{"id":4254,"date":"2013-01-31T14:43:14","date_gmt":"2013-01-31T14:43:14","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4254"},"modified":"2013-01-31T14:43:14","modified_gmt":"2013-01-31T14:43:14","slug":"a-hora-mais-escura-no-mali","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4254","title":{"rendered":"A hora mais escura* no Mali"},"content":{"rendered":"\n<p>(<em>Asia Times Online \u2013 The Roving Eye)<\/em><\/p>\n<p><strong>\u201c<a href=\"http:\/\/www.atimes.com\/atimes\/Middle_East\/OA26Ak02.html\" target=\"_blank\">Zero Dark Mali<\/a>\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Traduzido pelo pessoal da\u00a0<strong>Vila Vudu<\/strong><\/p>\n<p>Booooooooooooom-dia, Vietn\u00e3! <strong>[1]<\/strong> Epa! N\u00e3o, desculpem. O po\u00e7o de areia movedi\u00e7a &amp; beco-sem-sa\u00edda agora \u00e9 outro.<\/p>\n<p>A trilha sonora, daquela vez, foi Hendrix, Jefferson Airplane, Motown e Stax. Agora \u00e9 Booooooooooooom-dia, Mali! E a trilha sonora bem poderia ser alguma coisa t\u00e3o transcendental quanto\u00a0<em>Dounia <\/em><strong>[2<\/strong>], de Rokia Traore, ou t\u00e3o deliciosamente psicod\u00e9lico quando Amadou e Mariam\u00a0em<em> Dimanche \u00e0 Bamako<\/em>. <strong>[3]<\/strong> Mas a coisa \u00e9 muito mais amea\u00e7adora. Algo como \u2013 inescap\u00e1vel \u2013 Hendrix em<em>Machine Gun<\/em>. <strong>[4]<\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0<em>timing<\/em> \u2013 no momento de expans\u00e3o da Guerra Global ao Terror \u2013 \u00e9 tudo. A vingan\u00e7a contra o que foi feito \u00e0 L\u00edbia, cuidadosamente coreografada para o Sahel, n\u00e3o poderia ser substituto melhor para a gigantesca bandeira de rendi\u00e7\u00e3o que a OTAN est\u00e1 levantando no Afeganist\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 mais Boooooooooooooooom-dia, Cabul! E come\u00e7ou a triste contagem regressiva para ver o \u00faltimo helic\u00f3ptero da OTAN fugindo de Bagram ao estilo Saigon-1975.<\/p>\n<p><em>The Economist<\/em> \u2013 a voz da City de Londres \u2013 j\u00e1 est\u00e1 at\u00e9 promovendo um \u201cAfriganist\u00e3o\u201d. Claro. H\u00e1 nuances. No Afeganist\u00e3o, quem chutou a bunda da OTAN foi grupo sortido de v\u00e1rias fac\u00e7\u00f5es pashtuns, reunidas como se fossem \u201cos Talib\u00e3\u201d. Mas a OTAN \u201cvenceu\u201d na L\u00edbia. Como era de prever, a brigada islamista que atacou no complexo de extra\u00e7\u00e3o de g\u00e1s em In Amenas no deserto da Arg\u00e9lia, portava Kalashnikov AK-104s, m\u00edsseis F5, morteiros\u00a060 mm, tudo distribu\u00eddo ali pela OTAN. E \u2013 um toque a mais \u00e0 moda CCGOTAN \u2013 vestiam os uniformes camuflados \u201cpastilha de chocolate\u201d que o Qatar distribuiu aos rebeldes da OTAN na L\u00edbia (beges, com manchas marrons). O que mais falta? Aparecerem na capa de\u00a0<em>Uomo Vogue<\/em>?<\/p>\n<p><strong>Sou o bicho bicho-pap\u00e3o de voc\u00eas<\/strong><\/p>\n<p>Inevitavelmente, o bicho-pap\u00e3o sempre \u00e0 m\u00e3o \u2013 a al-Qaeda \u2013 voltou \u00e0 moda, com toda a nuvem de grupos e subgrupos de jihadistas salafistas promovidos pelo trio franc\u00eas-anglo-USAmericano como fonte de todo o mal no norte da \u00c1frica (menos na L\u00edbia, onde eram elogiados como \u201ccombatentes da liberdade\u201d).<\/p>\n<p>Mokhtar Belmokhtar, um dos membros fundadores da al-Qaeda no Maghreb Isl\u00e2mico [orig.\u00a0<em>al-Qaeda in the Islamic Maghreb<\/em>(AQIM)], \u00e9, para todas as finalidades pr\u00e1ticas,<em>remix<\/em> facilmente deglut\u00edvel de Osama bin Laden. Belmokhtar foi um cl\u00e1ssico \u201cafeg\u00e3o \u00e1rabe\u201d \u2013 parte daquela legi\u00e3o multinacional treinada pelo eixo CIA\/ISI para combater os sovi\u00e9ticos no Afeganist\u00e3o dos anos 1980s. Ao voltar \u00e0 Arg\u00e9lia em 1993, uniu-se \u00e0\u00a0<em>jihad<\/em> local como parte do Grupo Salafista para Ora\u00e7\u00e3o e Combate [orig.\u00a0<em>Salafi Group for Preaching and Combat<\/em> (GSPC)].