{"id":4295,"date":"2013-02-07T16:10:49","date_gmt":"2013-02-07T16:10:49","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4295"},"modified":"2013-02-07T16:10:49","modified_gmt":"2013-02-07T16:10:49","slug":"fazenda-vai-ampliar-desoneracao-em-r-20-bi-para-aquecer-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4295","title":{"rendered":"Fazenda vai ampliar desonera\u00e7\u00e3o em R$ 20 bi para aquecer economia"},"content":{"rendered":"\n<p>O governo vai ampliar em R$ 20 bilh\u00f5es as desonera\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias previstas para este ano, com o intuito de favorecer um n\u00famero maior de setores produtivos e baratear a cesta b\u00e1sica. Com isso, somando-se aos R$ 53 bilh\u00f5es j\u00e1 anunciados pela Receita Federal, os abatimentos chegar\u00e3o a R$ 73 bilh\u00f5es. A proposta foi enviada pelo Minist\u00e9rio da Fazenda ao Congresso Nacional, para que seja inclu\u00edda no Or\u00e7amento de 2013, a ser votado depois do carnaval.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, avisou que o governo vai aumentar, de R$ 15,2 bilh\u00f5es para R$ 20 bilh\u00f5es, o abatimento das desonera\u00e7\u00f5es da meta do superavit prim\u00e1rio (recursos economizados para o pagamento da d\u00edvida p\u00fablica), de R$ 155,9 bilh\u00f5es. \u201cO governo brasileiro tem espa\u00e7o fiscal para fazer isso\u201d, disse o deputado Cl\u00e1udio Puty (PT-PA), sub-relator do Or\u00e7amento.<\/p>\n<p>A amplia\u00e7\u00e3o dos benef\u00edcios fiscais, segundo Mantega, deve-se \u00e0 necessidade de se dar mais est\u00edmulos para a economia do pa\u00eds, que acompanhou a desacelera\u00e7\u00e3o global em 2012 e teve um desempenho p\u00edfio, com o Produto Interno Bruto (PIB) crescendo apenas 1%. O governo tamb\u00e9m quer garantir empregos, ao baratear a folha de pagamento das empresas. \u201cVamos reduzir mais os tributos. A cesta b\u00e1sica vai ter uma desonera\u00e7\u00e3o. E a desonera\u00e7\u00e3o da folha vai aumentar, al\u00e9m de outros (descontos)\u201d, afirmou o ministro, ontem, depois de encontro com a presidente Dilma Rousseff, no Pal\u00e1cio do Planalto.<\/p>\n<p>Mantega j\u00e1 havia sinalizado, no fim do ano passado, a inten\u00e7\u00e3o do Executivo de atrair mais empresas ao programa que abate tributos, lan\u00e7ado em agosto de 2011, com o plano Brasil Maior. Nele, as companhias deixam de recolher 20% da contribui\u00e7\u00e3o da Previd\u00eancia sobre a folha de sal\u00e1rios e passa a pagar de 1% a 2% sobre o faturamento. Em troca, assumem o compromisso de n\u00e3o demitir.<\/p>\n<p>Inicialmente, o governo viabilizou o benef\u00edcio para os exportadores, a fim de dar maior competitividade a eles no cen\u00e1rio internacional. No entanto, devido \u00e0 forte aceita\u00e7\u00e3o do empresariado, essa lista vem sendo ampliada gradualmente. Em 2012, houve a desonera\u00e7\u00e3o da folha de 40 setores, e a redu\u00e7\u00e3o de tributos somaram R$ 45 bilh\u00f5es, segundo dados do Minist\u00e9rio da Fazenda. Em abril, ser\u00e3o 42 segmentos beneficiados.<\/p>\n<p>Custo menor<\/p>\n<p>Os abatimentos tribut\u00e1rios poder\u00e3o ser descontados na meta do superavit prim\u00e1rio, como diz a Lei de Diretrizes Or\u00e7ament\u00e1rias (LDO), que prev\u00ea uma redu\u00e7\u00e3o de at\u00e9 R$ 25 bilh\u00f5es em investimentos do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento. O teto desse abatimento \u00e9 de R$ 45,2 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>A meta de superavit para este ano est\u00e1 fixada em 3,1% do PIB. Mantega informou que o resultado ficar\u00e1 pr\u00f3ximo de 2,3%, dependendo do desempenho da economia. \u201cTemos de continuar fazendo a redu\u00e7\u00e3o de tributos no pa\u00eds. Isso \u00e9 muito bom porque diminui o custo da popula\u00e7\u00e3o e do investimento\u201d, afirmou.