{"id":4134,"date":"2013-01-07T19:08:12","date_gmt":"2013-01-07T19:08:12","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4134"},"modified":"2013-01-07T19:08:12","modified_gmt":"2013-01-07T19:08:12","slug":"bcs-aliviam-exigencias-para-os-bancos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4134","title":{"rendered":"BCs aliviam exig\u00eancias para os bancos"},"content":{"rendered":"\n<p>Os bancos sa\u00edram vencedores de uma briga que cresceu nos \u00faltimos meses.Ap\u00f3s in\u00fameras reclama\u00e7\u00f5es e em meio \u00e0 crise financeira que se arrasta, os bancos centrais cederam ao afrouxar parte de um pacote de regras mais r\u00edgidas conhecido como Basileia 3. Pela decis\u00e3o tomada ontem, ser\u00e1 reduzida a obriga\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es financeiras de ter caixa para pagar credores e clientes nas opera\u00e7\u00f5es de curto prazo. Reunidos ontem, representantes dos BCs de todo o mundo \u2013 que formam o Banco de Compensa\u00e7\u00f5es Internacionais (BIS, na sigla em ingl\u00eas) \u2013 anunciaram o que as institui\u00e7\u00f5es financeiras tanto pediam: adiamento na implanta\u00e7\u00e3o de Basileia 3. Na reuni\u00e3o de ontem, o grupo afrouxou regras j\u00e1 anunciadas e que deve-iam come\u00e7ar a valer em 1.\u00ba de janeiro de 2015. O afrouxamento acontecer\u00e1 em tr\u00eas frentes. Na primeira, bancos ter\u00e3o quatro \u00a0anos adicionais para cumprir o chamado \u201crequerimento m\u00ednimo de liquidez de 30 dias\u201d, o LCR em ingl\u00eas. Esse novo mecanismo obriga o sistema financeiro a ter em caixa ativos de alta liquidez para resistir a um cen\u00e1rio de estresse agudo de at\u00e9 um m\u00eas. Ou seja, dinheiro f\u00e1cil para pagar todos os compromissos \u2013 de clientes e credores \u2013 por 30 dias. Pela regra antiga, bancos teriam de ter o equivalente a 100% desses compromissos em 2015. Ontem, por\u00e9m, ficou decidido que a regra ser\u00e1 adotada gradualmente: o caixa precisar\u00e1 cobrir apenas 60% do montante em 2015 e chegar\u00e1 aos originais 100%s\u00f3 em2019.<\/p>\n<p>Liquidez<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, cresceu a lista de ativos considerados de \u201calta liquidez\u201d para pagar clientes e credores. A partir de agora, o investimento dos bancos em algumas a\u00e7\u00f5es e t\u00edtulos de d\u00edvida corporativa poder\u00e1 ser usado. Em outras palavras, ser\u00e1 mais f\u00e1cil alcan\u00e7ar o montante exigido pelo BC. Houve, ainda, uma mudan\u00e7a na estimativa de quanto os bancos precisar\u00e3o desembolsar nos pr\u00f3ximos 30 dias. Pela nova regra, foi reduzida a previs\u00e3o de quanto dinheiro sair\u00e1, por exemplo, das contas correntes de pessoas f\u00edsicas e empresas. Ou seja, a proje\u00e7\u00e3o dos compromissos \u00e0 frente tamb\u00e9m foi aliviada. Portanto, o BIS afrouxou Basileia 3 emtr\u00eas frentes: 1) menor cobertura das d\u00edvidas; 2) amplia\u00e7\u00e3o da lista de ativos que podem ser usados para pagar esses compromissos; e 3) expectativa de que os d\u00e9bitos futuros ser\u00e3o menores.<\/p>\n<p>Vit\u00f3ria<\/p>\n<p>O passo atr\u00e1s \u00e9 uma vit\u00f3ria dos bancos de todo o mundo, especialmente os menores, que n\u00e3o escondiam a insatisfa\u00e7\u00e3o como quadro. Em outubro, por exemplo, cerca de 15 mil banqueiros de institui\u00e7\u00f5es de pequeno porte assinaram uma peti\u00e7\u00e3o contra o cronograma das novas regras de Basileia 3. C\u00e1lculo recente do BIS mostra que, se o LCR existisse em 2011, menos da metade dos 200 maiores bancos do mundo estaria de acordo com a regra. Institui\u00e7\u00f5es desenquadradas teriam de reservar at\u00e9 US$ 2,4 trilh\u00f5es em ativos de alta liquidez. Para atingir essa cifra, bancos amea\u00e7avam reduzir o montante destinado ao cr\u00e9dito das fam\u00edlias e empresas\u2013 fato que preocupava governos das economias que tentam sair da crise. \u201c\u00c9 uma decis\u00e3o mais realista ap\u00f3s a avalia\u00e7\u00e3o dos argumentos (dos v\u00e1rios BCs), os dados e, claro, o tempo de transi\u00e7\u00e3o para a nova regra\u201d, disse o presidente do Banco da Inglaterra, Mervyn King, ao anunciar a decis\u00e3o.Para ele, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel considerar as medidas como \u201cpasso atr\u00e1s\u201d. \u201cAs medidas v\u00e3o garantir que o novo padr\u00e3o de liquidez n\u00e3o prejudique a capacidade do sistema banc\u00e1rio para financiar uma recupera\u00e7\u00e3o da economia global\u201d, argumentou. O Brasil acompanha a nova regra com certa tranq\u00fcilidade porque antes mesmo da decis\u00e3o do BIS, o Banco Central j\u00e1 monitorava indicador semelhante desde 2003. Avalia\u00e7\u00f5es recentes mostram \u00a0que o sistema financeiro nacional cumpre os requisitos exigidos com folga.