{"id":4216,"date":"2013-01-22T22:06:35","date_gmt":"2013-01-22T22:06:35","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4216"},"modified":"2013-01-22T22:06:35","modified_gmt":"2013-01-22T22:06:35","slug":"a-guerra-no-mali","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4216","title":{"rendered":"A guerra no Mali"},"content":{"rendered":"\n<div><strong>por R. Teichman<\/strong><\/div>\n<p>O governo franc\u00eas declarou que:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: justify;\">&#8220;enviaria 2500 soldados para apoiar a tropa do governo do Mali no conflito contra rebeldes islamistas. A Fran\u00e7a j\u00e1 deslocou cerca de 750 soldados para o Mali e avi\u00f5es franceses chegaram a Bamako na manh\u00e3 de ter\u00e7a-feira &#8230;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: justify;\">Continuaremos a instala\u00e7\u00e3o de for\u00e7as no terreno e no ar &#8230;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: justify;\">Temos um objectivo. Assegurar que quando deixarmos [o pa\u00eds], quando finalizarmos nossa interven\u00e7\u00e3o, o Mali est\u00e1 seguro, tem autoridades leg\u00edtimas, um processo eleitoral e n\u00e3o h\u00e1 mais terroristas a amea\u00e7ar o seu territ\u00f3rio&#8221;.\u00a0<strong>[1]<\/strong><\/p>\n<p>Assim, esta \u00e9 a narrativa oficial da Fran\u00e7a e daqueles que a apoiam. E naturalmente isto \u00e9 amplamente relatado nos media de refer\u00eancia.<\/p>\n<p>A Fran\u00e7a \u00e9 apoiada por outros membros da NATO. O secret\u00e1rio da Defesa dos EUA, Leon Panetta, confirmouj que os EUA estava a fornecer intelig\u00eancia \u00e0s for\u00e7as francesas no Mali.\u00a0<strong>[2]<\/strong> O Canad\u00e1, a B\u00e9lgica, a Dinamarca e a Alemanha tamb\u00e9m apoiaram publicamente a incurs\u00e3o francesa, prometendo apoio log\u00edstico no esmagamento dos rebeldes.\u00a0<strong>[3]<\/strong><\/p>\n<p>Se acreditarmos nesta narrativa seremos enganados mais uma vez acerca das raz\u00f5es reais. Uma olhadela aos recursos naturais do Mali revela do que realmente se trata.<\/p>\n<p><strong>Recursos naturais do Mali <\/strong><strong>[4]<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ouro: <\/strong>O Mali \u00e9 o terceiro maior produtor da \u00c1frica, com explora\u00e7\u00e3o em grande escala em andamento. O pa\u00eds \u00e9 famoso pelo seu ouro desde os dias do grande Imp\u00e9rio Maliano. Na peregrina\u00e7\u00e3o a Meca do Imperador Kankou Moussa, em 1324, a sua caravana transportava mais de 8 toneladas de ouro! O Mali portanto tem sido um pa\u00eds mineiro durante mais de meio mil\u00e9nio.<\/p>\n<p>Actualmente h\u00e1 sete minas de ouro em opera\u00e7\u00e3o no Mali, as quais incluem: Kalana e Morila no Sul do pa\u00eds, Yatela, Sadiola e Loulo no Ocidente, e minas que recentemente recome\u00e7aram a produzir, nomeadamente Syama e Tabakoto. Projectos de explora\u00e7\u00e3o avan\u00e7ada incluem: Kofi, Kodieran, Gounkoto, Komana, Banankoro, Kobada e Nampala.<\/p>\n<p><strong>Ur\u00e2nio: <\/strong>sinais encorajadores e explora\u00e7\u00e3o em plena actividade. A explora\u00e7\u00e3o est\u00e1 a ser executada por v\u00e1rias companhias com indica\u00e7\u00f5es claras de dep\u00f3sitos de ur\u00e2nio. O potencial de ur\u00e2nio localiza-se na \u00e1rea de Falea, a qual abrange 150 km2 da bacia Falea-Guin\u00e9 do Norte, uma bacia sedimentar neoproterozoica assinalada por anomalias radiom\u00e9tricas significativas. Pensa-se que o potencial de ur\u00e2nio em Falea \u00e9 de 5000 toneladas. O Projecto Kidal, na parte Nordeste do Mali, com uma \u00e1rea de 19.930 km2, abrange uma grande prov\u00edncia geol\u00f3gica cristalina conhecida como L&#8217;Adrar Des Iforas. O ur\u00e2nio potencial no dep\u00f3sito Samit, s\u00f3 na regi\u00e3o de Gao, \u00e9 estimado em 200 toneladas.