{"id":4373,"date":"2013-02-25T18:06:57","date_gmt":"2013-02-25T18:06:57","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4373"},"modified":"2013-02-25T18:06:57","modified_gmt":"2013-02-25T18:06:57","slug":"a-batalha-da-esquerda-e-as-redes-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4373","title":{"rendered":"A batalha da esquerda e as redes sociais"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Consideram-se redes sociais como Facebook e suportes como Youtube exemplos do grande alcance da democratiza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o, sem perceber que se tratam de empresas privadas que, por meio de uma tecla l\u00e1 de seus centros de controle, podem eliminar um conte\u00fado subversivo e fazer desaparecer um usu\u00e1rio. J\u00e1 h\u00e1 muitos casos para contar. Por Pascual Serrano, do Rebeli\u00f3n<\/strong><\/p>\n<p>Pascual Serrano* \u2013 Rebeli\u00f3n<\/p>\n<p>Havana \u2013 As novas tecnologias, a internet e as redes sociais t\u00eam chegado \u00e0 sociedade com uma aur\u00e9ola de democratiza\u00e7\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o e igualdade que levou concomitantemente uma fascina\u00e7\u00e3o progressista unida ao car\u00e1ter inovador inerente da tecnologia. N\u00e3o se trata somente de aparatos, suportes e formatos fascinantes tecnologicamente \u2013 como toda tecnologia inovadora \u2013, mas que tamb\u00e9m adiante resultavam, quando igualit\u00e1rias e baratas, libertadoras na medida em que pareciam romper o monop\u00f3lio da difus\u00e3o dos grandes grupos de comunica\u00e7\u00e3o e grandes empresas. N\u00e3o se podia querer outra coisa. E n\u00e3o negaremos que parte de tudo isso \u00e9 verdade. Mas a quest\u00e3o \u00e9 que existem muito mais elementos ao redor das novas tecnologias para o que devemos estar preparados; e \u00e9 necess\u00e1rio discutir criticamente esse mito progressista que envolve esse novo fen\u00f4meno comunicativo.<\/p>\n<p>Devemos nos perguntar se as redes sociais s\u00e3o um instrumento de socializa\u00e7\u00e3o ou, pelo contr\u00e1rio, de isolamento. J\u00e1 sabemos que 39% dos usu\u00e1rios dessas redes passam mais tempo socializado por meio desses canais do que com outras pessoas, cara a cara. As motiva\u00e7\u00f5es que levam ao uso da rede e seus conte\u00fados, o exibicionismo da intimidade, a vaidade e o egocentrismo s\u00e3o priorit\u00e1rios em redes como Facebook em detrimento do interesse de formar-se cultural ou intelectualmente. Pensa-se que os formatos dessas redes s\u00e3o um fen\u00f4meno de revolu\u00e7\u00e3o popular com signo progressista, mas, como na maioria dos produtos culturais promovidos pelo mercado moderno, o dom\u00ednio segue sendo o da frivolidade. Um estudo do Twitter mostrou, em 2012, que o os picos de atividade coincidiram com os gols da Eurocopa, quando os usu\u00e1rios o usaram para comemor\u00e1-los (veja nota 1 abaixo). O jogador Fernando Torres tinha 318.714 seguidores no Twitter, e o \u00fanico tweet que tinha escrito na rede era um em ingl\u00eas, meio ano antes, dizendo algo como \u201cainda n\u00e3o comecei no Twitter, mas esta \u00e9 a minha p\u00e1gina oficial e j\u00e1 est\u00e1 pronta para quando chegar o momento oportuno\u201d. De modo que centenas de milhares de pessoas estavam seguindo algu\u00e9m que nada dizia.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia que se d\u00e1 \u00e0s redes sociais \u00e9 tal que dizem que alguns meios selecionam seus colaboradores e colunistas segundo o n\u00famero de seguidores que t\u00eam nas redes sociais. O professor franc\u00eas Salim Lamrani demonstrou que a blogueira anticastrista de fama mundial, Yoani S\u00e1nchez, colaboradora em muitos jornais europeus, tinha engordado seu Twitter com seguidores falsos.