{"id":4179,"date":"2013-01-14T19:53:50","date_gmt":"2013-01-14T19:53:50","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4179"},"modified":"2013-01-14T19:53:50","modified_gmt":"2013-01-14T19:53:50","slug":"o-ilusorio-abismo-fiscal-dos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4179","title":{"rendered":"O ilus\u00f3rio abismo fiscal dos EUA"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>A cria\u00e7\u00e3o dos $13 trilh\u00f5es em d\u00edvidas para o salvamento dos bancos n\u00e3o foi acusada de amea\u00e7adora \u00e0 estabilidade econ\u00f4mica. Ela permitiu aos bancos prosseguirem pagando seus sal\u00e1rios exorbitantes, b\u00f4nus e dividendos. Esses pagamentos ajudaram o 1% a receber 93% do rendimento de 2008. O resgate, assim, polarizou a economia, dando ao setor financeiro mais poder sobre o setor produtivo, os consumidores e o governo do que era o caso desde o s\u00e9culo XIX, ap\u00f3s a Guerra de Secess\u00e3o. O artigo \u00e9 de Michael Hudson.<\/strong><\/p>\n<p>Quando em agosto de 1914 teve in\u00edcio a Primeira Guerra Mundial, economistas de ambos os lados do front previram que as hostilidades n\u00e3o poderiam durar mais de seis meses. As guerras tornavam-se caras o bastante para que governos ficassem sem dinheiro rapidamente. Parecia que, se a Alemanha n\u00e3o derrotasse a Fran\u00e7a na primavera, tanto os Aliados quanto os Imp\u00e9rios Centrais ficariam sem salvaguarda e alcan\u00e7ariam o que hoje se chama de abismo fiscal, sendo assim for\u00e7ados a negociar um acordo de paz.<\/p>\n<p>Mas a Grande Guerra estendeu-se por quatro anos. Governos europeus fizeram o que os Estados Unidos haviam feito depois de come\u00e7ada a Guerra Civil em 1861, quando o Tesouro decidiu por imprimir dinheiro. Eles pagaram pela batalha simplesmente imprimindo mais do pr\u00f3prio d\u00f3lar. Suas economias adquiriram firmeza e n\u00e3o houve mais infla\u00e7\u00e3o, o que aconteceria apenas depois de terminada a guerra, como resultado da tentativa alem\u00e3 de pagar pelas repara\u00e7\u00f5es em moeda estrangeira. Foi essa a causa da queda da taxa de c\u00e2mbio, que aumentou o pre\u00e7o da importa\u00e7\u00e3o e dos produtos dom\u00e9sticos. O culpado n\u00e3o foi o gasto com a guerra (muito menos qualquer gasto com programas sociais).<\/p>\n<p>Mas a hist\u00f3ria \u00e9 escrita pelos vencedores. E as \u00faltimas gera\u00e7\u00f5es viram os bancos e o setor financeiro vencendo. Mantendo os 99% de baixo endividados, o 1% de cima atualmente subsidia uma teoria econ\u00f4mica enganadora que persuade eleitores a preferirem pol\u00edticos que beneficiam o setor financeiro em detrimento do setor produtivo e da democracia.<\/p>\n<p>Os lobistas de Wall Street culpam o desemprego e a perda de competividade industrial decorrentes dos gastos p\u00fablicos e do d\u00e9ficit or\u00e7ament\u00e1rio \u2013 principalmente os que envolvem programas sociais. O mito (talvez n\u00f3s devamos cham\u00e1-lo de junk economics) diz que (1) governos n\u00e3o deveriam executar d\u00e9ficits (n\u00e3o por imprimir a pr\u00f3pria moeda, pelo menos) porque (2) a cria\u00e7\u00e3o de dinheiro p\u00fablico e impostos altos aumentam pre\u00e7os. A cura para o mal-estar econ\u00f4mico (que a pr\u00f3pria junk economics causou) \u00e9 diminuir gastos p\u00fablicos e impostos sobre ricos, que se autoproclamam \u201ccriadores de empregos\u201d. Ao requisitarem o excedente or\u00e7ament\u00e1rio, os lobistas dos bancos prometem que a economia ter\u00e1 poder de consumo suficiente para crescer. E, se isso resulta em mais crise, eles insistem que um pouco mais do dinheiro p\u00fablico deve ser usado para pagar as d\u00edvidas do setor privado.