{"id":42,"date":"2009-12-21T08:28:22","date_gmt":"2009-12-21T08:28:22","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=42"},"modified":"2009-12-21T08:28:22","modified_gmt":"2009-12-21T08:28:22","slug":"qa-europa-vive-um-periodo-de-contra-revolucaoq","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/42","title":{"rendered":"&#8220;A Europa vive um per\u00edodo de contra-revolu\u00e7\u00e3o&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p><em>\u2013 N\u00e3o se pergunta aos amigos por que \u00e9 que nos v\u00eam ver, mas qual o objectivo desta visita a Portugal? <\/em><\/p>\n<p>\u2013 Esta viagem, com a minha mulher e a nossa filha, teve dois eixos de interesse: primeiro, visitar o pa\u00eds, aprofundar o conhecimento da hist\u00f3ria deste povo, orgulhoso enquanto na\u00e7\u00e3o e que reivindica com muita for\u00e7a a a sua hist\u00f3ria; e, depois, como comunista, rever Portugal, porque estive aqui em Julho de 1975, no auge da Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos. Com o 25 de Abril, o 1.\u00ba de Maio de 1974, os cravos nas espingardas dos soldados, quis ent\u00e3o vir perceber melhor a situa\u00e7\u00e3o em Portugal. Eu era na \u00e9poca deputado na Assembleia Nacional de Fran\u00e7a e n\u00f3s, comunistas franceses, t\u00ednhamos toda a simpatia pelo Partido Comunista Portugu\u00eas e pelo movimento dos capit\u00e3es, que foi o &#8220;pivot&#8221; central desse formid\u00e1vel avan\u00e7o para a democracia. Nessa altura tive contactos com militantes do PCP e quis ver de perto a Reforma Agr\u00e1ria, que esteve tamb\u00e9m no centro do movimento de Abril, englobando militares, oper\u00e1rios agr\u00edcolas, camponeses sem terra e intelectuais. Tive a oportunidade, nesse Ver\u00e3o de 75, de assistir a um com\u00edcio em \u00c9vora com \u00c1lvaro Cunhal. Eis, pois, por que raz\u00e3o quis voltar agora a Portugal \u2013 continuo a ter a Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos no cora\u00e7\u00e3o&#8230; <\/p>\n<\/p>\n<p> <em> \u2013 E quais foram as impress\u00f5es da visita? <\/em><\/p>\n<p>\u2013 No momento em que a nossa viagem chega ao fim, estou particularmente encantado. H\u00e1 semelhan\u00e7as entre a hist\u00f3ria do povo de Portugal e a hist\u00f3ria do povo de Fran\u00e7a \u2013 o apego \u00e0 Na\u00e7\u00e3o, o apego aos valores republicanos, aos valores revolucion\u00e1rios, aos valores da paz e da amizade, que surgem agora com mais for\u00e7a. Quero saudar, muito sinceramente, a luta que levam a cabo os trabalhadores, o povo portugu\u00eas, e igualmente a luta do Partido Comunista Portugu\u00eas, que se bate com muita tenacidade contra a liquida\u00e7\u00e3o das conquistas da Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos. N\u00f3s, franceses, conhecemos bem essa realidade, j\u00e1 que temos um governo de uma enorme ferocidade contra os trabalhadores. Encontramo-nos hoje confrontados n\u00e3o s\u00f3 em Fran\u00e7a mas em toda a Uni\u00e3o Europeia com um ressurgir do fascismo, com uma presen\u00e7a insolente dos herdeiros de Hitler e de Mussolini. Assistimos a propostas escandalosas, por exemplo em It\u00e1lia com o governo de Berlusconi, onde h\u00e1 simpatizantes fascistas, e no quadro da Uni\u00e3o