{"id":4048,"date":"2012-12-17T18:38:35","date_gmt":"2012-12-17T18:38:35","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4048"},"modified":"2012-12-17T18:38:35","modified_gmt":"2012-12-17T18:38:35","slug":"o-qlucro-brasilq-das-montadoras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4048","title":{"rendered":"O &#8220;lucro Brasil&#8221; das montadoras"},"content":{"rendered":"\n<p>Os dirigentes das montadoras disseminam h\u00e1 d\u00e9cadas a tese de que a causa do alto pre\u00e7o do carro no Brasil \u00e9 o imposto. O mantra pegou e \u00e9 quase senso comum que a carga tribut\u00e1ria \u00e9 que faz o brasileiro pagar o carro mais caro do mundo.<\/p>\n<p>Outro fator que costuma ser citado \u00e9 o custo Brasil, um conjunto de dificuldades estruturais e burocr\u00e1ticas, destacando-se a falta de qualifica\u00e7\u00e3o profissional e uma estrutura log\u00edstica cara, insuficiente e arcaica.<\/p>\n<p>As enormes dificuldades que o empres\u00e1rio enfrenta para produzir no Brasil explicam, em parte, o alto pre\u00e7o praticado &#8211; n\u00e3o apenas do carro, mas de em qualquer produto.<\/p>\n<p>Mas impostos nem o custo Brasil justificam os US$ 37.636 que o brasileiro para por um Corolla, enquanto o seu colega americano paga US$ 15.450. Na Argentina, pa\u00eds mais pr\u00f3ximo tanto geograficamente quanto em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s dificuldades e problemas, o Corolla tamb\u00e9m custa mais barato: US$ 21.658.<\/p>\n<p>No Paraguai, o consumidor paga pelo Kia Soul US$ 18 mil, metade do pre\u00e7o no Brasil. Ambos v\u00eam da Coreia. N\u00e3o h\u00e1 imposto que justifique tamanha diferen\u00e7a. O Volkswagen Jetta custa R$ 65 mil no Brasil, menos de R$ 40 mil no M\u00e9xico e R$ 30 mil nos EUA &#8211; a propaganda do carro, ali\u00e1s, tem como protagonista n\u00e3o um executivo, mas um&#8230; universit\u00e1rio sofrido (youtu.be\/gqDUV-rHQe4).<\/p>\n<p>H\u00e1 v\u00e1rios outros exemplos. Cito mais um: o Hyundai ix35 \u00e9 vendido na Argentina por R$ 56 mil. O consumidor brasileiro paga R$ 88 mil.<\/p>\n<p>Se o custo Brasil fosse um fardo pesado nas costas do empresariado, seria impratic\u00e1vel a redu\u00e7\u00e3o da margem operacional. A crise de 2008 revelou, por\u00e9m, que havia gordura pra queimar: os pre\u00e7os despencaram.<\/p>\n<p>O \u00edndice AutoInforme\/Molicar indicou queda m\u00e9dia de pre\u00e7o de 10,1% desde a crise de 2008. Carros de algumas marcas tiveram queda de pre\u00e7o de 20%. N\u00e3o se tem not\u00edcia de que essas empresas tenham entrado em colapso por causa disso.<\/p>\n<p>O Hyundai Azera, que era vendido por R$ 100 mil, passou a custar R$ 80 mil ap\u00f3s a crise de 2008. Descontos de R$ 5.000, at\u00e9 R$ 10.000, foram comuns no auge da crise, revelando a enorme margem com que algumas montadoras trabalham: em 2010 a GM vendeu um lote do Corsa Classic com desconto de 35% para uma locadora paulista, conforme um ex-executivo da pr\u00f3pria locadora.<\/p>\n<p>A chegada dos chineses desvendou o mist\u00e9rio. Equipados e baratos, amea\u00e7aram as marcas tradicionais.<\/p>\n<p>O QQ, da Chery, chegou recheado de equipamentos, alguns inexistentes mesmo em carros de categoria superior, como airbags, freio ABS, sistema de som e sensor de estacionamento. Pre\u00e7o: R$ 22.990. Mas daria pra vender por R$ 19,9 mil, segundo uma fonte da importadora, n\u00e3o fosse a press\u00e3o dos concession\u00e1rios por uma margem maior.