{"id":406,"date":"2010-04-20T02:10:25","date_gmt":"2010-04-20T02:10:25","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=406"},"modified":"2010-04-20T02:10:25","modified_gmt":"2010-04-20T02:10:25","slug":"mentiras-e-fatos-na-guerra-midiatica-contra-cuba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/406","title":{"rendered":"Mentiras e fatos na guerra midi\u00e1tica contra Cuba"},"content":{"rendered":"\n<p>A guerra midi\u00e1tica contra Cuba, que nesses dias apresentou outro de seus epis\u00f3dios habituais, se baseia em quatro mentiras fundamentais:<\/p>\n<p>a) Os prisioneiros em Cuba, que s\u00e3o objeto de controv\u00e9rsia, se encontram encarcerados por suas ideias pol\u00edticas.<\/p>\n<p>b) O prisioneiro cubano Orlando Zapata Tamayo, que morreu recentemente por conta de uma greve de fome, estava na pris\u00e3o por raz\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>c) Zapata Tamayo morreu como resultado de neglig\u00eancia ou a\u00e7\u00e3o deliberada dos m\u00e9dicos e autoridades pol\u00edticas cubanas.<\/p>\n<p>d) As Damas de Branco foram agredidas fisicamente por outros cidad\u00e3os e, em seguida, detidas violentamente por autoridades cubanas em Havana, no dia 18 de mar\u00e7o de 2010.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, os prisioneiros cubanos, os objetos da aten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o foram julgados, e posteriormente condenados, por defenderem crit\u00e9rios pol\u00edticos contr\u00e1rios ao sistema pol\u00edtico no pa\u00eds. Cuba, assim como a maioria dos pa\u00edses do Norte, possui uma legisla\u00e7\u00e3o que considera ilegal as a\u00e7\u00f5es de indiv\u00edduos que colaboram com uma pot\u00eancia estrangeira contra seu pr\u00f3prio pa\u00eds. Tomemos o caso dos EUA. Por exemplo, o Escrit\u00f3rio para o Controle de Atuantes no Estrangeiro (OFAC sigla em ingl\u00eas) \u00e9 uma ag\u00eancia do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, que deriva sua autoridade (entre outras fontes) da Ata de Com\u00e9rcio com o Inimigo. A cada ano, o Presidente dos EUA firma um memorandum a favor da continua\u00e7\u00e3o, por mais um ano, da aplica\u00e7\u00e3o da Ata de Com\u00e9rcio com o Inimigo. Assim, estabelece a continua\u00e7\u00e3o do bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba, como foi feito por Obama em 11 de Setembro de 2009. N\u00e3o \u00e9 comentado tecnicamente, mas com base em suas a\u00e7\u00f5es e prop\u00f3sitos, \u00e9 percept\u00edvel que os Estado Unidos estejam levando a cabo uma guerra contra Cuba, objetivando que a ilha mude seu sistema pol\u00edtico.<\/p>\n<p>De acordo com o C\u00f3digo Penal dos EUA, ao amparo do Cap\u00edtulo 115, intitulado Trai\u00e7\u00e3o, Sedi\u00e7\u00e3o e Subvers\u00e3o, a Se\u00e7\u00e3o 2381 estipula que \u201c&#8230;Comete o delito de trai\u00e7\u00e3o aquele que, devendo fidelidade aos Estados Unidos, fa\u00e7a guerra ou se associe aos seus inimigos, ajudando-os, dentro ou fora dos Estados Unidos\u201d. E estipula: a pessoa que incorre nesse comportamento tipificado como delito de trai\u00e7\u00e3o, pode ser sentenciada de morte ou encarcerada por, pelo menos, cinco anos, e multada por, ao menos, 10 mil d\u00f3lares; estando inabilitada para assumir qualquer tipo de cargo p\u00fablico nos Estados Unidos. Em outras palavras, um cidad\u00e3o norte-americano que colabora com uma pot\u00eancia estrangeira, com um pa\u00eds que os EUA considerem em guerra com eles.<\/p>\n<p>Cuba, como muitos outros pa\u00edses, tem uma legisla\u00e7\u00e3o similar. No ano de 2003, alguns cubanos foram julgados, entendidos como culpados e condenados \u00e0 pris\u00e3o por trabalharem \u00e0 servi\u00e7o da Se\u00e7\u00e3o de Interesses dos Estados Unidos, em Havana. Este \u00f3rg\u00e3o os financiava e os brindava com recursos materiais para subverter a ordem constitucional na ilha. Estes dados vem sendo publicados e podem ser corroborados.