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&#8216;Or\u00e7amento paralelo\u2019 do Governo Federal chega a R$ 200 bilh\u00f5es<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>Os restos a pagar do Or\u00e7amento federal devem chegar \u00e0 marca recorde de R$ 200 bilh\u00f5es em 2013, segundo estimativa do portal Contas Abertas, especializado em contas p\u00fablicas. Os restos a pagar s\u00e3o despesas de or\u00e7amentos anteriores, que n\u00e3o foram pagas, e que s\u00e3o roladas para a frente. Em 2002 e 2003, os restos a pagar estavam em torno de R$ 20 bilh\u00f5es, o que significa que foram multiplicados por dez em uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Para especialista, aumento do valor combina &#8220;dificuldade de acomodar gastos, inoper\u00e2ncia dos minist\u00e9rios e bagun\u00e7a or\u00e7ament\u00e1ria&#8221;<\/p>\n<p>O aumento de 2012 para 2013 deve ser de R$ 58,9 bilh\u00f5es, quase quatro vezes maior do que a m\u00e9dia anual de aumento de restos a pagar de 2009 a 2012, que foi de R$ 15,3 bilh\u00f5es. &#8220;Uma conta de R$ 200 bilh\u00f5es pode ser chamada de tudo, menos de restos a pagar&#8221;, critica o economista Jos\u00e9 Roberto Afonso, especialista em assuntos fiscais.<\/p>\n<p>Gil Castelo Branco, secret\u00e1rio-geral do Contas Abertas, diz que &#8220;os restos a pagar s\u00e3o um or\u00e7amento paralelo, t\u00e3o ou mais relevante que o Or\u00e7amento oficial em algumas rubricas, como investimentos&#8221;.<\/p>\n<p>Ele nota que os restos a pagar de investimentos em 2013 (h\u00e1 diversos outros tipos de despesa tamb\u00e9m), estimados em R$ 73,5 bilh\u00f5es, ser\u00e3o bem maiores que todo o investimento federal em 2012, de R$ 46,8 bilh\u00f5es. Al\u00e9m disso, em 2012 foram feitos mais investimentos de restos a pagar (R$ 25,3 bilh\u00f5es) do que os investimentos do pr\u00f3prio Or\u00e7amento do ano, de R$ 22 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Quando se toma o Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC), o mesmo padr\u00e3o se repete. Foram pagos R$ 21,3 bilh\u00f5es de investimentos de restos a pagar, e apenas R$ 18,2 bilh\u00f5es do Or\u00e7amento de 2012.<\/p>\n<p>O aumento de restos a pagar de investimentos em 2013 foi de R$ 16,2 bilh\u00f5es, quase tr\u00eas vezes maior do que a m\u00e9dia anual de aumento da mesma rubrica de 2009 a 2012, que foi de R$ 5,7 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Dentro da estimativa do Contas Abertas de restos a pagar de investimento para 2013, o item principal \u00e9 transporte rodovi\u00e1rio, com R$ 7,7 bilh\u00f5es. O economista Raul Velloso, especialista em contas p\u00fablicas, nota que os investimentos em transporte est\u00e3o caindo desde 2010 como propor\u00e7\u00e3o do PIB. No valor acumulado at\u00e9 novembro, saiu-se 0,33% do PIB em 2010 para 0,29% em 2011 e 0,22% em 2012.<\/p>\n<p>Para Velloso, o aumento dos restos a pagar nos \u00faltimos anos \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o de &#8220;dificuldade financeira de acomodar gastos e cumprir a meta de super\u00e1vit prim\u00e1rio, inoper\u00e2ncia dos minist\u00e9rios e bagun\u00e7a or\u00e7ament\u00e1ria&#8221;.<\/p>\n<p>Entraves<\/p>\n<p>Os restos a pagar correspondem a despesas que foram &#8220;empenhadas&#8221;, passo inicial da execu\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria, mas que deixam de ser pagas. Algumas vezes, explica Castelo Branco, isso ocorre por falta de uma licen\u00e7a ambiental, ou porque o Tribunal de Contas paralisa a obra por alguma irregularidade, entre outros motivos. Ele observa que os restos a pagar come\u00e7aram a crescer &#8220;como bola de neve&#8221; no in\u00edcio da d\u00e9cada passada e, naquela \u00e9poca, eram usados tamb\u00e9m como mecanismo de cumprimento do super\u00e1vit prim\u00e1rio, quando as metas fiscais brasileiras eram severamente vigiladas pelo Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI). Assim, muitas vezes os empenhos eram feitos, permitindo ao pol\u00edtico exibir ao seu eleitorado uma &#8220;conquista&#8221; de alguma obra de interesse local, mas os recursos n\u00e3o eram efetivamente liberados.<\/p>\n<p>Esse estratagema ainda \u00e9 usado hoje, na vis\u00e3o de Castelo Branco e Velloso. Mas os analistas fiscais tamb\u00e9m acham que o gigantesco ac\u00famulo de restos a pagar cria um or\u00e7amento paralelo, que d\u00e1 margem de manobra para o governo gastar e investir, sem as amarras do Or\u00e7amento oficial e da sua tramita\u00e7\u00e3o complexa e sujeita \u00e0 permanente guerrilha pol\u00edtica do Congresso Nacional. &#8220;Com os restos a pagar, o governo n\u00e3o precisa que o Or\u00e7amento de 2013 seja aprovado t\u00e3o cedo, ele pode ir tocando os seus gastos com essa autoriza\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria que j\u00e1 possui.&#8221;<\/p>\n<p>Mas os especialistas notam que h\u00e1 uma enorme contrapartida negativa no crescimento dos restos a pagar.<\/p>\n<p>Para Castelo Branco, o Pa\u00eds est\u00e1 perdendo completamente o princ\u00edpio da anualidade, j\u00e1 que o Or\u00e7amento \u00e9 feito para um exerc\u00edcio (ano fiscal), e para que a sociedade possa acompanhar o que est\u00e1 sendo feito neste exerc\u00edcio &#8211; agora h\u00e1 or\u00e7amentos paralelos que derivam de m\u00faltiplos exerc\u00edcios. &#8220;Estamos acompanhando o Or\u00e7amento pelo retrovisor&#8221;, critica o economista.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Roberto Afonso lembra que o processo or\u00e7ament\u00e1rio est\u00e1 na raiz da democracia moderna, o que significa que o governo n\u00e3o pode criar impostos ou gastos sem a chancela dos representantes do povo, que est\u00e3o no Legislativo. Mas, com o enorme or\u00e7amento paralelo dos restos a pagar, o governo na pr\u00e1tica pode escolher que projetos tocar, desamarrando-se de uma forma que pode at\u00e9 favorecer a corrup\u00e7\u00e3o. &#8220;No fundo, o que temos \u00e9 um cheque em branco&#8221;, diz Afonso, que defende a revis\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria e do mecanismo dos restos a pagar, criado h\u00e1 meio s\u00e9culo apenas para facilitar a transi\u00e7\u00e3o entre exerc\u00edcios fiscais, mas que foi completamente distorcido.