{"id":4328,"date":"2013-02-15T13:25:56","date_gmt":"2013-02-15T13:25:56","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4328"},"modified":"2013-02-15T13:25:56","modified_gmt":"2013-02-15T13:25:56","slug":"cardeal-que-protegeu-padres-pedofilos-participara-de-conclave","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4328","title":{"rendered":"Cardeal que protegeu padres ped\u00f3filos participar\u00e1 de conclave"},"content":{"rendered":"\n<p>Na contram\u00e3o do planeta, que s\u00f3 agora discute os rumos da Igreja Cat\u00f3lica, nos Estados Unidos o Papa Bento XVI divide as manchetes com um dos cardeais que escolher\u00e3o seu sucessor. Ex-arcebispo de Los Angeles, Roger Mahony est\u00e1 de malas prontas para participar do conclave no Vaticano, ignorando a obje\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica ao seu nome.<\/p>\n<p>Mahony acobertou, por 25 anos, o abuso sexual a mais de 500 meninos na regi\u00e3o de sua arquidiocese. Para preservar os padres ped\u00f3filos, transferiu-os para outros estados e impediu investiga\u00e7\u00f5es. Na d\u00e9cada passada, os casos vieram gradualmente \u00e0 tona. Em 2007, a Igreja j\u00e1 havia gasto mais de US$ 600 milh\u00f5es em acordos com as fam\u00edlias das crian\u00e7as. E, na semana passada, o \u201cLos Angeles Times\u201d denunciou que parte desta verba &#8211; US$ 115 milh\u00f5es &#8211; veio de um fundo destinado \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de cemit\u00e9rios, sustentado pelas fam\u00edlias dos mortos.<\/p>\n<p>Mahony, que deixou a arquidiocese dois anos atr\u00e1s, n\u00e3o informou aos contribuidores do fundo o que faria com o dinheiro. Em nota, apenas afirmou que a administra\u00e7\u00e3o dos cemit\u00e9rios n\u00e3o foi afetada.<\/p>\n<p>Este m\u00eas, o arcebispo Jos\u00e9 Gomez, que assumiu a arquidiocese em 2011, afirmou que seu antecessor seria despojado de suas fun\u00e7\u00f5es p\u00fablicas &#8211; uma reprimenda incomum no \u00e2mbito da Igreja. Gomez, por\u00e9m, reconheceu que o cardeal ainda \u00e9 um \u201cbispo em boa posi\u00e7\u00e3o\u201d &#8211; ou seja, uma figura influente na pequena elite da C\u00faria.<\/p>\n<p>Em resposta \u00e0 repreens\u00e3o, segundo o \u201cWashington Post\u201d, \u201co cardeal Mahony, que tem um mestrado em assist\u00eancia social, escreveu que nada em sua forma\u00e7\u00e3o o alertou para os riscos envolvidos no abuso sexual de crian\u00e7as\u201d. O que levou o jornal a perguntar, em editorial publicado anteontem: \u201cQue tal o senso comum, o respeito \u00e0 lei e um entendimento b\u00e1sico dos direitos humanos?\u201d<\/p>\n<p>Abusos em 14 mil p\u00e1ginas<\/p>\n<p>Na semana passada, advogados da Igreja tentavam ocultar nomes dos envolvidos nos casos de abuso &#8211; de c\u00famplices do primeiro escal\u00e3o aos padres que cometeram os ass\u00e9dios. Mas um juiz da Calif\u00f3rnia ordenou que arquivos pessoais fossem revelados &#8211; um calhama\u00e7o de 14 mil p\u00e1ginas, com diversas cita\u00e7\u00f5es de como Mahony, para proteger os cl\u00e9rigos, transferia-os para outras par\u00f3quias e op\u00f4s-se \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o dos abusadores a terapeutas, que poderiam ser legalmente obrigados a relatar os crimes.<\/p>\n<p>A bronca de Gomez e a determina\u00e7\u00e3o judicial ganharam destaque nos meios de comunica\u00e7\u00e3o. O \u201cWahington Post\u201d afirmou que Mahony \u201ctem sorte de n\u00e3o estar preso, pois n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que ele orquestrou uma opera\u00e7\u00e3o para encobrir o abuso sexual de cl\u00e9rigos em Los Angeles\u201d.