{"id":4273,"date":"2013-02-04T18:49:55","date_gmt":"2013-02-04T18:49:55","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4273"},"modified":"2013-02-04T18:49:55","modified_gmt":"2013-02-04T18:49:55","slug":"regime-de-metas-de-inflacao-e-alvo-de-criticas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4273","title":{"rendered":"Regime de metas de infla\u00e7\u00e3o \u00e9 alvo de cr\u00edticas"},"content":{"rendered":"\n<p>A pol\u00edtica monet\u00e1ria no mundo passa por grandes mudan\u00e7as e questionamentos, num cen\u00e1rio em que h\u00e1 restri\u00e7\u00f5es para a pol\u00edtica fiscal estimular a economia e o crescimento dos pa\u00edses desenvolvidos n\u00e3o decola. Adotado hoje pelo Brasil e por outros 26 pa\u00edses, o regime de metas de infla\u00e7\u00e3o, tido antes da crise por muitos analistas como o melhor sistema para a condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria, tem sido alvo de cr\u00edticas.<\/p>\n<p>O sistema chega a ser apontado como um dos culpados pela eclos\u00e3o da crise global em 2007 e 2008, por induzir a um foco exclusivo no comportamento dos pre\u00e7os ao consumidor, o que teria permitido a forma\u00e7\u00e3o de bolhas de ativos, como dos pre\u00e7os de im\u00f3veis.<\/p>\n<p>Nesse quadro, come\u00e7a a ganhar algum destaque a ideia de se adotar metas para o Produto Interno Bruto (PIB) nominal, mas a discuss\u00e3o est\u00e1 longe de um consenso. Para alguns analistas, mirar o PIB nominal (o valor em moeda corrente de tudo o que se produz) seria apenas uma op\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia, quando a economia est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica.<\/p>\n<p>Esses debates t\u00eam como pano de fundo um cen\u00e1rio em que ocorrem mudan\u00e7as importantes na forma de atua\u00e7\u00e3o dos bancos centrais dos pa\u00edses desenvolvidos, diz o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga. &#8220;O Fed [Federal Reserve, banco central americano] tem sido um l\u00edder nesse processo, com uma atua\u00e7\u00e3o agressiva e criativa&#8221;, afirma Arminio, s\u00f3cio da G\u00e1vea Investimentos.<\/p>\n<p>Em dezembro, o Fed anunciou que as taxas ficar\u00e3o em n\u00edveis excepcionalmente baixos enquanto o desemprego n\u00e3o cair abaixo de 6,5%, e a infla\u00e7\u00e3o projetada para o m\u00e9dio prazo n\u00e3o superar 2,5%, explicitando par\u00e2metros que v\u00e3o condicionar sua atua\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, as inje\u00e7\u00f5es de dinheiro no mercado pelo BC americano somam US$ 85 bilh\u00f5es por m\u00eas, entre compras de pap\u00e9is lastreados em hipotecas e t\u00edtulos de longo prazo.<\/p>\n<p>No Jap\u00e3o, o sisudo banco central do pa\u00eds cedeu \u00e0s press\u00f5es do novo primeiro-ministro do pa\u00eds, Shinzo Abe, e elevou a meta de infla\u00e7\u00e3o de longo prazo de 1% para 2%, al\u00e9m de ter prorrogado o programa de t\u00edtulos de curto prazo por tempo indefinido.<\/p>\n<p>Para Arminio, essas s\u00e3o &#8220;respostas \u00e0 grande crise que ainda vivemos&#8221;. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia, em que os juros nos pa\u00edses desenvolvidos j\u00e1 est\u00e3o no ch\u00e3o e h\u00e1 amarras para usar novos est\u00edmulos fiscais. Seria precipitado, com isso, apostar em mudan\u00e7as definitivas na maneira como se conduz a pol\u00edtica monet\u00e1ria no mundo, diz Arminio, para quem o desmonte das medidas mais ousadas adotadas hoje pelos BCs poder\u00e1 ser mais complexo do que se imagina.<\/p>\n<p>Professor da Universidade de Harvard (EUA) e ex-membro do Conselho de Assessores Econ\u00f4micos do ent\u00e3o presidente Bill Clinton, Jeffrey Frankel escreveu no ano passado um bem humorado &#8220;obitu\u00e1rio&#8221; do regime de metas de infla\u00e7\u00e3o, e tem defendido a ado\u00e7\u00e3o de metas para o PIB nominal.<\/p>\n<p>Em entrevista ao Valor, Frankel disse que o sistema de metas de infla\u00e7\u00e3o foi \u00fatil por um per\u00edodo, principalmente para alguns mercados emergentes como o Brasil, ao estabilizar as expectativas de infla\u00e7\u00e3o, mesmo depois das crises do fim dos anos 90, que for\u00e7aram v\u00e1rios pa\u00edses a abandonar as suas \u00e2ncoras cambiais, como fez o Brasil em janeiro de 1999.<\/p>\n<p>&#8220;Talvez o regime n\u00e3o tenha produzido nenhum grande dano at\u00e9 2008, quando uma alta dos pre\u00e7os de petr\u00f3leo levou alguns bancos centrais que adotavam metas de infla\u00e7\u00e3o a elevar os juros, num momento em que a recess\u00e3o global se aproximava&#8221;, afirma ele. &#8220;Mesmo antes disso, pode ser atribu\u00edda alguma responsabilidade ao sistema pela bolha anterior, por encorajar as autoridades monet\u00e1rias a n\u00e3o prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 forte alta dos pre\u00e7os de ativos.&#8221;<\/p>\n<p>Arminio combate a ideia de que o regime de metas foi um dos culpados pela mais recente crise global. Para ele, alguns bancos centrais &#8220;comeram mosca&#8221; na quest\u00e3o da supervis\u00e3o, mas o problema n\u00e3o se deveu \u00e0s caracter\u00edsticas do regime de metas. \u00c9 perfeitamente poss\u00edvel, segundo Arminio, conciliar o sistema com uma supervis\u00e3o mais rigorosa, em que haja preocupa\u00e7\u00f5es prudenciais adequadas. Para ele, o regime vai continuar a existir nos pr\u00f3ximos anos. Tem a simplicidade como um trunfo importante, baseando-se numa meta transparente, para a qual os BC tentam fazer a infla\u00e7\u00e3o convergir.