<\/p>\n<p>O suposto igualitarismo democratizador das redes sociais tem tido, n\u00e3o se pode negar, elementos positivos, como o fim do oligop\u00f3lio da agenda e sele\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es dos grandes meios, mas tamb\u00e9m tem sua face negativa. Trata-se da aus\u00eancia de bula que nos oriente para distinguir o valioso do irrelevante, o rigoroso do rumor, o verdadeiro do falso, o especialista do amador, a an\u00e1lise genial do coment\u00e1rio de bar. Que eu possa palpitar sobre pol\u00edtica com a mesma autoridade que Kissinger ou de economia com a mesma contund\u00eancia que Friedman pode nos deixar orgulhosos, os cr\u00edticos do controle da informa\u00e7\u00e3o por parte dos poderes, mas n\u00e3o sup\u00f5e necessariamente substituir o pensamento dominante do establishment pelo pensamento alternativo cr\u00edtico. A torrente da internet nos oferece sem distin\u00e7\u00e3o o estudo rigoroso, o dado valioso, o argumento elaborado, a tese paranoica sem fundamento, a descoberta falsa, a inven\u00e7\u00e3o de um testemunho, o megaloman\u00edaco mentiroso, o presun\u00e7oso v\u00e3o, a trivialidade. N\u00e3o quero que me confundam e, assim, se pense que estou defendendo o elitismo. A hist\u00f3ria est\u00e1 repleta de supostos especialistas e doutos que eram na verdade med\u00edocres, mas, para mudar e melhorar o mundo, \u00e9 necess\u00e1rio se orientar em meio \u00e0 n\u00e9voa, e a balburdia pode ser t\u00e3o est\u00e9ril que tamb\u00e9m pode colaborar com a rea\u00e7\u00e3o e impedir a mudan\u00e7a. Minha proposta n\u00e3o \u00e9 renunciar \u00e0s redes sociais e nem a outras muitas op\u00e7\u00f5es que nos abre a internet, mas sim ter suas limita\u00e7\u00f5es \u00e0s claras e tentar corrigir a inconsist\u00eancia de seus conte\u00fados, al\u00e9m do uso perverso majorit\u00e1rio que a sociedade est\u00e1 dando da elas.<\/p>\n<p><strong>Um objetivo ideol\u00f3gico<\/strong><\/p>\n<p>Temos que considerar que se \u00e9 fato que a apari\u00e7\u00e3o da internet sup\u00f5e uma liberdade de informa\u00e7\u00e3o \u2013 e desinforma\u00e7\u00e3o \u2013 sem precedentes e tamb\u00e9m sup\u00f5e o fim do oligop\u00f3lio da distribui\u00e7\u00e3o desta mesma informa\u00e7\u00e3o, as grandes empresas de m\u00eddia seguem sendo desproporcionadamente poderosas na internet. As grandes empresas desenvolvem m\u00e9todos de presen\u00e7a e influ\u00eancia esmagadora sobre o conte\u00fado: atrav\u00e9s de colaboradores pagos em f\u00f3runs e webs, mediante influ\u00eancia em sites de busca, mudan\u00e7as em planos e tecnologias que desenvolvem seus projetos na internet. Tampouco esque\u00e7amos que o mais lido na rede, quando falamos de informa\u00e7\u00f5es, continuam sendo os grandes meios tradicionais, inclusive s\u00e3o os mais citados nas redes sociais. Segundo dados do Instituto Nielsen NetRatings publicados pelo \u2018Le Monde\u2019 e citados por Ignacio Romanet, &#8220;entre os duzentos sites de informa\u00e7\u00e3o online mais visitados dos Estados Unidos, os meios tradicionais representam 67% do tr\u00e1fego&#8221; e &#8220;80% dos links que encontramos em sites de informa\u00e7\u00e3o, blogues ou redes sociais norte-americanos remetem a meios de comunica\u00e7\u00e3o tradicionais&#8221;. Conclui Romanet que &#8220;na internet, o fen\u00f4meno da concentra\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o e da escassez do pluralismo, ainda que de natureza diferente, n\u00e3o \u00e9 menos importante que a imprensa tradicional&#8221; (nota 2).<\/p>\n<p>Por outro lado, e recordando a Guy Debord, o formato espetacular da imagem, cor, movimento, intera\u00e7\u00e3o e superficialidade da informa\u00e7\u00e3o atual j\u00e1 \u00e9, em si mesmo, ideologia: &#8220;O espet\u00e1culo \u00e9 a ideologia por excel\u00eancia, porque exp\u00f5e e manifesta plenamente a ess\u00eancia de todo o sistema ideol\u00f3gico: empobrecimento, servid\u00e3o e nega\u00e7\u00e3o da vida real&#8221; (nota 3).