{"id":4195,"date":"2013-01-17T03:14:21","date_gmt":"2013-01-17T03:14:21","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4195"},"modified":"2013-01-17T03:14:21","modified_gmt":"2013-01-17T03:14:21","slug":"em-dia-de-confraternizacao-israel-invade-vila-palestina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4195","title":{"rendered":"Em dia de confraterniza\u00e7\u00e3o, Israel invade vila palestina"},"content":{"rendered":"\n<p>Bab al-Shams, Palestina ocupada, domingo, 13 de janeiro.<\/p>\n<p><strong>\u00c0s tr\u00eas horas da manh\u00e3 a pol\u00edcia de fronteira chegou. A maioria dormia, mas muitos os viram subir as encostas de todos os lados, um n\u00famero enorme de soldados, calculados em mais de 500 \u2013 quase cinco vezes o n\u00famero de civis da vila, \u00e0quela altura em torno de 120 pessoas. \u201cEles chegaram atacando todo mundo, batendo\u201d, relatou o m\u00e9dico Mustaf\u00e1 Barghouti, secret\u00e1rio-geral do partido Iniciativa Nacional Palestina. O artigo \u00e9 de Baby Siqueira Abr\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>Mais de 100 pessoas de toda a Palestina atenderam ao convite dos fundadores da vila Bab al-Shams e foram visit\u00e1-la. Crian\u00e7as, mulheres, jovens, senhores, idosos encontraram-se em Ramala, de onde partiram os \u00f4nibus para a nova vila. As bandeiras palestinas iam escondidas no porta-malas, para que os soldados dos postos militares de controle, os checkpoints, n\u00e3o descobrissem para onde ia toda aquela gente.<\/p>\n<p>Benjamin Netanyhau, primeiro-ministro israelense, j\u00e1 declarara a vila \u201czona militar fechada\u201d, o que significava que a perman\u00eancia ali n\u00e3o seria tolerada. Israel impedira at\u00e9 mesmo a passagem de autoridades do governo palestino e de Hanin Zoabi, parlamentar israelense de origem palestina. Por isso tanta cautela da parte dos passageiros.<\/p>\n<p>Enquanto os \u00f4nibus venciam a dist\u00e2ncia, Netanyhau e seus assessores tentavam conseguir, com a Suprema Corte, uma decis\u00e3o que anulasse a do dia 11 de janeiro, segundo a qual Bab al-Shams poderia ser mantida na zona E 1 (East 1) por seis dias \u2013 tempo suficiente, estimava o tribunal, para as partes tentarem um acordo.<\/p>\n<p>Netanyhau, por\u00e9m, n\u00e3o queria acordo. Queria desmantelar Bab al-Shams. Um juiz, ent\u00e3o, encontrou um caminho. Torto, \u00e9 verdade, mas em Israel as leis, e a interpreta\u00e7\u00e3o das leis, variam conforme as circunst\u00e2ncias. Ficou decidido que as barracas poderiam permanecer na vila por seis dias, mas n\u00e3o as pessoas \u2013 essas poderiam ser retiradas. Netanyhau acionou a pol\u00edcia de fronteira, considerada truculenta pelos palestinos.<\/p>\n<p>Os \u00f4nibus pararam num determinado ponto da estrada e avisaram aos passageiros que dali eles teriam de seguir a p\u00e9, pelas montanhas. Os caminhos que levavam \u00e0 vila continuavam bloqueados, vigiados pelo ex\u00e9rcito, com checkpoints. Imposs\u00edvel seguir por eles. Acostumados com as encostas de pedra, os palestinos pegaram suas bandeiras, lanches e cobertores e iniciaram a subida, acompanhados de jornalistas. Do plat\u00f4, no topo, os moradores da vila saudavam os rec\u00e9m-chegados, organizados numa fila quase indiana.<\/p>\n<p>No meio da tarde, ao escurecer \u2013 no inverno palestino o dia \u00e9 curto; antes das 16h a noite come\u00e7a a cair \u2013, a vila se esvaziou rapidamente. Os convidados voltaram para casa. Em volta de fogueiras, os fundadores de Bab al-Shams conversavam. Alguns j\u00e1 se recolhiam \u00e0s tendas.<\/p>\n<p>\u00c0s tr\u00eas horas da manh\u00e3 a pol\u00edcia de fronteira chegou. A maioria dormia, mas muitos os viram subir as encostas de todos os lados, um n\u00famero enorme de soldados, calculados em mais de 500 \u2013 quase cinco vezes o n\u00famero de civis da vila, \u00e0quela altura em torno de 120 pessoas. \u201cEles chegaram atacando todo mundo, batendo\u201d, relatou o m\u00e9dico Mustaf\u00e1 Barghouti, secret\u00e1rio-geral do partido Iniciativa Nacional Palestina. Bateram ainda mais quando viram que os palestinos rapidamente formaram uma barreira humana no ch\u00e3o de pedra. Sentados, bra\u00e7os dados, m\u00e3os entrela\u00e7adas, corpo inclinado na fila de tr\u00e1s para proteg\u00ea-la, eles deram trabalho aos policiais.<\/p>\n<p>Com o corpo relaxado para pesar ainda mais, foram retirados um a um e levados, cada qual por quatro ou cinco soldados, encosta abaixo. Algemas, cassetetes, pontap\u00e9s, empurr\u00f5es, socos faziam parte do tratamento dado pelos policiais. V\u00e1rios palestinos e ativistas estrangeiros ficaram feridos; seis deles, os casos mais graves, foram levados ao hospital de Ramala. Um perdeu um dente, outro quase perdeu um olho.