{"id":4367,"date":"2013-02-24T01:42:10","date_gmt":"2013-02-24T01:42:10","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4367"},"modified":"2013-02-24T01:42:10","modified_gmt":"2013-02-24T01:42:10","slug":"declaracao-politica-do-exercito-de-libertacao-nacional-eln-colombia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4367","title":{"rendered":"Declara\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica do Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional \u2013 ELN (Col\u00f4mbia)"},"content":{"rendered":"\n<p>O Comando Central do ELN, compreendendo a Dire\u00e7\u00e3o Nacional, o Comando Central e os Comandantes regionais, se reuniu para comemorar os 48 anos de lan\u00e7amento p\u00fablico do Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional, realizada com a hist\u00f3rica a\u00e7\u00e3o militar no povoado de Simacota, Santander, em 7 de janeiro de 1965.<\/p>\n<p>Hoje, quase meio s\u00e9culo depois, os ideais que motivaram a insurrei\u00e7\u00e3o armada continuam v\u00e1lidos e t\u00eam mais validade frente \u00e0 falta de vontade da oligarquia para responder ao clamor e \u00e0s esperan\u00e7as da maioria dos colombianos.<\/p>\n<p>Capitalismo: crise de civiliza\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que o capitalismo, nos \u00faltimos 200 anos, com sua continuidade imperialista, liderada pelos Estados Unidos da Am\u00e9rica, tem arrastado a humanidade em uma crise de civiliza\u00e7\u00e3o de enormes propor\u00e7\u00f5es, que tem colocado em risco a vida e a exist\u00eancia do pr\u00f3prio planeta.<\/p>\n<p>A economia capitalista, sustentada e dependente de combust\u00edveis f\u00f3sseis, o consumo ilimitado de recursos naturais, em que o objetivo \u00e9 a acumula\u00e7\u00e3o de riqueza para poucos e consumo desenfreado, tem provocado fen\u00f4menos complexos, aos quais o capitalismo \u00e9 incapaz de oferecer alternativas, pois sua ess\u00eancia predat\u00f3ria baseia-se na necessidade de uma sempre maior taxa de lucro.<\/p>\n<p>Essa crise de civiliza\u00e7\u00e3o se manifesta em m\u00faltiplas crises: ecol\u00f3gica, energ\u00e9tica, alimentar, populacional, urbana, entre gera\u00e7\u00f5es, da \u00e1gua, do lixo e dos valores, entre outros. A ci\u00eancia e a tecnologia revelam limita\u00e7\u00f5es para resolver as exig\u00eancias da sociedade, porque respondem \u00e0 l\u00f3gica do mercado e do grande capital.<\/p>\n<p>O mundo capitalista, o mundo dos poderosos, pensava que os fantasmas j\u00e1 n\u00e3o voltariam a atorment\u00e1-lo; mas agora n\u00e3o \u00e9 o discurso da m\u00eddia sobre a &#8220;amea\u00e7a comunista&#8221;, mas as massas de despossu\u00eddos, sem emprego, os esquecidos, os miser\u00e1veis que hoje se levantem com a sua indigna\u00e7\u00e3o feito for\u00e7a social, exigindo mudan\u00e7as ao desastre produzido pelo capitalismo neoliberal selvagem. A globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal globalizou a mis\u00e9ria e o desesperan\u00e7a, mas, ao mesmo tempo, globalizou a luta em seus pr\u00f3prios pa\u00edses, centro do capitalismo global. J\u00e1 n\u00e3o estamos mais no fim da hist\u00f3ria, \u00e9 claro que a estrada continua e o capitalismo n\u00e3o ser\u00e1 o ponto de chegada, \u00e9 algo diferente e est\u00e1 em constru\u00e7\u00e3o como obra de toda a humanidade.<\/p>\n<p>Hoje a humanidade, os povos est\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o de uma concep\u00e7\u00e3o renovada sobre a sociedade que requer o presente e o futuro, nutrindo-se de outras experi\u00eancias e saberes, entre eles os dos povos ancestrais. Um paradigma que reconcilie o ser humano com a natureza, que conceba o futuro com o bom viver, que satisfa\u00e7a as necessidades materiais e espirituais da popula\u00e7\u00e3o, entendendo que os recursos renov\u00e1veis e n\u00e3o renov\u00e1veis s\u00e3o de car\u00e1ter limitado, e que as futuras gera\u00e7\u00f5es necessitam deles.