Europeia, assistimos a uma campanha de reabilita\u00e7\u00e3o do fascismo e de criminaliza\u00e7\u00e3o do comunismo. N\u00f3s, em Fran\u00e7a, em particular o <a href=\"http:\/\/www.initiative-communiste.fr\/wordpress\/\" target=\"_new\"> P\u00f4le de la Renaissance Communiste<\/a> , promovemos uma campanha muito grande para demonstrar que o comunismo e o nazismo s\u00e3o absolutamente opostos, que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel qualquer compara\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fazer uma am\u00e1lgama. Por exemplo, os comunistas portugueses lutaram contra a mais longa ditadura fascista na Europa, a de Salazar, e dezenas de milhares de comunistas franceses derramaram o seu sangue no combate pela liberdade e para vencer o fascismo. Assim, nestes dias em Portugal, ouvimos, pergunt\u00e1mos, tent\u00e1mos compreender melhor os problemas e vemos o futuro com muita confian\u00e7a. Os comunistas que querem permanecer comunistas, que s\u00e3o revolucion\u00e1rios, devem trabalhar para reconstituir o movimento comunista internacional de modo a que, face \u00e0 barb\u00e1rie do imperialismo, sejamos portadores de uma verdadeira alternativa. O socialismo ou a barb\u00e1rie \u2013 \u00e9 tamb\u00e9m a nossa palavra de ordem. <\/p>\n<\/p>\n<p> <strong> &#8220;Cumpri o meu dever de patriota, de comunista&#8221; <\/strong> <\/p>\n<\/p>\n<p> <em> \u2013 Voltaremos a abordar a actualidade, mas quero agora colocar-lhe algumas quest\u00f5es sobre acontecimentos hist\u00f3ricos em que participou, em Fran\u00e7a, durante a II Guerra Mundial. A sua regi\u00e3o, a Corr\u00e8ze, desempenhou um papel muito importante na Resist\u00eancia \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o alem\u00e3&#8230; Com que idade \u00e9 que entrou na luta dos &#8220;maquisards&#8221;? <\/em> <\/p>\n<p> \u2013 Na Corr\u00e8ze h\u00e1 uma longa hist\u00f3ria de luta pela liberdade. Nessa regi\u00e3o, por exemplo no per\u00edodo da Comuna de Paris [1871], houve ali posi\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias. Os camponeses s\u00e3o propriet\u00e1rios da terra, t\u00eam pequenas explora\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas e havia ali muita simpatia revolucion\u00e1ria que se ampliou quando eles foram trabalhar para os estaleiros de constru\u00e7\u00e3o de caminhos-de-ferro, para as grandes cidades, como Paris, regressando depois \u00e0 prov\u00edncia. Na Corr\u00e8ze houve sempre uma grande representa\u00e7\u00e3o desta for\u00e7a e no per\u00edodo da Frente Popular houve um enorme refor\u00e7o do Partido Comunista. Contrariamente \u00e0 Espanha, com a Frente Popular n\u00e3o estivemos no governo mas logo ap\u00f3s a vit\u00f3ria eleitoral houve uma greve geral dos trabalhadores, apoiada pelo campesinato, greve que alcan\u00e7ou conquistas como f\u00e9rias pagas, 40 horas, aumentos de sal\u00e1rios. O que foi decisivo depois \u2013 porque a Frente Popular n\u00e3o resistiu muito tempo \u00e0 fragilidade dos radicais e do Partido Socialista \u2013 foi a constitui\u00e7\u00e3o nas f\u00e1bricas de poderosas organiza\u00e7\u00f5es comunistas e sindicais. E a Corr\u00e8ze, em seguida, conheceu um per\u00edodo de repress\u00e3o: em 1939 a imprensa