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que quando os bancos enchem a economia de d\u00edvidas, faz-se com que menos seja gasto em bens dom\u00e9sticos e servi\u00e7os. Enquanto isso, sobe o pre\u00e7o da moradia (e do custo de vida) com cr\u00e9dito excessivo e termos de empr\u00e9stimo mais folgados. E os lobistas dos bancos pedem defla\u00e7\u00e3o fiscal. O efeito \u00e9 a ainda maior redu\u00e7\u00e3o da demanda ao setor privado, o afundamento do mercado de trabalho e o crescimento do desemprego. Os governos caem em desespero e s\u00e3o advertidos a vender recursos naturais, empresas p\u00fablicas e outros bens. Isso torna o mercado lucrativo para que empr\u00e9stimos banc\u00e1rios financiem a privatiza\u00e7\u00e3o a cr\u00e9dito. Assim se explica o apoio dos lobistas do mercado financeiro ao direito de aumentar pre\u00e7os de necessidades b\u00e1sicas, direito que acaba por criar uma frente pela extra\u00e7\u00e3o de renda. O efeito \u00e9 o enriquecimento do 1% dono do setor financeiro \u00e0s custas do endividamento de indiv\u00edduos, neg\u00f3cios e do pr\u00f3prio governo.<\/p>\n<p>Essa pol\u00edtica foi exposta como destrutiva no final dos anos 1920 quando John Maynard Keynes, Harold Moulton e alguns outros rebateram as afirma\u00e7\u00f5es de Jacques Rueff e Bertil Ohlin. Segundo estes, d\u00edvidas de qualquer magnitude poderiam ser pagas se governos impusessem austeridade suficientemente profunda. Essa \u00e9 a doutrina adotada pelo Fundo Monet\u00e1rio Internacional e pelos neoliberais europeus. O primeiro imp\u00f5e seus princ\u00edpios sobre os caloteiros do Terceiro Mundo desde 1960, os \u00faltimos sobre Irlanda, Gr\u00e9cia, Espanha e Portugal.<\/p>\n<p>Dada a op\u00e7\u00e3o de imprimir dinheiro em vez de aumentar impostos, por que pol\u00edticos s\u00f3 criam novo poder de consumo para bancar guerras? Por que os governos devem taxar aposentadorias, n\u00e3o Wall Street? Por que o governo norte-americano n\u00e3o imprime dinheiro para pagar a Seguran\u00e7a Social e o Medicare assim como criou novas d\u00edvidas em virtude dos $13 trilh\u00f5es (eu voltarei a esta quest\u00e3o mais tarde)?.<\/p>\n<p>A resposta a essas quest\u00f5es tem pouco a ver com mercados ou com teoria monet\u00e1ria. Banqueiros dizem que, se tiverem que pagar mais seguros de dep\u00f3sito para salvar o Tesouro ou o contribuinte, ter\u00e3o que cobrar mais dos clientes, apesar dos correntes recordes lucrativos. Quando se trata de taxar o trabalho, por\u00e9m, eles apoiam outra modalidade fiscal.<\/p>\n<p>Colocar as taxas sobre os ombros dos trabalhadores e da ind\u00fastria \u00e9 alcan\u00e7ado por cortar gastos com o 99%. Essa \u00e9 a raiz das discuss\u00f5es de dezembro de 2012 sobre se se deve ou n\u00e3o impor as pol\u00edticas anti-d\u00e9ficit propostas pela comiss\u00e3o Bowles-Simpson, nomeada pelo presidente Obama em 2010. Derramando l\u00e1grimas de crocodilo em raz\u00e3o da incapacidade do governo em equilibrar o or\u00e7amento, os bancos insistem que 15,3% do imposto que financia a Medicare e a Seguran\u00e7a Social seja estorvado \u2013 como se isso n\u00e3o aumentasse o custo de vida e diminu\u00edsse o poder de compra dos consumidores. Empregadores e sua for\u00e7a de trabalho s\u00e3o advertidos a guardar dinheiro para a Seguran\u00e7a Social ou outros programas p\u00fablicos. Esse \u00e9 um imposto disfar\u00e7ado sobre os 99%, cujos rendimentos s\u00e3o usados para reduzir o d\u00e9ficit or\u00e7ament\u00e1rio para que impostos possam ser cortados do mercado financeiro e do 1%. Parafraseando Leona Helmsley quando disse que \u201cs\u00f3 as pessoinhas pagam impostos\u201d, o mote p\u00f3s-2008 \u00e9 que s\u00f3 os 99% devem perder.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 mais necess\u00e1rio guardar dinheiro para a Seguran\u00e7a Social do que \u00e9 para financiar a guerra. Vender t\u00edtulos do Tesouro para pagar aposentados tem efeitos monet\u00e1rios e fiscais id\u00eanticos a vender novos valores imobili\u00e1rios. \u00c9 uma charada para transferir a carga tribut\u00e1ria para o setor produtivo. Governos precisam prover a economia com dinheiro e cr\u00e9dito para expandir mercados e empregos. E eles o fazem por executar d\u00e9ficits or\u00e7ament\u00e1rios, o que tamb\u00e9m pode ser feito por criar dinheiro. A isso \u00e9 que bancos op\u00f5em-se, dizendo que tal medida conduz a economia mais \u00e0 hiperinfla\u00e7\u00e3o do que ao crescimento.