{"id":413,"date":"2010-04-22T21:47:42","date_gmt":"2010-04-22T21:47:42","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=413"},"modified":"2010-04-22T21:47:42","modified_gmt":"2010-04-22T21:47:42","slug":"duas-ou-tres-campanhas-eleitorais-mas-apenas-uma-campanha-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/413","title":{"rendered":"Duas ou tr\u00eas campanhas eleitorais, mas apenas uma campanha pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"\n<p>que disputou as elei\u00e7\u00f5es de 2006, e \u00e9 preciso que reflitamos sobre as raz\u00f5es deste fato. Concordo com a recente manifesta\u00e7\u00e3o do companheiro Badar\u00f3<\/p>\n<p>(<em>\u201cA import\u00e2ncia da frente de esquerda em 2010, um chamado aos camaradas do PCB e PSTU\u201d<\/em>) quando avalia da import\u00e2ncia desta tentativa em 2006 e da l\u00f3gica que nos remete a buscar aglutinar as for\u00e7as de esquerda e de oposi\u00e7\u00e3o ao governo Lula e ao bloco conservador em uma alternativa eleitoral.<\/p>\n<p align=\"justify\">No entanto, h\u00e1 entre n\u00f3s um entendimento muito diferente sobre o car\u00e1ter e a forma de funcionamento desta suposta frente. Exatamente por considerarmos, n\u00f3s do PCB, a import\u00e2ncia de resistir contra o bloco conservador e suas alternativas, seja uma mais retr\u00f3grada, representada por Serra, ou outra, de Dilma, que disfar\u00e7a o seu compromisso com os grandes monop\u00f3lios capitalistas sob um enganoso verniz \u201csocial desenvolvimentista\u201d, seja l\u00e1 o que isso significa, \u00e9 que entendemos a Frente de Esquerda como um esfor\u00e7o permanente de articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e de iniciativas que permitam o contraponto necess\u00e1rio ao consenso conservador.<\/p>\n<p align=\"justify\">Desta maneira, para n\u00f3s, a frente de esquerda n\u00e3o pode se limitar a uma mera coliga\u00e7\u00e3o eleitoral. As diferentes lutas sociais, formas organizadas ou n\u00e3o de resist\u00eancia contra a a\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria que o grande capital empreendeu contra os trabalhadores, foi o terreno pr\u00e1tico no qual nos encontramos nestes anos. Na luta contra a flexibiliza\u00e7\u00e3o de direitos dos trabalhadores, contra a criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais, na luta pela estatiza\u00e7\u00e3o de fato da Petrobr\u00e1s, na solidariedade internacional (nem todos n\u00f3s, \u00e9 verdade), para citar apenas algumas, constitui-se o espa\u00e7o de unidade na a\u00e7\u00e3o das for\u00e7as de esquerda e dos movimentos sociais combativos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Infelizmente, nem do ponto de vista sindical, nem do ponto de vista pol\u00edtico-eleitoral, esta a\u00e7\u00e3o comum p\u00f4de se refletir em graus mais avan\u00e7ados de unidade. Isto se d\u00e1, em parte, por nossas leg\u00edtimas diferen\u00e7as e pontos de vista discordantes sobre importantes aspectos t\u00e1ticos, mas, \u00e9 bom frisar, tamb\u00e9m pela imposi\u00e7\u00e3o de uma prolongada hegemonia conservadora que atinge em cheio o movimento dos trabalhadores.<\/p>\n<p align=\"justify\">Especificamente sobre a frente eleitoral, avaliando o cen\u00e1rio de defensiva e as possibilidades conjunturais, o PCB prop\u00f4s, no in\u00edcio de 2009, que o melhor a fazer era dar in\u00edcio a um processo de reflex\u00e3o e discuss\u00e3o program\u00e1tica, que, partindo de uma s\u00e9ria avalia\u00e7\u00e3o sobre o Brasil, chegasse a eixos de um programa e ao esbo\u00e7o de um projeto de poder que reinscrevesse o bloco prolet\u00e1rio e popular na luta pol\u00edtica em uma perspectiva transformadora.