{"id":4303,"date":"2013-02-10T00:34:39","date_gmt":"2013-02-10T00:34:39","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4303"},"modified":"2013-02-10T00:34:39","modified_gmt":"2013-02-10T00:34:39","slug":"principios-elementares-da-propaganda-de-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4303","title":{"rendered":"Princ\u00edpios elementares da propaganda de guerra"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>por Michel Collon<\/strong><\/p>\n<p><strong>Os dez &#8220;mandamentos&#8221; constituem sobretudo uma grelha de an\u00e1lise que se pretende pedag\u00f3gica e cr\u00edtica. O seu objectivo n\u00e3o \u00e9 tomar partido, ou defender &#8220;ditadores&#8221;, mas sim constatar a regularidade destes princ\u00edpios no campo medi\u00e1tico e social. Entre os acusados encontram-se tanto os vencidos como os vencedores.<\/strong><\/p>\n<p>Princ\u00edpios elementares de propaganda de guerra (utiliz\u00e1veis em caso de guerra fria, quente ou morna) \u00e9 um livro de Anne Morelli publicado em 2001 e reeditado em 2010, para acrescentar \u00e0 primeira edi\u00e7\u00e3o as guerras do Iraque e do Afeganist\u00e3o, assim como uma an\u00e1lise do discurso de Obama como &#8220;Pr\u00e9mio Nobel da Paz&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Eu n\u00e3o tentaria sondar a pureza das inten\u00e7\u00f5es de uns ou outros. N\u00e3o procuro saber aqui quem mente e quem diz a verdade, quem est\u00e1 de boa f\u00e9 e quem n\u00e3o est\u00e1. Meu \u00fanico prop\u00f3sito \u00e9 ilustrar os princ\u00edpios de propaganda, utilizados unanimemente, e descrever os mecanismos&#8221;.\u00a0[1]<\/p>\n<p>Entretanto, \u00e9 ineg\u00e1vel que desde as \u00faltimas guerra que marcaram nossa \u00e9poca (Kosovo, guerras do Golfo, Afeganist\u00e3o, Iraque) as chamadas democracias ocidentais e os media s\u00e3o postos em causa.<\/p>\n<p>Anne Morelli reactualiza, gra\u00e7as a este pequeno manual do cidad\u00e3o cr\u00edtico, formas invari\u00e1veis para conte\u00fados diversos. A propaganda \u00e9 exercida sempre atrav\u00e9s das mesmas invariantes qualquer que seja a guerra, da\u00ed a grande pertin\u00eancia da grelha proposta. Parece igualmente essencial nesta introdu\u00e7\u00e3o citar\u00a0Lord Ponsonby , a quem Anne Morelli agradece desde as primeiras p\u00e1ginas da sua obra. Com efeito, Ponsonby contribuiu amplamente para a elabora\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios. Lord Ponsonby era um trabalhista ingl\u00eas que se op\u00f4s radicalmente \u00e0 guerra. J\u00e1 durante a Primeira Guerra Mundial notabilizou-se por diversos panfletos e acabou por escrever um livro sobre estes mecanismos de propaganda. Livro esse que Anne Morelli retoma, reactualiza e sistematiza em dez princ\u00edpios elementares.<\/p>\n<p><strong>1) N\u00f3s n\u00e3o queremos a guerra <\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Arthur Ponsonby j\u00e1 havia notado que os homens de Estado de todos os pa\u00edses, antes de declararem a guerra ou no momento mesmo desta declara\u00e7\u00e3o, sempre asseguravam solenemente como preliminar que n\u00e3o queriam a guerra&#8221;.\u00a0[2]<\/p>\n<p>A guerra nunca \u00e9 desejada, apenas raramente \u00e9 vista como positiva pela popula\u00e7\u00e3o. Como o advento das nossas democracias, o consentimento da popula\u00e7\u00e3o torna-se essencial, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel querer a guerra e ter uma alma de pacifista. Ao contr\u00e1rio da Idade M\u00e9dia, onde a opini\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o tinha pouca import\u00e2ncia e a quest\u00e3o social n\u00e3o era significativa.<\/p>\n<p>&#8220;Assim, o governo franc\u00eas j\u00e1 mobiliza tudo proclamando que a mobiliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a guerra mas, ao contr\u00e1rio, o melhor meio de assegurar a paz&#8221;.