{"id":4261,"date":"2013-02-02T23:36:49","date_gmt":"2013-02-02T23:36:49","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4261"},"modified":"2013-02-02T23:36:49","modified_gmt":"2013-02-02T23:36:49","slug":"economia-dos-monopolios-e-poder-dos-monopolios-na-america-latina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4261","title":{"rendered":"Economia dos monop\u00f3lios e poder dos monop\u00f3lios na Am\u00e9rica Latina"},"content":{"rendered":"\n<p>Segundo Secret\u00e1rio do Comit\u00ea\u00a0Central do PCM<\/p>\n<p>H\u00e1\u00a0d\u00e9cadas, nas an\u00e1lises e nos discursos, al\u00e9m dos programas e a\u00e7\u00f5es dos Partidos Comunistas, dominam os conceitos que, de uma maneira ou de outra, falam de periferia, de col\u00f4nia, subdesenvolvimento, depend\u00eancia, etc. Assim, os temas centrais, as preocupa\u00e7\u00f5es e t\u00f3picos dos Partidos Comunistas da regi\u00e3o, tais como os problemas do desenvolvimento, da integra\u00e7\u00e3o latino-americana ou o combate antiimperialista, cont\u00e9m uma forte carga de elementos te\u00f3ricos desenvolvidos pelos centros do pensamento socialdemocrata.<\/p>\n<p>Por exemplo, geralmente, o imperialismo \u00e9\u00a0identificado com os Estados Unidos ou com a Uni\u00e3o Europeia, ignorando-se que o imperialismo \u00e9 uma fase de desenvolvimento do capitalismo, ao mesmo tempo em que deixa de lado outros centros imperialistas, como a China e a R\u00fassia. Esta posi\u00e7\u00e3o, mantida dogmaticamente durante d\u00e9cadas, se traduz em tra\u00e7ar como objetivo intermedi\u00e1rio o \u201cdesenvolvimento por uma via nacional\u201d e, como resultado, a mec\u00e2nica alian\u00e7a com a \u201cburguesia nacional\u201d. Dessa forma, naturalmente, a quest\u00e3o da integra\u00e7\u00e3o e da colabora\u00e7\u00e3o dos povos latino-americanos passa a ser abordada dentro dos marcos contradit\u00f3rios da integra\u00e7\u00e3o de capitais e seus Estados, tendo os Partidos Comunistas como comparsas de suas burguesias.<\/p>\n<p>Uma caracter\u00edstica fundamental dos Partidos Comunistas \u00e9\u00a0sua independ\u00eancia frente ao inimigo de classe, o qual n\u00e3o s\u00f3\u00a0tem aplica\u00e7\u00e3o no plano das posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas ou no plano de seu sustento financeiro, como tamb\u00e9m no plano da elabora\u00e7\u00e3o te\u00f3rica. Para preservar esta independ\u00eancia te\u00f3rica, para fazer avan\u00e7ar as posi\u00e7\u00f5es dos destacamentos comunistas da regi\u00e3o e nos aproximarmos da plena conquista de nossos objetivos, se faz indispens\u00e1vel realizar uma cr\u00edtica a estas elabora\u00e7\u00f5es. Ou seja, \u00e9 necess\u00e1rio analisarmos o desenvolvimento capitalista de nossa regi\u00e3o com nossas ferramentas te\u00f3ricas marxista-leninistas, de tal maneira que possamos situar a posi\u00e7\u00e3o ocupada por cada classe, cada camada, cada for\u00e7a, cada grupo pol\u00edtico e que, com esse novo mapa, avancemos em condi\u00e7\u00f5es de crise geral para a derrocada.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que, no espa\u00e7o do qual dispomos nestas p\u00e1ginas e com as limita\u00e7\u00f5es de tempo impostas \u00e0 publica\u00e7\u00e3o de nosso \u201cMachete\u201d, n\u00e3o se pode aspirar tra\u00e7ar de maneira completa e exaustiva o quadro do capital na regi\u00e3o. Por\u00e9m, \u00e9 poss\u00edvel adiantarmos algumas posturas cr\u00edticas \u00e0 chamada depend\u00eancia, assim como situarmos alguns elementos determinantes de nosso entorno, identificarmos se existe um capitalismo dos monop\u00f3lios em nossa regi\u00e3o e desvendarmos seu papel.<\/p>\n<p>O capital depende da gera\u00e7\u00e3o de mais-valia e n\u00e3o de coordenadas<\/p>\n<p>Vejamos, afirma-se que, devido \u00e0\u00a0exist\u00eancia de uma dualidade centro-periferia, ou melhor, norte-sul, existe um desenho da economia mundial que coloca nossos pa\u00edses em uma posi\u00e7\u00e3o prejudicial de depend\u00eancia. Isto explica as injusti\u00e7as e as desgra\u00e7as vividas pelas camadas populares e, portanto, inscreve na bandeira do movimento metas espec\u00edficas.[1]<\/p>\n<p>Uma linha argumentativa principal \u00e9\u00a0que nossos pa\u00edses se encontram em uma posi\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia permanente por enfocar suas economias \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas com baixo valor agregado para satisfa\u00e7\u00e3o do mercado internacional.<\/p>\n<p>Se a exporta\u00e7\u00e3o de mercadorias com baixo valor agregado \u00e9\u00a0uma caracter\u00edstica determinante de uma economia dependente e subdesenvolvida, me surpreende que nossos te\u00f3ricos da depend\u00eancia n\u00e3o possam dar uma explica\u00e7\u00e3o satisfat\u00f3ria aos seguintes dados relacionados com a exporta\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas:<\/p>\n<p>Quanto ao milho, os Estados Unidos s\u00e3o o principal exportador ao suprir 39.9% da demanda internacional do gr\u00e3o, seguido pela China, com 21%.<\/p>\n<p>Sobre o trigo, os Estados Unidos s\u00e3o o principal exportador ao cobrir 23% do mercado internacional, seguido pela Austr\u00e1lia, com 15.37%, e, em terceiro lugar, o Canad\u00e1, com 14.28%.[2]<\/p>\n<p>J\u00e1\u00a0quanto ao ferro, a disputa fica entre China, Brasil, Austr\u00e1lia, \u00cdndia e R\u00fassia, que cobrem 70% das exporta\u00e7\u00f5es.[3]<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao carv\u00e3o, os Estados Unidos \u00e9\u00a0o principal exportador, com 22.51% da demanda internacional, seguido pela R\u00fassia, com 14.33%, pela China, com 10.45%, pela \u00cdndia, com 8.44%, e pela Austr\u00e1lia, com 7.17%.