<\/p>\n<p>No entanto, num quadro de estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e desemprego elevado, a defini\u00e7\u00e3o de metas para o PIB nominal tem ganhado apoios. O presidente do BC do Canad\u00e1, Mark Carney, escolhido para comandar o BC do Reino Unido a partir de julho, disse em dezembro que, em certas circunst\u00e2ncias, em que mais est\u00edmulos \u00e0 economia sejam necess\u00e1rios, as autoridades poderiam passar a mirar o PIB nominal. O Reino Unido segue o regime de metas de infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao propor a ado\u00e7\u00e3o pelo Fed de metas para o PIB nominal num artigo publicado no fim de 2011, a economista Christina Romer explicou o sistema de modo did\u00e1tico. Ex-chefe do Conselho de Assessores Econ\u00f4micos do presidente Barack Obama e professora da Universidade da Calif\u00f3rnia, em Berkeley, Christina diz que &#8220;o PIB nominal \u00e9 apenas o termo t\u00e9cnico para o valor em d\u00f3lares de tudo o que produzimos. \u00c9 o produto total (o PIB real) multiplicado pelos pre\u00e7os correntes&#8221;. Para os EUA, uma meta razo\u00e1vel seria algo como 4,5%, considerando 2,5% como um crescimento &#8220;normal&#8221; para a economia americana e 2% para a infla\u00e7\u00e3o, o n\u00edvel que o Fed considera apropriado para o longo prazo.<\/p>\n<p>Segundo a proposta de Christina, o Fed tomaria como base um ano em que a economia teve desempenho normal, como 2007, e diria que o PIB nominal deveria ter crescido 4,5% ao ano desde ent\u00e3o, ritmo que continuaria a ser perseguido nos anos seguintes. &#8220;Por causa da recess\u00e3o e da infla\u00e7\u00e3o muito baixa de 2009 e 2010, o PIB nominal est\u00e1 hoje [no fim de 2011, data do artigo] 10% abaixo daquela trajet\u00f3ria. Ao adotar meta para o PIB nominal, o Fed se compromete a eliminar esse intervalo.&#8221; Essa mudan\u00e7a ajudaria a melhorar a confian\u00e7a e as expectativas de consumidores e empres\u00e1rios, levando-os a gastar mais no presente.<\/p>\n<p>Frankel diz que as metas para o PIB nominal s\u00e3o mais adequadas para enfrentar choques de oferta ou nos termos de troca (a rela\u00e7\u00e3o entre pre\u00e7os de exporta\u00e7\u00e3o e de importa\u00e7\u00e3o). Se tivesse um alvo para o PIB nominal, o Banco Central Europeu (BCE) poderia ter evitado o erro cometido em julho de 2008, quando elevou os juros para combater o efeito da alta do petr\u00f3leo sobre os pre\u00e7os ao consumidor, embora a economia caminhasse para a recess\u00e3o, diz Frankel, em artigo publicado em dezembro. Para ele, o sistema poderia ter ajudado a impedir que o Fed mantivesse uma pol\u00edtica monet\u00e1ria excessivamente frouxa entre 2004 e 2006, quando o PIB nominal cresceu mais de 6%, ainda que a infla\u00e7\u00e3o estivesse comportada.<\/p>\n<p>Arminio n\u00e3o mostra simpatia pelo regime. &#8220;N\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel no longo prazo.&#8221; Um risco existente \u00e9 o de que, num momento em que o PIB nominal crescer com for\u00e7a, a uma taxa superior \u00e0 meta definida para esse indicador, o BC pode ser levado a que apertar a pol\u00edtica monet\u00e1ria, mesmo se houver uma combina\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel de crescimento forte e infla\u00e7\u00e3o baixa.<\/p>\n<p>Para Carlos Viana de Carvalho, professor da PUC-Rio e s\u00f3cio da Kyros Investimentos, essa ideia s\u00f3 faz sentido como resposta a situa\u00e7\u00f5es muito dif\u00edceis, como em 2009, quando havia risco de depress\u00e3o em virtude da deteriora\u00e7\u00e3o da crise provocada pela quebra do Lehman Brothers, no ano anterior. Carvalho, ex-economista-s\u00eanior do Fed de Nova York, nota ainda que podem surgir problemas por causa da dificuldade em definir o crescimento potencial da economia (que n\u00e3o provoca press\u00f5es inflacion\u00e1rias). Se o PIB potencial for superestimado, o BC pode passar a tolerar uma infla\u00e7\u00e3o mais alta do que seria desej\u00e1vel para chegar ao alvo para o PIB nominal.<\/p>\n<p>No caso do Brasil, Arminio e Carvalho consideram que o regime de metas de infla\u00e7\u00e3o continua a ser o mais adequado. O pa\u00eds, por exemplo, n\u00e3o enfrenta uma situa\u00e7\u00e3o delicada, como as economias desenvolvidas.<\/p>\n<p>Ao analisar a pol\u00edtica monet\u00e1ria brasileira recente, Arminio diz que o BC brasileiro acertou ao come\u00e7ar a reduzir os juros em agosto de 2011, quando antecipou o agravamento da crise europeia. Para ele, contudo, as a\u00e7\u00f5es do BC passaram a fazer menos sentido quando ficou claro que a economia se aproximava do pleno emprego com infla\u00e7\u00e3o ainda alta.