{"id":4196,"date":"2013-01-17T03:17:43","date_gmt":"2013-01-17T03:17:43","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4196"},"modified":"2013-01-17T03:17:43","modified_gmt":"2013-01-17T03:17:43","slug":"os-destinos-da-colombia-e-da-venezuela-se-cruzam-em-havana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4196","title":{"rendered":"Os destinos da Col\u00f4mbia e da Venezuela se cruzam em Havana"},"content":{"rendered":"\n<p>N\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0coincid\u00eancia que dois entre os mais importantes acontecimentos da Am\u00e9rica Latina nos \u00faltimos anos estejam se desenvolvendo numa mesma pequena ilha do Caribe, com uma popula\u00e7\u00e3o menor que de muitas cidades do continente.<\/p>\n<p>Cuba \u00e9\u00a0a capital mundial da solidariedade internacional, que tem sido um caminho de m\u00e3o dupla, nesses 54 anos da Revolu\u00e7\u00e3o Socialista. Os povos amigos protegem-na de inimigos poderosos, que n\u00e3o perdoam sua rebeldia e gostariam de acabar com este exemplo teimoso e irreverente. O internacionalismo \u00e9 uma das principais marcas da g\u00eanese da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana.<\/p>\n<p>Hugo Ch\u00e1vez escolheu Cuba para tratar de sua grave enfermidade n\u00e3o apenas pela excel\u00eancia de sua medicina, que se desenvolveu em fun\u00e7\u00e3o do compromisso da revolu\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade do povo.<\/p>\n<p>Ch\u00e1vez escolheu Cuba por sua confian\u00e7a no povo, no partido e na lideran\u00e7a cubana. \u00c9 tamb\u00e9m um gesto que valoriza Cuba aos olhos do mundo e estreita as rela\u00e7\u00f5es fraternas entre venezuelanos e cubanos, seja qual for o desfecho da luta pela vida dos Comandantes Fidel Castro e Hugo Ch\u00e1vez.<\/p>\n<p>Como os dois n\u00e3o s\u00e3o fisicamente imortais, n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0\u201cpecado\u201d refletirmos sobre cen\u00e1rios, apesar de nossas esperan\u00e7as de que ambos vivam tanto quanto Oscar Niemeyer!<\/p>\n<p>A eventual aus\u00eancia de Hugo Ch\u00e1vez \u00e9 mais complexa que a de Fidel Castro, porque em Cuba a constru\u00e7\u00e3o do socialismo tem ra\u00edzes s\u00f3lidas, ao passo que na Venezuela a luta de classes est\u00e1 num momento decisivo, em que ou a atual revolu\u00e7\u00e3o nacional e democr\u00e1tica radicaliza no caminho do socialismo ou corre o risco de sucumbir. A presen\u00e7a f\u00edsica de Ch\u00e1vez tem um significado importante na luta anti-imperialista, na Venezuela, na Am\u00e9rica Latina e em \u00e2mbito mundial, ao passo que a heran\u00e7a de Fidel j\u00e1 \u00e9 uma obra completa a inspirar a unidade e a rebeldia dos explorados. Al\u00e9m do mais, Raul Castro \u00e9 um revolucion\u00e1rio convicto e mais experiente que Nicol\u00e1s Maduro, ainda uma esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Sem deixar de valorizar o sentimento popular pela volta de Ch\u00e1vez, parece-me que a lideran\u00e7a venezuelana no pa\u00eds deveria colocar em relevo a necessidade de refor\u00e7ar a organiza\u00e7\u00e3o e a mobiliza\u00e7\u00e3o das massas, para o que der e vier.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso amadurecer ainda mais a consci\u00eancia dos trabalhadores venezuelanos para que valorizem seus ganhos at\u00e9 agora e para que lutem para n\u00e3o perd\u00ea-los e ampli\u00e1-los, entendendo que a manuten\u00e7\u00e3o do processo de mudan\u00e7as, seu avan\u00e7o e a possibilidade de transitar ao socialismo depender\u00e3o, mais do que nunca, de tomarem o processo em suas m\u00e3os e o radicalizarem, com formas de luta para al\u00e9m dos eventos eleitorais, que no entanto seguir\u00e3o sendo importantes na Venezuela, onde s\u00e3o polarizadas entre campos pol\u00edticos antag\u00f4nicos.<\/p>\n<p>O papel de Ch\u00e1vez, ao sacudir a Am\u00e9rica Latina e provocar uma polariza\u00e7\u00e3o em seu pa\u00eds \u00e9 uma heran\u00e7a indel\u00e9vel. Mas repetindo o que escutei em Caracas do hist\u00f3rico dirigente do Partido Comunista de Venezuela, Jer\u00f4nimo Carrera,\u00a0\u201ca revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o se faria sem Ch\u00e1vez; mas n\u00e3o se far\u00e1 s\u00f3 com Ch\u00e1vez\u201d.