<\/p>\n<p>Desde\u00a02007, a\u00a0AQIM estava muito pr\u00f3xima do Grupo Isl\u00e2mico L\u00edbio de Combate [orig.\u00a0<em>Libyan Islamic Fighting Group<\/em> (LIFG)], cujos combatentes foram tamb\u00e9m treinados no Afeganist\u00e3o pela CIA\/ISI. E todo o tempo o LIFG foi convenientemente manipulado pela CIA e o MI6 contra o coronel Muammar Gaddafi.<\/p>\n<p>Depois do assassinato premeditado [orig.\u00a0<em>targeted assassination<\/em>] de Gaddafi, a AQIM foi devidamente armada pelo LIFG (recebeu tamb\u00e9m legi\u00f5es de jihadistas). Portanto, n\u00e3o surpreendentemente, muitos combatentes do LIFG participaram do\u00a0<em>raid<\/em> em In Amenas. Al\u00e9m\u00a0disso, a AQIM \u00e9 tamb\u00e9m muito pr\u00f3xima da Frente al-Nusra na S\u00edria, que Washington definiu como organiza\u00e7\u00e3o terrorista (mas nada v\u00ea de terrorista na nada coesa \u201ccoaliz\u00e3o\u201d que quer derrubar Bashar al-Assad).<\/p>\n<p>O xis da quest\u00e3o \u00e9 que o Qatar financia todos esses: a AQIM, o grupo dissidente MUJAO, as brigadas de Belmokhtar e o movimento salafista Ansar El-Dine, um bando de ap\u00f3statas wahhabistas, que absolutamente nada t\u00eam a ver com a tolerante cultura do Mali.<\/p>\n<p>O que sobra \u00e9 o absolutamente perfeito pretexto para a OTAN entrar na dan\u00e7a no norte da \u00c1frica, depois da humilhante derrota que sofreu no Afeganist\u00e3o. Mas&#8230; esperem! O AFRICOM j\u00e1 est\u00e1 l\u00e1! A Arg\u00e9lia \u2013 rep\u00fablica \u00e1rabe secular que historicamente sempre apoiou a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e a revolu\u00e7\u00e3o cubana \u2013 bem far\u00e1 se repatriar, o mais rapidamente poss\u00edvel, os seus US$50 bilh\u00f5es de reservas que est\u00e3o depositadas\u00a0em bancos ocidentais. Mais\u00a0dia menos dia, a hidra AFRICOM\/OTAN aparece para devorar voc\u00eas!<\/p>\n<p><strong>Algu\u00e9m a\u00ed topa um pouco de Islamo-gangsterismo?<\/strong><\/p>\n<p>Por hora, temos o espet\u00e1culo de Paris envolvida na \u201climpeza\u201d do Mali, n\u00e3o s\u00f3 contra os islamistas armados \u2013 estranhos \u00e0 cultura do Mali \u2013 mas tamb\u00e9m contra os tuaregues nativos, tamb\u00e9m armados e que t\u00eam demandas leg\u00edtimas. O plano m\u00e1ster \u00e9 apoiar o regime absolutamente corrupto em Bamako, que chegou ao poder pela via de um golpe militar comandado pelo capit\u00e3o Amadou Sanogo, treinado em Fort Benning (EUA).<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o sumo da hist\u00f3ria dessa nova\u00a0<em>mission civilisatrice <\/em>[miss\u00e3o civilizat\u00f3ria, em fr. no orig.], escondida por tr\u00e1s de conveniente cortina de fuma\u00e7a cortesia da ONU: v\u00e1rios pa\u00edses africanos, todos empobrecidos, que pagaram quase toda a conta \u2013 e oferecer\u00e3o os 5.800 soldados necess\u00e1rios para constituir mais uma dessas siglas inacreditavelmente rid\u00edculas que a ONU inventa, AFISMA (<em>African-led International Support Mission in Mali <\/em>\/ For\u00e7a Internacional Africana para Miss\u00e3o de Apoio no Mali). Quem pagar\u00e1 por tudo isso, que por hora n\u00e3o passa de total confus\u00e3o? Na pr\u00f3xima 3\u00aa-feira haver\u00e1 uma reuni\u00e3o na Eti\u00f3pia, dos proverbiais, sempre relutantes, \u201cdoadores internacionais\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo na Fran\u00e7a, ningu\u00e9m sabe quem luta contra quem nem quem, de fato, \u00e9 aquele pessoal. Leiam (em franc\u00eas), no blog\u00a0<em>rue89<\/em>[5], o hil\u00e1rio p\u00e2ntano sem\u00e2ntico em que se debatem os franceses. O\u00a0<em>Le Monde<\/em> acredita ter resolvido o enigma: Paris combate(ria) o \u201cislamo-gangsterismo\u201d.