{"id":4129,"date":"2013-01-04T18:12:11","date_gmt":"2013-01-04T18:12:11","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4129"},"modified":"2013-01-04T18:12:11","modified_gmt":"2013-01-04T18:12:11","slug":"bc-faz-maior-intervencao-no-cambio-desde-2008","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4129","title":{"rendered":"BC faz maior interven\u00e7\u00e3o no c\u00e2mbio desde 2008"},"content":{"rendered":"\n<p>O Banco Central realizou em de\u00adzembro a maior venda de d\u00f3lares das reservas internacionais desde a crise de 2008, com objeti\u00advo de derrubar a cota\u00e7\u00e3o da moeda estrangeira e compensar a forte sa\u00edda de recursos do Pa\u00eds. De acordo com o BC, at\u00e9 o dia 28, foram injetados US$ 5,5 bilh\u00f5es no mercado de c\u00e2mbio, maior in\u00adterven\u00e7\u00e3o desde a crise de 2008, quando foram vendidos mais de US$8 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>O BC vendeu d\u00f3lares das reser\u00advas com o compromisso de re\u00adcompra em datas futuras. Isso n\u00e3o era feito desde fevereiro de 2009. Al\u00e9m dessa esp\u00e9cie de &#8220;empr\u00e9stimo&#8221; de moeda, o BC realizou ainda leil\u00f5es de contratos de c\u00e2mbio no valor de quase US$ 4 bilh\u00f5es em dezembro.<\/p>\n<p>No m\u00eas passado, as cota\u00e7\u00f5es foram pressionadas pelo aumen\u00adto na sa\u00edda de d\u00f3lares do Pa\u00eds &#8211; movimento contr\u00e1rio ao &#8220;tsuna\u00admi&#8221; de d\u00f3lares esperado pelo governo. At\u00e9 dia 28, o envio de re\u00adcursos do Brasil para o exterior superava a entrada de d\u00f3lares em US$ 6,8 bilh\u00f5es. Faltando apenas um dia \u00fatil para o fim do m\u00eas, o resultado j\u00e1 representava o maior saldo negativo desde no\u00advembro de 2008, quando sa\u00edram US$ 7,2 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>A maior parte desse resultado se deve ao com\u00e9rcio exterior. O pagamento de importa\u00e7\u00f5es est\u00e1 pr\u00f3ximo do mai\u00f3r n\u00edvel do ano e supera as exporta\u00e7\u00f5es em US$ 4,3 bilh\u00f5es, saldo negativo recor\u00adde. No mesmo per\u00edodo, houve sa\u00edda de US$2,5 bilh\u00f5es em ope\u00adra\u00e7\u00f5es financeiras, entre elas, re\u00admessas de lucros para o exterior, pagamentos de d\u00edvidas externas e sa\u00eddas de investimentos. Nesse caso, o resultado negativo est\u00e1 abaixo do verificado em dezem\u00adbro de 2011.<\/p>\n<p>Interven\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>No in\u00edcio de de\u00adzembro, o d\u00f3lar chegou a ser vendido a quase R$2,15, o que levou o governo a retomar as interven\u00ad\u00e7\u00f5es no c\u00e2mbio e a rever uma s\u00e9\u00adrie de medidas do arsenal usado at\u00e9 o come\u00e7o do ano parar limi\u00adtar a entrada de dinheiro no Pa\u00eds.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio BC afirmou que as co\u00adta\u00e7\u00f5es n\u00e3o estavam refletindo as boas condi\u00e7\u00f5es da economia bra\u00adsileira e que havia &#8220;gordura&#8221; a ser cortada no c\u00e2mbio.<\/p>\n<p>A revis\u00e3o das medidas mostra que o governo est\u00e1 preocupado com o impacto do d\u00f3lar sobre a infla\u00e7\u00e3o. De acordo com proje\u00ad\u00e7\u00f5es do BC, mesmo que o d\u00f3lar permane\u00e7a pr\u00f3ximo de R$ 2,05, o \u00edndice oficial de pre\u00e7os (IPCA) vai ficar acima do centro da meta de 4,5% at\u00e9 o fim de 2014.