<\/p>\n<p>Da mesma forma que o destino da Venezuela est\u00e1 em parte sendo jogado em Havana, n\u00e3o foi \u00e0 toa que aqui tamb\u00e9m se instalou no fim do ano passado a mesa de di\u00e1logos que, a depender de muitos e complexos fatores, pode resultar numa solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para o conflito social e militar colombiano.<\/p>\n<p>Em que outro pa\u00eds a experiente insurg\u00eancia colombiana se sentiria segura para fazer descer das montanhas alguns de seus melhores quadros e coloc\u00e1-los \u00e0 frente do mundo para, de cabe\u00e7a erguida, expor as raz\u00f5es e os objetivos que lhes levaram a pegar e se manter em armas e as condi\u00e7\u00f5es que estabelecem para dep\u00f4-las?<\/p>\n<p>E quem diria que um estado terrorista, principal agente do imperialismo no continente, com seus\u00a0\u201csete punhais apontados para as costas da Am\u00e9rica Latina\u201d, nas palavras de Fidel Castro para se referir \u00e0s bases norte-americanas instaladas na Col\u00f4mbia, aceitaria sentar-se \u00e0 mesa com uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica insurgente e comunista, at\u00e9 poucos dias satanizada como \u201cnarco-terrorista\u201d? Ainda mais sendo anfitri\u00e3o e fiador desse di\u00e1logo um pa\u00eds que se tornou socialista em fun\u00e7\u00e3o do exerc\u00edcio her\u00f3ico do direito de rebeli\u00e3o dos povos! Um pa\u00eds que absurdamente at\u00e9 hoje n\u00e3o foi admitido como Estado membro da OEA \u2013 que exatamente por isso est\u00e1 com os dias contados &#8211; mas tem recebido a solidariedade da esmagadora maioria das na\u00e7\u00f5es que condenam anualmente na ONU o cruel bloqueio que o imperialismo lhe imp\u00f5e.<\/p>\n<p>O fato de os di\u00e1logos para a paz na Col\u00f4mbia serem em Havana desmoraliza este cinquenten\u00e1rio bloqueio. Para coroar o protagonismo de Cuba, a partir de fevereiro a Ilha Rebelde ocupar\u00e1 a Presid\u00eancia\u00a0pro tempore da CELAC, Comunidade dos Estados da Am\u00e9rica Latina e do Caribe, uma esp\u00e9cie de OEA sem os Estados Unidos e o Canad\u00e1.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que o estado colombiano quer a paz n\u00e3o porque seu novo presidente \u00e9 um humanista, pacifista. Santos foi o Ministro de Defesa de Uribe, que comandou o Plano Col\u00f4mbia, a mais poderosa e violenta tentativa de destruir militarmente as guerrilhas. Se isso lhe tivesse sido poss\u00edvel, n\u00e3o tomaria a iniciativa de propor os di\u00e1logos de paz. Os vencedores de uma guerra n\u00e3o procuram di\u00e1logo com os vencidos; imp\u00f5em-lhes a rendi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O fato \u00e9\u00a0que o setor hegem\u00f4nico da oligarquia colombiana, j\u00e1 que n\u00e3o consegue exterminar as guerrilhas e ocupar o territ\u00f3rio que elas dominam, precisa do fim do conflito militar como requisito para melhor expandir seus neg\u00f3cios, ampliando as fronteiras do agroneg\u00f3cio e a explora\u00e7\u00e3o de riquezas minerais. O sil\u00eancio do imperialismo \u00e9 um sinal verde t\u00e1cito aos di\u00e1logos, at\u00e9 porque os projetos da oligarquia local est\u00e3o articulados e subalternos ao grande capital estrangeiro, nomeadamente o norte-americano.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que h\u00e1 uma parte da oligarquia colombiana, mais ligada ao latif\u00fandio, aos paramilitares e ao tr\u00e1fico de armas e drogas, que perde com o fim do conflito militar e por isso boicota os di\u00e1logos. J\u00e1 o imperialismo ganha e pretende n\u00e3o perder com a paz, no caso de continuar vendendo armas para o estado colombiano e de o manter como sua principal base militar na Am\u00e9rica Latina. Ali\u00e1s, juntamente com a quest\u00e3o agr\u00e1ria, o fim do terrorismo de estado, do paramilitarismo e da ocupa\u00e7\u00e3o norte-americana ser\u00e1 um dos temas mais nevr\u00e1lgicos da agenda dos di\u00e1logos.