[4]<\/p>\n<p>Um quadro similar existe com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 extra\u00e7\u00e3o do n\u00edquel, alum\u00ednio, germ\u00e2nio, a produ\u00e7\u00e3o de fibras t\u00eaxteis, a exporta\u00e7\u00e3o de carne de porco, carne de boi, ovo, mel, pescado, abacaxi, cenoura, soja, sal, tabaco, tomate, iodo, madeira, etc. Exporta\u00e7\u00f5es onde, salvo excepcionais terceiros ou quinto lugares, dominam pa\u00edses que n\u00e3o poderiam ser classificados, vergonhosamente, de \u201cdependentes ou subdesenvolvidos\u201d. Esta informa\u00e7\u00e3o contradit\u00f3ria come\u00e7a a abrir brechas na teoria que se baseia em uma interpreta\u00e7\u00e3o unilateral do mercado e do processo de circula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel dizer que o anterior tem a ver com a distribui\u00e7\u00e3o das reservas de ferro e carv\u00e3o, com as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas que favorecem os gr\u00e3os e que \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o \u00e0 merc\u00ea da exist\u00eancia de poderosos capitais leva \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o do campesinato e \u00e0 depend\u00eancia alimentar dos pa\u00edses do sul. Por\u00e9m, o que de diferente possui esse argumento aplicado \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o das reservas de g\u00e1s e petr\u00f3leo? Com as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas que levam a que, gra\u00e7as \u00e0 exist\u00eancia de grandes capitais, a Am\u00e9rica Latina figure como fornecedora de 61% do mercado de exporta\u00e7\u00e3o de frutas, etc?[5] Qual seria a ind\u00fastria das chamadas economias centrais sem o tit\u00e2nio que chega do Chile, G\u00e2mbia, Qu\u00eania, Malau\u00ed, Mo\u00e7ambique, Senegal e Serra Leoa? Sem a platina, o cromo, o grafite, o mangan\u00eas, o cobalto?[6] Isso sem falarmos do g\u00e1s e do petr\u00f3leo ou da compra de reservas, mantidos por alguns pa\u00edses com a flutua\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do d\u00f3lar.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Marx, no debate em torno do chamado capitalismo comprador, j\u00e1\u00a0havia demonstrado como come\u00e7a, objetivamente, o desenvolvimento capitalista com diferentes formas em cada pa\u00eds.[7]<\/p>\n<p>E tudo que foi citado anteriormente se refere apenas ao ponto de vista do mercado. Existem aqueles que pensam que nos pa\u00edses caracterizados como dependentes o capital chega para comprar mat\u00e9ria-prima barata de um grupo de remotos alde\u00e3os. No entanto, o capital imprime \u00e0 classe oper\u00e1ria, ao proletariado a necessidade como condi\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria exist\u00eancia. Na verdade, o que se trata \u00e9 de um processo mediante o qual o trabalho vivo \u00e9 apropriado e se agrega ao trabalho morto, um processo que se reproduz e se amplia, aproximando-se de seus limites hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p>Vejamos o caso da \u00c1frica, onde v\u00e1rios centros industriais e p\u00f3los de capital, inclusive um centro de capital imperialista, que ficou de fora do famoso \u201csistema mundo\u201d. No Egito, 1 em cada 4 habitantes maiores de 15 anos empregado, \u00e9 um oper\u00e1rio industrial, ao mesmo tempo em que, em 2004, eram reconhecidos oficialmente cerca de 4 milh\u00f5es e 300 mil trabalhadores sindicalizados.[8] Na Arg\u00e9lia, 61% da PEA pertencem \u00e0 classe dos trabalhadores assalariados, em Botsuana, a porcentagem \u00e9 de 62%, no Marrocos \u00e9 de 43%, em Mauricio \u00e9 de 79.9%, na \u00c1frica do Sul \u00e9 de 82.37%, sendo que 1 em cada 3 \u00e9 um oper\u00e1rio industrial.[9] \u00c9 significativo o fato de que, de maneira correlacionada, a \u00c1frica do Sul concentre, ao mesmo tempo, 1 em cada 4 d\u00f3lares que existem no continente.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que continua se tratando do conjunto de pa\u00edses relativamente mais d\u00e9beis e que, em sua maioria, ocupam posi\u00e7\u00f5es inferiores na pir\u00e2mide imperialista. Em Gana, predominam os trabalhadores aut\u00f4nomos \u2013 principalmente rurais \u2013 com 66% do total da popula\u00e7\u00e3o. De maneira similar ocorre na Eti\u00f3pia, \u00e1rea mais ampla da \u00c1frica Subsaariana, onde a metade dos trabalhadores se encontra no setor informal, etc.[10]<\/p>\n<p>Em qualquer das formas que tome corpo sua circula\u00e7\u00e3o (D-M-D<sup>1<\/sup>), seja na forma de fluxo de IED, na fora de aquisi\u00e7\u00f5es, na forma de empr\u00e9stimo, na forma de amplia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida externa, na forma de \u201cresgates\u201d, etc., o capital acumulado busca reproduzir-se, facilita o caminho, desgasta aquele que o atrapalha e semeia suas contradi\u00e7\u00f5es, gerando, ao mesmo tempo, as condi\u00e7\u00f5es e a for\u00e7a que o h\u00e1 de superar. Ou seja, o capital que compra, o capital que vende, o capital que toma forma de mercadoria, forma de dinheiro, etc., cada uma constitui a parte de uma cadeia com elos concatenados, interdependentes, sem os quais o processo inteiro sofre uma trava e se destr\u00f3i uma parte mais ou menos consider\u00e1vel \u2013 segundo a magnitude do mesmo. Este processo pode ser entendido como uma generalidade de validez universal.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0mais correto falar de acumula\u00e7\u00e3o de capital e considerar que em todas as latitudes este processo implica a busca de benef\u00edcio \u00e0\u00a0custa da destrui\u00e7\u00e3o da subsist\u00eancia dos camponeses e da explora\u00e7\u00e3o, cada vez mais aguda, de uma classe oper\u00e1ria cujas fileiras crescem?<\/p>\n<p>Outras linhas argumentativas que apoiam a famosa Teoria da Depend\u00eancia residem na quest\u00e3o da d\u00edvida, na quest\u00e3o da receita petroleira, da deprecia\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios supondo uma troca desigual, a diferen\u00e7a na magnitude do mercado, o deficit tecnol\u00f3gico, etc. Cada uma destas linhas toma por separado um de tantos elementos contradit\u00f3rios e \u00e9 sobre estes elementos que se pretende pautar a especificidade da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Conviria lembrar um par de premissas econ\u00f4micas para proceder \u00e0 cr\u00edtica destes argumentos, ainda que deixemos para depois seu desmonte total: O desenvolvimento desigual do capitalismo \u00e9 uma caracter\u00edstica consubstancial ao pr\u00f3prio processo de acumula\u00e7\u00e3o. A burguesia, como encarna\u00e7\u00e3o do capital, guia-se pela lei do m\u00e1ximo lucro, independentemente de sua nacionalidade.