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Governo aumenta desconto da meta fiscal para R$ 65 bi<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O governo decidiu aumentar o desconto da meta fiscal deste ano em R$ 20 bilh\u00f5es. Com isso, o limite do abatimento passou dos atuais R$ 45,2 bilh\u00f5es para R$ 65,2 bilh\u00f5es, o que permite que o super\u00e1vit prim\u00e1rio do setor p\u00fablico fique em apenas 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB), contra uma meta formal de 3,1% do PIB.<\/p>\n<p>Segundo o projeto que muda a Lei de Diretrizes Or\u00e7ament\u00e1rias (LDO), encaminhado ontem ao Congresso Nacional pelo governo, o desconto de R$ 20 bilh\u00f5es no super\u00e1vit prim\u00e1rio ser\u00e1 por conta das desonera\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias j\u00e1 feitas e a fazer neste ano. Como a LDO j\u00e1 permite ao governo reduzir a meta fiscal em at\u00e9 R$ 45,2 bilh\u00f5es com os investimentos do Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC), se o projeto for aprovado o desconto subir\u00e1 para at\u00e9 R$ 65,2 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Com o novo limite para o abatimento da meta fiscal, o super\u00e1vit prim\u00e1rio do setor p\u00fablico, fixado em R$ 155,85 bilh\u00f5es (equivalente a 3,1% do Produto Interno Bruto) poder\u00e1 ser reduzido para at\u00e9 R$ 90,65 bilh\u00f5es, ou 1,8% do PIB. Fontes da \u00e1rea econ\u00f4mica disseram que a inten\u00e7\u00e3o do ministro da Fazenda, Guido Mantega, \u00e9 reduzir &#8220;apenas&#8221; R$ 45 bilh\u00f5es da meta, com o super\u00e1vit, assim, ficando em 2,2% do PIB &#8211; menor do que os 2,38% do PIB do ano passado.<\/p>\n<p>As fontes explicaram que Mantega pediu a amplia\u00e7\u00e3o do desconto da meta fiscal, porque, em primeiro lugar, n\u00e3o tem garantia da recupera\u00e7\u00e3o da receita tribut\u00e1ria neste ano em ritmo adequado e, finalmente, teme o resultado fiscal dos Estados e munic\u00edpios que, no ano passado, foi muito ruim. Por isso, o ministro deseja ter uma &#8220;margem de seguran\u00e7a&#8221; para eventualidades negativas.<\/p>\n<p>Em entrevista na portaria do minist\u00e9rio, ontem \u00e0 tarde, Mantega n\u00e3o foi claro ao falar sobre o assunto. Mesmo questionado se os R$ 20 bilh\u00f5es em desonera\u00e7\u00f5es se somavam aos R$ 45 bilh\u00f5es j\u00e1 previstos, as respostas n\u00e3o foram diretas. Disse que os R$ 45 bilh\u00f5es eram o m\u00e1ximo que o governo quer abater. &#8220;S\u00e3o R$ 25 bilh\u00f5es mais R$ 20 bilh\u00f5es. \u00c9 o m\u00e1ximo que poderemos abater&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Com a decis\u00e3o de abater R$ 45 bilh\u00f5es dos R$ 65 bilh\u00f5es solicitados ao Congresso, o super\u00e1vit prim\u00e1rio em 2013 dificilmente ser\u00e1 maior que os 2,38% do PIB entregues em 2012. Segundo o ministro, &#8220;o prim\u00e1rio vai ficar entre 3,1% a 2,3% e 2,4% [do PIB]. Esses s\u00e3o os limites&#8221;, disse Mantega.