<\/p>\n<p>A l\u00f3gica por tr\u00e1s dessa acusa\u00e7\u00e3o err\u00f4nea n\u00e3o s\u00e3o sen\u00e3o os interesses dos pr\u00f3prios banqueiros. Banqueiros sempre lutaram para impedir que o governo criasse seu pr\u00f3prio dinheiro \u2013 ao menos em tempos de paz. Por muitos s\u00e9culos, t\u00edtulos do governo eram os maiores e mais seguros investimentos para as elites financeiras. Investidores e corretores monopolizavam as finan\u00e7as p\u00fablicas. O mercado de a\u00e7\u00f5es e t\u00edtulos de corpora\u00e7\u00f5es era prenhe de fraudes e dominado por informantes das grandes trustes que Wall Street organizava, al\u00e9m dos corretores brit\u00e2nicos e franceses.<\/p>\n<p>No entanto, havia pouca alternativa para que governos criassem seu pr\u00f3prio dinheiro quando os custos da guerra excediam de longe o volume de economias nacionais ou receitas tribut\u00e1rias dispon\u00edveis. Essa necessidade \u00f3bvia silenciou a costumeira oposi\u00e7\u00e3o montada por banqueiros para limitar a op\u00e7\u00e3o da moeda p\u00fablica, o que mostra que governos podem fazer mais em estado de emerg\u00eancia do que em condi\u00e7\u00f5es normais. E a crise financeira de setembro de 2008 proporcionou uma oportunidade para que os governos norte-americano e europeus criassem novas d\u00edvidas em fun\u00e7\u00e3o do resgate aos bancos, t\u00e3o caro quanto uma guerra. Com efeito, era uma guerra financeira. Os bancos j\u00e1 haviam capturado as ag\u00eancias regulat\u00f3rias para que empreendessem empr\u00e9stimos irrefletidos e uma onda de fraudes e corrup\u00e7\u00e3o n\u00e3o vista desde a d\u00e9cada de 1920.<\/p>\n<p>A primeira vit\u00f3ria dos banqueiros foi incapacitar o Tesouro, a Reserva Federal e a Controladoria da Moeda de regular o setor financeiro. Gigantes de Wall Street t\u00eam poder de veto na nomea\u00e7\u00e3o de administradores dessas ag\u00eancias. Eles usaram esse ponto de apoio para eliminar qualquer candidato que n\u00e3o os favorecesse, preferindo adeptos da desregulamenta\u00e7\u00e3o do naipe de Alan Greenspan e Tim Geithner. Como sentenciou John Kenneth Galbraith, uma pr\u00e9-condi\u00e7\u00e3o para a obten\u00e7\u00e3o de um cargo num banco central \u00e9 vis\u00e3o de t\u00fanel quando se trata de entender que governos podem criar cr\u00e9dito t\u00e3o prontamente quanto bancos. \u00c9 necess\u00e1rio que a lealdade pol\u00edtica do candidato esteja com os bancos.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a ru\u00edna financeira de 2008, bastou alguns comandos de computador para que o governo norte-americano criasse $13 trilh\u00f5es em d\u00edvidas para salvar os bancos de danos pelos temer\u00e1rios empr\u00e9stimos ao mercado imobili\u00e1rio, apostas arbitr\u00e1rias e fraudes descaradas. Os $800 bilh\u00f5es do Programa de Al\u00edvio a Ativos Problem\u00e1ticos (Tarp) mais os $2 trilh\u00f5es da Reserva Federal permitiram aos bancos que continuassem pagando absurdos para executivos e possuidores de t\u00edtulos sem quaisquer obstru\u00e7\u00f5es enquanto o rendimento dos outros 99% da popula\u00e7\u00e3o estadunidense submergia.<\/p>\n<p>Um novo termo, capitalismo-cassino, foi cunhado para descrever a transforma\u00e7\u00e3o pela qual passou o capitalismo financeiro ap\u00f3s a desregulamenta\u00e7\u00e3o dos anos 1980, abridora das porteiras para que bancos fizessem o que governos faziam em tempos de guerra: criar dinheiro e novas d\u00edvidas p\u00fablicas por simplesmente \u201dimprimir\u201d (utilizando teclados de computador, neste caso).<\/p>\n<p>Tomar para as contas p\u00fablicas as falidas ag\u00eancias de hipoteca Fannie Mae e Freddie Mac custou $5.2 trilh\u00f5es, mais de um ter\u00e7o dos $13 bilh\u00f5es usados no resgate. Isso salvou os possuidores de t\u00edtulos de sofrerem perdas em virtude das avalia\u00e7\u00f5es fraudulentas sobre hipotecas com as quais o Countrywide, o Bank of America, o Citibank e outros bancos \u201cgrandes demais para falir\u201d se meteram. Esse enorme crescimento de d\u00edvidas foi produzido sem aumento de impostos. Com efeito, os cortes feitos na administra\u00e7\u00e3o Bush proporcionaram maiores redu\u00e7\u00f5es para os mais ricos, tamb\u00e9m maiores contribuintes da campanha republicana. Privil\u00e9gios fiscais foram oferecidos a bancos. A Reserva Federal apresentou linha livre de cr\u00e9dito (flexibiliza\u00e7\u00e3o quantitativa) para o sistema banc\u00e1rio por somente 0,25% de juros anuais at\u00e9 2011 \u2013 isto \u00e9, um quarto de um por cento, sem questionamento da validade das hipotecas e de seus bens colaterais.