<\/p>\n<p>O fato de a diferen\u00e7a entre os sal\u00e1rios m\u00ednimos da regi\u00e3o ser t\u00e3o grande (Por exemplo, de acordo com a OIT, o M\u00e9xico, com um pouco mais de 100 d\u00f3lares, tem o segundo sal\u00e1rio m\u00ednimo mais baixo, ficando atr\u00e1s apenas do Uruguai. Em contrapartida, na Venezuela o sal\u00e1rio \u00e9 de 698 d\u00f3lares)[11], naturalmente leva a que os capitais tendam a dirigir-se para onde possam obter, dada a variedade de circunst\u00e2ncias concorrentes, maior margem de mais-valia produzida ou captada, segundo o ramo em quest\u00e3o. Mais adiante, retornaremos \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o do capital e suas tend\u00eancias na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Como explicaram Marx e Engels em diferentes obras, a for\u00e7a de trabalho, como qualquer outra mercadoria, est\u00e1\u00a0sujeita \u00e0\u00a0press\u00e3o da oferta e da procura, ao grau de competi\u00e7\u00e3o que reine entre as fileiras dos compradores e vendedores desta mercadoria.[12] Existe uma press\u00e3o que leva a uma equaliza\u00e7\u00e3o \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios. Tend\u00eancia que se refor\u00e7a na medida em que o poder dos monop\u00f3lios busca impedir a atua\u00e7\u00e3o dos sindicatos e dos partidos oper\u00e1rios.<\/p>\n<p>Um exemplo muito eloquente do anterior \u00e9\u00a0que, em 1955, a empresa de maior capitaliza\u00e7\u00e3o financeira de ent\u00e3o, a General Motors, empregava meio milh\u00e3o de trabalhadores nos Estados Unidos e 80.000 em pa\u00edses estrangeiros. Enquanto isso, para sua equivalente de hoje, a Apple, s\u00f3 trabalham 4.000 pessoas nos Estados Unidos e o restante em pa\u00edses asi\u00e1ticos, quase invertendo a tend\u00eancia.[13] Em 40 anos, o sal\u00e1rio estadunidense s\u00f3 aumentou 10%, enquanto a mais alta taxa de desemprego dos \u00faltimos 52 anos continua pressionando a diminui\u00e7\u00e3o do valor da for\u00e7a de trabalho.[14] Por outro lado, \u00e9 uma tarefa ante a crise, em todas as latitudes, o levante do movimento oper\u00e1rio para uma feroz luta contra a desvaloriza\u00e7\u00e3o, uma mobiliza\u00e7\u00e3o que n\u00e3o s\u00f3 impacte positivamente na margem de manobra para o conjunto da classe, mas que possua efeitos pedag\u00f3gicos, que desenvolva a consci\u00eancia e aproxime os trabalhadores da compreens\u00e3o dos limites hist\u00f3ricos deste sistema.<\/p>\n<p>Acerca da d\u00edvida, vejamos, em ordem decrescente, os 10 pa\u00edses com maior endividamento s\u00e3o os Estados Unidos (superando os 15 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, 4 vezes mais que seu PIB), Reino Unido, Alemanha, Fran\u00e7a, Pa\u00edses Baixos, It\u00e1lia, Espanha, Irlanda, Jap\u00e3o, Luxemburgo.[15] Certamente, o M\u00e9xico encontra-se no 31\u00b0 lugar.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a d\u00edvida passa a ser uma forma de cr\u00e9dito, um processo mediante o qual uma grande quantidade de dinheiro paralisado se lan\u00e7a \u00e0 circula\u00e7\u00e3o, se transforma em capital. O cr\u00e9dito n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 mais uma forma de capital, \u00e9 a forma sobre a qual pode surgir a sociedade an\u00f4nima, a propriedade coletiva de grupos de capitalistas e, finalmente, os monop\u00f3lios.[16] O capitalismo, em sua fase superior de desenvolvimento, seria totalmente invi\u00e1vel sem a d\u00edvida e outras formas de cr\u00e9dito que, simultaneamente, agravam a instabilidade do pr\u00f3prio sistema e o aproximam de seu limite hist\u00f3rico. Sobre como este mecanismo funciona, podemos seguir com Marx, em O Capital:<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 em come\u00e7os do s\u00e9culo XVIII, as manufaturas holandesas foram amplamente sobrepujadas e o pa\u00eds deixou de ser a na\u00e7\u00e3o industrial e comercial dominante. Um de seus principais neg\u00f3cios, entre 1701 e 1776, foi o empr\u00e9stimo de enormes quantias, especialmente a sua poderosa competidora Inglaterra. A atual rela\u00e7\u00e3o entre a Inglaterra e os Estados Unidos \u00e9 semelhante. N\u00e3o s\u00e3o poucos os capitais que hoje ingressam aos Estados Unidos. S\u00e3o provenientes do sangue de crian\u00e7as rec\u00e9m-nascidas capitalizados na Inglaterra\u201d. \u201cA grande parte do que toca \u00e0 d\u00edvida p\u00fablica, assim como ao sistema fiscal correspondente, na capitaliza\u00e7\u00e3o da riqueza e a expropria\u00e7\u00e3o das massas, induziu uma s\u00e9rie de escritores Cobbett, Doubleday e outros a buscarem, erroneamente, naquela a causa fundamental da mis\u00e9ria dos povos modernos\u201d. [17]<\/p>\n<p>Por acaso a hist\u00f3ria n\u00e3o continuou avan\u00e7ando e n\u00e3o somos testemunhas do posterior desdobramento deste processo?<\/p>\n<p>\u00c9 uma provoca\u00e7\u00e3o te\u00f3rica, \u00e9 lan\u00e7ar poeira nos olhos do movimento oper\u00e1rio estabelecer como etapa intermedi\u00e1ria, como objetivo pr\u00e9vio \u00e0 luta pelo socialismo, buscar uma via nacional de desenvolvimento, romper o v\u00ednculo com os mecanismos da d\u00edvida quando estes s\u00e3o intr\u00ednsecos ao atual desenvolvimento capitalista. A d\u00edvida, tanto externa quanto interna, seja na forma de empr\u00e9stimos ou resgates, mais que um mecanismo para sujeitar as \u201cneocol\u00f4nias\u201d \u00e9 um mecanismo ao qual recorrem todos os capitais para manter sua circula\u00e7\u00e3o e para transferir recursos da classe oper\u00e1ria e dos povos do mundo.<\/p>\n<p>O mais importante \u00e9\u00a0 entender que quando falamos do desenvolvimento superior do capitalismo, falamos de um capitalismo que \u00e9 profundamente reacion\u00e1rio, parasit\u00e1rio, de um modo de produ\u00e7\u00e3o em decomposi\u00e7\u00e3o que mobiliza e, concomitantemente, destr\u00f3i todos os recursos a sua disposi\u00e7\u00e3o como meio de manter-se, de um sistema amea\u00e7ado constantemente de uma bancarrota. Quando falamos de um desenvolvimento imperialista, falamos de que \u00e9 necess\u00e1rio derrot\u00e1-lo e super\u00e1-lo com a luta pelo socialismo, n\u00e3o mediante a atrasada suposi\u00e7\u00e3o de que ainda nos encontramos em uma prematura fase de desenvolvimento mercantilista.