{"id":4112,"date":"2013-01-02T18:49:02","date_gmt":"2013-01-02T18:49:02","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4112"},"modified":"2013-01-02T18:49:02","modified_gmt":"2013-01-02T18:49:02","slug":"congresso-evita-abismo-fiscal-e-obama-retoma-ferias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4112","title":{"rendered":"Congresso evita abismo fiscal, e Obama retoma f\u00e9rias"},"content":{"rendered":"\n<p>O presidente dos EUA, Barack Obama, deixou a Casa Branca na ter\u00e7a-feira para retomar as f\u00e9rias no Hava\u00ed depois que o Congresso aprovou a lei que aumenta os impostos para os americanos mais ricos, evitando o chamado abismo fiscal que seria provocado por consecutivos aumentos de impostos e cortes de gastos.<\/p>\n<p>Obama deixou a Casa Branca pouco ap\u00f3s a meia-noite. Ele havia interrompido as f\u00e9rias na semana passada para coordenar os esfor\u00e7os por um acordo antes do Ano Novo.<\/p>\n<p>O acordo foi uma vit\u00f3ria de Obama, reeleito com a promessa de resolver problemas econ\u00f4micos em parte pelo aumento dos impostos sobre os mais ricos. Os republicanos foram for\u00e7ados a votar contra um princ\u00edpio central de seu conservadorismo.<\/p>\n<p>O texto tamb\u00e9m resolve, por ora, d\u00favidas sobre se os EUA podem superar diferen\u00e7as ideol\u00f3gicas profundas para evitar um agravamento da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, que s\u00f3 agora come\u00e7a a melhorar, ap\u00f3s a pior recess\u00e3o em 80 anos.<\/p>\n<p>Consumidores, empresas e os mercados financeiros foram abalados com os meses de impasse a respeito do or\u00e7amento. A crise s\u00f3 terminou quando republicanos na C\u00e2mara dos Representantes (equivalente \u00e0 C\u00e2mara dos Deputados) aceitaram os aumentos de impostos aprovados pelo Senado, controlado pelos democratas.<\/p>\n<p>As bolsas asi\u00e1ticas atingiram m\u00e1xima de cinco meses e o d\u00f3lar caiu, conforme os mercados saudavam a not\u00edcia.<\/p>\n<p>Drama<\/p>\n<p>O acordo evitou o abismo fiscal, mas n\u00e3o resolveu outros confrontos pol\u00edticos dos pr\u00f3ximos meses. Os cortes de gastos de US$ 109 bilh\u00f5es em programas militares e dom\u00e9sticos s\u00f3 foram adiados por dois meses.<\/p>\n<p>Obama pediu &#8220;um pouco menos de drama&#8221; quando o Congresso e a Casa Branca forem negociar as pr\u00f3ximas quest\u00f5es fiscais, como a extens\u00e3o da autoridade de empr\u00e9stimo do pa\u00eds. &#8220;Embora eu v\u00e1 negociar muitas coisas, n\u00e3o terei outro debate com o Congresso sobre se devem ou n\u00e3o pagar as contas que eles j\u00e1 acumularam&#8221;, disse Obama, na Casa Branca.<\/p>\n<p>Houve muito drama no primeiro dia de 2013. Enquanto o resto do pa\u00eds comemorava o Ano Novo, o Senado ficou reunido at\u00e9 2h horas da ter\u00e7a-feira.<\/p>\n<p>Foi a primeira vez em 40 anos que a Casa teve de se reunir na noite de Ano Novo.<\/p>\n<p>Em 2011, a disputa com os republicanos sobre o teto da d\u00edvida levou a ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o financeira Standard and Poor&#8217;s a reduzir a nota da d\u00edvida dos EUA.<\/p>\n<p>Acordo<\/p>\n<p>Com 275 votos a favor e 167 contr\u00e1rios, \u00e0s 23h (2h de Bras\u00edlia), a C\u00e2mara de Representantes aprovou um projeto de lei que aumenta de 35% a 39,6% os impostos para as fam\u00edlias com renda superior a US$ 450 mil ao ano. A nova al\u00edquota equivale \u00e0 de duas d\u00e9cadas atr\u00e1s. No dia anterior, o Senado havia aprovado o texto, com 89 votos a 8.