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 2011, a tamb\u00e9m chinesa JAC Motors come\u00e7ou a vender no Brasil o J3 por R$ 37,9 mil. Rea\u00e7\u00e3o imediata: a Ford reposicionou o Fiesta hatch, passou a vender o carro pelos mesmos R$ 37,9 mil e instalou nele alguns dos equipamentos que o chin\u00eas trazia de s\u00e9rie, mas apenas em S\u00e3o Paulo, Rio e Bras\u00edlia -onde o J3 amea\u00e7ava o concorrente.<\/p>\n<p>Mesmo assim, as montadoras instaladas no Brasil se sentiram amea\u00e7adas e, argumentando a defesa do emprego na ind\u00fastria nacional, pediram socorro ao governo, sendo prontamente atendidas: medida editada em setembro de 2011 imp\u00f4s super IPI \u00e0s empresas que n\u00e3o t\u00eam f\u00e1brica no pa\u00eds. Pela primeira vez, a Anfavea (associa\u00e7\u00e3o das montadoras), cujos associados n\u00e3o foram atingidos pelo imposto extra, n\u00e3o se rebelou contra nova carga tribut\u00e1ria.<\/p>\n<p>A maioria das importadoras absorveu parte dos impostos adicionais e praticou um aumento inferior ao que seria necess\u00e1rio para manter a margem de lucro, indicando que havia muita gordura.<\/p>\n<p>A grande diferen\u00e7a de pre\u00e7o do carro vendido no Brasil em rela\u00e7\u00e3o a outros pa\u00edses chamou a aten\u00e7\u00e3o do Senado. A pedido da senadora Ana Am\u00e9lia (PP-RS), a Comiss\u00e3o de Assuntos Econ\u00f4micos do Senado convocou audi\u00eancia p\u00fablica para &#8220;discutir e esclarecer as raz\u00f5es para os altos pre\u00e7os dos ve\u00edculos automotores no pa\u00eds e discutir medidas para a solu\u00e7\u00e3o do problema&#8221;.<\/p>\n<p>Realizada na semana passada, com a presen\u00e7a de representantes do Minist\u00e9rio da Fazenda, do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, do Sindipe\u00e7as (Sindicato Nacional da Ind\u00fastria de Componentes para Ve\u00edculos Automotores) e deste jornalista. Lamentada aus\u00eancia da Anfavea, a audi\u00eancia revelou (por um estudo apresentado pelo Sindipe\u00e7as) que a margem de lucro das montadoras instaladas no Brasil \u00e9 tr\u00eas vezes maior que nos EUA: no Brasil \u00e9 de 10%, nos EUA \u00e9 3% e a m\u00e9dia mundial \u00e9 de 5%.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Brasil perde posto de 6\u00ba maior economia<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>Desvaloriza\u00e7\u00e3o do real ante o d\u00f3lar fraco desempenho do PIB nos \u00faltimos trimestres fazem Reino Unido recuperar lugar perdido em 2011<\/p>\n<p>A desvaloriza\u00e7\u00e3o do real em re la\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar fez o Brasil per der o sexto lugar no ranking das maiores economias do mundo. Considerando o de sempenho do Produto Inter no Bruto (PIB) no 40 trimestre de 2011, e no i\u00b0, 20 e 30 trimestres deste ano, o Pa\u00eds voltou pa ra a s\u00e9tima posi\u00e7\u00e3o, atr\u00e1s do 1 Reino Unido. A atividade eco n\u00f4mica brasileira em marcha lenta foi decisiva para que a dist\u00e2ncia entre os dois pa\u00edses subisse para a casa dos US$ 200 bilh\u00f5es, o equivalente ao PIB da Rom\u00eania.<\/p>\n<p>A Economist Intelligence Unit &#8220;(EUS) y respons\u00e1vel pelo le vantamento, calcula que a economia do Brasil s\u00f3 voltar\u00e1 a ultra passar a brit\u00e2nica em 2016. &#8220;Se gundo nossas estimativas, o Pa\u00eds vai continuar crescendo mais do que o Reino Unido ao longo des ses anos, mas, levando em conta a evolu\u00e7\u00e3o da taxa de c\u00e2mbio pro jetada para o per\u00edodo, o Brasil s\u00f3 voltar\u00e1 a ser sexto em 2016&#8221;, explicou o economista da EIU res pons\u00e1vel pela Am\u00e9rica Latina, Robert Wood.