<\/p>\n<p>Arminio diz que o incomoda o fato de as proje\u00e7\u00f5es para o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA), tanto dos analistas quanto as embutidas em t\u00edtulos p\u00fablicos corrigidos pelo indicador, apontarem infla\u00e7\u00e3o bem acima do centro da meta, de 4,5%, &#8220;meta que j\u00e1 era um pouco alta&#8221;. Isso tudo \u00e9 ruim num pa\u00eds com um hist\u00f3rico de infla\u00e7\u00e3o elevada e indexa\u00e7\u00e3o, afirma o ex-presidente do BC.<\/p>\n<p>XXX<\/p>\n<p>ANTT aperta cerco contra concession\u00e1rios de rodovias<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>A Ag\u00eancia Nacional de Transpor\u00adtes Terrestres (ANTT) colocou em audi\u00eancia p\u00fablica um novo regulamento para a imposi\u00e7\u00e3o de multas a concession\u00e1rios de rodovias, com o intuito de torn\u00e1-las mais efetivas. A legisla\u00e7\u00e3o atual cont\u00e9m imprecis\u00f5es de re\u00adda\u00e7\u00e3o que d\u00e3o margem a contes\u00adta\u00e7\u00e3o por parte dos concession\u00e1\u00adrios e dificulta a puni\u00e7\u00e3o. A exist\u00eancia de buracos, por exemplo, passar\u00e1 a ser pass\u00edvel de multa de imediato. De acordo com t\u00e9cnicos, o problema n\u00e3o es\u00adt\u00e1 claramente tipificado. \u00c9 preci\u00adso que a fiscaliza\u00e7\u00e3o constate o problema e exija provid\u00eancias. S\u00f3 no caso de descurnprimento \u00e9 que h\u00e1 puni\u00e7\u00e3o. O governo tamb\u00e9m quer per\u00admitir que os concession\u00e1rios convertam multas em obras. A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 que eventuais puni\u00ad\u00e7\u00f5es devem ser revertidas em benef\u00edcio do usu\u00e1rio, e n\u00e3o virar re\u00adcursos para o Tesouro Nacional. Essas obras, por\u00e9m, n\u00e3o pode\u00adr\u00e3o ser consideradas na hora de calcular o ped\u00e1gio. Para evitar intermin\u00e1veis dis\u00adcuss\u00f5es em torno de multas, a proposta prev\u00ea que o concessio\u00adn\u00e1rio pode ter um desconto de 20% a 25% do valor, se desistir de questionar a puni\u00e7\u00e3o nas esferas administrativa e judicial. Tam\u00adb\u00e9m nesse caso, o objetivo \u00e9 dar mais efetividade ao trabalho da fiscaliza\u00e7\u00e3o. O governo prop\u00f5e tamb\u00e9m mudan\u00e7a na estrutura de multas aplicadas \u00e0s concess\u00f5es feitas na primeira etapa do programa (Du\u00adtra, ponte Rio-Niter\u00f3i e BR 040, entre outras) e aquelas da segun\u00adda etapa (R\u00e9gis Bittencourt, Fern\u00e3o Dias e outras). Por serem muito diferentes, elas d\u00e3o mar\u00adgem a contesta\u00e7\u00e3o. A minuta da nova regulamenta\u00e7\u00e3o foi toma\u00adda p\u00fablica, para receber suges\u00adt\u00f5es at\u00e9 o dia 15 deste m\u00eas. \/ L.A.O.<\/p>\n<p>XXX<\/p>\n<p>Cr\u00e9dito dispara e exp\u00f5e China a risco de bolha<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>A China conseguiu evitar um pouso for\u00e7ado de sua economia no ano passado, mas agravou o risco de enfrentar no futuro uma crise financeira com ingredientes semelhantes \u00e0 da que abalou o mundo em 2008, incluindo pitadas de &#8220;subprime&#8221; e &#8220;esquemas Ponzi&#8221;. A rea\u00e7\u00e3o do Produto Interno Bruto (PIB) foi obtida gra\u00e7as a uma nova onda de expans\u00e3o do cr\u00e9dito, alimentada principalmente por fontes paralelas aos empr\u00e9stimos banc\u00e1rios formais, empacotadas em inova\u00e7\u00f5es financeiras sobre as quais h\u00e1 pouca &#8211; ou nenhuma &#8211; regula\u00e7\u00e3o e supervis\u00e3o. A estimativa do mercado \u00e9 que os ativos movimentados por esse sistema &#8220;informal&#8221; atingiram 30 trilh\u00f5es de yuans (US$ 4,8 trilh\u00f5es) no fim de 2012, o que representa cerca de 60% do PIB. Al\u00e9m disso, a velocidade em que o endividamento total cresceu desde 2008 supera a registrada nos Estados Unidos antes da quebra do banco Lehman Brothers, em setembro daquele ano, e no Jap\u00e3o dos anos 80, per\u00edodo que antecedeu o estouro da bolha especulativa que envolveu o pa\u00eds, afirmam Edward Chancellor e Mike Monnelly, do banco de investimentos norte-americano GMO.<\/p>\n<p>&#8220;A economia chinesa se tornou viciada em cr\u00e9dito e requer volumes cada vez maiores de d\u00edvida para gerar a mesma unidade de crescimento&#8221;, escrevem ambos em uma das mais pessimistas an\u00e1lises sobre a situa\u00e7\u00e3o atual da segunda maior economia do mundo. S\u00f3 em 2012, o volume de novos financiamentos foi de 15,76 trilh\u00f5es de yuans (US$ 2,53 trilh\u00f5es), cifra equivalente a 33% do PIB do pa\u00eds no ano anterior e ao tamanho total da economia brasileira. A inje\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito j\u00e1 havia sido o principal artif\u00edcio da China para evitar o impacto do tsunami financeiro que varreu o planeta a partir do fim de 2008: em 2009, o endividamento do pa\u00eds aumentou em valor iguai a 45% do PIB. A ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o de risco Fitch estima que o volume total de cr\u00e9dito saltou de 124% do PIB em 2008 para 190% do PIB no ano passado, uma alta de 66 pontos porcentuais em quatro anos. &#8220;O pouso for\u00e7ado parece ter sido evitado, mas a expans\u00e3o monet\u00e1ria de 2012 elevou a quantidade de cr\u00e9dito na economia chinesa a novos patamares e intensificou a preocupa\u00e7\u00e3o da Fitch em rela\u00e7\u00e3o a um problema de d\u00edvida na China&#8221;, diz a institui\u00e7\u00e3o em nota divulgada h\u00e1 duas semanas.