<\/p>\n<p>O BC informou tamb\u00e9m que as reservas do Pa\u00eds fecharam o ano passado em US$ 378,6 bi\u00adlh\u00f5es, 7,6% acima do verificado no fim de 2011. Esse \u00e9 o menor crescimento desde 2008.<\/p>\n<hr \/>\n<p>D\u00e9ficit entre petr\u00f3leo refinado e consumido deve crescer 44%<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>O d\u00e9ficit entre o volume de petr\u00f3leo refinado e o consumido no Brasil deve aumentar mais 44% neste ano em rela\u00e7\u00e3o a 2012, segundo proje\u00e7\u00f5es da consultoria LCA, divulgada ontem em relat\u00f3rio setorial. Se confir\u00admada a previs\u00e3o, o impacto do aumento ser\u00e1 ainda mais negati\u00advo para a balan\u00e7a comercial do Brasil do que foi em 2012.<\/p>\n<p>O d\u00e9ficit comercial provocado pelo aumento da importa\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e derivados atingiu em novembro seu maior n\u00edvel em 17 anos, segundo a Secretaria de Co\u00adm\u00e9rcio Exterior. A balan\u00e7a co\u00admercial fechou 2012 com super\u00e1\u00advit de US$ 19,438 bilh\u00f5es, como informou o Minist\u00e9rio do Desen\u00advolvimento, porque a Petrobr\u00e1s tem at\u00e9 50 dias ap\u00f3s o embarque para registrar a opera\u00e7\u00e3o. N\u00e3o fosse isso, o super\u00e1vit poderia ser encolhido em bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>A LCA estima que o consumo aparente de derivados deve fe\u00adchar 2013 em 2.189 mil barris por dia, 285 mil barris\/dia acima do refino de petr\u00f3leo projetado (1.904 mil b\/d). Em 2012, a dife\u00adren\u00e7a estimada entre refino e con\u00adsumo deve ser menor, 197 mil b\/d, de acordo com a consultoria.<\/p>\n<p>A LCA tamb\u00e9m projeta pre\u00e7os menores para a m\u00e9dia anual em 2013 do Brent (US$ 110,2, contra US$ 112,0 em 2012) e WTI (US$ 92,1 em 2013, contra US$ 94,2). O relat\u00f3rio diz que as cota\u00e7\u00f5es do barril de petr\u00f3leo t\u00eam recuado mo\u00adderadamente desde.agosto, com a demanda enfraquecida em meio a um cen\u00e1rio global de incertezas.<\/p>\n<p>Por outro lado, a LCA ressalva que as san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas im\u00adpostas ao Ir\u00e3, as tens\u00f5es na S\u00edria e os conflitos entre Palestina e Israel continuam sendo a raz\u00e3o de d\u00favidas quanto \u00e0 oferta, o que pressiona a cota\u00e7\u00e3o para cima.<\/p>\n<p>No Brasil, a consultoria apos\u00adta em aumento de 7,5% da gasoli\u00adna e de-10% do diesel (ambos na bomba) em fevereiro. ALCA lembra que, desde o in\u00edcio de 2011, a Petrobr\u00e1s opera com preju\u00edzo nos pre\u00e7os da gasolina e diesel. A presidente da Petrobr\u00e1s (Gra\u00ad\u00e7a Foster) tem falado com fre\u00adqu\u00eancia sobre a necessidade do aumento dos pre\u00e7os para man\u00adter os investimentos da estatal petrol\u00edfera e o ministro da Fazen\u00adda, Guido Mantega, j\u00e1 confir\u00admou que haver\u00e1 reajuste em 2013, entretanto n\u00e3o fixou a data nem os valores. Mantivemos nos\u00adsa proje\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Empr\u00e9stimo ao setor privado cai na zona do euro<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A concess\u00e3o de empr\u00e9stimos para o setor privado caiu na grande maioria dos pa\u00edses da zona do euro em novembro, revelam dados publicados ontem pelo Banco Central Europeu (BCE).