{"id":4393,"date":"2013-03-01T13:49:47","date_gmt":"2013-03-01T13:49:47","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4393"},"modified":"2013-03-01T13:49:47","modified_gmt":"2013-03-01T13:49:47","slug":"eua-uma-demonarquia-absoluta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4393","title":{"rendered":"EUA: uma \u201cdemonarquia\u201d absoluta\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p>Paul Craig lista fatos e argumentos para provar que o regime democr\u00e1tico deu lugar, em Washington, a um poder absoluto do Executivo.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9tat c\u2019est moi\u201d, dizia Luiz XIV, padr\u00e3o dos regimes tipo monarquia absoluta do S\u00e9culo XVIII, para justificar seu direito de vida e morte sobre os cidad\u00e3os. Esse exerc\u00edcio de poder concentrado no Executivo sempre esteve presente na democracia estadunidense, \u00a0em maior ou menor grau. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas entretanto, a partir do governo Reagan, pronunciou-se tend\u00eancia a aumento dessa mancha absolutista, num processo que atinge um auge com Barack Obama, rumo a uma esp\u00e9cie de \u201cdemonarquia absoluta\u201d.<\/p>\n<p>O\u00a0monarca franc\u00eas agia por procura\u00e7\u00e3o da nobreza rural, o presidente em Washington age em nome dos potentados do capital financeiro e do complexo militar-industrial-de seguran\u00e7a. Por enquanto, o processo parece irrevers\u00edvel e pronto a promover mais guerras e mais horror no mundo, e mais opress\u00e3o para a pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o estadunidense, sujeita a empobrecimento e perda de liberdade da maioria, para maior gozo do 1% de ricos.<\/p>\n<p>Nos pr\u00f3prios EUA, entretanto, erguem batalha para protestar algumas poucas, mas valentes vozes de resist\u00eancia. \u00a0No\u00a0<em>The New Yorker<\/em> questiona-se o direito do presidente de matar cidad\u00e3os estadunidenses\u00a0<a href=\"http:\/\/www.newyorker.com\/online\/blogs\/closeread\/2013\/02\/john-brennans-cia-director-hearings-and-the-so-called-americans.html\" target=\"_blank\">aqui<\/a>. No\u00a0<em>Zero Hedge<\/em>denuncia-se que o pa\u00eds entra numa ditadura militar\u00a0<a href=\"http:\/\/www.zerohedge.com\/news\/2013-02-08\/guest-post-ndaa-lawsuit-headed-supreme-court\" target=\"_blank\">aqui<\/a>. Paul Craig, em seu site, desmonta o estado policial que segundo ele j\u00e1 existe em seu pa\u00eds; no original\u00a0<a href=\"http:\/\/www.paulcraigroberts.org\/2013\/02\/07\/it-has-happened-here-paul-craig-roberts\/\" target=\"_blank\">aqui <\/a>e na tradu\u00e7\u00e3o cedida por\u00a0<em>Vila Vudu<\/em> a seguir.<\/p>\n<p><strong>Aconteceu nos EUA: o estado policial existe<\/strong><\/p>\n<p>7\/2\/2013, Paul Craig Roberts<\/p>\n<p>A resposta do governo Bush ao 11\/9 e a valida\u00e7\u00e3o, pelo governo Obama, daquela resposta destru\u00edram o governo transparentemente democr\u00e1tico que houve nos EUA. O poder sem qualquer supervis\u00e3o concentrou-se tanto no Executivo que a Constitui\u00e7\u00e3o dos EUA j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 documento operat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Acredite algu\u00e9m na hist\u00f3ria oficial do 11\/0, ou conhe\u00e7a todas as provas j\u00e1 distribu\u00eddas por grande n\u00famero de cientistas, testemunhas oculares e engenheiros de estrutura e arquitetos, d\u00e1 sempre na mesma. O 11\/9 foi usado para criar uma intermin\u00e1vel \u201cguerra ao terror\u201d e o correspondente estado policial. \u00c9 espantoso que tantos estadunidenses acreditem que \u201cn\u00e3o acontecer\u00e1 aqui\u201d, se j\u00e1 aconteceu.