<\/p>\n<p>A EIU, bra\u00e7o de an\u00e1lise da re vista brit\u00e2nica Economist, consi dera no levantamento apenas o PIB nominal dos pa\u00edses (resulta do da soma das riquezas produzi das) convertido em d\u00f3lar. Por is so, na &#8220;disputa&#8221; Brasil\/Reino Uni do, pesou a expressiva desvalori za\u00e7\u00e3o do real ante a moeda ameri cana em 2012. At\u00e9 sexta-feira, o d\u00f3lar ganhava quase 12% na com para\u00e7\u00e3o com o real. No mesmo per\u00edodo, a libra esterlina acumu lava valoriza\u00e7\u00e3o de quase 4% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 moeda americana.<\/p>\n<p>Como \u00e9 inimagin\u00e1vel que o Brasil cres\u00e7a os cerca de 16% que compensariam o desempenho das taxas de c\u00e2mbio no ano, o Pa\u00eds perderia a sexta posi\u00e7\u00e3o do ranking de qualquer forma. No entanto, se o desempenho da economia brasileira fosse me lhor, a diferen\u00e7a entre os dois pa\u00ed ses seria inferior aos quase US$ 196 bilh\u00f5es de hoje.<\/p>\n<p>Diferentes r\u00e9guas<\/p>\n<p>O Brasil cresceu 0,796 de janeiro a setem bro deste ano, enquanto o Reino Unido registrou estagna\u00e7\u00e3o no per\u00edodo. Caso o Brasil tivesse crescido no mesmo ritmo de ou tros pares latino-americanos, co mo Chile e Peru, que v\u00eam se ex pandindo na casa dos 5%, teria encurtado a dist\u00e2ncia. O PIB nominal em d\u00f3lar \u00e9 ape nas uma das m\u00e9tricas usadas pa ra medir o tamanho e o dinamis\u00admo de uma economia.<\/p>\n<p>Correia lembra que, no ran king do Banco Mundial que me de o PIB per capita, o Brasil ocu pa apenas a 75a posi\u00e7\u00e3o. &#8220;No ca so dos rankings que mensuram a qualidade da educa\u00e7\u00e3o, a situa \u00e7\u00e3o \u00e9 ainda pior: o Brasil est\u00e1 no 88\u00b0 posto.&#8221;<\/p>\n<p>Independentemente da m\u00e9tri ca escolhida, \u00e9 consenso que o Brasil precisa crescer mais r\u00e1pi do para melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o, o que se refletir\u00e1 nos diferentes rankings comparativos. &#8220;V\u00e1rias quest\u00f5es que contribu\u00edram para a expan s\u00e3o mais forte do Brasil nos \u00falti mos anos n\u00e3o est\u00e3o mais sopran do a favor&#8221;, disse Wood, referindo-se ao &#8220;boom&#8221; dos pre\u00e7os das commodities, mercado de traba lho favor\u00e1vel e mudan\u00e7a estrutural no cr\u00e9dito. &#8220;Daqui para a fren te, o Pa\u00eds precisa ter ganhos de produtividade, o que passa por um menor ativismo do Estado, entre outros fatores.&#8221;<\/p>\n<p>O economista-chefe da Sul Am\u00e9rica Investimentos, New ton Rosa, vai na mesma linha. Pa ra ele, o governo brasileiro preci sa de uma agenda que resulte em mais investimentos na econo mia. &#8220;N\u00e3o vamos mudar nossa situa\u00e7\u00e3o no curto prazo, mas \u00e9 preciso um esfor\u00e7o grande para aumentar a produtividade e a competitividade do Pa\u00eds.&#8221;<\/p>\n<p>Rosa observa ainda que a m\u00e9 dia de crescimento do PIB nos dois primeiros anos do governo Dilma \u00e9 inferior a 2% ao ano -2,7% em 2011 e 1% estimados pa ra 2012. Para o ano que vem, o economista da Sul Am\u00e9rica pro jeta alta de 3,3% do PIB, o que elevaria a m\u00e9dia anual para 2,3%.<\/p>\n<p>&#8220;A queda do Brasil no ranking mundial das maiores economias decorre, principalmente, da taxa de c\u00e2mbio. Mas, independente mente disso, o desempenho da economia tem sido fraco.&#8221;<\/p>\n<p>Para Correia, do Insper, se o Brasil mantivesse uma m\u00e9dia de crescimento anual ao redor de 3%, conseguiria, pouco a pouco, reduzir a dist\u00e2ncia para as econo mias mais bem colocadas no ran king. &#8220;N\u00e3o importam muito as varia\u00e7\u00f5es de curto prazo da eco nomia, mas seu desempenho em um per\u00edodo mais longo de tem po&#8221;, comentou.