<\/p>\n<p>Em um m\u00eas em que a oferta total de cr\u00e9dito na regi\u00e3o ficou est\u00e1vel, os empr\u00e9stimos para entidades n\u00e3o governamentais e n\u00e3o financeiras caiu 0,2% na Alemanha, na Fran\u00e7a e na Espanha, tr\u00eas das quatro maiores economias da zona do euro.<\/p>\n<p>Houve ainda retra\u00e7\u00f5es mais fortes na Eslov\u00eania (-1%), na Irlanda e em Portugal (ambos com queda de 0,6%). Nos tr\u00eas pa\u00edses, os sistemas banc\u00e1rios enfrentam dificuldades para lidar com o legado da crise.<\/p>\n<p>Em contrapartida, houve boas not\u00edcias na Holanda, onde o cr\u00e9dito se expandiu em 1% e, surpreendentemente, em Chipre e na It\u00e1lia, ambos com alta de 0,4%.<\/p>\n<p>Os dados do BCE mostram poucos sinais de press\u00f5es sistem\u00e1ticas de sa\u00edda de recursos, j\u00e1 que os dep\u00f3sitos privados cresceram 0,3% na Gr\u00e9cia e 0,8% na Espanha. Uma exce\u00e7\u00e3o a essa tend\u00eancia se nota em Chipre, onde houve queda de 1% nos dep\u00f3sitos privados.<\/p>\n<p>Na maioria dos pa\u00edses da zona do euro, os bancos foram compradores l\u00edquidos de d\u00edvidas governamentais em novembro. Os bancos espanh\u00f3is adquiriram \u20ac 4,23 bilh\u00f5es em t\u00edtulos dessa natureza, e os italianos compraram \u20ac 2,08 bilh\u00f5es. Os bancos franceses e alem\u00e3es tamb\u00e9m foram compradores l\u00edquidos de \u20ac 9,13 bilh\u00f5es e de \u20ac 5,03 bilh\u00f5es em d\u00edvida p\u00fablica, respectivamente. O BCE n\u00e3o abre quem s\u00e3o os emissores dessas d\u00edvidas.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Governo &#8220;esvazia&#8221; Fundo Soberano para garantir super\u00e1vit<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A dificuldade de cumprir a meta de super\u00e1vit do setor p\u00fablico em 2012 levou o governo federal a utilizar, pela primeira vez, o mecanismo de pol\u00edtica fiscal antic\u00edclica criado em 2008 junto com o Fundo Soberano do Brasil (FSB). Para engordar as receitas de dezembro, no \u00faltimo dia do ano, foram sacados R$ 12,4 bilh\u00f5es anteriormente investidos pelo FSB, fundo governamental, em cotas do Fundo Fiscal de Investimento e Estabiliza\u00e7\u00e3o (FFIE). A opera\u00e7\u00e3o consumiu 81% dessa poupan\u00e7a, criada, entre outras raz\u00f5es, justamente para garantir o cumprimento da meta fiscal em anos ruins de desempenho das contas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>O esfor\u00e7o de \u00faltima hora para garantir o piso de super\u00e1vit prim\u00e1rio envolveu ainda novas antecipa\u00e7\u00f5es de dividendos pela Caixa Econ\u00f4mica Federal e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES) ao Tesouro Nacional. Somadas, as tr\u00eas medidas, adotadas nos \u00faltimos dias do ano, mas publicadas somente ontem no Di\u00e1rio Oficial, proporcionaram uma receita prim\u00e1ria &#8220;extra&#8221; de R$ 19,4 bilh\u00f5es aproximadamente. Em opera\u00e7\u00f5es viabilizadas pelo pr\u00f3prio Tesouro, que resgatou t\u00edtulos de d\u00edvida p\u00fablica em poder dessas institui\u00e7\u00f5es, a Caixa adiantou R$ 4,7 bilh\u00f5es e o BNDES, R$ 2,317 bilh\u00f5es na forma de dividendos.