<\/p>\n<p>O \u201cNew York Times\u201d lembrou que entre os cardeais presentes no conclave estar\u00e1 Mahony, \u201ccujas d\u00e9cadas de m\u00e1 gest\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos abusadores sexuais do sacerd\u00f3cio foram recentemente expostas em tribunal\u201d.<\/p>\n<p>A emissora NBC, por sua vez, destacou que Mahony ir\u00e1 ao Vaticano \u201capesar dos documentos que revelam sua prote\u00e7\u00e3o a padres acusados de abuso sexual\u201d.<\/p>\n<p>&#8211; Houve uma cobertura muito extensa dos esc\u00e2ndalos de Mahony &#8211; ressalta Joshua McElwee, vencedor do pr\u00eamio da Associa\u00e7\u00e3o da Imprensa Cat\u00f3lica dos EUA no ano passado. &#8211; O cardeal caiu em desgra\u00e7a, e muitas pessoas acreditam que ele n\u00e3o deveria participar do conclave. E os danos a sua imagem podem ser estendidos a toda a Igreja Cat\u00f3lica no pa\u00eds.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Inadimpl\u00eancia cai em janeiro<\/p>\n<p>Folha Online<\/p>\n<p>A inadimpl\u00eancia do consumidor manteve em janeiro a tend\u00eancia de desacelera\u00e7\u00e3o iniciada no final do ano ap\u00f3s o pico que atingiu o pa\u00eds e impactou a economia em 2012.<\/p>\n<p>Levantamento da Serasa Experian mostrou um recuo de 1,5% no indicador de consumidores no primeiro m\u00eas deste ano em rela\u00e7\u00e3o a dezembro. Embora ainda esteja acima dos n\u00edveis de igual m\u00eas de 2012, em 12,9%, a diferen\u00e7a ficou menor na compara\u00e7\u00e3o anual.<\/p>\n<p>O indicador de dezembro, por exemplo, ficou 14,2% acima do mesmo m\u00eas de 2011. No acumulado de 2012, a alta tamb\u00e9m foi mais intensa, de 15%.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o da inadimpl\u00eancia no ano passado foi puxado principalmente pelos atrasos nas parcelas de ve\u00edculos, em reflexo \u00e0s concess\u00f5es concedidas em 2010 e 2011, com condi\u00e7\u00f5es facilitadas de compra.<\/p>\n<p>Diante desse quadro, bancos passaram a adotar uma posi\u00e7\u00e3o mais conservadora na avalia\u00e7\u00e3o dos empr\u00e9stimos e provocaram uma retra\u00e7\u00e3o na oferta de cr\u00e9dito. Segmentos como o de ve\u00edculos, com maior depend\u00eancia de financiamentos, foram duramente afetados.<\/p>\n<p>A dificuldade dos consumidores para efetuar novos gastos e obter aprova\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito pesou sobre o resultado da economia. A inadimpl\u00eancia foi apontada como um dos vil\u00f5es do crescimento, em especial no in\u00edcio do ano passado.<\/p>\n<p>Consumidores mais endividados come\u00e7aram a priorizar o pagamento de d\u00edvidas e contribu\u00edram para iniciar a trajet\u00f3ria de recupera\u00e7\u00e3o na inadimpl\u00eancia no final do ano.<\/p>\n<p>Segundo os economistas da Serasa Experian, a desacelera\u00e7\u00e3o nos atrasos pode ser atribu\u00eddo ao aumento na renegocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas, \u00e0 redu\u00e7\u00e3o dos juros, menor evolu\u00e7\u00e3o do endividamento em 2012 e ao baixo n\u00edvel de desemprego no pa\u00eds.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Mercado interno \u00e9 rem\u00e9dio contra crise cambial, diz Mantega<\/p>\n<p>Portal Estad\u00e3o<\/p>\n<p>A guerra cambial \u00e9 reflexo da atrofia do com\u00e9rcio mundial e o ant\u00eddoto para combat\u00ea-la \u00e9 o desenvolvimento dos mercados consumidores dom\u00e9sticos, disse hoje em Moscou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que em 2010 iniciou a discuss\u00e3o do problema no \u00e2mbito do G20. Ele participa hoje e amanh\u00e3 de reuni\u00e3o de ministros de Finan\u00e7as do G-20, o grupo que re\u00fane as maiores economias desenvolvidas e emergentes do mundo.