<\/p>\n<p>S\u00e3o numerosos os elementos de ideologiza\u00e7\u00e3o que encontramos nos novos formatos e o novo padr\u00e3o informativo que se est\u00e1 impondo. Para come\u00e7ar, os m\u00e9todos de busca j\u00e1 incorporam uma inclina\u00e7\u00e3o reacion\u00e1ria e conservadora. Seus crit\u00e9rios prezam o majorit\u00e1rio, o popular, o consenso dominante, n\u00e1o s\u00f3 na hora de priorizar as tem\u00e1ticas, mas tamb\u00e9m as teses sobre os temas, os autores, os portais informativos. Numa biblioteca, encontra-se o livro do pensador reacion\u00e1rio ao lado de um pensador cr\u00edtico, entretanto agora o Google nos oferece os primeiros dez links do autor e o meio dominante, j\u00e1 o alternativo ou contra-corrente aparece muito depois. Os grandes ve\u00edculos podem dispor de t\u00e9cnicos e estrat\u00e9gias inform\u00e1ticas complexas para alcan\u00e7ar um bom posicionamento nos resultados de busca, em alguns casos incluem em seus conte\u00fados determinadas palavras que sabem que s\u00e3o as mais usadas pelos internautas. Temos assim, uma outra &#8211; e nova &#8211; forma de adultera\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o que \u00e9 utilizada para triunfar no Google.<\/p>\n<p><strong>Propriet\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p>Para nos inteirarmos do ide\u00e1rio dos principais interessados no novo modelo informativo tecnol\u00f3gico, podemos fazer uma revis\u00e3o r\u00e1pida dos acionistas das principais empresas, ou seja, quem financia e recebe benef\u00edcios desse mesmo modelo.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar temos a gigante Google, que \u00e9 listada na Nasdaq e \u00e9 propriet\u00e1ria, entre outras empresas e servi\u00e7os, do Youtube e da Motorola Mobility. Entre seus acionistas, junto aos fundadores Sergey Brin y Larry Page, encontra-se Eric Schmidt, membro do Clube Bilderberg, que foi presidente e diretor geral da Google at\u00e9 abril de 2011. Tamb\u00e9m Ram Shriram, antes administrador da Netscape e da Amazon. Entre os investidores internacionais, basicamente se encontram grandes fundos de investimentos de capital de risco como FMR LLC, The Vanguard Group, Inc., State Street Corporation e outros mais.<\/p>\n<p>Quanto ao Facebook, sabemos que colheu cerca de 18 bilh\u00f5es de d\u00f3lares com a abertura de seu capital na bolsa, opera\u00e7\u00e3o esta gerida pelo banco Morgan Stanley, ao lado de Goldman Sachs e JP Morgan. Seu fundador, Mark Zuckerberg, possui 18,4% da companhia. Entre os principais acionistas e dirigentes, se encontra Goldman Sachs, um banco que, como recordamos bem, esteve envolvido na crise financeira dos EUA em 2008. Tamb\u00e9m esteve na origem da crise financeira da Gr\u00e9cia de 2010-2011, visto que ajudou a esconder o d\u00e9ficit das contas gregas do governo conservador. Outro acionista do Facebook \u00e9 Erskine Bowles (tamb\u00e9m membro do grupo diretor), que ocupava alto cargo na administra\u00e7\u00e3o Clinton e agora, na gest\u00e3o Obama, \u00e9 como presidente da Comiss\u00e3o Nacional de Responsabilidade Fiscal e Reforma. Al\u00e9m disso, \u00e9 membro do grupo que administra a General Motors, Morgan Stanley e Norfolk Southern Corporation. Tamb\u00e9m temos a Sheryl Sandberg, que trabalhou para Google e para o Banco Mundial. Foi chefe de gabinete no Departamento do Tesouro na gest\u00e3o Clinton. Pertence ao corpo da dire\u00e7\u00e3o de empresas como Walt Disney e Starbucks. Al\u00e9m desses, Reed Hastings, diretor executivo da NetFlix (um provedor de internet estadunidense), e membro do conselho administrativo da Microsoft, sem contar do Facebook.