<\/p>\n<p>Mesmo pedindo ao Congresso para abater mais R$ 20 bilh\u00f5es da meta, o ministro insiste em dizer que vai perseguir a meta cheia do super\u00e1vit prim\u00e1rio. De acordo com ele, apenas na &#8220;pior das hip\u00f3teses&#8221; vai descontar R$ 45,2 bilh\u00f5es. &#8220;N\u00f3s continuaremos perseguindo a possibilidade de fazer a meta cheia. Agora, realisticamente, n\u00f3s vamos ter essa possibilidade [de abatimento]&#8221;.<\/p>\n<p>A possibilidade de abater desonera\u00e7\u00f5es do super\u00e1vit foi antecipada em janeiro por Mantega em entrevista ao Valor PRO, servi\u00e7o de informa\u00e7\u00f5es em tempo real do Valor. &#8220;Podemos abater a t\u00edtulo de investimento ou de desonera\u00e7\u00e3o&#8221;, disse na ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p>O ministro ponderou ontem, no entanto, que se a economia crescer mais agora em 2013, a arrecada\u00e7\u00e3o ser\u00e1 melhor e n\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1rio abater todo o valor previsto do super\u00e1vit. &#8220;E mesmo que venhamos a abater, teremos um resultado fiscal melhorando&#8221;, disse, apontando que em 2013, a d\u00edvida ser\u00e1 menor que em 2012 em fun\u00e7\u00e3o da queda nas despesas com juros.<\/p>\n<p>A estimativa inicial do governo, quando apresentou o Or\u00e7amento de 2013, era de uma baixa de R$ 15 bilh\u00f5es em arrecada\u00e7\u00e3o, decorrente de desonera\u00e7\u00f5es que ser\u00e3o anunciadas ao longo do ano. Agora, esse montante avan\u00e7ou em R$ 5 bilh\u00f5es. A alta, segundo Mantega, \u00e9 explicada, principalmente, por duas medidas que ser\u00e3o anunciadas: o governo vai diminuir o imposto sobre a cesta b\u00e1sica e ampliar a lista de setores beneficiados pela desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamento. &#8220;Estamos pensando em reduzir mais os tributos&#8221;, disse. Mantega descartou mudan\u00e7a na participa\u00e7\u00e3o dos Estados e munic\u00edpios na composi\u00e7\u00e3o do super\u00e1vit.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Ind\u00fastrias fora do eixo Rio-S\u00e3o Paulo voltam a crescer no ano passado<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Na contram\u00e3o da ind\u00fastria nacional, que amargou queda de 2,7% na produ\u00e7\u00e3o em 2012 ante o ano anterior, as ind\u00fastrias fora do eixo Rio-S\u00e3o Paulo surpreenderam positivamente, impulsionadas por atividades ligadas \u00e0s commodities industriais. Das 14 localidades pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), cinco mostraram aumento na produ\u00e7\u00e3o industrial em 2012 ante ano anterior. \u00c9 o caso de Minas Gerais (1,4%), Goi\u00e1s (3,8%) e, principalmente, da regi\u00e3o Nordeste (1,7%) &#8211; com especial destaque para Pernambuco (1,3%) e Bahia (4,2%).<\/p>\n<p>Esses avan\u00e7os, por\u00e9m, foram exce\u00e7\u00e3o no cen\u00e1rio industrial regional do ano passado, que mostrou predom\u00ednio de taxas negativas entre as localidades, segundo o IBGE, que apresentou ontem a Pesquisa Industrial Mensal Produ\u00e7\u00e3o F\u00edsica &#8211; Regional de 2012. Para analistas, o cen\u00e1rio foi positivo para o desenvolvimento de economias regionais. Mas comprova um fato inc\u00f4modo: n\u00e3o h\u00e1 sinais de recupera\u00e7\u00e3o de atividade em regi\u00f5es com forte presen\u00e7a da ind\u00fastria da transforma\u00e7\u00e3o, que representa 75% do setor industrial como um todo.