<\/p>\n<p>Falar que o capital estadunidense ocupa o lugar no topo da pir\u00e2mide n\u00e3o significa nada para os 840.000 indigentes ou para os 12.300.000[18] de desempregados, sobretudo se levarmos em conta que os servi\u00e7os p\u00fablicos sofrem, em que pese a ret\u00f3rica populista do governo estadunidense, corte ap\u00f3s corte. A defla\u00e7\u00e3o salarial, os cortes, os embargos hipotec\u00e1rios, as medidas selvagens, etc., oferecem um panorama de aprofundamento da luta de classe, da mesma forma que refor\u00e7a a perigosa tend\u00eancia \u00e0 guerra. N\u00e3o existem raz\u00f5es para que, nesse pa\u00eds, a classe oper\u00e1ria se ponha a reboque de alguma das for\u00e7as burguesas. Haveria de ser diferente ao sul do Rio Bravo? Realmente precisamos sacrificar nossos interesses, enquanto classe oper\u00e1ria, para apoiar as chamadas \u201cburguesias nacionais\u201d em sua briga pelos mercados?<\/p>\n<p>Uma coisa \u00e9\u00a0lutar nos marcos do capitalismo pela melhoria das condi\u00e7\u00f5es laborais e de vida de nossa classe e das camadas oprimidas. Outra coisa muito diferente \u00e9\u00a0querer convencer a classe oper\u00e1ria de que \u00e9\u00a0conveniente apoiar seus opressores \u201cnacionais\u201d e seus planos de \u201cdesenvolvimento pela via nacional\u201d. Uma coisa \u00e9 formar uma organiza\u00e7\u00e3o que tenha por miss\u00e3o levar a consci\u00eancia de classe ao movimento realmente existente. Outra \u00e9 manter o romantismo econ\u00f4mico, levar posi\u00e7\u00f5es pequeno-burguesas e confus\u00f5es ao movimento sindical e popular.<\/p>\n<p>Os monop\u00f3lios com sede na Am\u00e9rica Latina e sua conta<\/p>\n<p>A burguesia realmente existente, a burguesia cujo capital domina em nossos pa\u00edses, independentemente de sua cor ou nacionalidade, alcan\u00e7ou um elevado grau de concentra\u00e7\u00e3o e centraliza\u00e7\u00e3o sobre as ramifica\u00e7\u00f5es e mercados inteiros. Trata-se de uma burguesia monopolista, de uma burguesia cuja exist\u00eancia parasit\u00e1ria \u00e9 base da etapa imperialista do desenvolvimento capitalista. Recapitulemos alguns desses monop\u00f3lios com sede na Am\u00e9rica Latina e alguns de seus movimentos mais ou menos recentes.<\/p>\n<p>O capital acumulado pelo grupo financeiro de Carlos Slim superou, no primeiro trimestre deste ano, a casa dos 74 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. A Am\u00e9rica M\u00f3vil prev\u00ea\u00a0 investir 10 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em 2013 (segundo declara\u00e7\u00f5es de seu presidente, Daniel Hajj) para expandir sua rede pela Am\u00e9rica Latina. Neste mesmo ano, a empresa Claro, subsidi\u00e1ria da Am\u00e9rica M\u00f3vil na Col\u00f4mbia, dominou parte p\u00fablica do servi\u00e7o denominado 4G nesse pa\u00eds e retirou completamente a Tel\u00e9fonos de Bogot\u00e1 do controle das telecomunica\u00e7\u00f5es. Esta empresa controla as telecomunica\u00e7\u00f5es da Guatemala, El Salvador, Nicar\u00e1gua, Honduras, Col\u00f4mbia, Peru, Brasil, Chile, com a aquisi\u00e7\u00e3o, h\u00e1 5 anos, da americana Verizon, por 3.700 milh\u00f5es de d\u00f3lares, tamb\u00e9m passou a controlar uma grande parte do mercado na Venezuela, Rep\u00fablica Dominicana e Porto Rico.<\/p>\n<p>A mexicana Cemex supera em vendas a francesa Lafarge. O Banorte fez um par de anos com 70% do International Bank nos EUA e adquiriu, entre outras, a empresa de remessas UniTeller. Em Abril deste ano, o Grupo Salinas adquiriu por $780 milh\u00f5es de d\u00f3lares a Advance America, empresa credora. Com esta \u00faltima aquisi\u00e7\u00e3o, o valor da fortuna do Salinas Pliego ascendeu a 13.900 milh\u00f5es de d\u00f3lares. A Bimbo e Gruma n\u00e3o s\u00f3 passaram a controlar v\u00e1rios ramos do mercado dos alimentos na Am\u00e9rica Latina e Estados Unidos, como fez crescer seus investimentos na China, Jap\u00e3o e Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p>A Brasileira Vale (Vale do Rio Doce) \u00e9\u00a0a segunda maior empresa mineradora do mundo. Recentemente, adquiriu a canadense INCO por 16.700 milh\u00f5es de d\u00f3lares, al\u00e9m da maior produtora australiana de carv\u00e3o por 662 milh\u00f5es de d\u00f3lares. Suas opera\u00e7\u00f5es abarcam explora\u00e7\u00f5es na Finl\u00e2ndia, Canad\u00e1, Austr\u00e1lia, Mong\u00f3lia, China, \u00cdndia, Angola, \u00c1frica do Sul, Chile, Peru, Guin\u00e9, Estados Unidos, Guatemala, Col\u00f4mbia, Gab\u00e3o, Mo\u00e7ambique, Om\u00e3, Indon\u00e9sia, Nova Caled\u00f4nia, Noruega e o pr\u00f3prio Brasil. Para ter uma ideia da magnitude da empresa, pode-se considerar como a pr\u00f3pria, sozinha, consome cerca de 5% de toda a energia el\u00e9trica do pa\u00eds. Suas filiais ferrovi\u00e1rias efetuam dezenas de milhares de opera\u00e7\u00f5es em v\u00e1rios pontos do planeta. Tal fortuna foi acumulada por d\u00e9cadas de condi\u00e7\u00f5es desumanas de trabalho, despojos, destrui\u00e7\u00e3o da natureza e implac\u00e1veis abusos aos direitos humanos.<\/p>\n<p>Outros monop\u00f3lios brasileiros incluem a Embraer, uma das maiores fabricantes de avi\u00f5es do mundo, a petroleira Petrobras e o Banco Ita\u00fa, que adquiriu as sucursais do BankBoston nos pa\u00edses latino-americanos.<\/p>\n<p>A Colombiana Cementos Argos, uma das competidoras da Cemex, \u00e9 a quinta empresa a n\u00edvel mundial do ramo. O tamb\u00e9m colombiano Grupo Nacional adquiriu o controle de empresas de alimentos na Costa Rica, Panam\u00e1 e Peru. O banco colombiano Davivenda comprou o HSBC e suas filiais em El Salvador, Honduras e Costa Rica, al\u00e9m de expandir sua presen\u00e7a no Peru e no Chile.<\/p>\n<p>Entre as gigantescas empresas que exercem um controle monop\u00f3lico sobre seus ramos incluem a Vitro (empresa mexicana que domina a produ\u00e7\u00e3o do vidro), a Techint (gigantesca empresa argentina dedicada ao a\u00e7o), Gerdau (uma das maiores sider\u00fargica, tem sede no Brasil), Alfa, Maseca (empresa mexicana enfocada em produtos de milho), etc.