<\/p>\n<p>&#8220;No ano passado, o crescimento do com\u00e9rcio mundial foi p\u00edfio e os pa\u00edses se acotovelaram para exportar, mas n\u00e3o conseguiram. A\u00ed todo mundo quer desvalorizar suas moedas para aumentar a competitividade, o que d\u00e1 origem \u00e0 guerra cambial&#8221;, disse o ministro em entrevista a jornalistas brasileiros. &#8220;Enquanto o com\u00e9rcio estiver atrofiado, a guerra cambial vai continuar.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo ele, os pa\u00edses que n\u00e3o conseguem estimular a economia dom\u00e9stica acham que a sa\u00edda para retomar o crescimento \u00e9 aumentar as exporta\u00e7\u00f5es. &#8220;Imagina se todo mundo chegar a essa conclus\u00e3o?&#8221;, perguntou.<\/p>\n<p>MOSCOU &#8211; Em sua opini\u00e3o, a solu\u00e7\u00e3o para evitar o agravamento da guerra cambial \u00e9 a mudan\u00e7a das pol\u00edtica fiscais dos pa\u00edses ricos, que amenize as metas de redu\u00e7\u00e3o do d\u00e9ficit e da divida e d\u00ea espa\u00e7o para amplia\u00e7\u00e3o do investimentos e do consumo.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 necess\u00e1ria uma mudan\u00e7a de estrat\u00e9gia dos pa\u00edses que vivem da exporta\u00e7\u00e3o para estimular seus mercados dom\u00e9sticos, com o objetivo de elevar a exporta\u00e7\u00e3o e a importa\u00e7\u00e3o&#8221;, ressaltou.<\/p>\n<p>Essa inflex\u00e3o seria mais poss\u00edvel hoje, depois de a zona do euro ter afastado o risco de crise financeira, disse Mantega. &#8220;Isso tirou um inc\u00f4modo da economia mundial, que era uma avers\u00e3o ao risco e nervosismo do mercado que atrapalha a atividade econ\u00f4mica.&#8221;<\/p>\n<p>Brasil vive situa\u00e7\u00e3o mais tranquila<\/p>\n<p>O tema da guerra cambial continuar\u00e1 na agenda da reuni\u00e3o do G-20 que ocorre hoje e amanh\u00e3 em Moscou, mas o ministro avaliou que a situa\u00e7\u00e3o do Brasil hoje \u00e9 &#8220;mais tranquila&#8221; que a de 2010.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s conseguimos caminhar para um c\u00e2mbio mais equilibrado. Estamos com c\u00e2mbio que d\u00e1 uma certa competitividade para as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras e que n\u00e3o permite tanta invas\u00e3o de produtos importados a pre\u00e7os artificialmente baixos&#8221;, ponderou.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s n\u00e3o dependemos tanto das exporta\u00e7\u00f5es e somos um dos poucos pa\u00edses cujo mercado dom\u00e9stico continua a crescer.&#8221;<\/p>\n<hr \/>\n<p>A guerra cambial no G-20<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>A guerra cambial denunciada com insist\u00eancia pelo governo brasileiro deve ser um dos grandes temas da reuni\u00e3o do Grupo dos 20 (G-20) em Moscou, hoje e amanh\u00e3. A maior parte dos governos do mundo rico nem sequer reconhece, oficialmente, a exist\u00eancia do problema, at\u00e9 porque alguns deles foram acusados, nos \u00faltimos anos, de manipular o c\u00e2mbio para criar vantagens comerciais. Mas o assunto acabou entrando, nos \u00faltimos dias, na pauta das principais pot\u00eancias desenvolvidas. Autoridades do G-7, formado pelas maiores economias capitalistas, comprometeram-se na ter\u00e7a-feira a deixar o c\u00e2mbio entregue \u00e0s for\u00e7as do mercado. Renunciaram oficialmente, portanto, a manipula\u00e7\u00f5es para depreciar suas moedas e tornar mais baratos e mais competitivos os produtos de seus pa\u00edses. O compromisso de bom comportamento e de estrita vigil\u00e2ncia das cota\u00e7\u00f5es foi assumido pelos Estados Unidos, Jap\u00e3o, Alemanha, Reino Unido, Fran\u00e7a, It\u00e1lia e Canad\u00e1. N\u00e3o h\u00e1 como deixar o problema fora da agenda deste fim de semana.