<\/p>\n<p>A maioria dos acionistas do Twitter vem de ag\u00eancias de capital de risco como Spark Capital, Union Square Ventures, Kleiner Perkinsm Benchmark Capital, Institutional Venture Partners, T. Rowe Price e DST Group. A empresa est\u00e1 obcecada para que n\u00e3o sejam mais de 500 acionistas para, assim, n\u00e3o ter que cit\u00e1-los na bolsa e n\u00e3o traz\u00ea-los a p\u00fablico. Sabe-se que entre os acionistas do Twitter est\u00e1 o pr\u00edncipe saudita Alwaleed bin Talal, que anunciou em dezembro de 2011 que tinha comprado uma participa\u00e7\u00e3o de 300 milh\u00f5es de d\u00f3lares. O Skype foi comprado recentemente pela Microsoft e o Tuenti \u00e9 propriedade, em sua maior parte, da Telef\u00f3nica.<\/p>\n<p>A tudo que listamos podemos adicionar os interesses empresariais dos cons\u00f3rcios de fabrica\u00e7\u00e3o de celulares, a ind\u00fastria da inform\u00e1tica e as operadoras de telefonia e internet. Por tr\u00e1s das empresas dos novos formatos de comunica\u00e7\u00e3o, enfim, est\u00e3o os grandes grupos de investimento mundiais junto com alguns multimilion\u00e1rios da nova economia, ent\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil deduzir a ideologia que v\u00e3o promover.<\/p>\n<p><strong>Censura<\/strong><\/p>\n<p>A propriedade privada das empresas tecnol\u00f3gicas e seus suportes tecnol\u00f3gicos modernos permitem todo tipo de censura, que, assombrosamente, \u00e9 aceito pela sociedade e poderes p\u00fablicos. Consideram-se redes sociais como Facebook e suportes como Youtube exemplos do grande alcance na democratiza\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o, sem perceber que se tratam de empresas privadas que, por meio de uma tecla l\u00e1 de seus centros de controle, podem eliminar um conte\u00fado subversivo e fazer desaparecer um usu\u00e1rio, com a complac\u00eancia de uma sociedade que nunca percebe que estamos ante um ataque \u00e0 liberdade de express\u00e3o. O Facebook veta imagens que n\u00e3o o agrada e expulsa de suas p\u00e1ginas coletivos que lhe parece indesej\u00e1veis. Em junho de 2012, o Facebook censurou uma imagem de capa de perfil da revista de humor \u2018El Jueves\u2019, que fazia alus\u00e3o a Merkel e Rajoy, e comunicou ao administrador que lhe tiraria o direito, por 30 dias, de poder subir qualquer conte\u00fado na rede social (nota 4). Se a revista continuava sendo distribu\u00edda com normalidade nas bancas e, em outro lado, na rede social Facebook n\u00e3o se permitia e se impedia o usu\u00e1rio de v\u00ea-la, est\u00e1vamos sofrendo, a partir das m\u00e3os das redes sociais, um retrocesso da liberdade de express\u00e3o.<\/p>\n<p>As not\u00edcias de grupos sociais que tem suas p\u00e1ginas eliminadas no Facebook s\u00e3o constantes. Em abril de 2011 v\u00e1rios coletivos que protestavam no Reino Unido contra os cortes do governo denunciaram o fechamento de suas p\u00e1ginas (nota 5). Neste mesmo m\u00eas, alguns ativistas espanh\u00f3is do 15M denunciaram que o an\u00fancio de sua manifesta\u00e7\u00e3o, com mais de 23 mil participantes confirmados, fora apagado de v\u00e1rias de suas p\u00e1ginas (nota 6). Youtube elimina v\u00eddeos baseado em qualquer argumento insustent\u00e1vel, como aconteceu com a conta do portal Cubadebate por um v\u00eddeo que denunciava o apoio financeiro que recebia o terrorista Luis Posada Carriles (nota 7), autor intelectual da explos\u00e3o de um avi\u00e3o civil cubano que causou a morte de 73 pessoas. Outros usu\u00e1rios tamb\u00e9m denunciaram a desativa\u00e7\u00e3o de v\u00eddeos do Youtube, bem como suas contas de usu\u00e1rio, argumentando que violavam direitos autorais, quando na verdade se tratavam de imagens de televis\u00f5es p\u00fablicas que as cedem para uso livre (nota 8).