{"id":4402,"date":"2013-03-04T17:34:46","date_gmt":"2013-03-04T17:34:46","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4402"},"modified":"2013-03-04T17:34:46","modified_gmt":"2013-03-04T17:34:46","slug":"pib-cresce-menos-no-governo-dilma-do-que-com-lula-e-fhc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4402","title":{"rendered":"PIB cresce menos no governo Dilma do que com Lula e FHC"},"content":{"rendered":"\n<p>Nos dois primeiros anos do governo Dilma Rousseff, a economia cresceu num ritmo mais lento do que nos mandatos de Lula e de FHC. Os presidentes deveriam ser cobrados mais pelo que fazem para melhorar as perspectivas de expans\u00e3o de longo prazo do Produto Interno Bruto (PIB) do que pelas suas flutua\u00e7\u00f5es de curto prazo. Mesmo sob esse crit\u00e9rio, por\u00e9m, os n\u00fameros de 2012 divulgados na sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) causam preocupa\u00e7\u00e3o, dada a retra\u00e7\u00e3o nos investimentos.<\/p>\n<p>A economia brasileira cresceu 0,9% em 2012, abaixo dos 2,7% observados em 2011. Na m\u00e9dia, o avan\u00e7o do PIB no governo Dilma, at\u00e9 agora, ficou em 1,8%. \u00c9 menos da metade da m\u00e9dia de 4% registrada nos oito anos de Lula e atr\u00e1s dos 2,3% de FHC.<\/p>\n<p>Em grande parte, o fraco crescimento reflete fatores c\u00edclicos. Em 2010, o PIB aumentou 7,5%, acima das estimativas mais otimistas sobre o PIB potencial, levando \u00e0 acelera\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o. O Banco Central, que se manteve inerte no fim do governo Lula, foi obrigado a subir a taxa b\u00e1sica de juros nos primeiros meses do mandato de Dilma. O aperto monet\u00e1rio foi o principal respons\u00e1vel pela desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de 2011.<\/p>\n<p>O Banco Central mudou a dire\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de juros em fins de 2011, mas, ao contr\u00e1rio do esperado, a distens\u00e3o monet\u00e1ria n\u00e3o foi capaz de reanimar o PIB. Entre as v\u00e1rias teorias que tentam explicar esse fen\u00f4meno, uma das mais plaus\u00edveis \u00e9 a de que os mecanismos de transmiss\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria n\u00e3o funcionaram. O acirramento da crise na Europa atrapalhou a propaga\u00e7\u00e3o do est\u00edmulo pelo canal das expectativas. O aumento da inadimpl\u00eancia nos empr\u00e9stimos banc\u00e1rios, por outro lado, causou certa obstru\u00e7\u00e3o no canal do cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>Para aferir o desempenho do governo Dilma na economia, o dado divulgado pelo IBGE mais revelador \u00e9 a retra\u00e7\u00e3o de 4% no investimento em 2012. A acumula\u00e7\u00e3o de capital \u00e9 um dos determinantes da tend\u00eancia de crescimento de longo prazo do PIB, ao lado da expans\u00e3o da oferta de m\u00e3o de obra e dos ganhos de produtividade. A taxa de investimento foi de 18,1% do PIB em 2012, bem abaixo da faixa entre 21% e 25% que economistas afirmam necess\u00e1ria para aumentar o PIB potencial acima de 4%.<\/p>\n<p>O IBGE mostra que, em vez de investimentos, mas uma vez o crescimento da economia foi puxado pelo consumo, com avan\u00e7o de 3,1%, num modelo que muitos afirmam ter se esgotado. O consumo do governo cresceu 3,2%. Na \u00f3tica da oferta, a ind\u00fastria se retraiu 0,8%, os servi\u00e7os cresceram 1,7% e a agricultura caiu 2,3%. As exporta\u00e7\u00f5es avan\u00e7aram 0,5% e as importa\u00e7\u00f5es apresentaram redu\u00e7\u00e3o de 0,2%.