<\/p>\n<p>No caso da ind\u00fastria nordestina, a expans\u00e3o em 2012 \u00e9 ainda mais significativa, porque representa recupera\u00e7\u00e3o ante o ano anterior. Em 2011, a atividade industrial na localidade caiu 4,4% em compara\u00e7\u00e3o com 2010. A utiliza\u00e7\u00e3o de base de compara\u00e7\u00e3o baixa favoreceu aumento de produ\u00e7\u00e3o industrial na localidade, na an\u00e1lise do professor do Ibmec-RJ Ruy Quintans.<\/p>\n<p>Mas um poss\u00edvel efeito estat\u00edstico n\u00e3o foi o \u00fanico fator a conduzir ao resultado. Expressiva presen\u00e7a de ind\u00fastrias de refino de petr\u00f3leo, e de papel e celulose, ajudaram a compor o quadro de retomada na regi\u00e3o, na an\u00e1lise do consultor do Instituto Brasileiro de Economia da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas IBRE\/FGV), e ex-coordenador de Ind\u00fastria no IBGE, Silvio Sales. Essas atividades, no Nordeste, mostraram cen\u00e1rio mais favor\u00e1vel em 2012, com expans\u00e3o em torno de 3,5% na produ\u00e7\u00e3o de refino de petr\u00f3leo e \u00e1lcool, e expans\u00e3o de cerca de 8% na atividade do setor qu\u00edmico. Isso ajudou a impulsionar a ind\u00fastria nordestina como um todo.<\/p>\n<p>A Bahia foi o Estado que mais ajudou na recupera\u00e7\u00e3o da atividade nordestina, segundo o gerente da coordena\u00e7\u00e3o de ind\u00fastria do IBGE, Andr\u00e9 Macedo. &#8220;A ind\u00fastria baiana foi impulsionada pela produ\u00e7\u00e3o de qu\u00edmicos e refino de petr\u00f3leo, setores que v\u00eam crescendo muito em fun\u00e7\u00e3o da baixa base de compara\u00e7\u00e3o de 2011. Juntos, esses setores t\u00eam um peso de 50% da ind\u00fastria da Bahia, o que nos ajuda a entender o crescimento industrial naquele Estado&#8221;, disse Macedo.<\/p>\n<p>A melhora da ind\u00fastria nordestina foi classificada como positiva pelo economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rog\u00e9rio C\u00e9sar de Souza. Ele admitiu que taxas positivas cont\u00ednuas em horizonte de longo prazo podem elevar a participa\u00e7\u00e3o de regi\u00f5es fora do eixo Sudeste dentro do total da ind\u00fastria nacional. &#8220;Mas isso ocorreria se esse cen\u00e1rio se repetisse em um cen\u00e1rio bem de longo prazo. S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais ainda representam, juntas, quase 60% do total da ind\u00fastria nacional&#8221;, ressaltou.<\/p>\n<p>Atualmente, a ind\u00fastria nordestina representa apenas 10% do total nacional. Por isso, na an\u00e1lise de Souza, uma recupera\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel da atividade industrial brasileira somente seria poss\u00edvel ancorada em S\u00e3o Paulo, onde reside a maior concentra\u00e7\u00e3o de ind\u00fastria da transforma\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, e que representa 42% da ind\u00fastria nacional. Por\u00e9m, a ind\u00fastria paulista mostrou queda de 3,9% na produ\u00e7\u00e3o de 2012 ante ano anterior &#8211; a segunda pior em 20 anos. As a\u00e7\u00f5es tomadas pelo governo de est\u00edmulos \u00e0 atividade industrial, como redu\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o de energia e melhorias em infraestrutura e log\u00edstica (o que tamb\u00e9m ajuda a reduzir custos industriais), devem contribuir para melhora na produ\u00e7\u00e3o, em S\u00e3o Paulo e no Pa\u00eds, assinalou o especialista do Iedi. &#8220;Mas essa melhora n\u00e3o vai acontecer da noite para o dia&#8221;, afirmou.