<\/p>\n<p>Tr\u00eas fatos puseram em destaque a quest\u00e3o cambial nos \u00faltimos dias. O primeiro foi a nova e mais expansionista pol\u00edtica monet\u00e1ria japonesa. O objetivo oficial \u00e9 a reativa\u00e7\u00e3o da economia, afetada por uma persistente defla\u00e7\u00e3o. Uma das consequ\u00eancias imediatas foi a desvaloriza\u00e7\u00e3o do iene, um benef\u00edcio a mais para a ind\u00fastria do Jap\u00e3o. O segundo fato foi o reconhecimento da valoriza\u00e7\u00e3o do euro pelo presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi. O terceiro, a cobran\u00e7a, pelo presidente franc\u00eas, Fran\u00e7ois Hollande, de uma pol\u00edtica de competitividade para o euro.<\/p>\n<p>Sob a lideran\u00e7a alem\u00e3, a maioria dos governos europeus continua oficialmente contr\u00e1ria a interven\u00e7\u00f5es no c\u00e2mbio. Mas a sa\u00edda encontrada foi levar a s\u00e9rio o risco de uma competi\u00e7\u00e3o cambial, propor aos governos das maiores pot\u00eancias um compromisso de n\u00e3o interven\u00e7\u00e3o e, al\u00e9m disso, aproveitar a oportunidade para dar um recado ao governo e ao banco central do Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>Desde o come\u00e7o da recess\u00e3o, em 2008, representantes das maiores economias desenvolvidas e emergentes t\u00eam prometido evitar medidas protecionistas e apoiar a continuada expans\u00e3o do com\u00e9rcio livre. Apesar disso, barreiras foram erguidas, mas a promessa foi reiterada v\u00e1rias vezes nos anos seguintes.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o cambial sempre esteve presente, mas de forma limitada. Pressionar as autoridades chinesas para permitir a flutua\u00e7\u00e3o do renminbi tem sido, h\u00e1 muito tempo, um item obrigat\u00f3rio nas reuni\u00f5es do G-7, do G-8, do G-20 e das principais entidades multilaterais, como o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI). Autoridades brasileiras t\u00eam tentado, isoladamente, for\u00e7ar tamb\u00e9m uma discuss\u00e3o sobre as pol\u00edticas monet\u00e1rias dos Estados Unidos e da zona do euro e seus efeitos no mercado cambial. O sucesso tem sido praticamente nulo. Tanto as autoridades americanas quanto as europeias alegam recorrer \u00e0 expans\u00e3o monet\u00e1ria apenas para estimular suas economias, sem o objetivo direto de afetar o c\u00e2mbio.<\/p>\n<p>Mas suas explica\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito parecidas com a linguagem do comunicado de ter\u00e7a-feira. Segundo os representantes do G-7, suas &#8220;pol\u00edticas fiscal e monet\u00e1ria t\u00eam sido e continuar\u00e3o a ser orientadas no sentido de cumprir&#8221; os objetivos nacionais &#8220;com instrumentos dom\u00e9sticos&#8221;, sem ter como alvo as taxas de c\u00e2mbio. A discuss\u00e3o proposta pelo governo brasileiro continua, em tese, t\u00e3o dif\u00edcil quanto antes. Pode-se mostrar o efeito cambial de uma medida monet\u00e1ria, mas como provar inten\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>As autoridades brasileiras t\u00eam tentado, at\u00e9 agora sem sucesso, incluir o c\u00e2mbio na pauta da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC). At\u00e9 chineses, americanos e europeus t\u00eam-se unido contra a pretens\u00e3o brasileira. A discuss\u00e3o do G-7 aparentemente abriu algum espa\u00e7o para mais uma tentativa brasileira, mas o pr\u00f3prio texto do comunicado \u00e9 pouco animador. Talvez a reuni\u00e3o do G-20 resulte em alguma declara\u00e7\u00e3o semelhante, emitida em nome de um n\u00famero maior de pa\u00edses, mas qualquer resultado de maior alcance pr\u00e1tico ser\u00e1 uma surpresa. A discuss\u00e3o em Moscou talvez contribua para manter vivo o assunto na OMC. Do ponto de vista do governo brasileiro, j\u00e1 ser\u00e1 um ganho.