<\/p>\n<p>Boa parte da queda dos investimentos, \u00e9 justo reconhecer, deve-se a fatores c\u00edclicos. Esse \u00e9 o componente mais vol\u00e1til do PIB, subindo mais forte nos ciclos de expans\u00e3o e caindo com mais vigor nas contra\u00e7\u00f5es. A desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica induzida pelo Banco Central no come\u00e7o de 2011 e a crise internacional levaram ao adiamento de planos de investimento das empresas.<\/p>\n<p>H\u00e1 raz\u00f5es para supor, por\u00e9m, que escolhas de pol\u00edtica econ\u00f4mica do governo Dilma tenham tido repercuss\u00f5es na chamada Forma\u00e7\u00e3o Bruta de Capital Fixo (FBCF). A discuss\u00e3o tarif\u00e1ria no setor de energia el\u00e9trica, por exemplo, foi anunciada em meados de 2012 e sua resolu\u00e7\u00e3o levou meses. A Petrobras reduziu a produ\u00e7\u00e3o, com efeitos sobre a cadeia do petr\u00f3leo. O cen\u00e1rio macroecon\u00f4mico ficou mais incerto e vol\u00e1til, dificultando o planejamento dos agentes econ\u00f4micos. Natural que, num ambiente de incerteza, empresas adiem projetos.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que a queda do investimento j\u00e1 esteja criando constrangimentos \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o da oferta. Foram quatro trimestres seguidos de contra\u00e7\u00e3o. Em m\u00e9dia, os projetos de investimento levam de cinco a seis trimestres para maturar.<\/p>\n<p>O dado positivo do PIB \u00e9 que o investimento voltou a crescer no \u00faltimo trimestre de 2012, com uma expans\u00e3o de 0,5%. Os mais pessimistas dir\u00e3o que, depois de quatro trimestres de queda, em algum momento a FBCF iria reagir, pois as empresas precisam voltar a investir nem que seja para manter a sua posi\u00e7\u00e3o de mercado. Mas a retomada dos investimentos, ainda que fraca, n\u00e3o deixa de ser um dado alentador. A grande quest\u00e3o \u00e9 se a acumula\u00e7\u00e3o de capital se firmar\u00e1 num patamar mais alto que permita o Brasil crescer a taxa mais altas.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Na era Dilma, 90% da alta do PIB veio do consumo<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>Em 2010 o empres\u00e1rio Valdemir Dantas come\u00e7ou a pensar em aumentar a produ\u00e7\u00e3o. O projeto amadureceu e Dantas fez planos para aplicar, em 2012, R$ 20 milh\u00f5es em uma nova f\u00e1brica que dobraria a capacidade da ind\u00fastria de eletrodom\u00e9sticos Latina.<\/p>\n<p>O ano passado, por\u00e9m, decepcionou Dantas. Seu faturamento cresceu em torno de 4% em rela\u00e7\u00e3o a 2011, em ritmo menor que o da infla\u00e7\u00e3o. Ele tamb\u00e9m viu a margem de lucro se comprimir, porque n\u00e3o conseguiu repassar ao pre\u00e7o o aumento do custo de produ\u00e7\u00e3o. A nova f\u00e1brica n\u00e3o saiu do papel e deve ser levantada somente em 2014. &#8220;Ela foi programada para atender a demanda crescente que imaginamos. \u00c9 um projeto de longo prazo, para mais de uma d\u00e9cada. E por enquanto n\u00e3o tenho certeza desse crescimento.&#8221;<\/p>\n<p>Dantas n\u00e3o foi um caso isolado. Nos dois anos do governo Dilma Rousseff, o investimento perdeu espa\u00e7o no Produto Interno Bruto (PIB). No bi\u00eanio 2011-2012 o crescimento do PIB ficou mais dependente do consumo das fam\u00edlias do que na gest\u00e3o Lula, quando esse fator da demanda j\u00e1 era forte.