<\/p>\n<hr \/>\n<p>China mant\u00e9m pol\u00edtica econ\u00f4mica e aprofundar\u00e1 reformas em 2013<\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<p>A confer\u00eancia anual que ajuda a determinar a pol\u00edtica econ\u00f4mica da China terminou ontem com um longo comunicado do governo, alertando sobre as dificuldades da economia global, assim como o excesso de produ\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria e os riscos ao setor financeiro dom\u00e9sticos. A ag\u00eancia oficial de not\u00edcias Xinhua divulgou detalhes da reuni\u00e3o que indicam poucas mudan\u00e7as nas atuais pol\u00edticas econ\u00f4micas e defende a continuidade de uma pol\u00edtica monet\u00e1ria &#8220;prudente&#8221; e uma pol\u00edtica fiscal pr\u00f3-ativa em 2013. H\u00e1, no entanto, margem de manobra devido \u00e0s incertezas globais.<\/p>\n<p>No primeiro encontro sob a nova lideran\u00e7a do Partido Comunista Chin\u00eas, os l\u00edderes indicaram que tamb\u00e9m avan\u00e7ar\u00e3o para a pr\u00f3xima fase de reformas econ\u00f4micas &#8220;com maior coragem pol\u00edtica e sabedoria&#8221;, segundo a ag\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8220;A China vai continuar a implementar a pol\u00edtica fiscal pr\u00f3-ativa e uma pol\u00edtica monet\u00e1ria prudente em 2013&#8221;, disse a Xinhua, ap\u00f3s o encerramento da Confer\u00eancia Central de Trabalho Econ\u00f4mico, que acontece anualmente em Pequim.<\/p>\n<p>O Banco central da China tem mantido uma pol\u00edtica monet\u00e1ria prudente desde o fim de 2010, englobando primeiro um modesto aperto e depois um moderado afrouxamento ap\u00f3s a crise financeira global. A pol\u00edtica fiscal tem sido pr\u00f3-ativa ou expansionista, desde o fim de 2008, quando Pequim anunciou um pacote de est\u00edmulo de 4 trilh\u00f5es de yuans, depois que a economia sofreu grande impacto durante a crise financeira global.<\/p>\n<p>No s\u00e1bado, o regulador chin\u00eas de investimento estrangeiro anunciou a suspens\u00e3o do limite de US$ 1 bilh\u00e3o de compras por fundos de investimento, bancos centrais e autoridades monet\u00e1rias via Programa de Investidor Institucional Qualificado (QFII, em ingl\u00eas). As novas regras n\u00e3o indicam um novo limite de investimento. A medida tem como meta permitir mais investimentos de Qatar e Hong Kong.<\/p>\n<p>Homic\u00eddio de negro no Brasil \u00e9 132% maior<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>XXXXXXXXXXXXXXX<\/p>\n<p>Assassinato de negros \u00e9 132% maior<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>Em 2010, foram assassinados no Brasil 36 negros para cada 100 mil habitantes da mesma cor. A taxa de homic\u00eddios contra brancos foi de 15,5 por 100 mil. Na pesquisa, o grupo dos negros tamb\u00e9m inclui os pardos.<\/p>\n<p>&#8220;A grande despropor\u00e7\u00e3o de negros assassinados em compara\u00e7\u00e3o aos brancos mostra que a discrimina\u00e7\u00e3o no Brasil ainda \u00e9 imensa&#8221;, diz o pesquisador Julio Jacobo Waiselfisz, autor do Mapa da Viol\u00eancia 2012 &#8211; A cor dos homic\u00eddios, feito em parceria entre o Centro Brasileiro de Estudos Latino Americanos (Cebela) e a Secretaria de Pol\u00edticas da Promo\u00e7\u00e3o da Igualdade Racial.<\/p>\n<p>Essa diferen\u00e7a chega a ser escandalosa em Estados nordestinos. Alagoas \u00e9 onde mais morrem negros, proporcionalmente, no Brasil: s\u00e3o 80,5 casos por 100 mil habitantes. J\u00e1 o total de homic\u00eddios de brancos no Estado \u00e9 baixo: 4,4 casos por 100 mil habitantes, o que o coloca como o segundo menos violento para brancos no Brasil.