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Regras de concess\u00e3o de ferrovias tamb\u00e9m podem mudar<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as nas regras de concess\u00f5es de infraestrutura anunciadas ter\u00e7a-feira pelo governo n\u00e3o dever\u00e3o se limitar ao pacote de 7,5 mil km de rodovias que a Uni\u00e3o pretende passar para as m\u00e3os da iniciativa privada. Em entrevista ao Valor PRO, servi\u00e7o de informa\u00e7\u00f5es em tempo real do Valor, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, disse que o governo est\u00e1 afinado com os anseios dos empres\u00e1rios e que algumas altera\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m poder\u00e3o alcan\u00e7ar a proposta de concess\u00e3o de ferrovias. O plano do governo \u00e9 conceder, neste ano, 10 mil km de malha ferrovi\u00e1ria.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o tem nenhum impeditivo para que a gente possa avan\u00e7ar e fazer ajustes na proposta das ferrovias, se for para melhorar o processo e para garantir que a gente tenha sucesso nas licita\u00e7\u00f5es&#8221;, disse Gleisi. &#8220;Estamos terminando os estudos das ferrovias, agora em mar\u00e7o. H\u00e1 espa\u00e7o para que altera\u00e7\u00f5es sejam avaliadas&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Os projetos executivos que apoiar\u00e3o a elabora\u00e7\u00e3o dos editais das ferrovias est\u00e3o sendo realizados pela mineradora Vale, por meio de um acordo de coopera\u00e7\u00e3o firmado entre a empresa e a Ag\u00eancia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). J\u00e1 no caso das rodovias, a execu\u00e7\u00e3o dos estudos ficou a cargo da Estruturadora Brasileira de Projetos (EBP).<\/p>\n<p>Independentemente dos estudos t\u00e9cnicos que ficaram a cargo da Vale, o governo j\u00e1 havia definido uma s\u00e9rie de condi\u00e7\u00f5es sobre as concess\u00f5es ferrovi\u00e1rias. Sobre o financiamento, o que est\u00e1 previsto at\u00e9 agora \u00e9 uma car\u00eancia de cinco anos para in\u00edcio do pagamento. As regras de empr\u00e9stimo preveem juros baseados em TJLP mais at\u00e9 1% e sua amortiza\u00e7\u00e3o em at\u00e9 25 anos. O percentual de alavancagem do financiamento foi estabelecido entre 65% e 80%.<\/p>\n<p>&#8220;Tudo isso est\u00e1 sendo discutido. O setor de rodovias demandou mudan\u00e7as e conversou com o governo. Fizemos os reajustes que achamos que dev\u00edamos fazer&#8221; disse Gleisi. &#8220;N\u00f3s queremos que d\u00ea certo, que venham os investimentos e que as coisas aconte\u00e7am. O governo, de uma forma unificada, apresentou uma nova proposta, que foi bem acolhida pelas empresas&#8221;, comentou, referindo-se \u00e0s novas condi\u00e7\u00f5es anunciadas ter\u00e7a-feira para as rodovias pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.<\/p>\n<p>Com as mudan\u00e7as, o prazo de concess\u00e3o das estradas foi ampliado de 25 anos para 30 anos. A perspectiva de aumento da demanda projetada para as estradas foi reduzida de 5% para 4% ao ano, o que significa menor necessidade de investimento do concession\u00e1rio para atender o aumento de uso da rodovia.<\/p>\n<p>O prazo de financiamento tamb\u00e9m foi ampliado, passando de 20 para 25 anos, acompanhando o que j\u00e1 est\u00e1 previsto para as ferrovias. As altera\u00e7\u00f5es no modelo de rodovias elevar\u00e3o a rentabilidade do neg\u00f3cio de 10% para 15%. Esse mesmo aumento de margem tamb\u00e9m ser\u00e1 perseguido no caso das ferrovias.