais famosa \u00e9 a que institui um m\u00ednimo de juros a serem pagos mesmo nos casos em que o \u00edndice que gerencia o reajuste das parcelas se reduza.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 outras mais: \u201cDurante o per\u00edodo da bolha imobili\u00e1ria foram feitos todos os tipos de aberra\u00e7\u00f5es. S\u00f3 pensavam em vender apartamentos e casas, n\u00e3o importa com que condi\u00e7\u00f5es\u201d, condena o t\u00e9cnico da Adicae, Francisco Javier Alvarado.<\/p>\n<p>N\u00e3o por casualidade a bolha imobili\u00e1ria \u00e9 um dos elementos que est\u00e1 na origem da crise econ\u00f4mica na Espanha. E embora o argumento seja suficientemente forte ao menos para levar um juiz a pedir um estudo criterioso de cada contrato, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel parar uma execu\u00e7\u00e3o de despejo porque h\u00e1 uma cl\u00e1usula legal que d\u00e1 raz\u00e3o ao reclamante. \u201cContra os bancos ningu\u00e9m pode se opor\u201d, critica o porta-voz da associa\u00e7\u00e3o progressista Ju\u00edzes para a Democracia, Joaquim Bosch.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 direito \u00e0 defesa, o sujeito n\u00e3o pode argumentar sobre o porqu\u00ea n\u00e3o paga nem demonstrar que o contrato \u00e9 nulo, abusivo, ou foi feito contra as leis. \u201cNo caso das hipotecas h\u00e1 uma n\u00edtida vantagem dos bancos sobre as pessoas. Essa situa\u00e7\u00e3o vulnerabiliza o direito fundamental \u00e0 moradia, que est\u00e1 garantido na Constitui\u00e7\u00e3o\u201d, denuncia Joaqu\u00edn Bosch.<\/p>\n<p>Vale lembrar que os bancos, que se beneficiaram da neglig\u00eancia dos \u00f3rg\u00e3os de controle e de defesa do consumidor durante o per\u00edodo de fartura, tamb\u00e9m s\u00e3o os grandes protegidos dessa crise: enquanto que nos \u00faltimos cinco anos se destru\u00edram 4 milh\u00f5es de postos de trabalho no pa\u00eds, e apenas em 2012 houve aumento de impostos e recortes em servi\u00e7os sociais, o governo espanhol teve que assumir como seu o resgate que a Uni\u00e3o Europeia concedeu \u00e0s entidades financeiras 100 bilh\u00f5es de euros. Parte do dinheiro ser\u00e1 aplicada na cria\u00e7\u00e3o de um \u201cbanco ruim\u201d, que reunir\u00e1 todos os ativos desvalorizados das institui\u00e7\u00f5es para sanear os caixas privados.<\/p>\n<p>Decreto do governo \u00e9 insuficiente<\/p>\n<p>Diante da como\u00e7\u00e3o social que tomou conta da Espanha no \u00faltimo m\u00eas \u2013 al\u00e9m de associa\u00e7\u00f5es de todo o tipo se manifestarem contra a forma como est\u00e3o sendo levadas a cabo as execu\u00e7\u00f5es hipotec\u00e1rias, v\u00e1rios prefeitos de cidades espanholas liberaram seus corpos policiais de participar em a\u00e7\u00f5es de despejos, se comprometendo a assumir eventuais problemas judiciais que surjam por \u201cinsubmiss\u00e3o\u201d \u2013 o governo atuou.<\/p>\n<p>Sem conseguir um acordo com o principal partido da oposi\u00e7\u00e3o (PSOE), a gest\u00e3o de Mariano Rajoy (PP) baixou um decreto que paralisa durante dois anos os despejos em fam\u00edlias que se encontrem em situa\u00e7\u00e3o de \u201crisco extremo\u201d. Na pr\u00e1tica, a medida fez com que os processos judiciais se detivessem porque agora \u00e9 necess\u00e1rio reestudar cada caso para ver se se enquadra no perfil protegido pela lei.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 o suficiente. As associa\u00e7\u00f5es acusam o governo de manobrar para tirar da m\u00eddia os casos mais dram\u00e1ticos \u2013 os de fam\u00edlias extremamente pobres, por exemplo, que revoltam mais a popula\u00e7\u00e3o \u2013 mas afirmam que o decreto n\u00e3o ter\u00e1 impacto significativo no n\u00famero total de despejos.<\/p>\n<p>\u201cEssa morat\u00f3ria \u00e9 insuficiente porque exclui a maioria das pessoas afetadas e n\u00e3o aborda o problema da d\u00edvida, que seguir\u00e1 aumentando durante os dois anos previstos de morat\u00f3ria\u201d, protesta a Plataforma de Afetados pelas Hipotecas (PAH).