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, Zapata n\u00e3o foi julgado e condenado por fatos caracterizados como minimamente pol\u00edticos. Os meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa repetem o que querem para influenciar a opini\u00e3o p\u00fablica. De fato, Zapata, desde 1988, esteve envolvido com todo o tipo de atividades delinquentes. Por\u00e9m, nenhuma delas tem rela\u00e7\u00e3o com pol\u00edtica. Havia sido preso e condenado, em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, por perturbar a ordem p\u00fablica, duas acusa\u00e7\u00f5es de fraude, exposi\u00e7\u00e3o, les\u00f5es e posse de armas. No ano 2000, ele fraturou o cr\u00e2nio de um cidad\u00e3o cubano e, mais uma vez na pris\u00e3o, acumulou uma ampla lista de viol\u00eancia contra as autoridades da pris\u00e3o. Foi colocado em liberdade condicional em mar\u00e7o de 2003, onze dias antes da pris\u00e3o e julgamento daqueles que as m\u00eddias externas \u00e0 Cuba chamam de dissidentes pol\u00edticos. Cometeu outro delito em 20 de mar\u00e7o, sendo, novamente, levado \u00e0 pris\u00e3o.<\/p>\n<p>Ainda que este \u00faltimo delito tenha ocorrido em mar\u00e7o de 2003, coincidentemente no m\u00eas do julgamento dos chamados dissidentes, seu regresso para atr\u00e1s das grades n\u00e3o teve nada que ver com esse fato. Foi apenas uma coincid\u00eancia, utilizada pelos EUA para apresentar Zapata como um prisioneiro pol\u00edtico. As poucas vezes que os meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa fizeram alguma refer\u00eancia \u00e0 ficha jur\u00eddica de Zapata, foram, invariavelmente, com o objetivo de ridicularizar a credibilidade e a posi\u00e7\u00e3o cubana. Nunca mostraram ao p\u00fablico os fatos mencionados anteriormente, que foram perfeitamente acess\u00edveis pela imprensa cubana.<\/p>\n<p>Em terceiro lugar, Zapata Tamayo n\u00e3o morreu como resultado da falta de aten\u00e7\u00e3o ou de a\u00e7\u00f5es deliberadas dos m\u00e9dicos cubanos, nem das autoridades da pris\u00e3o ou outras institui\u00e7\u00f5es. Uma reportagem especial da televis\u00e3o cubana, exibida no dia 1\u00ba de mar\u00e7o, explicou os detalhes que tiveram como consequ\u00eancia sua morte. Foi mostrado um v\u00eddeo, que ainda est\u00e1 dispon\u00edvel na Internet para os jornalistas estrangeiros interessados na verdade. No v\u00eddeo, podemos ver e ouvir os doutores cubanos, especialistas em nutri\u00e7\u00e3o e outros, atestando como fizeram todos os esfor\u00e7os poss\u00edveis para salvar sua vida. Explicou-se, com muito rigor cient\u00edfico, como o mantiveram com vida, mediante soros e outras t\u00e9cnicas. Por\u00e9m, ao negar-se a ingerir alimentos, os \u00f3rg\u00e3os come\u00e7aram a deteriorar-se em um processo irrevers\u00edvel que conduziu \u00e0 morte, apesar de todos os esfor\u00e7os. Uma psic\u00f3loga explicou como ela tratou de convencer Zapata a abandonar sua greve de fome e buscar outros m\u00e9todos para lutar por suas reivindica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O v\u00eddeo mostra a pr\u00f3pria m\u00e3e do recluso afirmando que seu filho recebera a aten\u00e7\u00e3o dos melhores m\u00e9dicos cubanos, pela qual ela estava muito agradecida. E, um detalhe muito importante, pode-se observar que as declara\u00e7\u00f5es da m\u00e3e foram gravadas e filmadas em conversas totalmente espont\u00e2neas, sem que ela tivesse conhecimento. Isso apaga qualquer suspeita, de quem quer que seja, de que foram declara\u00e7\u00f5es dadas sob a press\u00e3o das autoridades.