\u00a0[3]<\/p>\n<p>&#8220;Se todos os chefes de Estado e de governo s\u00e3o animados de semelhantes vontades de paz, pode-se evidentemente perguntar-se inocentemente porque por vezes (e mesmo frequentemente), estouram guerra mesmo assim?\u00a0[4] Mas o segundo princ\u00edpio responde a esta pergunta.<\/p>\n<p><strong>2) O campo advers\u00e1rio \u00e9 o \u00fanico respons\u00e1vel pela guerra <\/strong><\/p>\n<p>Este segundo princ\u00edpio decorre do facto de que cada campo assegura ter sido constrangido a declarar a guerra para impedir o outro de destruir os nossos valores, por em perigo nossas liberdades, ou mesmo destruir-nos totalmente. Trata-se portanto da aporia de uma guerra para por fim \u00e0s guerras.\u00a0[5] Chega-se quase \u00e0 frase m\u00edtica de George Orwell: &#8220;War is Peace&#8221;.<\/p>\n<p>Assim, os Estados Unidos foram &#8220;constrangidos&#8221; a fazer a guerra contra o Iraque que n\u00e3o lhes deixou outra op\u00e7\u00e3o. Portanto n\u00e3o fazemos sen\u00e3o &#8220;reagir&#8221;, defender-nos das provoca\u00e7\u00f5es do inimigo que \u00e9 inteiramente respons\u00e1vel pela guerra que vem a\u00ed.<\/p>\n<p>&#8220;Assim, j\u00e1 Daladier, no seu &#8220;apelo \u00e0 na\u00e7\u00e3o&#8221; \u2013 contornando as responsabilidades francesas na situa\u00e7\u00e3o criada pelo Tratado de Versalhes \u2013 assegura em 3 de Setembro de 1939: a Alemanha j\u00e1 havia recusado a todos os homens sens\u00edveis cuja voz se havia elevado nestes \u00faltimos tempos em favor da paz do mundo. [&#8230;] N\u00f3s fazemos a guerra porque ela nos foi imposta&#8221;.\u00a0[6]<\/p>\n<p>Ribbentrop justifica a guerra contra a Pol\u00f3nia nestes termos:<\/p>\n<p>&#8220;O F\u00fchrer n\u00e3o quer a guerra. Ele n\u00e3o se resolver\u00e1 por ela sen\u00e3o a contragosto. Mas n\u00e3o \u00e9 dele que depende a decis\u00e3o em favor da guerra ou da paz. Ela depende da Pol\u00f3nia. Acerca de certas quest\u00f5es de um interesse vital para o Reich, a Pol\u00f3nia deve ceder e actuar correctamente em rela\u00e7\u00e3o a reivindica\u00e7\u00f5es \u00e0s quais n\u00e3o podemos renunciar. Se ela se recusar, \u00e9 sobre ela que recair\u00e1 a responsabilidade de um conflito, e n\u00e3o sobre a Alemanha&#8221;.\u00a0[7]<\/p>\n<p>Pode-se igualmente ler, aquando da Guerra do Golfo, em\u00a0<em>Le Soir <\/em>de 9 de Janeiro de 1991:<\/p>\n<p>&#8220;A paz, que todo o mundo deseja acima de tudo, n\u00e3o pode ser constru\u00edda sobre simples concess\u00e3o a um acto de pirataria. (&#8230;) Estando o fardo essencialmente, \u00e9 preciso dizer, no campo do Iraque&#8221;.\u00a0[8]<\/p>\n<p>Idem para a guerra no Iraque, mesmo antes de a guerra come\u00e7ar,\u00a0<em>Le Parisien <\/em>titulava em 12 de Setembro de 2002: &#8220;Como Saddam se prepara para a guerra&#8221;.<\/p>\n<p><strong>3) O chefe do campo advers\u00e1rio tem a cara do diabo (ou &#8220;o odioso de servi\u00e7o&#8221;) <\/strong><\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o se pode odiar um grupo humano no seu conjunto, mesm apresentado como inimigo. Portanto \u00e9 mais eficaz concentrar este \u00f3dio do inimigo sobre o l\u00edder advers\u00e1rio. O inimigo ter\u00e1 assim um rosto e este rosto ser\u00e1 obviamente odioso&#8221;.\u00a0[9]<\/p>\n<p>&#8220;O vencedor apresentar-se-\u00e1 sempre (ver Bush e Blair recentemente) como um pacifista desejoso de concilia\u00e7\u00e3o mas levado \u00e0 guerra pelo campo advers\u00e1rio. Este campo advers\u00e1rio \u00e9 certamente dirigido por um louco, um monstro (Milosevic, Ben Laden, Saddam Hussein, &#8230;) que nos desafia e de que conv\u00e9m livrar a humanidade&#8221;.