<\/p>\n<p><strong>Diamantes: <\/strong>O Mali tem potencial para desenvolver sua explora\u00e7\u00e3o de diamantes. Na regi\u00e3o administrativa de Kayes (Regi\u00e3o mineira 1), foram descobertos trinta (30) fil\u00f5es quimberl\u00edticos dos quais oito mostram tra\u00e7os de diamantes. Cerca de oito pequenos diamantes foram encontrados na regi\u00e3o administrativa Sikasso (Sul do Mali).<\/p>\n<p><strong>Pedras preciosas: <\/strong><\/p>\n<p>-C\u00edrculo de Nioro e Bafoulabe: Granadas e minerais magn\u00e9ticos raros<\/p>\n<p>-C\u00edrculo de Bougouni e Bacia Faleme: Pegmatite<\/p>\n<p>-Le Gourma: granadas e corindons<\/p>\n<p>-L&#8217;Adrar des Ilforas: pegmatite e minerais em metamorfose<\/p>\n<p>-Zona Hombori Douentza: quartzo e carbonatos<\/p>\n<p><strong>-Min\u00e9rio de ferro e mangan\u00eas: <\/strong>Recursos significativos mas ainda n\u00e3o explorados. Segundo estimativas o Mali tem mais de 2 milh\u00f5es de toneladas de reservas potenciais de min\u00e9rio de ferro localizadas nas \u00e1reas de Djidian-Kenieba, Diamou e Bale.<\/p>\n<p><strong>-Bauxita: <\/strong>as reservas s\u00e3o estimadas em 1,2 milh\u00e3o de toneladas, localizadas em Kita, Kenieba e Bafing- Makana. Tra\u00e7os de mangan\u00eas foram encontrados em Bafing-Makana, Tondibi e Tassiga.<\/p>\n<p><strong>-Dep\u00f3sitos de rocha calc\u00e1rea: <\/strong>10 milh\u00f5es de toneladas est. (Gangotery), 30 milh\u00f5es est. (Astro) e Bah El Heri (Norte de Goundam) 2,2 milh\u00f5es de toneladas est.<\/p>\n<p><strong>-Cobre: <\/strong>potencailidades em Bafing Makan (Regi\u00e3o Ocidental) e Ouatagouna (Regi\u00e3o Norte)<\/p>\n<p><strong>-M\u00e1rmore: <\/strong>Selinkegny (Bafoulabe) 10,6 MT de reservas estimadas e tra\u00e7os em Madibaya<\/p>\n<p><strong>-Gesso: <\/strong>Taoudenit (35 MT est.), Indice Kereit (Nord de Tessalit) 0,37 MT est.<\/p>\n<p><strong>-Caulim: <\/strong>Potential de reservas estimadas (1MT) localizado em Gao (Regi\u00e3o Norte)<\/p>\n<p><strong>-Fosfato: <\/strong>Reserva localizada em Tamaguilelt, produ\u00e7\u00e3o de 18 mil t\/ano e um potencial estimado de 12 milh\u00f5es de toneladas. H\u00e1 quatro outros dep\u00f3sitos potenciais no Norte, de 10 milh\u00f5es de toneladas.<\/p>\n<p><strong>-Chumbo e zinco: <\/strong>Tessalit na Regi\u00e3o Norte (1,7 MT de reservas estimadas) e tra\u00e7os em Bafing Makana (Regi\u00e3o Ocidental) e Fafa (Norte)<\/p>\n<p><strong>-L\u00edtio: <\/strong>Indica\u00e7\u00f5es em Kayes (Regi\u00e3o Ocidental) e potencial estimado de 4 milh\u00f5es de toneladas em Bougouni (Regi\u00e3o Sul)<\/p>\n<p><strong>-Xisto betuminoso: <\/strong>Potencial estimado em 870 milh\u00f5es de toneladas, indica\u00e7\u00f5es encontradas em Agamor e Almoustrat na Regi\u00e3o Norte.<\/p>\n<p><strong>-Linhita: <\/strong>Potential estimado em 1,3 milh\u00e3o de toneladas, indica\u00e7\u00f5es encontradas em Bourem (Regi\u00e3o Norte)<\/p>\n<p><strong>-Sal gema: <\/strong>Potencial estimado de 53 milh\u00f5es de toneladas em Taoudenni (Regi\u00e3o Nore)<\/p>\n<p><strong>-Diatomite: <\/strong>Potencial estimado de milh\u00f5es de toneladas em Douna Behri (Regi\u00e3o Norte)<\/p>\n<p><strong>O potencial petrol\u00edfero do Mali j\u00e1 atrai interesses significativos de investidores <\/strong><\/p>\n<p>O potencial petrol\u00edfero do Mali tem sido documentado desde a d\u00e9cada de 1970 quando pesquisa s\u00edsmica e perfura\u00e7\u00f5es espor\u00e1dicas revelaram indica\u00e7\u00f5es prov\u00e1veis de \u00f3leo. Com o crescente pre\u00e7o mundial dos recursos de petr\u00f3leo, o Mali avan\u00e7ou a sua promo\u00e7\u00e3o e pesquisa para a explora\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o e potencial exporta\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo. O Mali tamb\u00e9m poderia proporcionar uma rota de transporte estrat\u00e9gica para as exporta\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo e g\u00e1s sub-saarianas para o Ocidente e h\u00e1 a possibilidade de conectar a bacia Taoudeni ao mercado europeu atrav\u00e9s da Arg\u00e9lia.