<\/p>\n<p align=\"justify\">Para n\u00f3s, este processo s\u00f3 poderia ser iniciado retirando-se <strong>todos os nomes colocados <\/strong>e priorizando-se a discuss\u00e3o program\u00e1tica, de maneira que isto poderia levar ou n\u00e3o a alternativas eleitorais em 2010, mas, de qualquer forma, acumularia para a constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa de poder \u00e0 esquerda, de m\u00e9dio e longo prazo, com mais qualidade e subst\u00e2ncia.<\/p>\n<p align=\"justify\">O que afirmamos, no momento, \u00e9 bom que se esclare\u00e7a, \u00e9 isso: est\u00e1vamos dispostos a participar deste esfor\u00e7o de reflex\u00e3o e elabora\u00e7\u00e3o coletiva de uma alternativa program\u00e1tica articulada a um projeto de poder que materializasse a necessidade de independ\u00eancia e autonomia pol\u00edtica dos trabalhadores frente aos desafios atuais e contra a hegemonia conservadora que se implantou no Brasil. Caso este esfor\u00e7o coletivo chegasse ao desenvolvimento de eixos m\u00ednimos e entendimento o suficiente para refletir tal ac\u00famulo em uma candidatura para 2010, o PCB estaria comprometido em defend\u00ea-la. Da mesma forma, afirmamos que, caso o processo de reflex\u00e3o e de mobiliza\u00e7\u00e3o pela necessidade de um programa de transforma\u00e7\u00f5es no sentido do socialismo e de estabelecimento de um poder prolet\u00e1rio e popular no Brasil caminhasse por uma din\u00e2mica que fosse al\u00e9m das elei\u00e7\u00f5es, isto, para n\u00f3s, n\u00e3o seria um problema.<\/p>\n<p align=\"justify\">Em <strong>nenhum momento vinculamos esta proposta a um nome<\/strong>, exatamente porque est\u00e1vamos propondo um m\u00e9todo pol\u00edtico que pressupunha retirar inicialmente qualquer alternativa de nomes e priorizar o debate program\u00e1tico. E muito mais que isso, assim propusemos porque avaliamos, e acredito que est\u00e1vamos corretos, que a in\u00e9rcia dos partidos que compunham a frente de esquerda (PSOL, PCB e PSTU) em fazer uma disputa internista para chegar primeiro a um nome para depois oferec\u00ea-lo, como alternativa aos trabalhadores e aos movimentos sociais, \u00e9 um profundo erro pol\u00edtico.<\/p>\n<p align=\"justify\">N\u00e3o podemos aceitar \u201ccandidaturas naturais\u201d, \u201cc\u00e1lculos sobre viabilidade eleitoral\u201d, hegemonismos de nenhuma esp\u00e9cie ou qualquer outro crit\u00e9rio que venha ocupar o lugar da discuss\u00e3o pol\u00edtica e da constru\u00e7\u00e3o coletiva de alternativas. Avali\u00e1vamos que os trabalhadores est\u00e3o, justificadamente, cansados de ser chamados s\u00f3 para votar em chapas que apareciam como pratos prontos numa engenharia pol\u00edtica que divide o tempo em 90% gastos em conspira\u00e7\u00f5es e acertos internos e 10% numa mera estrat\u00e9gia de buscar apoio eleitoral, colocando os movimentos sociais, as organiza\u00e7\u00f5es sindicais e os trabalhadores em uma posi\u00e7\u00e3o passiva e manipulat\u00f3ria.<\/p>\n<p align=\"justify\">Infelizmente, a in\u00e9rcia venceu a criatividade pol\u00edtica. O PSOL mergulhou num internismo ignorando qualquer coisa que vicejasse fora dele e resolveu, primeiro, tratar de seus pr\u00f3prios problemas. Inicialmente, numa cruzada para convencer Heloisa Helena a manter sua candidatura por conta de sua \u201cdensidade eleitoral\u201d. Depois do insucesso de tal empreitada, procurou substituir o personagem, mas manteve a l\u00f3gica do suposto potencial eleitoral apresentando a alternativa de Marina Silva, que Badar\u00f3 corretamente define como alternativa suicida, e, finalmente, numa fratricida luta interna que sangrou o partido at\u00e9 a defini\u00e7\u00e3o de Pl\u00ednio como candidato.