<\/p>\n<p>A esse novo caminho se op\u00f5e o imperialismo dos EUA, que desloca suas tropas e armas para dominar o mundo atrav\u00e9s da guerra e de todo tipo de interven\u00e7\u00f5es militares disfar\u00e7adas com siglas, que s\u00e3o manejadas como marionetes. Um imp\u00e9rio em crise se faz mais perigoso e sanguin\u00e1rio; no entanto, os povos e suas esperan\u00e7as resistem e um mundo cada vez mais consciente olha atento para a unipolaridade ianque, que vai sendo gradualmente substitu\u00edda por iniciativas pela paz, pela democracia e por outras rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas.<\/p>\n<p>O continente da esperan\u00e7a<\/p>\n<p>Nessa dire\u00e7\u00e3o caminha a Nossa Am\u00e9rica, a que fica ao sul do rio Bravo. Essa, por que tanto lutou o Libertador Sim\u00f3n Bol\u00edvar, p\u00f4de resistir aos planos imperialistas e agora, sob a lideran\u00e7a do presidente Ch\u00e1vez, os povos aprenderam a valorizar os sonhos longamente negados. Como a Venezuela, outros povos tamb\u00e9m criaram novas lideran\u00e7as, que seguem apontando para essa obra coletiva que abre caminho, com muitas cores e diversidade de experi\u00eancias. Novas institui\u00e7\u00f5es internacionais, como Alba, Unasur, Mercosur e Celac entre outras, v\u00e3o estreitando la\u00e7os e formando novas solidariedades.<\/p>\n<p>O imp\u00e9rio ianque persiste em fazer retroceder o curso da hist\u00f3ria, est\u00e1 sempre preparado para dar um golpe militar, e quando as condi\u00e7\u00f5es permitem n\u00e3o duvidem, ainda que agora o fa\u00e7a disfar\u00e7ado de golpes mais suaves, n\u00e3o descansa em preparar sua reconquista. Os povos j\u00e1 sabem, como nos mostram Honduras e Paraguai e as repetidas intentonas na Venezuela, Equador e Bol\u00edvia. Para isso, conta com as oligarquias vende-p\u00e1trias do Chile, Peru, Col\u00f4mbia, Panam\u00e1 e o que seria o &#8220;Bloco do Pac\u00edfico&#8221;, em que a Col\u00f4mbia continua a ser a &#8220;cabe\u00e7a-de-ponte&#8221; para frear o sonho do Libertador.<\/p>\n<p>Col\u00f4mbia &#8230; o desafio da paz<\/p>\n<p>A Col\u00f4mbia n\u00e3o pode ser uma exce\u00e7\u00e3o nessa busca coletiva do continente do Sul, pela liberdade, pela democracia e pelo bom viver de nosso povo.<\/p>\n<p>Depois de 8 anos do presidente Uribe e sua m\u00e1fia paramilitar belicista, que arrastou todas as institui\u00e7\u00f5es \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o para favorecer seus amigos e parceiros, vem o governo de Juan Manuel Santos para continuar a tarefa de tentar aniquilar o movimento de guerrilha por meio de planos militares, e para tentar recuperar a institucionalidade deteriorada por seu antecessor, procurando recompor alian\u00e7as da burguesia e diminuir o isolamento internacional.<\/p>\n<p>Seu plano de governo est\u00e1 focado em servir aos interesses do capital transnacional, afetando gravemente o interesse nacional com o seu modelo extrativista de recursos naturais, mineiro-energ\u00e9ticos, que, juntamente com os Tratados de Livre Com\u00e9rcio \u2013 TLC, levam o pa\u00eds a uma desindustrializa\u00e7\u00e3o grave, convertendo-nos em exportadores de mat\u00e9rias-primas e importadores de tudo o que o pa\u00eds possa precisar para sobreviver.<\/p>\n<p>Um pa\u00eds que em mat\u00e9ria de trabalho retrocedeu um s\u00e9culo \u2013 os trabalhadores n\u00e3o t\u00eam estabilidade de emprego nem garantia social. A persegui\u00e7\u00e3o a dirigentes sindicais deixa tr\u00eas dezenas de mortes por ano, as amea\u00e7as se contam \u00e0s centenas, assim como a criminaliza\u00e7\u00e3o dos protestos populares.<\/p>\n<p>A crise social se aprofunda, a sa\u00fade padece de c\u00e2ncer terminal, pois o interesse do neg\u00f3cio prevaleceu sobre o car\u00e1ter de bens p\u00fablicos, uns quantos enriqueceram e outros tantos paramilitares tiveram financiados massacres com dinheiro que deveria ser destinado \u00e0 sa\u00fade. Pretende-se levar a educa\u00e7\u00e3o pelo mesmo caminho da privatiza\u00e7\u00e3o, mas a resist\u00eancia crescente dos estudantes, jovens e o conjunto da sociedade conseguiu parar as leis que Santos quis impor.<\/p>\n<p>A crise agr\u00edcola e a sequela das v\u00edtimas da heran\u00e7a dos militares e paramilitares para favorecer os latifundi\u00e1rios e transnacionais continuam por resolver, e querem enganar o pa\u00eds com as chamadas &#8220;Lei da terra&#8221; e &#8220;Lei das v\u00edtimas&#8221;, dizendo que ser\u00e3o a bondosa solu\u00e7\u00e3o do governo, mas n\u00e3o s\u00e3o mais que a legaliza\u00e7\u00e3o da heran\u00e7a e da impunidade dos criminosos.