<\/p>\n<p>J\u00e1 come\u00e7aram trabalhos de reinterpreta\u00e7\u00e3o de dados geof\u00edsicos e geol\u00f3gicos efectuados anteriormente, centrando-se em cinco bacias sedimentares no Norte do pa\u00eds incluindo: Taoudeni, Tamesna, Ilumenden, Ditch Nara e Gao.<\/p>\n<p><strong>Isso \u00e9 o que h\u00e1 <\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o importa o que seja dito nos media de refer\u00eancia: o objectivo desta nova guerra n\u00e3o \u00e9 outro sen\u00e3o despojar mais um pa\u00eds dos seus recursos naturais, assegurando o acesso aos mesmos das corpora\u00e7\u00f5es internacionais. O que est\u00e1 a ser feito agora no Mali atrav\u00e9s de bombas e balas est\u00e1 a ser feito \u00e0 Irlanda, Gr\u00e9cia, Portugal e Espanha atrav\u00e9s da escraviza\u00e7\u00e3o pela d\u00edvida.<\/p>\n<p><strong>O povo sofre e morre <\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0<em>Guardian <\/em>informou h\u00e1 dois dias\u00a0<strong>[5]<\/strong> :<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: justify;\">&#8220;O custo humano ainda n\u00e3o foi calculado, mas um comunicado lido na televis\u00e3o do estado s\u00e1bado passado diz que pelo menos 11 malianos foram mortos em Konna.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: justify;\">&#8220;Sory Diakite, o presidente da municipalidade de Konna, afirma que entre os mortos havia crian\u00e7as afogadas depois de se lan\u00e7arem a um rio numa tentativa de escapara \u00e0s bombas.<\/p>\n<p style=\"padding-left: 60px; text-align: justify;\">&#8220;Outros foram mortos nos p\u00e1tios das suas casas, ou fora delas. O povo tentava fugir \u00e0 procura de ref\u00fagio. Alguns afogaram-se no rio. Pelo menos tr\u00eas crian\u00e7as lan\u00e7aram-se ao rio. Tentavam nadar para o outro lado. E tem havido danos significativos da infraestrutura&#8221;, disse o presidente, que fugiu da cidade com a sua fam\u00edlia e agora est\u00e1 em Bamako&#8221;.<\/p>\n<p>Quem sabe qual ser\u00e1 hoje o total de mortes?<\/p>\n<p><strong>Deus ajude o povo de qualquer pa\u00eds com recursos naturais a serem explorados.<\/strong><\/p>\n<div>15\/Janeiro\/2013<\/div>\n<p><strong>Notas: <\/strong><\/p>\n<p>[1] [2] [3]\u00a0<a href=\"http:\/\/rt.com\/news\/france-mali-french-troops-006\/\" target=\"_blank\">http:\/\/rt.com\/news\/france-mali-french-troops-006\/<\/a><\/p>\n<p>[4] Toda a informa\u00e7\u00e3o \u00e9 extra\u00edda de Le Journee Miniere et Petrolieres du Mali (informa\u00e7\u00e3o do governo)\u00a0<a href=\"http:\/\/www.jmpmali.com\/html\/miningandpetroleum.html\" target=\"_blank\">http:\/\/www.jmpmali.com\/html\/miningandpetroleum.html<\/a><\/p>\n<p>[5]\u00a0<a href=\"http:\/\/www.guardian.co.uk\/world\/2013\/jan\/13\/mali-neighbours-troops-french-intervention\" target=\"_blank\">www.guardian.co.uk\/world\/2013\/jan\/13\/mali-neighbours-troops-french-intervention<\/a><\/p>\n<p>Este artigo encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a> .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nGuardian.co.uk\n\n\n\n\n\n\n\n\nO pa\u00eds \u00e9 um Eldorado de ur\u00e2nio, ouro, petr\u00f3leo e minerais estrat\u00e9gicos\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4216\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-4216","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-160","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4216","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4216"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4216\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4216"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4216"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4216"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}