comunista foi proibida, militantes foram presos, o PCF foi ilegalizado. Conhecemos uma situa\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria, porque os que nos acusavam de sermos traidores \u00e0 p\u00e1tria foram os que assinaram os Acordos de Munique liquidando a Checoslov\u00e1quia, recusaram a fazer a &#8220;entente&#8221; com a URSS em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Pol\u00f3nia, sacrificaram-na deliberadamente porque sabiam que sem o apoio da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica a Pol\u00f3nia seria esmagada&#8230; Os que nos acusavam tornaram-se a seguir, no essencial, naqueles que tra\u00edram a Rep\u00fablica, tra\u00edram a Fran\u00e7a&#8230; <\/p>\n<\/p>\n<p> <em> \u2013 Foi ent\u00e3o organizada a Resist\u00eancia contra os alem\u00e3es&#8230; <\/em><\/p>\n<p>\u2013 Sim, surgiu na Corr\u00e8ze a resist\u00eancia, que se apoiava no Partido Comunista. Havia, \u00e9 certo, homens e mulheres que seguiam o general De Gaulle, mas foi uma batalha, no fundamental, desde o in\u00edcio, travada pelos comunistas. O meu pai era da Resist\u00eancia e eu aos 15 anos aderi ao Partido Comunista clandestino, aos 16 estava com o pessoal das liga\u00e7\u00f5es e do reabastecimento, num grupo do &#8220;maquis&#8221; gaulista que veio implantar-se na nossa aldeia (sou de origem camponesa, embora o meu pai fosse ferrovi\u00e1rio). O contexto era tal que a mobiliza\u00e7\u00e3o na Corr\u00e8ze foi consider\u00e1vel, atingindo propor\u00e7\u00f5es dificilmente imagin\u00e1veis: tivemos como &#8220;franc-tireurs et partisants&#8221; (FTP), que foram criados pelo Partido Comunista, cerca de 11 mil combatentes \u2013 em 240 mil habitantes! Havia l\u00e1 uma for\u00e7a extraordin\u00e1ria, homens e mulheres que estavam na Resist\u00eancia, de tal ordem que, por exemplo, no per\u00edodo de 1943\/44, os alem\u00e3es estacionados na Corr\u00e8ze, que n\u00e3o era unidades de elite \u2013 estavam nessa altura praticamente todas na frente russa \u2013, diziam da Corr\u00e8ze que era a &#8220;Pequena R\u00fassia&#8221;&#8230; <\/p>\n<\/p>\n<p> <em> \u2013 Foram tempos dif\u00edceis mas, ao mesmo tempo, para os &#8220;maquisards&#8221;, her\u00f3icos&#8230; <\/em><\/p>\n<p> \u2013 Em 1940 havia a pena de morte por actividades comunistas mas os respons\u00e1veis do Partido Comunista tornaram-se os comandantes, os oficiais, os que treinaram esse formid\u00e1vel ex\u00e9rcito popular. Houve a insurrei\u00e7\u00e3o e na Corr\u00e8ze a palavra de ordem de insurrei\u00e7\u00e3o nacional \u2013 que ali\u00e1s n\u00e3o era s\u00f3 dos comunistas, porque havia tamb\u00e9m as for\u00e7as gaulistas \u2013 traduziu-se numa directiva de liquidar os destacamentos militares alem\u00e3es. Era uma palavra de ordem ambiciosa mas que correspondia \u00e0 guerrilha na Corr\u00e8ze \u2013 as unidades de franco-atiradores fustigavam sem cessar os alem\u00e3es, que dificilmente conseguiam movimentar-se no terreno. Em 44, os &#8220;franc-tireurs&#8221; atacaram o quartel alem\u00e3o de Tulle e, depois de dois dias de combate dif\u00edcil, mort\u00edfero, a guarni\u00e7\u00e3o alem\u00e3 foi no essencial aniquilada, tendo os sobreviventes sido tamb\u00e9m liquidados. \u00c9 preciso dizer