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dois anos, o consumo das fam\u00edlias garantiu, sozinho, 89,6% da expans\u00e3o da economia. No governo Lula, essa demanda respondeu por 75% do crescimento do PIB. Por outro lado, a ajuda da Forma\u00e7\u00e3o Bruta de Capital Fixo, medida do que se gasta em m\u00e1quinas e constru\u00e7\u00e3o dentro do PIB, teve queda vertiginosa, saindo de um peso de 37,1% na gest\u00e3o Lula para m\u00edseros 2% na era Dilma, segundo c\u00e1lculos da MB Associados.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da maior depend\u00eancia do consumo, a gest\u00e3o Dilma tem at\u00e9 agora, m\u00e9dia menor de crescimento &#8211; os 4,06% no governo Lula, cederam para 1,8% em 2011 e 2012.<\/p>\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o, diz Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, mostra como o modelo de crescimento dos \u00faltimos anos foi baseado em est\u00edmulo forte ao consumo. &#8220;A Forma\u00e7\u00e3o Bruta de Capital Fixo, que depende da percep\u00e7\u00e3o de potencial de crescimento, n\u00e3o acompanhou o desempenho do PIB.&#8221;<\/p>\n<p>O baixo n\u00edvel de investimento deve ser mantido neste ano, estima Vale. &#8220;Se os planos de concess\u00e3o sa\u00edrem de forma adequada, \u00e9 poss\u00edvel que haja uma retomada a partir de 2014.&#8221; A pol\u00edtica econ\u00f4mica atual, diz, parte da premissa que a expans\u00e3o do consumo estimula investimentos. &#8220;Mas isso n\u00e3o acontece dessa forma. Os investimentos chegam somente se houver regras claras.&#8221; Sem isso, o que predomina s\u00e3o &#8220;investimentos de manuten\u00e7\u00e3o&#8221;. Ou seja, aqueles emergenciais, que permitem a continuidade da empresa no mercado ou o aumento de produtividade.<\/p>\n<p>De novo, a fabricante de eletrodom\u00e9sticos Latina \u00e9 um bom exemplo. Valdemir Dantas desistiu de aplicar R$ 20 milh\u00f5es em uma nova f\u00e1brica em 2012, mas iniciou no segundo semestre um investimento de R$ 3 milh\u00f5es para fabricar um produto que deve ser lan\u00e7ado nos pr\u00f3ximos meses. O empres\u00e1rio diz que o novo produto \u00e9 considerado essencial para a empresa manter mercado.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que o investimento pode demorar a decolar no pa\u00eds, o modelo de crescimento pelo consumo est\u00e1 esgotado, estima Vale. Os pr\u00f3prios n\u00fameros do PIB mostram isso. No ano passado, o consumo das fam\u00edlias cresceu 3,1% e ajudou a puxar uma expans\u00e3o de 0,9%. Em 2010, quando Dantas come\u00e7ou a projetar a f\u00e1brica que n\u00e3o saiu do papel, o consumo das fam\u00edlias cresceu 6,9% num crescimento de 7,5% do PIB. Para Vale, o n\u00edvel de cr\u00e9dito e a taxa de desemprego muito baixa refor\u00e7am a percep\u00e7\u00e3o de esgotamento desse modelo.<\/p>\n<p>O consumidor que segurou o crescimento do PIB no ano passado, estima Vale, n\u00e3o \u00e9 exatamente o mesmo de 2010 e 2011. A eleva\u00e7\u00e3o do consumo nesses dois anos, diz, foi uma resposta \u00e0 crise de 2008 e 2009. No bi\u00eanio 2010-2011, a venda de autom\u00f3veis cresceu com base em resposta a est\u00edmulos de consumo, com cr\u00e9dito praticamente sem restri\u00e7\u00f5es, com prazos a perder de vista e entrada zero. &#8220;Isso causou grande n\u00edvel de inadimpl\u00eancia que est\u00e1 se reajustando agora.&#8221; O cr\u00e9dito banc\u00e1rio ficou menos generoso em 2012, diz, n\u00e3o s\u00f3 por conta do alto n\u00edvel de inadimpl\u00eancia gerado anteriormente como tamb\u00e9m pela pol\u00edtica monet\u00e1ria e pela press\u00e3o para que os bancos baixassem o spread.