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Desafio da Petrobras em 2013 \u00e9 conter queda na produ\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos problemas de sempre, entre os quais os preju\u00edzos cont\u00ednuos com a venda subsidiada de gasolina e diesel, o grande desafio da Petrobras em 2013 \u00e9 conter a abrupta queda na produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo a partir de 2009 nos campos antigos. A menor produ\u00e7\u00e3o significa mais dificuldade para transformar os pesados investimentos da companhia em receitas, e o tamanho do tombo atingiu n\u00edveis alarmantes nos \u00faltimos tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>Em 2012, a Petrobras pode registrar a terceira queda da produ\u00e7\u00e3o total em seus 59 anos de exist\u00eancia. A primeira aconteceu em 1990, durante o governo de Fernando Collor, e a segunda em 2004, quando a companhia produziu 3% menos que no ano anterior. Apesar de ter alcan\u00e7ado um aumento de 1,5% na produ\u00e7\u00e3o em novembro, a estatal poder\u00e1 ter encerrado 2012 e passar todo o ano de 2013 sem obter nenhuma grande altera\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de \u00f3leo e condensado pelo terceiro ano consecutivo. At\u00e9 novembro, a produ\u00e7\u00e3o de 2012 estava em 1,968 milh\u00e3o de barris di\u00e1rios, 2,3% abaixo dos 2,021 milh\u00f5es de barris di\u00e1rios que atingiu em 2011.<\/p>\n<p>Para entender o decl\u00ednio da produ\u00e7\u00e3o da petrol\u00edfera brasileira, a Bradesco Corretora analisou a vaz\u00e3o de \u00f3leo de 8.878 po\u00e7os de extra\u00e7\u00e3o em terra e no mar registrados no Banco de Dados de Explora\u00e7\u00e3o e Produ\u00e7\u00e3o (BDEP), da ANP, ao longo de sete anos, entre agosto de 2006 e agosto de 2012. Em agosto de 2011 o pa\u00eds produziu 2,052 milh\u00f5es de barris de \u00f3leo e condensado. Doze meses depois, a produ\u00e7\u00e3o era de 2,006 milh\u00f5es. Mas quando descontada a produ\u00e7\u00e3o (500 mil barris) de novos po\u00e7os que entraram em opera\u00e7\u00e3o no per\u00edodo, o que se v\u00ea \u00e9 que a taxa de decl\u00ednio da produ\u00e7\u00e3o foi de 40% entre um ano e outro. Em volumes, esse percentual significou redu\u00e7\u00e3o de 679 mil barris por dia &#8211; mais de um quarto da produ\u00e7\u00e3o nacional &#8211; da qual a Petrobras responde por 91,5%, seguida por Statoil (1,9%), BG (1,3%) e Sinochem (1,2%).<\/p>\n<p>Os n\u00fameros mostram uma acelera\u00e7\u00e3o do decl\u00ednio da produ\u00e7\u00e3o maior do que a geologia pode explicar. A m\u00e9dia hist\u00f3rica de queda registrada na ind\u00fastria, sempre mencionada pela estatal, varia entre 7% e 10% da produ\u00e7\u00e3o anual. Mas essa taxa se refere \u00e0 chamada deple\u00e7\u00e3o natural dos campos, que \u00e9 causada pela queda de press\u00e3o dos reservat\u00f3rios ou das reservas em consequ\u00eancia da extra\u00e7\u00e3o de fluidos.<\/p>\n<p>Os dados do Bradesco Corretora compilados pelos analistas Auro Rozembaum, Bruno Varella e Marcos Dong com base no BDEP impressionam. Entre 2005 e 2010 o decl\u00ednio da produ\u00e7\u00e3o foi de 32%, percentual que subiu para 38% entre 2010 e 2011, chegando aos 40% entre 2011 e 2012. N\u00e3o s\u00f3 o decl\u00ednio \u00e9 maior que a m\u00e9dia, como estava acelerando. O tema preocupa enormemente a ANP.<\/p>\n<p>O analista Rozembaum, da Bradesco, explica que para analisar as causas desse decl\u00ednio os po\u00e7os foram divididos em duas categorias: os terminados ou descontinuados (seja para manuten\u00e7\u00e3o ou por falta de equipamento) e os que foram continuados, al\u00e9m dos novos.<\/p>\n<p>Se desconsiderada a produ\u00e7\u00e3o de novos po\u00e7os que foram substituindo os que estavam em decl\u00ednio ou foram fechados, a queda na produ\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o de um ano foi de 27%. Ou seja, se a Petrobras n\u00e3o tivesse colocado nenhum po\u00e7o novo em opera\u00e7\u00e3o, os 2,052 milh\u00f5es de barris ao dia produzidos no Brasil em agosto de 2011 estariam em apenas 1,506 milh\u00e3o de barris di\u00e1rios um ano depois, uma queda de 27%. Como foram adicionados 500 mil barris produzidos por 834 novos po\u00e7os perfurados (alguns em campos antigos) no final a queda l\u00edquida foi de 2,2%.<\/p>\n<p>O decl\u00ednio pode ser visto de v\u00e1rios \u00e2ngulos. A queda da produ\u00e7\u00e3o dos po\u00e7os antigos como percentual da produ\u00e7\u00e3o saltou de 11% em 2006 para 27% em 2012. &#8220;\u00c9 uma bicicleta que, enquanto estiver desse jeito, n\u00e3o adianta pedalar. Eles v\u00e3o ficar pedalando e acrescentando produ\u00e7\u00e3o nova, mas o ralo est\u00e1 muito grande. \u00c9 preciso fechar esse ralo&#8221;, resume Rozembaum, lembrando que a Petrobras j\u00e1 est\u00e1 corrigindo o problema com os investimentos do Programa de Aumento da Efici\u00eancia Operacional (Proef).