{"id":4145,"date":"2013-01-09T00:09:34","date_gmt":"2013-01-09T00:09:34","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4145"},"modified":"2013-01-09T00:09:34","modified_gmt":"2013-01-09T00:09:34","slug":"a-anistia-internacional-e-a-agressao-contra-a-siria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4145","title":{"rendered":"A Anistia Internacional e a agress\u00e3o contra a S\u00edria"},"content":{"rendered":"\n<p>06.Jan.13<\/p>\n<p>A Amnistia Internacional \u00e9 conhecida pelos dois pesos e duas medidas que costuma aplicar de cada vez que se pronuncia e interv\u00e9m sobre a paz e os direitos humanos. O papel que vem desempenhando em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 actual escalada imperialista no M\u00e9dio Oriente, nomeadamente na agress\u00e3o contra a L\u00edbia e na ofensiva contra a S\u00edria \u00e9 um exemplo particularmente chocante dessa duplicidade.<\/p>\n<p>O grande desafio para todas as associa\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias catalogadas sob a denomina\u00e7\u00e3o de ONG\u2019s \u2014 quer dizer Organiza\u00e7\u00f5es N\u00e3o Governamentais \u2014 \u00e9 o de conseguir uma autonomia econ\u00f3mica e financeira que as blinde de modo a garantir uma independ\u00eancia objectiva e soberana no momento em que tenham de posicionar-se como mediador ou entidade auxiliadora num conflito social, numa guerra, numa cat\u00e1strofe natural. Mas em geral nenhuma conta com essa independ\u00eancia ou autonomia financeira. As ONG\u2019s s\u00e3o hoje em dia grandes estruturas, com centenas de empregados, instala\u00e7\u00f5es, e tudo isso tem um pre\u00e7o \u2014 apesar dos que trabalham voluntariamente \u2014 e s\u00f3 podem existir gra\u00e7as \u00e0 indispens\u00e1vel ajuda financeira de certos poderes estatais ou empresariais que compreenderam a grande utilidade que pode ter controlar ou dirigir de certa maneira estes instrumentos humanit\u00e1rios, muitas vezes instrumentalizados.<\/p>\n<p>A Amnistia Internacional, na sua p\u00e1gina web, na sec\u00e7\u00e3o Actua, em Abril de 2012, pedia a colabora\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os e informava j\u00e1 ter recolhido 11.962 assinaturas para supostamente pedir o fim da repress\u00e3o na S\u00edria. Encabe\u00e7ava com o t\u00edtulo: \u00ab\u00bfPor que se cala o mundo perante a situa\u00e7\u00e3o na S\u00edria?\u00bb, mencionando no texto que estavam a fazer press\u00e3o, e pedindo ajuda para faz\u00ea-la, junto de governos como: Brasil, India ou \u00c1frica do Sul, com o objectivo de que \u00abdemonstrem a sua lideran\u00e7a apoiando uma resolu\u00e7\u00e3o firme e juridicamente vinculante que ajude a parar o banho de sangue na S\u00edria\u00bb.<\/p>\n<p>\u00bfA que tipo de resolu\u00e7\u00e3o se refere a Amnistia Internacional? \u00bfA uma como a 1973 aplicada \u00e0 L\u00edbia? \u00bf\u00c0 suposta Responsabilidade para Proteger que conduziu \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o do pa\u00eds l\u00edbio e \u00e0 chegada dos fundamentalistas isl\u00e2micos juntamente com a milhares de assass\u00ednios e viola\u00e7\u00f5es? \u00bfA outro bombardeamento criminoso da OTAN matando milhares de civis?