<\/p>\n<p>Talvez algu\u00e9m n\u00e3o concorde com os dados aqui apresentados, apontando a diferen\u00e7a entre a parte que diz respeito a esta burguesia e a referente ao conjunto das outras empresas transnacionais, dos outros monop\u00f3lios com sede nos principais centros imperialistas e que possa acrescentar exemplos recentes de grandes aquisi\u00e7\u00f5es de empresas latino-americanas pelos ditos monop\u00f3lios.<\/p>\n<p>Por um lado, queremos recordar que jamais falamos de uma divis\u00e3o\u00a0\u2013 chamando-a de \u201cequitativa\u201d \u2013 entre a burguesia, mas uma divis\u00e3o do mercado, baseada na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, no desenvolvimento desigual e sujeito a duras disputas intermonop\u00f3licas. Por\u00e9m, por outro lado, a divis\u00e3o entre uma \u201cburguesia nacional\u201d, supostamente desenvolvimentista, supostamente patriota, supostamente oponente ao imperialismo e outra forasteira \u00e9 completamente artificial. Sobretudo, considerando o que \u00e9 a vida na \u00e9poca do imperialismo, vivemos dentro dos pr\u00f3prios marcos do modo de produ\u00e7\u00e3o, onde se suprimiu a propriedade privada capitalista a favor da propriedade coletiva capitalista. O processo para a ascens\u00e3o dos monop\u00f3lios n\u00e3o \u00e9 somente o da concentra\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m, inclusive, \u00e9 um processo dominante, o da centraliza\u00e7\u00e3o. As aquisi\u00e7\u00f5es e as fus\u00f5es entrela\u00e7am os capitais das empresas anteriormente dispersas e fazem com que os diversos grandes burgueses que participam desses processos tenham interesses indistingu\u00edveis a partir da \u00f3tica sugerida pela \u201cteoria da depend\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Onde come\u00e7am e onde terminam as ditas burguesias? Onde n\u00e3o se encontram entrela\u00e7ados seus interesses? KOF \u00e9\u00a0o resultado da fus\u00e3o entre a norte-americana Coca-Cola Company e a engarrafadora FEMSA, cujas vendas no M\u00e9xico, Am\u00e9rica Central, Col\u00f4mbia, Venezuela, Brasil, Argentina e Filipinas ultrapassaram os 37 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Mediante 20 milh\u00f5es e 100 mil d\u00f3lares, o Grupo Modelo e Anheuser-Busch aliaram-se em uma associa\u00e7\u00e3o que resulta na produ\u00e7\u00e3o centralizada de 400 milh\u00f5es de hectolitros de cerveja e vendas que superam os 47 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. O Grupo Alusa, resultado em si da combina\u00e7\u00e3o de capitais chilenos e peruanos, iniciou suas opera\u00e7\u00f5es na Col\u00f4mbia com a fus\u00e3o do grupo Flexa. A empresa Copec do Chile fundiu seus capitais na Col\u00f4mbia com a empresa Inversiones Nordeste. O Grupo Sura realizou uma transa\u00e7\u00e3o de 3 milh\u00f5es e 600 mil de d\u00f3lares para adquirir ativos da ING no Chile, Col\u00f4mbia, M\u00e9xico, Peru e Uruguai. A fus\u00e3o de capitais entre a chilena Concha y Toro, a francesa Rothschild, a norte-americana Fetze e o controle de subsidi\u00e1rias em v\u00e1rios pa\u00edses latino-americanos, permite a este grupo a produ\u00e7\u00e3o de centenas de milh\u00f5es de litros de vinho e um crescente predom\u00ednio no mercado. A partir da China, flu\u00edram em 3 anos 15 bilh\u00f5es de d\u00f3lares para o Caribe com o intuito de fechar contratos de fus\u00f5es. O Banamex fundiu seu capital com o norte-americano Citibank, em ambos os casos com participa\u00e7\u00e3o de seus respectivos Estados.<\/p>\n<p>Outro dado interessante sobre algumas empresas n\u00e3o menos imperialistas por terem sede no M\u00e9xico \u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o de sua for\u00e7a de trabalho. O Grupo Saba explora 2 trabalhadores no estrangeiro por cada um que explora no M\u00e9xico, a Cemex conta com 66% de sua for\u00e7a de trabalho no exterior, Gruma 63%, Bimbo 53%, Femsa 34%. A Mexichem obt\u00e9m 83% de seus lucros do mercado exterior, a Cemex 78%, Pe\u00f1oles 77%, Grupo M\u00e9xico 66%, Gruma 66%, KOF 64%, Grupo Saltillo 63%, Alfa 54%, Bimbo 54%, Aerom\u00e9xico 53%, ICH 50%.[19] \u00c9 assim que n\u00e3o estamos inseridos na pir\u00e2mide imperialista?<\/p>\n<p>Uma caracter\u00edstica fundamental do imperialismo \u00e9 o papel que desempenhado pela exporta\u00e7\u00e3o de capitais. Sobre isto, durante o ano de 2011, o Investimento Estrangeiro Direto do M\u00e9xico para a Am\u00e9rica Latina, efetuado por 10 grandes empresas, somou 9 milh\u00f5es e 640 mil de d\u00f3lares. No mesmo per\u00edodo entraram no M\u00e9xico 19 milh\u00f5es e 440 mil de d\u00f3lares. Ainda que seja dif\u00edcil compreender a l\u00f3gica dial\u00e9tica por estes te\u00f3ricos, o processo de acumula\u00e7\u00e3o do capital inclui ambos os aspectos aparentemente contradit\u00f3rios. Certamente, destaca-se o fato de que seis companhias chilenas exportaram 11 milh\u00f5es e 822 mil de d\u00f3lares em forma de capital.[20]<\/p>\n<p>Recordemos, seguindo o racioc\u00ednio de L\u00eanin, o significado que tem a exist\u00eancia destes monop\u00f3lios:<\/p>\n<p>\u201cQuando uma grande empresa se converte em gigantesca e se organiza, sistematicamente, sobre a base de um c\u00e1lculo exato de m\u00faltiplos dados, o abastecimento na propor\u00e7\u00e3o dos 2\/3 ou dos 3\/4 da mat\u00e9ria-prima de todo o necess\u00e1rio para uma popula\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias dezenas de milh\u00f5es; quando se organiza sistematicamente o transporte das ditas mat\u00e9rias-primas aos pontos de produ\u00e7\u00e3o mais c\u00f4modos, que se encontram, \u00e0s vezes, a uma dist\u00e2ncia de centenas e milhares de quil\u00f4metros um do outro, quando a partir de um centro se dirige a elabora\u00e7\u00e3o do material em todas suas diversas fases at\u00e9 a obten\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de diversos produtos prontos; quando a distribui\u00e7\u00e3o dos ditos produtos se efetua segundo um \u00fanico plano entre dezenas e centenas de milh\u00f5es de consumidores (venda de petr\u00f3leo na Am\u00e9rica e na Alemanha pelo \u201cTrust do Petr\u00f3leo\u201d americano), aparece ent\u00e3o, com evid\u00eancia, que nos encontramos diante de uma socializa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o e n\u00e3o ante um simples \u201centrela\u00e7amento\u201d; que as rela\u00e7\u00f5es de economia e propriedade privada constituem uma embalagem que n\u00e3o corresponde ao conte\u00fado, que deve inevitavelmente decompor-se caso sua supress\u00e3o seja artificialmente adiada, que pode permanecer em estado de decomposi\u00e7\u00e3o durante um per\u00edodo relativamente longo (no pior dos casos, se a cura do tumor oportunista se prolonga demasiado), por\u00e9m, sem d\u00favida, ser\u00e1 inelutavelmente suprimida\u201d.