<\/p>\n<p>As declara\u00e7\u00f5es apresentadas posteriormente pela m\u00e3e de Zapata, nas quais culpou as autoridades cubanas, refor\u00e7am ainda mais a afirma\u00e7\u00e3o de como o falecido e sua m\u00e3e foram manipulados pelas for\u00e7as norte-americanas. Essas for\u00e7as pretendiam mais que condenar o tratamento ao prisioneiro. O objetivo maior \u00e9 prosseguir, com intuitos puramente pol\u00edticos, com uma campanha de desinforma\u00e7\u00e3o para incriminar Cuba de supostas condutas de viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos.<\/p>\n<p>Em quem acreditar? Por que n\u00e3o mostram o v\u00eddeo cubano e d\u00e3o ao p\u00fablico a possibilidade de tirarem suas pr\u00f3prias conclus\u00f5es sobre o caso, em lugar de insistir na repeti\u00e7\u00e3o da mentira no melhor estilo Goebbeliano? Vendo repetidas vezes e observando com muita aten\u00e7\u00e3o o v\u00eddeo original (mostrado na televis\u00e3o cubana e, posteriormente, dispon\u00edvel na Internet), constatamos, uma vez mais, ao ouvir as palavras, as explica\u00e7\u00f5es e o estilo de trabalho dos especialistas cubanos que trata-se de uma das mais relevantes manifesta\u00e7\u00f5es da sociedade cubana e de sua cultura pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Qualquer pesquisador ou jornalista n\u00e3o-cubano que passe algum tempo na ilha e seja seriamente interessado em Cuba, reconhece que a sociedade cubana \u00e9 profundamente humanit\u00e1ria. Para ela o ser humano e a vida em si s\u00e3o colocados em um pedestal. A humanidade \u00e9 algo muito sagrado para os cubanos, algo intoc\u00e1vel e os valores que respaldam e fundamentam estas concep\u00e7\u00f5es s\u00e3o aplic\u00e1veis a todos os seres humanos na ilha, independente de considera\u00e7\u00f5es de qualquer tipo. S\u00e3o esses valores que os cubanos, com muito sacrif\u00edcio, vem expandindo al\u00e9m das fronteiras geogr\u00e1ficas.<\/p>\n<p>Os coment\u00e1rios e a sinceridade exibidos pelos especialistas cubanos s\u00e3o parte da vida cotidiana dos cubanos. Para os que j\u00e1 est\u00e3o familiarizados com a vida desse povo, o testemunho visto na TV reflete uma atitude que \u00e9 perfeitamente normal e natural, de se esperar em Cuba sempre, em qualquer circunst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>\u00c9 importante que os meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa do sistema capitalista tratem de manter esta imagem de Cuba longe do alcance da opini\u00e3o p\u00fablica, para manipular as situa\u00e7\u00f5es segundo sua conveni\u00eancia. Ainda que o planeta inteiro estivesse concentrado nos sucessos do Haiti, ap\u00f3s o terremoto de 12 de janeiro, as m\u00eddias norte-americanas que se encontravam no ar com as \u00faltimas not\u00edcias sobre os acontecimentos, durante 24 horas, por v\u00e1rias semanas, sempre encontraram uma forma de ocultar da opini\u00e3o p\u00fablica que os trabalhadores da sa\u00fade cubanos e outros especialistas estiveram no Haiti trabalhando, esfor\u00e7adamente, durante onze anos e que o 12 de janeiro serviu apenas para intensificarem sua assist\u00eancia. Sean Penn teve a coragem de mencionar este fato na entrevista.<\/p>\n<p>\u00c9 muito trabalhoso imaginar como \u00e9 poss\u00edvel os jornalistas norte-americanos, com toda a t\u00e9cnica avan\u00e7ada e a alta especializa\u00e7\u00e3o, passarem todo o tempo no Haiti e nunca cruzarem com um m\u00e9dico cubano ou algum dos trabalhadores da sa\u00fade que ali prestavam servi\u00e7os. Ou ent\u00e3o, com alguns dos milhares e milhares de haitianos que foram tratados e, em muitos casos, salvos pelas miss\u00f5es m\u00e9dicas cubanas durante os \u00faltimos onze anos e nas semanas que se seguiram ao terremoto.