<\/p>\n<p>O texto mant\u00e9m o n\u00edvel atual da carga tribut\u00e1ria para 98% das fam\u00edlias e 97% dos pequenos neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>O acordo n\u00e3o prorroga, no entanto, o rebaixamento tempor\u00e1rio das reten\u00e7\u00f5es sobre sal\u00e1rios aprovadas pelo presidente Obama dentro das medidas de est\u00edmulo \u00e0 economia, pelo que alguns americanos notar\u00e3o, a partir desta quarta-feira, uma redu\u00e7\u00e3o de seus sal\u00e1rios l\u00edquidos.<\/p>\n<p>Embora repudiem qualquer aumento de impostos, os republicanos aceitaram votar a favor da medida para evitar o abismo fiscal. Um n\u00famero significativo de republicanos exigia uma emenda para cortar as despesas do governo em US$ 300 bilh\u00f5es.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Superavit da balan\u00e7a comercial brasileira cai 35% em 2012<\/p>\n<p>Valor Online<\/p>\n<p>A balan\u00e7a comercial brasileira fechou 2012 com superavit (exporta\u00e7\u00f5es menos importa\u00e7\u00f5es) de US$ 19,438 bilh\u00f5es &#8211;queda de 34,8% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, pelo conceito de m\u00e9dia di\u00e1ria. Em 2011, as exporta\u00e7\u00f5es superaram as importa\u00e7\u00f5es em US$ 29,794 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>O resultado comercial do ano passado foi o pior desde 2002, quando o saldo da balan\u00e7a foi positivo em US$ 13,195 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Os dados foram divulgados nesta quarta-feira pelo Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio Exterior.<\/p>\n<p>As vendas de bens para o exterior somaram US$ 242,580 bilh\u00f5es em 2012, ante US$ 256,039 bilh\u00f5es em 2011, o que representa queda de 5,3% pela m\u00e9dia di\u00e1ria. As importa\u00e7\u00f5es alcan\u00e7aram US$ 223,142 bilh\u00f5es no ano passado, 1,4% abaixo do valor registrado no ano anterior (US$ 226,245 bilh\u00f5es) pela m\u00e9dia di\u00e1ria.<\/p>\n<p>Somente em dezembro a balan\u00e7a comercial brasileira teve superavit de US$ 2,250 bilh\u00f5es &#8211;queda de 40,8% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado, quando as exporta\u00e7\u00f5es superaram as importa\u00e7\u00f5es em US$ 3,801 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Na terceira semana de dezembro o superavit foi de US$ 275 milh\u00f5es. A quarta semana de dezembro fechou com superavit de US$ 1,163 bilh\u00e3o. J\u00e1 na quinta semana do m\u00eas as exporta\u00e7\u00f5es superaram as importa\u00e7\u00f5es em US$ 1 milh\u00e3o.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Capitais come\u00e7am 2013 com corte de gastos<\/p>\n<p>O Globo<\/p>\n<p>Depois de um ano de crescimento econ\u00f4mico baixo, a preocupa\u00e7\u00e3o com o corte de gastos deu o tom dos discursos dos prefeitos, novos ou reeleitos, que tomaram posse na ter\u00e7a-feira. Reeleito no Rio, Eduardo Paes (PMDB) anunciou redu\u00e7\u00e3o de 10% no total dos gastos com cargos de confian\u00e7a. Prometendo um olhar cr\u00edtico sobre a sua administra\u00e7\u00e3o, Paes determinou, por exemplo, a redu\u00e7\u00e3o em pelo menos 15% nos contratos de loca\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos por \u00f3rg\u00e3os e entidades p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Em Salvador, ACM Neto (DEM) prometeu \u201capertar o cinto e gastar com aquilo que \u00e9 necess\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>Em Recife, Geraldo J\u00falio (PSB), afilhado pol\u00edtico do governador Eduardo Campos, extinguiu duas secretarias e mais de 600 cargos, sinalizando um choque de gest\u00e3o. Em Manaus, Arthur Virg\u00edlio (PSDB) anunciou redu\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio sal\u00e1rio, que havia sido aumentado pela C\u00e2mara.