que neste combate os franco-atiradores foram admir\u00e1veis e que os alem\u00e3es tiveram perdas consider\u00e1veis, foram obrigados a render-se. <\/p>\n<\/p>\n<p> <em> \u2013 E os nazis retaliaram? <\/em><\/p>\n<p> \u2013 No contexto do Maci\u00e7o Central, o estado-maior alem\u00e3o n\u00e3o dispunha de for\u00e7as necess\u00e1rias para manter o controlo da situa\u00e7\u00e3o. Este ataque ao aquartelamento de Tulle fez mudar a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as em favor da Resist\u00eancia e os alem\u00e3es foram for\u00e7ados a recorrer a uma divis\u00e3o SS (a 2.\u00aa Divis\u00e3o Das Reich, que tinha sido derrotada na batalha de Kursk) e a despach\u00e1-la para o departamento da Corr\u00e8ze. Essa divis\u00e3o SS, de grande ferocidade, n\u00e3o tentou combater os &#8220;franc-tireurs&#8221;, porque n\u00e3o estava apta para a luta de guerrilha, e atirou-se \u00e0 popula\u00e7\u00e3o civil, enforcando 99 pessoas em Tulle, deportando centenas de trabalhadores, martirizando um sem n\u00famero de jovens. Chegou-se ao auge do horror, porque n\u00e3o escaparam nem as crian\u00e7as, nem os beb\u00e9s, nem as mulheres \u2013 foi um massacre pavoroso de mais de 600 pessoas. <\/p>\n<\/p>\n<p> <em> \u2013 Que mem\u00f3ria guarda desses momentos hist\u00f3ricos? <\/em><\/p>\n<p> \u2013 \u00c9 uma parte indissoci\u00e1vel da minha vida. No que me diz respeito, entrei na Resist\u00eancia sabendo bem o que ia encontrar \u2013 o meu pai era tamb\u00e9m comunista e resistente. Participei em ac\u00e7\u00f5es de sabotagem, em ac\u00e7\u00f5es ofensivas, cumpri o meu dever de patriota, de comunista. <\/p>\n<\/p>\n<p> <strong> De Gaulle amea\u00e7ou deixar Londres e ir para Moscovo <\/strong> <\/p>\n<\/p>\n<p> <em> \u2013 Ainda sobre II Guerra Mundial, h\u00e1 opini\u00f5es contradit\u00f3rias de historiadores sobre as rela\u00e7\u00f5es entre o general De Gaulle e Roosevelt e Churchill. \u00c9 verdade que, para a Fran\u00e7a do p\u00f3s-guerra, Roosevelt preferia um governo com ex-ministros de P\u00e9tain em vez do general De Gaulle? <\/em> <\/p>\n<p> \u2013 Sim, sim. Em Junho de 1940, depois do ataque da Alemanha nazi, De Gaulle \u2013 um representante da burguesia francesa mas um democrata \u2013 partiu para Londres, de acordo com Churchill. O Partido Comunista lan\u00e7ou um apelo a 10 de Julho de 1940, no dia em que P\u00e9tain assassinou a Rep\u00fablica com as baionetas alem\u00e3s. Esse apelo do PCF dizia que nunca um grande povo como o nosso seria um povo de escravos, e perspectivava, com base na pol\u00edtica de unidade no partido, quais seriam as etapas seguintes. Mais tarde, quando os dirigentes norte-americano e ingl\u00eas, Roosevelt e Churchill, tentaram afastar De Gaulle \u2013 que lhes parecia n\u00e3o estar a jogar o jogo deles \u2013, houve uma aproxima\u00e7\u00e3o entre De Gaulle e o Partido Comunista. Essa aproxima\u00e7\u00e3o foi decisiva para a Resist\u00eancia. Fez-se no momento do desembarque americano e ingl\u00eas na \u00c1frica do Norte, em Novembro de 1942, quando Roosevelt e Churchill afastaram De Gaulle e a Fran\u00e7a combatente, que n\u00e3o foi autorizada a participar na ac\u00e7\u00e3o, e preferiram aliar-se aos generais franceses que