<\/p>\n<p>Administrado pelo Banco do Brasil, o FFIE foi constitu\u00eddo como fundo privado e apartado das contas do Tesouro para receber o excedente de super\u00e1vit prim\u00e1rio gerado no ano de 2008 e, assim, guardar a sobra para eventual necessidade futura. Na \u00e9poca, o Fundo Soberano (que tamb\u00e9m deveria ser um instrumento de pol\u00edtica cambial, mas n\u00e3o foi usado como tal) colocou R$ 14,24 bilh\u00f5es, ou todo seu patrim\u00f4nio, no FFIE. No dia do saque de cotas, 31 de dezembro de 2012, o saldo dessa aplica\u00e7\u00e3o estava em R$ 15,25 bilh\u00f5es. Permaneceram no fundo, portanto, somente R$ 2,85 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>A necessidade de uso dessa poupan\u00e7a em 2012, segundo uma fonte do Minist\u00e9rio da Fazenda, veio principalmente por causa da frustra\u00e7\u00e3o de super\u00e1vit prim\u00e1rio no \u00e2mbito dos Estados e munic\u00edpios. Sem o saque de cotas feito pelo FSB, nem mesmo descontando os investimentos do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC), o governo alcan\u00e7aria a meta fiscal.<\/p>\n<p>O valor &#8220;cheio&#8221; do piso de super\u00e1vit prim\u00e1rio do setor p\u00fablico n\u00e3o financeiro (exclui bancos estatais) foi estabelecido na Lei de Diretrizes Or\u00e7ament\u00e1rias (LDO) em R$ 139,8 bilh\u00f5es para 2012, incluindo Uni\u00e3o, Estados, munic\u00edpios e empresas estatais n\u00e3o financeiras exceto Petrobras e Eletrobras. A combina\u00e7\u00e3o entre regras da pr\u00f3pria LDO e da lei do or\u00e7amento permite que o governo desconte at\u00e9 R$ 25,6 bilh\u00f5es em fun\u00e7\u00e3o de desembolsos do PAC, o que reduz a meta para R$ 114,2 bilh\u00f5es. At\u00e9 novembro, faltando apenas um m\u00eas para acabar o ano, o setor p\u00fablico tinha alcan\u00e7ado super\u00e1vit de apenas R$ 82,7 bilh\u00f5es, o que exigia uma economia de R$ 31,5 bilh\u00f5es s\u00f3 em dezembro. Do total obtido no per\u00edodo, R$ 24,6 bilh\u00f5es referem-se a governos estaduais e prefeituras. As estatais ligadas a essas administra\u00e7\u00f5es regionais tiveram resultado tamb\u00e9m positivo de R$ 631 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Providenciar R$ 19,4 bilh\u00f5es em receitas de \u00faltima hora implicou uma engenharia financeira que gerou uma profus\u00e3o de decretos e portarias ministeriais, publicadas aos poucos pelo Di\u00e1rio Oficial a partir do dia 28, inclusive em edi\u00e7\u00e3o extra. Naquela sexta-feira, o governo editou decreto autorizando o BNDES a comprar a\u00e7\u00f5es de emiss\u00e3o da Petrobr\u00e1s que estavam na carteira do FFIE, sem divulgar o valor. Segundo fonte governamental, o fundo vendeu ao banco cerca de R$ 9 bilh\u00f5es em a\u00e7\u00f5es da estatal recebendo como pagamento t\u00edtulos do Tesouro Nacional.<\/p>\n<p>Para monetizar esses t\u00edtulos, ou seja, transform\u00e1-los em dinheiro e permitir o saque pelo Fundo Soberano, uma portaria do Tesouro assinada no dia 31 e publicada ontem autorizou resgate de R$ 8,84 bilh\u00f5es. O pr\u00f3prio Tesouro, portanto, viabilizou o saque pagando d\u00edvida mobili\u00e1ria representada por pap\u00e9is que compunham o ativo do FFIE.