{"id":4326,"date":"2013-02-15T00:57:09","date_gmt":"2013-02-15T00:57:09","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4326"},"modified":"2013-02-15T00:57:09","modified_gmt":"2013-02-15T00:57:09","slug":"a-participacao-dos-pcs-no-governo-uma-forma-de-sair-da-crise-capitalista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4326","title":{"rendered":"A PARTICIPA\u00c7\u00c3O DOS PCs NO GOVERNO: UMA FORMA DE SAIR DA CRISE CAPITALISTA?"},"content":{"rendered":"\n<p>Ao longo dos \u00faltimos anos, a possibilidade existente de certos partidos comunistas (ou ex-comunistas) de participar do governo, permanece na ordem do dia. Na Alemanha, o Die Linke participou de alguns governos regionais e, certamente, continua participando. O partido discute a possibilidade de participar do governo federal. Na Gr\u00e9cia e nos Pa\u00edses Baixos, a coaliz\u00e3o de esquerda Syriza e o Socialistische Partij vem anunciando claramente sua vontade de entrar para o governo. A folgada maioria do Partido Socialista Franc\u00eas, durante as recentes elei\u00e7\u00f5es parlamentares de 2012, eliminou a d\u00favida sobre uma nova participa\u00e7\u00e3o no governo do Partido Comunista Franc\u00eas. O PCF e, na It\u00e1lia, a Rifondazione Comunista e o Partido dos Comunistas Italianos, participaram de muitos governos no transcorrer das \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Em 2008, o \u00eaxito eleitoral de alguns destes partidos levaram uma revista brit\u00e2nica de esquerda, a\u00a0The New Statesman, concluir: \u201cO socialismo, o socialismo puro, inalterado, uma ideologia considerada morta pelos capitalistas liberais, regressa com for\u00e7a. Ao longo do continente, assistimos \u00e0 tend\u00eancia de que os partidos de centro-esquerda estabelecidos h\u00e1 muito tempo sejam desafiados por outros, indubitavelmente socialistas, que defendem um sistema econ\u00f4mico em que os interesses do capital se subordinem aos dos simples trabalhadores\u201d. [1]<\/p>\n<p>Infelizmente, esta vis\u00e3o sobre um brilhante futuro socialista para a Europa foi ultrapassada pelos \u00faltimos resultados eleitorais e, fato mais importante ainda, pela evolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica destes partidos.<\/p>\n<p>A trag\u00e9dia italiana<\/p>\n<p>A maioria destes partidos foi criada depois da contrarrevolu\u00e7\u00e3o de veludo de Gorbachev. Na It\u00e1lia, durante seu congresso em Rimini, em 1991, o hist\u00f3rico Partido Comunista Italiano (PCI) se transformou em um partido socialdemocrata ordin\u00e1rio. Nesse mesmo ano, os comunistas italianos fundaram o Partito della Rifondazione Comunista (Partido da Refunda\u00e7\u00e3o Comunista). No seio do Rifondazione, o debate sobre a estrat\u00e9gia do partido ficou aberto por muito tempo&#8230; Quando Bertinotti ascendeu \u00e0 presid\u00eancia, o debate se acelerou. Durante o 5\u00ba Congresso do Rifondazione, em fevereiro de 2002, Bertinotti apresentou suas 63 teses como uma soma de \u201cinova\u00e7\u00f5es\u201d. Descobriu uma \u201cnova classe oper\u00e1ria\u201d nascida em G\u00eanova, em 2001, e um \u201cnovo conceito de partido\u201d. Recha\u00e7ando o partido de vanguarda, que era \u201cobsoleto\u201d, o substituiu por um partido concebido como uma soma de \u201cmovimento de movimentos\u201d. Descobriu, igualmente, uma \u201cnova defini\u00e7\u00e3o de imperialismo\u201d, segundo a qual o mundo j\u00e1 n\u00e3o se dividia em blocos capitalistas rivais e a guerra deixou de ser o meio pelo qual o mundo era partilhado de maneira peri\u00f3dica. \u201cO antigo centralismo democr\u00e1tico foi substitu\u00eddo pelo direito a tend\u00eancias\u201d. [2]<\/p>\n<p>Depois de 36 meses de inova\u00e7\u00e3o, a dire\u00e7\u00e3o do Rifondazione Comunista se declarou pronta para participar do governo, junto com os democratas crist\u00e3os de Romano Prodi e a socialdemocracia de D\u2019Alema. Durante o 6\u00ba Congresso do PRC, em mar\u00e7o de 2005, Bertinotti afirmou que seu partido devia ser a for\u00e7a motriz de um processo de reforma. E a participa\u00e7\u00e3o no governo passou a ser um passo necess\u00e1rio na dita dire\u00e7\u00e3o. No discurso de encerramento do Congresso afirmou: \u201cO governo, inclusive o melhor, n\u00e3o \u00e9 mais que um passo, um passo de compromisso. O partido deve situar-se em uma posi\u00e7\u00e3o em que se deixe transparecer sua estrat\u00e9gia, a fim de mostrar que quer ir mais longe [\u2026]\u201d. [3] Para prevenir se de cr\u00edticas contra o PRC, que faz parte de uma coaliz\u00e3o favor\u00e1vel \u00e0 UE junto ao antigo presidente da Comiss\u00e3o Europeia, Romano Prodi, Bertinotti n\u00e3o encontrou melhor desculpa que a j\u00e1 gasta pirueta da socialdemocracia: \u201cDevemos difundir a ideia de que os movimentos e o partido devem guardar sua autonomia a respeito do governo. O partido n\u00e3o deve ser identificado com o governo. Deve manter sua pr\u00f3pria linha e uma estrat\u00e9gia ativa separada deste\u201d. [4]<\/p>\n<p>O conhecid\u00edssimo membro do grupo Bildelberg, Romano Prodi, esteve presente no Congresso e percebeu muito bem a virada do dirigente da Rifondazione: \u201cH\u00e1 aqui um partido socialista de esquerdas que aceita o desafio de governo\u201d. [5]<\/p>\n<p>Em menos de 10 anos, Bertinotti conseguiu colocar um importante potencial revolucion\u00e1rio sob o controle do sistema. No ano de 2007, o PRC se somou \u00e0 coaliz\u00e3o do \u201cOlivo\u201d. Sem uma clara oposi\u00e7\u00e3o de esquerdas anticapitalista \u00e0 participa\u00e7\u00e3o na guerra no Afeganist\u00e3o e \u00e0s medidas de austeridade do governo de Prodi, a direita chegou ao vazio pol\u00edtico e Berlusconi chegou ao poder. O PRC perdeu toda sua representa\u00e7\u00e3o parlamentar na d\u00e9b\u00e2cle da esquerda eleitoral. Trata-se da experi\u00eancia mais recente dos estragos que o revisionismo pode ocasionar. Atualmente, o movimento comunista italiano atravessa uma profunda crise.<\/p>\n<p>Fran\u00e7a: Comunistas no governo (1981, 1987)<\/p>\n<p>O s\u00e9culo XX j\u00e1\u00a0provou o fracasso dos que pretendem modificar o equil\u00edbrio de poder em favor da classe trabalhadora, mediante maiorias no seio do parlamento burgu\u00eas.<\/p>\n<p>Na euforia da vit\u00f3ria eleitoral de Miterrand, em 1981, o secret\u00e1rio geral do PCF, George Marchais, designou 4 comunistas ao governo com o intuito de modificar \u201co equil\u00edbrio de poder\u201d. O dirigente do PCF, Roland Leroy, justificou o ato da seguinte maneira: \u201cNossa presen\u00e7a est\u00e1 relacionada \u00e0 nossa miss\u00e3o e nossa estrat\u00e9gia: utilizar cada oportunidade, inclusive o menor passo adiante, para construir um socialismo original, mediante meios democr\u00e1ticos\u201d. [6]<\/p>\n<p>No lugar de obter um socialismo original, a classe oper\u00e1ria francesa teve de suportar um C\u00f3digo de Trabalho desregulado, uma seguridade social reduzida, al\u00e9m do desequil\u00edbrio dos sal\u00e1rios com rela\u00e7\u00e3o ao aumento da infla\u00e7\u00e3o. Seis anos mais tarde, em julho de 1997, a dire\u00e7\u00e3o do PCF voltou a fazer o mesmo. Tr\u00eas ministros comunistas se aliaram ao governo da \u201cesquerda plural\u201d (PS-PCF-Verdes-MDC), que chegava ao poder depois das grandes lutas de 1995. Resultado? No dito governo houve mais privatiza\u00e7\u00f5es que na soma das administra\u00e7\u00f5es de direita de Jupp\u00e9 e Balladur. Por exemplo, a privatiza\u00e7\u00e3o da Air France foi supervisionada pelo ministro comunista de Transportes, Jean-Claude Gayssot. A Air France, France T\u00e9l\u00e9com, as companhias de seguros GAN e CIC, a Sociedad Marsellesa de Cr\u00e9dito, CNP, Aeroespacial, todas elas foram \u201cabertas ao capital\u201d. A dire\u00e7\u00e3o do PCF continuava no governo de \u201cJospin \u2013 o guerreiro\u201d quando, em 1999, a Fran\u00e7a apoiou o bombardeio da Iugosl\u00e1via pela OTAN.