{"id":4149,"date":"2013-01-09T00:22:46","date_gmt":"2013-01-09T00:22:46","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4149"},"modified":"2013-01-09T00:22:46","modified_gmt":"2013-01-09T00:22:46","slug":"marcha-patriotica-da-colombia-propoe-um-novo-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4149","title":{"rendered":"Marcha Patri\u00f3tica da Col\u00f4mbia prop\u00f5e um novo pa\u00eds"},"content":{"rendered":"\n<p><em>07\/01\/2013<\/em><\/p>\n<p><em>Vivian Virissimo<\/em><\/p>\n<p><em>do Rio de Janeiro (RJ)<\/em><\/p>\n<p>Composta por quase duas mil organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, a Marcha Patri\u00f3tica da Col\u00f4mbia \u00e9 um movimento social e pol\u00edtico que articula camponeses, oper\u00e1rios, associa\u00e7\u00f5es de bairro, feministas e estudantes com uma bandeira comum: a solu\u00e7\u00e3o do conflito armado. A palavra de ordem \u00e9 a paz com justi\u00e7a social e toda a milit\u00e2ncia defende que este impasse n\u00e3o poder\u00e1 ser resolvido apenas entre as For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia (Farc) e o governo Juan Manuel Santos: \u201cO povo colombiano tem que participar do debate\u201d, defende o integrante da Marcha, Sergio Quintero, estudante da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o do curso de Servi\u00e7o Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).<\/p>\n<p>Quintero esclarece que, para o movimento, n\u00e3o basta o silenciamento dos fuzis para a consolida\u00e7\u00e3o da paz. \u201cSe o conflito fosse s\u00f3 de guerra frontal, a solu\u00e7\u00e3o poderia ser negociada apenas entre governo e as Farc. Mas queremos paz com justi\u00e7a social e a garantia de v\u00e1rias condi\u00e7\u00f5es que hoje n\u00e3o temos: emprego, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e moradia. Sem essas condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o temos como falar de paz. A guerra \u00e9 s\u00f3 um elemento do conflito. Foram todas essas contradi\u00e7\u00f5es que causaram a resist\u00eancia armada\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Segundo dados divulgados pelo ministro da Fazenda, Juan Carlos Echeverry, a pobreza afeta 35% da popula\u00e7\u00e3o, o que corresponde a 18 milh\u00f5es de colombianos. De acordo com dados do Sistema de Benef\u00edcios da Previd\u00eancia Social (Sisben), esse n\u00famero seria ainda maior: 30 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cTemos uma avalia\u00e7\u00e3o que os di\u00e1logos s\u00f3 avan\u00e7am se o movimento social influenciar esse processo. Caso contr\u00e1rio, o di\u00e1logo de paz n\u00e3o dar\u00e1 em nada. A insurg\u00eancia e o Estado precisam continuar dialogando, mas queremos garantir a nossa participa\u00e7\u00e3o. Esta ser\u00e1 uma boa oportunidade para botar fim ao conflito, mas temos a certeza que n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil e nem temos previs\u00e3o de quando isso terminar\u00e1\u201d, falou. Esta n\u00e3o \u00e9 a primeira vez que guerrilheiros e governantes sentam para dialogar na Col\u00f4mbia. Desde a d\u00e9cada de 1950, in\u00fameras conversa\u00e7\u00f5es fracassaram e tiveram resultados negativos para os movimentos sociais. \u201cNo momento em que a guerrilha se desmobilizava e j\u00e1 fazia parte da luta legal e democr\u00e1tica, o terrorismo de Estado assassinava as suas principais lideran\u00e7as\u201d, conta Quintero, lembrando o surgimento do partido pol\u00edtico Uni\u00e3o Patri\u00f3tica nos anos 1980 que teve entre 3 e 5 mil militantes assassinados, conforme pesquisador Ivan Cepeda, autor do livro\u00a0<em>Genoc\u00eddio Pol\u00edtico<\/em>.<\/p>\n<p>A mobiliza\u00e7\u00e3o popular foi muito intensa nos anos 1960 e 1970, mas em fun\u00e7\u00e3o do militarismo, da expans\u00e3o do narcotr\u00e1fico e do aumento da repress\u00e3o esses movimentos recuaram nos anos 1980. Neste per\u00edodo, houve um refluxo e cada grupo social se isolou com suas bandeiras. Mas desde a funda\u00e7\u00e3o formal da Marcha em abril o cen\u00e1rio est\u00e1 muito distinto. O movimento vem se fortalecendo desde 2010 com uma convocat\u00f3ria de organiza\u00e7\u00f5es com tradi\u00e7\u00e3o de luta, cuja articula\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 sendo constru\u00edda desde 2005, per\u00edodo em que a viol\u00eancia recrudesceu na gest\u00e3o de \u00c1lvaro Uribe.<\/p>\n<p>Agora, as diferentes organiza\u00e7\u00f5es compartilham uma plataforma com 13 pontos fundamentais que abrangem a necessidade de melhorar as condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, sociais e econ\u00f4micas do pa\u00eds. \u201cO principal ponto da plataforma \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o do conflito armado. Todos concordam e est\u00e3o trabalhando em unidade. Os movimentos isolados tinham uma luta muito particular e individualizada e agora est\u00e3o propondo um novo pa\u00eds\u201d, completou Quintero. A frente \u00e9 constitu\u00edda principalmente por camponeses e moradores das periferias, mas senadores e deputados fazem parte da marcha, que tamb\u00e9m conta com a participa\u00e7\u00e3o do Partido Comunista.