\u00a0[10]<\/p>\n<p>A primeira opera\u00e7\u00e3o de uma campanha de demoniza\u00e7\u00e3o consiste pois em reduzir um pa\u00eds a um \u00fanico homem. Em fazer portanto como se ningu\u00e9m vivesse no Iraque, que unicamente Saddam Hussein, sua &#8220;tem\u00edvel&#8221; guarda republicana e suas &#8220;terr\u00edveis&#8221; armas de destrui\u00e7\u00e3o maci\u00e7a vivessem ali.[11]<\/p>\n<p>Personalizar o conflito \u00e9 muito t\u00edpico de uma certa concep\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria, que seria feita por &#8220;her\u00f3is&#8221;, a obra das grandes personagens.\u00a0[12]Concep\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria que Anne Morelli recusa ao escrever incansavelmente sobre os &#8220;abandonados&#8221; da hist\u00f3ria leg\u00edtima. Esta vis\u00e3o \u00e9 particularmente idealista e metaf\u00edsica, uma vis\u00e3o em que a hist\u00f3ria \u00e9 o fruto das ideias dos seus &#8220;grandes&#8221; homens. A esta concep\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria op\u00f5e-se uma concep\u00e7\u00e3o dial\u00e9ctica e materialista que define a hist\u00f3ria em termos de rela\u00e7\u00f5es e de movimentos sociais.<\/p>\n<p>Assim ao advers\u00e1rio s\u00e3o atribu\u00eddos todos os males poss\u00edveis. Isso vai desde o seu f\u00edsico aos seus costumes sexuais. Assim,\u00a0<em>Le Vif-L&#8217;Express <\/em>de 2-8 de Abril de 1999 apresenta &#8220;O horripilante Milosevic&#8221;. &#8221;\u00a0<em>Le Vif-L&#8217;Express <\/em>n\u00e3o cita nenhum discurso, nenhum escrito, do &#8220;mestre de Belgrado&#8221; mas em contrapartida destaca seus saltos de humor anormais, suas explos\u00f5es de c\u00f3lera, doentias e brutais: Quando estava encolerizado, seu rosto se torcia. Depois, instantaneamente, recuperava o seu sangue-frio&#8221;.\u00a0[13] Este tipo de demoniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 utilizado unicamente pela propaganda de guerra (como todos os outros princ\u00edpios, igualmente).<\/p>\n<p>Assim, Pierre Bourdieu constatava que, nos Estados Unidos, numerosos professores universit\u00e1rios, exasperados com a popularidade de Michel Foucault entre os seus colegas, escreviam bom n\u00famero de livros sobre a vida \u00edntima do autor. Assim, Michel Foucault, &#8220;o homossexual masoquista e louco&#8221; tinha pr\u00e1tica &#8220;contra natura&#8221;, &#8220;escandalosas&#8221; e &#8220;inaceit\u00e1veis&#8221;. Com este expediente, j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 necessidade de debater o pensamento do autor ou os discursos de um homem pol\u00edtico, mas sim de refut\u00e1-lo com base em julgamentos morais \u00e0s ditas pr\u00e1ticas do indiv\u00edduo.<\/p>\n<p><strong>4) Defendemos uma causa nobre e n\u00e3o interesses particulares <\/strong><\/p>\n<p>Os objectivos econ\u00f3micos e geopol\u00edticos da guerra devem ser mascarados sob um ideia, valores moralmente justos e leg\u00edtimos. Assim j\u00e1 se podia ouvir George Bush pai declarar:<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 pessoa que n\u00e3o compreendem nunca. O combate n\u00e3o se refere a petr\u00f3leo, o combate refere-se a uma agress\u00e3o brutal&#8221;.\u00a0[14]<\/p>\n<p>ou\u00a0<em>Le Monde <\/em>de 22 de Janeiro de 1991: &#8220;Os objectivos de guerra americanos e franceses s\u00e3o em primeiro lugar os objectivos do Conselho de Seguran\u00e7a. Estamos l\u00e1 devido a decis\u00f5es tomadas pelo Conselho de Seguran\u00e7a e o objectivo essencial \u00e9 a liberta\u00e7\u00e3o do Kuwait&#8221;.\u00a0[15]<\/p>\n<p>De facto, nas nossas sociedades modernas, ao contr\u00e1rio da de Lu\u00eds XIV, uma guerra n\u00e3o se pode realizar sen\u00e3o com um certo consentimento da popula\u00e7\u00e3o. Gramsci j\u00e1 havia mostrado at\u00e9 que ponto a hegemonia cultural e o consentimento s\u00e3o indispens\u00e1veis ao poder. Este consentimento ser\u00e1 facilmente adquirido se a popula\u00e7\u00e3o pensar que desta guerra depende sua liberdade, sua vida, sua honra.