<\/p>\n<p>Este bloqueio informativo \u00e9 algo muito deliberadamente organizado e concebido. Digo isso porque, quando a ocasi\u00e3o se apresenta, como o caso da morte de Zapata, nota-se que \u00e9 muito mais f\u00e1cil fazer a opini\u00e3o p\u00fablica comprar mentiras, como a de que as autoridades de sa\u00fade cubanas e o sistema de sa\u00fade cubano necessitam, no m\u00ednimo, de cora\u00e7\u00e3o e sentimentos humanit\u00e1rios. Isto \u00e9 ignorar que, supostamente, situa\u00e7\u00f5es com a de Zapata, n\u00e3o se pode comparar com as do Haiti. Por\u00e9m, quando uma sociedade inteira e uma profiss\u00e3o com a m\u00e9dica se baseiam no respeito \u00e0 humanidade e na preserva\u00e7\u00e3o da vida dos seres humanos, estes princ\u00edpios se aplicam em todos os casos, acima de qualquer discord\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Cuba \u00e9 uma sociedade treinada, por mais de cinco d\u00e9cadas, com base na paci\u00eancia e na educa\u00e7\u00e3o para tratar de corrigir erros de qualquer tipo e resolver seus problemas. Isso pode ser a n\u00edvel dos CDR (Comit\u00eas de Defesa da Revolu\u00e7\u00e3o), nas discuss\u00f5es das Assembleias Municipais e nos Conselhos Populares; nos \u00f3rg\u00e3os do governo mais direta e imediatamente vinculados aos cidad\u00e3os nos bairros e centros de produ\u00e7\u00e3o e servi\u00e7o; nas reuni\u00f5es de presta\u00e7\u00e3o de conta dos representantes eleitos aos \u00f3rg\u00e3os do Estado com seu eleitores ou nas discuss\u00f5es e consultas durante os trabalhos das comiss\u00f5es da Assembleia Nacional; no parlamento cubano ou suas comiss\u00f5es da Assembleia Nacional e nos centros de trabalho.<\/p>\n<p>Em todo o caso, os problemas da sociedade cubana s\u00e3o analisados tendo como base a paci\u00eancia, a compreens\u00e3o e a educa\u00e7\u00e3o, que fundamentam a autocr\u00edtica do sistema. Esse procedimento \u00e9 tomado ainda que se trate de resolver algum dos problemas cotidianos, inclusive, uma viola\u00e7\u00e3o simples da lei ou um delito de maior gravidade. Em todos os problemas que possam refletir em indiv\u00edduos ou em grupos, recebe destaque a utiliza\u00e7\u00e3o da paci\u00eancia, buscando sempre procedimentos educativos como via principal para a mudan\u00e7a de condutas que afetem a sociedade. E no caso que aqui discutimos, se confirma como um fato plaus\u00edvel e absolutamente normal o que observamos no v\u00eddeo: a declara\u00e7\u00e3o dos profissionais de sa\u00fade de como fizeram de tudo ao alcance para tratar e salvar a vida de Zapata. Assim \u00e9 como se procede em Cuba.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 uma casualidade que, em determinado momento, a administra\u00e7\u00e3o de Bush tenha decidido finalizar abruptamente as visitas educacionais de cidad\u00e3os morte-americanos \u00e0 Cuba. Os jovens que viajavam de visita \u00e0 Cuba e seus professores, na sua imensa maioria, viam atrav\u00e9s das m\u00eddias mentiras a respeito de Cuba. Em suas viagens, tiveram a possibilidade de apreciar ao menos um aspecto essencial: Cuba \u00e9 uma sociedade pac\u00edfica, que se fundamenta no valor dos seres humanos. E isto transcende qualquer outra considera\u00e7\u00e3o poss\u00edvel. Ela \u00e9 aplic\u00e1vel em todas as circunst\u00e2ncias. Os estudantes regressavam aos EUA com uma vis\u00e3o da sociedade cubana completamente oposta a difundida pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massas desse pa\u00eds.