{"id":4095,"date":"2012-12-29T01:24:50","date_gmt":"2012-12-29T01:24:50","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4095"},"modified":"2012-12-29T01:24:50","modified_gmt":"2012-12-29T01:24:50","slug":"bancos-contra-povos-os-bastidores-de-um-jogo-manipulado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4095","title":{"rendered":"Bancos contra povos: os bastidores de um jogo manipulado"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Este segundo artigo desta s\u00e9rie mostra como o Banco Central Europeu e a Reserva Federal norte-americana se puseram ao servi\u00e7o dos grandes bancos privados e n\u00e3o do interesse da popula\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses. Os bancos foram confrontados com a amea\u00e7a de n\u00e3o conseguirem pagar as d\u00edvidas. Foi ent\u00e3o que o BCE recome\u00e7ou a comprar, em grandes quantidades, t\u00edtulos de d\u00edvida p\u00fablica grega, portuguesa, irlandesa, italiana e espanhola, para fornecer liquidez aos bancos. O artigo \u00e9 de Eric Toussaint.<\/strong><\/p>\n<p>(*) Leia tamb\u00e9m o primeiro artigo desta s\u00e9rie: <a href=\"http:\/\/cartamaior.com.br\/templates\/materiaMostrar.cfm?materia_id=21382\" target=\"_blank\">2007-2012: seis anos que abalaram os bancos<\/a>.<\/p>\n<p><strong><em>O BCE e o Fed ao servi\u00e7o dos grandes bancos privados<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>A atividade do Banco Central Europeu e do Fed |1|<\/strong><\/p>\n<p>Os bancos europeus entraram numa fase cr\u00edtica a partir de junho de 2011. A situa\u00e7\u00e3o era quase t\u00e3o grave como ap\u00f3s a fal\u00eancia do Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008. Muitos deles estavam \u00e0 beira da asfixia, porque as suas enormes necessidades de financiamento a curto prazo (alguns bilh\u00f5es de d\u00f3lares) deixaram de ser satisfeitas pelos\u00a0<em>money market funds<\/em> americanos, que consideravam que a situa\u00e7\u00e3o dos bancos europeus era cada vez mais arriscada |2|.<\/p>\n<p>Os bancos foram confrontados com a amea\u00e7a de n\u00e3o conseguirem pagar as d\u00edvidas. Foi ent\u00e3o que o BCE, na sequ\u00eancia de uma c\u00fapula europeia, que se realizou de urg\u00eancia a 21 de julho de 2011 para fazer face a uma s\u00e9rie de poss\u00edveis fal\u00eancias banc\u00e1rias, recome\u00e7ou a comprar, em grandes quantidades, t\u00edtulos de d\u00edvida p\u00fablica grega, portuguesa, irlandesa, italiana e espanhola, para fornecer liquidez aos bancos e aliviar o peso de uma parte dos t\u00edtulos que tinham comprado avidamente no per\u00edodo anterior. Mas n\u00e3o foi suficiente.<\/p>\n<p>A derrocada do pre\u00e7o das a\u00e7\u00f5es dos bancos na bolsa continuava. Para os patr\u00f5es dos bancos, agosto foi o m\u00eas de todos os perigos. A abertura pelo BCE, em setembro de 2011, de uma linha de cr\u00e9dito ilimitada, em concerta\u00e7\u00e3o com o Fed, o Banco de Inglaterra e o Banco da Su\u00ed\u00e7a, foi decisiva para manter \u00e0 tona os bancos europeus: os bancos com falta de d\u00f3lares e de euros foram colocados sob observa\u00e7\u00e3o. Come\u00e7aram a respirar outra vez, mas a medida foi insuficiente. A descida aos infernos continuava.<\/p>\n<p>Entre 1\u00ba de janeiro e 21 de outubro de 2011, a atividade da Soci\u00e9t\u00e9 G\u00e9n\u00e9rale caiu 52,8%, a do BNP Paribas, 33,3%, a do Deutsche Bank, 28,8%, a do Barclays, 30,5%, a do Credit Suisse, 36,7%. O BCE teve de utilizar a sua bazuca LTRO (Long Term Refinancing Operation): emprestou mais de um bili\u00e3o de euros, a um prazo de tr\u00eas anos e a um juro de 1%, a mais de oitocentos bancos, entre dezembro de 2011 e fevereiro de 2012.