<\/p>\n<p>Certamente foram feitas concess\u00f5es \u00e0s exig\u00eancias sindicais, por\u00e9m, como ocorreu em 1936, com o governo da Frente Popular, basicamente foram resultado das grandes lutas que precederam ou acompanharam a vit\u00f3ria eleitoral da esquerda.<\/p>\n<p>Pretender modificar no parlamento o equil\u00edbrio de poder em favor da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora \u00e9 absurdo aos olhos de todos aqueles que observam o circo eleitoral, que veem aos milhares os grupos de press\u00e3o e as comiss\u00f5es de especialistas pagos pelos grupos de neg\u00f3cios, cuja finalidade \u00e9 influir diretamente nas decis\u00f5es pol\u00edticas. E para mostrar que maneira \u201ca riqueza exerce seu poder indiretamente, por\u00e9m com maior efic\u00e1cia\u201d (retomando as palavras de Engels), o melhor lugar s\u00e3o os Estados Unidos. No ano de 2000, os 429 candidatos com melhor financiamento em suas campanhas ocuparam os 429 primeiros lugares no Congresso estadunidense. S\u00f3 os lugares do 430 ao 469 foram dados a candidatos com menos \u201cfortuna\u201d. [7]<\/p>\n<p>Se existe uma conclus\u00e3o de toda a \u00e9poca do neoliberalismo, \u00e9\u00a0esta: a evid\u00eancia de que a influ\u00eancia dos grupos mais poderosos do capital sobre os Estados-na\u00e7\u00e3o, as institui\u00e7\u00f5es europeias e as institui\u00e7\u00f5es financeiras internacionais nunca estiveram t\u00e3o abertas e descaradas. As decis\u00f5es reais s\u00e3o a prerrogativa do executivo h\u00e1 muitas d\u00e9cadas e o Parlamento n\u00e3o \u00e9 mais que um instrumento para ratificar as decis\u00f5es j\u00e1 tomadas a n\u00edvel governamental. Cada vez mais as leis se preparam nos gabinetes ministeriais e, atualmente, nos grupos de press\u00e3o das empresas mais importantes. A paz duradoura e o progresso social requerem uma sociedade socialista e uma transforma\u00e7\u00e3o radical da sociedade. A via parlamentar para o socialismo repousa na ilus\u00e3o de que o grande capital vai aceitar retroceder e que chegar\u00e1 a ceder, sem mais, o aparato do Estado \u00e0 classe oper\u00e1ria quando esta se tornar suficientemente representada no Parlamento.<\/p>\n<p>Naturalmente, devemos ser conscientes que, atualmente, a maioria da popula\u00e7\u00e3o da Europa v\u00ea a ordem social atual como a \u00fanica poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Um processo revolucion\u00e1rio requer flexibilidade t\u00e1tica, adapta\u00e7\u00e3o \u00e0\u00a0realidade pol\u00edtica, uma adequada avalia\u00e7\u00e3o do objetivo de cada batalha, um conhecimento exato das contradi\u00e7\u00f5es de classe e das correla\u00e7\u00f5es de for\u00e7a, assim como grandes alian\u00e7as.<\/p>\n<p>N\u00f3s lutamos por reformas, lutamos para refor\u00e7ar a for\u00e7a pol\u00edtica e organizativa dos trabalhadores. N\u00e3o dizemos \u00e0\u00a0 popula\u00e7\u00e3o: \u201cResolveremos isto por voc\u00eas\u201d, mas dizemos: \u201cTomem voc\u00eas mesmos o destino em suas m\u00e3os\u201d. Em cada batalha, os trabalhadores adquirem experi\u00eancia e nosso dever \u00e9 introduzir a perspectiva socialista, no longo prazo. Inclusive na luta pelas reformas, o decisivo n\u00e3o s\u00e3o o parlamento e as elei\u00e7\u00f5es, mas as lutas. Todos os avan\u00e7os do movimento oper\u00e1rio v\u00eam sendo resultado de um combate organizado, fazendo campanha e criando correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7a nas ruas.<\/p>\n<p>A esquerda europeia<\/p>\n<p>Nos dias 8 e 9 de maio de 2004, os 2 partidos j\u00e1 mencionados, o PRC e o PCF, tornaram-se fundadores do Partido da Esquerda Europeia. Bertinotti foi nomeado seu presidente.<\/p>\n<p>O Partido da Esquerda \u00e9\u00a0um salto qualitativo da evolu\u00e7\u00e3o para o reformismo (de esquerdas), declarou um de seus fundadores, o presidente do Partido do Socialismo Democr\u00e1tico (PDS), Lothar Bisky. Em uma entrevista realizada pela revista\u00a0Freitag, explicou: \u201cPara as for\u00e7as pol\u00edticas da Uni\u00e3o Europeia que t\u00eam como origem o movimento oper\u00e1rio revolucion\u00e1rio, o Partido da Esquerda Europeia significa um novo passo qualitativo no processo de adapta\u00e7\u00e3o do socialismo de esquerdas\u201d. [8]<\/p>\n<p>Nem no Manifesto da Esquerda Europeia e nem em seus estatutos, se faz refer\u00eancia \u00e0 propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o, \u00e0s crises econ\u00f4micas inerentes ao sistema, \u00e0 concorr\u00eancia assassina travada entre as empresas monopolistas ou \u00e0 partilha do mundo entre as principais pot\u00eancias imperialistas. O partido da Esquerda Europeia promete \u201cuma alternativa progressista\u201d, a \u201cpaz\u201d, a \u201cjusti\u00e7a social\u201d, um \u201cdesenvolvimento sustent\u00e1vel\u201d e outras maravilhas aos quais ningu\u00e9m se apresenta contr\u00e1rio. [9]<\/p>\n<p>Tudo se apresenta de forma muito vaga dentro dos limites do sistema e de suas rela\u00e7\u00f5es de propriedade. \u00c9\u00a0um esfor\u00e7o v\u00e3o buscar a menor refer\u00eancia \u00e0\u00a0estrat\u00e9gia da revolu\u00e7\u00e3o social. Ao contr\u00e1rio, o Partido se centra basicamente na \u201creforma em profundidade\u201d das institui\u00e7\u00f5es do sistema. \u201cQueremos fazer com que as institui\u00e7\u00f5es eleitas \u2013 o Parlamento Europeu e os parlamentos nacionais \u2013 tenham mais poder e possibilidades de controle\u201d. [10]<\/p>\n<p>Die Linke<\/p>\n<p>Um partido importante no seio da Esquerda Europeia \u00e9\u00a0o partido alem\u00e3o da esquerda, Die Linke. Ele \u00e9 o resultado da unifica\u00e7\u00e3o, no ano 2007, do Partido do Socialismo Democr\u00e1tico (PDS, o partido que sucedeu o principal partido da RDA, o SED) e o WASG (os socialdemocratas de esquerda desiludidos, dirigentes sindicais e grupos trotskistas da Alemanha Oriental).<\/p>\n<p>O WASG, composto pelo Partido Socialdemocrata (SPD) e os Verdes, nasceu no ano de 2005, depois dos protestos suscitados contra o governo de Gehrard Schr\u00f6der. A reforma Hartz IV, que acabou com o seguro desemprego no prazo de um ano ao introduzir os desempregados em um sistema de assist\u00eancia social, criou um enorme setor de sal\u00e1rios baixos. As consequ\u00eancias da reforma Hartz IV foram desastrosas. Um informe das Na\u00e7\u00f5es Unidas [11] sobre a situa\u00e7\u00e3o social na Alemanha mostra que, na atualidade, 13% da popula\u00e7\u00e3o vivem abaixo do n\u00edvel de pobreza e que 1.3 milh\u00f5es de pessoas, ainda que tenham trabalho, precisam de uma ajuda suplementar, pois seus rendimentos n\u00e3o s\u00e3o suficientes para a subsist\u00eancia. A pobreza infantil afeta 2.5 milh\u00f5es de crian\u00e7as. Alguns estudos mostram que 25% dos estudantes v\u00e3o para as aulas sem tomar o desjejum.