<\/p>\n<p>Estas coisas preocupam. Ainda que a Amnistia Internacional (AI) possa dizer que n\u00e3o aprovava isto tudo, a verdade \u00e9 que aprovou a actua\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas na L\u00edbia e f\u00ea-lo apoiando-se em dados falsos, como vimos no cap\u00edtulo sobre os meios de comunica\u00e7\u00e3o. Kadhafi n\u00e3o bombardeou nem atacou a popula\u00e7\u00e3o civil, n\u00e3o havia motivos para nenhuma interven\u00e7\u00e3o militar. E a AI n\u00e3o deve esquecer que essa Responsabilidade para Proteger elaborada em 2005 n\u00e3o est\u00e1 na Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas, porque \u00e9 um pretexto que pode servir, como valeu na L\u00edbia, para arruinar a um pa\u00eds e conden\u00e1-lo \u00e0 repress\u00e3o e morte realmente exercidas pelos islamitas e \u00e0 explora\u00e7\u00e3o colonial exterior.<\/p>\n<p>Seguindo com esse comunicado vemos que culpabiliza as for\u00e7as de seguran\u00e7a s\u00edrias pelas mortes de civis e que nada diz dos extremistas isl\u00e2micos que t\u00eam entrado no pa\u00eds que, como a AI bem deve saber, est\u00e3o alargando o terror e causando estragos na popula\u00e7\u00e3o civil.<\/p>\n<p>Nada diz igualmente sobre que o facto de j\u00e1 em finais do ano 2011, mais de 2.000 mortos pertencerem \u00e0s pr\u00f3prias for\u00e7as de seguran\u00e7a s\u00edrias, algo que deveria chamar a aten\u00e7\u00e3o. Se houvesse 2.000 soldados israelitas mortos numa luta com os palestinos, \u00bfque sucederia? \u00bfo que n\u00e3o se justificaria para aprovar as ac\u00e7\u00f5es militares de Israel?, o melhor, creio, ser\u00e1 nem sequer fazer a pergunta, porque com apenas dois ou tr\u00eas soldados israelitas mortos se justificam bombardeamentos que matam milhares de civis.<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0s mortes de civis, de acordo com investiga\u00e7\u00f5es levadas a cabo com rigor, os seus principais respons\u00e1veis s\u00e3o as organiza\u00e7\u00f5es islamitas financiadas a partir do exterior, e isto n\u00e3o \u00e9 mencionado no relat\u00f3rio da AI. Outra cosa que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o cita as fontes onde obtiveram essa informa\u00e7\u00e3o e isso \u00e9 necess\u00e1rio. A Amnistia Internacional, como coment\u00e1mos, divulgou informa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o eram fundamentadas, como o caso da mulher, Zeinab al-Hosni, que supostamente havia sido: \u00abdecapitada, mutilada e desmembrada numa pris\u00e3o S\u00edria\u00bb, mas que afinal apareceu viva e de boa sa\u00fade.<\/p>\n<p>\u00bfQue pretende com isto a Amnistia Internacional? \u00bfCulpabilizar por tudo o governo s\u00edrio e calar-se perante outras atrocidades &#8211; inclusivamente maiores &#8211; cometidas pelos fundamentalistas e por quem os apoia? Do mesmo modo e at\u00e9 agora a Amnistia n\u00e3o fundamentou com provas os crimes relativos a civis atribu\u00eddos ao governo.<\/p>\n<p>\u00bfPor que se cala o mundo? ou \u00bfpor que se cala a Amnistia perante certas coisas? \u00bfQuerem criar um clima favor\u00e1vel a uma guerra? Desde logo aquilo que apresenta n\u00e3o corresponde nem de longe \u00e0quilo que se esperaria de uma organiza\u00e7\u00e3o equ\u00e2nime e que realmente procura proteger os direitos humanos e a paz.