<\/p>\n<p>A quarta mentira que se encontra em circula\u00e7\u00e3o, est\u00e1 relacionada \u00e0s Damas de Branco. Ela se refere ao fato de terem sido amea\u00e7adas e agredidas fisicamente por cidad\u00e3os e, a seguir, violentamente reprimidas pelas autoridades cubanas durante recente manifesta\u00e7\u00e3o, em Havana. Quem s\u00e3o as Damas de Branco e qual \u00e9 a sua import\u00e2ncia? Desde 1960, o governo dos EUA vem apoiando oficialmente a forma\u00e7\u00e3o e desenvolvimento de \u201cgrupos de oposi\u00e7\u00e3o\u201d em Cuba, com estreitos v\u00ednculos com os EUA. Mais recentemente, em julho de 2006, um documento dos EUA intitulado Comiss\u00e3o para a Ajuda de uma Cuba Livre (Commission for Assistance to a Free Cuba), estabelece especificamente que estes grupos necessitam de \u201cprogramas bem financiados, concebidos para fortalec\u00ea-los\u201d. Tamb\u00e9m destaca a necessidade de \u201cconstruir um consenso internacional em apoio a esses grupos\u201d (p\u00e1gina 16).<\/p>\n<p>No documento, existem v\u00e1rios grupos e indiv\u00edduos mencionados explicitamente: um deles \u00e9 o grupo das Damas de Branco. Um indiv\u00edduo que tamb\u00e9m recebeu o selo de aprova\u00e7\u00e3o, h\u00e1 aproximadamente quatro anos, \u00e9 Guillermo Fari\u00f1a que, segundo o documento dos EUA, nesse momento se encontrava \u201ccomprometido numa greve de fome\u201d (p\u00e1gina 19). No momento de escrever estas linhas, o dito indiv\u00edduo ainda se encontra em greve de fome, sendo manipulado do mesmo modo que foi Zapata (e continua sendo ap\u00f3s sua morte).<\/p>\n<p>Os meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa incluem v\u00eddeos de YouTube e similares acerca dos recentes incidentes com as Damas de Branco. Estes v\u00eddeos s\u00e3o um reflexo das mat\u00e9rias obl\u00edquas, baseadas em mentiras. S\u00e3o montagens de determinadas filmagens, ainda que os fot\u00f3grafos possam ou n\u00e3o ter rela\u00e7\u00e3o com os eventos do dia em quest\u00e3o. S\u00e3o editados em conjunto com o \u00e1udio para dar a impress\u00e3o de viol\u00eancia. N\u00e3o obstante, \u00e9 poss\u00edvel assistir ao v\u00eddeo original completo, sem edi\u00e7\u00e3o, que foi mostrado ao mundo pela televis\u00e3o. Basta ignorar a parte do \u00e1udio, onde se afirma v\u00e1rias vezes o uso da viol\u00eancia por parte dos pr\u00f3-cubanos contra as Damas de Branco e a rendi\u00e7\u00e3o das mesmas pela pol\u00edcia, de forma violenta, ficando mantidas sob cust\u00f3dia.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que via-se claramente que os oponentes \u00e0s Damas de Branco estavam muito chateados e, constantemente, expressavam seu apoio \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, em momento algum, fizeram uso da viol\u00eancia. Do mesmo modo, as pol\u00edcias femininas que colocaram as Damas de Branco nos \u00f4nibus da cidade e as conduziram a suas casas, n\u00e3o usaram de viol\u00eancia, n\u00e3o havendo pris\u00f5es. Ainda que se tivesse ci\u00eancia dos v\u00ednculos das Damas com os norte-americanos, seu reconhecimento oficial e promo\u00e7\u00e3o pelos EUA como um grupo de oposi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o foi usada a viol\u00eancia contra elas. Alegar o contr\u00e1rio \u00e9 uma mentira e repeti-la, com a esperan\u00e7a de que haja pessoas que acreditar\u00e3o, \u00e9 um fato conden\u00e1vel e repulsivo. \u00c9 o tipo de mentira que Sean Penn recha\u00e7ou quando se referia aos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massas que insistem em descrever Hugo Ch\u00e1vez como um ditador.