<\/p>\n<p>Assistimos ao aumento da pobreza entre as pessoas idosas devido \u00e0s aposentadorias modestas que diminuem por conta da redu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio. Atualmente, existem 8.2 milh\u00f5es de pessoas com empregos tempor\u00e1rios ou \u201cmini-jobs\u201d \u2013 com sal\u00e1rios de menos de 400 euros por m\u00eas. Dos novos empregos, 75% s\u00e3o prec\u00e1rios. Tudo isto fortalece os super-ricos. Na Alemanha, em 2010, existiam 924 mil milion\u00e1rios, ou seja, eles aumentaram 7.2% em tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>Esta \u201creforma\u201d dividiu o partido socialdemocrata e levou o antigo ministro socialdemocrata, Lafontaine, a abandonar o partido. Ele foi seguido por federa\u00e7\u00f5es inteiras do movimento sindical alem\u00e3o. Estes dissidentes criaram o WASG. O partido unificado WASG-PDS se converteu em \u201cDie Linke\u201d e, em 2009, obteve 11.9% dos votos nas elei\u00e7\u00f5es federais, alcan\u00e7ando 78 assentos. Seu n\u00famero de membros rondava a casa dos 80.000.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, tr\u00eas anos mais tarde, segundo as pesquisas mais recentes, o Die Linke passou a ter problemas em ultrapassar o antidemocr\u00e1tico limite dos 5%, que se aplica a todas as elei\u00e7\u00f5es, tanto nacionais como regionais alem\u00e3es. Em maio de 2012, perdeu seus assentos nos Parlamentos federal e regionais de Schleswig-Holstein (de 6%, os votos passaram a 2.2%) e da Ren\u00e2nia do Norte-Westfalia (de 5.6% a 2.5%). O n\u00famero de membros diminuiu para menos de 70.000.<\/p>\n<p>A nova socialdemocracia<\/p>\n<p>O Die Linke adotou um programa durante seu congresso em Erfurt, em 2011. Ele se apresenta como uma s\u00edntese entre as tend\u00eancias marxistas e os realistas muito reformistas. [12]<\/p>\n<p>\u201cO Die Linke, como partido socialista, opta por alternativas, por um futuro melhor\u201d (p. 4). Este futuro inclui, com grande justi\u00e7a, \u201cuma vida com seguridade social, com uma renda m\u00ednima assegurada, isenta de impostos e protegida da pobreza, assim como uma prote\u00e7\u00e3o total contra a depend\u00eancia, com uma pens\u00e3o obrigat\u00f3ria para todos, que se apoie na luta contra a pobreza, com educa\u00e7\u00e3o de qualidade, gratuita, acess\u00edvel a todos, com diversidade cultural e participa\u00e7\u00e3o de todos na riqueza cultural da sociedade, com um sistema de impostos justo, que reduza as cargas impostas \u00e0s rendas baixas e m\u00e9dias, por\u00e9m que as aumente \u00e0s altas rendas, apontando substancialmente \u00e0s grandes fortunas, para fazer efetiva a democracia e fazer valer a lei contra o poder exorbitante das grandes companhias, com a aboli\u00e7\u00e3o de toda forma de discrimina\u00e7\u00e3o baseada no sexo, idade, classe social, filosofia, religi\u00e3o, origem \u00e9tnica, orienta\u00e7\u00e3o sexual e identidade, ou baseada nas incapacidades de qualquer g\u00eanero\u201d.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, n\u00e3o se sabe ao certo se estas boas inten\u00e7\u00f5es se concretizar\u00e3o neste sistema capitalista ou se \u00e9\u00a0necess\u00e1rio abolir este sistema. Em uma passagem, \u00e9\u00a0poss\u00edvel ler: \u201cNecessitamos de um sistema econ\u00f4mico e social diferente: o socialismo democr\u00e1tico\u201d (p. 4). Critica-se a \u201c\u2019economia social de mercado\u201d como \u201cum compromisso entre o trabalho assalariado e o capital que nunca eliminou a explora\u00e7\u00e3o depredadora da natureza e nem as rela\u00e7\u00f5es patriarcais nas esferas p\u00fablicas e privadas\u201d. Em outras passagens, o problema n\u00e3o \u00e9 o sistema, mas sim o \u201ccapitalismo sem restri\u00e7\u00f5es\u201d (p. 58), o \u201cmodelo pol\u00edtico neoliberal\u201d (p. 56) e os \u201cmercados financeiros desregulados\u201d (p.15).<\/p>\n<p>O texto evoca um \u201clongo processo de emancipa\u00e7\u00e3o, no qual o dom\u00ednio do capital ser\u00e1 revertido mediante as for\u00e7as democr\u00e1ticas, sociais e ecol\u00f3gicas\u201d, que levar\u00e1 a uma \u201csociedade democr\u00e1tica\u201d (p.5). Em outra parte do documento, a chave da transforma\u00e7\u00e3o social \u00e9 a quest\u00e3o da propriedade. \u201cEnquanto as decis\u00f5es tomadas pelas grandes companhias se orientarem mais pelos benef\u00edcios ansiados que para o bem p\u00fablico, a pol\u00edtica estar\u00e1 sujeita a chantagens e se minar\u00e1 a democracia\u201d.<\/p>\n<p>Mais adiante, \u201ca propriedade p\u00fablica\u201d se limita \u201caos servi\u00e7os de interesse geral de infraestrutura social, \u00e0s ind\u00fastrias do setor energ\u00e9tico e ao setor financeiro\u201d (p.5). E o programa copia a velha tese socialdemocrata \u201cda democracia que se estende \u00e0 tomada de decis\u00f5es econ\u00f4micas e submete todas as formas de propriedade a normas emancipacionistas, sociais e ideol\u00f3gicas. Sem democracia na economia, a democracia permanece imperfeita [\u2026]\u201d. De modo que esta \u201cordem econ\u00f4mica democr\u00e1tica diferente\u201d ser\u00e1 uma economia de mercado regulada. \u201cSubmeteremos a regula\u00e7\u00e3o do mercado da produ\u00e7\u00e3o e da distribui\u00e7\u00e3o a um marco e a um controle democr\u00e1tico, social e ecol\u00f3gico\u201d. \u201cO mundo dos neg\u00f3cios deve estar submetido a um severo controle da concorr\u00eancia\u201d (p.5).<\/p>\n<p>A classe oper\u00e1ria n\u00e3o tem nenhum papel na conquista do poder pol\u00edtico. \u00c9\u00a0quest\u00e3o de \u201cmaiorias vencedoras\u201d (p.20) e o \u201csocialismo democr\u00e1tico\u201d poder\u00e1 ser levado a cabo no seio das estruturas \u201cdemocr\u00e1ticas\u201d da constitui\u00e7\u00e3o alem\u00e3 e de um \u201cestado social de direito\u201d.<\/p>\n<p>Os servi\u00e7os de intelig\u00eancia dever\u00e3o ser abolidos, por\u00e9m o \u201ccontrole democr\u00e1tico\u201d do ex\u00e9rcito e da pol\u00edcia ser\u00e1 suficiente para transform\u00e1-los em ferramentas do socialismo.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o no governo<\/p>\n<p>Segundo o programa, a participa\u00e7\u00e3o no governo s\u00f3\u00a0tem sentido se baseada no \u201crep\u00fadio ao modelo pol\u00edtico neoliberal\u201d, se sup\u00f5e uma mudan\u00e7a \u201csocial e ecol\u00f3gica\u201d e a possibilidade de melhorar o n\u00edvel de vida da popula\u00e7\u00e3o. No caso, \u201co poder pol\u00edtico do Die Linke e dos movimentos sociais poder\u00e3o ser refor\u00e7ados\u201d e \u201co sentimento de impot\u00eancia pol\u00edtica que existe entre um sem n\u00famero de pessoas poder\u00e1 ser eliminado\u201d (p.56).<\/p>\n<p>A pergunta feita \u00e9: como \u00e9\u00a0poss\u00edvel adotar esta posi\u00e7\u00e3o pouco depois da queda daquilo que sempre tinha sido apresentado como um not\u00e1vel exemplo da estrat\u00e9gia do partido: o desastre de Berlim? Em agosto de 2010, Die Linke se fundiu nas elei\u00e7\u00f5es do Senado de Berlim. Em 10 anos de participa\u00e7\u00e3o no governo berlinense, o partido sofreu uma d\u00e9b\u00e2cle, passando de 22.3% a 11.5%.