<\/p>\n<p>O analista destaca que a forte piora da produ\u00e7\u00e3o da Petrobras nos \u00faltimos dois anos \u00e9 explicada pela descoberta do pr\u00e9-sal, em 2007, que mudou o resultado do jogo. &#8220;Naquela \u00e9poca a Petrobras n\u00e3o tinha nem equipamentos nem dinheiro e precisou refazer n\u00e3o apenas sua estrat\u00e9gia como tamb\u00e9m sua escala de produ\u00e7\u00e3o. Naquela altura, resolver o problema do dinheiro foi f\u00e1cil, mas demorou cinco anos para chegar ao n\u00famero adequado de sondas capazes de perfurar em \u00e1guas profundas&#8221;, diz Rozenbaum.<\/p>\n<p>Com o pr\u00e9-sal, a Petrobras se deparou com uma &#8220;Escolha de Sofia&#8221;, t\u00edtulo do relat\u00f3rio do Bradesco emprestado do livro de William Clark Styronx em que uma m\u00e3e judia foi obrigada por um nazista a escolher qual dos dois filhos seria levado para a c\u00e2mara de g\u00e1s. No caso da estatal, a escolha imposs\u00edvel significou usar equipamentos dispon\u00edveis para manter os n\u00edveis de produ\u00e7\u00e3o da \u00e9poca ou cumprir os compromissos de explora\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal para atender os prazos estipulados pela ANP para n\u00e3o perder \u00e1reas.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o, conhecida, foi correta, diz Auro Rozembaum. Apesar de ter resultado na dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o atual, o analista do Bradesco v\u00ea uma s\u00e9rie de boas not\u00edcias. A primeira delas \u00e9 que a Petrobras j\u00e1 tem 40 sondas de perfura\u00e7\u00e3o \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o, a segunda \u00e9 que a queda da produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o se deveu ao esgotamento dos reservat\u00f3rios &#8211; caso do M\u00e9xico -, mas sim \u00e0 falta de equipamentos que levou a uma manuten\u00e7\u00e3o inadequada dos ativos. &#8220;A terceira boa not\u00edcia \u00e9 que a produ\u00e7\u00e3o do pr\u00e9-sal \u00e9 uma surpresa positiva e ficou muito al\u00e9m das expectativas&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Os po\u00e7os do pr\u00e9-sal est\u00e3o produzindo uma m\u00e9dia de 26 mil a 32 mil barris de petr\u00f3leo por dia, muito al\u00e9m da expectativa inicial da Petrobras, que era de produzir 15 mil barris di\u00e1rios, na m\u00e9dia.<\/p>\n<p>Em dezembro, a presidente da Petrobras, Gra\u00e7a Foster, usou a palavra &#8220;manuten\u00e7\u00e3o&#8221; para descrever sua expectativa de performance da produ\u00e7\u00e3o em 2013.<\/p>\n<p>Essa tamb\u00e9m \u00e9 a expectativa de bancos de investimentos, que s\u00f3 esperam uma rea\u00e7\u00e3o em 2014. Para 2013, o Bradesco n\u00e3o v\u00ea aumento e o Credit Suisse espera uma m\u00e9dia de 2,016 milh\u00f5es de barris por dia, 0,25% menor que os 2,021 milh\u00f5es de barris\/dia registrados em 2011.<\/p>\n<p>O Ita\u00fa BBA \u00e9 mais pessimista: espera queda de 2% no ano passado e para 2013, a expectativa \u00e9 que a produ\u00e7\u00e3o seja de 1,985 milh\u00e3o de barris di\u00e1rios devido ao grande numero de paradas e o esperado atraso na entrega de novas plataformas com capacidade total de processar 590 mil barris de petr\u00f3leo. As novas unidades s\u00e3o a Cidade de S\u00e3o Paulo e Cidade de Paraty (nos campos de Sapinho\u00e1 e Lula Nordeste, no pr\u00e9-sal da Bacia de Santos) e as plataformas P-61 e P-63 (Papa-Terra) e P-55 (Roncador).<\/p>\n<hr \/>\n<p>Ind\u00fastria fraca p\u00f5e em d\u00favida PIB de 1%<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A queda da produ\u00e7\u00e3o industrial em novembro e a forte revis\u00e3o para baixo no dado de outubro renovaram o pessimismo com a economia no \u00faltimo trimestre, o que pode rebater nos dados da atividade e trazer para menos de 1% o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012. O \u00faltimo Boletim Focus apontou proje\u00e7\u00e3o de alta de 0,98% para o indicador, mas j\u00e1 h\u00e1 quem cogite \u00edndice ainda pior depois de nova decep\u00e7\u00e3o com os resultados da ind\u00fastria.<\/p>\n<p>O dado ruim do setor n\u00e3o apareceu apenas no recuo da produ\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m no \u00edndice de difus\u00e3o e no preocupante recuo na produ\u00e7\u00e3o de bens de capital, num momento em que a retomada dos investimentos \u00e9 considerada ponto-chave para a economia.<\/p>\n<p>Mais que a queda dessazonalizada de 0,6% em novembro, foi a revis\u00e3o sobre outubro (de alta de 0,9% para alta de 0,1% ante setembro) que colocou um vi\u00e9s de baixa na proje\u00e7\u00e3o de crescimento do PIB calculada pelo Santander, que est\u00e1 em 1%. &#8220;Essa composi\u00e7\u00e3o negativa dos resultados da ind\u00fastria fere o PIB, tanto pela oferta, via produ\u00e7\u00e3o industrial em queda, quanto pela demanda, via investimento, com a produ\u00e7\u00e3o de bens de capital em queda&#8221;, diz a economista Fernanda Consorte. Leandro Padulla, da MCM Consultores, ainda n\u00e3o alterou sua proje\u00e7\u00e3o de alta de 1% para o PIB em 2012, mas j\u00e1 considera forte a possibilidade de o resultado ficar em 0,9%.