<\/p>\n<p>As den\u00fancias dos afetados nunca t\u00eam grande espectro nem qualquer viabilidade legal, posto que s\u00e3o empresas privadas que, com seu quase monop\u00f3lio do servi\u00e7o e com sua imagem internacional de comunica\u00e7\u00e3o gratuita e livre, aplicam a censura corriqueiramente. Por sua vez, os internautas cubanos denunciaram que o Google vetou aos habitantes deste pa\u00eds o uso do servi\u00e7o Google Analytics, meio pelo qual os administradores de p\u00e1ginas na web t\u00eam acesso \u00e0s estat\u00edsticas de visita\u00e7\u00e3o. No entanto, a empresa pode usar estes dados para seus c\u00e1lculos e neg\u00f3cios (nota 9). \u00c9 ingenuidade pensar que v\u00e3o nos ceder suas log\u00edsticas, \u00e9 como se um grupo de Panteras Negras quisesse se reunir num McDonalds. O modelo de funcionamento das redes pode ser evidentemente reacion\u00e1rio e conservador. Observemos, por exemplo, que no Facebook aparece sempre a op\u00e7\u00e3o &#8220;Curtir&#8221;, mas n\u00e3o existe a correspondente &#8220;N\u00e3o curtir&#8221;. &#8220;Se trata de impedir, obviamente, a cr\u00edtica a marcas e produtos que podem se tornar futuros anunciantes ou investidores. Mas tamb\u00e9m se inscreve completamente nesse ciberotimismo, por se incitar a produ\u00e7\u00e3o constante (intelig\u00eancia coletiva) e depreciar a cr\u00edtica, e, sobretudo, a ina\u00e7\u00e3o, a greve, a ren\u00fancia&#8221; (nota 10).<\/p>\n<p><strong>Ciberativismo<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;O risco da internet \u00e9 pensar que se vive a democracia de maneira direta, quando s\u00f3 \u00e9 se trata de uma democracia virtual. Internet n\u00e3o \u00e9 mais que a continua\u00e7\u00e3o da utopia de querer falar diretamente com o mundo todo; o problema \u00e9 pensar que isso vai resolver nossos problemas reais&#8221; (nota 11).<\/p>\n<p>Nosso ativismo pol\u00edtico despenca por um declive para a virtualidade dos manifestos e empresas na rede, o sexo alcan\u00e7ou a higiene absoluta e a desinibi\u00e7\u00e3o total gra\u00e7as ao mundo virtual, os amigos n\u00e3o mais est\u00e3o no bar, mas no Facebook, e continuar\u00e3o na rede ainda que morram amanh\u00e3. As vias s\u00e3o virtuais porque s\u00e3o as &#8220;vias da informa\u00e7\u00e3o&#8221;. Mas enquanto tudo isto acontece, as guerras e a fome nada virtuais, com seus mortos nada virtuais, armamentos e criminosos que as provoca, menos virtuais ainda, seguem existindo. Do mesmo modo, nosso sal\u00e1rio e nossos servi\u00e7os sociais est\u00e3o sendo reduzidos, enquanto seguimos conectados ao mundo virtual.<\/p>\n<p>A ofensiva tecnol\u00f3gica-virtual parece projetada para fugirmos da realidade aut\u00eantica e nos metermos numa realidade virtual para assim nos neutralizar. Existem jogos na internet para crian\u00e7as \u2013 e adultos \u2013 que o sistema lhe premia com &#8220;cr\u00e9ditos&#8221; para comprar objetos virtuais, depois de enviar uma mensagem de texto do celular com custo real. Isto \u00e9, troca-se com toda a inconsequ\u00eancia dinheiro real por virtual. Do mesmo modo atua grande parte da revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica: rouba-nos a vida real, sobretudo se uma vida potencialmente cr\u00edtica e subversiva, e nos d\u00e1 em troca a vida virtual. Esse \u00e9 um dos objetivos da assim chamada &#8220;brecha digital&#8221;, enquanto pobres do mundo morrem de fome, os que t\u00eam de comer s\u00e3o detidos e levados ao mundo virtual, o mundo feliz de Aldous Huxley onde n\u00e3o ter\u00e3o de se preocupar com os pobres. Toda esta enxurrada tecnol\u00f3gica tem como resultado principal o isolamento do indiv\u00edduo.<\/p>\n<p>Expor esta tese em Cuba, onde seus cidad\u00e3os sofrem grandes dificuldades para usar a internet, um resultado do bloqueio dos EUA que impede que a Ilha tenha acesso normal ao ciberespa\u00e7o, pode parecer inoportuno, mas eu venho de uma Europa abduzida pelas redes sociais e acredito ser necess\u00e1rio alertar os cubanos sobre esta possibilidade.