<\/p>\n<p>A AI j\u00e1 havia mostrado a sua parcialidade, falta de rigor e de \u00e9tica informativa e humanit\u00e1ria em 25 de Outubro de 2011 no seu relat\u00f3rio: \u201cCrise Sanit\u00e1ria\u201d, sobre os hospitais na S\u00edria, no qual referia coisas como que cidad\u00e3os feridos nos protestos \u00abtinham sido agredidos fisicamente nos hospitais do governo pela equipa m\u00e9dica, e em alguns casos lhes tinham sido negados os cuidados m\u00e9dicos, enquanto outros que tinham sido levados para o hospital foram detidos ou tinham simplesmente desaparecido\u00bb. Estas \u00abinforma\u00e7\u00f5es\u00bb foram claramente criticadas pelo professor Franklin Lamb, que para al\u00e9m do mais era membro da Amnistia, porque n\u00e3o eram sustentadas em fontes fi\u00e1veis e verificadas, mas em fontes como Al Jazeera, nas m\u00e3os da ditadura do Qatar, cujo papel e inger\u00eancia descarada na quest\u00e3o S\u00edria \u00e9 obvio dada a sua inimizade face ao governo deste pa\u00eds. Mas o que \u00e9 mais importante e grave \u00e9 que novamente se voltava a acusar sem provas, segundo indica Lamb. Al\u00e9m disso este professor tinha estado recentemente visitando v\u00e1rios hospitais s\u00edrios e comentou com eles o que havia dito a AI, que na verdade n\u00e3o tinha contactado com nenhuma equipa m\u00e9dica e informava que se baseava num testemunho an\u00f3nimo. O pessoal sanit\u00e1rio qualificou as afirma\u00e7\u00f5es da AI como uma \u00abdifama\u00e7\u00e3o gratuita da comunidade m\u00e9dica s\u00edria\u00bb. Franklin Lamb disponibiliza os nomes dos m\u00e9dicos e os locais onde esteve, assim como o contacto por telefone ou por e.mail para falar inclusivamente com os pacientes. Termina o seu artigo referindo:<\/p>\n<p>O facto de que a AI pare\u00e7a ter sido algo pregui\u00e7osa no seu trabalho e continue a dar ampla publicidade \u00e0 sua profundamente err\u00f3nea \u00abinvestiga\u00e7\u00e3o\u00bb \u00e9 de bradar aos c\u00e9us.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m do mais falhou no cumprimento daquele padr\u00e3o de trabalho de investiga\u00e7\u00e3o que todos aqueles que continuamos a apoiar o seu trabalho pelos direitos humanos esperamos.<\/p>\n<p>A AI, em outra das suas campanhas que visam centrar a ira das pessoas em algum indiv\u00edduo demonizado, acusava o governo s\u00edrio de cometer crimes contra a humanidade e de ter morto centenas de mulheres, para al\u00e9m de o responsabilizar por 6.000 mortos, mais uma vez todos por ac\u00e7\u00e3o do governo, sem apresentar provas, nem mencionar os terroristas isl\u00e2micos.<\/p>\n<p>Nesta campanha, para al\u00e9m disso, pedia que se enviassem cartas \u00e0 mulher de Assad a fim de que esta interviesse e parasse esse suposto massacre de mulheres que o seu marido levava a cabo. \u00c9 desnecess\u00e1rio dizer que essa mesma carta e essa mesma campanha podia t\u00ea-la feito enviando-a a Hillary Clinton, respons\u00e1vel directa pelo brutal ataque da OTAN e dos islamitas contra a L\u00edbia, que matou milhares de civis, entre os quais muitas mulheres e crian\u00e7as, e que levou a que muitas mulheres l\u00edbias tenham sido e sejam objecto de viola\u00e7\u00e3o, humilha\u00e7\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o pelos fan\u00e1ticos que controlam agora o pa\u00eds.<\/p>\n<p>A Amnistia Internacional n\u00e3o enviou, como era de esperar, nenhuma carta \u00e0 Sra. Clinton, o que demonstra a sua hipocrisia e falsidade, porque neste caso dispunha efectivamente de provas contundentes, com factos reais e crimes reais, mas aqui n\u00e3o actuou. Se acrescentarmos que como Directora Executiva da AI nos EUA EE.UU. est\u00e1 Suzanne Nossel, assistente de Hillary Clinton e ex assistente de Richard Holbrooke, igualmente famoso tamb\u00e9m pelas suas falsidades na guerra na Jugosl\u00e1via, ent\u00e3o tudo se compreende. E tamb\u00e9m a fun\u00e7\u00e3o e o papel da Amnistia.