<\/p>\n<p>O Fed fez praticamente o mesmo, desde 2008, a uma taxa oficial ainda menor: 0,25%. Na verdade, como revelou, em julho de 2011, um relat\u00f3rio do GAO (equivalente nos Estados Unidos ao Tribunal de Contas), o Fed emprestou 16 trilh\u00f5es de d\u00f3lares a uma taxa de juro inferior a 0,25% |3|. O relat\u00f3rio mostra que, ao agir desse modo, o Fed n\u00e3o respeitou as suas pr\u00f3prias regras prudenciais e n\u00e3o informou o Congresso sobre o sucedido.<\/p>\n<p>De acordo com uma comiss\u00e3o de inqu\u00e9rito do Congresso dos Estados Unidos, o conluio entre o Fed e os grandes bancos privados era evidente: \u00abO diretor-geral do JP Morgan Chase era membro da Reserva Federal de Nova Iorque, na altura em que o \u201cseu\u201d banco recebia ajuda financeira do Fed, no valor de 390 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares. Al\u00e9m disso, o JP Morgan Chase servia tamb\u00e9m de intermedi\u00e1rio para o cr\u00e9dito de urg\u00eancia concedido pelo Fed |4|\u00bb.<\/p>\n<p>De acordo com Michel Rocard, ex-primeiro-ministro franc\u00eas, e Pierre Larrouturou, economista, que se baseiam numa investiga\u00e7\u00e3o realizada pela ag\u00eancia financeira nova-iorquina, Bloomberg, o Fed teria emprestado parte da quantia acima mencionada a um juro \u00ednfimo: 0,01%. Michel Rocard e Pierre Larrouturou afirmam no jornal Le Monde: \u00abDepois de ter desbravado 20.000 p\u00e1ginas de v\u00e1rios documentos, a Bloomberg mostra que a Reserva Federal emprestou secretamente a bancos em dificuldades a quantia de 1,2 trilh\u00f5es, a juros incrivelmente baixos, de 0,01%\u00bb |5|.<\/p>\n<p>Os autores perguntam: \u00ab\u00c9 normal que, em caso de crise, os bancos privados, que habitualmente se financiam a juros de 1% junto dos bancos centrais, possam beneficiar de taxas de 0,01%, quando alguns estados em plena crise s\u00e3o obrigados a pagar juros 600 ou 800 vezes mais elevados?\u00bb<\/p>\n<p>Os principais bancos europeus tamb\u00e9m tiveram acesso a empr\u00e9stimos do Fed at\u00e9 ao in\u00edcio de 2011 (o Dexia recebeu 159 bilh\u00f5es de d\u00f3lares de empr\u00e9stimos |6|, o Barclays recebeu 868 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, o Royal Bank of Scotland, 541 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, o Deutsche Bank, 354 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, o UBS, 287 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, o Credit Suisse, 260 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, o BNP Paribas, 175 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, o Dresdner Bank, 135 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, a Soci\u00e9t\u00e9 G\u00e9n\u00e9rale, 124 bilh\u00f5es de d\u00f3lares). O fato de o financiamento dos bancos europeus, via Fed, ter secado (nomeadamente sob press\u00e3o do Congresso norte-americano) foi uma das raz\u00f5es que levou tamb\u00e9m os money market funds norte-americanos a fecharem a torneira dos empr\u00e9stimos aos bancos europeus, a partir de maio-junho de 2011.<\/p>\n<p><strong>Quais as consequ\u00eancias da entrega de 1 trilh\u00e3o de euros aos bancos pelo BCE?<\/strong><\/p>\n<p>Em 2012, os bancos, a nadarem em liquidez, compraram, em grandes quantidades, t\u00edtulos de d\u00edvida p\u00fablica dos seus pa\u00edses. Vejamos o exemplo de Espanha. Os bancos espanh\u00f3is pediram emprestado ao BCE 300 bilh\u00f5es de euros, a tr\u00eas anos, com um juro de 1%, no \u00e2mbito do LTRO |7|. Com uma parte desse montante, aumentaram drasticamente as suas compras de d\u00edvida, emitida pelas autoridades espanholas. A evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 impressionante: em finais de 2006, os bancos espanh\u00f3is detinham t\u00edtulos p\u00fablicos do seu pa\u00eds no valor de apenas 16 bilh\u00f5es de euros. Em 2010, aumentam as compras de t\u00edtulos p\u00fablicos espanh\u00f3is. Detinham 63 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Em 2011, a compra volta a aumentar. Os t\u00edtulos espanh\u00f3is, na posse dos bancos, atingem o montante de 94 bilh\u00f5es. E devido ao LTRO, as aquisi\u00e7\u00f5es explodem literalmente. O montante duplica no prazo de alguns meses, alcan\u00e7ando os 184,5 bilh\u00f5es de euros, em julho de 2012 |8|. Conv\u00e9m dizer que se trata de uma opera\u00e7\u00e3o muito rent\u00e1vel para os bancos. Pedindo emprestado a 1%, compram t\u00edtulos espanh\u00f3is, a 10 anos, com juros que variam entre 5,5 e 7,6%, no segundo semestre de 2012.