{"id":4308,"date":"2013-02-10T00:53:42","date_gmt":"2013-02-10T00:53:42","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4308"},"modified":"2013-02-10T00:53:42","modified_gmt":"2013-02-10T00:53:42","slug":"a-invasao-real-da-africa-nao-esta-nos-noticiarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4308","title":{"rendered":"A invas\u00e3o real da \u00c1frica n\u00e3o est\u00e1 nos notici\u00e1rios"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>por John Pilger<\/strong><\/p>\n<p>Uma invas\u00e3o da \u00c1frica de grandes propor\u00e7\u00f5es est\u00e1 em andamento. Os Estados Unidos est\u00e3o a instalar tropas em 35 pa\u00edses africanos, a come\u00e7ar pela L\u00edbia, Sud\u00e3o, Arg\u00e9lia e N\u00edger. Isto foi informado pela Associated Press no Dia de Natal, mas ficou omisso na maior parte dos media anglo-americanos.<\/p>\n<p>A invas\u00e3o pouco tem a ver com &#8220;islamism<\/p>\n<p>o&#8221; e, quase tudo a ver com a aquisi\u00e7\u00e3o de recursos, nomeadamente min\u00e9rios, e com um acelerar da rivalidade com a China. Ao contr\u00e1rio da China, os EUA e seus aliados est\u00e3o preparados para utilizar um grau de viol\u00eancia j\u00e1 demonstrado no Iraque, Afeganist\u00e3o, Paquist\u00e3o, I\u00e9men e Palestina. Tal como na guerra-fria, uma divis\u00e3o de trabalho exige que o jornalismo ocidental e a cultura popular providenciem a cobertura de uma guerra sagrada contra um &#8220;arco amea\u00e7ador&#8221; de extremismo isl\u00e2mico, n\u00e3o diferente da falsa &#8220;amea\u00e7a vermelha&#8221; de uma conspira\u00e7\u00e3o comunista mundial.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A recordar a Luta pela \u00c1frica no fim do s\u00e9culo XIX, o US African Command (\u00a0<a href=\"http:\/\/www.africom.mil\/\" target=\"_blank\">Africom<\/a> ) construiu uma rede de pedintes entre regimes colaboracionistas africanos ansiosos por subornos e armamentos americanos. No ano passado, o Africom ensaiou a Opera\u00e7\u00e3o Esfor\u00e7o Africano\u00a0<em>(Operation African Endeavor),<\/em>com as for\u00e7as armadas de 34 pa\u00edses africanos a nela tomarem parte, comandadas por militares estado-unidenses. A doutrina &#8220;soldado para soldado&#8221; do Africom insere oficiais dos EUA a todo n\u00edvel de comando, desde o general at\u00e9 o primeiro-sargento.<\/p>\n<p>\u00c9 como se a orgulhosa hist\u00f3ria de liberta\u00e7\u00e3o da \u00c1frica, desde Patrice Lumumba at\u00e9 Nelson Mandela, estivesse destinada ao esquecimento por uma nova elite colonial negra ao servi\u00e7o do mestre cuja &#8220;miss\u00e3o hist\u00f3rica&#8221;, advertiu Frantz Fanon h\u00e1 meio s\u00e9culo, \u00e9 a promo\u00e7\u00e3o de &#8220;um capitalismo desenfreado embora camuflado&#8221;.<\/p>\n<p>Um exemplo gritante \u00e9 o Congo Oriental, um tesouro de minerais estrat\u00e9gicos, controlado por um grupo rebelde atroz conhecido como M23, o qual por sua vez \u00e9 dirigido pelo Uganda e o Ruanda, os procuradores de Washington.<\/p>\n<p>Planejada h\u00e1 muito como uma &#8220;miss\u00e3o&#8221; para a NATO, para n\u00e3o mencionar os franceses sempre zelosos, cujas causas coloniais perdidas continuam em prontid\u00e3o permanente, a guerra \u00e0 \u00c1frica tornou-se urgente em 2011 quando o mundo \u00e1rabe parecia estar a libertar-se dos Mubaraks e outros clientes de Washington e da Europa. A histeria que isto provocou em capitais imperiais n\u00e3o pode ser exagerado. Bombardeiros da NATO foram despachados n\u00e3o para Tunis ou Cairo mas sim para L\u00edbia, onde Muammar Kadafi dominava as maiores reservas petrol\u00edferas da \u00c1frica. Com a cidade l\u00edbia de Sirte reduzida a escombros, as SAS brit\u00e2nicas dirigiram as mil\u00edcias &#8220;rebeldes&#8221; para o que se revelou como um banho de sangue racista.