<\/p>\n<p>Acompanhados tradicionalmente como um term\u00f4metro da economia local, os empr\u00e9stimos banc\u00e1rios perderam terreno como fontes de financiamento para outros ve\u00edculos, muitos dos quais vistos com desconfian\u00e7a pelos analistas. Em 2012, as linhas concedidas pelos bancos corresponderam a 52% do total de cr\u00e9dito, depois dos 64% registrados no ano anterior e dos 92% de 2002. O restante do endividamento foi contra\u00eddo junto a fontes paralelas, que o Banco do Povo da China come\u00e7ou a monitorar no primeiro semestre de 2011, quando cunhou a express\u00e3o &#8220;Financiamento Social Total&#8221; (TSF, 11a sigla em ingl\u00eas). Al\u00e9m dos empr\u00e9stimos banc\u00e1rios em yuans, a defini\u00e7\u00e3o inclui categorias como investimentos oferecidos por empresas de trast, emiss\u00e3o de b\u00f4nus corporativos e inova\u00e7\u00f5es chamadas de &#8220;produtos de gest\u00e3o de riqueza&#8221; (WMPs na sigla em ingl\u00eas para Wealth Management Products), que s\u00e3o fundos criados com recursos de v\u00e1rias pessoas e aplicados de maneira diversificada. Em tese, o surgimento de novas op\u00e7\u00f5es de investimentos contribui pa\u00a3i a desejada reforma do sistema financeiro e a conseq\u00fcente liberaliza\u00e7\u00e3o dos juros &#8211; a rentabilidade dos produtos &#8220;paralelos&#8221; \u00e9 superior \u00e0 taxa incidente sobre os dep\u00f3sitos, fixada pelo governo em 3%. O problema \u00e9 a velocidade de expans\u00e3o desses cr\u00e9ditos e a aus\u00eancia de uma moldura regulat\u00f3ria, observa Bo Zhuang, da consultoria brit\u00e2nica Trusted Sources. &#8220;A China come\u00e7a a trilhar o caminho de uma crise nos moldes do subprime&#8221;, opina, em refer\u00eancia aos cr\u00e9ditos podres que desencadearam o drama de 2008. Terremoto. Bo Zhuang acredita que o problema poder\u00e1 ser empurrado por dois anos, mas dever\u00e1 provocar um terremoto quando finalmente transbordar. Segundo ele, a expans\u00e3o paralela do cr\u00e9dito \u00e9 resultado de pol\u00edticas contradit\u00f3rias do governo de Pequim: as autoridades querem estimular o crescimento e, ao mesmo tempo, conter a expans\u00e3o dos empr\u00e9stimos banc\u00e1rios e a infla\u00e7\u00e3o e realizar reformas. Em uma situa\u00e7\u00e3o de grande liquidez, o resultado \u00e9 o florescimento de fontes paralelas de cr\u00e9dito. Enquanto diminuiu a participa\u00e7\u00e3o das linhas tradicionais no total de endividamento, o porcentual dos b\u00f4nus corporativos passou de 10,6% para 14,3% entre 2011 e 2012.<\/p>\n<p>A parcela dos trustes foi de 1,6% para 8,2%. &#8220;Eu sou otimista em rela\u00e7\u00e3o ao curto prazo, mas muito pessimista 110 longo prazo&#8221;, ressalta Bo. Para os analistas do GMO, o governo parece estar prestes a perder o controle sobre o sistema de cr\u00e9dito, o que pode atingir o pr\u00f3prio modelo que gerou o espetacular crescimento das \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas. &#8220;O &#8220;Capitalismo Vermelho&#8221;, que \u00e9 a habilidade das autoridades chinesas de direcionarem a enorme poupan\u00e7a do pa\u00eds para seus pr\u00f3prios fins, enfrenta uma amea\u00e7a existencial&#8221;, escreveram Chancellor e Monnelly.<\/p>\n<p>A EXPANS\u00c3O DO ENDIVIDAMENTO NA CHINA E SEUS RISCOS<\/p>\n<p>Novos cr\u00e9ditos 0 valor dos novos cr\u00e9ditos concedidos em 2012 foi de 15,76 trilh\u00f5es de yuans (US$ 2,53 trilh\u00f5es), 0 equivalente a 33% do PIB do ano anterior \u2022 Aumento do endividamento 0 n\u00edvel de endividamento do pa\u00eds saltou de 124% do PIB em 2008 para quase 190% do PIB em 2012, segundo a ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o de risco Fitch \u2022 Preocupa\u00e7\u00e3o de analistas A ag\u00eancia de avalia\u00e7\u00e3o de risco Fitch Ratings alerta que a expans\u00e3o monet\u00e1ria de 2012 evitou o pouso for\u00e7ado da economia chinesa, mas elevou a quantidade de cr\u00e9dito na economia a novos patamares. Na opini\u00e3o dos analistas, a situa\u00e7\u00e3o pode gerar um problema de d\u00edvida \u2022 Cr\u00e9dito fora dos bancos Empr\u00e9stimos concedidos fora do sistema banc\u00e1rio cresceram mais rapidamente que o cr\u00e9dito tradicional no ano passado e j\u00e1 representam 48% do total. Em 2002, o porcentual era de 2% \u2022 Empr\u00e9stimos inovadores As fontes n\u00e3o tradicionais de cr\u00e9dito incluem a emiss\u00e3o de b\u00f4nus corporativos e a cria\u00e7\u00e3o de produtos &#8220;inovadores&#8221;, como fundos de gest\u00e3o de riqueza ou projetos elaborados por &#8220;trust companies&#8221;, muitos dos quais n\u00e3o ter\u00e3o o retorno financeiro esperado \u2022 Supervis\u00e3o incipiente A supervis\u00e3o dos novos modelos de cr\u00e9dito ainda \u00e9 recente e o r\u00e1pido crescimento dessas atividades representa um risco para o sistema financeiro \u2022 Fragilidade financeira Para o banco de investimentos norte-americano GMO, 0 sistema de cr\u00e9dito da China exibe um grande n\u00famero de indicadores associados a uma aguda fragilidade financeira