<\/p>\n<p>Durante 10 longos anos, a coaliz\u00e3o governamental SPD-Die Linke governou a capital alem\u00e3. Foram fechadas in\u00fameras creches, cortadas indeniza\u00e7\u00f5es sociais e privatizadas 122.000 habita\u00e7\u00f5es sociais. O Die Linke votou pela privatiza\u00e7\u00e3o parcial do sistema berlinense de eletricidade, fez campanha contra a paridade nacional de sal\u00e1rios dos trabalhadores do setor p\u00fablico (que, todavia, ganham consideravelmente menos no Ocidente) e se manifestou contra os esfor\u00e7os de devolver \u00e0 titularidade p\u00fablica a Sociedade de \u00c1gua de Berlim. Contribuiu, igualmente, para privatizar uma parte do principal hospital de Berlim \u2013 o que se traduziria em uma degrada\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e uma diminui\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>Mathias Behnis, cientista pol\u00edtico e porta-voz da frente de resist\u00eancia contra a privatiza\u00e7\u00e3o da sociedade berlinense de distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua, e Benedict Ugarte Chac\u00f3n, cientista pol\u00edtico e porta-voz da iniciativa berlinense contra o esc\u00e2ndalo banc\u00e1rio, publicaram um balan\u00e7o particularmente preocupante no jornal\u00a0Junge Welt, de 20 de agosto de 2011. [13] A coaliz\u00e3o SPD-PDS (at\u00e9 ent\u00e3o, tratava-se do PDS que, mais tarde, participaria da cria\u00e7\u00e3o do Die Linke) exp\u00f4s claramente, desde o in\u00edcio de 2002, qual caminho percorreria ao aprovar um fundo de risco para a Bankgesellschaft Berl\u00edn. Ela assumiu os riscos de um fundo imobili\u00e1rio criado por bancos no valor 21.6 bilh\u00f5es de euros. Desde ent\u00e3o, Berlim administra as perdas anuais destes bancos. O PDS esteve de acordo em garantir os lucros dos acionistas destes fundos, com ajuda do dinheiro p\u00fablico.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, dirigiu uma pol\u00edtica monet\u00e1ria estrita em detrimento, por exemplo, dos subs\u00eddios aos cegos, em 2003, ou dos bilhetes sociais para o transporte p\u00fablico urbano, em 2004, depois que os governos federais suprimiram os subs\u00eddios. Foram necess\u00e1rios enormes protestos sociais para reintroduzir estes bilhetes, por\u00e9m a um custo muito mais elevado.<\/p>\n<p>As creches e as universidades deixaram de se subvencionarem. Isto detonou veementes protestos entre os estudantes e o congresso do PDS, ocorrido em 6 de dezembro de 2003, no luxuoso hotel Maritim, no centro de Berlim, teve que ser protegido pela pol\u00edcia de choque, que for\u00e7ou a evacua\u00e7\u00e3o das ruas com brutalidade.<\/p>\n<p>Em maio de 2003, os pais foram obrigados a gastar at\u00e9\u00a0100 euros com a compra de livros escolares.<\/p>\n<p>O Die Linke, em Berlim, \u00e9\u00a0igualmente respons\u00e1vel pela piora na situa\u00e7\u00e3o de milhares de inquilinos. Em maio de 2004, o governo regional berlinense vendeu 65.700 casas da sociedade p\u00fablica de alojamento GSW ao vantajoso pre\u00e7o de 405 milh\u00f5es de euros a um cons\u00f3rcio ao qual o Whitehall-Fund, do banco de investimentos Goldman Sachs e da sociedade de investimentos Cerberus. Em 2010, permitiu que estas sociedades entrassem na Bolsa de Valores e transformassem milhares de alojamentos berlinenses em objetos de especula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Da mesma forma, aboliu os subs\u00eddios dos propriet\u00e1rios que disponibilizavam suas casas ao aluguel social, sem se preocupar com o que aconteceria aos inquilinos. Nos antigos apartamentos, at\u00e9 ent\u00e3o muito baratos, ocupados, sobretudo, por trabalhadores com baixos sal\u00e1rios e por desempregados, os alugu\u00e9is aumentaram em 17%.<\/p>\n<p>A \u00e1gua que se tornou mercadoria<\/p>\n<p>Em 1999, o antigo governo vendeu 49.9% da antiga sociedade de distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua berlinense para a RWE e a Vivendo (Veolia). O PDS obteve o posto de ministro da Economia em 2002, por\u00e9m n\u00e3o fez nenhuma mudan\u00e7a. O pre\u00e7o da \u00e1gua aumentou, aproximadamente, 33%. Durante o antigo governo, o PDS fez campanha contra a privatiza\u00e7\u00e3o parcial da \u00e1gua. Por\u00e9m, o ministro do PDS, Wolf, fez exatamente aquilo que era contra: garantiu os benef\u00edcios dos acionistas privados e beneficiou-se com os elevados pre\u00e7os da \u00e1gua.<\/p>\n<p>No acordo de coaliz\u00e3o de 2006, Die Linke e o SPD falaram de comprometerem-se com o retorno da sociedade de distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua \u00e0\u00a0autoridade municipal. Por\u00e9m, n\u00e3o se fez nada. Pior ainda, opuseram-se, de todas as maneiras, ao grande movimento extraparlamentar em favor da publica\u00e7\u00e3o do acordo secreto de privatiza\u00e7\u00e3o da sociedade de distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua. Mais de 666.000 pessoas exigiram que fosse objeto de um referendo. A coaliz\u00e3o fez campanha contra esta a\u00e7\u00e3o. Aceitaram o referendo, obtido for\u00e7osamente, por\u00e9m continuaram opondo-se a toda iniciativa legal da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tudo o que podem dizer em sua defesa, \u00e9\u00a0a eterna cantilena dos socialdemocratas: \u201cSem n\u00f3s, teria sido pior\u201d. Por\u00e9m, n\u00e3o. Teria sido bastante parecido ou, talvez, melhor, pois com sua participa\u00e7\u00e3o paralisaram uma parte do potencial de resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Depois de sofrer um golpe nas elei\u00e7\u00f5es, queixaram-se de n\u00e3o terem conseguido impor seus pontos de vista ao SPD. Havia \u201crestri\u00e7\u00f5es \u00e0 liberdade do movimento\u201d, disse o dirigente do partido, Klaus Lederer. Naturalmente. Por\u00e9m, quando existe a promessa de participar de um governo para mudar as coisas, n\u00e3o \u00e9 surpresa se, no fim das contas, as pessoas perguntam o que foi modificado.<\/p>\n<p>Nos governos regionais de Mecklemburgo-Pomer\u00e2nia Ocidental, de Brandeburgo e de Berlim, o partido participou das restri\u00e7\u00f5es e dos fechamentos.<\/p>\n<p>Certamente, o Congresso de Erfurt concluiu que a participa\u00e7\u00e3o no governo tem sentido.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o em governos locais e, inclusive, federais, apenas se discute no seio do partido. A ala direita da dire\u00e7\u00e3o aproveita, inclusive, os maus resultados recentes para reclamar que o partido renuncie a seu \u201cdesejo de permanecer na oposi\u00e7\u00e3o\u201d. Deve declarar abertamente sua inten\u00e7\u00e3o de participar em todos os n\u00edveis de governo, particularmente com seu \u201ccompanheiro natural de coaliz\u00e3o\u201d, o SPD. Dietmar Bartsch, um de seus principais porta-vozes, \u00e9 apoiado pelo partido do L\u00e4nder do leste, onde a organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 mais numerosa. No Leste, a participa\u00e7\u00e3o no governo se tornou norma.<\/p>\n<p>Oskar Lafontaine, considerado como representante da esquerda do partido, nunca se op\u00f4s a que o partido embarque nas coaliz\u00f5es do poder \u2013 ao contr\u00e1rio. \u00c9 keynesiano e sonha com um tipo de Estado de bem-estar socialmente limitado a n\u00edvel nacional. O regresso aos anos 70. Junto com seus companheiros, n\u00e3o deixa de formular os \u201cprinc\u00edpios\u201d ou \u201ccondi\u00e7\u00f5es\u201d que justifiquem a participa\u00e7\u00e3o no governo.