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para autom\u00f3veis, uma das medidas de est\u00edmulo do ano passado, foi um dos atrativos para o analista de vendas Natanael Souza Ferreira adquirir seu primeiro carro zero quil\u00f4metro. Ele pegou financiamento de 48 meses para comprar um Cobalt, mas uma entrada e o carro antigo abateram cerca de 40% do valor do carro.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no ano passado o coordenador de vendas Andr\u00e9 Ferreiro Said comprou seu primeiro carro zero. Para pegar seu ve\u00edculo, tamb\u00e9m um Cobalt, fez financiamento por 60 meses e deu seu antigo carro como entrada, que abateu cerca de 40% do valor do ve\u00edculo. Com 26 anos, Said e sua mulher Daniela adquiriram, na verdade, dois ve\u00edculos novos em 2012. &#8220;N\u00f3s t\u00ednhamos carros antes, mas eram usados,&#8221; diz ele. Em maio, conta Said, o casal usou algumas economias para comprar \u00e0 vista um autom\u00f3vel Agile, para Daniela. Empregado h\u00e1 seis anos numa ind\u00fastria de refrigera\u00e7\u00e3o, Said diz que o casal ficou tranquilo ao tomar o empr\u00e9stimo. &#8220;Estava seguro porque me sinto est\u00e1vel no emprego e o valor da parcela n\u00e3o chega a um d\u00e9cimo do que ganho.&#8221;<\/p>\n<p>No caso do Agile, diz ele, o casal optou pela compra \u00e0 vista para dar maior seguran\u00e7a financeira ao casal. Daniela, de 31 anos, \u00e9 fisioterapeuta aut\u00f4noma e tem renda muito vari\u00e1vel. Said conseguiu adquirir os dois carros sem mexer na poupan\u00e7a que fazia para, ao fim do ano, viajar para o exterior. Ele e a esposa ficaram 17 dias em Orlando (EUA), onde passaram o Ano Novo de 2013. Foi a segunda viagem de Said para o exterior paga com o pr\u00f3prio dinheiro. A primeira foi em 2010, tamb\u00e9m para Orlando, com a esposa. Confiante e organizado, Said contratou a viagem de fim de ano j\u00e1 em mar\u00e7o de 2012, quando o c\u00e2mbio estava mais favor\u00e1vel. O coordenador j\u00e1 tem planos para o casal para 2014, que dever\u00e3o resultar em aumento de seus custos fixos. &#8220;Estamos nos preparando para ter filhos.&#8221;<\/p>\n<hr \/>\n<p>Pa\u00eds precisa de mais R$ 40 bi para projetos<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O Brasil ter\u00e1 de adicionar US$ 40 bilh\u00f5es ao ano em investimentos nos projetos de infraestrutura e, desses, o governo espera que os bancos privados compare\u00e7am com at\u00e9 40%, segundo estimou o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social (BNDES), Luciano Coutinho. Ele e a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, conversaram com o Valor depois de participar do &#8220;Forum Brasileiro de Infraestrutura 2013&#8221;, sexta-feira, em Londres, evento organizado pelo Valor.<\/p>\n<p>&#8220;O governo n\u00e3o dar\u00e1 conta sozinho&#8221;, disse a ministra. &#8220;Queremos atrair o setor privado para o programa de concess\u00f5es.&#8221; Mais cedo, ambos haviam falado para uma plateia de mais de 400 participantes, de forma objetiva e detalhada, sobre esse programa, seus desafios e as fontes de financiamento que est\u00e3o sendo debatidas.<\/p>\n<p>Hoje o pa\u00eds investe, por ano, cerca de US$ 45 bilh\u00f5es em projetos de infraestrutura, disse Coutinho. E ter\u00e1 de elevar esse valor para algo entre US$ 85 bilh\u00f5es e US$ 90 bilh\u00f5es por ano, se o pa\u00eds quiser crescer de forma sustent\u00e1vel, tarefa que ter\u00e1 de ser compartilhada entre os bancos p\u00fablicos, inclusive Banco do Brasil e Caixa, e pelo sistema privado. O BNDES, \u00fanico financiador de projetos de longo prazo no momento, est\u00e1 batendo no seu limite, admitiu Coutinho.