<\/p>\n<p>Para Quintero, a constitui\u00e7\u00e3o da mesa de di\u00e1logo entre as duas partes j\u00e1 pode ser considerada uma vit\u00f3ria do movimento, por\u00e9m n\u00e3o \u00e9 sufi ciente. Al\u00e9m de reivindicar a participa\u00e7\u00e3o popular no processo, a Marcha Patri\u00f3tica tamb\u00e9m reconhece a necessidade de inclus\u00e3o de outras guerrilhas, como \u00e9 o caso da segunda principal, o Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (ELN). \u201cInicialmente, o governo rejeitava sentar na mesa para abrir di\u00e1logo de paz com qualquer guerrilha. Agora, o Estado se recusa a iniciar discuss\u00e3o com o movimento. Por isso vamos demonstrar toda nossa for\u00e7a para alterar essa conjuntura\u201d, avalia.<\/p>\n<p><strong>Contexto de inger\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Terceiro pa\u00eds que mais recebe ajuda financeira dos EUA, as for\u00e7as militares da Col\u00f4mbia desempenham um papel fundamental na geopol\u00edtica de interven\u00e7\u00e3o estadunidense no continente. Nas gest\u00f5es de \u00c1lvaro Uribe e Juan Manuel Santos, o Ex\u00e9rcito colombiano se tornou o maior da Am\u00e9rica Latina e acordos para instala\u00e7\u00e3o de bases militares no pa\u00eds foram selados, colocando em risco n\u00e3o s\u00f3 a soberania do pa\u00eds, como de todo continente. \u201c\u00c9 quase um pa\u00eds de joelhos para os Estados Unidos\u201d, critica Quintero.<\/p>\n<p>Uma das an\u00e1lises do movimento \u00e9 que o governo Santos entra na mesa de di\u00e1logo para garantir facilidades para o capital estrangeiro que extrai min\u00e9rios no pa\u00eds, com predom\u00ednio de empresas estadunidenses. Pelo mapa, algumas regi\u00f5es controladas pela guerrilhas s\u00e3o ricas em recursos minerais, sobretudo ouro. A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 que, por um lado, as multinacionais dos EUA podem sair beneficiadas com a desmobiliza\u00e7\u00e3o da guerrilha ao ampliar a possibilidade de extra\u00e7\u00e3o de min\u00e9rios. Por outro lado, setores da ind\u00fastria b\u00e9lica ser\u00e3o fortemente afetados com o t\u00e9rmino da guerra, gerando impacto na venda de armas e manuten\u00e7\u00e3o dos conv\u00eanios militares.<\/p>\n<p>\u201cTemos essa dupla condi\u00e7\u00e3o e ainda n\u00e3o sabemos como esse assunto ser\u00e1 encaminhado. Temos claro que, como tem acontecido historicamente, o governo \u00e9 muito influenciado pelos EUA. O pr\u00f3prio Obama fez uma felicita\u00e7\u00e3o sobre os di\u00e1logos, mas n\u00e3o somos inocentes e sabemos que por tr\u00e1s disso podem estar planejando alguma coisa. Por enquanto, identificamos essa condi\u00e7\u00e3o de libera\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rio para extra\u00e7\u00e3o mineral\u201d, contextualiza.<\/p>\n<p>Nesse sentido, Quintero destacou que a hist\u00f3rica inger\u00eancia afeta toda a Am\u00e9rica Latina. Essas bases militares do chamado Plano Col\u00f4mbia deixariam as fronteiras de Venezuela, Equador e Bol\u00edvia vulner\u00e1veis, pois concedem o controle da regi\u00e3o andina latino-americana aos Estados Unidos. Ele defende que esse \u00e9 um assunto de interesse de todo o continente e n\u00e3o s\u00f3 da Col\u00f4mbia, pois as bases interferem na soberania de governos progressistas de Hugo Ch\u00e1vez, Rafael Correa e Evo Morales. Os radares fiscalizam e controlam toda a regi\u00e3o do mar do Caribe e parte consider\u00e1vel da Amaz\u00f4nia brasileira.<\/p>\n<p>\u201cComo movimento social temos que denunciar a liga\u00e7\u00e3o dos governos oligarcas da Col\u00f4mbia com os Estados Unidos e resgatar a hist\u00f3ria das \u00faltimas tentativas de di\u00e1logos de paz. Precisamos que todas as organiza\u00e7\u00f5es solid\u00e1rias da Am\u00e9rica Latina possam blindar o processo para que o Estado colombiano n\u00e3o fa\u00e7a o que j\u00e1 fez na hist\u00f3ria\u201d. Segundo dados produzidos pelo Centro de Investiga\u00e7\u00e3o e Educa\u00e7\u00e3o Popular (Cinep), o terrorismo de Estado assassinou, somente entre 1988 e 2004, 14 mil pessoas. De acordo com Quintero, atualmente h\u00e1 7 mil presos pol\u00edticos, sendo 90% lideran\u00e7as, sindicalistas, estudantes camponeses ou ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>\u201cNo c\u00e1rcere n\u00e3o s\u00e3o guerrilheiros, mas a sociedade civil que tem trabalhado para mudar o pa\u00eds\u201d, esclarece. Segundo dados da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), a partir do ano 2002 ao ano de 2004 as deten\u00e7\u00f5es sem ordem judicial foram mais de 6332, muitas feitas de forma massiva. S\u00f3 nos povos ind\u00edgenas o n\u00famero teve um aumento do 315% em compara\u00e7\u00e3o aos anos de 1996 a 2002, quando o total foi de 2869.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.brasildefato.com.br\/node\/11442\" target=\"_blank\">http:\/\/www.brasildefato.com.br\/node\/11442<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nBDF\n\n\n\n\n\n\n\n\nMovimento social articula camponeses e oper\u00e1rios pela solu\u00e7\u00e3o do conflito armado no pa\u00eds\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4149\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-4149","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-14V","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4149","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4149"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4149\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4149"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4149"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4149"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}