[21]<\/p>\n<p>Umas quantas centenas de empresas, dirigidas pelos grandes banqueiros e industriais de nossos pa\u00edses s\u00e3o a burguesia realmente existente, s\u00e3o a camada dominante e opressora a quem a nossa classe enfrenta em primeiro luar. Esta burguesia \u00e9 a que, de maneira direta, controla milh\u00f5es de oper\u00e1rios latino-americanos assalariados. Que, ao mesmo tempo, contam com seu poder estatal para salvaguardar seus interesses. Que decide, de acordo com o momento e com a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, construir alian\u00e7as com um ou outro centro imperialista. Sobre estes dois \u00faltimos aspectos, vamos prosseguir.<\/p>\n<p>A crise de superprodu\u00e7\u00e3o implica que a mercadoria n\u00e3o seja vendida. Por\u00e9m, enquanto subsistam as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o capitalistas, ditas dificuldades n\u00e3o anulam a tend\u00eancia absoluta para a concentra\u00e7\u00e3o e centraliza\u00e7\u00e3o. Ou seja, se n\u00e3o existe ruptura, os monop\u00f3lios continuam crescendo, apropriando-se de seus competidores em ru\u00edna a pre\u00e7os de banana. Por\u00e9m, algu\u00e9m ter\u00e1 que pagar por tal situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A conta que os monop\u00f3lios nos passam \u00e9\u00a0a fatura da crise. E s\u00e3o a grande maioria dos Estados latino-americanos, como express\u00e3o do poder dos monop\u00f3lios, os instrumentos que se encarregam de velar que assim seja. Isto \u00e9 independentemente da forma de gest\u00e3o que adote o governo em turno e separando algumas poucas exce\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00e3o seria poss\u00edvel explicarmos de outra maneira que, por exemplo, no M\u00e9xico, durante os mesmos anos que a produ\u00e7\u00e3o se contra\u00eda em 10%, em que centenas de milhares de oper\u00e1rios ficaram desempregados, chegando a 20%, em que 9 de cada 10 munic\u00edpios entravam em uma situa\u00e7\u00e3o de quebra financeira, os monop\u00f3lios cresceram de maneira espetacular. Eis alguns exemplos: o Grupo Carso aumentou nestes mesmos anos sua fortuna em 2.3 milh\u00f5es de d\u00f3lares por hora. A FEMSA abriu 1000 pontos de venda ao ano. O Grupo \u00c1ngeles levantou 10 hot\u00e9is de quatro estrelas ao ano. O Grupo Alfa concentrou em suas m\u00e3os a produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s natural do Texas. O Grupo M\u00e9xico aumentou sua produ\u00e7\u00e3o anual de cobre em 44%. A Lala adquiriu a maior produtora de leite dos Estados Unidos, a National Dairy, por 435 milh\u00f5es de d\u00f3lares. O Grupo Televisa e Salinas fundiram seus capitais atrav\u00e9s da Nextel.<\/p>\n<p>Estes lucros s\u00f3\u00a0 se explicam pelas agress\u00f5es selvagens as quais \u00e9\u00a0submetida nossa classe e as camadas populares. Que invalidam qualquer via de concilia\u00e7\u00e3o de classes, que invalidam qualquer alian\u00e7a que n\u00e3o seja contra eles.<\/p>\n<p>Os casos extremos<\/p>\n<p>Pode ser que os pa\u00edses que ocupem as posi\u00e7\u00f5es mais inferiores dentro da pir\u00e2mide imperialista se encontrem fora das rela\u00e7\u00f5es capitalistas?<\/p>\n<p>Um caso mais extremo que o do Haiti \u00e9 dif\u00edcil de imaginar, quanto menos na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Nem esta ilha devastada escapa da l\u00f3gica do imperialismo. As somas mobilizadas como \u201cajuda\u201d v\u00e3o etiquetadas e condicionadas para assegurar novos lucros para as empresas. A maior porcentagem de dinheiro mobilizado para o Haiti passou pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, que desembolsou um bilh\u00e3o de d\u00f3lares. Isto com a declarada miss\u00e3o de \u201c&#8230;criar novas oportunidades de neg\u00f3cios tanto para os haitianos como para os investidores estrangeiros\u201d[22]. Entre estes \u00faltimos se encontram o Grupo Marriott, Digicel, Grupo LG, a empresa coreana Sae-A que constituir\u00e1 uma planta que ter\u00e1 20.000 trabalhadores, etc. Outro beneficiado \u00e9 o empres\u00e1rio e senador dominicano Felix Bautista, que obteve 348 milh\u00f5es de d\u00f3lares pela constru\u00e7\u00e3o de 3 mil casas para refugiados.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s de muitas variadas formas, os capitais envolvidos buscam aproveitar-se da situa\u00e7\u00e3o do Haiti para convert\u00ea-lo em um para\u00edso dos monop\u00f3lios, em um para\u00edso fiscal e um para\u00edso no meio do Caribe. Querem, segundo a magn\u00edfica express\u00e3o, sua pr\u00f3pria Taiwan caribenha.[23]<\/p>\n<p>A integra\u00e7\u00e3o e a forma\u00e7\u00e3o de eixos imperialistas<\/p>\n<p>A p\u00e1tria grande, o projeto de unificar nossos povos latino-americanos em uma colabora\u00e7\u00e3o amistosa, vem sendo uma preocupa\u00e7\u00e3o constante dos revolucion\u00e1rios. No entanto, deve prevenir-se contra qualquer tentativa de construir a dita unidade sobre a base da economia dos monop\u00f3lios e do poder dos monop\u00f3lios. Caso contr\u00e1rio, apenas resultar\u00e1 no fortalecimento de nossos inimigos de classe.<\/p>\n<p>Independentemente das frases diplom\u00e1ticas, as rela\u00e7\u00f5es internacionais, sendo os tratados internacionais a express\u00e3o jur\u00eddica das mesmas, se estabelecem de acordo com a natureza classista dos Estados em quest\u00e3o. Seu estabelecimento atende inevitavelmente a base objetiva existente.