continuavam a depender do general P\u00e9tain, do regime de Vichy. Nesse per\u00edodo, De Gaulle teve um apoio capital da posi\u00e7\u00e3o adoptada pela URSS, porque a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica tinha beneficiado da solidariedade do general De Gaulle desde o ataque alem\u00e3o: a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica reconheceu a Fran\u00e7a combatente e negociou com De Gaulle a possibilidade de coopera\u00e7\u00e3o. De Gaulle prop\u00f4s que uma esquadrilha francesa combatesse na frente russa, como os aviadores franceses combatiam na Royal Air Force brit\u00e2nica, e em Novembro de 1942, contornando a batalha de Stalinegrado, pilotos franceses chegaram a uma base pr\u00f3xima de Moscovo e iniciaram a forma\u00e7\u00e3o dessa esquadrilha. Ao mesmo tempo, um encontro entre emiss\u00e1rios do general De Gaulle e a direc\u00e7\u00e3o do Partido Comunista alcan\u00e7ava um acordo. Mais tarde, em 10 de Fevereiro de 1943, De Gaulle escrevia uma not\u00e1vel carta ao comit\u00e9 central do Partido Comunista \u2013 foi o \u00fanico partido ao qual ele se dirigiu desta forma \u2013, em que reconheceu a import\u00e2ncia do Partido Comunista na Resist\u00eancia, na forma\u00e7\u00e3o dos franco-atiradores, e em que fez refer\u00eancia \u00e0 vit\u00f3ria de Stalinegrad, afirmando que &#8220;eu sei que a Fran\u00e7a combatente pode contar com o Partido Comunista Franc\u00eas&#8221;. Este entendimento entre gaulistas e comunistas foi a espinha dorsal do acordo que se conseguiu mais tarde, em Maio, no Conselho Nacional da Resist\u00eancia, depois de Jean Moulin ter unificado a Resist\u00eancia. Isto foi decisivo, pois Roosevelt e Churchill tinham j\u00e1 fixado a data em que iam afastar De Gaulle. Foram ent\u00e3o obrigados a aceitar a ida de De Gaulle a Argel, mas os arquivos mostram que at\u00e9 1944 continuaram a procurar afastar De Gaulle e que em Julho\/Agosto houve uma \u00faltima tentativa de reunir em Paris o antigo parlamento \u2013 com os deputados que votaram por P\u00e9tain em Vichy! \u2013, para designar um governo para a Fran\u00e7a libertada&#8230; <\/p>\n<\/p>\n<p> <em> \u2013 Sabe-se hoje que De Gaulle esteve para mudar-se de Londres para Moscovo&#8230; <\/em><\/p>\n<p> \u2013 O filho do general De Gaulle, o almirante Phillipe De Gaulle, publicou as suas mem\u00f3rias, <a href=\"http:\/\/www.amazon.fr\/gp\/redirect.html?ie=UTF8&#038;location=http%3A%2F%2Fwww.amazon.fr%2FCharles-Gaulle-mon-p%C3%A8re-Entretiens%2Fdp%2F225919754X%3Fie%3DUTF8%26s%3Dbooks%26qid%3D1261175551%26sr%3D8-1-spell&#038;tag=resistirinfo-21&#038;linkCode=ur2&#038;camp=1642&#038;creative=6746\" target=\"_new\"><em>De Gaulle, mon p\u00e8re<\/em><\/a> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.assoc-amazon.fr\/e\/ir?t=resistirinfo-21&#038;l=ur2&#038;o=8\" border=\"0\" width=\"1\" height=\"1\" \/> , e ali conta coisas extraordin\u00e1rias. Diz que quando De Gaulle percebeu a animosidade de Roosevelt e Churchill, pediu ao embaixador da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica em Londres que informasse Stalin de que, se os norte-americanos e ingleses concretizassem as suas inten\u00e7\u00f5es, ele pediria para se instalar