<\/p>\n<p>Mas o povo colombiano n\u00e3o quer a paz pela paz, n\u00e3o quer a paz dos cemit\u00e9rios como aquela dos anos 1980\/90, quando foram cruelmente assassinados milhares de militantes desarmados da Uni\u00e3o Patri\u00f3tica, uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica legal que se formou a partir de um acordo de paz tra\u00eddo pelo estado colombiano.<\/p>\n<p>O povo colombiano quer uma paz democr\u00e1tica com justi\u00e7a social e econ\u00f4mica. Para isso, alguns requisitos s\u00e3o fundamentais. Um deles encontra-se em pleno desenvolvimento: a crescente mobiliza\u00e7\u00e3o e unidade das organiza\u00e7\u00f5es populares no pa\u00eds e seu envolvimento cada vez maior nos debates sobre a pauta dos di\u00e1logos, o que, contra a vontade do governo colombiano, marca a presen\u00e7a popular nas reuni\u00f5es em Havana.<\/p>\n<p>A Marcha Patri\u00f3tica \u00e9 a principal express\u00e3o do ascenso do movimento de massas, reunindo cerca de duas mil organiza\u00e7\u00f5es de trabalhadores da cidade e do campo, de ind\u00edgenas, afrodescendentes, jovens, mulheres e do proletariado em geral. Al\u00e9m da Marcha Patri\u00f3tica, h\u00e1 outros movimentos populares importantes, como o Congresso dos Povos.<\/p>\n<p>Outro requisito indispens\u00e1vel \u00e9\u00a0a solidariedade internacional ao povo colombiano e a todas as suas organiza\u00e7\u00f5es que lutam por uma Col\u00f4mbia justa, democr\u00e1tica e anti-imperialista, independente de suas formas de luta, todas leg\u00edtimas.<\/p>\n<p>O PCB, aqui representado em Havana, reitera sua fidelidade incondicional \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, sua solidariedade ao povo e ao partido cubanos, em sua batalha para o avan\u00e7o do socialismo e na luta contra o bloqueio e pela liberdade dos nossos Cinco Her\u00f3is.<\/p>\n<p>Mas em fun\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia da quest\u00e3o colombiana na Am\u00e9rica Latina, estamos aqui em Havana tamb\u00e9m para registrar nossa solidariedade aos que representam na mesa de di\u00e1logos os interesses dos trabalhadores da cidade e do campo, dos povos ind\u00edgenas e do proletariado desse pa\u00eds, em que o terrorismo do estado burgu\u00eas \u00e9 anterior \u00e0 insurg\u00eancia e a causa de seu surgimento e persist\u00eancia.<\/p>\n<p>Nosso objetivo principal nesses dias aqui em Cuba tem sido procurar contribuir para iniciativas de apoio ao povo colombiano, sobretudo a cria\u00e7\u00e3o de um amplo movimento latino-americano e mundial que influa positivamente para viabilizar uma solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para o conflito social e militar e, mais do que isso, para cobrar e assegurar o cumprimento do que porventura vier a ser acordado entre as partes.<\/p>\n<p>Esta solidariedade n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0uma tarefa apenas para os comunistas e a esquerda em geral. Ela s\u00f3 ter\u00e1 \u00eaxito se lograr ser a mais ampla e unit\u00e1ria poss\u00edvel, incluindo todos as organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais e toda a intelectualidade e individualidades progressistas, humanistas, pacifistas e anti-imperialistas.<\/p>\n<p>Havana, 16 de janeiro de 2013<\/p>\n<p>*Ivan Pinheiro \u00e9 Secret\u00e1rio Geral do PCB<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nelespectador\n\n\n\n\n\n\n\n\nIvan Pinheiro*\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4196\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-4196","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-15G","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4196","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4196"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4196\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4196"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4196"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4196"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}