<\/p>\n<p>Em seguida, vejamos o exemplo de It\u00e1lia. Entre finais de dezembro de 2011 e mar\u00e7o de 2012, os bancos italianos pedem emprestado ao BCE 255 bilh\u00f5es de euros no \u00e2mbito do LTRO |9|. Em finais de 2010, os bancos italianos detinham t\u00edtulos p\u00fablicos do seu pa\u00eds no valor de 208,3 bilh\u00f5es de euros, mas o montante aumenta para 224,1 bilh\u00f5es no final de 2011, poucos dias ap\u00f3s o in\u00edcio do LTRO. Logo de seguida, utilizam a enorme quantidade de cr\u00e9ditos que recebem do BCE para comprarem t\u00edtulos italianos. Em setembro de 2012, os bancos det\u00eam t\u00edtulos italianos no valor de 341,4 bilh\u00f5es de euros |10|. Como no caso espanhol, trata-se de uma opera\u00e7\u00e3o muito rent\u00e1vel: pedem emprestado a 1% e comprando t\u00edtulos italianos a 10 anos conseguem um juro que varia entre 5 e 6,6% no segundo semestre de 2012.<\/p>\n<p>O mesmo fen\u00f4meno aconteceu na maioria dos pa\u00edses da zona euro. Houve relocaliza\u00e7\u00e3o de uma parte dos ativos dos bancos europeus para os pa\u00edses de origem. Em concreto, constata-se em 2012, em cada pa\u00eds, um aumento significativo da fatia de d\u00edvida p\u00fablica na posse de institui\u00e7\u00f5es financeiras desse mesmo pa\u00eds. Essa evolu\u00e7\u00e3o tranquilizou os governos da zona euro, em especial os de It\u00e1lia e de Espanha, porque descobriram que enfrentavam menos dificuldades vendendo aos bancos os t\u00edtulos p\u00fablicos que emitiam. O BCE parecia ter descoberto a solu\u00e7\u00e3o \u2013 emprestando grandes quantias aos bancos privados, salvava-os de uma situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e poupava alguns Estados a lan\u00e7arem-se em novos planos de resgate banc\u00e1rio. O dinheiro emprestado aos bancos era, em parte, utilizado na compra de t\u00edtulos de d\u00edvida p\u00fablica de Estados da zona euro, o que fez parar a subida das taxas de juro dos pa\u00edses mais fr\u00e1geis e at\u00e9 provocou uma diminui\u00e7\u00e3o das taxas de juro nalguns pa\u00edses.<\/p>\n<p>\u00c9 f\u00e1cil de ver que, do ponto de vista do interesse da popula\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses em quest\u00e3o, teria sido necess\u00e1rio adotar uma abordagem completamente diferente: o BCE deveria emprestar diretamente aos Estados a menos de 1% (como acontece com os bancos privados desde maio de 2012) ou mesmo sem juro. Dever-se-ia tamb\u00e9m socializar os bancos, sob controle cidad\u00e3o.<\/p>\n<p>Em vez disso, o BCE resolveu proteger os bancos privados, abrindo uma linha de cr\u00e9dito ilimitada, a taxas de juro muito baixas (entre 0,75 e 1%). Os bancos privados deram diferentes usos a esse man\u00e1 de financiamento p\u00fablico. Como acabamos de ver, por um lado compraram t\u00edtulos soberanos de pa\u00edses que, sob press\u00e3o dos pr\u00f3prios bancos, aceitaram pagar juros altos (entre 5 e 7,6%, a 10 anos), como aconteceu em Espanha e It\u00e1lia. Por outro lado colocaram uma parte do cr\u00e9dito concedido pelo BCE&#8230; no BCE&#8230;! Entre 300 e 400 bilh\u00f5es s\u00e3o depositados pelos bancos, todos os dias, no BCE, a uma taxa de 0,25%, no in\u00edcio de 2012, e a 0%, desde maio de 2012. E por que fazem isso? Porque querem mostrar aos outros banqueiros e aos outros prestadores privados de cr\u00e9dito (money market funds, fundos de pens\u00f5es, companhias de seguros) que t\u00eam