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, Fernando Haddad (PT) disse que quer renegociar a d\u00edvida com o governo federal.<\/p>\n<p>&#8211; Precisamos repactuar o contrato da d\u00edvida com o governo federal &#8211; disse Haddad, afirmando que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que o munic\u00edpio tenha uma d\u00edvida de 200% do valor de sua arrecada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dirigindo-se ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), tamb\u00e9m declarou que n\u00e3o ir\u00e1 \u2018recusar um centavo do governo estadual por diverg\u00eancias partid\u00e1rias\u2019.<\/p>\n<p>&#8211; Quero dar aos m\u00e3os ao senhor &#8211; disse Haddad.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Economia da China termina o ano em alta<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A economia da China encerrou 2012 com bons sinais, com dois \u00edndices mostrando que a atividade industrial continua em expans\u00e3o. O \u00edndice oficial dos gerentes de compra, divulgado ontem, mostrou que o ritmo de expans\u00e3o em dezembro ficou est\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o a novembro, quando chegou a 50,6 pontos, maior patamar em sete meses. Leituras acima de 50 pontos indicam expans\u00e3o. O dado seguiu-se \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o de eleva\u00e7\u00e3o no \u00edndice de gerentes de compra do HSBC para o maior patamar em 19 meses. O \u00edndice do HSBC passou de 50,5 para 51,5 pontos entre novembro e dezembro, de acordo com dados divulgados na segunda-feira.<\/p>\n<p>Embora os n\u00fameros ainda encaminhem a China a um crescimento abaixo de 8% em 2012, o menor em mais de dez anos, a for\u00e7a da economia teve recupera\u00e7\u00e3o vis\u00edvel no quarto trimestre, depois de o governo ter elevado os investimentos em infraestrutura. &#8220;Esse \u00edmpeto dever\u00e1 se manter nos pr\u00f3ximos meses, quando as constru\u00e7\u00f5es de [projetos de] infraestrutura estiverem em ritmo total e as condi\u00e7\u00f5es do mercado de propriedades se estabilizem&#8221;, disse Qu Hongbin, do HSBC na China.<\/p>\n<p>O economista prev\u00ea que o crescimento poderia recuperar-se em 2013 e chegar a 8,6%, o que representaria uma retomada relativamente forte, apesar da lentid\u00e3o da economia mundial. A quest\u00e3o fiscal nos EUA e a persist\u00eancia dos problemas com as d\u00edvidas europeias, contudo, poderiam lan\u00e7ar uma sombra sobre as perspectivas chinesas. O \u00edndice dos gerentes de compra mostra que, por enquanto, a China vem conseguindo contar com a demanda dom\u00e9stica para compensar a fragilidade externa.<\/p>\n<p>Um dos componentes do indicador, o de novas encomendas, subiu de 50,8 para 52,9 pontos, de novembro a dezembro, o maior n\u00edvel em 23 meses. O de novas encomendas para exporta\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, caiu de 52,1 para 49,2 pontos. A diferen\u00e7a entre os dois componentes foi vista como sinal de que a demanda dom\u00e9stica, e n\u00e3o a externa, vem sendo respons\u00e1vel pela melhora na economia. O \u00edndice Xangai Composto, referencial na China, subiu 1,6% no preg\u00e3o de segunda-feira, dando continuidade \u00e0 tend\u00eancia de alta, que j\u00e1 acumula alta de quase 15% nos \u00faltimos 30 dias, depois do fraco desempenho durante boa parte de 2012. Em Hong Kong, o \u00edndice Hang Seng caiu 0,2%.