<\/p>\n<p>Vivemos uma d\u00e9cada de provas completamente vis\u00edveis de que estava em constru\u00e7\u00e3o um estado policial: o\u00a0<em>Patriot Act<\/em>, autoriza\u00e7\u00e3o ilegal para que os cidad\u00e3os estadunidenses sejam espionados e que viola o\u00a0<em>Foreign Intelligence Surveillance Act<\/em>; a pr\u00e1tica de crimes de guerra de agress\u00e3o, baseadas em mentiras deliberadas; o Departamento de Justi\u00e7a a fazer leis \u00e0 sua moda, \u2018memorandos\u2019 para justificar que o Executivo viole leis nacionais e internacionais contra a tortura; deten\u00e7\u00e3o indefinida de cidad\u00e3os estadunidenses, o que viola direitos que a Constitui\u00e7\u00e3o protegeao\u00a0<em>habeas corpus <\/em>e ao devido processo legal; uso de provas secretas e \u2018testemunhos secretos\u2019 de especialistas que n\u00e3o s\u00e3o apresentados para que a defesa dos acusados tome conhecimento deles; tribunais militares inventados para fugir de julgamentos legais; \u2018memorandos\u2019 secretos que autorizam o presidente a ordenar ciberataques preventivos contra qualquer pa\u00eds, sem ter de oferecer provas de que de l\u00e1 poderia advir alguma amea\u00e7a contra os EUA; e o governo Obama, que j\u00e1 se p\u00f4s a assassinar cidad\u00e3os estadunidenses sem qualquer prova de crime, sem julgamento, sem defesa, sem o devido processo legal.<\/p>\n<p>E, como se n\u00e3o bastasse tudo isso, o governo Obama d\u00e1-se agora novos poderes presidenciais para escrever leis secretas e d\u00e1-se o direito de n\u00e3o explicar onde \u2013 nem se \u2013 haveria algum fundamento legal para arrogar-se poderes que nenhum presidente dos EUA jamais teve. Em outras palavras: qualquer papel escrito em segredo pelo Executivo faz lei, hoje, nos EUA. O Congresso nem \u00e9 informado. Congresso? E quem precisa de Congresso?!<\/p>\n<p>Apesar de haver leis que protegem os vazadores [<em>whistleblowers<\/em>] e apesar de haver imprensa e apesar de haver C\u00f3digo Militar que obriga os soldados a relatar crimes de guerra de que tenham conhecimento, vazadores, como John Kiriakou, agente da CIA; jornalistas, como Julian Assange; e soldados, como Bradley Manning, s\u00e3o perseguidos e processados por revelar crimes praticados pelo governo dos EUA (<a href=\"http:\/\/www.informationclearinghouse.info\/article33804.htm\">http:\/\/www.informationclearinghouse.info\/article33804.htm<\/a>). Os criminosos ganham plena liberdade. Os que informam sobre aqueles crimes v\u00e3o para a cadeia.<\/p>\n<p>Justificativa pressuposta para o estado policial sob o qual vivemos nos EUA \u00e9 a \u201cguerra ao terror\u201d \u2013 inven\u00e7\u00e3o mantida viva por \u201copera\u00e7\u00f5es ferr\u00e3o\u201d [<em>\u201csting operations<\/em>\u201d] do FBI. Em idioma normal, \u201copera\u00e7\u00e3o ferr\u00e3o\u201d acontece quando uma policial se traveste de prostituta para prender um gigol\u00f4; ou quando um policial se traveste de traficante de drogas para prender usu\u00e1rios ou traficantes. Mas as \u201copera\u00e7\u00f5es ferr\u00e3o\u201d do FBI v\u00e3o muito al\u00e9m desses crimes sem v\u00edtimas que s\u00f3 servem para encher as cadeias estadunidenses (que s\u00e3o empresas privadas).<\/p>\n<p>As \u201copera\u00e7\u00f5es ferr\u00e3o\u201d do FBI s\u00e3o diferentes. Tamb\u00e9m podem ser crimes sem v\u00edtimas, se os compl\u00f4s n\u00e3o acontecem. Mas o FBI oferece os enredos a terroristas que j\u00e1 t\u00eam as bombas. Ent\u00e3o, \u00e9 s\u00f3 selecionar algu\u00e9m ou um grupo mais enlouquecido ou demente, ou mu\u00e7ulmano enfurecido pelo mais recente insulto que Washington tenha feito a ele ou \u00e0 sua religi\u00e3o.