cash, em perman\u00eancia, para fazerem face \u00e0 explos\u00e3o de bombas ao retardador que se encontram nas suas contas. Porque se n\u00e3o tivessem esse cash dispon\u00edvel, os potenciais credores afastar-se-iam ou imporiam taxas muito elevadas. Com o mesmo objetivo de tranquilizar os credores privados, compram tamb\u00e9m t\u00edtulos soberanos de Estados que n\u00e3o representam risco a curto ou m\u00e9dio prazo: Alemanha, Holanda, Fran\u00e7a&#8230; Os bancos privados s\u00e3o a tal ponto s\u00f4fregos que esses Estados podem dar-se ao luxo de lhes vender t\u00edtulos a dois anos, a uma taxa de 0% ou at\u00e9 mesmo com um rendimento ligeiramente negativo (sem ter em conta a infla\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Os juros pagos pela Alemanha e pelos outros pa\u00edses considerados financeiramente s\u00f3lidos ca\u00edram significativamente, devido \u00e0 pol\u00edtica do BCE e ao agravamento da crise nos pa\u00edses da periferia. Houve uma fuga de capital da periferia europeia para o centro. Os t\u00edtulos alem\u00e3es s\u00e3o t\u00e3o fi\u00e1veis, que, no caso de ser necess\u00e1rio cash, podem ser vendidos, de um dia para o outro, sem perdas. Os bancos adquirem-nos, n\u00e3o com o objetivo de ganharem dinheiro, mas para terem permanentemente, no BCE ou sob a forma de t\u00edtulos com liquidez, quantidades de dinheiro dispon\u00edveis a fim de darem uma impress\u00e3o (muitas vezes falsa) de solv\u00eancia e de estarem prontos para qualquer eventualidade. Os bancos obt\u00eam lucro emprestando a Espanha e a It\u00e1lia e isso compensa as perdas que possam ter com os t\u00edtulos alem\u00e3es. \u00c9 muito importante notar que os bancos n\u00e3o aumentaram os seus empr\u00e9stimos a fam\u00edlias e empresas, apesar de um dos objetivos oficiais dos empr\u00e9stimos do BCE ser fazer crescer esses cr\u00e9ditos para relan\u00e7ar a economia.<\/p>\n<p><strong>Qual o balan\u00e7o a fazer da atividade do BCE na perspetiva das elites?<\/strong><\/p>\n<p>Coloquemo-nos, por um instante, no lugar do 1% mais rico, para avaliarmos a atividade do BCE. O discurso oficial considera que o BCE foi bem sucedido na transi\u00e7\u00e3o do seu antigo presidente, o franc\u00eas Jean-Claude Trichet, para o novo presidente, Mario Draghi |11|, ex-governador do Banco de It\u00e1lia e antigo vice-presidente da Goldman Sachs Europa. O BCE e os dirigentes dos principais pa\u00edses europeus conseguiram negociar uma redu\u00e7\u00e3o da d\u00edvida grega, convencendo os bancos privados a aceitarem uma diminui\u00e7\u00e3o de cerca de 50% dos seus cr\u00e9ditos e assegurando que o governo grego implementaria um novo plano radical de austeridade, que inclu\u00edsse privatiza\u00e7\u00f5es em massa, e que concordaria em abrir m\u00e3o de boa parte da soberania do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Desde mar\u00e7o de 2012, os membros da Troika instalaram-se nos minist\u00e9rios de Atenas para acompanharem de perto as contas do Estado. Os novos empr\u00e9stimos concedidos \u00e0 Gr\u00e9cia passam agora diretamente por uma conta controlada pelas autoridades europeias, que a podem, portanto, bloquear. Cereja no topo do bolo, os novos t\u00edtulos de d\u00edvida grega deixaram de ser compet\u00eancia dos tribunais gregos. As novas obriga\u00e7\u00f5es emitidas ao abrigo desse programa s\u00e3o regidas por lei inglesa e os conflitos entre o governo grego e os credores privados s\u00e3o arbitrados no Luxemburgo |12|.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 tudo: sob press\u00e3o do BCE e de dirigentes europeus, o governo Pasok, de George Papandreou, muito submisso, mas cada vez mais impopular, foi substitu\u00eddo por um governo n\u00e3o eleito de unidade nacional, Nova Democracia-Pasok, sendo os lugares-chave entregues a ministros provenientes da banca.