<\/p>\n<p>Est\u00e3o previstos investimentos da ordem de R$ 91 bilh\u00f5es em novas malhas ferrovi\u00e1rias, dos quais R$ 56 bilh\u00f5es dever\u00e3o ser aplicados nos primeiros cinco anos de obra. Ao todo, 12 trechos de linhas ser\u00e3o concedidos. O cronograma do governo prev\u00ea que, no pr\u00f3ximo m\u00eas, sejam publicados os editais de 2,6 mil km de ferrovias, com a licita\u00e7\u00e3o desses trechos em abril e assinatura de contratos at\u00e9 julho.<\/p>\n<p>Um segundo lote, de 7,4 mil km de malha, deve ter seus editais conhecidos em maio, com licita\u00e7\u00e3o em junho e contratos assinados at\u00e9 setembro. Apesar de o setor considerar esses prazos extremamente otimistas, o governo acredita na possibilidade de cumpri-los e, para isso, tenta se antecipar quanto \u00e0 aceita\u00e7\u00e3o das regras para garantir a atratividade do setor privado.<\/p>\n<p>O modelo que o governo usar\u00e1 para fazer a concess\u00e3o de ferrovias \u00e9 parecido ao que hoje se aplica nas concess\u00f5es das estradas. A malha ser\u00e1 concedida para a empresa que apresentar a menor tarifa a ser cobrada para o transporte de cargas em cada trecho. Aquele que tiver uma taxa de ped\u00e1gio mais barata, leva o contrato. Para evitar uma poss\u00edvel frustra\u00e7\u00e3o de demanda, a estatal Valec vai garantir a compra integral de capacidade de transportes de cada trecho, conforme pre\u00e7os assumidos no leil\u00e3o de concess\u00e3o. Numa segunda etapa, ela se encarregar\u00e1 de vender essa capacidade ao mercado.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Fluxo cambial de janeiro \u00e9 o pior para o m\u00eas desde 2009<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O fluxo cambial roubou as aten\u00e7\u00f5es do mercado ontem, ao fechar janeiro com o pior saldo negativo para esse m\u00eas desde 2009. Embora a maioria dos profissionais aposte numa recupera\u00e7\u00e3o do fluxo neste ano, essa expectativa est\u00e1 longe de ser consensual. Para alguns, ela depende de a\u00e7\u00f5es concretas do governo e do Banco Central. O an\u00fancio, por\u00e9m, teve impacto limitado sobre o d\u00f3lar ontem, que fechou em leve alta de 0,10%, a R$ 1,988.<\/p>\n<p>O fluxo cambial de janeiro ficou negativo em US$ 2,386 bilh\u00f5es, o primeiro d\u00e9ficit para o m\u00eas desde 2009, quando a sa\u00edda l\u00edquida foi de US$ 3,018 bilh\u00f5es. A conta comercial teve d\u00e9ficit de US$ 4,755 bilh\u00f5es, contra super\u00e1vit de US$ 2,370 bilh\u00f5es na conta financeira.<\/p>\n<p>&#8220;Durante todo o m\u00eas, a conta financeira teve resultado positivo em 15 dos 22 dias \u00fateis, o que mostra uma pequena melhora nesse lado&#8221;, disse S\u00edlvio Campos Neto, economista da Tend\u00eancias Consultoria. Ainda assim, lembra ele, o resultado da conta comercial permaneceu bastante negativo. Para o ano, sua expectativa de fluxo positivo se apoia em entradas na forma de investimento estrangeiro direto. &#8220;N\u00e3o acho que a atratividade v\u00e1 se esgotar, mas ela certamente ficar\u00e1 mais seletiva.&#8221;<\/p>\n<p>Para Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora, por\u00e9m, a situa\u00e7\u00e3o do fluxo cambial \u00e9 &#8220;bastante complicada&#8221;. Em sua opini\u00e3o, a tend\u00eancia \u00e9 de queda gradual no saldo de d\u00f3lares, o que deve dificultar o trabalho do BC de manter o c\u00e2mbio pr\u00f3ximo dos atuais n\u00edveis, abaixo de R$ 2.<\/p>\n<p>&#8220;Perdemos atratividade e a incerteza regulat\u00f3ria deixa o investidor travado&#8221;, disse Nehme. Segundo ele, a avers\u00e3o do estrangeiro ao Brasil deve causar uma escassez de d\u00f3lares no pa\u00eds que obrigar\u00e1 o BC a vender d\u00f3lares \u00e0 vista sem compromisso de recompra, algo que n\u00e3o faz desde 2009. &#8220;[O fluxo negativo] pode se tornar uma tend\u00eancia sustent\u00e1vel.