\u00a0[16]<\/p>\n<p>Os objectivos da Primeira Guerra Mundial, por exemplo, resumem-se a tr\u00eas pontos:<\/p>\n<p>&#8220;- esmagar o militarismo<\/p>\n<p>&#8211; defender as pequenas na\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>&#8211; preparar o mundo para a democracia.<\/p>\n<p>Este objectivos, muito honrosos, s\u00e3o desde ent\u00e3o recopiados quase textualmente na v\u00e9spera de cada conflito, mesmo que n\u00e3o se enquadrem sen\u00e3o muito pouco ou absolutamente nada com os seus objectivos reais&#8221;.\u00a0[17]<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 preciso persuadir a opini\u00e3o p\u00fablica que n\u00f3s \u2013 ao contr\u00e1rio dos nossos inimigos \u2013 fazemos a guerra por motivos infinitamente honrosos&#8221;.\u00a0[18]<\/p>\n<p>&#8220;Na guerra da NATO contra a Jugosl\u00e1via encontra-se o mesmo afastamento entre objectivos oficiais e inconfessados do conflito. Oficialmente a NATO interv\u00e9m para preservar o car\u00e1cter multi-\u00e9tnico do Kosovo, para impedir que minorias sejam ali maltratadas, para ali impor a democracia e para acabar com o ditador. Trata-se de defender a causa sagrada dos direitos humanos. Bem antes do fim da guerra, foi poss\u00edvel constatar que nenhum destes objectivos foi atingido, que se est\u00e1 nomeadamente longe de uma sociedade multi-\u00e9tnica e que as viol\u00eancias contra as minorias \u2013 s\u00e9rvios e ciganos desta vez \u2013 s\u00e3o quotidianas, mas ainda perceber que os objectivos econ\u00f3micos e geopol\u00edticos da guerra, de que nunca se havia falado, foram \u2013 eles sim \u2013 atingidos&#8221;.\u00a0[19]<\/p>\n<p>Este princ\u00edpio implica o seu corol\u00e1rio: o inimigo \u00e9 um monstro sanguin\u00e1rio que representa a sociedade da barb\u00e1rie.<\/p>\n<p><strong>5) O inimigo provoca atrocidades conscientemente mas se n\u00f3s cometemos sujeiras isso \u00e9 involunt\u00e1rio <\/strong><\/p>\n<p>Os relatos das atrocidades cometidas pelo inimigo constituem um elemento essencial da propaganda de guerra. Isso evidentemente n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o haja atrocidades durante as guerras. Muito pelo contr\u00e1rio, os assassinatos, os roubos a m\u00e3o armada, os inc\u00eandios, a pilhagens e as viola\u00e7\u00f5es parecem \u2013 infelizmente \u2013 recorrentes na hist\u00f3ria das guerras. Mas faz-se crer que s\u00f3 o inimigo comete tais atrocidades e que o nosso ex\u00e9rcito \u00e9 amado pela popula\u00e7\u00e3o, que \u00e9 um ex\u00e9rcito &#8220;humanit\u00e1rio&#8221;.<\/p>\n<p>Mas a propaganda de guerra raramente det\u00e9m-se a\u00ed. N\u00e3o contente com viola\u00e7\u00f5es e pilhagens reais, \u00e9 preciso muitas vezes criar atrocidades &#8220;desumanas&#8221; para encarnar no inimigo o alter-ego de Hitler (Hitlerosevic, &#8230;). Podemos assim por lado a lado v\u00e1rias passagens referentes a guerras diferentes sem nelas encontrar grandes diferen\u00e7as.<\/p>\n<p>Durante a Primeira Guerra Mundial, Ponsonby relata esta hist\u00f3ria:<\/p>\n<p>&#8220;Trinta ou trinta e cinco soldados alem\u00e3es entraram na casa de David Tordens, carroceiro em Sempst (hoje Zempst). Eles ataram o homem e depois cinco ou seis deles lan\u00e7aram-se sob os seus olhos sobre a filha de treze anos e lhe fizeram viol\u00eancia, a seguir trespassaram-na com suas baionetas. Depois desta ac\u00e7\u00e3o horr\u00edvel furaram com golpes de baionetas seu filho de nove anos e fuzilaram sua mulher&#8221;.<\/p>\n<p>N\u00e3o se esquecer\u00e1 t\u00e3o pouco o epis\u00f3dio das crian\u00e7as com m\u00e3os cortadas, que parece mais um rumor infundado do que um facto hist\u00f3rico.