<\/p>\n<p>Pode-se completar o quadro com mais tr\u00eas boas not\u00edcias para o BCE e para os dirigentes europeus:<\/p>\n<p>1. Silvio Bersluconi foi for\u00e7ado a demitir-se e foi substitu\u00eddo por um governo de t\u00e9cnicos, aparecendo \u00e0 cabe\u00e7a Mario Monti, antigo comiss\u00e1rio europeu, muito pr\u00f3ximo da banca e capaz de impor aos italianos um aprofundamento das pol\u00edticas neoliberais |13|.<\/p>\n<p>2. Na Espanha, o presidente do governo, Mariano Rajoy, do Partido Popular, h\u00e1 alguns meses no cargo, est\u00e1 tamb\u00e9m pronto a radicalizar as pol\u00edticas neoliberais do seu antecessor, o socialista Jos\u00e9 Luis Zapatero.<\/p>\n<p>3. Os dirigentes europeus |14| chegaram a acordo sobre um pacto de estabilidade, que vai deixar para a posteridade a austeridade fiscal, a perda de soberania nacional por parte dos Estados-membros e uma dose extra de obedi\u00eancia \u00e0 l\u00f3gica do capital privado.<\/p>\n<p>Finalmente, o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) vai, em breve, ser acionado, permitindo ajudar mais os Estados e os bancos |15| nas pr\u00f3ximas crises do setor banc\u00e1rio, que v\u00e3o continuar a ocorrer, e dos Estados-Membros que lutam para se financiarem.<\/p>\n<p>Os diferentes exemplos mostram que os l\u00edderes europeus, ao servi\u00e7o do grande capital, conseguem marginalizar o poder legislativo, ignorando as escolhas das eleitoras e dos eleitores. Al\u00e9m disso, onde fica a democracia, quando as eleitoras e os eleitores que pretendem recusar em massa a austeridade j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam oportunidade de expressar o seu voto, ou quando veem o seu sentido de voto ser anulado, porque a escolha dos eleitores n\u00e3o coincide com a dos governantes, como em 2005, em Fran\u00e7a e na Holanda, ap\u00f3s o \u00abn\u00e3o\u00bb ao Tratado Constitucional Europeu, como na Irlanda e em Portugal ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es de 2011 e como em Fran\u00e7a e na Holanda de novo, ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es de 2012. Tudo \u00e9 feito para que a margem de manobra dos governos nacionais e dos poderes p\u00fablicos seja limitada por um enquadramento europeu cada vez mais restritivo. Trata-se de uma tend\u00eancia muito perigosa, a menos, \u00e9 certo, que os governos, apoiados pela popula\u00e7\u00e3o, decidam desobedecer.<\/p>\n<p>Se nos colocarmos, por um instante, na posi\u00e7\u00e3o de Mario Draghi, dos principais dirigentes europeus e dos bancos, podemos concluir que, em mar\u00e7o-abril de 2012, tinham motivos para sorrir. Tudo decorria como previsto.<\/p>\n<p><strong>Os entraves ao sucesso do BCE e dos governos europeus<\/strong><\/p>\n<p>As nuvens negras chegam depois. A situa\u00e7\u00e3o complica-se, a partir de maio de 2012, quando o Bankia, o quarto banco espanhol, dirigido pelo ex-diretor-geral do FMI, Rodrigo de Rato, entra em fal\u00eancia t\u00e9cnica. Segundo as fontes, as necessidades dos bancos espanh\u00f3is em termos de recapitaliza\u00e7\u00e3o variam entre 40 e 100 bilh\u00f5es de euros e Mariano Rajoy, que n\u00e3o quer recorrer \u00e0 ajuda da Troika, est\u00e1 numa posi\u00e7\u00e3o muito dif\u00edcil. A juntar a isso, o fato de se sucederem v\u00e1rios esc\u00e2ndalo banc\u00e1rios em n\u00edvel internacional. O caso da manipula\u00e7\u00e3o da taxa Libor, a taxa interbanc\u00e1ria londrina, \u00e9 o mais sonante e envolve uma d\u00fazia de grandes bancos.<\/p>\n<p>Acrescente-se ainda o caso da conduta danosa do HSBC, que envolve lavagem de dinheiro da droga e outros neg\u00f3cios criminosos.