(*) Quando o FBI define um alvo, seus agentes abordam o perpetrador seleto que se diga seguidor da Al-Qaeda ou de grupo assemelhado e o cobrem de dinheiro, promessas de reconhecimento e fama; ou o amea\u00e7am e torturam at\u00e9 que o alvo subscreve o roteiro do FBI. Ent\u00e3o, \u00e9 preso.<\/p>\n<p>Trevor Aaronson, em seu livro\u00a0<em>The Terror Factory: Inside the FBI\u2019s War on Terrorism <\/em>[F\u00e1brica de terror: por dentro da Guerra do FBI ao Terrorismo], oferece documentos que comprovam que, at\u00e9 o momento em que o livro foi escrito, o FBI planejara 150 \u201cgolpes terroristas\u201d e que quase todos os demais \u201ccasos de terrorismo\u201d eram, por exemplo, casos relacionados \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o, nos quais apareceu, ningu\u00e9m sabe de onde, a acusa\u00e7\u00e3o de terrorismo (<a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?feature=player_embedded&amp;v=LpTOrNQ3G9Q\">http:\/\/www.youtube.com\/watch?feature=player_embedded&amp;v=LpTOrNQ3G9Q#<\/a>!).<\/p>\n<p>A imprensa dos EUA,\u00a0<em>presstituta<\/em>, jamais pergunta por que, se h\u00e1 tanto terrorismo a ponto de exigir que os EUA lhe fa\u00e7a guerra planet\u00e1ria, o FBI ainda precisainventar mais terrorismo e encomendar mais ataques terroristas.<\/p>\n<p>A imprensa dos EUA tampouco pergunta como os Talib\u00e3, que resistem contra a invas\u00e3o e tentativa estadunidenses de ocupar o Afeganist\u00e3o, e combatem a superpot\u00eancia \u201cnecess\u00e1ria\u201d sem perderem um palmo de terreno h\u00e1 11 anos, acabaram virando \u201cterroristas\u201d. A prostitu\u00edda imprensa norte-americana tampouco quer saber como aconteceu de tribos inteiras em regi\u00f5es remotas do Paquist\u00e3o terem virado \u201cterroristas\u201d, o que as converteu em alvos de ataques dos\u00a0<em>drones<\/em> dos EUA \u2013 que atacam cidad\u00e3os, escolas, hospitais, ambulat\u00f3rios, no cora\u00e7\u00e3o de territ\u00f3rio de um pa\u00eds contra o qual os EUA n\u00e3o est\u00e3o em guerra.<\/p>\n<p>Em vez disso, a imprensa protege e reproduz as mentiras que constru\u00edram, nos EUA, um estado policial.<\/p>\n<p>A imprensa estadunidense virou uma neo Leni Riefenstahl. Hollywood virou uma neo Leni Reifenstahl, com o filme \u201cA hora mais escura\u201d, desavergonhada propaganda islam\u00f3foba. Esse filme de propaganda \u00e9 crime de \u00f3dio: ensina islamofobia.<\/p>\n<p>Pois mesmo assim, \u00e9 muito prov\u00e1vel que o filme seja premiado. Assim os EUA v\u00e3o afundando na tirania e em guerra de cem anos em nome de combater a \u2018amea\u00e7a muculmana\u2019.<\/p>\n<p>Aprendi, anos atr\u00e1s, quando era professor, que o cinema molda poderosamente as atitudes dos estadunidenses. Uma vez, depois de ouvir longa aula sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Russa e a implanta\u00e7\u00e3o do comunismo, um aluno levantou a m\u00e3o e disse: \u201cNo cinema, n\u00e3o aconteceu assim.\u201d<\/p>\n<p>De in\u00edcio, pensei que fosse piada espirituosa. Mas logo entendi que meu aluno acreditava sinceramente que a realidade estaria no filme, n\u00e3o no professor especialista. Desde ent\u00e3o, n\u00e3o me canso de me perguntar como \u00e9 poss\u00edvel que os EUA tenhamos sobrevivido por tanto tempo, dada a extens\u00e3o da ignor\u00e2ncia dos estadunidenses.