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 semelhante na Para\u00edba, Estado onde brancos t\u00eam menor chance de ser assassinados no Brasil: 3,1 casos por 100 mil. O assassinato de negros \u00e9 1.824% maior: 60,5 casos por 100 mil habitantes.<\/p>\n<p>Paulistas<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, apesar da situa\u00e7\u00e3o ser menos dram\u00e1tica do que a do Nordeste, o total de negros assassinados \u00e9 32% maior do que a de brancos (12,2, contra 21,5). A situa\u00e7\u00e3o piora em per\u00edodos de crise, como nos \u00faltimos seis meses, quando o crescimento dos assassinatos se acelerou. &#8220;Isso \u00e9 reflexo de 500 anos de hist\u00f3ria, boa parte dela com escravid\u00e3o e at\u00e9 hoje com nega\u00e7\u00e3o de direitos. A morte de negros \u00e9 tolerada e n\u00e3o choca&#8221;, diz Douglas Belchior, da Uniafro e do Comit\u00ea de Luta contra o Genoc\u00eddio da Juventude Negra.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Rob\u00f4s e magnatas ladr\u00f5es<\/p>\n<p>Paul Krugman<\/p>\n<p>A economia norte-americana est\u00e1, segundo a maioria dos indicadores, em profunda depress\u00e3o. Mas os lucros das corpora\u00e7\u00f5es est\u00e3o batendo recordes. Como isso \u00e9 poss\u00edvel? Simples: os lucros sobem enquanto sal\u00e1rios e compensa\u00e7\u00f5es por trabalho caem. O bolo n\u00e3o est\u00e1 crescendo da maneira que deveria, mas o capital vai muito bem obrigado por apanhar um peda\u00e7o enorme dele. \u00c0s custas dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Espere, n\u00f3s realmente voltamos a tratar da rela\u00e7\u00e3o capital versus trabalho? Essa n\u00e3o \u00e9 uma discuss\u00e3o fora de moda, quase marxista, para nossa modern\u00edssima economia? Bem, muita gente pensa assim. Para as \u00faltimas gera\u00e7\u00f5es, discuss\u00f5es sobre desigualdade reca\u00edam n\u00e3o na rela\u00e7\u00e3o capital-trabalho, mas em quest\u00f5es de distribui\u00e7\u00e3o de renda entre trabalhadores. Essas quest\u00f5es, por\u00e9m, talvez n\u00e3o tenham mais tanto a nos dizer.<\/p>\n<p>Isto \u00e9, embora seja ineg\u00e1vel que o pessoal do mercado financeiro continua a ganhar dinheiro que nem bandidos \u2013 em parte porque, como sabemos, alguns s\u00e3o bandidos \u2013 a diferen\u00e7a salarial entre os trabalhadores com curso superior e sem curso superior, que cresceu muito nos anos 1980 e no come\u00e7o dos 90, n\u00e3o mudou muito desde ent\u00e3o. De fato, os que se graduaram mais recentemente tiveram seus rendimentos estagnados mesmo antes da chegada da crise. Os lucros sobem cada vez mais \u00e0s custas dos trabalhadores, inclusive daqueles que supostamente prosperariam no mercado atual.<\/p>\n<p>Por que isso est\u00e1 acontecendo? Ao que sei, h\u00e1 duas explica\u00e7\u00f5es plaus\u00edveis, sendo ambas verdadeiras at\u00e9 certo ponto. Uma diz que a tecnologia colocou os trabalhadores em desvantagem; a segunda que estamos sofrendo os efeitos de uma monopoliza\u00e7\u00e3o. Imaginemos que h\u00e1 rob\u00f4s de um lado, \u2018robber barons\u2019 (termo muito usado para caracterizar os grandes capitalistas do s\u00e9culo XIX que, traduzido livremente, significa magnatas ladr\u00f5es) de outro.<\/p>\n<p>Primeiramente, os rob\u00f4s. N\u00e3o resta d\u00favidas de que, em algumas das mais expressivas ind\u00fastrias do mundo, a tecnologia est\u00e1 tomando o lugar de todos, ou de quase todos, os tipos de trabalhadores. Por exemplo, um dos motivos pelos quais f\u00e1bricas de alta tecnologia est\u00e3o voltando para os EUA \u00e9 que as placas-m\u00e3es, as mais importantes das pecas de computadores, s\u00e3o essencialmente feitas por rob\u00f4s. A m\u00e3o de obra asi\u00e1tica barata deixou de ser um motivo para que elas sejam produzidas no exterior.