{"id":425,"date":"2010-04-28T14:32:37","date_gmt":"2010-04-28T14:32:37","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=425"},"modified":"2010-04-28T14:32:37","modified_gmt":"2010-04-28T14:32:37","slug":"a-ofensiva-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/425","title":{"rendered":"A Ofensiva Brasileira"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>No dia 6 de Abril do corrente ano, uma delega\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia apresentou em La Paz um plano de desenvolvimento binacional, que abrange a instala\u00e7\u00e3o de um p\u00f3lo g\u00e1s-qu\u00edmico na fronteira, a industrializa\u00e7\u00e3o do l\u00edtio e do pot\u00e1ssio, a constru\u00e7\u00e3o de aeroportos, ferrovias e auto-estradas, bem como projetos de eletrifica\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o em \u00e1reas petrol\u00edferas e pesquisa de plantas tropicais. Semelhante generosidade se deve ao fato que as pot\u00eancias emergentes: Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia e China (BRIC), n\u00e3o tendo fronteiras comuns, est\u00e3o obrigados, de maneira priorit\u00e1ria, a acentuar seu dom\u00ednio em seu entorno geogr\u00e1fico.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>A instala\u00e7\u00e3o do p\u00f3lo g\u00e1s-qu\u00edmico \u00e9 mencionado desde 1972, primeiro ano da assinatura do contrato de venda de g\u00e1s ao Brasil, que come\u00e7ou em 1999. O <em>anzol<\/em> de Lula oculta o interesse da Vale do Rio Doce, a segunda maior mineradora do mundo, transferida aos operadores privados no pa\u00eds vizinho, para impedir que as 100 milh\u00f5es de toneladas de reservas de l\u00edtio e 2.000 milh\u00f5es de toneladas de reservas de pot\u00e1ssio do salar de Uyuni sejam exploradas por companhias norte-americanas, japonesas, russas, chinesas, coreanas ou francesas, sem a participa\u00e7\u00e3o decisiva do Brasil.<\/p>\n<p>A Vale do Rio Doce, privatizada por Fernando Henrique Cardoso, exporta US $ 150 bilh\u00f5es por ano, uma quantidade 30 vezes maior que de todas as exporta\u00e7\u00f5es bolivianas. Lula, por sua vez, consolidou a alian\u00e7a Estado-Burguesia com a concess\u00e3o a madeireiros, fazendeiros de soja industrial e agroindustriais brasileiros de um ter\u00e7o das florestas amaz\u00f4nicas no Brasil. Confirmou a sua capacidade em semanas recentes, ao ser elogiada por Obama e Fidel Castro, Chavez e Uribe, Ir\u00e3 e Israel, assim como quase toda a esquerda latino-americana depois de ter enterrado o Banco do Sul, ao transformar o Brasil em credor do FMI e anunciar a cria\u00e7\u00e3o do Banco de investimentos do BRIC.<\/p>\n<p>A delega\u00e7\u00e3o era chefiada por Marco Aur\u00e9lio Garcia, &#8220;o Maquiavel brasileiro&#8221; (o &#8220;conselheiro do pr\u00edncipe&#8221;). Quatro anos atr\u00e1s, revelou-se sua influ\u00eancia decisiva sobre o governo do MAS para conseguir, atrav\u00e9s de um simples telefonema, que o vice-presidente Alvaro Garcia Linera impedisse uma resolu\u00e7\u00e3o do ministro da Energia, Andr\u00e9s Soliz Rada, que tentou fazer valer o decreto de nacionaliza\u00e7\u00e3o dos hidrocarbonetos nas refinarias controladas pela Petrobr\u00e1s, o que precipitou a sua demiss\u00e3o.<\/p>\n<p>No entanto, Marco Aur\u00e9lio n\u00e3o voltou satisfeito, uma vez que n\u00e3o obteve nenhuma resposta positiva com a velocidade que ele desejava. Aparentemente, a transi\u00e7\u00e3o institucional que ocorre na Bol\u00edvia dificulta encontrar altos funcion\u00e1rios com a capacidade de decis\u00e3o, enquanto Evo Morales est\u00e1 aprisionado entre as suas ofertas com os oper\u00e1rios, com as quais conseguiu sua reelei\u00e7\u00e3o, e as demandas ind\u00edgenas que exigem que ele cumpra a sua proclamada defesa do meio ambiente.<\/p>\n<p>O interesse brasileiro, n\u00e3o s\u00f3 para as causas presentes, mas tamb\u00e9m para o futuro (an\u00fancio de explora\u00e7\u00e3o conjunta de petr\u00f3leo a longo prazo) ocasiona a susceptibilidade daqueles que se lembram dos 38 anos da &#8220;neglig\u00eancia&#8221; ao projeto g\u00e1s-qu\u00edmico, que est\u00e1 associado com a promessa de instala\u00e7\u00e3o de 24 usinas termel\u00e9tricas na Bol\u00edvia como parte do g\u00e1s de San Pablo, agravada pela exporta\u00e7\u00e3o fraudulenta de g\u00e1s atrav\u00e9s da parceria com a Repsol, e o n\u00e3o pagamento pelo g\u00e1s \u00famido, durante os primeiros oito anos de vig\u00eancia do contrato boliviano-brasileiro. Na situa\u00e7\u00e3o atual, a Bol\u00edvia parece um doente muito grave que, de acordo com Lula e Marco Aur\u00e9lio, poderia sobreviver com soro gota a gota administrado pelo Brasil, desde que n\u00e3o se desenvolva por si mesma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nCr\u00e9dito: PCB\n\n\n\n\nAndr\u00e9s Soliz Rada\n\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/425\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-425","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c65-lulismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-6R","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/425","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=425"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/425\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=425"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=425"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=425"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}