<\/p>\n<p>A capitaliza\u00e7\u00e3o do BNDES, em discuss\u00e3o com o Minist\u00e9rio da Fazenda, n\u00e3o deve ser para j\u00e1. O tesouro Nacional deve aportar at\u00e9 R$ 8 bilh\u00f5es neste ano para o banco aumentar seu patrim\u00f4nio de refer\u00eancia, conforme as restri\u00e7\u00f5es das regras de Basileia.<\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, segundo Coutinho, os bancos privados podem contar com R$ 15 bilh\u00f5es de libera\u00e7\u00e3o de compuls\u00f3rios n\u00e3o remunerados. Na medida que esses compuls\u00f3rios aumentarem, novas parcelas podem ser disponibilizadas para investimentos. &#8220;Os bancos nos dizem que querem participar, mas junto com o BNDES. Eles querem cofinanciar.&#8221;<\/p>\n<p>Os investidores estrangeiros com quem Coutinho conversou nas \u00faltimas semanas estavam bastante preocupados com o risco cambial dessas opera\u00e7\u00f5es. Eles temem que uma desvaloriza\u00e7\u00e3o abrupta do real subtraia boa parte do retorno dos investimentos. O risco cambial ser\u00e1 assumido por eles mesmos, assegurou o presidente do BNDES. &#8220;Nessas conversas, eu tenho dito que a tend\u00eancia de mais longo prazo do real \u00e9 de se valorizar. Portanto, se houver, porventura, alguma deprecia\u00e7\u00e3o s\u00fabita, eu recomendo que tenham calma, n\u00e3o entrem em p\u00e2nico, por que pode haver um repique, mas a taxa de c\u00e2mbio volta&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>Outros aspectos que est\u00e3o sendo estudados e discutidos referem-se ao seguro e \u00e0s garantias para esses financiamentos e obras. Coutinho informou que o governo dever\u00e1 juntar, na Ag\u00eancia Brasileira de Garantias, o patrim\u00f4nio de tr\u00eas fundos garantidores j\u00e1 existentes: o da \u00e1rea naval, de energia el\u00e9trica e das Parcerias P\u00fablico Privadas. As garantias p\u00fablicas s\u00e3o acionadas em casos mais excepcionais que os seguros n\u00e3o cobrem, como surpresas regulat\u00f3rias, insurrei\u00e7\u00e3o social no pa\u00eds ou algum acidente natural, como terremotos ou eventos semelhantes. &#8220;Despachamos gente para estudar isso&#8221;, disse Coutinho, citando o seguro de exporta\u00e7\u00e3o da Coreia do Sul como exemplo a ser conferido, assim como os que os pa\u00edses europeus, fizeram para a constru\u00e7\u00e3o dos trens de alta velocidade.<\/p>\n<p>O governo partiu para a ofensiva em busca de recursos para investimentos e adotou um discurso mais modesto, mais humilde, segundo avalia\u00e7\u00e3o de empres\u00e1rios e representantes de bancos presentes ao semin\u00e1rio. O presidente do BNDES est\u00e1 conversando com grandes fundos de pens\u00e3o, fundos soberanos, e, segundo seu depoimento, \u00e9 not\u00e1vel o aumento do interesse tanto de investidores estrangeiros quanto nacionais no programa de concess\u00f5es do Brasil.<\/p>\n<p>A ministra-chefe da Casa Civil avalia que o pa\u00eds est\u00e1 &#8220;entrando em 2013 com uma outra perspectiva. A nossa produ\u00e7\u00e3o industrial est\u00e1 reagindo, os investimentos come\u00e7am tamb\u00e9m a reagir, e \u00e9 hora de apresentarmos as concess\u00f5es de forma aberta e consistente para os investidores. O governo est\u00e1 muito determinado.&#8221;<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m participaram do semin\u00e1rio Maur\u00edcio Tolmasquim, presidente da Empresa de Planejamento Energ\u00e9tico (EPE) e Bernardo Figueiredo, presidente da Empresa de Planejamento e Log\u00edstica (EPL).