\u00a0[20]<\/p>\n<p>Na Guerra do Golfo em\u00a0<em>Le Monde <\/em>de 3 de Mar\u00e7o de 1990: &#8220;Se eles nada provam quanto ao n\u00famero, os corpos mutilados da morgue do hospital Moubarak advogam a certeza da crueldade dos sete meses de ocupa\u00e7\u00e3o iraquiana. Olhos arrancados, gargantas cortadas, cabe\u00e7as esmagadas, cr\u00e2nios cortados cujo c\u00e9rebro escapa, corpos meio carbonizados, queimaduras de cigarros&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Sem esquecer igualmente o epis\u00f3dio das incubadoras roubadas e dos beb\u00e9s mortos atrozmente&#8230; Que revelaram ser uma mistifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quanto ao Afeganist\u00e3o, no\u00a0<em>Herald Tribune <\/em>de 7 de Agosto de 1999: &#8220;Alguns foram mortos nas ruas. Muitos foram executados nas suas casas, ap\u00f3s bloqueio e busca das zonas reputadas por serem habitadas na maioria por certos grupos \u00e9tnicos. Alguns foram escaldados at\u00e9 \u00e0 morte ou asfixiados em contentores met\u00e1licos selados, colocados em pleno sol. Num hospital pelo menos, 30 pacientes foram mortos a bala na sua cama. Os corpos das v\u00edtimas foram abandonados nas ruas ou nas casas, para intimidar o resto dos habitantes. Testemunhas em p\u00e2nico puderam ver c\u00e3es a competirem pelos restos dos cad\u00e1veres, mas foi-lhes imposta por megafone ou por r\u00e1dio que n\u00e3o os tocassem e n\u00e3o os enterrassem&#8221;.<\/p>\n<p>Os talib\u00e3s, aqui respons\u00e1veis de atrocidades, na maior parte n\u00e3o puderam ser presos, e nenhuma not\u00edcia de Ben Laden&#8230;<\/p>\n<p>Na guerra do Iraque, as hist\u00f3rias foram, mais uma vez, semelhante \u2013 e as mentiras sobre armas de destrui\u00e7\u00e3o maci\u00e7a tamb\u00e9m. Pode-se portanto extrair facilmente certas tend\u00eancias nestas hist\u00f3rias. Trata-se antes de tudo de tocar a corda &#8220;sentimental&#8221; do leitor. Para isso \u00e9 preciso, antes de tudo, &#8220;boas hist\u00f3rias&#8221; e se n\u00e3o forem encontradas s\u00e3o inventadas. Os pormenores &#8220;crispantes&#8221; totalmente in\u00fateis \u00e0 vista das consequ\u00eancias reais das guerras do ponto de vista humano s\u00e3o contudo moeda corrente nestas hist\u00f3rias \u2013 e fazem do inimigo um monstro mais horr\u00edvel que nunca, que mata sobretudo por prazer ou v\u00edcio.<\/p>\n<p>No Kosovo, &#8220;houve evidentemente, na Primavera de 1999, assass\u00ednios, pilhagens, torturas e inc\u00eandios de casas albanesas, mas &#8220;esquece-se&#8221; de salientar com a mesma acuidade as mesmas atrocidades cometidas a partir do Ver\u00e3o sobre s\u00e9rvios, b\u00f3snios, ciganos e outras pessoas n\u00e3o albanesas\u00a0[21] . O seu \u00eaxodo ser\u00e1 mantido sob sil\u00eancio ao passo que as imagens de refugiados albaneses do Kosovo e sua acolhida no estrangeiro haviam sido objecto de emiss\u00f5es completas na televis\u00e3o. \u00c9 que este quinto princ\u00edpio da propaganda de guerra quer que s\u00f3 o inimigo cometa atrocidades, o nosso campo n\u00e3o pode sen\u00e3o cometer &#8220;erros&#8221;. A propaganda da NATO popularizar\u00e1, na guerra contra a Jugosl\u00e1via, a express\u00e3o &#8220;danos colaterais&#8221; e apresentar\u00e1 como tais os bombardeamentos de popula\u00e7\u00f5es civis e de hospitais, que teriam feito, conforme as fontes, entre 1200 e 5000 v\u00edtimas. &#8220;Erro&#8221; portanto o bombardeamento da embaixada chinesa\u00a0[22] , de um comboio de refugiados albaneses, ou de um comboio a passar sobre uma ponte. J\u00e1 o inimigo, n\u00e3o comete erros, comete o mal conscientemente&#8221;.\u00a0[23]<\/p>\n<p>Para concluir, uma cita\u00e7\u00e3o de Jean-Claude Guillebaud:<\/p>\n<p>&#8220;Torn\u00e1mo-nos, n\u00f3s jornalistas, uma esp\u00e9cie de mercadores do horror e esperava-se dos nossos artigos que comovessem, raramente que explicassem&#8221;.