<\/p>\n<p>Sobre a Sra. Nossel a Rede Voltaire comenta o seguinte:<\/p>\n<p>O conselho de administra\u00e7\u00e3o da Amnesty International USA considerou que o trabalho de Suzanne Nossel nas administra\u00e7\u00f5es dos presidentes Bill Clinton e Barack Obama constitui uma garantia da sua compet\u00eancia, obviando todavia os crimes que ambas administra\u00e7\u00f5es cometeram na Jugosl\u00e1via, Afeganist\u00e3o, Iraque e L\u00edbano, entre outros pa\u00edses. A senhora Nossel desencadeou diversas campanhas contra o Ir\u00e3o, a L\u00edbia e a S\u00edria. Nos \u00faltimos meses destacou-se na campanha de mentiras destinada a intoxicar o Conselho de Direitos Humanos, com sede em Genebra, para conseguir que o Conselho de Seguran\u00e7a da ONU viesse a adoptar uma resolu\u00e7\u00e3o que autorizasse a guerra contra a L\u00edbia. Finalmente as acusa\u00e7\u00f5es da senhora Nossel foram desmentidas.<\/p>\n<p>Sem ir mais longe, a pr\u00f3pria Nossel, \u00e0 cabe\u00e7a da Amnistia Internacional USA, convidou Madeleine Albright e outros funcion\u00e1rios do Departamento de Estado para falar no seu f\u00f3rum de mulheres da OTAN; e n\u00e3o se tratava da primeira vez que a AI aparecia na companhia da secretaria de Estado respons\u00e1vel por dizer que as san\u00e7\u00f5es que provocaram a morte no Iraque de possivelmente mais de um milh\u00e3o de civis, crian\u00e7as na sua maioria, em resultado das san\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas, valiam a pena, que era um pre\u00e7o que valia a pena pagar.<\/p>\n<p>\u00bfN\u00e3o deveria a Amnistia ter levado a Albright e outros como Bush, Chenney ou Blair perante uma Corte Penal Internacional? N\u00e3o, n\u00e3o os levaram, n\u00e3o o consideraram oportuno, mas em contrapartida atiraram-se aos inimigos oficiais da administra\u00e7\u00e3o estado-unidense, fossem ou n\u00e3o culpados de delitos contra os direitos humanos.<\/p>\n<p>Nossel, pouco depois de se converter em Directora executiva, em Janeiro de 2012, moderou uma mesa redonda no Wellesley College, compartilhando a mesa com Albright. Logo ali, nessa mesma mesa, incitou da seguinte forma n\u00e3o \u00e0 paz e ao di\u00e1logo, mas \u00e0 agress\u00e3o militar, tal como foi feito na L\u00edbia, falsificando claramente os factos e acontecimentos na S\u00edria:<\/p>\n<p>\u00abAgora como dirigente da Amnistia Internacional-USA, um ponto de grande frustra\u00e7\u00e3o e consterna\u00e7\u00e3o para as organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos e as organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil durante os \u00faltimos oito ou nove meses foi o fracasso do Conselho de Seguran\u00e7a de la ONU em abordar, de algum modo, as mortes agora de 5.000 civis na S\u00edria por parte do presidente Assad e do seu ex\u00e9rcito.\u00bb<\/p>\n<p>\u00bfDe que fonte? \u00bfa partir de que relat\u00f3rio ou relat\u00f3rios pode a Amnistia dizer com rigor que o governo \u00e9 respons\u00e1vel pela morte de 5.000 civis? \u00bf\u00c9 necess\u00e1rio que recordemos o que dizem os relat\u00f3rios realizados por investigadores, que em cada caso estudado com certo rigor t\u00eam atribu\u00eddo as mortes deliberadas de civis fundamentalmente e principalmente aos fundamentalistas isl\u00e2micos, que na sua grande maioria prov\u00eaem do estrangeiro?