<\/p>\n<p>Os dois economistas aguardam outros indicadores, como o da Anfavea, e as vendas no varejo de novembro, que podem consolidar esse quadro de crescimento ainda menor do PIB. &#8220;Temos um cen\u00e1rio industrial muito fraco. Esper\u00e1vamos que viesse uma recupera\u00e7\u00e3o com os incentivos dados para a economia como um todo, mas, aparentemente, ela n\u00e3o chegou no 4\u00ba trimestre. Foram dados muitos est\u00edmulos, por\u00e9m, nesse ciclo, a economia est\u00e1 respondendo com atraso&#8221;, avalia Fernanda.<\/p>\n<p>A m\u00e9dia m\u00f3vel trimestral da produ\u00e7\u00e3o industrial em novembro ficou em 0,4%, de acordo com a Pesquisa Industrial Mensal &#8211; Produ\u00e7\u00e3o F\u00edsica, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). O resultado do setor em dezembro precisaria vir muito mais forte que o cen\u00e1rio observado para reverter essa queda e encerrar o ano sinalizando a t\u00e3o esperada &#8211; e adiada &#8211; recupera\u00e7\u00e3o da atividade.<\/p>\n<p>Para Flavio Combat, economista-chefe da Conc\u00f3rdia Corretora, n\u00e3o est\u00e1 posto um in\u00edcio de ano em ritmo de retomada para a ind\u00fastria. &#8220;A heran\u00e7a \u00e9 bem negativa para 2013, especialmente para bens de capital e bens dur\u00e1veis. As a\u00e7\u00f5es do governo n\u00e3o est\u00e3o surtindo impacto sobre o investimento.&#8221;<\/p>\n<p>Combat avalia que o resultado negativo da produ\u00e7\u00e3o industrial em novembro reflete uma realidade que deve se manter forte nos pr\u00f3ximos meses, marcada pelo comprometimento do or\u00e7amento familiar com o consumo antecipado de autom\u00f3veis e linha branca no segundo semestre de 2012.<\/p>\n<p>Combat explica que esses bens, que contaram com o benef\u00edcio tribut\u00e1rio da redu\u00e7\u00e3o do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), comprometem a renda familiar com prazos de financiamento alongados. Logo, a capacidade de consumo de quem os adquiriu tamb\u00e9m \u00e9 reduzida por um per\u00edodo maior. &#8220;Em 2013, a quest\u00e3o do endividamento \u00e9 algo que ainda vai pesar nos resultados da produ\u00e7\u00e3o industrial. O empres\u00e1rio est\u00e1 atento a esse comprometimento do consumo futuro, que vem acompanhado de um aumento da inadimpl\u00eancia&#8221;, diz Combat.<\/p>\n<p>Para Alexandre Schwartsman, s\u00f3cio-diretor da Schwartsman &amp; Associados, os sal\u00e1rios altos na ind\u00fastria brasileira e a concorr\u00eancia internacional, acirrada pela busca de mercados onde existe forte demanda, como no Brasil, ainda pressionam o setor industrial. &#8220;Esperamos uma performance mais robusta em 2013, ainda que n\u00e3o t\u00e3o forte quando a anunciada pelo governo&#8221;, diz ele, cuja proje\u00e7\u00e3o para aumento da produ\u00e7\u00e3o industrial em 2013 est\u00e1 entre 2% e 2,5%.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 ag\u00eancia de not\u00edcias Dow Jones, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que os efeitos das medidas de est\u00edmulo adotadas pelo governo come\u00e7am a ser sentidos neste ano, fazendo o PIB crescer entre 3% e 4% agora e acima de 4% em 2014. Por\u00e9m, esse crescimento \u00e9 &#8220;muito otimista&#8221; caso os investimentos n\u00e3o decolem e a produ\u00e7\u00e3o industrial os acompanhe nos pr\u00f3ximos meses, segundo Mariana Hauer, do Banco ABC Brasil. &#8220;A retomada do investimento \u00e9 imprescind\u00edvel. Mas as condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas de risco e seguran\u00e7a precisam ser mais fortes para esse investimento decolar&#8221;, diz.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Ibama perto de liberar linh\u00f5es da Regi\u00e3o Norte<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Os dois maiores empreendimentos de linhas de transmiss\u00e3o de energia em constru\u00e7\u00e3o no pa\u00eds est\u00e3o prestes a receber suas licen\u00e7as ambientais de opera\u00e7\u00e3o, autoriza\u00e7\u00e3o que \u00e9 concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama) e que permitir\u00e1 o in\u00edcio efetivo de funcionamento dessas redes. At\u00e9 junho, o Ibama vai liberar a licen\u00e7a do chamado &#8220;linh\u00e3o do Madeira&#8221;, malha de quase 2.400 quil\u00f4metros que liga as usinas de Santo Ant\u00f4nio e Jirau, na cidade de Porto Velho (RO), at\u00e9 Araraquara, no interior de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>A malha dupla do linh\u00e3o do Madeira tem or\u00e7amento de R$ 3,2 bilh\u00f5es. Se os estudos ambientais apresentados pelo cons\u00f3rcio IEMadeira &#8211; que trabalha na conclus\u00e3o de um dos dois linh\u00f5es &#8211; estiverem de acordo com as exig\u00eancias ambientais, h\u00e1 possibilidade de esse prazo ser at\u00e9 encurtado para meados de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>O segundo empreendimento que receber\u00e1 licen\u00e7a de opera\u00e7\u00e3o neste semestre \u00e9 a linha de transmiss\u00e3o Tucuru\u00ed\/Macap\u00e1\/Manaus, de aproximadamente 1.800 km de extens\u00e3o. O projeto tocado pela Eletrobras tamb\u00e9m est\u00e1 em fase de conclus\u00e3o e, assim que for acionado, far\u00e1 a integra\u00e7\u00e3o dos Estados do Amazonas, Amap\u00e1 e do Oeste do Par\u00e1 ao Sistema Interligado Nacional (SIN), o qual faz a distribui\u00e7\u00e3o nacional de energia. Constru\u00eddo tamb\u00e9m em circuito duplo, o linh\u00e3o tem investimentos previstos de R$ 2 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Os prazos para liberar a opera\u00e7\u00e3o dos projetos foram confirmados pelo coordenador-geral de infraestrutura de energia el\u00e9trica do Ibama, Thomaz Miazaki de Toledo. &#8220;Esses dois linh\u00f5es est\u00e3o entre as nossas prioridades neste in\u00edcio do ano. Trabalhamos para que os dois projetos recebam a licen\u00e7a de opera\u00e7\u00e3o neste semestre&#8221;, disse ao Valor.