<\/p>\n<p><strong>6) O inimigo utiliza armas n\u00e3o autorizadas <\/strong><\/p>\n<p>Este princ\u00edpio \u00e9 corol\u00e1rio do anterior.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o cometemos atrocidades como fazemos a guerra de maneira cavalheiresca, respeitando \u2013 como se se tratasse de um jogo, certamente duro mas viril! \u2013 as regras&#8221;.\u00a0[24]<\/p>\n<p>Assim, j\u00e1 durante a Primeira Guerra Mundial, a pol\u00e9mica proliferava quanto \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o dos gases asfixiantes. Cada campo acusava o outro por come\u00e7ar a utiliz\u00e1-los\u00a0[25] . Se bem que os dois campos houvessem utilizado o g\u00e1s e que houvessem efectuado todas as investiga\u00e7\u00f5es neste dom\u00ednio, esta arma era o reflexo simb\u00f3lico da guerra &#8220;desumana&#8221;. Conv\u00e9m assim atribu\u00ed-la ao inimigo. \u00c9 de alguma forma a arma &#8220;desonesta&#8221;, a arma enganosa.<\/p>\n<p><strong>7) Sofremos muito poucas perdas, as perdas do inimigo s\u00e3o enormes <\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Com raras excep\u00e7\u00f5es, os seres humanos geralmente preferem aderir a causas vitoriosas. Em casos de guerra a ades\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica depende portanto dos resultados aparentes do conflito. Se os resultados n\u00e3o forem bons, a propaganda dever\u00e1 ocultar as nossas perdas e exagerar as do inimigo&#8221;.\u00a0[26]<\/p>\n<p>J\u00e1 na Primeira Guerra Mundial, um m\u00eas ap\u00f3s o come\u00e7o das opera\u00e7\u00f5es, as perdas elevavam-se a 313 mil mortos. Mas o estado-maior franc\u00eas jamais confessou a perda de um cavalo e n\u00e3o publicava a lista nominativa dos mortos.\u00a0[27]<\/p>\n<p>Ultimamente, a guerra no Iraque fornece um exemplo do mesmo g\u00e9nero, em que se proibiu a publica\u00e7\u00e3o das fotos dos caix\u00f5es de soldados americanos na imprensa. As perdas do inimigo, em contrapartida, s\u00e3o enormes, o seu ex\u00e9rcito n\u00e3o resiste. &#8220;Nos dois campos estas informa\u00e7\u00f5es fazem subir a moral das tropas e persuadem a opini\u00e3o p\u00fablica da utilidade do conflito&#8221;.\u00a0[28]<\/p>\n<p><strong>8) Os artistas e intelectuais apoiam nossa causa <\/strong><\/p>\n<p>Aquando da Primeira Guerra Mundial, salvo raras excep\u00e7\u00f5es, os intelectuais apoiaram maci\u00e7amente o seu pr\u00f3prio campo. Cada beligerante podia em grande medida contar com o apoio dos pintores, poetas, m\u00fasicos que apoiavam, por iniciativas no seu dom\u00ednio, a causa do seu pa\u00eds.\u00a0[29]<\/p>\n<p>Os caricaturistas s\u00e3o amplamente utilizados, para justificar a guerra e pintar o &#8220;carniceiro&#8221; e suas atrocidades, ao passo que outros artistas v\u00e3o trabalhar, com a c\u00e2mara no punho, para produzir documentos edificantes sobre os refugiados, sempre cuidadosamente tomados nas fileiras albanesas e escolhidos os mais real\u00edsticos poss\u00edveis em rela\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico ao qual se dirigem, como esta bela crian\u00e7a loura com olhar nost\u00e1lgico, destinada a evocar as v\u00edtimas albanesas.<\/p>\n<p>Podem-se ver assim os &#8220;manifestos&#8221; a desenvolverem-se por toda a parte. O manifesto dos cem, para apoiar a Fran\u00e7a durante a Primeira Guerra Mundial (Andr\u00e9 Gide, Claude Monet, Claude Debussy, Paul Claudel). Mais recentemente, o &#8220;manifesto dos 12&#8221; contra o &#8220;novo totalitarismo&#8221;\u00a0[30]que \u00e9 o islamismo. Estes &#8220;colectivos&#8221; de intelectuais, artistas e homens not\u00e1veis p\u00f5em-se portanto a legitimar a ac\u00e7\u00e3o do poder pol\u00edtico instalado.