<\/p>\n<p>Parece que a Amnistia, \u00e0 conta de repetir incessantemente a mesma coisa, como fazem os meios de comunica\u00e7\u00e3o das corpora\u00e7\u00f5es, quer convert\u00ea-la em evidencia; os factos, todavia, s\u00e3o diferentes. A factura de toda esta falsidade e do jogo pouco limpo desta organiza\u00e7\u00e3o supostamente humanit\u00e1ria h\u00e1-de ser-lhe cobrada no futuro, porque n\u00e3o poder\u00e1 dizer que estava interessada em resolver um conflito, em apostar na paz e nos direitos humanos, mas apenas que o que realmente est\u00e1 a fazer \u00e9 servir o jogo dos interesses do poder, os interesses das corpora\u00e7\u00f5es. A tal ponto \u00e9 assim que a pr\u00f3pria Nossel, nesse discurso, se abalan\u00e7ava a afirmar, numa linguagem b\u00e9lica e impiedosa, aquilo que nem Albright nem o pr\u00f3prio Obama se atreveriam por pudor a dizer em p\u00fablico:<\/p>\n<p>Na primavera passada o Conselho de Seguran\u00e7a conseguiu formar uma maioria para uma ac\u00e7\u00e3o en\u00e9rgica na L\u00edbia e isso foi ao princ\u00edpio muito controvertido, [causando] muitos receios entre os membros do Conselho de Seguran\u00e7a. Mas Kadhafi caiu, houve ali uma transi\u00e7\u00e3o e creio que poder\u00edamos ter pensado que esses receios se teriam apagado. \u00bfComo explicar isto e qual cr\u00eaem que ser\u00e1 o ingrediente que falta para romper com esta retrac\u00e7\u00e3o e conseguir que o Conselho de Seguran\u00e7a esteja \u00e0 altura das suas responsabilidades na S\u00edria?<\/p>\n<p>Coolen Rowley, o analista que comenta este discurso, refere como at\u00e9 a experimentada Albright estava visivelmente surpreendida por essa atitude t\u00e3o directa da directora da Amnistia Internacional e como ela e outros se mostravam c\u00e9pticos acerca do que poderia conseguir-se com um ataque por meio de bombardeamentos como foi feito na L\u00edbia.<\/p>\n<p>Isto \u00e9 triste, que at\u00e9 os mais experimentados respons\u00e1veis por guerras se mostrem mais prudentes e cuidadosos sobre o tema da guerra do que uma suposta organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria. Diz muito sobre a Amnistia e diz muito mal. Os milhares de civis mortos pelo bombardeamento da OTAN e pelos fundamentalistas isl\u00e2micos que invadiram o pa\u00eds convertendo-o numa ruina social e econ\u00f3mica parecem n\u00e3o significar grande coisa para esta organiza\u00e7\u00e3o; chamando a isto ac\u00e7\u00e3o en\u00e9rgica e esquecendo-se das suas desastrosas consequ\u00eancias para os direitos humanos e as vidas de muitas pessoas.<\/p>\n<p>Tony Cartalucci, o perito analista pol\u00edtico estado-unidense, recorda que a Amnistia Internacional recebe financiamento do Open Society Institute de George Soros, para al\u00e9m do Departamento para o Desenvolvimento Internacional da Gr\u00e3 Bretanha e da Uni\u00e3o Europeia. Demasiados interesses e demasiados v\u00ednculos ao mundo do poder e das corpora\u00e7\u00f5es para que se possa esperar justi\u00e7a e equanimidade nas suas actua\u00e7\u00f5es. E de facto o seu comportamento, como estamos vendo, revela-o claramente.<\/p>\n<p>No caso s\u00edrio prosseguiu com sua campanha e as suas acusa\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m, como n\u00e3o podia deixar de ser, contra a R\u00fassia: \u201cR\u00fassia: n\u00e3o mais desculpas, toma posi\u00e7\u00e3o contra o banho de sangue na S\u00edria\u201d, clamava a organiza\u00e7\u00e3o. Quando o que a R\u00fassia fez na realidade foi pedir um di\u00e1logo para solucionar os problemas e, ao contr\u00e1rio de outros pa\u00edses e institui\u00e7\u00f5es, denunciou tamb\u00e9m a viol\u00eancia dos grupos islamitas armados. Mas n\u00e3o quer cair no erro e na loucura que representou a anterior actua\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas na L\u00edbia, que permitiu o criminoso e implac\u00e1vel bombardeamento da OTAN.