<\/p>\n<p>Os estadunidenses sobreviveram gra\u00e7as \u00e0 for\u00e7a da economia dos EUA. Agora, quando esse poder est\u00e1 fanado, mais dia menos dia, os estadunidenses ter\u00e3o de se reconciliar com a hist\u00f3ria real. E ser\u00e1, para eles, realidade completamente desconhecida.<\/p>\n<p>Alguns estadunidenses que dizem que tivemos estado policial em outros momentos de guerra e que, vencida a guerra ao terror, o estado policial \u00e9 desmontado. Outros dizem que o governo saber\u00e1 usar judiciosamente o poder que acumulou e que \u201cquem n\u00e3o deve n\u00e3o teme\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 a certeza dos iludidos. O estado policial de Bush\/Obama \u00e9, de longe, muito mais amplo e pervasivo que o de Lincoln, de Wilson ou de Roosevelt. E a guerra ao terror \u00e9 infinita. J\u00e1 \u00e9, hoje, tr\u00eas vezes mais longa do que a II Guerra Mundial. O estado policial vai-se estabelecendo como posseiro.<\/p>\n<p>Ainda pior: o governo precisa do estado policial para se auto proteger contra qualquer puni\u00e7\u00e3o por seus crimes, mentiras e mau uso do dinheiro dos contribuintes. Criaram-se j\u00e1 novos precedentes a favor do poder do Executivo em conjun\u00e7\u00e3o com a Federalist Society, a qual, independente da guerra ao terror, prega a teoria do \u201cExecutivo unit\u00e1rio\u201d, segundo a qual o presidente teria poderes superiores a qualquer controle pelo Congresso ou pelo Judici\u00e1rio. Em outras palavras, o presidente ser\u00e1 o ditador que lhe interesse ser.<\/p>\n<p>O governo Obama est\u00e1 tirando vantagens dessa teoria republicana. O regime usou o desejo republicano por Executivo forte, \u00e0 prova dos tradicionais contrapesos democr\u00e1ticos, e somou-o ao fator medo: assim se criou o estado policial Bush\/Cheney.<\/p>\n<p>Como Lawrence M. Stratton e eu documentamos em nosso livro\u00a0<em>The Tyranny Of Good Intentions<\/em> [A tirania das boas inten\u00e7\u00f5es], antes do 11de setembro a lei, como escudo de defesa do povo, j\u00e1 estava perdendo terreno para a lei como arma nas m\u00e3os do governo. Se o governo decidir pegar voc\u00ea, h\u00e1 poucas barreiras que protejam o acusado: ser\u00e1 enquadrado e condenado; e muito menos h\u00e1 j\u00fari e jurados capazes de ver o crime onde o crime est\u00e1.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei dizer se, algum dia, o sistema judici\u00e1rio estadunidense serviu melhor \u00e0 justi\u00e7a que \u00e0 ambi\u00e7\u00e3o dos procuradores. J\u00e1 nos anos 1930 e 1940, o juiz George Sutherland da Suprema Corte dos EUA e o advogado-geral dos EUA Robert Jackson alertavam contra procuradores que sacrificam \u201co justo processo legal, para construir estat\u00edsticas de sucesso.\u201d N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que \u00e9 dific\u00edlimo encontrar hoje, na fileiras da Procuradoria Federal, procuradores que, como Jackson escreveu \u201ctemperam o zelo condenat\u00f3rio com grandeza humana; que procuram a verdade, sem querer fazer v\u00edtimas; que servem \u00e0 lei e n\u00e3o a objetivos de fac\u00e7\u00f5es; e que abordam com humildade o pr\u00f3prio trabalho.\u201d<\/p>\n<p>Considere-se, por exemplo, a condena\u00e7\u00e3o errada do governador democrata do Alabama, Don Siegelman, em processo que, pelo que j\u00e1 se sabe, foi resultado de conspira\u00e7\u00e3o articulada por Karl Rove, para derrubar governadores democratas do sul. O governo \u2018democrata\u2019 de Obama nada investigou dessa acusa\u00e7\u00e3o falsa urdida pela Procuradoria, nem deixou de acobertar os falsos inocentes (os seus falsos inocentes). Lembram a rapidez com que Bush cancelou a senten\u00e7a de pris\u00e3o contra o agente de Cheney que revelou o nome de agente clandestino da CIA? Os democratas s\u00e3o partido acuado e politicamente acovardado, que teme a Justi\u00e7a. S\u00e3o parte do estado policial corrupto, perfeitamente equivalentes aos republicanos.