Est\u00edmulo da Liquidez A expans\u00e3o do cr\u00e9dito \u00e9 estimulada pela grande liquidez na economia. A quantidade de dinheiro em circula\u00e7\u00e3o aumentou 13,8% em 2012 e atingiu 97,42 trilh\u00f5es de yuans, o equivalente a US$ 15,71 trilh\u00f5es, a maior cifra do mundo \u2022 Risco banc\u00e1rio O banco HSBC alerta que mudan\u00e7as no apetite por risco ou da percep\u00e7\u00e3o dos investidores podem desestabilizar 0 setor banc\u00e1rio do ponto de vista de recursos<\/p>\n<p>XXX<\/p>\n<p>Analistas esperam rea\u00e7\u00e3o modesta da produ\u00e7\u00e3o industrial<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Depois de um desempenho sofr\u00edvel em 2012, a ind\u00fastria manteve seu n\u00edvel de produ\u00e7\u00e3o no \u00faltimo m\u00eas do ano em rela\u00e7\u00e3o a novembro, feitos os ajustes sazonais, resultado melhor que a queda esperada pelo mercado, mas que n\u00e3o trouxe perspectivas mais favor\u00e1veis \u00e0 retomada modesta projetada para 2013. Se no ano passado os principais determinantes do recuo de 2,7% da produ\u00e7\u00e3o, pior resultado desde 2009, quando o setor sofreu um tombo de 7,4%, foram a deteriora\u00e7\u00e3o do investimento, estoques elevados, dificuldade para exportar e o aumento do n\u00edvel de endividamento das fam\u00edlias, entre outros, os economistas acreditam que neste ano medidas mais horizontais tomadas pelo governo ajudar\u00e3o o setor a se recuperar. Essa rea\u00e7\u00e3o, no entanto, ainda deve ser irregular, j\u00e1 que o cen\u00e1rio externo segue desafiador e ainda h\u00e1 incertezas que podem atrapalhar a evolu\u00e7\u00e3o do setor de bens de capital.<\/p>\n<p>Ao cair 0,8% na passagem de novembro para dezembro, essa parte da ind\u00fastria marcou sua quinta retra\u00e7\u00e3o mensal consecutiva. No ano, recuou 11,8%, pior resultado entre as quatro categorias de uso pesquisadas pelo IBGE.<\/p>\n<p>Para Rodrigo Nishida, economista da LCA Consultores, um ac\u00famulo excessivo de estoques prejudicou os fabricantes de bens de capital no \u00faltimo m\u00eas do ano, j\u00e1 que as vendas de caminh\u00f5es e \u00f4nibus reagiram e os desembolsos do BNDES tamb\u00e9m aumentaram no per\u00edodo. Segundo sondagens da FGV, o setor de bens de capital \u00e9 o \u00fanico que ainda sofre com excesso de mercadorias paradas, nota Nishida, mas essa situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 se ajustando e, \u00e0 medida que os estoques forem queimados, a produ\u00e7\u00e3o deve voltar com mais f\u00f4lego, porque medidas para destravar o investimento foram tomadas.<\/p>\n<p>O analista da LCA tamb\u00e9m destaca o comportamento ruim do segmento de bens dur\u00e1veis, que, a despeito do \u00faltimo m\u00eas com IPI reduzido para autom\u00f3veis, encolheu 0,5% ante novembro, com queda de 1% em ve\u00edculos automotores. Ele aponta que o consumo de carros ficou mais concentrado no terceiro trimestre, mas tamb\u00e9m contribu\u00edram para o resultado ruim da atividade industrial do setor em dezembro a paralisa\u00e7\u00e3o na f\u00e1brica da Renault e a n\u00e3o incorpora\u00e7\u00e3o pelo IBGE da produ\u00e7\u00e3o das novas f\u00e1bricas de montadoras asi\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Segundo Fl\u00e1vio Serrano, do BES Investimento, o primeiro semestre ainda deve mostrar um desempenho &#8220;moroso&#8221; da ind\u00fastria porque, apesar de um crescimento mais espalhado entre outros ramos, o segmento de ve\u00edculos crescer\u00e1 a taxas bem mais modestas com a volta gradual do IPI. &#8220;O ciclo de bens dur\u00e1veis est\u00e1 acabando e esse modelo de crescimento est\u00e1 se esgotando&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O analista Fabio Ramos, da Quest Investimentos, projeta que a produ\u00e7\u00e3o industrial ter\u00e1 expans\u00e3o de 3% frente a 2012, com desempenho um pouco melhor das exporta\u00e7\u00f5es e &#8220;o fim da fase da queda do investimento&#8221;, mas com alguma ressaca no setor de bens dur\u00e1veis, provocada pela retirada dos incentivos e a antecipa\u00e7\u00e3o de consumo observada em 2012.<\/p>\n<p>Serrano, do BES, trabalha com alta entre 3% e 3,5% da produ\u00e7\u00e3o, mas avalia que a posi\u00e7\u00e3o mais intervencionista do governo ainda pode atrapalhar a volta esperada para o investimento e \u00e9 um risco importante a esse cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ajudar\u00e3o na alta de 3,5% estimada para a ind\u00fastria em 2013, diz Nishida, da LCA, a fraca base de compara\u00e7\u00e3o de 2012, o c\u00e2mbio em n\u00edvel mais depreciado, ainda que tenha havido uma pequena valoriza\u00e7\u00e3o, estoques mais ajustados, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o do setor de bens de capital, e todas as demais medidas tomadas pelo governo para incentivar o setor, tais como a redu\u00e7\u00e3o das tarifas de energia e a desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamento. &#8220;Mas uma deteriora\u00e7\u00e3o adicional do cen\u00e1rio externo ainda representa um risco \u00e0 retomada&#8221;.