<\/p>\n<p align=\"justify\">Durante este tenso processo, o PSOL s\u00f3 pediu uma coisa \u00e0 frente de esquerda: paci\u00eancia. Em nenhum momento a frente existiu como frente. Ningu\u00e9m da dire\u00e7\u00e3o do PSOL, em nenhum momento, procurou saber o que seus parceiros avaliavam da situa\u00e7\u00e3o, em nenhum momento se realizou um balan\u00e7o das experi\u00eancias de 2006 que pudesse orientar a formula\u00e7\u00e3o de uma alternativa para 2010. N\u00e3o digo no sentido de ades\u00e3o \u00e0 proposta por n\u00f3s apresentada, mas sequer de qualquer sondagem para avaliar o que pensavam os partidos que compunham a frente. Apenas pediu-se que esper\u00e1ssemos.<\/p>\n<p align=\"justify\">Prezamos e respeitamos a autonomia dos partidos aliados, mas principalmente prezamos nossa autonomia. Como somos inquietos e rebeldes&#8230; n\u00e3o esperamos, constru\u00edmos alternativas.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os pontuais, raros e generosos contatos limitaram-se a iniciativas pessoais ou de uma ou outra tend\u00eancia que antes nos inteiravam do processo conflituoso do que formulavam ideias e eixos sobres os quais pud\u00e9ssemos discutir.<\/p>\n<p align=\"justify\">O resultado desta disputa interna na consagra\u00e7\u00e3o de Pl\u00ednio como candidato do PSOL \u00e9 uma boa not\u00edcia e nunca escondemos nossa profunda identidade n\u00e3o apenas com a pessoa e o militante que \u00e9 o Pl\u00ednio, como, em muitos aspectos, com a maneira como partilhamos a compreens\u00e3o dos desafios que enfrentamos no campo da pol\u00edtica. No entanto, o momento e a forma como hoje se apresenta a candidatura do PSOL subverte toda a forma que propusemos no in\u00edcio de 2009. Apesar de ser um bom nome, \u00e9 ainda um nome j\u00e1 dado que busca apoio e n\u00e3o um processo de constru\u00e7\u00e3o coletiva que culminaria com um nome que expressasse, na disputa pol\u00edtico-eleitoral, o ac\u00famulo constru\u00eddo.<\/p>\n<p align=\"justify\">O tempo que nos separa das elei\u00e7\u00f5es inviabiliza, mais uma vez, uma constru\u00e7\u00e3o program\u00e1tica e mobilizat\u00f3ria em torno da constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa de poder para os trabalhadores. <strong>N\u00e3o nos responsabilizem pela n\u00e3o efetiva\u00e7\u00e3o da Frente de Esquerda. <\/strong>Sua inviabiliza\u00e7\u00e3o foi constru\u00edda (pacientemente) pelos erros na condu\u00e7\u00e3o da campanha de 2006, pela incapacidade de ir al\u00e9m de uma mera coliga\u00e7\u00e3o eleitoral e se constituir como express\u00e3o pol\u00edtica poss\u00edvel da unidade de a\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica desenvolvida, e, finalmente, pela op\u00e7\u00e3o de primeiro definir no \u00e2mbito do PSOL o candidato para depois buscar o apoio dos outros parceiros da Frente.<\/p>\n<p align=\"justify\">No entanto, acreditamos que o cen\u00e1rio definido n\u00e3o inviabiliza uma a\u00e7\u00e3o que gere ac\u00famulos pol\u00edticos em nossa tarefa de se contrapor ao bloco conservador e na busca de uma alternativa real de poder para os trabalhadores. Continuamos convictos que precisamos iniciar um debate sobre quais os caminhos de constru\u00e7\u00e3o desta alternativa, que para n\u00f3s s\u00f3 tem sentido se for \u00e0 esquerda e socialista, e concordamos que as elei\u00e7\u00f5es s\u00e3o um bom momento para divulgar e apresentar a necessidade deste debate.