<\/p>\n<p>Na Fran\u00e7a, a maioria dos eleitores afasta Nicolas Sarkozy. Fran\u00e7ois Hollande \u00e9 eleito em 6 de maio de 2012, mas a mudan\u00e7a n\u00e3o preocupa as institui\u00e7\u00f5es financeiras internacionais, que contam com o pragmatismo dos socialistas franceses e dos outros partidos socialistas europeus para darem continuidade \u00e0 austeridade. Embora convenha ter sempre presente que o povo franc\u00eas \u00e9 muito propenso a excessos e suscet\u00edvel de acreditar que \u00e9 preciso uma verdadeira mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Na Gr\u00e9cia, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais tensa para o BCE, pois o Syriza, coliga\u00e7\u00e3o de esquerda radical que promete revogar as medidas de austeridade, suspender o pagamento da d\u00edvida e desafiar as autoridades europeias, est\u00e1 \u00e0 beira duma vit\u00f3ria eleitoral. Para os defensores da austeridade europeia \u00e9 preciso impedir a situa\u00e7\u00e3o a todo custo. Na noite de 17 de junho de 2012 respira-se de al\u00edvio no BCE, na sede dos governos europeus e nos conselhos de administra\u00e7\u00e3o das grandes empresas: o partido de direita, a Nova Democracia, passa \u00e0 frente da Syriza. At\u00e9 o novo presidente socialista franc\u00eas sa\u00fada o resultado da elei\u00e7\u00e3o. E no dia seguinte os mercados respiram \u2013 v\u00e3o poder manter a via da austeridade, da estabiliza\u00e7\u00e3o da zona euro e do saneamento das contas dos bancos privados.<\/p>\n<p><em>(continua&#8230;)<\/em><\/p>\n<p><em>A parte 3 desta s\u00e9rie debru\u00e7a-se sobre os dois objetivos pretendidos pelos dirigentes europeus: levar a bom porto a maior ofensiva contra os direitos sociais desde a segunda guerra mundial e evitar um novo crash financeiro\/banc\u00e1rio, que poderia revelar-se ainda pior do que o crash de setembro de 2008.<\/em><\/p>\n<p><em>Tradu\u00e7\u00e3o Maria da Liberdade, revis\u00e3o de Rui Viana Pereira<\/em><\/p>\n<p><em>Eric Toussaint, professor na Universidade de Li\u00e8ge, \u00e9 presidente do CADTM B\u00e9lgica (Comit\u00e9 para a Anula\u00e7\u00e3o da D\u00edvida do Terceiro Mundo,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cadtm.org\/\" target=\"_blank\">www.cadtm.org<\/a>) e membro do conselho cient\u00edfico da ATTAC Fran\u00e7a. <\/em><em>Escreveu, com Damien Millet, AAA. Audit Annulation Autre politique, Seuil, Paris, 2012.<\/em><\/p>\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n<p><em>|1| O Banco de Inglaterra e outros bancos centrais seguem, grosso modo, a mesma pol\u00edtica.<\/em><\/p>\n<p><em>|2| Desde agosto de 2011 que descrevo a situa\u00e7\u00e3o, numa fase em que poucos comentadores financeiros falavam do assunto. Veja-se a s\u00e9rie No Cerne do Ciclone: a crise da d\u00edvida na Uni\u00e3o Europeia: \u00abOs bancos financiaram e continuam a financiar os seus empr\u00e9stimos aos Estados e \u00e0s empresas europeias gra\u00e7as aos empr\u00e9stimos que contraem nos money market funds dos EUA. Ora estes ganharam medo pelo que acontece na Europa [&#8230;]. A partir de julho de 2011, esta fonte de financiamento a juros baixos quase secou, principalmente \u00e0 custa dos grandes bancos franceses, o que precipitou uma queda no mercado bolsista e aumentou a press\u00e3o exercida pelos bancos sobre o BCE, para que este comprasse t\u00edtulos fornecendo assim dinheiro fresco. Em resumo, temos aqui mais uma prova da amplitude dos vasos comunicantes entre a economia dos EUA e a dos pa\u00edses da UE. Da\u00ed os contactos incessantes entre Barack Obama, Angela Merckel, Nicolas Sarkozy, o BCE, o FMI\u2026 e os grandes banqueiros, do Goldman Sachs ao BNP Paribas, passando pelo Deutsche Bank\u2026 Uma ruptura dos cr\u00e9ditos em d\u00f3lares, que trazem muito benef\u00edcio aos bancos europeus, pode provocar uma crise muito grave no velho continente, da mesma maneira que a dificuldade dos bancos europeus em reembolsar os emprestadores norte-americanos pode precipitar uma nova crise na Wall Street\u00bb (<\/em><a href=\"http:\/\/cadtm.org\/No-cerne-do-ciclon...