<\/p>\n<p>\u201cPior\u201d, prosseguem, \u201co decreto pode piorar a situa\u00e7\u00e3o porque pode provocar que algumas pessoas atentem contra sua pr\u00f3pria sa\u00fade para cumprir com o requisito de &#8216;doen\u00e7a grave&#8217; ou que decidam ter um filho para entrar na categoria de &#8216;fam\u00edlia com um filho menor de tr\u00eas anos&#8217;\u201d. De todas as formas, nenhum dos casos de suic\u00eddio ocasionado pela amea\u00e7a de despejo seria evitado se o novo decreto j\u00e1 estivesse em vigor.<\/p>\n<p>O que todas as associa\u00e7\u00f5es consultadas para esta reportagem defendem \u00e9 uma morat\u00f3ria geral no pagamento do financiamento banc\u00e1rio de im\u00f3veis que permita revisar a lei que gerencia esse mercado \u2013 que deveria conter a possibilidade de que a entrega do im\u00f3vel quite a d\u00edvida do comprador, algo que os bancos temem que gere uma distor\u00e7\u00e3o na toma de empr\u00e9stimos.<\/p>\n<p>A cidadania tamb\u00e9m solicita que o governo institua o \u201caluguel social\u201d, o que al\u00e9m de tudo movimentaria o setor de compra e venda de casas e apartamentos ou a constru\u00e7\u00e3o civil, j\u00e1 que o Estado deveria adquirir esses locais para logo alugar a fam\u00edlias necessitadas.<\/p>\n<p>Os bancos se manifestam apenas reiterando que lamentam o ponto a que chegou a situa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o propuseram nada al\u00e9m dos dois anos de morat\u00f3ria. A PAH j\u00e1 recebeu o comunicado de que para a pr\u00f3xima semana est\u00e3o previstos 12 despejos, em oito diferentes munic\u00edpios do pa\u00eds.<\/p>\n<hr \/>\n<p>A receita da The Economist para o Brasil: liberar o &#8220;esp\u00edrito animal do setor privado&#8221;<\/p>\n<p>Carta Maior<\/p>\n<p>Em seu \u00faltimo n\u00famero, a revista The Economist disse que o ministro da fazenda Guido Mantega deveria sair, porque todas as suas previs\u00f5es de recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica n\u00e3o tinham se confirmado. \u201cO governo tinha convencido os economistas independentes de que, com uma moeda mais competitiva, com taxas de juros mais baixas e uma redu\u00e7\u00e3o de impostos da ind\u00fastria automobil\u00edstica, a economia iria se recuperar\u201d. As estat\u00edsticas foram \u2013 segundo a The Economist \u2013 \u201cdecepcionantes\u201d, um \u201cchoque\u201d.<\/p>\n<p>O editorial e o texto sobre o Brasil foram publicados dois dias depois de o ministro da Fazenda do Reino Unido, o conservador George Osborne, reconhecer que o plano de consolida\u00e7\u00e3o fiscal que anunciou que o per\u00edodo 2010-2015 ter\u00e1 de estender a austeridade at\u00e9 2018, para cumprir com o seu objetivo, sempre e quando se puder acreditar nas proje\u00e7\u00f5es quem os governos se baseam.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nenhuma garantia. O Escrit\u00f3rio para Responsabilidade Or\u00e7ament\u00e1ria, uma organiza\u00e7\u00e3o criada pela Coaliz\u00e3o Conservadora-liberal democrata para medir a marcha da economia, previu no come\u00e7o do ano um crescimento de 0,7% para 2012. Agora disse que, na realidade, a economia vai se contrarir 0,1% este ano. O rombo fiscal \u00e9 o dobro do projetado h\u00e1 uns dias.<\/p>\n<p>Como se v\u00ea, nesse terreno minado das previs\u00f5es econ\u00f4micas, n\u00e3o h\u00e1 mais precis\u00e3o no Reino Unido do que no Brasil. Por acaso a \u201cThe Economist\u201d pediu a cabe\u00e7a de Osborne?<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de surpreender. O seman\u00e1rio apoiou os conservadores nas elei\u00e7\u00f5es de 2010 e o programa de Austeridade da Coaliz\u00e3o. Em maio deste ano, m\u00eas das elei\u00e7\u00f5es, a economia estava se recuperando do estouro financeiro de 2008. Crescimento era an\u00eamico &#8211; 1,7% -, mas come\u00e7ava lentamente a recuperar o alento, gra\u00e7as a um massivo programa de investimento p\u00fablico do governo trabalhista.