<\/p>\n<p>Pelo papel proeminente que joga a exporta\u00e7\u00e3o de capitais, se entende que os capitais imperialistas necessitem estabelecer alian\u00e7as e contra-alian\u00e7as. Seja na forma de acordos, para formar um mercado comum, ou com tratados, onde exista a hegemonia de um ou v\u00e1rios grupos monop\u00f3licos.<\/p>\n<p>Em alguns pa\u00edses, o decl\u00ednio dos Estados Unidos junto ao fortalecimento de outras pot\u00eancias, como a China, R\u00fassia e o pr\u00f3prio Brasil, impulsiona a forma\u00e7\u00e3o de novos eixos e alian\u00e7as.<\/p>\n<p>Em outros pa\u00edses, o enfraquecimento do mercado exterior, principalmente para a UE e os EUA, junto com os importantes fluxos do IED que n\u00e3o podem traduzir-se em exportar as j\u00e1 mencionadas economias, os levam a buscar proteger seu mercado interno, leia-se proteger as posi\u00e7\u00f5es de seus monop\u00f3lios mais fortes. Esta gest\u00e3o leva, de maneira geral, a que busquem entendimentos com monop\u00f3lios de pa\u00edses vizinhos para disputar com os rivais d\u00e9beis as \u00e1reas particularmente sens\u00edveis a eles.<\/p>\n<p>No caso da burguesia mexicana, seu interesse se d\u00e1\u00a0em outro plano. Consiste em aproveitar sua localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica e a plataforma do NAFTA (cerca de 80% das exporta\u00e7\u00f5es totais do M\u00e9xico se dirige aos EUA, da mesma maneira que 74.8% das importa\u00e7\u00f5es do M\u00e9xico s\u00e3o provenientes dos EUA) que, em seu conjunto, representa um acordo nos marcos do maior mercado do mundo, com 25% do PIB global. Ao anterior, se soma a forma\u00e7\u00e3o de acordos mais flex\u00edveis de maneira bilateral, em um total de 11 acordos comerciais com 43 na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em algum destes eixos se agregam pa\u00edses com processos abertos, onde as massas populares e a classe oper\u00e1ria avan\u00e7am posi\u00e7\u00f5es, como o processo boliviano, mas que n\u00e3o altera substancialmente o car\u00e1ter dos ditos tratados ao predominar a for\u00e7a dos monop\u00f3lios.<\/p>\n<p>Para desiludir-se, basta voltar para a Uni\u00e3o Europeia, onde tamb\u00e9m se verteu uma grande quantidade de ret\u00f3rica ilusionista em torno de uma Europa dos povos. Podemos ver como prevalecem os monop\u00f3lios, a partir de uma uni\u00e3o das burguesias mais poderosas contra todas as express\u00f5es oper\u00e1rias e populares, fortalecendo suas posi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Estes tratados t\u00eam uma base econ\u00f4mica, por\u00e9m com elementos pol\u00edticos e militares que a complementam. E estes complementos v\u00e3o de acordo com sua natureza classista, conforme a base econ\u00f4mica objetiva que os sustenta.<\/p>\n<p>Quem pode duvidar da natureza da UNASUR, quando o Brasil e a Col\u00f4mbia a hegemonizam? O gasto militar da UNASUR se quadruplicou no per\u00edodo de 2006 a 2010, para chegar at\u00e9 126.110 milh\u00f5es de d\u00f3lares. Dos quais o Brasil (com 290.000 efetivos) representa 43.7% e a Col\u00f4mbia (com 450.000) 17%. Podemos contrastar com a Argentina, que conta com 27.470 efetivos e 4,5% do gasto total.[24]<\/p>\n<p>O processo bolivariano foi aberto pela participa\u00e7\u00e3o maci\u00e7a das camadas populares, por seu desejo de transformar revolucionariamente a sociedade, o que coloca contra a parede muitos dos planos do imperialismo. Ningu\u00e9m deve acreditar que, sem a presen\u00e7a de uma mobiliza\u00e7\u00e3o maci\u00e7a (e esta n\u00e3o se dar\u00e1 sem orienta\u00e7\u00f5es adequadas) pode passar que uma for\u00e7a pol\u00edtica socialdemocrata ganhe a presid\u00eancia eleitoral em qualquer pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina e estabele\u00e7a qualquer tratado internacional que contrarie os desejos dos grupos monop\u00f3licos mais poderosos com sede no pa\u00eds. Isto \u00e9 assim porque o Estado que encabe\u00e7a continuar\u00e1 sendo o poder dos monop\u00f3lios e a economia que gere permanecer\u00e1 sendo a economia dos monop\u00f3lios. E a dita economia e o dito poder est\u00e3o sujeitos a contradi\u00e7\u00f5es interburguesas, intermonop\u00f3licas.<\/p>\n<p>Contradi\u00e7\u00f5es que se expressam precisamente na forma\u00e7\u00e3o de eixos e contraeixos, na integra\u00e7\u00e3o de blocos econ\u00f4micos. Existir\u00e3o grupos monop\u00f3licos que preferem refor\u00e7ar a transfer\u00eancia de recursos para evitar uma quebra ou que preferem, sentindo-se mais seguros, uma gest\u00e3o que permita a quebra e a utilize para aplicar todas as medidas selvagens demandadas, limitando seus recursos \u00e0 repress\u00e3o. Haver\u00e1 grupos que preferem salvaguardar o mercado interno e haver\u00e1 outros que necessitar\u00e3o, como oxig\u00eanio, do fluxo mais livre de capitais. Existir\u00e3o grupos a quem ser\u00e1 mais conveniente a alian\u00e7a com certos centros imperialistas e vice-versa.<\/p>\n<p>Por isso, ainda que haja componentes com objetivos anti-imperialistas, os tratados onde predominem as posi\u00e7\u00f5es dos monop\u00f3lios n\u00e3o tentam escapar destas contradi\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o, n\u00e3o deve surpreender que as ditas alian\u00e7as se apresentassem como inst\u00e1veis e fragmentem seu elo mais fraco. Ou seja, n\u00e3o \u00e9 uma surpresa o golpe de Estado no Paraguai e em Honduras, e muito menos que um dos primeiros efeitos tenha sido a ruptura da ALBA e a entrada maci\u00e7a de capitais dos EUA. A classe oper\u00e1ria n\u00e3o escapa ao efeito das leis objetivas do capitalismo. Por que escapariam delas alguns setores burgueses?<\/p>\n<p>Seguramente, seria poss\u00edvel lan\u00e7ar muito mais luz sobre os desenvolvimentos internacionais na Am\u00e9rica Latina aumentando a aten\u00e7\u00e3o acerca de fatores, como a din\u00e2mica da luta de classes, o grau de desenvolvimento capitalista, a correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as entre os capitais monopolistas, etc. dos pa\u00edses em quest\u00e3o, conforme a esperan\u00e7a dos articulistas c\u00f4modos e as sutis declara\u00e7\u00f5es do pessoal de of\u00edcio.