<\/p>\n<p>Os que foram presos e condenados \u00e0 pris\u00e3o em mar\u00e7o de 2003, assim como seus defensores, as Damas de Branco, por exemplo, n\u00e3o est\u00e3o em conflito com o governo cubano ou com o povo por conta de pontos de vista e opini\u00f5es pol\u00edticas divergentes. Enquanto o povo sai \u00e0s ruas para se opor \u00e0 esses grupelhos e manifestar-se em defesa da revolu\u00e7\u00e3o, essas pessoas colaboram com uma pot\u00eancia estrangeira (o governo dos Estado Unidos) contra seu pr\u00f3prio pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em Cuba, agora mais do que nunca, se leva a cabo uma ampla e profunda discuss\u00e3o. Debates s\u00e3o desenvolvidos nas m\u00eddias, nas fam\u00edlias, nos bairros, nas organiza\u00e7\u00f5es de massas e nos \u00f3rg\u00e3os do Poder Popular. Existem opini\u00f5es contrapostas que s\u00e3o debatidas publicamente acerca das medidas a serem tomadas para aperfei\u00e7oar o sistema s\u00f3cio-econ\u00f4mico cubano. Um exemplo \u00e9 o debate sobre dar mais poderes aos representantes eleitos como autoridades pol\u00edticas nos \u00f3rg\u00e3os estatais e do governo. A ideia \u00e9 que esses representantes possam enfrentar, de fato, problemas como a corrup\u00e7\u00e3o \u2013 que em modo algum pode ser comparada, nem em sua magnitude nem no tipo de fatos, com o que se enfrenta em qualquer pa\u00eds capitalista -, a produ\u00e7\u00e3o e a distribui\u00e7\u00e3o de materiais e alimentos necess\u00e1rios a popula\u00e7\u00e3o, entre outros.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, essas discuss\u00f5es n\u00e3o tem como objetivo mudar o sistema socialista atual por um sistema capitalista, nem converter Cuba em um sat\u00e9lite dos EUA, regressando \u00e0 situa\u00e7\u00e3o imperante antes da revolu\u00e7\u00e3o. Os \u201cgrupos de oposi\u00e7\u00e3o\u201d vem se desqualificando voluntariamente com respeito a estes importantes debates, j\u00e1 que n\u00e3o s\u00e3o dirigidos contra o sistema atual nem contra a ordem constitucional estabelecida. Pelo contr\u00e1rio, estas discuss\u00f5es s\u00e3o, inclusive, estimuladas pela lideran\u00e7a hist\u00f3rica da revolu\u00e7\u00e3o, devido a um sincero desejo de atingir um povo cada vez mais aberto, a aperfei\u00e7oar seu pr\u00f3prio sistema.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o fato \u00e9 que a \u201coposi\u00e7\u00e3o\u201d, ou os chamados \u201cdissidentes\u201d, se encontram completamente alheios das tend\u00eancias principais da sociedade cubana. A tem\u00e1tica n\u00e3o \u00e9 uma falha no sistema cubano ou um sinal de que alguma de suas linhas devem ser modificadas. Os \u201cgrupos de oposi\u00e7\u00e3o\u201d devem culpar-se a eles mesmos por seu completo descolamento da realidade cubana. Se n\u00e3o fosse pela campanha midi\u00e1tica da direita internacional, pelo financiamento e outras formas de apoio demonstrada pelo governo dos EUA, dedicar a escrever acerca dos \u201cdissidentes\u201d seria uma in\u00fatil perda de tempo, dada sua total irrelev\u00e2ncia no cotidiano pol\u00edtico cubano.<\/p>\n<p>Os chamados dissidentes em Cuba, que encontram-se completamente isolados, irrelevantes e marginalizados na sociedade cubana e em sua vida pol\u00edtica, s\u00e3o traidores da na\u00e7\u00e3o iguais seus compatriotas de Miami. Eles s\u00f3 seguem aquilo que serve aos seus interesses, com seus m\u00e9todos oportunistas de atuar e pensar. Os mercen\u00e1rios, por sua pr\u00f3pria natureza, podem vender at\u00e9 suas almas, podem at\u00e9 disputar entre si pelo financiamento estrangeiro. Os povos da Europa e dos EUA que possuem interesse em melhorar suas rela\u00e7\u00f5es com Cuba, tem de pensar que Washington, Bruxelas e as m\u00eddias das oligarquias vem criando um monstro. E este monstro est\u00e1 fora de controle. Este indiv\u00edduos ganham a vida baseados somente no cumprimento do objetivo de criar tens\u00f5es entre Cuba de um lado e do outro lado Europa e EUA. Conflitos que inibem a exist\u00eancia de rela\u00e7\u00f5es normais entre os Estados.