<\/p>\n<p>A austeridade da coaliz\u00e3o afogou este impulso. O programa previa cortes de 80 bilh\u00f5es de libras (em torno de 140 bilh\u00f5es de d\u00f3lares) para o per\u00edodo 2010-2015, por meio de uma forte redu\u00e7\u00e3o da estrutura estatal, com mais de meio milh\u00e3o de desempregados. A esse golpe, o governo agregou outro: um aumento massivo de impostos.<\/p>\n<p>Os despedidos come\u00e7aram a engrossar as filas de desempregados que cobram o seguro-desemprego e que n\u00e3o contribuem, aumentando o gasto do Estado e diminuindo a arrecada\u00e7\u00e3o. Os consumidores em geral, mesmo os que conservam seus empregos, adotaram uma atitude mais cautelosa para diminuir o seu endividamento pessoal e se preservar, caso a enfermidade econ\u00f4mica acabasse os afetando.<\/p>\n<p>O resultado macroecon\u00f4mico est\u00e1 \u00e0 vista. Em 2011, a economia foi se desacelerando trimestre ap\u00f3s trimestre (de 0,4% entre julho e outubro, a 0,3% no \u00faltimo trimestre). Nos dois primeiros trimestres deste ano o crescimento foi diretamente negativo, uma medida convencional que os economistas usam para definir uma recess\u00e3o (dois trimestres consecutivos). \u00c9 a segunda queda que o Reino Unido experimenta em 3 anos.<\/p>\n<p>As Olimp\u00edadas de Londres deram um impulso econ\u00f4mico transit\u00f3rio que permitiu ao Reino Unido sair do crescimento negativo, mas a essas alturas o plano da Coaliz\u00e3o j\u00e1 estava em marcha. A queda na arrecada\u00e7\u00e3o devido \u00e0 falta de crescimento \u00e9 hoje t\u00e3o pronunciada que, segundo as previs\u00f5es que o governo anunciou na C\u00e2mara dos Comuns na \u00faltima quarta-feira, ser\u00e1 necess\u00e1rio mais tr\u00eas anos de ajustes para se alcan\u00e7ar o equil\u00edbrio fiscal que se havia prometido para 2015.<\/p>\n<p>Em sua nota sobre a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do Reino Unido, a \u201cThe Economist\u201d faz uma an\u00e1lise f\u00e1tica, com n\u00fameros e gr\u00e1ficos, mas em momento algum fala da necessidade de mudan\u00e7a de estrat\u00e9gia. \u00c0 diferen\u00e7a do editorial e da mat\u00e9ria sobre o Brasil, que deslizam rapidamente para o campo da opini\u00e3o (\u201co que o governo Dilma Rousseff teria de fazer \u00e9 deixar de se meter na economia, liberalizar o mercado de trabalho e deixar que o esp\u00edrito animal do setor privado possa expressar-se livremente, para gerar o crescimento de que o Brasil precisa\u201d), o artigo sobre a economia brit\u00e2nica se at\u00e9m aos fatos, que termina usando como uma justifica\u00e7\u00e3o do erro de c\u00e1lculo de Osborne.<\/p>\n<p>Sem explicit\u00e1-lo, o final da nota da revista sugere que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria uma mudan\u00e7a de estrat\u00e9gia, no Reino Unido, porque a origem da crise n\u00e3o \u00e9 o programa governamental, mas a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do mundo. \u201cA mis\u00e9ria da zona do euro n\u00e3o vai terminar t\u00e3o cedo, mas tampouco piorar\u00e1. A desacelera\u00e7\u00e3o chinesa parece pr\u00f3xima do fim. Os Estados Unidos podem voltar a crescer com vigor na primavera e evitar o abismo fiscal. Um panorama global mais otimista pode evitar as m\u00e1s not\u00edcias para Osborne\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 que se aguardar para ver. Por ora, as not\u00edcias sobre a produ\u00e7\u00e3o industrial, anunciadas na sexta-feira \u2013 a revista \u00e9 publicada pela manh\u00e3 \u2013 falam de uma queda de 1,3%, o n\u00edvel mais baixo em duas d\u00e9cadas. \u201cEsta queda aumenta as possibilidades de uma nova recess\u00e3o, a terceira queda que a nossa economia experimentaria\u201d, assinalou ao \u201cThe Guardian\u201d Samuel Tombs, da consultoria Capital Economics. Caso esse progn\u00f3stico se cumpra, haver\u00e1 uma mudan\u00e7a de perspectiva da \u201cThe Economist\u201d? Calculo que n\u00e3o. Os pedidos de mudan\u00e7a de minist\u00e9rios da Fazenda o seman\u00e1rio reserva para os ministros \u201cintervencionistas\u201d da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":" O Estado de S. 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