<\/p>\n<p>Os dados econ\u00f4micos chineses come\u00e7aram a apontar para cima em setembro, ap\u00f3s o governo elevar investimentos em infraestrutura e promover um afrouxamento cauteloso da pol\u00edtica monet\u00e1ria. Ainda assim, questiona-se se a recupera\u00e7\u00e3o poderia perder for\u00e7a em breve. A infla\u00e7\u00e3o, sob controle h\u00e1 quase dois anos, come\u00e7ou a avan\u00e7ar lentamente, o que poderia levar o governo a apertar a pol\u00edtica monet\u00e1ria. Tamb\u00e9m cresceram os receios quanto ao forte aumento no financiamento n\u00e3o banc\u00e1rio, cuja supervis\u00e3o \u00e9 menos estrita.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos preocupados com a sustentabilidade da recupera\u00e7\u00e3o, uma vez que o banco central indicou recentemente receio com as atividades banc\u00e1rias paralelas e poderia endurecer a supervis\u00e3o para controlar o risco financeiro&#8221;, disse o economista Zhiwei Zhang, da Nomura. Em discurso de Ano-Novo, o presidente Hu Jintao disse que a China se esfor\u00e7ar\u00e1 para promover um crescimento forte, sustent\u00e1vel e equilibrado da economia mundial&#8221;.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Ind\u00fastria deve ter &#8216;folga&#8217; de custos de 20% em 2013<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A ind\u00fastria brasileira passou por profundas altera\u00e7\u00f5es desde a crise de 2008. O saldo das mudan\u00e7as \u00e9 um setor menos competitivo (pelo aumento de custos) e mais &#8220;pobre&#8221;. Desde a crise, segmentos intensivos em tecnologia, e que exportavam bens de consumo dur\u00e1veis, perderam espa\u00e7o, enquanto fabricantes de bens commodities avan\u00e7aram, embora na m\u00e9dia quase todos tenham desempenho med\u00edocre desde ent\u00e3o. Por isso, dizem economistas, a estagna\u00e7\u00e3o do setor em 2011 e 2012 vai muito al\u00e9m de uma demanda fraca e indica problemas estruturais a serem resolvidos.<\/p>\n<p>No terceiro trimestre de 2012, a produ\u00e7\u00e3o que saiu das f\u00e1bricas de materiais eletr\u00f4nicos e de comunica\u00e7\u00f5es foi 32% menor do que a registrada no mesmo per\u00edodo de 2008, logo antes da crise mundial. Esse n\u00e3o foi o \u00fanico setor que viu a produ\u00e7\u00e3o encolher brutalmente no p\u00f3s-crise: entre os 27 setores pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), 12 produzem menos hoje do que h\u00e1 quatro anos. Em cinco deles, a produ\u00e7\u00e3o caiu mais de 15%.<\/p>\n<p>Na m\u00e9dia, a ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o produziu, no terceiro trimestre do ano passado, 3% menos do que em igual per\u00edodo de 2008. Na mesma compara\u00e7\u00e3o, o volume de mercadorias vendidas no varejo foi 35% maior. Nos mesmos quatro anos, o que realmente cresceu no pa\u00eds, acompanhando o aumento da popula\u00e7\u00e3o e da renda, foi a produ\u00e7\u00e3o de bebidas, rem\u00e9dios e perfumaria, \u00fanicos setores a registrar aumento de produ\u00e7\u00e3o superior a 10%, sempre na compara\u00e7\u00e3o entre os terceiros trimestres de 2008 e 2012.<\/p>\n<p>Um estudo dos economistas Cristina Reis e Daniel Keller, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), mostra a mudan\u00e7a de cara da ind\u00fastria ao vasculhar os dados da Pesquisa Industrial Anual (PIA-2010). O trabalho mostra que, entre 2007 e 2010, o aumento real com os gastos de pessoal foi de 26,7%, crescimento superior ao dos ganhos de produtividade, que foram de 23,7% na mesma compara\u00e7\u00e3o. O trabalho n\u00e3o avan\u00e7a para 2011 e 2012, mas os dados de produ\u00e7\u00e3o industrial do IBGE indicam que o movimento continuou.