<\/p>\n<p>Hoje, a Procuradoria trabalha para promover a carreira do promotor e do partido que o\/a tenha indicado. Procurador de \u2018sucesso\u2019 \u00e9 quem muito condene, o que exige \u2018acordos\u2019 nos quais jamais se veem provas analisadas por jurados ou tribunais. Quanto maior o n\u00famero de casos \u2018midi\u00e1ticos\u2019, melhor: um bom caso \u2018de m\u00eddia\u2019 basta para inchar qualquer carreira pol\u00edtica: foi o que se viu, quando Rudy Giuliana conseguiu enredar e condenar Michael Milken.<\/p>\n<p>Glenn Greenwald explicou como Aaron Swartz, militante a favor da liberdade para a Internet, foi arrastado ao suic\u00eddio pela ambi\u00e7\u00e3o pervertida de dois procuradores federais, a advogada federal Carmen Ortiz e Stephen Heymann, assistente da Advocacia Geral dos EUA. Nenhum deles mostrou qualquer repugn\u00e2ncia contra a decis\u00e3o de destruir um homem inocente, apenas para promover-se na \u2018carreira\u2019 (<a href=\"http:\/\/www.guardian.co.uk\/commentisfree\/2013\/jan\/16\/ortiz-heymann-swartz-accountability-abuse\">http:\/\/www.guardian.co.uk\/commentisfree\/2013\/jan\/16\/ortiz-heymann-swartz-accountability-abuse<\/a>).<\/p>\n<p>S\u00f3 muito raramente acontece de um procurador sofrer qualquer tipo de consequ\u00eancia por inventar falsas acusa\u00e7\u00f5es, por usar \u2013 at\u00e9 mesmo por comprar! \u2013 provas falsas, ou por mentir a ju\u00edzes e jurados. Dado que os procuradores raramente s\u00e3o acusados e julgados, acabaram por habituar-se a usar meios ilegais e anti\u00e9ticos; a rotina, ali, \u00e9 o abuso de poder. Os ju\u00edzes vivem mais preocupados, sempre, com \u2018limpar\u2019 as prateleiras. Raramente se preocupam com promover a Justi\u00e7a nos EUA. \u00c9 o que explica que os EUA tenham, n\u00e3o s\u00f3 a maior porcentagem de cidad\u00e3os encarcerados que qualquer outra na\u00e7\u00e3o no planeta, mas, tamb\u00e9m o maior n\u00famero absoluto de encarcerados.<\/p>\n<p>H\u00e1 hoje nos EUA maior propor\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os encarcerados que na China \u201cautorit\u00e1ria\u201d \u2013 cuja popula\u00e7\u00e3o \u00e9 quatro vezes maior que a popula\u00e7\u00e3o dos EUA. O governo dos EUA \u2013 provavelmente o maior violador de direitos humanos da hist\u00f3ria da humanidade \u2013 vive a acusar a China de \u201cviolar direitos humanos\u201d. E por onde andar\u00e3o as acusa\u00e7\u00f5es contra Washington, por violar direitos humanos?<\/p>\n<p>Nos EUA, o colapso do Estado de Direito vai muito al\u00e9m de procuradores corrompidos e sua longa lista de falsas acusa\u00e7\u00f5es. A menos que deseje ou lhe interesse um \u2018julgamento-espet\u00e1culo<em>\u2019<\/em>, o estado policial n\u00e3o precisa de procuradorias e tribunais. Basta escrever um \u2018memorando\u2019, e o presidente j\u00e1 pode mandar gente para a pris\u00e3o, sem julgamento. Pode at\u00e9 executar quem bem entender, sem nenhum julgamento: \u00e9 s\u00f3 declarar que algum funcion\u00e1rio, de prefer\u00eancia dos corpos executivos, \u2018acha\u2019 que algu\u00e9m pode ter ou ter tido alguma conex\u00e3o potencial com algum terrorismo. Os amigos do Departamento de Justi\u00e7a (sic) dispensam-se qualquer contato com ju\u00edzes, tribunais ou julgamentos legais.