<\/p>\n<p>Num livro recente, Race Against the Machine (Corrida Contra a M\u00e1quina), Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee, ambos do Massachusets Institute of Technology, argumentam que hist\u00f3rias similares podem ser contadas sobre outras \u00e1reas, como as de tradu\u00e7\u00e3o e pesquisa jur\u00eddica. O que mais impressiona dos exemplos apresentados no livro \u00e9 que cargos de alta remunera\u00e7\u00e3o e especializa\u00e7\u00e3o andam sendo encerrados, nem s\u00f3 os subalternos s\u00e3o v\u00edtimas da tecnologia.<\/p>\n<p>Todavia, a inova\u00e7\u00e3o e o progresso podem realmente prejudicar um grande n\u00famero de trabalhadores, talvez at\u00e9 os trabalhadores em geral? Eu costumo me deparar com declara\u00e7\u00f5es de que isso \u00e9 imposs\u00edvel. A verdade, no entanto, desmente essas afirma\u00e7\u00f5es. Economistas s\u00e9rios sabem disso h\u00e1 quase dois s\u00e9culos. David Ricardo, economista do in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, \u00e9 mais conhecido por sua teoria da vantagem comparativa, que oferece boas raz\u00f5es para o exerc\u00edcio do livre-mercado. Mas o mesmo livro que apresenta tal teoria inclu\u00eda um cap\u00edtulo sobre como as tecnologias da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial poderiam piorar a situa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, pelo menos durante um tempo \u2013 que posteriores estudos sugerem ter durado d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>E quanto aos robber barons? N\u00e3o se fala muito sobre monop\u00f3lio atualmente. Toda a a\u00e7\u00e3o que se opunha ou servia para regular os monop\u00f3lios foi colapsada durante os anos Reagan e disso n\u00f3s nunca nos recuperamos. Contudo, Barry Lynn e Phillip Longman da New America Foundation defendem, muito persuasivamente na minha opini\u00e3o, que a monopoliza\u00e7\u00e3o \u00e9 um fator crucial para a estagna\u00e7\u00e3o do trabalho, visto que as corpora\u00e7\u00f5es usam de seu poder para aumentar pre\u00e7os sem repassar ganhos para os empregados.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil saber quanto da desvaloriza\u00e7\u00e3o do trabalho \u00e9 explicada pela tecnologia ou pela monopoliza\u00e7\u00e3o, em parte porque h\u00e1 pouca discuss\u00e3o sobre o que est\u00e1 acontecendo. Eu penso ser justo dizer que o deslocamento dos proventos do trabalho para o capital ainda n\u00e3o ocupa o lugar devido na discuss\u00e3o sobre a economia norte-americana.<\/p>\n<p>Esse deslocamento, por\u00e9m, est\u00e1 acontecendo e implica em muita coisa. Por exemplo, h\u00e1 um impulso enorme e generosamente financiado no sentido da redu\u00e7\u00e3o dos impostos sobre as corpora\u00e7\u00f5es. \u00c9 poss\u00edvel desejarmos isso numa \u00e9poca em que o lucro cresce a despeito dos interesses dos trabalhadores? E o que dizer do movimento de redu\u00e7\u00e3o do imposto sobre heran\u00e7as? Uma vez que n\u00f3s estamos caminhando em dire\u00e7\u00e3o a um mundo em que o capital financeiro, n\u00e3o a forma\u00e7\u00e3o ou a per\u00edcia, determina a renda, \u00e9 poss\u00edvel desejarmos facilitar a heran\u00e7a de grandes riquezas?<\/p>\n<p>Como eu disse, esta discuss\u00e3o mal come\u00e7ou. Mas \u00e9 hora de faz\u00ea-lo, ou os rob\u00f4s e os robber barons transformar\u00e3o nossa sociedade em algo irreconhec\u00edvel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Folha de S. 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