<\/p>\n<p>Conclus\u00f5es<\/p>\n<p>Considero que, at\u00e9\u00a0 agora, nada foi esgrimido com for\u00e7a argumentativa suficiente para nos convencer da necessidade de uma alian\u00e7a com setores de nossa burguesia na busca de uma etapa intermedi\u00e1ria entre o imperialismo e o socialismo. O imperialismo sup\u00f5e como \u00fanica poss\u00edvel sa\u00edda o comunismo, sendo o socialismo precisamente sua etapa transit\u00f3ria e imatura. A ruptura imperialista e socializa\u00e7\u00e3o formam uma unidade dial\u00e9tica.<\/p>\n<p>Basta ver os tristes casos das lutas anti-imperialistas que n\u00e3o conseguiram construir o socialismo. O desenvolvimento capitalista reclamou mudan\u00e7as na superestrutura, que considerava adequadas, e barrou as for\u00e7as populares. Isso ocorreu diretamente ou atrav\u00e9s de uma for\u00e7a invasora que derrotou o governo de turno ante a inviolabilidade da maioria da classe, ap\u00e1tica diante da mudan\u00e7a empreendida pelos eventos. Cuba decidiu iniciar a constru\u00e7\u00e3o socialista e, por isso, sua sobreviv\u00eancia contrasta com tantas trag\u00e9dias sucedidas na Am\u00e9rica Latina, Oriente M\u00e9dio e \u00c1sia.<\/p>\n<p>N\u00e3o pode existir uma ruptura na d\u00edvida, na aplica\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria e nas t\u00e9cnicas em \u00e1reas mais de acordo com nossos recursos. Assim, tais \u00e1reas n\u00e3o podem salvaguardar as necessidades populares, n\u00e3o podem estabelecer rela\u00e7\u00f5es amistosas e de colabora\u00e7\u00e3o, nem dentro e nem fora de nossos pa\u00edses, sem a ruptura dos tratados imperialistas que pesem sobre n\u00f3s. E a dita ruptura seria impens\u00e1vel, em \u00faltima inst\u00e2ncia, sem a socializa\u00e7\u00e3o dos meios concentrados e centralizados da produ\u00e7\u00e3o e de troca. Romper os tratados e os mecanismos de interc\u00e2mbio capitalista preservando as rela\u00e7\u00f5es capitalistas e a propriedade dos monop\u00f3lios significa pedir aos berros uma contra-revolu\u00e7\u00e3o, onde este dilema voltaria a crescer mais for\u00e7a.<\/p>\n<p>Todo o anterior n\u00e3o\u00a0 \u00e9\u00a0a express\u00e3o de um estudo acabado. O que apresenta \u00e9\u00a0uma preocupa\u00e7\u00e3o que, sinceramente, espero ter desdobramentos. Em mais estudos, em mais bra\u00e7os ou, pelo menos, em mais tempo. O conjunto dos partidos comunistas da Am\u00e9rica Latina retirar\u00e1, atrav\u00e9s dos esfor\u00e7os comuns, da classe oper\u00e1ria de nossos pa\u00edses as d\u00favidas, as falsas ilus\u00f5es e as confus\u00f5es, que impedem que reivindique seu lugar frente \u00e0 nova sociedade. Antes, por\u00e9m, ser\u00e1 necess\u00e1rio retirarmos de n\u00f3s mesmos as d\u00favidas, os temores, as falsas ilus\u00f5es e as confus\u00f5es, que nos impedem de revindicarmos nosso lugar como vanguarda de nossa classe.<\/p>\n<p>[1] Confrontar com Theotonio dos Santos, Ruy Mauro Marini, Fernando Henrique Cardoso, Enzo Domenico Faletto.<\/p>\n<p>[2] Dados para Setembro de 2012 com fonte das FAS, USDA<\/p>\n<p>[3] Dados da World Steel Association<\/p>\n<p>[4] Dados tomados de informes estat\u00edsticos sobre energ\u00e9ticos da British Petroleum<\/p>\n<p>[5] Dados de 2011 da FAO \u2013 ONU<\/p>\n<p>[6] Dados tomados do Centro Internacional de Estudos do T\u00e1ntalo-Niobio, do Instituto Internacional sobre o Mangan\u00eas, Instituto Internacional do Alum\u00ednio, Associa\u00e7\u00e3o Internacional para o Desenvolvimento do Cromo, Instituto Geol\u00f3gico e Mineiro da Espanha,\u00a0Strategic Materials, Final Report, Industrial Study (The Industrial College of the Armed Forces, National Defense University, Fort McNair, Washington 20319-5062, primavera de 2005)<\/p>\n<p>[7] Karl Marx,\u00a0O Capital, Tomo III, secci\u00f3n cuarta, cap\u00edtulo XX: \u201cConsidera\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas sobre o capital comercial\u201d<\/p>\n<p>[8] Informes do Minist\u00e9rio de Imigra\u00e7\u00e3o e For\u00e7a Laboral do Egito<\/p>\n<p>[9] Dados tomados do Informe Anual do Departamento Laboral da \u00c1frica do Sul, Pesquisa da For\u00e7a de Trabalho do Departamento de Estat\u00edstica da OIT<\/p>\n<p>[10] Sangheon Lee\u00a0et al,\u00a0Working Time Around the World, OIT<\/p>\n<p>[11] Informe mundial dos sal\u00e1rios da OIT<\/p>\n<p>[12] Ver \u201cO Sistema de trabalho assalariado\u201d, \u201cSal\u00e1rio, Pre\u00e7o e Lucro\u201d, \u201cTrabalho assalariado e capital\u201d, etc.<\/p>\n<p>[13] John Moyniham, \u201cA decad\u00eancia do Ocidente\u201d, confer\u00eancia pronunciada na London School of Economics, Marzo 2012<\/p>\n<p>[14] Dados do Economic Policy Institute, Center for Economic and Policy Research, y de la OIT.<\/p>\n<p>[15] Departamento de estat\u00edstica do FMI<\/p>\n<p>[16] Karl Marx,\u00a0O Capital, Tomo III, Se\u00e7\u00e3o quinta, Cap\u00edtulo XXVII: \u201cO papel do cr\u00e9dito na produ\u00e7\u00e3o capitalista\u201d.<\/p>\n<p>[17] Karl Marx,\u00a0O Capital, Tomo I, Cap\u00edtulo XXIV: \u201cA chamada acumula\u00e7\u00e3o origin\u00e1ria\u201d.<\/p>\n<p>[18] Dados do Departamento de Trabalho dos Estados Unidos<\/p>\n<p>[19] Dados tomados dos informes financeiro das empresas apresentadas \u00e0 BMV, em 2011<\/p>\n<p>[20] Dados da CEPAL<\/p>\n<p>[21] V.I.\u00a0Lenin,\u00a0O imperialismo, fase superior do capitalismo.<\/p>\n<p>[22] Declara\u00e7\u00f5es do presidente do Haiti, Michel Martelly, no F\u00f3rum de Investimento do Haiti, organizado pela Funda\u00e7\u00e3o Clinton e o BID<\/p>\n<p>[23] Felipe Cuevas M\u00e9ndez,\u00a0Crise dos fundamentos do capitalismo<\/p>\n<p>[24] Dados do Registro Sul-americano de Gasto em Defesa, UNASUR<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: PCB (Partido Comunista Brasileiro)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n2.bp.blogspot\n\n\n\n\n\n\n\n\nDiego Torres\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4261\"> 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