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Governo usa tributo menor contra infla\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Folha de S. Paulo<\/p>\n<p>O corte de impostos de itens da cesta b\u00e1sica e a redu\u00e7\u00e3o do PIS\/Cofins s\u00e3o umas das armas do governo Dilma para tentar segurar a infla\u00e7\u00e3o neste ano e garantir expans\u00e3o do PIB acima de 3%.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9 que at\u00e9 junho sejam anunciadas a desonera\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria da cesta b\u00e1sica e uma redu\u00e7\u00e3o horizontal na cobran\u00e7a de PIS\/Cofins, atingindo praticamente todos os setores da economia.<\/p>\n<p>Com esses cortes, a expectativa \u00e9 que os pre\u00e7os dos setores beneficiados caiam, ajudando a conter a infla\u00e7\u00e3o num momento em que a taxa anualizada deve fica acima de 6% at\u00e9 junho, pelo menos.<\/p>\n<p>Assim, o Banco Central pode n\u00e3o ter de elevar a taxa de juros, algo que o Planalto prefere que n\u00e3o aconte\u00e7a.<\/p>\n<p>Em janeiro, com a alta de 0,86% no IPCA, a infla\u00e7\u00e3o anualizada bateu em 6,15% (o teto da meta \u00e9 de 6,5%) e acendeu o sinal de alerta no governo. O pr\u00f3prio Banco Central fez quest\u00e3o de divulgar que a taxa &#8220;preocupa&#8221; e deixa a institui\u00e7\u00e3o numa situa\u00e7\u00e3o &#8220;desconfort\u00e1vel&#8221;.<\/p>\n<p>A nova rodada de desonera\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias segue a estrat\u00e9gia adotada com o corte nas tarifas de energia.<\/p>\n<p>Segundo a Folha apurou, o corte de impostos da cesta b\u00e1sica, j\u00e1 anunciado por Dilma, pode ser divulgado em at\u00e9 dois meses e teria o efeito de reduzir a infla\u00e7\u00e3o em, ao menos, 0,3 ponto percentual.<\/p>\n<p>O governo decidiu tamb\u00e9m acelerar os estudos sobre as mudan\u00e7as no sistema de pagamento do PIS\/Cofins.<\/p>\n<p>Com isso, al\u00e9m de reduzir o custo Brasil e gerar maior competitividade, objetivo original da ideia, a mudan\u00e7a nos dois tributos passou a fazer parte do arsenal do governo para baixar a infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A extens\u00e3o da medida depender\u00e1 do custo fiscal e, por isso, pode ser adotada gradualmente, mas sempre beneficiando a economia de forma horizontal, e n\u00e3o setorizada.<\/p>\n<p>Em 2012, o governo foi muito criticado por escolher os setores beneficiados com as desonera\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias.<\/p>\n<hr \/>\n<p>&#8216;Os pr\u00f3ximos meses ser\u00e3o cruciais&#8217; &#8211; Entrevista com Delfim Netto<\/p>\n<p>Portal Estad\u00e3o<\/p>\n<p>Do alto de seus 84 anos, boa parte deles vivida intensamente nos caminhos da economia nacional, Delfim Netto, ministro da Fazenda durante os anos 1970, surpreendeu muitos ao criticar o governo brasileiro. Entretanto, essa cr\u00edtica, pela conversa que teve com a coluna antes do carnaval, foi pontual, especificamente pelos \u201ctruques\u201d usados nas contas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Em sua vis\u00e3o, o Brasil cresce, sim, nos pr\u00f3ximos dois anos, mas n\u00e3o tanto quanto todos gostariam. \u201cAlgo um pouco acima de 3%.