<\/p>\n<p>Atrasado, o linh\u00e3o do Madeira, que foi leiloado em novembro de 2008, tinha previs\u00e3o original de ser energizado at\u00e9 fevereiro de 2012. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 a mesma da linha Tucuru\u00ed\/Macap\u00e1\/Manaus, que foi a leil\u00e3o em mar\u00e7o de 2008 e tinha cronograma de opera\u00e7\u00e3o previsto para o ano passado.<\/p>\n<p>O Ibama, que \u00e9 frequentemente acusado de retardar a emiss\u00e3o de licen\u00e7as ambientais e, com isso, atrasar os projetos, rebate as cr\u00edticas e justifica que, na maior parte dos casos, a demora na libera\u00e7\u00e3o de licen\u00e7as \u00e9 consequ\u00eancia direta da baixa qualidade dos estudos apresentados pelas empresas (ver texto anexo). Isso n\u00e3o significa, por\u00e9m, que seja desnecess\u00e1rio fazer aprimoramentos nas regras de licenciamento, disse Toledo. &#8220;Claro que h\u00e1 espa\u00e7o para melhorias. Estamos trabalhando em uma s\u00e9rie de instru\u00e7\u00f5es normativas para este ano que v\u00e3o acelerar os processos.&#8221;<\/p>\n<p>Uma das principais mudan\u00e7as desenhadas pelo Ibama, e que deve entrar em vigor este ano, prev\u00ea o uso da internet para realiza\u00e7\u00e3o de consultas p\u00fablicas. A proposta \u00e9 que, nos casos de projetos que tenham baixo impacto ambiental &#8211; como a instala\u00e7\u00e3o de um trecho de algumas dezenas de quil\u00f4metros de linha de transmiss\u00e3o -, seja realizada apenas uma &#8220;consulta p\u00fablica virtual&#8221;, onde o cidad\u00e3o possa tirar suas d\u00favidas e fazer sugest\u00f5es.<\/p>\n<p>Pelas regras atuais &#8211; que est\u00e3o em vigor desde 1987 &#8211; \u00e9 preciso que o Ibama, ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o do estudo de impacto ambiental (EIA\/Rima), abra prazo de dois meses para a marca\u00e7\u00e3o de audi\u00eancias presenciais e, s\u00f3 depois disso, colha as colabora\u00e7\u00f5es para concluir seu parecer t\u00e9cnico. &#8220;Tudo isso demanda muito tempo. Para empreendimentos mais complexos, \u00e9 claro que esse \u00e9 o caminho correto, mas h\u00e1 muitos projetos pequenos em que isso n\u00e3o se justifica&#8221;, disse Toledo.<\/p>\n<p>Outra portaria a ser publicada pelo instituto ambiental tem como alvo o licenciamento de usinas t\u00e9rmicas, al\u00e9m de a\u00e7\u00f5es ligadas a \u00e1rea nuclear, como o transporte e o enriquecimento de ur\u00e2nio. Hoje, 100% dos projetos de t\u00e9rmicas t\u00eam que se apresentar EIA\/Rima para obter licenciamento, um estudo caro e complexo, que demanda tempo para ser conclu\u00eddo e analisado. Uma nova instru\u00e7\u00e3o normativa vai permitir que esses empreendimentos apresentem estudos mais enxutos &#8211; como o Relat\u00f3rio Ambiental Simplificado (RAS) &#8211; como pr\u00e9-condi\u00e7\u00e3o de licenciamento, regra que hoje j\u00e1 \u00e9 aplicada para as linhas de transmiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 2012, o Ibama emitiu um total de 367 licen\u00e7as ligadas ao setor de energia, petr\u00f3leo e g\u00e1s. Essas autoriza\u00e7\u00f5es s\u00e3o divididas em tr\u00eas etapas: licen\u00e7a pr\u00e9via (LP), que sinaliza a viabilidade ambiental do empreendimento; licen\u00e7a de instala\u00e7\u00e3o (LI), que permite o in\u00edcio de constru\u00e7\u00e3o da obra ap\u00f3s atendidas as condicionantes socioambientais previstas na autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via; e licen\u00e7a de opera\u00e7\u00e3o (LO), que finalmente libera o funcionamento daquele empreendimento.<\/p>\n<p>Ao longo do ano passado, o Ibama autorizou a opera\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas que somam 4.135 megawatts (MW) de pot\u00eancia instalada, com destaque para as usinas de Jirau, em Porto Velho, e Simpl\u00edcio, na divisa de Minas Gerais com o Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea de transmiss\u00e3o, o licenciamento das linhas somou 4,2 mil km de extens\u00e3o total, dos quais 1,7 mil km referem-se a licen\u00e7as de opera\u00e7\u00e3o. O maior trecho liberado em 2012 &#8211; com licen\u00e7a de instala\u00e7\u00e3o &#8211; foi a linha de 1 mil km que liga Jauru, no Mato Grosso, at\u00e9 Porto Velho.<\/p>\n<p>Em 2013, disse Thomaz Miazaki de Toledo, a tend\u00eancia \u00e9 de que se os licenciamentos do setor de energia se acentuem ainda mais na \u00e1rea de transmiss\u00e3o. H\u00e1 pelo menos 1,2 mil km de linhas que j\u00e1 tiveram suas instala\u00e7\u00f5es liberadas e que poder\u00e3o requerer autoriza\u00e7\u00e3o para entrar em opera\u00e7\u00e3o. &#8220;A transmiss\u00e3o dever\u00e1 concentrar a maior parte dos empreendimentos que teremos para analisar. Em gera\u00e7\u00e3o de energia, a maioria das licen\u00e7as estar\u00e1 atrelada a renova\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<hr \/>\n<p>Pa\u00eds fica mais perto de crise energ\u00e9tica<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>A energia el\u00e9trica tende, cada vez, a ser um grande problema para o Brasil em 2013 e n\u00e3o mais uma solu\u00e7\u00e3o, como desejava a presidente Dilma Rousseff, que concentrou esfor\u00e7os para reduzir em 20%, em m\u00e9dia, a conta de luz dos brasileiros a partir deste ano.