{"id":4063,"date":"2012-12-20T12:36:23","date_gmt":"2012-12-20T12:36:23","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4063"},"modified":"2012-12-20T12:36:23","modified_gmt":"2012-12-20T12:36:23","slug":"qa-ue-e-uma-uniao-inter-estatal-imperialistaq","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4063","title":{"rendered":"&#8220;A UE \u00e9 uma uni\u00e3o inter-estatal imperialista&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p>Caros camaradas:<\/p>\n<p>Agradecemos ao Partido Comunista dos Povos de Espanha e aos nossos camaradas dos outros partidos. Apreciamos muito a organiza\u00e7\u00e3o desta iniciativa e tentaremos contribuir para a discuss\u00e3o acerca da UE com as posi\u00e7\u00f5es e a experi\u00eancia do KKE.<\/p>\n<p>O KKE argumenta que a Uni\u00e3o Europeia \u00e9 uma alian\u00e7a imperialista inter-estatal que tem como crit\u00e9rio os interesses dos monop\u00f3lios europeus, o grande capital europeu, o aumento da sua lucratividade e o refor\u00e7o da sua competitividade, o aumento do n\u00edvel de explora\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora, a aboli\u00e7\u00e3o de direitos trabalhistas, a deteriora\u00e7\u00e3o das vidas dos povos.<\/p>\n<p>\u00c9 uma uni\u00e3o imperialista inter-estatal que facilita a livre actividade do capital ao n\u00edvel nacional, regional e internacional. Para a expans\u00e3o das actividades de neg\u00f3cios dos grandes cons\u00f3rcios econ\u00f3micos, para a aquisi\u00e7\u00e3o de novos mercados e esferas de influ\u00eancia a fim de saquear os recursos naturais.<\/p>\n<p>Sejam quais forem os mecanismos de manipula\u00e7\u00e3o, eles n\u00e3o podem esconder que a Uni\u00e3o Europeia neste momento tem 30 milh\u00f5es de desempregados e um n\u00famero semelhante de sub-empregados, mina o futuro da juventude, condena mais de 127 milh\u00f5es de pessoas \u00e0 pobreza extrema.<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o Europeia tomou parte nas guerras imperialistas na Iugusl\u00e1via, Afeganist\u00e3o, Iraque, L\u00edbia junto com os EUA e a NATO, e agora est\u00e1 a desempenhar um papel de lideran\u00e7a na interven\u00e7\u00e3o e nas amea\u00e7as contra a S\u00edria e o Ir\u00e3o, utilizando pretextos miser\u00e1veis, quando a verdade \u00e9 que eles procuram adquirir novos mercados, para garantir fontes de g\u00e1s natural e petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 a Uni\u00e3o Europeia, a uni\u00e3o do anti-comunismo que est\u00e1 a tentar enegrecer a contribui\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica dos comunistas na luta pelo progresso social, que difama a contribui\u00e7\u00e3o decisiva da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica para a derrota do fascismo na II Guerra Mundial e est\u00e1 a tentar anti-historicamente igualar comunismo, o oponente real do capital e do capitalismo, a fascismo, o qual \u00e9 a criatura do sistema e servidor do capital.<\/p>\n<p>Os \u00faltimos 20 anos s\u00e3o muito instrutivos para os povos.<\/p>\n<p><strong>Primeiro: <\/strong>no princ\u00edpio da d\u00e9cada de 1990 as bases para a promo\u00e7\u00e3o do livre movimento de capitais, mercadorias, servi\u00e7os e trabalho foram lan\u00e7adas, a bem conhecida reestrutura\u00e7\u00e3o capitalista que abole trabalho fundamental, direitos de seguran\u00e7a social e imp\u00f5e b\u00e1rbaras medidas anti-trabalhadores. A estrat\u00e9gia de Maastricht, &#8220;Tratado de Lisboa&#8221; e a &#8220;EU-2020&#8221; serve de um modo planeado o aumento da competitividade e da lucratividade dos cons\u00f3rcios econ\u00f3micos monopolistas com o objectivo de satisfazer as necessidades actuais do capital, o qual nas condi\u00e7\u00f5es da crise capitalista escala a ofensiva a fim de promover a redu\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o da for\u00e7a de trabalho, a intensidade do n\u00edvel de explora\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora.<\/p>\n<p><strong>Segundo: <\/strong>um objectivo b\u00e1sico da\u00a0<strong>Pol\u00edtica Agr\u00edcola Comum (PAC) <\/strong>da UE \u00e9 a concentra\u00e7\u00e3o da terra e da produ\u00e7\u00e3o nas m\u00e3os de poucos, de modo a que as rela\u00e7\u00f5es capitalistas na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola sejam expandidas e fortalecidas, de modo a que sejam formadas grandes culturas capitalistas com um alto n\u00edvel de competitividade. Esta pol\u00edtica demonstrou-se ser desastrosa para pequenos e tamb\u00e9m para muitos m\u00e9dios agricultores. Culturas tradicionais foram reduzidas, o gado sofreu, a Gr\u00e9cia foi engolfada por produtos agr\u00edcolas importados, o d\u00e9fice comercial aumentou.