<\/p>\n<p>Nessas\u00a0<em>Folies de Pigalle<\/em> no deserto, Washington estar\u00e1 \u201cliderando pela retaguarda\u201d. Bem espertos. Melhor guerra clandestina, que todos assistirem ao afundamento no p\u00e2ntano. Os franceses \u2013 com t\u00edpica\u00a0<em>grandeur <\/em>galesa \u2013 prosseguir\u00e3o mergulhados na ilus\u00e3o de que, em breve, controlar\u00e3o o deserto do Mali. Verdade \u00e9 que n\u00e3o conseguir\u00e3o controlar nem as algas do rio Niger, porque ali se combater\u00e1 uma longu\u00edssima guerra n\u00f4made. Cresce a possibilidade de muitos Dien Bien Phus, com os franceses atacados tamb\u00e9m pela areia.<\/p>\n<p>E, no instante em que a popula\u00e7\u00e3o terrivelmente empobrecida do Mali \u2013 a qual, por hora, est\u00e1 a favor de o pa\u00eds livrar-se da AQIM, do MUJAO, das gangues de Belmokhtar e dos Ansar al-Dine \u2013 pressentir o mais leve ind\u00edcio de ocupa\u00e7\u00e3o neocolonial, os franceses conhecer\u00e3o derrota no Mali, igual a que os USAmericanos conheceram no Iraque e no Afeganist\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 iluminador ver essas coisas do ponto de vista da pol\u00edtica externa do governo do presidente Obama 2.0, como apareceu delineada (muito vagamente) no discurso de posse. Obama prometeu por fim \u00e0s guerras USAmericanas (guerras clandestinas s\u00e3o mais baratas). Prometeu coopera\u00e7\u00e3o multilateral com aliados (mas quem manda \u00e9 Washington), negocia\u00e7\u00e3o (ser\u00e1 do nosso jeito, ou d\u00ea o fora) e nenhuma nova guerra no Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>A acreditar-se no que disse o presidente, a tradu\u00e7\u00e3o \u00e9: nada de EUA fazerem guerra \u00e0 S\u00edria (s\u00f3 do tipo clandestina-suja); nada de Bombardeiem o Ir\u00e3! (s\u00f3 san\u00e7\u00f5es assassinas); e a Fran\u00e7a ganha a medalha do Mali. Ser\u00e1 que ganha? Esse filme muito vagabundo, aten\u00e7\u00e3o, est\u00e1 s\u00f3 come\u00e7ando.<\/p>\n<p><strong>Nota dos tradutores<\/strong><\/p>\n<p><strong>*<\/strong>T\u00edtulo em portugu\u00eas do filme <strong><em><a href=\"http:\/\/www.adorocinema.com\/filmes\/filme-193444\/trailer-19464521\/\" target=\"_blank\">Zero Dark Thirty<\/a> <\/em><\/strong>(2012). Trailer a seguir:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.adorocinema.com\/filmes\/filme-193444\/\" target=\"_blank\">A Hora Mais Escura Trailer Legendado<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Notas de rodap\u00e9<\/strong><\/p>\n<p><strong>[1]<\/strong> Assista \u00a0o filme <strong>\u201c<a href=\"http:\/\/www.adorocinema.com\/filmes\/filme-41138\/\" target=\"_blank\">Bom-dia, Vietn\u00e3<\/a>\u201d<\/strong>; completo (legendado) a seguir:<\/p>\n<p><strong>[2] <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=3DydY8bHTyg\" target=\"_blank\">Rokia Traore \u2013 Dounia<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>[3] <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ZXJYlqUvZfA\" target=\"_blank\">Amadou Et Mariam \u2013 Dimanche \u00e0 Bamako<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>[4] <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Doi07ewYDhc\" target=\"_blank\">Jimi Hendrix Band of Gypsys Machine gun 1969 Filmore rare colour video<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>[5]<\/strong> 22\/1\/2013,\u00a0<em>Rue 89<\/em>, Zineb Dryef em:\u00a0<strong>\u201c<a href=\"http:\/\/www.rue89.com\/2013\/01\/22\/petit-glossaire-de-la-guerre-contre-le-terrorisme-au-mali-238840\" target=\"_blank\">Jihadistes, islamistes&#8230; ? Comment nommer l\u2019ennemi au Mali<\/a>\u201d<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n2.bp.blogspot\n\n\n\n\n\n\n\n\n(Pepe Escobar)\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4254\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-4254","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-16C","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4254","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4254"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4254\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4254"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4254"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4254"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}