<\/p>\n<p>No acumulado desses dois anos, os sal\u00e1rios pagos na ind\u00fastria subiram 7% acima da infla\u00e7\u00e3o, sem nenhum ganho de produtividade. O avan\u00e7o do custo dos sal\u00e1rios muito acima do da produtividade \u00e9 um dos elementos que explicam a perda de competitividade da ind\u00fastria brasileira frente aos seus competidores, seja no exterior, seja no mercado interno, aponta o trabalho. O estudo mostra, contudo, que a ind\u00fastria n\u00e3o ficou parada vendo os custos subirem.<\/p>\n<p>Para compensar esse aumento, recorreu \u00e0 importa\u00e7\u00e3o de insumos. Como consequ\u00eancia, os custos em opera\u00e7\u00f5es (que incluem despesas com mat\u00e9ria-prima) perderam peso no valor bruto da produ\u00e7\u00e3o, passando de 57,5% em 2007 para 54,4% em 2010. No mesmo per\u00edodo, o peso dos sal\u00e1rios e encargos passou de 13,7% para 15,2% do valor da produ\u00e7\u00e3o industrial. Essa &#8220;troca&#8221;, argumentam os economistas, permitiu ao setor sobreviver ao longo desses quatro anos. A sobreviv\u00eancia, contudo, n\u00e3o foi uniforme.<\/p>\n<p>Em 2008, o Brasil exportou US$ 3,1 bilh\u00f5es em telefones celulares, n\u00famero que caiu constantemente at\u00e9 fechar 2011 em US$ 682 milh\u00f5es. No mesmo per\u00edodo, as importa\u00e7\u00f5es aumentaram de US$ 362 milh\u00f5es para US$ 1 bilh\u00e3o. Para J\u00falio Gomes de Almeida, ex-secret\u00e1rio de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica, a ind\u00fastria n\u00e3o perdeu competitividade entre 2007 e 2012. &#8220;Ela j\u00e1 tinha perdido&#8221;, diz ele. &#8220;O que acontece \u00e9 que, com a crise, a m\u00e1scara caiu, os estrangeiros vieram com mais for\u00e7a disputar o nosso mercado e o excesso de capacidade mundial se direcionou para os mercados que cresciam, como o Brasil.<\/p>\n<p>&#8221; Para Gomes de Almeida, a maior parte dos custos que afetaram a ind\u00fastria &#8220;veio de fora&#8221;, como a energia cara, o c\u00e2mbio apreciado e os sal\u00e1rios altos. &#8220;Os reajustes pagos pela ind\u00fastria foram provocados pela concorr\u00eancia que o setor de servi\u00e7os provocou no mercado de trabalho&#8221;, diz. Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, acrescenta outra preocupa\u00e7\u00e3o. Enquanto os custos dom\u00e9sticos cresciam, a ind\u00fastria do resto do mundo ficou mais competitiva. Para ele, n\u00e3o \u00e9 o custo de energia um pouco menor que vai resolver os problemas dom\u00e9sticos.<\/p>\n<p>E o c\u00e2mbio atual, mais desvalorizado, \u00e9 quase um problema, diz, porque encarece justamente as importa\u00e7\u00f5es feitas pela ind\u00fastria &#8211; 80% da importa\u00e7\u00e3o \u00e9 de bens de capital e intermedi\u00e1rios. Vale observa que an\u00fancios recentes &#8211; alguns j\u00e1 oficiais, outros ainda na forma de inten\u00e7\u00e3o &#8211; apontam bons caminhos, como a perspectiva de uma flexibiliza\u00e7\u00e3o nas leis que regulam a presen\u00e7a de m\u00e3o de obra estrangeira e uma forte \u00eanfase \u00e0 inova\u00e7\u00e3o. &#8220;Essas s\u00e3o duas boas not\u00edcias, mas o cen\u00e1rio para 2013 e 2014 ainda \u00e9 de uma industria sem capacidade de investimento, sem escala e com crescimento fraco.<\/p>\n<p>Pacotes pontuais n\u00e3o resolvem o problema&#8221;, diz. Para Vale, uma das principais quest\u00f5es \u00e9 que a orienta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica mudou, e o maior intervencionismo que ela sugere afetou a confian\u00e7a dos agentes econ\u00f4micos. &#8220;O governo trocou o trip\u00e9 pela dupla juros baixos e c\u00e2mbio mais competitivo, mas precisa mais do que isso para recuperar a confian\u00e7a.