<\/p>\n<p><strong>Terceiro: <\/strong>atrav\u00e9s da chamada pra\u00e7a da &#8220;Liberdade, Seguran\u00e7a, Justi\u00e7a&#8221; o edif\u00edcio da UE, o poder pol\u00edtico dos monop\u00f3lios, o sistema capitalista est\u00e1 a ser gradualmente refor\u00e7ado.<\/p>\n<p>Repress\u00e3o e autoritarismo e as lutas populares da classe trabalhadora est\u00e3o a ser incriminadas e criminalizadas, medidas duras est\u00e3o a ser tomadas contra os imigrantes, todo um mecanismo para a vigil\u00e2ncia e persegui\u00e7\u00e3o dos trabalhadores est\u00e1 a ser criado.<\/p>\n<p><strong>Quarto: <\/strong>a\u00a0<strong>&#8220;Pol\u00edtica de seguran\u00e7a e defesa comum&#8221; <\/strong>est\u00e1 a ser utilizada como uma ferramenta da UE para a interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-militar em todo o mundo, para controlar e explorar novos mercados para os monop\u00f3lios, para adquirir novas posi\u00e7\u00f5es na competi\u00e7\u00e3o inter-imperialista.<\/p>\n<p><strong>Quinto: <\/strong>a\u00a0<strong>Uni\u00e3o Econ\u00f3mica e Monet\u00e1ria (UEM) <\/strong>, a qual hoje inclui 17 estados e uma divisa comum, o Euro, deu \u00edmpeto \u00e0 integra\u00e7\u00e3o capitalista, mas agu\u00e7ou contradi\u00e7\u00f5es inter-imperialistas. As necessidades do sistema de estabilidade monet\u00e1ria foram e est\u00e3o a ser utilizadas para a imposi\u00e7\u00e3o de duras medidas anti-populares. Na realidade, apesar dos passos que t\u00eam sido dados rumo \u00e0 integra\u00e7\u00e3o capitalista, a Uni\u00e3o Europeia, como uma uni\u00e3o de estado com diferentes n\u00edveis de desenvolvimento, enfrenta graves problemas devido \u00e0 desigualdade capitalista e isto manifestou-se intensamente durante a crise capitalista. Os pr\u00f3prios burgueses e os apologistas do capitalismo e da UE est\u00e3o preocupados acerca do futuro da Eurozona, do rumo das contradi\u00e7\u00f5es inter-imperialistas e da competi\u00e7\u00e3o e com o fortalecimento de tend\u00eancias centr\u00edfugas.<\/p>\n<p>As leis do capitalismo s\u00e3o implac\u00e1veis. O agu\u00e7amento da contradi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica entre o car\u00e1cter social da produ\u00e7\u00e3o e a apropria\u00e7\u00e3o capitalista dos seus resultados levou \u00e0 crise de super-acumula\u00e7\u00e3o de capital e n\u00e3o a uma crise de d\u00edvida ou crise do neoliberalismo como afirmam os sociais-democratas e partidos oportunistas.<\/p>\n<p>Hoje, quatro anos ap\u00f3s os estalar da crise, o problema retornou \u00e0 Eurozona, a qual sofreu uma nova recess\u00e3o e uma nova redu\u00e7\u00e3o da sua produ\u00e7\u00e3o e economia em 2012.<\/p>\n<p>Nestas condi\u00e7\u00f5es, o capital precisa de maior lucratividade.<\/p>\n<p>A chamada\u00a0<strong>&#8220;Governa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica europeia&#8221; <\/strong>significa a estrutura das medidas econ\u00f3micas e fiscais anti-povo, que al\u00e9m disso constitui a supervis\u00e3o dos estados membros pela equipe da UE e a ced\u00eancia consciente de direitos soberanos pelas classes burguesas e seus representantes.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>&#8220;Mecanismo Europeu de Estabilidade&#8221; (MEE) <\/strong>que foi criado para tratar ocorr\u00eancias de bancarrota controlada, como no caso da Gr\u00e9cia, opera de acordo com as mesmas linhas. Enquanto isso a discuss\u00e3o e a confronta\u00e7\u00e3o no auge acerca das duas importantes op\u00e7\u00f5es anti-populares: Primeiro, a <strong>Multi-anual Financial Framework 2014-2020&#8243; <\/strong>em que graves contradi\u00e7\u00f5es inter-imperialistas est\u00e3o a manifestar-se entre a Alemanha e a Fran\u00e7a e entre a Alemanha e a Gr\u00e3-Bretanha. E em segundo lugar, quanto \u00e0 proposta recente da Comiss\u00e3o para o\u00a0<strong>&#8220;Aprofundamento da Uni\u00e3o Econ\u00f3mica e Monet\u00e1ria&#8221; <\/strong>para a protec\u00e7\u00e3o da Eurozona.