\u201d E a infla\u00e7\u00e3o? \u201cA infla\u00e7\u00e3o vai ficar onde est\u00e1, um pouquinho mais, um pouquinho menos\u201d, acredita o economista. E mais: para ele, Dilma conseguir\u00e1 convencer empresariado e investidores a apostarem fortemente no Pa\u00eds. \u201cOs pr\u00f3ximos meses ser\u00e3o cruciais\u201d, ponderou.<\/p>\n<p>E para n\u00e3o perder a oportunidade, atacou as cr\u00edticas feitas recentemente pela revista The Economist. \u201cA caracter\u00edstica da Economist \u00e9 a ironia. Ent\u00e3o, quem leva a Economist a s\u00e9rio \u00e9 um idiota. Mas n\u00e3o adianta brigar, esta \u00e9 a mais importante publica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do mundo, e tem uma ironia cruel. S\u00f3 imagino como eles se divertem, quando dizem alguma coisa sobre o Brasil, e o Brasil se irrita\u2026\u201d<\/p>\n<p>A seguir, os principais trechos da conversa.<\/p>\n<p>Muitos se perguntam como o Brasil registra desemprego t\u00e3o baixo com um PIB fraco?<\/p>\n<p>A produtividade no setor de servi\u00e7os cresce muito pouco. Como o setor est\u00e1 crescendo, aumenta o emprego. Isso compensa a falta de for\u00e7a na ind\u00fastria brasileira, onde nem sequer a produtividade aumenta. D\u00e1 a impress\u00e3o at\u00e9 de que est\u00e1 caindo. Por qu\u00ea? Porque o industrial n\u00e3o manda embora, em um primeiro momento, o seu trabalhador. Ele investiu nele, e o custo de mandar embora \u00e9 muito alto. Ent\u00e3o, o mau momento tem de perdurar, ele tem de perder a esperan\u00e7a de que vai haver demanda no futuro. A\u00ed, dispensa. Mas, mais importante, foi a revolu\u00e7\u00e3o da mulher.<\/p>\n<p>Como assim?<\/p>\n<p>A grande revolu\u00e7\u00e3o brasileira foi da mulher. Quando \u00e9ramos mo\u00e7os, Roberto Campos e eu ach\u00e1vamos que o Brasil ia ser uma \u00cdndia, uma China, onde cada mulher deixaria seis filhos. Hoje, a m\u00e9dia \u00e9 de 1,8 filho por mulher.<\/p>\n<p>Um fen\u00f4meno demogr\u00e1fico?<\/p>\n<p>Sim. A popula\u00e7\u00e3o do Brasil est\u00e1 crescendo menos. E o jovem est\u00e1 indo mais tarde para o mercado de trabalho. Portanto, o desemprego est\u00e1 diminuindo. Mas o Brasil s\u00f3 pode crescer por aumento de produtividade. Agora, a produtividade \u00e9 pr\u00f3-c\u00edclica. Uma coisa est\u00e1 ligada \u00e0 outra. A \u00fanica sa\u00edda para o Brasil \u00e9 o investimento p\u00fablico e privado.<\/p>\n<p>Tem gente dizendo que o senhor mudou de humor nos \u00faltimos seis meses, tornando-se mais cr\u00edtico das a\u00e7\u00f5es do governo. Isso \u00e9 verdade?<\/p>\n<p>Sempre apoiei o governo e continuo apoiando. Acho o seguinte: a pol\u00edtica do governo est\u00e1 correta, a dire\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica est\u00e1 correta. Voc\u00ea pode ter uma observa\u00e7\u00e3o aqui, uma observa\u00e7\u00e3o acol\u00e1. A \u00fanica coisa que me irritou, digamos, foi essa somat\u00f3ria de truques, in\u00fateis, nas contas p\u00fablicas. Quando eu fa\u00e7o a cr\u00edtica, estou ajudando o governo.<\/p>\n<p>Acha que o Brasil est\u00e1 bem?