&#8221; Na avalia\u00e7\u00e3o de Vale, as medidas recentes do governo (na \u00e1rea de energia e outros segmentos de concess\u00f5es) indicam que ele quer controlar o investimento privado, &#8220;e isso cria uma perspectiva negativa para o investidor&#8221;.<\/p>\n<p>Gomes de Almeida acredita que a palavra fundamental para a ind\u00fastria agora se chama &#8220;produtividade&#8221;. E ganhar produtividade, diz, depende de um aumento dos investimentos em inova\u00e7\u00e3o. Para impulsionar esses projetos, contudo, \u00e9 necess\u00e1rio um incentivo maior, especial. &#8220;O governo est\u00e1 focando sua pol\u00edtica pelo custo do investimento, mas precisa aumentar a ajuda fiscal para isso&#8221;, diz ele. Entre as medidas que precisam &#8220;voltar&#8221;, est\u00e1 a deprecia\u00e7\u00e3o acelerada para bens de capital, cujo prazo terminou no fim de 2012, depois de ter entrado em vigor em agosto. &#8220;Voc\u00ea n\u00e3o afeta decis\u00f5es de investimento com medidas que duram tr\u00eas ou quatro meses&#8221;, argumenta o ex-secret\u00e1rio de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Economistas preveem PIB acima de 3%<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Marcelo Arnosti, da BB-DTVM: h\u00e1 uma retomada em curso, mas a recupera\u00e7\u00e3o da economia n\u00e3o ser\u00e1 linear O &#8220;pib\u00e3o&#8221; esperado pela presidente Dilma Rousseff dificilmente ocorrer\u00e1 neste ano, afirmam economistas consultados pelo Valor Data, mas o crescimento da economia brasileira deve superar 3% em 2013 e 2014. Ficar\u00e1 para tr\u00e1s, portanto, o p\u00edfio desempenho da atividade na primeira metade de seu mandato, quando o crescimento m\u00e9dio anual foi perto de 1,8%. A possibilidade de dobrar esse ritmo associada a um desemprego muito baixo pode ser um trunfo no processo eleitoral de 2014. A expectativa \u00e9 de alguma retomada do setor industrial, em um primeiro momento, por causa de medidas como a redu\u00e7\u00e3o da tarifa de energia e a desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamentos e, mais \u00e0 frente, em fun\u00e7\u00e3o da recupera\u00e7\u00e3o projetada para a demanda global. O consumo das fam\u00edlias continuar\u00e1 forte e \u00e9 esperada alguma recupera\u00e7\u00e3o dos investimentos. A nova &#8220;matriz macroecon\u00f4mica&#8221; defendida pelo governo, com o real mais desvalorizado em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar e juros menores, tamb\u00e9m ser\u00e1 mantida, na avalia\u00e7\u00e3o dos analistas. Na m\u00e9dia, consultorias e institui\u00e7\u00f5es financeiras projetam que a Selic permanecer\u00e1 est\u00e1vel em 7,25% ao ano ao longo de 2013, com algumas apostas de um moderado ciclo de aperto monet\u00e1rio em 2014. Nesse cen\u00e1rio, a infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o converge para o centro da meta perseguida pelo Banco Central, de 4,5% ao ano, mas tamb\u00e9m n\u00e3o supera, na maior parte das opini\u00f5es, o teto de 6,5%, oscilando na banda entre 5,5% e 6,5%. Para segurar press\u00f5es inflacion\u00e1rias, que devem surgir com o reaquecimento da economia, os economistas apostam em novas desonera\u00e7\u00f5es. Como resultado, tanto em 2013 quanto em 2014 o governo n\u00e3o deve cumprir a meta &#8220;cheia&#8221; para o super\u00e1vit prim\u00e1rio, de 3,1% do PIB. Para o economista-chefe da MCM Consultores, Fernando Genta, o Produto Interno Bruto (PIB) vai avan\u00e7ar 3,3% neste ano e 3,8% em 2014, em linha com o potencial da economia brasileira, estimado em torno de 3,5% pela consultoria. &#8220;Vamos crescer o que \u00e9 poss\u00edvel, dadas as restri\u00e7\u00f5es de oferta de m\u00e3o de obra e baixo n\u00edvel de investimento.