<\/p>\n<p>O governo Bush\/Obama j\u00e1 converteu a Presid\u00eancia em juiz, jurado e carrasco executor. Basta um palpite, uma den\u00fancia n\u00e3o provada, no ouvido de algu\u00e9m \u2018do Executivo\u2019. Isso \u00e9 o mal em estado puro. Existe aqui, nos EUA.<\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o se exige nenhuma prova, para que o presidente dos EUA encarcere gente, pris\u00e3o perp\u00e9tua. Ou mande matar. Memorando secreto do Departamento de Justi\u00e7a, vazado para a rede NBC News, revelou o racioc\u00ednio tir\u00e2nico que autoriza o Executivo a assassinar cidad\u00e3os norte-americanos baseado apenas numa \u2018impress\u00e3o\u2019, num \u2018palpite\u2019 ou em qualquer cren\u00e7a simples, sem que se exijam provas de que algu\u00e9m tenha praticado ato terrorista ou tenha tido qualquer envolvimento com terroristas (<a href=\"http:\/\/openchannel.nbcnews.com\/_news\/2013\/02\/04\/16843014-exclusive-justice-department-memo-reveals-legal-case-for-drone-strikes-on-americans?lite\">http:\/\/openchannel.nbcnews.com\/_news\/2013\/02\/04\/16843014-exclusive-justice-department-memo-reveals-legal-case-for-drone-strikes-on-americans?lite<\/a>)<\/p>\n<p>Nos EUA da \u201cliberdade e da democracia\u201d j\u00e1 n\u00e3o vige o princ\u00edpio legal segundo o qual todos s\u00e3o inocentes, at\u00e9 que sejam provados culpados. Se o governo decidir que voc\u00ea \u00e9 culpado, voc\u00ea \u00e9 culpado. Ponto final. N\u00e3o se exige nem simulacro de prova. Nem St\u00e1lin assassinou t\u00e3o completamente sem provas de crime.<\/p>\n<p>O governo dos EUA trabalha hoje, passo a passo, para que todo e qualquer cr\u00edtico do\u00a0<em>status quo<\/em> seja tratado como culpado pelo crime de dar \u201cajuda e conforto\u201d aos \u201cinimigos terroristas\u201d de Washington \u2013 o que inclui o governo eleito do Ham\u00e1s, em Gaza.<\/p>\n<p>Da forca, s\u00f3 escapam os neoconservadores que criticam governos estadunidenses por serem lentos demais na ca\u00e7a e puni\u00e7\u00e3o de \u201cantissemitas\u201d como o ex-presidente Jimmy Carter, que criticou a apropria\u00e7\u00e3o ilegal, pelo governo de Israel, de terras palestinas. Praticamente todos os palestinos foram roubados por Israel, com aquiesc\u00eancia e ajuda de Washington. Quer dizer: j\u00e1 nada resta da \u201cSolu\u00e7\u00e3o dos Dois Estados\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 qualquer d\u00favida de que \u00e9 ilegal o roubo de terras palestinas, pelo governo de Israel. E Washington \u2013 da qual Israel depende vitalmente \u2013 n\u00e3o move uma palha. Lei? Que lei? Quem precisa de porcaria de lei? Washington tem poder. Poder \u00e9 lei. Tratem todos de habituar-se!<\/p>\n<p>A lei foi abolida, e n\u00e3o s\u00f3 para os palestinos: tamb\u00e9m para os estadunidenses e para os fantoches de Washington na OTAN, no Reino Unido e na Europa, restos dignos de pena do que um dia foram grandes na\u00e7\u00f5es, hoje reduzidas a c\u00famplices nos crimes de Washington contra a humanidade. A Open Society Justice Initiative, ONG com sede em New York, distribuiu relat\u00f3rio que comprova que 54 governos participam do programa de \u201centregas especiais\u201d e tortura comandado por Washington. Desses governos que ajudaram Washington a sequestrar, fazer sumir e torturar pessoas, 25 s\u00e3o europeus (<a href=\"http:\/\/www.guardian.co.uk\/world\/2013\/feb\/05\/cia-rendition-report-uk-court\">http:\/\/www.guardian.co.uk\/world\/2013\/feb\/05\/cia-rendition-report-uk-court<\/a>).