na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica! Isto faz parte da nossa Hist\u00f3ria e hoje os governantes franceses, como o Sr. Sarkozy, querem fazer esquecer esse compromisso hist\u00f3rico realizado entre gaulistas e comunistas. E querem apag\u00e1-lo porque a sua pol\u00edtica vai contra tudo o que fez a grandeza de Fran\u00e7a, porque depois da liberta\u00e7\u00e3o houve um governo com ministros comunistas, entre eles Maurice Thorez, que realizaram as maiores transforma\u00e7\u00f5es ao servi\u00e7o dos trabalhadores e da na\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<\/p>\n<p> <strong> &#8220;Stalingrado mudou o destino da II Guerra Mundial&#8221; <\/strong> <\/p>\n<\/p>\n<p> <em> \u2013 Ainda sobre a II Guerra: Hollywood apresenta os norte-americanos como os grandes vencedores da batalha da Normandia. Qual foi o papel da Resist\u00eancia nessa fase da guerra? <\/em><\/p>\n<p> \u2013 Quando o desembarque da Normandia estava em prepara\u00e7\u00e3o, havia uma crescente exig\u00eancia popular nesse sentido, j\u00e1 que os americanos e os ingleses n\u00e3o avan\u00e7avam, estavam atolados na campanha de It\u00e1lia. E os factos apoiavam essa exig\u00eancia: em Stalinegrado o destino da guerra mudou. Stalinegrado foi a vit\u00f3ria da intelig\u00eancia, a vit\u00f3ria da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica que conseguiu produzir nessa altura armamento de uma qualidade extraordin\u00e1ria, como os carros de assalto T-34 e os lan\u00e7a-foguetes m\u00faltiplos &#8220;Katiousha&#8221;. Stalinegrado marcou o ponto de viragem da guerra. Ali\u00e1s, De Gaulle foi \u00e0 Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica em Dezembro de 1944 e deslocou-se a Stalinegrado, onde afirmou: &#8220;Que grande povo!&#8221;. Mais tarde, em 1966, considerou &#8220;decisivo&#8221; o papel da R\u00fassia \u2013 ele n\u00e3o falava da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica&#8230; \u2013 na derrota da Alemanha nazi. Depois da batalha de Moscovo, da batalha de Kursk, o Ex\u00e9rcito Vermelho retomou a iniciativa estrat\u00e9gica e s\u00f3 parou em Berlim em finais de Abril de 1945. E quando Hitler se suicidou, os soldados sovi\u00e9ticos estavam a 80 metros do seu &#8220;bunker&#8221; \u2013 ele n\u00e3o teve outra solu\u00e7\u00e3o para n\u00e3o cair prisioneiro do Ex\u00e9rcito Vermelho. <\/p>\n<\/p>\n<p> <em> \u2013 Voltando ao desembarque anglo-americano da Normandia&#8230; <\/em><\/p>\n<p> \u2013 Os americanos e ingleses prepararam o desembarque, segundo os historiadores e especialistas militares, com a ideia de enganar os nazis, fazendo-lhes crer que o desembarque seria noutra zona, em Dunquerque. Por isso n\u00e3o bombardearam a costa da Normandia para destruir as fortifica\u00e7\u00f5es ali existentes. A batalha foi terr\u00edvel, porque as tropas alem\u00e3s estavam entrincheiradas, armadas com canh\u00f5es e metralhadoras, e dizimaram regimentos ingleses e americanos inteiros. A certa altura, o general americano Bradley achou que era necess\u00e1rio retirar, face \u00e0s elevadas perdas das for\u00e7as atacantes&#8230; O que se seguiu mostrou se n\u00e3o tivesse havido a interven\u00e7\u00e3o da Resist\u00eancia francesa teria sido poss\u00edvel o contra-ataque