\" target=\"_blank\"><em>http:\/\/cadtm.org\/No-cerne-do-ciclon&#8230;<\/em><\/a><em>). <\/em><\/p>\n<p><em>Um estudo recente do Banco Natixis confirma a ang\u00fastia que experimentaram os bancos franceses durante o ver\u00e3o de 2011: Flash Economie, \u00abbancos franceses no turbilh\u00e3o dos mercados monet\u00e1rios\u00bb, 29 de outubro de 2012. L\u00ea-se tamb\u00e9m: \u00abDe junho a novembro de 2011, os fundos monet\u00e1rios norte-americanos retiraram, de repente, a maior parte do seu financiamento aos bancos franceses. [&#8230;] Foram cerca de 140 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares de financiamento, a curto prazo, que os bancos franceses n\u00e3o receberam, no final de novembro de 2011, e nenhum foi poupado\u00bb (<\/em><a href=\"http:\/\/cib.natixis.com\/flushdoc.asp...\" target=\"_blank\"><em>http:\/\/cib.natixis.com\/flushdoc.asp&#8230;<\/em><\/a><em>). O fechar da torneira afetou tamb\u00e9m a maioria dos outros bancos europeus, como mostra o estudo publicado por Natixis.<\/em><\/p>\n<p><em>|3| GAO, Federal Reserve System, Opportunities Exist to Strengthen Policies and Processes for Managing Emergency Assistance, julho de 2011, <\/em><a href=\"http:\/\/www.gao.gov\/assets\/330\/321506.pdf\" target=\"_blank\"><em>http:\/\/www.gao.gov\/assets\/330\/321506.pdf<\/em><\/a><em>. <\/em><em>O relat\u00f3rio do Tribunal de Contas (GAO = United States Government Accountability Office) foi realizado devido a uma altera\u00e7\u00e3o da lei Dodd-Frank (ver mais \u00e0 frente), introduzida pelos senadores Ron Paul, Alan Grayson e Bernie Sanders, em 2010. Bernie Sanders, senador independente, tornou-a p\u00fablica (<\/em><a href=\"http:\/\/www.sanders.senate.gov\/imo\/media\/doc\/GAO%20Fed%20Investigation.pdf\" target=\"_blank\"><em>http:\/\/www.sanders.senate.gov\/imo\/media\/doc\/GAO%20Fed%20Investigation.pdf<\/em><\/a><em>). <\/em><\/p>\n<p><em>Al\u00e9m disso, de acordo com um estudo independente do Instituto Levy, onde colaboram economistas como Joseph Stiglitz, Paul Krugman e James K Galbraith, os cr\u00e9ditos do Fed atingiram um montante superior ao revelado pelo GAO. <\/em><em>N\u00e3o seriam 16 bili\u00f5es, mas 29 bili\u00f5es. Veja-se James Felkerson, \u00ab$29,000,000,000,000: A Detailed Look at the Fed\u2019s Bailout by Funding Facility and Recipient\u00bb, <\/em><a href=\"http:\/\/www.levyinstitute.org\/pubs\/wp_698.pdf\" target=\"_blank\"><em>www.levyinstitute.org\/pubs\/wp_698.pdf<\/em><\/a><\/p>\n<p><em>|4| \u00abThe CEO of JP Morgan Chase served on the New York Fed\u2019s board of directors at the same time that his bank received more than $390 billion in financial assistance from the Fed. Moreover, JP Morgan Chase served as one of the clearing banks for the Fed\u2019s emergency lending programs\u00bb, <\/em><a href=\"http:\/\/www.sanders.senate.gov\/newsroom\/news\/?id=9e2a4ea8-6e73-4be2-a753-...\" target=\"_blank\"><em>http:\/\/www.sanders.senate.gov\/newsroom\/news\/?id=9e2a4ea8-6e73-4be2-a753-&#8230;<\/em><\/a><\/p>\n<p><em>|5| Michel Rocard e Pierre Larrouturou, \u00abPourquoi faut-il que les Etats payent 600 fois plus que les banques?\u00bb, <\/em><em><a href=\"http:\/\/www.larrouturou.net\/2012\/01\/...\" target=\"_blank\">Le Monde, edi\u00e7\u00e3o de 3 de janeiro de 2012<\/a><\/em><em>. <\/em><\/p>\n<p><em>|6| Ver o relat\u00f3rio do GAO, mencionado mais acima, na p. 196, que refere empr\u00e9stimos ao Dexia no valor de 53 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, o que representa apenas uma parte dos <\/em><a href=\"http:\/\/www.gao.gov\/assets\/330\/321506.pdf\" target=\"_blank\"><em>empr\u00e9stimos concedidos ao Dexia pelo Fed<\/em><\/a><em>. <\/em><\/p>\n<p><em>|7| Financial Times, \u00abBanks plot early repayment of ECB crisis loans\u00bb, edi\u00e7\u00e3o de 15 de novembro de 2012, p. 25.<\/em><\/p>\n<p><em>|8| Retirado do di\u00e1rio econ\u00f3mico espanhol <\/em><a href=\"http:\/\/www.eleconomista.es\/espana\/noticias\/4252377\/09\/12\/La-deuda-del-Es...