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi necess\u00e1rio fazer um resgate de R$ 12,4 bilh\u00f5es, segundo a fonte, porque o Banco do Brasil, como administrador, recorreu ao mercado secund\u00e1rio para vender R$ 3,6 bilh\u00f5es em t\u00edtulos que estavam na carteira do fundo fiscal. Ainda segundo a mesma fonte n\u00e3o necessariamente o saldo do Fundo Soberano se reduziu, pois, para haver gera\u00e7\u00e3o de receita prim\u00e1ria, bastava transferir recursos do FFIE para o Fundo Soberano.<\/p>\n<p>A portaria prevendo resgate de t\u00edtulos em poder do BNDES tamb\u00e9m foi publicada no Di\u00e1rio Oficial de ontem. Faltou a da Caixa, tamb\u00e9m assinada dia 31, que seria publicada hoje. Na sexta, o governo tinha autorizado o Tesouro a entregar, para a Caixa, R$ 7 bilh\u00f5es em pap\u00e9is da d\u00edvida p\u00fablica. Tamb\u00e9m autorizou um aumento de R$ 5,4 bilh\u00f5es no capital da institui\u00e7\u00e3o. O BNDES recebeu, tamb\u00e9m no fim do ano, R$ 15 bilh\u00f5es em pap\u00e9is do Tesouro, outra medida publicada nas edi\u00e7\u00f5es recentes do Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o.<\/p>\n<p>Tanto as emiss\u00f5es quanto o que Tesouro pagou em d\u00edvida n\u00e3o neutralizar\u00e3o os recebimentos de dividendos e o saque do FFIE para efeito de apura\u00e7\u00e3o de resultado fiscal prim\u00e1rio de 2012. O conceito prim\u00e1rio de resultado fiscal n\u00e3o inclui resgates nem emiss\u00f5es de d\u00edvida em si, embora despesas e receitas prim\u00e1rias possam gerar varia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida (se o governo precisar emitir t\u00edtulos para pagar despesa administrativa, por exemplo). Mesmo os juros, pagos ou recebidos, est\u00e3o fora do conceito fiscal prim\u00e1rio.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Super\u00e1vit comercial com a Argentina cai 72%<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>O expressivo super\u00e1vit comer\u00adcial que o Brasil ostentou com a Argentina durante uma d\u00e9ca\u00adda est\u00e1 cada vez menor. Segun\u00addo a consultoria portenha Abeceb, o saldo favor\u00e1vel ao mer\u00adcado brasileiro desabou 73% em 2012 em compara\u00e7\u00e3o com 2011. No ano que acaba de ser encerrado, o super\u00e1vit brasi\u00adleiro foi de apenas US$ 1,56 bi\u00adlh\u00e3o, 72% inferior \u00e0 marca de US$ 5,804 bilh\u00f5es registrada em 2011.<\/p>\n<p>O encolhimento do saldo favo\u00adr\u00e1vel ao Brasil foi provocado pe\u00adlas barreiras aplicadas pelo go\u00adverno da presidente Cristina Kirchner contra a entrada de pro\u00addutos estrangeiros. Al\u00e9m disso, pesou a queda da pr\u00f3pria deman\u00adda argentina em um ano no qual a economia local esfriou.<\/p>\n<p>As barreiras das quais a presi\u00addente Dilma Rousseff reclamou em novembro durante a reuni\u00e3o das c\u00fapulas industriais de am\u00adbos pa\u00edses na Argentina &#8211; est\u00e3o teoricamente destinadas a pro\u00addutos de todo o mundo.<\/p>\n<p>No entanto, tamb\u00e9m atingi\u00adram o Brasil, apesar de ferir o es\u00adp\u00edrito de livre com\u00e9rcio do Mercosul. Dentro da mira do gover\u00adno argentino h\u00e1 produtos brasi\u00adleiros t\u00e3o variados como autope\u00ad\u00e7as, carne su\u00edna (que sofre pro\u00adblemas graves h\u00e1 um ano, apesar de um acordo entre ministros do setor para destravar as barrei\u00adras) e doces, entre outros.