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o dos $13 trilh\u00f5es em d\u00edvidas para o salvamento dos bancos n\u00e3o foi acusada de amea\u00e7adora \u00e0 estabilidade econ\u00f4mica. Ela permitiu aos bancos prosseguirem pagando seus sal\u00e1rios exorbitantes, b\u00f4nus e dividendos, al\u00e9m das contrapartes de suas apostas arbitr\u00e1rias. Esses pagamentos ajudaram o 1% a receber 93% do rendimento de 2008. O resgate, assim, polarizou a economia, dando ao setor financeiro mais poder sobre o setor produtivo, os consumidores e o governo do que era o caso desde o s\u00e9culo XIX, ap\u00f3s a Guerra de Secess\u00e3o.<\/p>\n<p>Tudo isso torna a atual guerra financeira parecid\u00edssima com as consequ\u00eancias da Primeira Guerra Mundial. O efeito \u00e9 o empobrecimento dos perdedores, a apropria\u00e7\u00e3o de ativos p\u00fablicos pelos vencedores e a imposi\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas e impostos como nos tempos da cobran\u00e7a de tributos. \u201cA crise financeira tem sido t\u00e3o devastadora economicamente quanto uma guerra mundial e talvez seja um fardo a ser carregado at\u00e9 por nossos netos\u201d, observou recentemente Andrew Haldane, oficial do Banco da Inglaterra. \u201cEm termos de perda de rendimento e produ\u00e7\u00e3o, a crise foi t\u00e3o ruim quanto uma guerra mundial\u201d, disse. O aumento da d\u00edvida p\u00fablica sempre incitou a convoca\u00e7\u00e3o de austeridade econ\u00f4mica. \u201cSeria surpreendente se as pessoas n\u00e3o estivessem se perguntando sobre o que deu errado com as finan\u00e7as\u201d.<\/p>\n<p>Mas, enquanto o setor financeiro estiver vencendo a batalha contra a economia, ele preferir\u00e1 que todo mundo pense que n\u00e3o h\u00e1 alternativas. Tendo tomado para si tanto o dom\u00ednio da economia quanto das pol\u00edticas econ\u00f4micas, o setor financeiro busca manter estudantes, eleitores e a m\u00eddia longe de perguntarem-se o motivo pelo qual a organiza\u00e7\u00e3o deve se dar desta maneira. Uma vez que busquem tal questionamento, as pessoas podem se dar conta de que os sistemas banc\u00e1rio, de seguran\u00e7a social e de financiamento da d\u00edvida p\u00fablica n\u00e3o necessariamente devem organizar-se assim. H\u00e1 melhores alternativas para o atual caminho de austeridade e escravid\u00e3o econ\u00f4micas.<\/p>\n<p><em>*Michael Hudson \u00e9 presidente do Instituto de Estudos de Tend\u00eancias Econ\u00f4micas, um analista financeiro de Wall Street e professor de economia da Universidade de Missouri. Mant\u00e9m um site com escritos sobre finan\u00e7as e o setor imobili\u00e1rio. <\/em><a href=\"http:\/\/michael-hudson.com\/\" target=\"_blank\"><em>http:\/\/michael-hudson.com<\/em><\/a><em>\/<\/em><\/p>\n<p><em>Tradu\u00e7\u00e3o de Andr\u00e9 Cristi<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/templates\/materiaMostrar.cfm?materia_id=21487&amp;boletim_id=1494&amp;componente_id=25393\" target=\"_blank\">http:\/\/www.cartamaior.com.br\/templates\/materiaMostrar.cfm?materia_id=21487<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCM\n\n\n\n\n\n\n\n\nMichael Hudson*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4179\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-4179","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-15p","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4179","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4179"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4179\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4179"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4179"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4179"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}