<\/p>\n<p>A Amnistia tenta perversamente tergiversar \u00e0 volta da viol\u00eancia e do mal-estar claramente fomentado pelo ocidente no interior da S\u00edria como se estes fossem de alguma forma o resultado da recusa da R\u00fassia em capitular perante outra interven\u00e7\u00e3o da OTAN.<\/p>\n<p>Uma interven\u00e7\u00e3o, deve ser dito, que seguramente ir\u00e1 criar uma grande amplia\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, divis\u00f5es \u00e9tnicas e derramamentos de sangue por toda a S\u00edria, para al\u00e9m do saque pelas corpora\u00e7\u00f5es ocidentais desejosas de ocupar o vazio quando o poder nacionalista s\u00edrio seja violentamente eliminado como o foi na L\u00edbia.<\/p>\n<p>A Amnistia n\u00e3o fala do financiamento e apoio exterior aos fundamentalistas que t\u00eam entrado na S\u00edria, alguns dos quais procedentes da L\u00edbia. Nem fala tamb\u00e9m da participa\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de intelig\u00eancia estado-unidenses, brit\u00e2nicos ou inclusivamente israelitas no processo de desestabiliza\u00e7\u00e3o da S\u00edria.<\/p>\n<p>A resposta \u00e0 duplicidade e hipocrisia da Amnistia Internacional quando interroga: \u00ab\u00bfquantas v\u00edtimas mais devem sofrer antes que a R\u00fassia assuma uma postura decisiva contra os crimes contra a humanidade na S\u00edria?\u00bb, pode ser uma pregunta ainda mais contundente:<\/p>\n<p>\u00bfQuantas v\u00edtimas mais devem sofrer antes que o mundo assuma uma postura decisiva contra Wall Street e Londres na sua matan\u00e7a global que se estende da L\u00edbia \u00e0 S\u00edria, ao Ir\u00e3o, a toda a extens\u00e3o do Iraque e \u00e0s montanhas e aldeias do Afeganist\u00e3o?<\/p>\n<p>D\u00e1-me a impress\u00e3o de que a AI n\u00e3o vai fazer campanha contra esta barb\u00e1rie muito maior e cujos respons\u00e1veis est\u00e3o bem \u00e0 vista.<\/p>\n<p>\u00bfA AI defende os direitos humanos ou defende o qu\u00ea? Atacar o fraco e fazer reverencias e favores ao poderoso n\u00e3o \u00e9 pr\u00f3prio de uma organiza\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria, mas antes da vassalagem, inclusivamente com implica\u00e7\u00f5es criminais.<\/p>\n<p><em>FONTE: Mikel Itulain \/ Rede Voltaire, domingo, 9 de Setembro de 2012.<\/em><\/p>\n<p><em><a href=\"http:\/\/miguel-esposiblelapaz.blogspot\/\" target=\"_blank\">http:\/\/miguel-esposiblelapaz.blogspot<\/a><\/em><\/p>\n<p><em>*Investigador independente espanhol. Trabalhando desde um blog, Pamplona-Iru\u00f1a, Navarra, Espanha.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.odiario.info\/?p=2732\" target=\"_blank\">http:\/\/www.odiario.info\/?p=2732<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nODiario.info\n\n\n\n\n\n\n\n\nMikel Itulain* \n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4145\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-4145","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-14R","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4145","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4145"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4145\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4145"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4145"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4145"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}