<\/p>\n<p>A falta de chuvas nas principais bacias e a queda dos n\u00edveis dos reservat\u00f3rios das hidrel\u00e9tricas para n\u00edveis cr\u00edticos fizeram com que os custos de opera\u00e7\u00e3o do sistema el\u00e9trico disparassem para R$ 555 por MWh na sexta-feira, aproximando-se dos patamares alcan\u00e7ados somente no ano de 2001 e em janeiro de 2008, per\u00edodos em que o pa\u00eds tamb\u00e9m atravessou uma crise na oferta de energia hidr\u00e1ulica.<\/p>\n<p>Analistas dizem que os riscos de um racionamento, hip\u00f3tese rejeitada at\u00e9 o momento pelo governo, aumentaram na \u00faltima semana com a piora das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Em fevereiro de 2008, as chuvas se normalizaram e afastaram a necessidade de que o consumo fosse racionado, medida que precisou ser adotada pelo governo Fernando Henrique Cardoso em 2001.<\/p>\n<p>Em relat\u00f3rio para investidores, os analistas do banco BTG Pactual Antonio Junqueira e Gustavo Gattass afirmam que uma eventual restri\u00e7\u00e3o na oferta de energia afetar\u00e1 o crescimento do PIB neste ano. &#8220;Os riscos [de racionamento] s\u00e3o maiores do que eram antes e a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 delicada&#8221;, escrevem os analistas. Mesmo que n\u00e3o seja necess\u00e1rio recorrer \u00e0 conten\u00e7\u00e3o do consumo, considerada uma medida extrema, os analistas do BTG dizem ser prov\u00e1vel que as t\u00e9rmicas fiquem ligadas por meses seguidos.<\/p>\n<p>Os gastos com a queima de combust\u00edvel para garantir o abastecimento energ\u00e9tico, dizem eles, v\u00e3o neutralizar uma parcela relevante do corte de 15%, aproximadamente, que deveria ser obtido com a redu\u00e7\u00e3o dos encargos setoriais e das tarifas das usinas e linhas de transmiss\u00e3o antigas, cujas concess\u00f5es foram renovadas em dezembro<\/p>\n<p>Dessa forma, em vez de contribuir para uma desacelera\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o, a energia el\u00e9trica pode agrav\u00e1-la. &#8220;Antes de cair, o pre\u00e7o da energia vai subir&#8221;, previu a economista Tereza Fernandez, da MB Associados, em apresenta\u00e7\u00e3o promovida na semana passada pela Fenabrave, entidade que re\u00fane as concession\u00e1rias de ve\u00edculos. Segundo ela, aumentos nos pre\u00e7os de combust\u00edveis, carros, alimentos e passagens a\u00e9reas tamb\u00e9m podem distanciar a infla\u00e7\u00e3o do centro da meta a ser perseguida pelo Banco Central.<\/p>\n<p>&#8220;Quanto mais crescer o PIB, mais altos ser\u00e3o os riscos [de racionamento] e mais cara ficar\u00e1 a energia em 2013&#8221;, escreveram os analistas do BTG.<\/p>\n<p>O Operador Nacional do Sistema El\u00e9trico (ONS) elevou na sexta-feira o custo marginal de opera\u00e7\u00e3o (CMO) do setor de R$ 341 para R$ 554,95 por MWh na regi\u00e3o Sudeste para a pr\u00f3xima semana. Isso fez com que o Pre\u00e7o de Liquida\u00e7\u00e3o das Diferen\u00e7as (PLD), ou o valor da energia no mercado dispon\u00edvel, tamb\u00e9m disparasse para R$ 554,82 por MWh no Sul e Sudeste, acumulando na semana um alta de 62%.<\/p>\n<p>&#8220;Este \u00e9 certamente um indicador de crise [de abastecimento]&#8221;, afirmou Paulo Mayon, da comercializadora de energia Compass. Segundo ele, em janeiro 2008, o pa\u00eds enfrentava problemas com fornecimento de g\u00e1s natural da Bol\u00edvia, que n\u00e3o ocorrem neste momento.<\/p>\n<p>Em compensa\u00e7\u00e3o, o consumo de energia el\u00e9trica pelas resid\u00eancias e pelo setor de servi\u00e7os cresceu significativamente. H\u00e1 ainda outros dois agravantes, diz Mayon. Os reservat\u00f3rios na regi\u00e3o Sudeste est\u00e3o s\u00f3 29% cheios, enquanto, em 2008, esse percentual era de 46%. Neste ano, n\u00e3o h\u00e1 ainda a ocorr\u00eancia de um padr\u00e3o clim\u00e1tico definido &#8211; La Ni\u00f1a ou El Ni\u00f1o -, o que aumenta as incertezas em rela\u00e7\u00e3o ao comportamento das chuvas.<\/p>\n<p>O Brasil, afirma Mayon, poder\u00e1 recorrer a alguns planos alternativos para garantir uma maior oferta, entre eles buscar energia da Argentina, com a qual j\u00e1 h\u00e1 um interc\u00e2mbio, e da Venezuela, pa\u00eds com o qual foi feita uma conex\u00e3o por Manaus e Boa Vista, mas que nunca foi utilizada at\u00e9 o momento. &#8220;S\u00e3o &#8220;cavalarias&#8221; que podem ser chamadas para salvar a situa\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Pesquisa mostra que 21% das empresas globais pretende investir no Brasil<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O Brasil vai permanecer como importante foco de atra\u00e7\u00e3o para o investimento estrangeiro nos pr\u00f3ximos 12 meses. Pelo menos 21% das companhias globais planejam investir em diferentes \u00e1reas da economia brasileira. Os mais interessados em ampliar a presen\u00e7a no pa\u00eds s\u00e3o os espanh\u00f3is, os americanos e os argentinos, segundo o Relat\u00f3rio Internacional de Neg\u00f3cios 2012 (IBR, na sigla em ingl\u00eas), divulgado pela empresa global de consultoria Grant Thornton.