<\/p>\n<p>As exporta\u00e7\u00f5es brasileiras des\u00adtinadas ao mercado argentino ca\u00edram 20,7% no ano passado. Na contram\u00e3o, as vendas argenti\u00adnas para o Brasil somente sofre\u00adram uma redu\u00e7\u00e3o de 2,7%.<\/p>\n<p>O fluxo comercial bilateral registrou uma queda geral de 13%. No total, o Brasil exportou para a Argentina US$ 18,003 bilh\u00f5es, enquanto que o mercado brasi\u00adleiro absorveu US$ 16,443 bi\u00adlh\u00f5es de produtos &#8220;hechos en Ar\u00adgentina&#8221;. .<\/p>\n<p>Em 2012 a Argentina impor\u00adtou menos autom\u00f3veis do Bra\u00adsil, al\u00e9m de autope\u00e7as, m\u00e1qui\u00adnas, aparelhos eletr\u00f4nicos, min\u00e9\u00adrio de fero, pl\u00e1sticos e suas manu\u00adfaturas, produtos sider\u00fargicos, combust\u00edveis e lubrificantes, borracha, papel e produtos qu\u00ed\u00admicos, entre outros.<\/p>\n<p>D\u00e9ficit em dezembro. Segundo a consultoria Abeceb, as vendas argentinas ao mercado brasilei\u00adro em dezembro registraram um total de US$ 1,567 bilh\u00e3o, volu\u00adme que indica um aumento de 16,5% em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo m\u00eas de 2011.<\/p>\n<p>No entanto, as vendas brasilei\u00adras ao mercado argentino em de\u00adzembro &#8211; de US$ 1,346 bilh\u00e3o &#8211; registraram uma queda de 24% em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo m\u00eas de 2011. Desta forma, especi\u00adficamente em dezembro, o Brasil teve um d\u00e9ficit de US$221 mi\u00adlh\u00f5es com a Argentina.<\/p>\n<p>Um ano antes, em dezembro 2011,0 Brasil havia tido um super\u00e1vit de US$ 426 milh\u00f5es com o pa\u00eds vizinho. O com\u00e9rcio bilateral em 2012 foi de US$ 34,44 bilh\u00f5es, volume que indica uma queda em rela\u00ad; c\u00e3o a 2011, ano que marcou o recorde do interc\u00e2mbio bilateral, quando alcan\u00e7ou a marca de US$39,6 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Em 2010, o interc\u00e2mbio foi de US$ 32,9 bilh\u00f5es. A marca ante\u00adrior havia sido registrada em 2008, quando o volume de inter\u00adc\u00e2mbio comercial chegou a US$ 30,8 bilh\u00f5es. Na virada do s\u00e9cu\u00adlo, no ano 2000, o com\u00e9rcio bila\u00adteral foi de US$13,2 bilh\u00f5es .<\/p>\n<p>Para entender<\/p>\n<p>Os produtos brasileiros so\u00adfrem barreiras para entrar no mercado argentino desde o fim dos anos 90, \u00e9poca em que os empres\u00e1rios em Bue\u00adnos Aires alertavam para uma &#8220;invas\u00e3o&#8221; de produtos &#8220;made in Brazil&#8221;. As tentati\u00advas protecionistas do ent\u00e3o presidente Carlos Menem i (1989-99) intensificaram-se durante o governo de Femando De la R\u00faa (1999-2001). O ! ex-presidente Nestor Kirch\u00adner (2003-2007) deslanchou uma ofensiva sem preceden\u00adtes ao desferir a &#8220;Guerra das Geladeiras&#8221; em 2004, que consistiu em uma s\u00e9rie de barreiras contra eletrodom\u00e9s\u00adticos brasileiros. A guerra contra os produtos feitos no Brasil foi ampliada para diver\u00adsos setores. Em 2009, com a crise mundial, o governo Kirchner intensificou as bar\u00adreiras. Em dezembro de 2011, pouco depois da posse do segundo mandato, Cristina Kirchner deu o tom da pol\u00edti\u00adca protecionista. Em discur\u00adso, disse: &#8220;N\u00e3o queremos im\u00adportar um prego sequer!&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":" O Estado de S. 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