<\/p>\n<p><strong>9) Nossa causa tem um car\u00e1cter sagrado <\/strong><\/p>\n<p>Este crit\u00e9rio pode ser tomado nos dois sentidos, quer literal, quer geral. No sentido literal, a guerra apresenta-se como uma cruzada, portanto a vontade \u00e9 divina. N\u00e3o se pode subtrair \u00e0 vontade de Deus, mas apenas cumpri-la. Este discurso retomou grande import\u00e2ncia desde a chegada de George Bush filho ao poder e, com ele, toda uma s\u00e9rie de ultra-conservadores integristas. Assim, a guerra no Iraque manifesta-se como uma cruzada contra &#8220;o Eixo do Mal&#8221;, uma luta do &#8220;bem&#8221; contra o &#8220;mal&#8221;. Era nosso dever &#8220;dar&#8221; a democracia ao Iraque, a democracia sendo um dom sa\u00eddo directamente da vontade divina. Assim, fazer a guerra \u00e9 realizar a vontade divina. Escolhas pol\u00edticas tomar um car\u00e1cter b\u00edblico que apaga toda realidade social e econ\u00f3mica. As refer\u00eancias a Deus sempre foram numerosas (In God We Trust, God Save the Queen, Gott mit Uns, \u2026) e servem para legitimar sem rodeios as ac\u00e7\u00f5es do soberano.<\/p>\n<p><strong>10) Aqueles (e aquelas) que p\u00f5em em d\u00favida a nossa propaganda s\u00e3o traidores <\/strong><\/p>\n<p>Este \u00faltimo princ\u00edpio \u00e9 o corol\u00e1rio de todos anteriores. Toda pessoa que ponha em d\u00favida um \u00fanico dos princ\u00edpios enunciados acima \u00e9 for\u00e7osamente um colaborador do inimigo. Assim, a vis\u00e3o medi\u00e1tica limita-se aos dois campos citados acima. O campo do bem, da vontade divina, e o do mal, dos ditadores. Assim, \u00e9-se &#8220;por ou contra&#8221; o mal. Neste sentido, os oponentes \u00e0 guerra do Kosovo viram-se tratar no\u00a0<em>L&#8217;\u00c9v\u00e8nement <\/em>de 29 de Abril a 5 de Maio de 1999 como &#8220;c\u00famplices de Milosevic&#8221;. O seman\u00e1rio chega mesmo a sistematizar v\u00e1rias &#8220;fam\u00edlias&#8221;. Encontra-se assim a fam\u00edlia &#8220;anti-americana&#8221; com Pierre Bourdieu, R\u00e9gis Debray, Serge Halimi, Noam Chomsky ou Harold Pinter. A fam\u00edlia &#8220;pacifista integrista&#8221; com Gis\u00e8le Halimi, Renaud, o abade Pierre\u2026 e seus \u00f3rg\u00e3os respectivos, o\u00a0<em>Monde diplomatique, <\/em>o PCF.<\/p>\n<p>Torna-se portanto imposs\u00edvel fazer surgir uma opini\u00e3o dissidente sem sofrer um linchamento medi\u00e1tico. O pluralismo das opini\u00f5es j\u00e1 n\u00e3o existe, \u00e9 reduzido a nada, toda oposi\u00e7\u00e3o ao governo \u00e9 reduzida ao sil\u00eancio e ao descr\u00e9dito por argumentos fraudulentos.<\/p>\n<p>Esta mesma argumenta\u00e7\u00e3o foi novamente aplicada aquando da guerra no Iraque. Como a opini\u00e3o p\u00fablica internacional estava mais dividida, isso \u00e9 menos ressentido. Mas estar contra a guerra \u00e9 estar a favor de Saddam Hussein&#8230; O mesmo esquema foi aplicado num contexto muito diferente, que era o referendo sobre a constitui\u00e7\u00e3o europeia: &#8220;ser contra a constitui\u00e7\u00e3o \u00e9 ser contra a Europa!&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Notas e refer\u00eancias <\/strong><\/p>\n<p>1. Morelli, Anne, &#8220;Principes \u00e9l\u00e9mentaires de propagande de guerre&#8221;, Bruxelles, Aden, 2010<\/p>\n<p>2. Ibid, p. 7.<\/p>\n<p>3. Ibidem<\/p>\n<p>4. Ibid, p. 10<\/p>\n<p>5. Ibid, p. 11.<\/p>\n<p>6. Ibid, p. 14.<\/p>\n<p>7. Ibid, p. 16.<\/p>\n<p>8. Collon, Michel, &#8220;attention m\u00e9dias!&#8221;, Bruxelles, \u00e9ditions EPO, 1992, p. 34.<\/p>\n<p>9. Morelli, Anne, op. cit., p. 21.<\/p>\n<p>10. Morelli, Anne, &#8220;L&#8217;histoire selon les vainqueurs, l&#8217;histoire selon les vaincus&#8221;, 8 d\u00e9cembre 2003 in :<a href=\"http:\/\/www.brusselstribunal.org\/8de...;;%5Barchive%5D\" target=\"_blank\">http:\/\/www.brusselstribunal.org\/8de&#8230;;;[archive]<\/a>.