<\/p>\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n<p><em>[1] \u201cEurocopa 2012: Twitter celebra los goles de la televisi\u00f3n\u201d. Periodistas 21, 2-7-2012<a href=\"http:\/\/periodistas21.blogspot.com.es\/2012\/07\/eurocopa-twitter-celebra-los-goles-de.html\" target=\"_blank\">http:\/\/periodistas21.blogspot.com.es\/2012\/07\/eurocopa-twitter-celebra-los-goles-de.html<\/a><\/em><\/p>\n<p><em>[2] Ramonet, Ignacio. La explosi\u00f3n del periodismo. Clave Intelectual, Madrid, 2011. <\/em><\/p>\n<p><em>[3] Debord, Guy. La sociedad del espect\u00e1culo. Pre-Textos, Valencia, 2010 <\/em><\/p>\n<p><em>[4] El Jueves, 14-6-2012\u00a0<a href=\"http:\/\/www.eljueves.es\/2012\/06\/14\/facebook_veta_nuestra_portada_merkel_rajoy_plan_sadomaso.html\" target=\"_blank\">http:\/\/www.eljueves.es\/2012\/06\/14\/facebook_veta_nuestra_portada_merkel_rajoy_plan_sadomaso.html#<\/a> <\/em><\/p>\n<p><em>[5] The Guardian, 24-4-2012\u00a0<a href=\"http:\/\/www.guardian.co.uk\/technology\/2011\/apr\/29\/facebook-accused-removing-activists-pages\" target=\"_blank\">http:\/\/www.guardian.co.uk\/technology\/2011\/apr\/29\/facebook-accused-removing-activists-pages<\/a> <\/em><\/p>\n<p><em>[6] Barrapunto.com, 12-4-2011\u00a0<a href=\"http:\/\/barrapunto.com\/~manje\/journal\/35852\" target=\"_blank\">http:\/\/barrapunto.com\/~manje\/journal\/35852<\/a> <\/em><\/p>\n<p><em>[7] Cubadebate.cu, 13-1-2011\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cubadebate.cu\/noticias\/2011\/01\/13\/censura-de-youtube-a-cubadebate-desato-movimiento-solidario\/\" target=\"_blank\">http:\/\/www.cubadebate.cu\/noticias\/2011\/01\/13\/censura-de-youtube-a-cubadebate-desato-movimiento-solidario\/<\/a> <\/em><\/p>\n<p><em>[8]\u00a0<a href=\"http:\/\/lubrio.blogspot.com.es\/\" target=\"_blank\">lubrio.blogspot.com.es<\/a> , 13-6-2012\u00a0<a href=\"http:\/\/lubrio.blogspot.com.es\/2012\/06\/rcn-y-venevision-usan-youtube-para.html\" target=\"_blank\">http:\/\/lubrio.blogspot.com.es\/2012\/06\/rcn-y-venevision-usan-youtube-para.html<\/a> <\/em><\/p>\n<p><em>[9] La pupila insomne. 19-6-2012\u00a0<a href=\"http:\/\/lapupilainsomne.wordpress.com\/2012\/06\/19\/google-roba-datos-de-sitios-cubanos\/\" target=\"_blank\">http:\/\/lapupilainsomne.wordpress.com\/2012\/06\/19\/google-roba-datos-de-sitios-cubanos\/<\/a> <\/em><\/p>\n<p><em>[10] Ba\u00f1os Boncompain, Antonio, Posteconom\u00eda. Hacia un capitalismo feudal, Barcelona, Los libros del lince, 2012 <\/em><\/p>\n<p><em>[11] Citado por Rivi\u00e8re, Margarita. <\/em><em>La fama. Iconos de la religi\u00f3n medi\u00e1tica. Cr\u00edtica, Barcelona, 2009. <\/em><\/p>\n<p><em>*A segunda parte deste texto ser\u00e1 divulgada em breve<\/em><\/p>\n<p><em>Tradu\u00e7\u00e3o: Caio Sarack<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/templates\/materiaMostrar.cfm?materia_id=21643&amp;boletim_id=1542&amp;componente_id=26330\" target=\"_blank\">http:\/\/www.cartamaior.com.br\/templates\/materiaMostrar.cfm?materia_id=21643&amp;boletim_id=1542&amp;componente_id=26330<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\npiratininga.org.br\n\n\n\n\n\n\n\n\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4373\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-4373","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-18x","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4373","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4373"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4373\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4373"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4373"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4373"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}