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o podemos deixar o SPD e os Verdes governarem sozinhos. O social s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com a nossa participa\u00e7\u00e3o\u201d. Esse era o t\u00edtulo do texto de base da dire\u00e7\u00e3o do partido durante seu congresso em Rostock, no ano de 2010. \u201cO Die Linke pode governar, inclusive melhor que os demais. E n\u00f3s, em Mecklenburgo-Pomer\u00e2nia Ocidental temos ideias muito claras sobre o que deve melhorar e como faz\u00ea-lo\u201d, declara Steffen Bockhahn, presidente regional do Die Linke no Land Mecklenburgo-Pomer\u00e2nia Ocidental [14]. \u201cDevemos ter alternativas \u00e0 coaliz\u00e3o CDU-FDP\u201d, dizem os dirigentes do partido. Como se o SPD e os Verdes n\u00e3o estivessem de acordo em fazer os trabalhadores pagarem os preju\u00edzos causados pela crise! J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 cr\u00edtica radical para estes partidos.<\/p>\n<p>O Die Linke afirma que combina os protestos sociais e pol\u00edticos, elaborando poss\u00edveis alternativas e transforma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas no marco do governo. Por\u00e9m, \u00e9\u00a0evidente que, atualmente, n\u00e3o existem as correla\u00e7\u00f5es de for\u00e7a que tornem poss\u00edvel o exerc\u00edcio de tal press\u00e3o sobre os governos, que se veem for\u00e7ados a realizarem reformas importantes a favor do povo. A \u00fanica consequ\u00eancia da participa\u00e7\u00e3o governamental \u00e9 que paralisa os movimentos de massas e os integra ao sistema, como j\u00e1 visto em Berlim.<\/p>\n<p>As experi\u00eancias da participa\u00e7\u00e3o comunista nos governos europeus comprovam que esta participa\u00e7\u00e3o n\u00e3o det\u00e9m as privatiza\u00e7\u00f5es, a regress\u00e3o social e nem as guerras imperialistas. Estas experi\u00eancias estremeceram a confian\u00e7a nos partidos que participam desses governos e mostram que n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a com outros partidos. A participa\u00e7\u00e3o de um governo burgu\u00eas, onde os monop\u00f3lios capitalistas dominam, debilita as for\u00e7as anticapitalistas.<\/p>\n<p>Na Gr\u00e9cia<\/p>\n<p>No entanto, alguns partidos repudiam aprender as li\u00e7\u00f5es das ditas experi\u00eancias. Provam que se tornaram aut\u00eanticos partidos socialdemocratas, prontos para substituir os antigos, hoje desacreditados, partidos.<\/p>\n<p>Na Gr\u00e9cia, quanto maiores as possibilidade existentes de uma vit\u00f3ria eleitoral, mais aceit\u00e1vel seu programa se torna, assim como a se\u00e7\u00e3o local do Partido da Esquerda Europeia, o Syriza, para a dire\u00e7\u00e3o da UE e para a burguesia grega. Seu programa governamental [15] se apresentou como um \u201cplano para colocar fim \u00e0 crise\u201d. \u201cO prop\u00f3sito \u00e9 unir o povo ao redor do programa governamental do Syriza com a finalidade de libertar a Gr\u00e9cia da crise, da pobreza e sua m\u00e1 reputa\u00e7\u00e3o\u201d. N\u00e3o se menciona em nenhum site o sistema capitalista como o causador da crise: t\u00e3o somente \u00e9 mais o resultado da gest\u00e3o \u201cneoliberal\u201d. O programa se apresenta como social e fiscalmente equitativo, prometendo anular as medidas mais insuport\u00e1veis e antissociais, aumentar o sal\u00e1rio m\u00ednimo, restaurar o antigo n\u00edvel de prote\u00e7\u00e3o contra o desemprego e enfermidade. Tamb\u00e9m promete suprimir os impostos especiais \u00e0queles que possuem baixa ou m\u00e9dia renda. Por\u00e9m, este plano s\u00f3 pretende a \u201cestabiliza\u00e7\u00e3o dos gastos b\u00e1sicos em torno de 43% do PIB, frente aos 36% do relat\u00f3rio e a um m\u00e1ximo de 46% do PIB\u201d. A ideia \u00e9 colocar a Gr\u00e9cia \u201cno centro atual do seio da zona do euro\u201d. \u00c9 um programa que n\u00e3o vai mais al\u00e9m do marco capitalista. \u201cOrganizaremos a revitaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o do pa\u00eds com importantes investimentos para apoiar o desenvolvimento de ind\u00fastrias competitivas\u201d. Tamb\u00e9m promete congelar a privatiza\u00e7\u00e3o apenas de entidades p\u00fablicas de import\u00e2ncia estrat\u00e9gia que ainda eram p\u00fablicas em 2010, quando estourou a crise. Sobre a d\u00edvida, o programa busca um compromisso com a burguesia da UE. Est\u00e1 muito abaixo do programa de 10 pontos do Syriza das elei\u00e7\u00f5es de 6 de maio, que exigia \u201cuma morat\u00f3ria do pagamento da d\u00edvida, negocia\u00e7\u00f5es para anular certas d\u00edvidas (n\u00e3o a d\u00edvida, como exige o KKE) e a regula\u00e7\u00e3o da d\u00edvida restante para incluir provis\u00f5es para o desenvolvimento econ\u00f4mico e o emprego\u201d [16]. Em 8 de maio, depois das primeiras elei\u00e7\u00f5es, Alexis Tsipras, o dirigente do Syriza, apresentou um programa de cinco pontos como base para a forma\u00e7\u00e3o de um \u201cgoverno de esquerdas\u201d. Agora, s\u00f3 pleiteia \u201ca cria\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o de auditoria internacional para investigar as causas do d\u00e9ficit na Gr\u00e9cia, com uma morat\u00f3ria do pagamento da d\u00edvida em espera da publica\u00e7\u00e3o dos resultados da auditoria\u201d [17].<\/p>\n<p>Antes das novas elei\u00e7\u00f5es de 17 de junho, seu \u201cprograma de governo\u201d se limita a denunciar os empr\u00e9stimos (negociados com a Troika) substituindo suas condi\u00e7\u00f5es por \u201coutras que n\u00e3o ponham em d\u00favida a soberania nacional da Gr\u00e9cia e a sobreviv\u00eancia econ\u00f4mica de nosso pa\u00eds. N\u00e3o se aceitar\u00e3o sem mais condi\u00e7\u00f5es como a prioridade no reembolso de empr\u00e9stimos ou a apreens\u00e3o dos bens de propriedade do Estado, como acordada com os credores no relat\u00f3rio\u2026\u201d. N\u00e3o h\u00e1 reivindica\u00e7\u00f5es radicais que busquem fazer pagar os respons\u00e1veis da crise (os burgueses gregos e europeus e outros bancos&#8230;), nem meios para impor suas medidas. Tudo ser\u00e1 negociado. O programa n\u00e3o espera impor \u201ca anula\u00e7\u00e3o do regime de imposto zero para as companhias de transporte e para a Igreja\u201d, mas \u201cbusca um acordo\u201d com a ind\u00fastria mar\u00edtima para abolir as 58 isen\u00e7\u00f5es. N\u00e3o se diz nada sobre a cria\u00e7\u00e3o de um governo capaz de impor suas pr\u00f3prias medidas. Quer \u201celevar o n\u00edvel de impostos ao mesmo n\u00edvel que o resto da UE\u201d, onde a totalidade da carga recai nas costas da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora. Em nenhuma parte se discute a quest\u00e3o do controle da administra\u00e7\u00e3o ou do sistema econ\u00f4mico pelos trabalhadores. Quem vai controlar os patr\u00f5es, os banqueiros? Nada se aborda sobre a pol\u00edcia, o ex\u00e9rcito. O Syriza permanece no seio da OTAN, da UE.