alem\u00e3o \u2013 Rommel estava de licen\u00e7a em Berlim mas regressou rapidamente ao terreno. As for\u00e7as anglo-americanas lan\u00e7aram nessa altura, de p\u00e1ra-quedas, armas para resist\u00eancia, na Bretanha e na Normandia \u2013 at\u00e9 essa altura, est\u00e1vamos mal armados e pass\u00e1mos a ter ent\u00e3o espingardas, metralhadoras, bazucas, armas para combater. Mais tarde, altos comandos militares americanos reconheceram que sem as ac\u00e7\u00f5es de sabotagem da Resist\u00eancia, na retaguarda das tropas alem\u00e3s, o \u00eaxito do desembarque estaria comprometido. A Resist\u00eancia foi um elemento muito importante, se n\u00e3o decisivo, da liberta\u00e7\u00e3o t\u00e3o r\u00e1pida da Fran\u00e7a. <\/p>\n<\/p>\n<p> <strong> &#8220;A Uni\u00e3o Europeia \u00e9 o inimigo mortal dos povos europeus&#8221; <\/strong> <\/p>\n<\/p>\n<p> <em> \u2013 Finda a II Guerra, foi deputado \u00e0 Assembleia Nacional de Fran\u00e7a em 1956-58 e 1973-78 e ao Parlamento Europeu, entre 1979 e 1989. Que recorda\u00e7\u00f5es tem dessa fase da sua vida pol\u00edtica? <\/em><\/p>\n<p> \u2013 Fui eleito deputado muito jovem, com 29 anos, em 1956, e a minha candidatura foi apresentada pelo Partido Comunista na Corr\u00e8ze, pelos seus militantes, oper\u00e1rios, camponeses, pelos antigos combatentes da Resist\u00eancia. A guerra colonial tinha prosseguido depois do afastamento dos comunistas do governo pelos socialistas, radicais e democratas-crist\u00e3os. Tivemos um grande \u00eaxito eleitoral, elegemos mais de 150 deputados comunistas e na Corr\u00e8ze t\u00ednhamos dois em quatro deputados. (Ali\u00e1s, t\u00ednhamos dois deputados desde 1945: na Corr\u00e8ze, o Partido Comunista obteve, depois da liberta\u00e7\u00e3o, 40 por cento dos votos, era uma for\u00e7a consider\u00e1vel). <\/p>\n<\/p>\n<p> Houve depois a guerra colonial (Indochina, Arg\u00e9lia), o golpe de for\u00e7a dos generais em Argel, a emerg\u00eancia da V Rep\u00fablica, foi um per\u00edodo extremamente dif\u00edcil para o nosso povo, o general De Gaulle chegou ao poder, j\u00e1 n\u00e3o como durante a Resist\u00eancia mas com o apoio da extrema-direita e da direita. Mais tarde, quando voltei \u00e0 Assembleia Nacional, houve um entendimento entre o Partido Comunista e o Partido Socialista com base num programa comum, ali\u00e1s elaborado pelo PCF e discutido com as bases. Hoje, o meu julgamento sobre essa alian\u00e7a, contrariamente \u00e0 da Frente Popular \u2013 quando houve uma unidade das bases e n\u00e3o um acordo de c\u00fapula \u2013 \u00e9 muito cr\u00edtico. Miterrand, cinicamente, abandonou a orienta\u00e7\u00e3o que tinha sido acordada&#8230; Foi tamb\u00e9m um per\u00edodo complicado, de luta e combate. <\/p>\n<\/p>\n<p> <em> \u2013 Quanto ao Parlamento Europeu&#8230; <\/em><\/p>\n<p> \u2013 J\u00e1 no Parlamento Europeu, as coisas foram muito claras desde o in\u00edcio e at\u00e9 ao final dos 10 anos que ali passei: era a Europa do grande capital, a Europa das multinacionais, a Europa onde o combate dos povos devia ter uma for\u00e7a que n\u00e3o existe para travar um per\u00edodo de contra-revolu\u00e7\u00e3o. De contra-revolu\u00e7\u00e3o que prossegue hoje. Esta Europa do grande capital pode conduzir