&#8221;<\/p>\n<p>A melhora no fluxo cambial, por\u00e9m, pode ser sentida ainda nos pr\u00f3ximos meses, quando o mercado come\u00e7ar a responder \u00e0 flexibiliza\u00e7\u00e3o de alguns controles de capital promovida pelo governo no fim de 2012, disse Gabriela Fernandes, economista do Ita\u00fa Unibanco. Essas mudan\u00e7as, segundo ela, podem levar exportadores a internalizar parte dos recursos que mant\u00eam fora do pa\u00eds, cerca de US$ 22,2 bilh\u00f5es, considerando a diferen\u00e7a entre c\u00e2mbio contratado e f\u00edsico em 12 meses at\u00e9 janeiro.<\/p>\n<p>&#8220;Os fluxos em algum momento v\u00e3o responder ao afrouxamento [de controles de capital]&#8221;, disse ela. Segundo a economista, a entrada de parte dos recursos dos exportadores mantidos no exterior &#8220;daria algum al\u00edvio nos saldos negativos pela conta comercial, diminuindo a press\u00e3o sobre o d\u00f3lar&#8221;.<\/p>\n<p>Para o economista de um banco do Rio de Janeiro, j\u00e1 seria interessante para o governo tentar novas medidas para facilitar o fluxo de capitais para o pa\u00eds. Isso serviria de contraponto ao &#8220;mau humor&#8221; de investidores estrangeiros com o Brasil que, disse, vem se agravando recentemente.<\/p>\n<p>Um novo &#8220;aumento no limite para posi\u00e7\u00f5es vendidas dos bancos ou mesmo a libera\u00e7\u00e3o de parte do IOF sobre opera\u00e7\u00f5es de estrangeiros em renda fixa seriam um bom caminho&#8221;.<\/p>\n<p>No mercado de juros, as taxas projetadas nos contratos negociados na Bolsa de Mercadorias &amp; Futuros (BM&amp;F) fecharam em alta pela s\u00e9tima sess\u00e3o seguida.<\/p>\n<hr \/>\n<p>China acusa Brasil de pr\u00e1tica desleal no com\u00e9rcio<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>Acusa\u00e7\u00e3o a fabricantes de celulose, a primeira dos chineses contra o Brasil, pode ser uma retalia\u00e7\u00e3o a restri\u00e7\u00f5es comerciais A China decidiu investigar os fabricantes brasileiros de celulose pela pr\u00e1tica de dumping. \u00c9 a primeira vez que os chineses, principais alvos de medidas de defesa comercial, abrem uma investiga\u00e7\u00e3o contra o Brasil. Segundo fontes do setor, a medida pode ser uma retalia\u00e7\u00e3o por conta das barreiras impostas pelo Pa\u00eds \u00e0s importa\u00e7\u00f5es de papel chin\u00eas. O Minist\u00e9rio de Com\u00e9rcio da China informou ontem que iniciou uma investiga\u00e7\u00e3o de dumping, que \u00e9 vender abaixo do pre\u00e7o de custo, contra os fabricantes de celulose sol\u00favel de Brasil, Estados Unidos e Canad\u00e1. As margens de dumping preliminares s\u00e3o de 49,4% para Brasil, 50,9% para Canad\u00e1 e 29,9% para EUA. A investiga\u00e7\u00e3o tem prazo de um ano para ser conclu\u00edda. Desde a cria\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Com\u00e9rcio (OMC), em janeiro de 1995, at\u00e9 junho do ano passado, o Brasil iniciou 55 investiga\u00e7\u00f5es antidumping contra a China e aplicou 33 sobretaxas, revela levantamento do escrit\u00f3rio Nasser Advogados.