&#8221; Ao longo desta ano, a economia deve reagir de forma mais clara ao ac\u00famulo de est\u00edmulos, como redu\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica de juros e dos spreads banc\u00e1rios, altera\u00e7\u00e3o na tarifa de energia e desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamentos, por exemplo, afirma. &#8220;Mesmo considerados todos esses fatores, n\u00e3o vemos nada que possa dar um choque de \u00e2nimo nos empres\u00e1rios e fa\u00e7a com que os investimentos tenham forte rea\u00e7\u00e3o em 2013&#8221;, afirma o economista da MCM. Para a ind\u00fastria, no entanto, a combina\u00e7\u00e3o entre cr\u00e9dito mais barato e mudan\u00e7a do n\u00edvel de c\u00e2mbio deve surtir efeito mais pronunciado, ainda que n\u00e3o seja esperado um desempenho &#8220;espetacular&#8221;, diz Genta. Nos c\u00e1lculos da MCM, depois de uma queda em 2012, o produ\u00e7\u00e3o industrial crescer\u00e1 4,4% em 2013, e 4,8% no ano seguinte. &#8220;H\u00e1 uma retomada em curso&#8221;, diz Marcelo Arnosti, economista-chefe da BB-DTVM, que, no entanto, n\u00e3o projeta que essa recupera\u00e7\u00e3o ser\u00e1 linear. Arnosti acredita em indicadores de atividade mais fortes no primeiro trimestre, j\u00e1 que a ind\u00fastria ingressar\u00e1 em 2013 com estoques mais ajustados e o consumo das fam\u00edlias tende a se sustentar em n\u00edvel elevado. Arnosti espera, no entanto, alguns solavancos na zona do euro no segundo trimestre, o que pode atenuar a recupera\u00e7\u00e3o dos investimentos no ambiente dom\u00e9stico. Diante dessa perspectiva, de novo ser\u00e1 costurado um acordo entre l\u00edderes europeus, que afastar\u00e1 temores de ruptura e permitir\u00e1 um 2014 mais s\u00f3lido. &#8220;Como nossa ind\u00fastria \u00e9 integrada, tende a se beneficiar de um n\u00edvel de incerteza menor&#8221;, afirma Arnosti. Nesse cen\u00e1rio, a atividade dom\u00e9stica reage, levando o BC a voltar a elevar juros em 2014, mas o ciclo de aperto monet\u00e1rio, na avalia\u00e7\u00e3o da BB-DTVM, ser\u00e1 curto, de 1 ponto percentual, para 8,25% ao ano, ao fim de 2014. A MCM espera alta ainda menor da Selic, de apenas 0,5 ponto em 2014. &#8220;Enquanto puder, o Banco Central vai manter a taxa b\u00e1sica no patamar atual&#8221;, afirma Genta. Como a perspectiva \u00e9 de infla\u00e7\u00e3o mais pressionada, em fun\u00e7\u00e3o do consumo aquecido e da acelera\u00e7\u00e3o dos investimentos, por causa da imin\u00eancia dos eventos esportivos programados para o pa\u00eds, o BC lan\u00e7ar\u00e1 m\u00e3o de medidas macroprudenciais (controle de cr\u00e9dito). Mesmo com o uso dessas medidas, o Santander n\u00e3o acredita que o governo ser\u00e1 capaz de evitar estouro da meta de infla\u00e7\u00e3o em 2014. O banco projeta 7% de alta para o IPCA no ano da Copa, reflexo da atividade mais forte e tamb\u00e9m de uma nova rodada de redu\u00e7\u00e3o nos juros em 2013, para 6,25%, mantendo-se esse n\u00edvel at\u00e9 o fim do ano seguinte. &#8220;O desempenho da economia no segundo semestre do ano passado frustrou as expectativas, abrindo uma nova oportunidade para queda nos juros&#8221;, diz a economista Fernanda Consorte. Para ela, o governo vai utilizar tamb\u00e9m mais artif\u00edcios fiscais para refor\u00e7ar a economia entre 2013 e 2014. Novos cortes em impostos est\u00e3o no radar do Santander, que, pelos c\u00e1lculos da economista, poder\u00e3o