\" target=\"_blank\"><em>El Economista<\/em><\/a><\/p>\n<p><em>|9| Financial Times, ibid.<\/em><\/p>\n<p><em>|10| Ver: <\/em><a href=\"http:\/\/www.bancaditalia.it\/statistiche\/stat_mon_cred_fin\/banc_fin\/pimsmc...,%20tabela%202.1a.\" target=\"_blank\"><em>Banco da It\u00e1lia<\/em><\/a><em>. <\/em><\/p>\n<p><em>|11| Mario Draghi assumiu a presid\u00eancia do BCE a 1 de novembro de 2011.<\/em><\/p>\n<p><em>|12| Ver <\/em><em><a href=\"http:\/\/fr.wikipedia.org\/wiki\/Crise_....\" target=\"_blank\">http:\/\/fr.wikipedia.org\/wiki\/Crise_&#8230;.<\/a><\/em><em> Ver tamb\u00e9m Alain Salles e Beno\u00eft Vitkine, \u00abFatalisme face \u00e0 un sauvetage \u00e9chang\u00e9 contre une perte de souverainet\u00e9\u00bb, Le Monde, edi\u00e7\u00e3o de 22 de fevereiro de 2012,<\/em><em><a href=\"http:\/\/www.forumfr.com\/sujet448690-....\" target=\"_blank\">http:\/\/www.forumfr.com\/sujet448690-&#8230;.<\/a><\/em><\/p>\n<p><em>|13| Mario Monti, primeiro-ministro desde 13 de novembro de 2011, foi nomeado senador vital\u00edcio pelo presidente da rep\u00fablica, Giorgio Napolitano. Devido \u00e0 sua nomea\u00e7\u00e3o, deixou v\u00e1rios cargos de responsabilidade: a presid\u00eancia da mais prestigiada universidade privada italiana, a Bocconi, a presid\u00eancia do departamento Europa, a Trilateral, um dos mais importantes c\u00edrculos da elite olig\u00e1rquica internacional, o comit\u00e9 de dire\u00e7\u00e3o do clube Bilderberg e a presid\u00eancia do think tank neoliberal Bruegel. Monti foi conselheiro internacional da Goldman Sachs, entre 2005 e 2011 (na qualidade de membro do Research Advisory Council do Goldman Sachs Global Market Institute); foi nomeado Comiss\u00e1rio Europeu do Mercado Interno (1995-1999) e foi comiss\u00e1rio europeu da Concorr\u00eancia, em Bruxelas (1999-2004). Foi membro do Senior European Advisory Council da Moody\u2019s e conselheiro da Coca-Cola. \u00c9 ainda um dos presidentes do Bussiness and Economics Advisory Group do Atlantic Council (um think tank americano que promove a lideran\u00e7a dos EUA) e faz parte da presid\u00eancia dos Friends of Europe, influente think tank com sede em Bruxelas.<\/em><\/p>\n<p><em>|14| Com exce\u00e7\u00e3o do Reino Unido e da Rep\u00fablica Tcheca.<\/em><\/p>\n<p><em>|15| Numa cimeira europeia, em 21 de junho de 2012, foi decidido que o MEE seria tamb\u00e9m usado para salvar os bancos. Na ocasi\u00e3o, foi apresentado por Mariano Rajoy como uma vit\u00f3ria, permitindo \u00e0 Espanha escapar \u00e0s novas condi\u00e7\u00f5es impostas pela Comiss\u00e3o Europeia ou pela Troika. Rajoy explicou que a ajuda, que seria concedida pelo MEE aos bancos espanh\u00f3is, n\u00e3o seria contabilizada na d\u00edvida p\u00fablica espanhola, o que levou dirigentes de v\u00e1rios pa\u00edses da zona euro (Alemanha, Holanda, Finl\u00e2ndia&#8230;) a protestar, assim como o FMI. No final de novembro de 2012, ainda n\u00e3o havia consenso sobre essa quest\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/templates\/materiaMostrar.cfm?materia_id=21443&amp;boletim_id=1475&amp;componente_id=25108\" target=\"_blank\">http:\/\/www.cartamaior.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCM\n\n\n\n\n\n\n\n\nEric Toussaint\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4095\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-4095","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-143","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4095","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4095"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4095\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4095"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4095"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4095"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}