<\/p>\n<p>Para janeiro, os analistas ouvidos ainda n\u00e3o fizeram suas proje\u00e7\u00f5es para a produ\u00e7\u00e3o porque indicadores antecedentes importantes, como o dado de produ\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos da Anfavea, n\u00e3o foram divulgados, mas h\u00e1 a percep\u00e7\u00e3o de que a ind\u00fastria pode voltar para o terreno positivo, j\u00e1 que a confian\u00e7a do empresariado seguiu em alta no primeiro m\u00eas do ano e \u00cdndice de Gerentes de Compras do HSBC referente a janeiro mostrou aumento de novas encomendas.<\/p>\n<p>XXX<\/p>\n<p>Fundos ter\u00e3o R$ 9,5 bi para infraestrutura<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Diante do potencial de demanda de financiamento para os projetos de infraestrutura, que estima-se que devem requerer mais de R$ 1 trilh\u00e3o em investimentos at\u00e9 2016, os gestores de &#8220;private equity&#8221; est\u00e3o preparando o lan\u00e7amento de carteiras com foco nesse setor. Est\u00e3o em capta\u00e7\u00e3o no mercado 12 fundos, que pretendem levantar pelo menos R$ 9,5 bilh\u00f5es voltados para a aquisi\u00e7\u00e3o de participa\u00e7\u00e3o em empresas ou em projetos dos mais variados setores de infraestrutura, que incluem log\u00edstica, energia, transportes e portos.<\/p>\n<p>A Caixa est\u00e1 captando dois fundos de investimento em participa\u00e7\u00e3o (FIPs) voltados para o setor de infraestrutura, sendo uma carteira lan\u00e7ada em parceria com o Banco Esp\u00edrito Santo (BES), que prev\u00ea levantar R$ 500 milh\u00f5es com investidores locais, e outro fundo de US$ 1 bilh\u00e3o, que contar\u00e1 com distribui\u00e7\u00e3o para estrangeiros.<\/p>\n<p>Outros bancos, como BTG Pactual e Santander, e gestoras tradicionais no setor de infraestrutura, caso de Angra, a americana Darby Overseas e a BRZ Investimentos, tamb\u00e9m est\u00e3o estruturando fundos voltados para o setor. O BTG, por exemplo, pretende levantar R$ 1,5 bilh\u00e3o com um novo fundo de private equity.<\/p>\n<p>S\u00f3 o pacote de concess\u00f5es de ferrovias e rodovias de R$ 133 bilh\u00f5es, anunciado pelo governo federal no ano passado, demandar\u00e1 investimento de R$ 79,5 bilh\u00f5es nos pr\u00f3ximos cinco anos. Ainda est\u00e3o previstos para este ano a licita\u00e7\u00e3o de concess\u00f5es importantes na \u00e1rea de aeroportos, como no caso dos terminais de Confins, em Minas Gerais, e do Gale\u00e3o, no Rio de Janeiro, al\u00e9m da primeira etapa do projeto do trem-bala, que deve demandar no total R$ 35 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>A Mantiq Investimentos, gestora de private equity do Santander, pretende captar um segundo portf\u00f3lio voltado para o setor de infraestrutura. &#8220;Diante dos t\u00edquetes mais elevados que ser\u00e3o exigidos pelos novos projetos, o fundo ter\u00e1 que ter um patrim\u00f4nio de pelo menos R$ 1 bilh\u00e3o&#8221;, diz Marcos Matioli, diretor-executivo da Mantiq. O portf\u00f3lio ter\u00e1 flexibilidade para entrar tanto no capital dos projetos como no suporte de cr\u00e9dito por meio da compra de t\u00edtulos de d\u00edvida.<\/p>\n<p>O primeiro fundo da gestora, o InfraBrasil, lan\u00e7ado em 2004, possui R$ 1,2 bilh\u00e3o de patrim\u00f4nio e j\u00e1 est\u00e1 todo investido. A Mantiq tem interesse em participar de alguns projetos de mobilidade urbana. No setor de energia, a prefer\u00eancia \u00e9 por projetos de biomassa e termoel\u00e9tricas. &#8220;N\u00e3o queremos entrar em grandes obras como Jirau e Belo Monte, que t\u00eam prazos muito longos de desenvolvimento&#8221;, diz Matioli.<\/p>\n<p>A gestora JG Capital, especializada em produtos estruturados, tamb\u00e9m pretende lan\u00e7ar um FIP voltado para o setor de infraestrutura neste m\u00eas. A ideia \u00e9 captar R$ 400 milh\u00f5es para investir em empresas da cadeia de produ\u00e7\u00e3o, com faturamento entre R$ 50 milh\u00f5es e R$ 400 milh\u00f5es. &#8220;As grandes companhias do setor de infraestrutura j\u00e1 est\u00e3o muito caras e, por isso, optamos por focar na cadeia de fornecedores&#8221;, afirma Ricardo Ribas Lima, respons\u00e1vel pela gestora.<\/p>\n<p>A JG Capital tem identificado oportunidades no segmento de portos e ferrovias. &#8220;Estamos analisando alguns investimentos ligados ao escoamento da produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os no Centro-Oeste, Norte e Nordeste&#8221;, afirma Lima.<\/p>\n<p>J\u00e1 na \u00e1rea de portos, o foco \u00e9 em prestadores de servi\u00e7os ligados a investimentos nas vias de acesso aos terminais portu\u00e1rios.<\/p>\n<p>O governo anunciou no fim de 2012 investimentos de R$ 54,2 bilh\u00f5es no setor portu\u00e1rio at\u00e9 2017.<\/p>\n<p>A revitaliza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea do porto Cais Mau\u00e1, em Porto Alegre, por exemplo, deve ser financiada por fundos. A gestora carioca NSG Capital, que faz parte do cons\u00f3rcio respons\u00e1vel pela obra, formado pela espanhola GSS e a Contern, do grupo Bertin, est\u00e1 estruturando dois portf\u00f3lios para a constru\u00e7\u00e3o do empreendimento, que deve demandar R$ 560 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9 levantar R$ 450 milh\u00f5es por meio do lan\u00e7amento de um fundo imobili\u00e1rio (FII) e de um fundo de participa\u00e7\u00e3o no capital da holding. &#8220;J\u00e1 estamos em fase de estrutura\u00e7\u00e3o do fundo imobili\u00e1rio, de cerca de R$ 200 milh\u00f5es, que ser\u00e3o investidos na constru\u00e7\u00e3o do complexo com um hotel e duas torres comerciais&#8221;, afirma Paulo Lima, diretor comercial da NSG.