ajudar a diminuir a infla\u00e7\u00e3o em cerca de 0,2 ponto percentual em 2013, fechando o ano em 6%. O governo, segundo Alessandra Ribeiro, economista da Tend\u00eancias Consultoria, est\u00e1 disposto a bancar essa conta porque, mesmo assumindo tais compromissos, a rela\u00e7\u00e3o entre a d\u00edvida l\u00edquida e o PIB continuaria decrescente, j\u00e1 que o d\u00f3lar mais caro valoriza as reservas internacionais brasileiras. As consultorias e institui\u00e7\u00f5es financeiras consultadas pelo Valor Data projetam o d\u00f3lar ao redor de R$ 2,15 em 2013, e R$ 2,20 em 2014. Para Alessandra, \u00e9 importante que os gastos do governo tenham reflexos sobre os investimentos, para que isso sustente o crescimento do PIB nos pr\u00f3ximos anos. A Tend\u00eancias estima avan\u00e7o de 4,6% na forma\u00e7\u00e3o bruta de capital fixo em 2013, compensando a queda de 3,7% esperada para o ano passado, e eleva\u00e7\u00e3o em torno de 8% nos investimentos em 2014. &#8220;Ainda assim, o consumo das fam\u00edlias continuaria sendo a principal for\u00e7a da economia, j\u00e1 que responde por cerca de 60% do PIB&#8221;, diz. O investimento contribui com aproximadamente 19%. Na avalia\u00e7\u00e3o de Aur\u00e9lio Bicalho, economista do Ita\u00fa, a retomada dos investimentos ser\u00e1 lenta e insuficiente para que a forma\u00e7\u00e3o bruta de capital fixo supere 20% do PIB em 2014. Ainda assim, ser\u00e1 um n\u00edvel maior que o observado em 2012, quando a taxa de investimento ficou em torno de 18,5% do produto. &#8220;Al\u00e9m dos est\u00edmulos de juros, temos elementos espec\u00edficos, como eventos esportivos, que estimular\u00e3o essa retomada.&#8221; Para Bicalho, as condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis no mercado de trabalho e a confian\u00e7a elevada do consumidor v\u00e3o manter o consumo em n\u00edvel elevado. A m\u00e9dia das proje\u00e7\u00f5es dos economistas aponta crescimento de 6,2% em 2013 e de 6,4% em 2014 das vendas no varejo restrito, que n\u00e3o inclui ve\u00edculos nem material de constru\u00e7\u00e3o, depois do avan\u00e7o de mais de 8% em 2012 pelos c\u00e1lculos dos analistas. &#8220;Neste ano, o reajuste do sal\u00e1rio m\u00ednimo n\u00e3o ser\u00e1 t\u00e3o forte quanto em 2012, o que dar\u00e1 menos f\u00f4lego ao consumo. Ainda assim, haver\u00e1 bom crescimento, que se dar\u00e1 sobre uma base j\u00e1 alta&#8221;, prev\u00ea Fernanda, do Santander. Ao mesmo tempo, o mercado de trabalho, no cen\u00e1rio de recupera\u00e7\u00e3o tra\u00e7ado pelos economistas, continuar\u00e1 bastante apertado, com taxa de desemprego pr\u00f3xima das m\u00ednimas hist\u00f3ricas, ao redor de 5,5% ao longo deste bi\u00eanio. Para Genta, da MCM, ainda que o crescimento da economia n\u00e3o alcance o esperado pelo governo, a sensa\u00e7\u00e3o de bem-estar da popula\u00e7\u00e3o ser\u00e1 pouco alterada, o que pode ajudar nos planos de reelei\u00e7\u00e3o de Dilma Rousseff.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":" Folha Online\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4112\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-4112","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-14k","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4112","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4112"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4112\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4112"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4112"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4112"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}