<\/p>\n<p>As duras li\u00e7\u00f5es do passado<\/p>\n<p>As experi\u00eancias confirmam as posi\u00e7\u00f5es de Marx, L\u00eanin e a Terceira Internacional sobre este assunto. Elas repudiam toda a participa\u00e7\u00e3o, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o de situa\u00e7\u00f5es nas quais o fascismo constitua uma amea\u00e7a real, no caso de uma situa\u00e7\u00e3o que possam dar lugar a uma transi\u00e7\u00e3o para um governo realmente revolucion\u00e1rio, isto \u00e9, em situa\u00e7\u00f5es pr\u00e9-revolucion\u00e1rias importantes com lutas de classe e correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as favor\u00e1vel (como no Chile, no in\u00edcio dos anos 70, e em Portugal, em 1975&#8230;). Nestas situa\u00e7\u00f5es, \u00e9 poss\u00edvel que devamos selar alian\u00e7as com for\u00e7as que representem camadas n\u00e3o prolet\u00e1rias, por\u00e9m que s\u00e3o igualmente oprimidas pelos monop\u00f3lios ou amea\u00e7adas pelo fascismo ou inimigos exteriores. Por\u00e9m, s\u00f3 sob a condi\u00e7\u00e3o de que este poder evolua ou deseje evoluir para a democracia popular e para o socialismo, para um Estado diferente controlado pelos trabalhadores. N\u00e3o foi o caso do Chile, onde a rea\u00e7\u00e3o massacrou socialistas e comunistas, metendo-os no mesmo saco.<\/p>\n<p>O governo dos trabalhadores, tal e como foi proposto pela Terceira Internacional, se entende como \u201ca frente unida de todos os trabalhadores e uma coaliz\u00e3o de todos os partidos de trabalhadores, tanto na \u00e1rea econ\u00f4mica como pol\u00edtica, para lutar contra o poder da burguesia e, finalmente, para derrub\u00e1-la\u201d. \u201cAs tarefas mais fundamentais de tal governo de trabalhadores devem consistir em armar os trabalhadores, desarmar as organiza\u00e7\u00f5es contrarrevolucion\u00e1rias burguesas, introduzir o controle da produ\u00e7\u00e3o (pelos trabalhadores), fazer carregar o principal peso dos impostos sobre os ricos e romper a resist\u00eancia da burguesia contrarrevolucion\u00e1ria\u201d [18].<\/p>\n<p>O dito governo dos trabalhadores s\u00f3\u00a0\u00e9\u00a0 poss\u00edvel se nasce das lutas de massas e se \u00e9\u00a0apoiado pelas organiza\u00e7\u00f5es militantes dos trabalhadores. [19]<\/p>\n<p>Aqueles que justificam uma coaliz\u00e3o com os partidos pol\u00edticos burgueses nas institui\u00e7\u00f5es parlamentares, utilizam parte dos escritos de Dimitrov sobre a frente unida contra o fascismo. \u00c9 certo que Dimitrov criticava as pessoas que recha\u00e7avam a pol\u00edtica da frente unida contra o fascismo, por\u00e9m segundo Dimitrov, a frente popular antifascista deve ser criada tendo como base uma frente unida de trabalhadores. Pede que um governo de frente popular tome medidas revolucion\u00e1rias anticapitalistas: pode surgir \u201cuma situa\u00e7\u00e3o tal que a forma\u00e7\u00e3o de um governo de frente \u00fanica prolet\u00e1ria ou de frente obede\u00e7a aos interesses do prolet\u00e1rio. [\u2026] Exigimos deste que ponha em pr\u00e1tica as reivindica\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias radicais, determinadas, que respondam \u00e0 situa\u00e7\u00e3o. Por exemplo, o controle da produ\u00e7\u00e3o, o controle dos bancos, a dissolu\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia, sua substitui\u00e7\u00e3o pela mil\u00edcia oper\u00e1ria armada, etc\u201d. [20]<\/p>\n<p>Dimitrov alertou contra o fato de que, \u201cmanter uma frente popular na Fran\u00e7a n\u00e3o significa que a classe oper\u00e1ria v\u00e1 apoiar o atual governo [21] a todo custo [&#8230;]. Se, por uma raz\u00e3o ou outra, o governo existente se mostra incapaz de fazer valer o programa da Frente Popular, adota uma linha de retirada ante o inimigo, de seu pa\u00eds e do estrangeiro. Se uma pol\u00edtica debilita a resist\u00eancia \u00e0 ofensiva fascista, ent\u00e3o, a classe oper\u00e1ria, com o prop\u00f3sito de reassegurar os la\u00e7os da Frente Popular, provocar\u00e1 a substitui\u00e7\u00e3o do atual governo por outro\u201d. [22]<\/p>\n<p>\u00c9 o que aconteceu e o PCF demorou muito tempo para compreender. Em 1936, depois da vit\u00f3ria eleitoral dos partidos de esquerda, se formou o governo Blum de socialistas e radicais, apoiado externamente pelo PCF. Uma enorme onda de greves exerceu press\u00e3o sobre o governo para for\u00e7\u00e1-lo a satisfazer as reivindica\u00e7\u00f5es que se encontravam no programa da Frente Popular. Por\u00e9m, para retomar os termos de seu presidente, o governo se fixou como objetivo encontrar uma maneira de \u201cprocurar um al\u00edvio suficiente para aqueles que sofrem\u201d no marco da sociedade de ent\u00e3o. Para Blum, a miss\u00e3o da Frente Popular consistia em \u201cmoderar a sociedade burguesa\u201d e remover \u201cum m\u00e1ximo de ordem, bem-estar, seguran\u00e7a e justi\u00e7a\u201d. Nessas condi\u00e7\u00f5es, o impacto negativo da participa\u00e7\u00e3o no governo aumentou consideravelmente. Historicamente, as administra\u00e7\u00f5es \u201cde esquerda\u201d presidindo sistemas capitalistas desmoralizaram e desmobilizaram a classe oper\u00e1ria, al\u00e9m de abrirem caminho para partidos e governos conservadores e, inclusive, de extrema direita.<\/p>\n<p>O governo de Blum foi derrubado dois anos depois e bastaram dois anos a mais para que os capitalistas franceses quisessem revanche e recuperassem as concess\u00f5es que haviam feito. Por iniciativa do Partido Socialista, o governo dirigido pelo l\u00edder do Partido Radical, Daladier, ilegalizou o PC em 21 de novembro de 1939 e seus representantes foram submetidos a julgamento. Em 7 de julho de 1940, os mesmos representantes radicais e socialistas deram seu voto de confian\u00e7a ao governo do traidor P\u00e9tain.<\/p>\n<p>Inclusive nos per\u00edodos em que a participa\u00e7\u00e3o no governo pode levar \u00e0\u00a0fase de luta aberta pelo socialismo, \u00e9\u00a0 necess\u00e1ria uma extrema vigil\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Em setembro de 1947, durante uma reuni\u00e3o onde estavam presentes membros do novo \u00f3rg\u00e3o de coordena\u00e7\u00e3o dos partidos comunistas depois da Segunda Guerra Mundial \u2013 o Kominform [23] \u2013 os participantes criticaram a linha oportunista do PCF em sua pol\u00edtica de frente unida durante a ocupa\u00e7\u00e3o e sua participa\u00e7\u00e3o no subsequente governo.<\/p>\n<p>A burguesia tinha interesse em cooperar com os comunistas durante e depois da guerra porque era d\u00e9bil. Os comunistas deveriam ter aproveitado essa situa\u00e7\u00e3o para ocupar postos-chave, por\u00e9m n\u00e3o o fizeram. No lugar de conquistar o apoio das massas para tomar o poder, desarmaram as massas e semearam ilus\u00f5es sobre a democracia burguesa e o parlamentarismo.<\/p>\n<p>No lugar de criar a unidade antifascista a partir da base, mediante a cria\u00e7\u00e3o de instrumentos emanados das massas, juntando todas as tend\u00eancias que estavam realmente dispostas a seguir a via da luta por um poder revolucion\u00e1rio, os dirigentes do PCF e do PCI cometeram o erro de construir uma frente por cima, tendo como base uma representa\u00e7\u00e3o igualit\u00e1ria dos diferentes partidos, quando o objetivo dos partidos burgueses era evitar a transforma\u00e7\u00e3o real do pa\u00eds. Para colocar em pr\u00e1tica esta pol\u00edtica, os dirigentes do PCF e do PCI argumentaram que toda reivindica\u00e7\u00e3o diferente \u00e0 de liberta\u00e7\u00e3o nacional, toda reivindica\u00e7\u00e3o diferente \u00e0 de mudan\u00e7as democr\u00e1ticas radicais e revolucion\u00e1rias, afastaria da frente antifascista um n\u00famero expressivo de grupos sociais e de for\u00e7as pol\u00edticas.