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o da primeira etapa do projeto est\u00e1 prevista para 2014 e envolve a revitaliza\u00e7\u00e3o da parte portu\u00e1ria \u00e0 margem do rio Gua\u00edba, semelhante ao modelo desenvolvido na regi\u00e3o de Puerto Madero, em Buenos Aires. O projeto inclui ainda um shopping center, que ser\u00e1 constru\u00eddo por operador privado, e uma \u00e1rea de entretenimento, que ser\u00e1 operada pela Coca-Cola.<\/p>\n<p>A BRZ Investimentos tamb\u00e9m planeja participar dos novos projetos nas \u00e1reas de portos por meio da empresa LogZ, criada em 2010 para gerir os investimentos da gestora no setor de log\u00edstica.<\/p>\n<p>O primeiro fundo, o Brasil Log\u00edstica FIP, de R$ 500 milh\u00f5es, j\u00e1 est\u00e1 todo investido, e a BRZ est\u00e1 captando um segundo portf\u00f3lio, cuja previs\u00e3o \u00e9 chegar a R$ 900 milh\u00f5es segundo prospecto registrado na Comiss\u00e3o de Valores Mobili\u00e1rios.<\/p>\n<p>Atualmente, a LogZ det\u00e9m participa\u00e7\u00f5es em quatro empresas do setor portu\u00e1rio localizadas em Santa Catarina. &#8220;Vemos oportunidades nos setores de log\u00edstica voltada para o transporte de cargas, ferrovi\u00e1rio, portos e armazenagem&#8221;, afirma Nelson Rozental, s\u00f3cio-diretor da BRZ.<\/p>\n<p>A gestora prefere investir em empresas respons\u00e1veis pelos investimentos no setor, como fez com a ALL em ferrovias, do que entrar diretamente em projetos. &#8220;Isso torna mais f\u00e1cil o desinvestimento&#8221;, diz Rozental.<\/p>\n<p>A Darby tamb\u00e9m est\u00e1 captando um segundo fundo mezanino, que investe na compra de deb\u00eantures que podem ser convertidas em a\u00e7\u00f5es, com previs\u00e3o de levantar R$ 450 milh\u00f5es segundo apurou o Valor. O primeiro fundo, lan\u00e7ado em 2008 pela Darby Stratus, de R$ 387 milh\u00f5es, est\u00e1 com 70% da carteira comprometidos, tendo investido em quatro empresas. &#8220;O fundo mezanino se provou interessante porque a sa\u00edda do investimento se d\u00e1 pela amortiza\u00e7\u00e3o dos pap\u00e9is&#8221;, diz Eduardo Farhat, diretor da Darby Private Equity. O alvo da Darby s\u00e3o empresas com faturamento entre R$ 100 milh\u00f5es e R$ 150 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>A Rio Bravo Investimentos tamb\u00e9m pretende lan\u00e7ar uma carteira de renda fixa que pode chegar a R$ 600 milh\u00f5es para financiar diretamente projetos nas \u00e1reas de portos, aeroportos, rodovias e ferrovias, incluindo a parte de transporte urbano, afirma F\u00e1bio Okamoto, s\u00f3cio-diretor da Rio Bravo. A gestora tamb\u00e9m avalia a possibilidade de montar um FIP, de R$ 400 milh\u00f5es a R$ 500 milh\u00f5es, para investir nesses projetos.<\/p>\n<p>XXX<\/p>\n<p>Nova classe m\u00e9dia demanda servi\u00e7os<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Edilaine Martins Borges: aumento de renda depois que entrou na faculdade, h\u00e1 um ano e meio, permitiu a compra de um carro e que fa\u00e7a planos para matricular a filha Larissa num curso de ingl\u00eas<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos quatro anos, a consultora de vendas Patr\u00edcia Mota cursou faculdade, transferiu a filha de 12 anos da escola p\u00fablica para a particular, instalou internet e TV por assinatura em casa e passou a frequentar sal\u00f5es de beleza. Al\u00e9m disso, contratou uma empresa de limpeza para fazer periodicamente a faxina de sua casa, o que permite a ela aproveitar os fins de semana com a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Nesses quatro anos, o sal\u00e1rio de Patr\u00edcia, que era de R$ 900 por m\u00eas, quadruplicou. &#8220;Sempre batalhei. Agora, tenho reconhecimento e posso dar uma vida mais confort\u00e1vel para minha fam\u00edlia&#8221;, diz a consultora, que tamb\u00e9m \u00e9 m\u00e3e de um menino de quatro anos.<\/p>\n<p>A assistente de recursos humanos Edilaine Martins Borges conta hist\u00f3ria parecida. Ela viu seu sal\u00e1rio subir depois que entrou na faculdade, h\u00e1 cerca de um ano e meio. Com a renda extra, Edilaine planeja pagar um curso de ingl\u00eas para a filha Larissa, de 15 anos, que j\u00e1 estuda em escola privada h\u00e1 tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>O aumento da renda, diz Edilaine, garantiu maior contato entre m\u00e3e e filha. &#8220;Agora, vamos juntas ao cabeleireiro, \u00e0 manicure e \u00e0s sess\u00f5es de depila\u00e7\u00e3o. Temos mais tempo para n\u00f3s&#8221;, afirma. Recentemente, ela comprou um carro e n\u00e3o hesitou em fazer uma despesa a mais para coloc\u00e1-lo no seguro.