a Europa e o Mundo a um per\u00edodo de aventura, per\u00edodo que come\u00e7ou com a liquida\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses socialistas. Estamos numa fase de atomiza\u00e7\u00e3o dos estados, das na\u00e7\u00f5es, h\u00e1 uma tentativa de reduzir os estados \u2013 vejam-se o Montenegro, o Kosovo, etc. \u2013, de colocar os povos em inferioridade face aos pa\u00edses imperialistas como a Alemanha, a Fran\u00e7a, a Gr\u00e3-Bretanha. E h\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia nas guerras do Iraque e do Afeganist\u00e3o. O Afeganist\u00e3o \u00e9 um verdadeiro barril de p\u00f3lvora, e n\u00e3o s\u00f3 local, porque \u00e9 uma amea\u00e7a contra o Ir\u00e3o, a China, a R\u00fassia \u2013 \u00e9 essa a verdadeira raz\u00e3o de o imperialismo querer ter o Afeganist\u00e3o \u00e0 sua merc\u00ea. Por tudo isto, a Uni\u00e3o Europeia \u00e9 hoje o inimigo mortal dos povos da Europa. E n\u00f3s, no P\u00f4le de la Renaissance Communiste, defendemos a sa\u00edda da Fran\u00e7a da Uni\u00e3o Europeia, para n\u00e3o dar cobertura a estas pol\u00edticas inaceit\u00e1veis. Pode e deve-se fazer a ruptura. Uma ruptura que n\u00e3o significa ruptura de rela\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas e outras, mas que permita a reconquista da independ\u00eancia e da soberania e a negocia\u00e7\u00e3o de vantagens rec\u00edprocas entre os povos.<\/p>\n<p><strong>[*] <a href=\"http:\/\/fr.wikipedia.org\/wiki\/Pierre_Pranch%C3%A8re\" target=\"_new\"> http:\/\/fr.wikipedia.org\/wiki\/Pierre_Pranch\u00e8re<\/a> <\/p>\n<\/p>\n<p> O original encontra-se em <a href=\"http:\/\/www.alentejopopular.pt\/noticias.asp?id=3465\" target=\"_new\"> http:\/\/www.alentejopopular.pt\/noticias.asp?id=3465<\/a> <\/strong> <\/p>\n<\/p>\n<p> <strong> Este artigo encontra-se em <a href=\"http:\/\/www.resistir.info\/franca\/pranchere_18dez09.html\">http:\/\/www.resistir.info\/franca\/pranchere_18dez09.html<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: www.resistir.info\n\n\n\n\npor Pierre Pranch\u00e8re [*] \n entrevistado por Alberto Lopes\nEx-membro do Comit\u00e9 Central do Partido Comunista Franc\u00eas, foi deputado \u00e0 Assembleia Nacional de Fran\u00e7a e ao Parlamento Europeu durante quase duas d\u00e9cadas. De origem camponesa, filho de um ferrovi\u00e1rio, aos 16 anos j\u00e1 lutava na Resist\u00eancia francesa \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o alem\u00e3, durante a II Guerra Mundial. Pierre Pranch\u00e8re, hoje com 82 anos, visitou recentemente Portugal pela segunda vez e veio de novo ao Alentejo \u2013 j\u00e1 aqui tinha estado no Ver\u00e3o de 1975, apaixonado pela Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos. Falou agora ao  Alentejo Popular  da sua participa\u00e7\u00e3o no &#8220;maquis&#8221; na regi\u00e3o da Corr\u00e8ze, de epis\u00f3dios menos conhecidos da II Guerra Mundial, da sua experi\u00eancia como deputado, do fracasso da Uni\u00e3o Europeia e da luta dos comunistas franceses.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/42\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-42","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-G","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}