<\/p>\n<p align=\"justify\">Neste sentido estamos convencidos que a melhor forma de contribuir neste esfor\u00e7o \u00e9 com uma <strong>candidatura pr\u00f3pria do PCB <\/strong>que apresente, atrav\u00e9s de uma campanha movimento, ou manifesto, de que maneira estamos entendendo o per\u00edodo em que vivemos e os desafios que temos de enfrentar na perspectiva de uma revolu\u00e7\u00e3o socialista no Brasil, assim como o papel que um Governo Popular tem nesta estrat\u00e9gia de transforma\u00e7\u00e3o. Um chamamento \u00e0 discuss\u00e3o program\u00e1tica e estrat\u00e9gica que leve \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de uma frente anticapitalista e anti-imperialista.<\/p>\n<p align=\"justify\">Temos certeza que Pl\u00ednio cumprir\u00e1 com dignidade a tarefa que seu partido o incumbiu, assim como aguardamos que a linha geral de sua campanha seja de questionamento da ordem e de defesa da necessidade de uma alternativa socialista. N\u00e3o sabemos se no desenho de uma alternativa ainda no campo de uma proposta democr\u00e1tico-popular, como \u00e9 o que parece se configurar, ou mais incisivamente socialista, mas de qualquer forma uma campanha de oposi\u00e7\u00e3o e de esquerda.<\/p>\n<p align=\"justify\">Assim \u00e9 que, para n\u00f3s, trata-se de duas ou tr\u00eas campanhas eleitorais (n\u00e3o por que assim definimos, n\u00e3o era o que quer\u00edamos, mas n\u00e3o fomos convidados a opinar sobre alternativas que viabilizassem a Frente), mas que podem compor uma \u00fanica campanha pol\u00edtica pela necessidade de ac\u00famulo program\u00e1tico e pol\u00edtico que nos leve a uma real alternativa de poder dos trabalhadores.<\/p>\n<p align=\"justify\">Os trabalhadores chilenos, na \u00e9poca da Unidade Popular, cantavam uma m\u00fasica na qual proclamavam que \u201cdesta vez n\u00e3o se trata de mudar um presidente, mas ser\u00e1 o povo que construir\u00e1 um Chile bem diferente\u201d. Acreditamos que \u00e9 chegado o momento de dar um basta nesta in\u00e9rcia eleitoral e come\u00e7ar a construir reais alternativas de mudan\u00e7a para o Brasil. N\u00e3o somos melhores que ningu\u00e9m e temos a certeza de que precisaremos de todos os revolucion\u00e1rios para construir esta alternativa. Apenas decidimos que j\u00e1 era hora de come\u00e7ar, e assim come\u00e7amos.<\/p>\n<p align=\"justify\"><em>*Mauro Iasi<\/em><\/p>\n<p align=\"justify\"><em>Membro da Comiss\u00e3o Pol\u00edtica Nacional do Comit\u00ea Central do PCB<\/em><\/p>\n<p align=\"justify\"><em>Rio de Janeiro, abril de 2010.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PCB\n\n\n\n\nMauro Luis Iasi (*)\nN\u00e3o se formar\u00e1 em 2010 a alian\u00e7a eleitoral reeditando a \u201cfrente de esquerda\u201d\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/413\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-413","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c70-eleicoes"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6F","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/413","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=413"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/413\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=413"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=413"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=413"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}