<\/p>\n<p>L\u00e1 embaixo, \u00f4nibus montados em carrocerias de caminh\u00f5es largos e compridos aguardavam. Cinegrafistas e fot\u00f3grafos lutavam contra os empurr\u00f5es que recebiam dos soldados e contra a luz forte das lanternas da pol\u00edcia, que cegava a vista, para registrar as cenas. Motoristas j\u00e1 movimentavam os carros de reportagem para seguir os \u00f4nibus dos detidos.<\/p>\n<p>Felizmente n\u00e3o precisaram ir muito longe. No enorme checkpoint de Qalandiya, que separa Ramala e Al Bireh de Jerusal\u00e9m oriental, os ve\u00edculos pararam e os ativistas foram libertados. \u00c0quela hora da madrugada, sem as linhas regulares de \u00f4nibus funcionando, as mais de 100 pessoas tratavam de conseguir carona com os jornalistas ou ligavam para os parentes, pedindo que fossem peg\u00e1-los. A express\u00e3o de todos era de al\u00edvio.<\/p>\n<p>Essam Bakr, Mohamed Khatib e Hamdi Abu-Rahmah, tr\u00eas dos organizadores, avisaram que aquele tipo de a\u00e7\u00e3o vai prosseguir. \u201cVamos continuar com as manifesta\u00e7\u00f5es das sextas-feiras (o dia sagrado do Isl\u00e3, em que ningu\u00e9m trabalha), mas tamb\u00e9m vamos fazer a\u00e7\u00f5es diretas\u201d, explicava Essam aos rep\u00f3rteres. \u201cVamos montar vilas em cada peda\u00e7o do nosso pa\u00eds em que os sionistas decidam construir casas ou pr\u00e9dios.\u201d<\/p>\n<p>\u201cEles n\u00e3o v\u00e3o mais tomar nossas terras, nem acabar com nosso pa\u00eds\u201d, disse Hamdi, fot\u00f3grafo com exposi\u00e7\u00f5es j\u00e1 realizadas em v\u00e1rios pa\u00edses europeus. Ele contou que a a\u00e7\u00e3o levou mais de um m\u00eas para ser organizada e que, com exce\u00e7\u00e3o de alguns respons\u00e1veis por ela, a maioria n\u00e3o sabia direito o que ia acontecer, nem quando, nem onde. \u201cRaz\u00f5es de seguran\u00e7a\u201d, explicou Hamdi, sorrindo por ter usado a mesma frase que os soldados israelenses repetem quando algu\u00e9m quer saber o motivo de suas atitudes. \u201cPara despistar, espalhamos que montar\u00edamos um acampamento em Jeric\u00f3.\u201d<\/p>\n<p>Quando o domingo finalmente clareou, uma movimenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica incomum tomou conta de Ramala. Na sede da Organiza\u00e7\u00e3o para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina (OLP), a Dra. Hanan Ashrawi, do Comit\u00ea Executivo da OLP, reuniu a m\u00eddia para avisar que se encontrara com representantes da Uni\u00e3o Europeia baseados na Cisjord\u00e2nia e em Gaza, e da ag\u00eancia da ONU para os refugiados, para pedir-lhes que pressionem Israel no sentido do t\u00e9rmino imediato da ocupa\u00e7\u00e3o militar da Palestina \u2013 tamb\u00e9m ilegal e n\u00e3o reconhecida pela ONU. \u201cEles precisam impedir as atividades ilegais de Israel na Palestina antes que seja tarde demais\u201d, disse ela, acrescentando que a express\u00e3o \u201ctarde demais\u201d se referia \u00e0 impossibilidade da solu\u00e7\u00e3o de dois Estados.<\/p>\n<p>Wassel Abu Yusef, tamb\u00e9m da Executiva da OLP, explicou por que a solicita\u00e7\u00e3o era dirigida principalmente \u00e0 Uni\u00e3o Europeia: \u201cA EU sempre teve papel destacado no processo de paz. Eles t\u00eam como deter os crimes de Israel e obrigar seu governo a cumprir as leis\u201d.<\/p>\n<p>Jihad Haib, analista pol\u00edtico, foi mais direto: \u201cA Uni\u00e3o Europeia tem acordos de coopera\u00e7\u00e3o com Israel em v\u00e1rios campos. Se endossar a campanha do boicote, desfazendo os acordos, e come\u00e7ar a impor san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, Netanyhau ser\u00e1 obrigado a tirar seu ex\u00e9rcito da Palestina e a nos respeitar\u201d.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no domingo, entidades de direitos humanos palestinas e internacionais lan\u00e7aram uma campanha para pedir o fim imediato da ocupa\u00e7\u00e3o sionista da Palestina.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nBDF\n\n\n\n\n\n\n\n\nBaby Siqueira Abr\u00e3o\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4195\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[78],"tags":[],"class_list":["post-4195","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c91-solidariedade-a-palestina"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-15F","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4195","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4195"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4195\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4195"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4195"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4195"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}