<\/p>\n<p>Em conclus\u00e3o, podemos dizer que a agressividade da UE n\u00e3o se limita a uma ou outra pol\u00edtica. O problema b\u00e1sico \u00e9 que esta uni\u00e3o capitalista foi criada para servir as necessidades do grande capital e a estrat\u00e9gia da alian\u00e7a predat\u00f3ria est\u00e1 a ser formada e actualizada com base neste objectivo. Assim, as pol\u00edticas anti-povo adequadas est\u00e3o a ser implementadas. Por esta raz\u00e3o, respondemos aos partidos burgueses e \u00e0s for\u00e7as oportunistas decisivamente e esclarecendo o povo que a UE \u00e9 uma uni\u00e3o inter-estatal do capital que se tornar\u00e1 continuamente mais reaccion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Sublinhamos isto, denunciando o papel do\u00a0<strong>Partido de Esquerda Europeu (PEE) <\/strong>o qual emergiu das entranhas da UE, implementa a sua estrat\u00e9gia e faz a apologia deste uni\u00e3o imperialista.<\/p>\n<p>O KKE est\u00e1 numa confronta\u00e7\u00e3o cont\u00ednua com a UE, sua actividade est\u00e1 ligada a muitas mobiliza\u00e7\u00f5es populares importantes e \u00e0 classe trabalhadora as quais ao longo do tempo adquiriram continuamente objectivos de luta mais radicais.<\/p>\n<p>A par destes objectivos est\u00e1 a luta pelo desligamento da Gr\u00e9cia da UE (bem como da NATO) e pelo cancelamento unilateral da d\u00edvida, com o poder da classe trabalhadora e a socializa\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o concentrados.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 de import\u00e2ncia particular, pois o desligamento das organiza\u00e7\u00f5es imperialistas est\u00e1 conectado ao caminho do desenvolvimento socialista, levando em conta que s\u00f3 atrav\u00e9s deste caminho um pa\u00eds pode desenvolver-se baseado na satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades do povo e procurar criar rela\u00e7\u00f5es mutuamente ben\u00e9ficas com outros estados e povos.<\/p>\n<p>O KKE argumenta que os problemas do povo n\u00e3o podem ser resolvidos e as necessidades populares n\u00e3o podem ser satisfeitas mesmo se um pa\u00eds se retirar da UE, da Eurozona e do Euro e continuar a seguir o caminho do desenvolvimento capitalista. O regime da explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem ser\u00e1 perpetuado. A domin\u00e2ncia do capital permanecer\u00e1. As pr\u00e9-condi\u00e7\u00f5es para o irromper da crise capitalista e a participa\u00e7\u00e3o em guerras imperialistas ser\u00e3o mantidas.<\/p>\n<p>Por esta raz\u00e3o, consideramos necess\u00e1rio intensificar os esfor\u00e7os para fortalecer a luta anti-monopojlista, anti-capitalista e reunir for\u00e7as da classe trabalhadora e populares mais vastas, para constituir uma forte alian\u00e7a do povo com a classe trabalhadora como sua for\u00e7a de vanguarda rumo ao derrube da barb\u00e1rie capitalista e desligamento de uni\u00f5es imperialistas.<\/p>\n<p>Dezembro\/2012<\/p>\n<p><strong>Ver tamb\u00e9m: <\/strong><\/p>\n<li><strong><a href=\"http:\/\/elpravda.blogspot.pt\/2012\/12\/el-kke-se-niega-que-el-pce-organice-el.html#more\" target=\"_blank\">El KKE se niega a que el PcE organice el pr\u00f3ximo EIPCO en Espa\u00f1a<\/a>\n<p>*Membro da Comiss\u00e3o Pol\u00edtica do CC do KKE. Discurso em 15 de Dezembro no evento pol\u00edtico organizado pelo\u00a0<a href=\"http:\/\/www.pcpe.es\/\" target=\"_blank\">PCPE<\/a> sobre a UE com a palavra-de-ordem &#8220;Pela retirada da UE, do Euro e da NATO&#8221;.<\/p>\n<p> <\/strong> <\/p>\n<p><strong>O original encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/inter.kke.gr\/News\/news2012\/2012-12-17-marinoy\/\" target=\"_blank\">http:\/\/inter.kke.gr\/News\/news2012\/2012-12-17-marinoy\/<\/a> <\/strong><\/p>\n<p><strong>Este artigo encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a> .<\/strong><\/p>\n<\/li>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nResistir.info\n\n\n\n\n\n\n\n\nGiorgos Marinos*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4063\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[107],"tags":[],"class_list":["post-4063","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c120-grecia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-13x","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4063","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4063"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4063\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4063"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4063"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4063"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}