<\/p>\n<p>A reuni\u00e3o criticou o PCF por ter permitido e at\u00e9\u00a0 facilitado o desarmamento e a dissolu\u00e7\u00e3o das for\u00e7as da Resist\u00eancia sob o pretexto de que a guerra tinha terminado e que uma a\u00e7\u00e3o contra a pol\u00edtica de De Gaulle desembocaria em um confronto com os Aliados. Esta concep\u00e7\u00e3o facilitou a tarefa dos imperialistas preocupados em reconquistar suas posi\u00e7\u00f5es anteriores \u00e0 guerra. Criou ilus\u00f5es sobre a \u201cdemocracia\u201d dos imperialistas e sua capacidade de ajudar na reconstru\u00e7\u00e3o, sem outros objetivos, das na\u00e7\u00f5es que foram libertadas do fascismo.<\/p>\n<p>Em geral, os delegados da Confer\u00eancia reprovaram a persist\u00eancia nas ilus\u00f5es de uma via parlamentarista para o socialismo, na propaga\u00e7\u00e3o das mesmas entre as massas no lugar de mobiliz\u00e1-las contra a pol\u00edtica pr\u00f3-estadunidense de seus governos e por uma alternativa verdadeiramente revolucion\u00e1ria. [24]<\/p>\n<p>Agora menos que nunca<\/p>\n<p>A primeira pergunta persiste: qual \u00e9 o car\u00e1ter da sociedade na qual um partido comunista queira participar do governo? \u00c9 um Estado capitalista. Sua base econ\u00f4mica \u00e9 o capitalismo e sua tarefa \u00e9, obviamente, administrar o capitalismo, proteger e criar condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis ao sucesso de seu desenvolvimento. Este Estado adota uma constitui\u00e7\u00e3o, leis e regulamenta\u00e7\u00f5es que possuem como objetivo garantir a ordem constitucional, criar as condi\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento do capital e evitar conflitos no seio da sociedade.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica hostil com os trabalhadores nestes Estados n\u00e3o revela pol\u00edticos malvados e nem os maus partidos, com programas maliciosos. Enquanto a propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o reinar, enquanto as empresas devem competir para sobreviver, dever\u00e3o acumular, aumentar seus lucros, reduzir os sal\u00e1rios, repudiar as reivindica\u00e7\u00f5es sociais. A esta lei n\u00e3o se podem opor \u201cbons\u201d pol\u00edticos no governo com ideias e programas \u201ccorretos\u201d.<\/p>\n<p>O capitalismo atual j\u00e1\u00a0n\u00e3o pode, como esperava Lafontaine, voltar \u00e0\u00a0\u00e9poca da chamada \u201ceconomia social de mercado\u201d com coopera\u00e7\u00e3o social. Foi um epis\u00f3dio que deve ser situado no contexto da rivalidade ideol\u00f3gica entre socialismo e capitalismo, da for\u00e7a dos partidos comunistas ap\u00f3s a Resist\u00eancia, quando podiam atender \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es a partir dos lucros da faze da reconstru\u00e7\u00e3o do p\u00f3s-guerra.<\/p>\n<p>Isto j\u00e1\u00a0n\u00e3o\u00a0\u00e9\u00a0poss\u00edvel e nem obviamente necess\u00e1rio na l\u00f3gica capitalista. Os 25 milh\u00f5es de desempregados oficiais da UE, que exercem uma press\u00e3o sobre os sal\u00e1rios e os mercados de trabalho, hoje mundialmente acess\u00edveis, reduzem o pre\u00e7o da m\u00e3o de obra. O custo do desemprego duplica o or\u00e7amento social: os sal\u00e1rios em baixa proporcionam menos renda aos fundos de seguridade social e, cada vez mais, existem benefici\u00e1rios para serem atendidos por esses fundos.<\/p>\n<p>O colapso do sistema de seguridade social n\u00e3o \u00e9 mais que uma quest\u00e3o de tempo se n\u00e3o h\u00e1 um combate de envergadura para fazer com que o capital pague impostos. Al\u00e9m disso, as rendas dos impostos sobre os lucros das empresas v\u00e3o em baixa, apesar de que os lucros crescem: se necessitam redu\u00e7\u00f5es suplementares aos impostos para refor\u00e7ar os capitais nacionais nos mercados internacionais.<\/p>\n<p>O Estado capitalista trabalha para criar as condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis para o crescimento da rentabilidade das empresas, para criar novos mercados gra\u00e7as \u00e0 privatiza\u00e7\u00e3o e \u00e0 redistribui\u00e7\u00e3o do rendimento nacional em favor dos possuidores de capital. Est\u00e1 a\u00ed para fazer calar ou reprimir a classe oper\u00e1ria nacional e para garantir os interesses do capital em outras regi\u00f5es.<\/p>\n<p>De modo que a participa\u00e7\u00e3o em governo nestas condi\u00e7\u00f5es significa unicamente a participa\u00e7\u00e3o na regress\u00e3o social, inclusive ainda que alcan\u00e7ada lentamente. Significa desarmar a resist\u00eancia e dar falsas esperan\u00e7as ao movimento oper\u00e1rio.<\/p>\n<p>Antigos partidos comunistas escolheram participar do poder, sabendo, com certeza, que isto significa governar sob os interesses do capital e participar da destrui\u00e7\u00e3o das conquistas sociais obtidas ap\u00f3s as lutas do movimento oper\u00e1rio.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o no governo contribuiu para desmobilizar a resist\u00eancia t\u00e3o necess\u00e1ria e o desenvolvimento de um contrapoder. Atualmente, para modificar o equil\u00edbrio das for\u00e7as de classe, devemos nos unir em numerosos combates defensivos contra a regress\u00e3o social, com a finalidade de criar um movimento pol\u00edtico independente de trabalhadores e daqueles a quem se impede trabalhar e difundir uma consci\u00eancia anticapitalista no seio do movimento oper\u00e1rio.<\/p>\n<p>A debilidade dos comunistas e dos sindicatos com uma clara orienta\u00e7\u00e3o anticapitalista \u00e9\u00a0a principal causa do dom\u00ednio agressivo do capital na maior parte dos pa\u00edses capitalistas.<\/p>\n<p>Necessitamos um programa pol\u00edtico alternativo e devemos lutar por ele. Que inclua reivindica\u00e7\u00f5es imediatas, por\u00e9m que tamb\u00e9m possua a palavra de ordem da aboli\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es capitalistas de propriedade. Estas reivindica\u00e7\u00f5es n\u00e3o deve se dirigir a potenciais s\u00f3cios no seio de um governo de esquerdas (que n\u00e3o existe), mas a um movimento oper\u00e1rio organizado e a outras camadas exploradas da sociedade. Devem dirigir-se aos sindicatos, a todo tipo de organiza\u00e7\u00f5es populares ativas em todos os dom\u00ednios da luta social, democr\u00e1tica, anti-imperialista e cultural.<\/p>\n<p>A verdadeira pergunta \u00e9\u00a0saber de que maneira os partidos comunistas v\u00e3o se preparar para as batalhas que vir\u00e3o, como v\u00e3o se organizar para ser capazes de assumir eficazmente a carga das novas lutas da classe oper\u00e1ria e da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora no sentido amplo. A crise leva grandes massas de trabalhadores a dar as costas \u00e0 socialdemocracia. N\u00e3o devemos oferecer-lhes uma sociedade socialdemocrata renovada. \u00c9 necess\u00e1rio um partido revolucion\u00e1rio que tenha em conta o n\u00edvel de consci\u00eancia atual, que fa\u00e7a seus os problemas do povo, que fale uma linguagem acess\u00edvel, que busque a unidade do maior n\u00famero poss\u00edvel de pessoas na luta. Por\u00e9m, que n\u00e3o esque\u00e7a seus princ\u00edpios, que mantenha o rumo para uma sociedade na qual n\u00e3o exista explora\u00e7\u00e3o do homem pelo homem, uma sociedade sem propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o, uma sociedade em que os trabalhadores sejam realmente livres e com um Estado que proteja a liberdade da vasta maioria contra a opress\u00e3o de uma minoria.