<\/p>\n<p>Patr\u00edcia e Edilaine s\u00e3o representantes de uma classe m\u00e9dia que, nos \u00faltimos anos, est\u00e1 mudando o perfil do Brasil. De 2002 a 2012, a classe m\u00e9dia brasileira ganhou 37 milh\u00f5es de novos participantes, pessoas que deixaram de apenas sobreviver para se tornarem consumidores. Esse fen\u00f4meno, que elevou de 38% para 52% a participa\u00e7\u00e3o da classe C na pir\u00e2mide social do pa\u00eds, ampliou a demanda por servi\u00e7os em cerca de 33%, segundo levantamento do Data Popular. Uma d\u00e9cada atr\u00e1s, a classe m\u00e9dia gastava 49,7% de sua renda com servi\u00e7os. Neste ano, a expectativa \u00e9 que tais despesas cheguem a 66,3% dos rendimentos.<\/p>\n<p>&#8220;Os fartos reajustes no sal\u00e1rio m\u00ednimo, o aumento e a formaliza\u00e7\u00e3o do emprego nos \u00faltimos anos levaram a esse cen\u00e1rio&#8221;, diz o s\u00f3cio-diretor do Data Popular, Renato Meirelles. Entre 2002 e 2012, o sal\u00e1rio m\u00ednimo subiu 172,5%, superando de longe a infla\u00e7\u00e3o no per\u00edodo, de 76,6%. O resultado foi um ganho real de 54,3% nesse intervalo, o que influenciou os acordos salariais, principalmente das categorias de menor rendimento.<\/p>\n<p>A mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (PNAD) mostra que, de 2007 para 2011, o aumento salarial real dos 20% da popula\u00e7\u00e3o com menor renda foi de 36,8%, ao passo que o reajuste para os 10% mais abonados foi de 7,9%. Ou seja, quanto menor o sal\u00e1rio, maior o reajuste.<\/p>\n<p>Paralelamente ao avan\u00e7o do rendimento, o pa\u00eds presenciou a queda no desemprego, com a taxa de desocupa\u00e7\u00e3o passando de 9,3% para 6% nesse mesmo intervalo. A expectativa dos economistas \u00e9 que em 2012 esse percentual seja ainda mais baixo, em torno de 5,5%.<\/p>\n<p>&#8220;O setor de servi\u00e7os \u00e9 o principal gerador de emprego e renda no pa\u00eds. Ele \u00e9 respons\u00e1vel pelos dois lados da moeda. Por um lado, \u00e9 o que mais contribui para a expans\u00e3o do consumo e, por outro, sofre os impactos dos aumentos de custos&#8221;, observa o presidente do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea), Marcelo Neri.<\/p>\n<p>Empregados e com mais dinheiro no bolso, os brasileiros foram al\u00e9m do estritamente essencial. Buscaram aqueles servi\u00e7os que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o faziam parte de seu dia a dia, e os pre\u00e7os rapidamente subiram. Em 2007, a infla\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os superava levemente o \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA). A diferen\u00e7a era de 0,7 ponto percentual, com o IPCA subindo 4,5% no per\u00edodo em que os servi\u00e7os aumentaram 5,2%. Cinco anos depois, a infla\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os j\u00e1 se mostrava tr\u00eas pontos percentuais acima do IPCA. No ano passado, os servi\u00e7os aumentaram 8,8%, enquanto o IPCA teve alta de 5,8%.<\/p>\n<p>Nos servi\u00e7os pessoais, a press\u00e3o foi ainda maior. Os pre\u00e7os subiram 9,8% no ano passado, bem mais que os 7,6% verificados em 2007. Empregado dom\u00e9stico, manicure e depila\u00e7\u00e3o aumentaram mais de 10% somente no ano passado. &#8220;As pessoas est\u00e3o mudando seus h\u00e1bitos. H\u00e1 uma demanda reprimida que agora come\u00e7a a ser atendida&#8221;, diz Neri.<\/p>\n<p>Essa transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 muito clara entre os servi\u00e7os ligados ao lazer. No ano passado, excurs\u00f5es e passagens a\u00e9reas lideraram as altas no segmento, subindo 15,3% e 26%, respectivamente. Neste per\u00edodo, o tr\u00e1fego de passageiros nos aeroportos do pa\u00eds aumentou 6,5%, de acordo com a Infraero, e as vendas de pacotes de viagem cresceram aproximadamente 8%, segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Ag\u00eancias de Viagens (Abav).<\/p>\n<p>Em 2013, a classe m\u00e9dia \u00e9 a que mais pretende viajar. O estudo do Data Popular mostra que, dos 27 milh\u00f5es de brasileiros que t\u00eam planos de explorar os atrativos tur\u00edsticos do Brasil, 15 milh\u00f5es &#8211; 55% do total &#8211; s\u00e3o da classe C. Nas viagens internacionais, a classe m\u00e9dia tamb\u00e9m \u00e9 maioria. Representa 46% dos 7 milh\u00f5es de brasileiros que planejam viajar para o exterior neste ano, enquanto 33% s\u00e3o da alta classe e 21% das camadas mais baixas. Pelos c\u00e1lculos da Abav, as vendas de pacotes tur\u00edsticos crescer\u00e3o entre 8% e 10% neste ano.<\/p>\n<p>&#8220;Nos servi\u00e7os tamb\u00e9m vale a lei de oferta e demanda, com um agravante: n\u00e3o se pode importar servi\u00e7os. Como a demanda cresce mais r\u00e1pido que a oferta, o resultado \u00e9 infla\u00e7\u00e3o&#8221;, observa Meirelles.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":" Valor Econ\u00f4mico\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4273\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-4273","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-16V","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4273","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4273"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4273\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4273"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4273"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4273"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}