<\/p>\n<p>Os chineses nunca haviam investigado o Brasil e concentravam as sobretaxas em EUA (27), Jap\u00e3o (27), Coreia do Sul (27) e Uni\u00e3o Europeia (13). A China vinha adotando uma pol\u00edtica de evitar conflito comercial com pa\u00edses em desenvolvimento. &#8220;A lua de mel com a China acabou. Esse caso ser\u00e1 um divisor de \u00e1guas&#8221;, diz Adriana Dantas, s\u00f3cia do escrit\u00f3rio Barbosa, Mussnich e Arag\u00e3o. Para Carol Monteiro de Carvalho, s\u00f3cia do Bichara, Barata &amp; Costa Advogados, &#8220;\u00e9 o primeiro caso com nosso principal parceiro&#8221;. A investiga\u00e7\u00e3o iniciada ontem est\u00e1 restrita \u00e0 celulose sol\u00favel, utilizada em tecidos, alimentos e cosm\u00e9ticos. No Brasil, existe apenas uma fabricante: a Bahia Specialty Cellulose, uma subsidi\u00e1ria da holding indon\u00e9sia Sateri. A companhia &#8211; que \u00e9 a segunda maior fabricante mundial &#8211; preferiu n\u00e3o dar entrevista. A medida, no entanto, pode ser um &#8220;alerta&#8221; para todo o setor, j\u00e1 que est\u00e1 em an\u00e1lise no governo chin\u00eas um pedido para abrir uma investiga\u00e7\u00e3o de dumping contra a celulose de fibra curta, mat\u00e9ria-prima do papel. Esse tipo de celulose \u00e9 produzida por gigantes como Fibria e Suzano e responde pela maior parte das exporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa) n\u00e3o deu entrevista. De acordo com uma fonte do setor, uma sobretaxa contra a celulose de fibra curta brasileira seria um &#8220;tiro no p\u00e9&#8221; para a China, que depende do produto para abastecer suas f\u00e1bricas de papel. &#8220;Mas \u00e9 claro que o assunto preocupa, porque abre um precedente ruim&#8221;, diz a fonte. No ano passado, o Brasil exportou US$ 1,2 bilh\u00e3o em celulose para a China, ou 26% dos embarques totais, atr\u00e1s apenas da UE, com 46%. A celulose \u00e9 o quarto produto mais vendido pelo Brasil para a China. Retalia\u00e7\u00e3o. No setor, a avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 que a China quer retaliar o Brasil por causa das recentes barreiras contra o papel chin\u00eas. O governo brasileiro elevou o imposto de importa\u00e7\u00e3o de papel cart\u00e3o e cuch\u00ea de 14% para 25%. Tamb\u00e9m adotou licen\u00e7as de importa\u00e7\u00e3o e passou a exigir rotulagem diferenciada para o papel de impress\u00e3o. &#8220;O Brasil n\u00e3o pode subestimar a capacidade dos chineses de se adaptarem&#8221;, disse Geraldo Ferreira, diretor geral da Cathay, subsidi\u00e1ria da APP e importadora de papel chin\u00eas.<\/p>\n<p>Segundo diretor do Departamento de Defesa Comercial (Decom), do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Felipe Hees, &#8220;n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias de que exista qualquer rela\u00e7\u00e3o entre essa investiga\u00e7\u00e3o e as medidas tomadas pelo Brasil&#8221;. Ele afirma que o governo vai &#8220;zelar&#8221; para todas as regras internacionais sejam cumpridas, mas que ressalta que qualquer pa\u00eds tem direito de aplicar medidas de defesa comercial.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":" Correio Braziliense\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4295\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-4295","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-17h","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4295","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4295"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4295\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4295"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4295"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4295"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}