<\/p>\n<p>11. Collon, Michel, op. cit., p. 60.<\/p>\n<p>12. Ibidem.<\/p>\n<p>13. Morelli, Anne, op. cit., p. 25.<\/p>\n<p>14. Collon, Michel, op. cit., p. 32.<\/p>\n<p>15. Ibidem.<\/p>\n<p>16. Morelli, Anne, op. cit., p. 27.<\/p>\n<p>17. Ibid, p. 28.<\/p>\n<p>18. Ibid, p. 28.<\/p>\n<p>19. Ibid, p. 34.<\/p>\n<p>20. A crian\u00e7a com m\u00e3os cortadas [arquivo] 1914, nova guerra entre os dois pa\u00edses. Contava-se com insist\u00eancia, do lado franc\u00eas, que os soldados alem\u00e3es eram brutos ign\u00f3beis que cortavam as m\u00e3os das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>21. S\u00e9rvia: Ap\u00f3s o fracasso das negocia\u00e7\u00f5es sobre o Kosovo, a palavra esta com a ONU [arquivo] O Kosovo, considerado por Belgrado como o ber\u00e7o da sua cultura e da sua religi\u00e3o, conta 5% dos s\u00e9rvios ap\u00f3s o \u00eaxodo de mais de 200 mil deles.<\/p>\n<p>22. Revela\u00e7\u00e3o: a NATO bombardeou voluntariamente a embaixada da China em Belgrado [arquivo] Segundo um inqu\u00e9rito do seman\u00e1rio brit\u00e2nico\u00a0<em>The Observer, <\/em>efectuado com o jornal dinamarqu\u00eas<em>Politike, <\/em>a NATO teria bombardeado conscientemente a embaixada chinesa de Belgrado em 7 de Maio \u00faltimo (ver tamb\u00e9m nosso artigo de 10\/05\/99). Respons\u00e1veis militares e das informa\u00e7\u00f5es teriam declarado que a embaixada chinesa abrigava um sistema de retransmiss\u00e3o das emiss\u00f5es do ex\u00e9rcito juguslavo. De repente, ela teria sido eliminada da lista dos &#8220;alvos interditos&#8221; e bombardeada.<\/p>\n<p>23. Ibid, pp. 37-47.<\/p>\n<p>24. Ibid, p. 48.<\/p>\n<p>25. Ibid, p. 49.<\/p>\n<p>26. Ibid, p. 54.<\/p>\n<p>27. Ibidem.<\/p>\n<p>28. Ibid, p. 56.<\/p>\n<p>29. Morelli, Anne, &#8220;les 10 commandements de Ponsonby&#8221;, sur le site de Zal\u00e9a TV : [1] [archive].<\/p>\n<p>30. Sua utiliza\u00e7\u00e3o para com o terrorismo por Jack Straw parece impr\u00f3pria. O &#8220;terrorismo&#8221; em geral n\u00e3o pode ser considerado como um &#8220;totalitarismo&#8221; no sentido original do termo. Ele n\u00e3o preenche os crit\u00e9rios necess\u00e1rios. A utiliza\u00e7\u00e3o do conceito requer uma an\u00e1lise aprofundada da sociedade ou da estrutura do grupo estudado, \u00e9 preciso destacar as categorias essenciais e os processos de des-diferencia\u00e7\u00e3o pr\u00f3prios do totalitarismo. Contudo, n\u00e3o parece que Jack Straw tenha realizado uma tal an\u00e1lise para poder dar uma verdadeira base te\u00f3rica \u00e0 sua asser\u00e7\u00e3o. A utiliza\u00e7\u00e3o do termo neste caso tem um fim pol\u00edtico ou de propaganda de guerra.<\/p>\n<p>20\/Mar\u00e7o\/2011 <strong>O original encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.michelcollon.info\/Principes-elementaires-de.html?lang=fr\" target=\"_blank\">http:\/\/www.michelcollon.info\/Principes-elementaires-de.html?lang=fr<\/a> <\/strong><\/p>\n<p><strong>Este artigo encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a> .<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nResistir.info\n\n\n\n\n\n\n\n\n&#8211; A ler tendo em mente a campanha de cal\u00fanias que o imperialismo desenvolve contra o governo s\u00edrio\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4303\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-4303","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-17p","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4303","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4303"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4303\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4303"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4303"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4303"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}