<\/p>\n<p>O trabalho duro tocou ao povo. Resistir e lutar foram as \u00fanicas alternativas para prosperar em meio \u00e0 barb\u00e1rie e a ignom\u00ednia da oligarquia e seus governos. O Movimento Popular em suas v\u00e1rias express\u00f5es: os trabalhadores, os camponeses, os ind\u00edgenas, estudantes, afro-descendentes, mulheres e colonos se t\u00eam visibilizado com seus protestos e manifesta\u00e7\u00f5es. Em cada passo se constr\u00f3i o caminho da converg\u00eancia e da unidade, onde a esperan\u00e7a vai sendo tecida em novos mandatos que vislumbram a Nova Col\u00f4mbia, a de muitas cores, a de todos.<\/p>\n<p>Esses governos olig\u00e1rquicos s\u00f3 oferecem ao povo guerra ou rendi\u00e7\u00e3o, e as coisas continuam as mesmas, mas a sociedade como um todo tomou partido por uma sa\u00edda pol\u00edtica, que leve a sociedade para uma transforma\u00e7\u00e3o de suas estruturas de injusti\u00e7a e de iniquidade, para dar lugar \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da democracia, em que a maioria j\u00e1 n\u00e3o sejam os exclu\u00eddos de sempre.<\/p>\n<p>A insurg\u00eancia: compromisso futuro<\/p>\n<p>A insurg\u00eancia, como parte da luta popular, tamb\u00e9m resistiu \u00e0 m\u00e1quina de guerra que tem o apoio, o dinheiro, a tecnologia e as armas do maior e mais poderoso imp\u00e9rio de toda a hist\u00f3ria da humanidade; n\u00e3o foi f\u00e1cil, mas somos uma guerrilha que aprende em cada combate e construiu profundas ra\u00edzes nas comunidades nacionais, de onde nos erguemos para continuar o caminho.<\/p>\n<p>Embora ainda persistam diferen\u00e7as entre as organiza\u00e7\u00f5es insurgentes \u2013 e foram muitas as dificuldades que produziram os irracionais e nefastos enfrentamentos j\u00e1 superados \u2013, hoje estamos avan\u00e7ando no estreitamento do v\u00ednculo com as outras guerrilhas e compreendemos que a unidade insurgente e popular \u00e9 a garantia de um futuro vitorioso.<\/p>\n<p>Esta reuni\u00e3o de comandantes do Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional tem se nutrido de novas reflex\u00f5es para avan\u00e7armos mais unidos que nunca, mais firmes no compromisso com nosso povo, com esta Col\u00f4mbia que tanto amamos. Em tal sentido, reafirmou-se mais uma vez o compromisso pela sa\u00edda pol\u00edtica do conflito e sua disposi\u00e7\u00e3o de trabalhar por ela, entendida como um caminho que se constr\u00f3i conjuntamente com a sociedade, onde ela \u00e9 sua principal protagonista.<\/p>\n<p>A paz n\u00e3o \u00e9 um caminho f\u00e1cil, mas \u00e9 necess\u00e1rio transitar por ele e estamos prontos para faz\u00ea-lo. Mas n\u00e3o ser\u00e1 o caminho da entrega nem da rendi\u00e7\u00e3o, h\u00e1 de ser o caminho que nos leve a outra realidade para a Col\u00f4mbia, pela qual lutamos e seguiremos lutando. Quem resiste e luta contra os poderes injustos sempre consegue a vit\u00f3ria, porque seus sonhos v\u00eam dos cora\u00e7\u00f5es dos povos.<\/p>\n<p>Montanhas da Col\u00f4mbia<\/p>\n<p>Janeiro de 2013<\/p>\n<p>Comando Central<\/p>\n<p>Ex\u00e9rcito de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional<\/p>\n<p>Col\u00f4mbia para os Trabalhadores!<\/p>\n<p>Nem um passo atr\u00e1s. Liberta\u00e7\u00e3o ou morte!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nDL\n\n\n\n\n\n\n\n\nComando Central\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4367\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[34],"tags":[],"class_list":["post-4367","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c39-colombia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-18r","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4367","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4367"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4367\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4367"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4367"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4367"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}