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio mostra que os pa\u00edses emergentes continuam no topo da lista de prefer\u00eancias dos grandes conglomerados internacionais na hora de elaborar a estrat\u00e9gia de investimentos. Com os problemas econ\u00f4micos enfrentados pela Europa, Estados Unidos e Jap\u00e3o, os emergentes, mesmo n\u00e3o deixando de sofrer o impacto da crise nos pa\u00edses desenvolvidos, ainda aparecem como melhor alternativa.<\/p>\n<p>De acordo com as empresas ouvidas pela pesquisa feita entre mar\u00e7o e setembro do ano passado &#8211; mais de 6 mil de todos os setores industriais &#8211; 57% planejam investir em pelo menos um das cinco principais economias emergentes (China \u00cdndia, Brasil, R\u00fassia e M\u00e9xico).<\/p>\n<p>A China, sozinha, ser\u00e1 o destino de recursos de 31% das empresas. No conjunto da Europa Ocidental, s\u00e3o 38% os interessados. Nos Estados Unidos e no Canad\u00e1, combinados, 33%.<\/p>\n<p>Paulo Sergio Dortas, s\u00f3cio-diretor da Grant Thornton do Brasil, onde foram entrevistados cerca de 300 empres\u00e1rios, &#8220;o atual n\u00edvel de interesse dos investidores no Brasil \u00e9 um dado positivo, mas a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser considerada confort\u00e1vel, por causa do baixo crescimento do PIB no terceiro trimestre das proje\u00e7\u00f5es de infla\u00e7\u00e3o em alta&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo Dortas, chama aten\u00e7\u00e3o a &#8220;forte concorr\u00eancia&#8221; que o Brasil come\u00e7a a sofrer, como ponto de atra\u00e7\u00e3o de investimentos, de outros pa\u00edses latino-americanos, como M\u00e9xico, Peru e Chile, que, segundo ele, apresentam atualmente uma economia mais equilibrada.<\/p>\n<p>&#8220;Dependendo da evolu\u00e7\u00e3o dos indicadores econ\u00f4micos brasileiros nos pr\u00f3ximos meses, poderemos ver altera\u00e7\u00f5es nas inten\u00e7\u00f5es de investimento das empresas globais nos pr\u00f3ximos estudos&#8221;, prev\u00ea Dortas.<\/p>\n<p>Na pesquisa, o Brasil se destacou como polo de inten\u00e7\u00f5es de amplia\u00e7\u00e3o de investimentos devido \u00e0s obras de infraestrutura, em fun\u00e7\u00e3o da Copa do Mundo de futebol, em 2014, e dos Jogos Ol\u00edmpicos do Rio, em 2016, da explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na camada do pr\u00e9-sal e do crescimento da capacidade de consumo da nova classe m\u00e9dia brasileira. &#8220;S\u00e3o os setores que podem se beneficiar desses tr\u00eas fatores os mais interessados em investir no pa\u00eds no pr\u00f3ximo per\u00edodo&#8221;, diz o diretor da Grant Thorton.<\/p>\n<p>Se as empresas, em n\u00edvel global, apostam na estrat\u00e9gia de levar seus investimentos para os emergentes no futuro pr\u00f3ximo, a confian\u00e7a demonstrada internamente pelos empres\u00e1rios desses pa\u00edses no pr\u00f3prio neg\u00f3cio se mostra ainda mais forte. Segundo o relat\u00f3rio, 34% das empresas das principais economias emergentes (Brasil, China, \u00cdndia, R\u00fassia e M\u00e9xico) se mostram otimistas em rela\u00e7\u00e3o aos neg\u00f3cios nos pr\u00f3ximos 12 meses, enquanto nos pa\u00edses definidos como &#8220;maduros&#8221; (Fran\u00e7a, Alemanha, Jap\u00e3o, Reino Unido e Estados Unidos), apenas 3% demonstram a mesma confian\u00e7a.<\/p>\n<p>Nos pa\u00edses emergentes, 79% das empresas projetam faturar mais nos pr\u00f3ximos 12 meses e 68% acreditam que os lucros tamb\u00e9m ser\u00e3o maiores. Esses n\u00fameros s\u00e3o bem mais modestos entre os empres\u00e1rios &#8220;maduros&#8221;: 35% e 19%, respectivamente. O que ajuda a explicar por que, na lista dos dez pa\u00edses mais otimistas, de acordo com o relat\u00f3rio da Grant Thorton, oito sejam emergentes, entre eles o Peru (91% das empresas projetam resultados melhores no pr\u00f3ximo per\u00edodo), Chile e M\u00e9xico (78% nos dois pa\u00edses), \u00cdndia (68%) e Brasil (66%).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m como parte do relat\u00f3rio global, a consultoria divulgou o \u00cdndice de Oportunidades nos Mercados Emergentes, ranking das 27 maiores economias emergentes, de acordo com o potencial de atra\u00e7\u00e3o de investimentos. O ranking leva em considera\u00e7\u00e3o indicadores como tamanho da economia, popula\u00e7\u00e3o, riqueza, envolvimento no com\u00e9rcio global, perspectivas de crescimento e n\u00edveis de desenvolvimento.<\/p>\n<p>No \u00edndice, a China permanece na lideran\u00e7a, devidos \u00e0s taxas de crescimento e ao grande mercado consumidor. A \u00cdndia, que aparece em segundo, se beneficia das proje\u00e7\u00f5es de forte crescimento no m\u00e9dio prazo, al\u00e9m de, assim como a China, contar com grande popula\u00e7\u00e3o, potencial mercado para o futuro. A R\u00fassia aparece em terceiro lugar, destacando-se pelo elevado PIB per capita e pelas exporta\u00e7\u00f5es, principalmente de commodities.<\/p>\n<p>O Brasil subiu uma posi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao \u00edndice de 2010, passando o M\u00e9xico e assumindo a quarta posi\u00e7\u00e3o, gra\u00e7as ao forte crescimento do PIB registrado em 2010 e 2011. Turquia e Indon\u00e9sia, completam a rela\u00e7\u00e3o dos sete primeiros, que segundo informa a pesquisa, dever\u00e3o responder por 45% do crescimento global nos pr\u00f3ximos cinco anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Estado de S. 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