<\/p>\n<p>O povo nativo do Saara, os tuaregues, cujos combatentes berberes Kadafi havia protegido, fugiu atrav\u00e9s da Arg\u00e9lia para o Mali, onde os tuaregues desde a d\u00e9cada de 1960 reivindicam um estado separado. Como destaca o sempre vigilante Patrick Cockburn, \u00e9 esta disputa local, n\u00e3o a Al-Qaeda, que o Ocidente mais teme no Noroeste da \u00c1frica&#8230; &#8220;por pobres que possam ser, muitas vezes os tuaregues vivem em cima de grandes reservas de petr\u00f3leo, g\u00e1s, ur\u00e2nio e outros min\u00e9rios valiosos&#8221;.<\/p>\n<p>Quase certamente a consequ\u00eancia do ataque franc\u00eas\/estado-unidense ao Mali em 13 de Janeiro, o cerco a um complexo de g\u00e1s na Arg\u00e9lia que acabou de forma sangrenta, inspirou em David Cameron um momento 11\/Set. O antigo rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas da Carlton TV enfureceu-se acerca de uma &#8220;amea\u00e7a global&#8221; que exigiria &#8220;d\u00e9cadas&#8221; de viol\u00eancia ocidental. Ele queria dizer a implementa\u00e7\u00e3o dos planos de neg\u00f3cios do Ocidente para a \u00c1frica, juntamente com a viola\u00e7\u00e3o da S\u00edria multi \u00e9tnica e a conquista do Ir\u00e3o independente.<\/p>\n<p>Cameron agora ordenou o envio de tropas brit\u00e2nicas para o Mali e enviou para l\u00e1 um drone da RAF, enquanto o seu prolixo chefe militar, general sir David Richards, dirigiu &#8220;uma mensagem muito clara a jihadistas de todo o mundo: \u00a0 n\u00e3o nos provoquem e n\u00e3o nos embaracem. Trataremos disto de forma robusta&#8221; \u2013 exactamente o que jihadistas querem ouvir. O rastro de sangue de v\u00edtimas do terror do ex\u00e9rcito brit\u00e2nico, todos mu\u00e7ulmanos, seus &#8220;sist\u00e9micos&#8221; casos de torturas actualmente a caminho do tribunal, acrescenta ironia \u00e0s palavras do general. Certa vez experimentei os meios &#8220;robustos&#8221; de sir David quando lhe perguntei se lera a descri\u00e7\u00e3o da corajosa feminista afeg\u00e3 Malalai Joya do comportamento b\u00e1rbaro de ocidentais e seus clientes no seu pa\u00eds. &#8220;O senhor \u00e9 um apologista do Taliban&#8221; foi a sua resposta (posteriormente desculpou-se).<\/p>\n<p>Estes comediantes l\u00fagubres s\u00e3o extra\u00eddos directamente [do escritor] Evelyn Waugh e permitem-nos sentir a estimulante aragem da hist\u00f3ria e da hipocrisia. O &#8220;terrorismo isl\u00e2mico&#8221;, que \u00e9 a sua desculpa para o roubo continuado das riquezas da \u00c1frica, foi praticamente inventado por eles. J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 qualquer desculpa para engolir a linha da BBC\/CNN e n\u00e3o conhecer a verdade. Leiam\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bookdepository.co.uk\/search?searchTerm=Secret+Affairs%3A+Britain%27s+Collusion+with+Radical+Islam&amp;search=Find+book\" target=\"_blank\"><em>Secret Affairs: Britain&#8217;s Collusion with Radical Islam<\/em><\/a> de Mark Curtis (Serpent&#8217;s