<\/p>\n<p>Est\u00e1. Honestamente, acho que a Dilma \u00e9 uma tecnocrata competente, trabalhadora. A dire\u00e7\u00e3o do seu governo est\u00e1 correta. Est\u00e3o baixando a taxa de juros, de forma ainda um pouco tumultuada. Est\u00e3o reduzindo a carga tribut\u00e1ria. A desonera\u00e7\u00e3o da folha de pagamento, combinada com aquela eleva\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio, teve um efeito importante: v\u00e1rios setores voltaram a ser competitivos. Dilma teve a coragem de p\u00f4r a m\u00e3o na caderneta de poupan\u00e7a. E se saiu muito bem. Abriu espa\u00e7o para baixar a taxa de juros. Ou seja, as coisas est\u00e3o caminhando na dire\u00e7\u00e3o certa. E vamos ter uma das melhores safras agr\u00edcolas dos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>A semente est\u00e1 plantada\u2026<\/p>\n<p>Est\u00e1. E muitos com a impress\u00e3o de que o Brasil est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o delicada. Eu te pergunto: qual pa\u00eds do mundo tem nosso super\u00e1vit fiscal e uma rela\u00e7\u00e3o de d\u00edvida\/PIB de 36%? Mesmo usando a d\u00edvida bruta, a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 de 17%, \u00e9 a reserva. Tinha alguma coisa mais l\u00edquida do que a reserva? Falta a volta do investimento maior. Cad\u00ea? O investimento s\u00f3 volta se, nesses novos leil\u00f5es, o governo for inteligente. O maior progresso na microeconomia foi a formula\u00e7\u00e3o de leil\u00f5es. Eles estimulam a concorr\u00eancia. S\u00f3 n\u00e3o pode fixar taxa de retorno. A taxa de retorno tem de vir pelo mercado. N\u00e3o adianta dizer que h\u00e1 dinheiro barato no BNDES. As pessoas est\u00e3o cansadas de ouvir essa conversa. Todos sabem que o BNDES \u00e9 simplesmente uma reparti\u00e7\u00e3o p\u00fablica, um banco de boa qualidade, mas lento. Muito lento.<\/p>\n<p>O que acha da iniciativa privada, que, h\u00e1 muitos anos, corria atr\u00e1s de subs\u00eddios?<\/p>\n<p>Hoje, j\u00e1 n\u00e3o querem mais. E o que aconteceu? Aprenderam que subs\u00eddio \u00e9 uma coisa inst\u00e1vel. O setor privado tem, na m\u00e3o do governo, cr\u00e9ditos de bilh\u00f5es de reais. E o governo n\u00e3o devolve.<\/p>\n<p>\u00c9 a favor de subs\u00eddios?<\/p>\n<p>Se a taxa de retorno social for maior do que a taxa de retorno privado, voc\u00ea pode fazer algum subs\u00eddio. Adequado. Caso contr\u00e1rio, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma raz\u00e3o. O setor privado brasileiro, na minha opini\u00e3o, desconfia, hoje, do governo. N\u00e3o deste, mas de qualquer governo.<\/p>\n<p>Como o senhor v\u00ea o ano?<\/p>\n<p>H\u00e1 probabilidade de Dilma cooptar o setor privado para seus projetos. Ela est\u00e1 chamando as pessoas, conversando, mostrando que n\u00e3o tem uma ideologia socializante, que quer capitalismo sem lucro. Voc\u00ea tem de saber que, se um sujeito, hoje, tem uma grande empresa \u2013 e o valor da empresa na bolsa \u00e9 menor do que o valor de reposi\u00e7\u00e3o \u2013, ele n\u00e3o investe. Pode dar o subs\u00eddio que quiser, porque ele n\u00e3o investe. H\u00e1 de se acordar novamente o esp\u00edrito animal do empres\u00e1rio brasileiro.<\/p>\n<p>O senhor tem conversado com a presidente Dilma, todo mundo diz que o senhor \u00e9 o grande interlocutor\u2026<\/p>\n<p>Isso \u00e9 falso, falso. N\u00e3o tenho conversado nada com ela.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":" O Globo\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4328\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-4328","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-17O","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4328","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4328"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4328\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4328"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4328"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4328"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}