<\/p>\n<p>O in\u00edcio da primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo 21 assistiu \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o de todo o sistema legal concebido para proteger os inocentes e vulner\u00e1veis desde o ber\u00e7o da hoje defunta consci\u00eancia moral ocidental. A consci\u00eancia moral ocidental jamais se aplicou sen\u00e3o ao pr\u00f3prio Ocedente. A hist\u00f3ria das col\u00f4nias europeias e dos povos nativos dos EUA e Austr\u00e1lia sempre foi outra hist\u00f3ria, muito diferente.<\/p>\n<p>Mesmo assim, embora os princ\u00edpios do Estado de Direito jamais tenham garantido prote\u00e7\u00e3o eficaz a todos os sem poder, ainda assim poderiam ser um bom come\u00e7o, um primeiro passo promissor. Pois os EUA hoje, sob os governos Bush e Obama, iguais como duas ervilhas da mesma vagem, abandonaram, de vez, at\u00e9 o princ\u00edpio, ele mesmo.<\/p>\n<p>O estado policial de Obama ser\u00e1 pior que o estado policial de Bush\/Cheney . Diferentes dos conservadores que, de tempos em tempos, desconfiam do poder do Estado, os Obametes creem que o Estado sempre \u00e9 poder benigno e est\u00e1 hoje em boas m\u00e3os. Os Obametes veem Obama como membro de uma minoria oprimida; confiam que Obama n\u00e3o usar\u00e1 o pr\u00f3prio poder para o mal. \u00c9 fantasia equivalente a outra, segundo a qual, dado que os judeus muito sofreram nas m\u00e3os de Hitler, Israel seria \u2018naturalmente\u2019 justa com os palestinos.<\/p>\n<p>Glenn Greenwald escreveu que \u201co poder mais extremista que um governante pode exercer \u00e9 o poder de executar seus pr\u00f3prios cidad\u00e3os sem culpa formada, sem provas, sem devido processo legal, sem estado de guerra, longe de campos de batalha. O governo Obama se autodelegou exatamente esse poder \u2013 e n\u00e3o s\u00f3 em teoria: j\u00e1 o exerce tamb\u00e9m na pr\u00e1tica\u201d (<a href=\"http:\/\/www.informationclearinghouse.info\/article33847.htm\">http:\/\/www.informationclearinghouse.info\/article33847.htm<\/a>).<\/p>\n<p>\u00c9 poder de ditador. Dizer que Saddam Hussein e Muammar Gaddafi tinham e exerciam esse poder foi parte da demoniza\u00e7\u00e3o dos dois como \u201cditadores brutais\u201d; foi justificativa para derrubar seus respectivos governos, para assassinar os ditadores e para matar, em massa, apoiadores deles.<\/p>\n<p>Que ironia! Hoje, o presidente dos EUA assassina seus opositores pol\u00edticos, exatamente como Saddam Hussein assassinava os dele. Quanto tempo falta para que os nomes de quem critique o governo Obama sejam transferidos, das listas de \u201cproibidos de viajar de avi\u00e3o\u201d [orig.\u00a0<em>\u201cno-fly list\u201d<\/em>], para as listas de exterm\u00ednio?<\/p>\n<p>*Esse t\u00e3o velho quanto indecente recurso do \u201cagent provocateur\u201d, de que lan\u00e7am m\u00e3o os servi\u00e7os de espionagem das pot\u00eancias imperialistas, \u00e9 muito bem descrito na obra cl\u00e1ssica \u201cO agente secreto\u201d, de Joseph Conrad, publicado no Brasil pela Revan.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nc1.mediamax.am\n\n\n\n\n\n\n\n\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4393\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-4393","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c43-imperialismo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-18R","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4393","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4393"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4393\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4393"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4393"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4393"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}