<\/p>\n<p>Por que Cuba \u00e9 hoje a v\u00edtima de uma nova campanha midi\u00e1tica e de press\u00f5es de Washington e Bruxelas? H\u00e1 v\u00e1rias raz\u00f5es. Talvez uma seja o fato de que a reuni\u00e3o de 22-23 de fevereiro, onde todos os Estados do hemisf\u00e9rio, exceto EUA e Canad\u00e1, estiveram de acordo em estabelecer uma organiza\u00e7\u00e3o regional para promover a integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, pol\u00edtica e cultural. Este \u00e9 um evento hist\u00f3rico. N\u00e3o \u00e9 segredo para ningu\u00e9m que Cuba, desde 1959, vem carregando o peso e se mantido durante todo este tempo sob dif\u00edceis condi\u00e7\u00f5es, como uma base pol\u00edtica e moral para a coopera\u00e7\u00e3o regional. Os EUA e a velha Europa nunca perdoaram Cuba por dar este primeiro passo h\u00e1 mais de cinquenta anos.<\/p>\n<p>Eles nunca aceitaram que Cuba tenha se recusado a seguir o caminho da capitula\u00e7\u00e3o no ocidente, como ocorreu com a URSS e o Leste Europeu. Defender Cuba hoje e sua Revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 defender toda Am\u00e9rica Latina, o Caribe e seu nobre projeto de integra\u00e7\u00e3o. A morte de Zapata ocorreu no momento mais oportuno (para os inimigos de Cuba). Sua manipula\u00e7\u00e3o pela Uni\u00e3o Europeia, pelas m\u00eddias de l\u00e1 e dos Estados Unidos, servem muito convenientemente \u00e0s inten\u00e7\u00f5es de reverter a nova tend\u00eancia na regi\u00e3o, golpeando sua inspiradora inicial e mais prestigiosa desde o s\u00e9culo passado: Cuba. No mesmo documento dos EUA antes citado, desde 2006 os Estado Unidos se mostravam preocupados acerca do eixo Cuba-Venezuela. Deste modo: \u201cJuntos, estes pa\u00edses est\u00e3o avan\u00e7ando uma agenda retr\u00f3grada e anti-Americana para o futuro do hemisf\u00e9rio e est\u00e3o encontrando certa resson\u00e2ncia&#8230; na regi\u00e3o\u201d (p\u00e1gina 24). \u00c9 neste contexto que os EUA revelam seu programa de organizar, sustentar e promover seus pr\u00f3prios grupos e indiv\u00edduos de oposi\u00e7\u00e3o em Cuba.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, Cuba n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3. Pelo contr\u00e1rio, apesar de todas as inten\u00e7\u00f5es de isol\u00e1-la, durante mais de cinquenta anos, Cuba nunca esteve t\u00e3o no centro da pol\u00edtica regional e mundial como est\u00e1 agora. A mais recente campanha midi\u00e1tica baseada em mentiras e distor\u00e7\u00f5es serve apenas para fazer crescer a consci\u00eancia pol\u00edtica dos povos do mundo acerca de como os meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa, ao servi\u00e7o da oligarquia, trabalham com a mentira e as manipula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.addthis.com\/bookmark.php?v=20\" target=\"_blank\"><span style=\"font-family: Verdana; color: #0000ff; font-size: small;\"><span style=\"text-decoration: underline;\">http:\/\/www.addthis.com\/bookmark.php?v=20<\/span><\/span><\/a><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Maria Fernanda M. Scelza<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: MST\n\n\n\n\nPublicado em 31de Mar\u00e7o de 2010, em Arnold August, Especiais, Opini\u00e3o\nPor Arnold August\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/406\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[47],"tags":[],"class_list":["post-406","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c57-revolucao-cubana"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6y","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/406","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=406"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/406\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=406"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=406"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=406"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}