Tail) ou\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bookdepository.co.uk\/search?searchTerm=Unholy+Wars%3A+Afghanistan%2C+America+and+International+Terrorism&amp;search=Find+book\" target=\"_blank\"><em>Unholy Wars: Afghanistan, America and International Terrorism, <\/em><\/a>de John Cooley (Pluto Press) ou\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bookdepository.co.uk\/search?searchTerm=The+Grand+Chessboard&amp;search=Find+book\" target=\"_blank\"><em>The Grand Chessboard<\/em><\/a> de Zbigniew Brzezinski (HarperCollins) que foi o parteiro do nascimento do moderno terror fundamentalista. Com efeito, os mujahedin da Al-Qaida e os Talibans foram criados pela CIA, o seu equivalente paquistan\u00eas, o Inter-Services Intelligence, e o MI6 brit\u00e2nico.<\/p>\n<p>Brzezinski, conselheiro de seguran\u00e7a nacional do presidente Jimmy Carter, descreve uma directiva presidencial secreta em 1979 que principiou aquilo que se tornou a actual &#8220;guerra ao terror&#8221;. Durante 17 anos, os EUA deliberadamente cultivaram, financiaram, armaram e fizeram lavagem cerebral a extremistas da jihad que &#8220;saturaram de viol\u00eancia uma gera\u00e7\u00e3o&#8221;. Com o nome de c\u00f3digo Operation Cyclone, este foi o &#8220;grande jogo&#8221; para deitar abaixo a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica mas que deitou abaixo as Torres G\u00e9meas.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, as not\u00edcias que pessoas inteligentes e educadas tanto distribuem como ingerem tornou-se uma esp\u00e9cie de jornalismo Disney, fortalecido, como sempre, pela licen\u00e7a de Hollywood para mentir e mentir. Est\u00e1 para ser lan\u00e7ado o filme\u00a0<em>Dreamworks <\/em>sobre a WikiLeaks, uma trama inspirada por um livro de tagarelices p\u00e9rfidas de dois jornalistas do\u00a0<em>Guardian <\/em>que se enriqueceram, e h\u00e1 tamb\u00e9m o\u00a0<em>Hora negra (Zero Dark Thirty), <\/em>filme que estimula a tortura e o assass\u00ednio, dirigido pela ganhadora do Oscar Kathryn Bigelow, a Leni Riefenstahl do nosso tempo, que promove a voz do seu mestre tal como fez a realizadora de estima\u00e7\u00e3o do Fuhrer. Este \u00e9 o espelho de sentido \u00fanico atrav\u00e9s do qual n\u00f3s mal vislumbramos aquilo que o poder faz em nosso nome.<\/p>\n<p>31\/Janeiro\/2013 <strong>O original encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/johnpilger.com\/articles\/the-real-invasion-of-africa-is-not-news-and-a-licence-to-lie-is-hollywoods-gift\" target=\"_blank\">http:\/\/johnpilger.com\/&#8230;<\/a> <\/strong><\/p>\n<p><strong>Este artigo encontra-se em\u00a0<a href=\"http:\/\/resistir.info\/\" target=\"_blank\">http:\/\/resistir.info\/<\/a> .<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nResistir.info\n\n\n\n\n\n\n\n\n\u2013 Uma licen\u00e7a para mentir como prenda de Hollywood\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4308\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-4308","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-17u","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4308","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4308"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4308\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4308"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4308"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4308"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}