<\/p>\n<p>Herwig Lerouge \u00e9\u00a0redator-chefe da Estudos Marxistas, <a href=\"http:\/\/www.marx.be\/\" target=\"_blank\">www.marx.be<\/a><\/p>\n<p>[1] \u00ab\u00a0Socialism\u2019s comeback \u00bb, New Statesman, diciembre 2008,<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.newstatesman.com\/europe\/2008\/12\/socialist-partysocialism\" target=\"_blank\">http:\/\/www.newstatesman.com\/europe\/2008\/12\/socialist-partysocialism<\/a>?page=5.<\/p>\n<p>[2] Fausto Bertinotti e.a., Tesi maggioranza (tese da maioria), V Congresso Nazionale, 2002, Partito della Rifondazione Comunista. Todas as cita\u00e7\u00f5es sobre o PRCI prov\u00e9m da obra \u201cLa clase obrera en la era de las multinacionales\u201c \u201cA classe oper\u00e1ria na era das multinacionais\u201d), de Peter Mertens: <a href=\"http:\/\/www.jaimelago.org\/node\/7\" target=\"_blank\">http:\/\/www.jaimelago.org\/node\/7<\/a>. (As teses em italiano : <a href=\"http:\/\/www.d-meeus.be\/marxisme\/modernes\/Bertinotti63Tesi.html\" target=\"_blank\">http:\/\/www.d-meeus.be\/marxisme\/modernes\/Bertinotti63Tesi.html<\/a>).<\/p>\n<p>[3] Partito della Rifondazione Communista. VI Congresso Nazionale. Relazione introduttiva del segretario Fausto Bertinotti.<\/p>\n<p>[4] Partito della Rifondazione Comunista. VI Congresso Nazionale. Conclusioni del segretario Fausto Bertinotti.<\/p>\n<p>[5] La Stampa, 4 de mar\u00e7o de 2005, p. 7, <a href=\"http:\/\/www.archiviolastampa.it\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.archiviolastampa.it\/<\/a>.<\/p>\n<p>[6] Le Nouvel Observateur, 10 de fevereiro de 1984.<\/p>\n<p>[7] Michael Scherer, Amy Paris e.a., \u00ab\u00a0Campaign inflation \u00bb, en The Mother Jones 400, mar\u00e7o 2001,<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.motherjones.com\/news\/special_reports\/mojo_400\/index.html\" target=\"_blank\">http:\/\/www.motherjones.com\/news\/special_reports\/mojo_400\/index.html<\/a>.<\/p>\n<p>[8] Junge Welt, 8 de abril de 2004, <a href=\"http:\/\/www.jungewelt.de\/2004\/04-08\/004.php\" target=\"_blank\">http:\/\/www.jungewelt.de\/2004\/04-08\/004.php<\/a>.<\/p>\n<p>[9] Parti de la Gauche europ\u00e9enne, \u00ab Manifeste du Parti de la Gauche europ\u00e9enne \u00bb, 10 de maio de 2004.<\/p>\n<p>[10] Ibidem.<\/p>\n<p>[11] United Nations Economic and Social Council, 20 de Maio de 2011.Concluding Observations of the Committee on Economic, Social and Cultural Rights. Alemanha,<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.agfriedensforschung\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.agfriedensforschung<\/a>.de\/themen\/Menschenrechte\/deutsch-un.pdf<\/p>\n<p>[12] Programme of the Die Linke Party<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/en.dielinke\/\" target=\"_blank\">http:\/\/en.dielinke<\/a>.de\/fileadmin\/download\/english_pages\/programme_of_the_die_linke_party_2011\/programme_of_the_die_linke_party_2011.pdf.<\/p>\n<p>[13] Mathias Behnis et Benedict Ugarte Chac\u00f3n \u201cDie \u00dcberfl\u00fcssigen: Hintergrund. Harmlos, farblos und immer treu zur SPD. Zehn Jahre<\/p>\n<p>Regierungsbeteiligung der Linkspartei in Berlin \u2014 eine unvollst\u00e4ndige Bilanz des Scheiterns\u201d, <a href=\"https:\/\/www.jungewelt.de\/loginFailed.php?ref=\/2011\/08\" target=\"_blank\">https:\/\/www.jungewelt.de\/loginFailed.php?ref=\/2011\/08<\/a>-20\/024.php.<\/p>\n<p>[14] Disput, junho de 2010.<\/p>\n<p>[15] <a href=\"http:\/\/transform-network.net\/de\/blog\/blog-2012\/news\/detail\/Blog\/a-roadmap\" target=\"_blank\">http:\/\/transform-network.net\/de\/blog\/blog-2012\/news\/detail\/Blog\/a-roadmap<\/a>-for-the-new-greece.html<\/p>\n<p>[16] <a href=\"http:\/\/hellenicantidote.blogspot.be\/2012\/05\/oh-my-god-syrizas-10-pointplan\" target=\"_blank\">http:\/\/hellenicantidote.blogspot.be\/2012\/05\/oh-my-god-syrizas-10-pointplan<\/a>-to-save.html<\/p>\n<p>[17]<a href=\"http:\/\/www.ekathimerini.com\/4dcgi\/_w_articles_wsite1_1_08\/05\/2012_441181\" target=\"_blank\">http:\/\/www.ekathimerini.com\/4dcgi\/_w_articles_wsite1_1_08\/05\/2012_441181<\/a><\/p>\n<p>[18] <a href=\"http:\/\/www.contre-informations.fr\/komintern\/komintern\/5.html#A\" target=\"_blank\">http:\/\/www.contre-informations.fr\/komintern\/komintern\/5.html#A <\/a>point XI<\/p>\n<p>[19] <a href=\"http:\/\/www.marxists.org\/francais\/inter_com\/1922\/ic4_01.htm\" target=\"_blank\">http:\/\/www.marxists.org\/francais\/inter_com\/1922\/ic4_01.htm<\/a><\/p>\n<p>[20] Georgi Dimitrov, L\u2019Offensive du fascisme et les t\u00e2ches de l\u2019Internationale communiste dans la lutte pour l\u2019unit\u00e9 de la classe ouvri\u00e8re contre le fascisme,<a href=\"http:\/\/actionantifasciste.fr\/documents\/analyses\/28.html\" target=\"_blank\">http:\/\/actionantifasciste.fr\/documents\/analyses\/28.html<\/a><\/p>\n<p>[21] O governo da Frente popular de socialistas e radicais dirigido por L\u00e9on Blum, ver mais adiante.<\/p>\n<p>[22] Georgi Dimitrov, OEuvres choisies, t. 2, p. 160, Sofia Presse<\/p>\n<p>[23] Em 1943, foi desfeita a Terceira Internacional. Ap\u00f3s a derrota do fascismo, foi restaurada sob o nome de Kominform. Esta se reuniu somente tr\u00eas vezes. Durante suas sess\u00f5es, que ocorreram de 23 a 26 de setembro de 1947, se discutiu detalhadamente a situa\u00e7\u00e3o na Fran\u00e7a e na It\u00e1lia.<\/p>\n<p>[24] Interven\u00e7\u00e3o de Djilas de 25 de setembro de 1947. Giuliano Procacci (red.), The Cominform: Minutes of the Three Conferences 1947\/1948\/1949, Milan, Fondazione Giangiacomo Feltrinelli &amp; Russian Centre of Conservation and Study of Records for Modern History (RTsKhIDNI), 1994, pp 255-257. Citado en Peter Mertens, \u00ab La clase obrera en la era de las multinacionales \u00bb :<a href=\"http:\/\/www.jaimelago.org\/node\/7\" target=\"_blank\">http:\/\/www.jaimelago.org\/node\/7 <\/a>.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.pcpe.es\/comunicados\/item\/2089-ptb-la-participaci%C3%B3n-de-los-partidos-comunistas-en-el-gobierno-%C2%BFuna-forma-de-salir-de-la-crisis-capitalista?.html\" target=\"_blank\">http:\/\/www.pcpe.es\/comunicados\/item\/2089-ptb-la-participaci%C3%B3n-de-los-partidos-comunistas-en-el-gobierno-%C2%BFuna-forma-de-salir-de-la-crisis-capitalista?.html<\/a><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Partido Comunista Brasileiro (PCB)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\n3.bp.blogspot\n\n\n\n\n\n\n\n\nHerwig Lerouge.\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4326\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[80],"tags":[],"class_list":["post-4326","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c93-organizacoes"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-17M","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4326","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4326"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4326\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4326"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4326"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4326"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}