<\/p>\n<hr \/>\n<p>Brasil ignora perguntas da ONU sobre viola\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p>Correio Braziliense<\/p>\n<p>De todos os questionamentos sobre den\u00fancias enviados pelo Conselho de Direitos Humanos da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) ao Brasil, menos de 40% s\u00e3o respondidos. O governo federal, respons\u00e1vel por atender aos apelos do principal \u00f3rg\u00e3o internacional no tema, mesmo a respeito de situa\u00e7\u00f5es estaduais ou at\u00e9 municipais, simplesmente n\u00e3o retorna \u00e0 maior parte dos comunicados recebidos. Em m\u00e9dia, de cada cinco pedidos de explica\u00e7\u00e3o que chegam ao pa\u00eds, mais de tr\u00eas s\u00e3o ignorados. Os dados fazem parte de um levantamento feito pelo Correio com informa\u00e7\u00f5es dos \u00faltimos quatro anos.<\/p>\n<p>Entre 2009 e 2012, a ONU se dirigiu ao Brasil pelo menos 19 vezes com questionamentos sobre situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos ocorridas em territ\u00f3rio nacional. Apenas sete foram respondidos. A postura difere muito do \u201cesp\u00edrito de coopera\u00e7\u00e3o\u201d mencionado pelo ministro de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Antonio Patriota, segunda-feira passada, em discurso durante a cerim\u00f4nia de retorno do Brasil ao Conselho de Direitos Humanos da ONU. Depois de dois anos fora do colegiado, o pa\u00eds voltou para um mandato de tr\u00eas anos, iniciado h\u00e1 uma semana exatamente.<\/p>\n<p>Para Camila Asano, coordenadora de Pol\u00edtica Externa da Conectas Direitos Humanos, uma das entidades da sociedade civil mais atuantes na ONU, os n\u00fameros levantados pela reportagem mostram que a tal coopera\u00e7\u00e3o carrega muito de ret\u00f3rica. \u201cResponder a um comunicado \u00e9 o m\u00ednimo que se espera de um pa\u00eds que se diz compromissado com os direitos humanos, especialmente porque os questionamentos se referem a viola\u00e7\u00f5es concretas ocorridas no Brasil\u201d, destaca a especialista. E completa: \u201cO governo brasileiro n\u00e3o est\u00e1 devendo resposta \u00e0 ONU apenas, mas \u00e0 sociedade brasileira.\u201d<\/p>\n<p>O Itamaraty, por meio da assessoria de imprensa, confirmou a exist\u00eancia de pelo menos 12 questionamentos sem resposta feitos pelo Conselho de Direitos Humanos \u2014 muitas vezes classificados de \u201capelos urgentes\u201d \u2014 desde 2009. A pasta ressalta, entretanto, que todos ser\u00e3o respondidos. Sobre a demora, que em alguns casos chega a tr\u00eas anos e meio, alega dificuldades na obten\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para responder ao \u00f3rg\u00e3o internacional. Mas ressalta que n\u00e3o h\u00e1 prioridade de alguns temas em rela\u00e7\u00e3o a outros.<\/p>\n<p>\u201cEntendemos a dificuldade, at\u00e9 pelo pacto federativo, de se obter informa\u00e7\u00f5es com rapidez. Mas deixar uma comunica\u00e7\u00e3o sem resposta por dois, tr\u00eas anos n\u00e3o parece razo\u00e1vel. Esse argumento vem sendo apresentado h\u00e1 anos. Ent\u00e3o, o governo federal j\u00e1 deveria ter encontrado uma forma de dialogar melhor com os entes federados\u201d, ressalta Camila. Para Sandra Carvalho, diretora da organiza\u00e7\u00e3o Justi\u00e7a Global, que tamb\u00e9m acompanha casos de viola\u00e7\u00e3o denunciados em n\u00edvel internacional, h\u00e1 um claro enfraquecimento do tema nos \u00faltimos anos. \u201cO Estado brasileiro tem perdido prazos n\u00e3o s\u00f3 na ONU mas tamb\u00e9m na Comiss\u00e3o Interamericana de Direitos Humanos, da OEA (Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos).\u201d<\/p>\n<p>Tanto na OEA quanto na ONU, o Brasil vem sendo bombardeado por questionamentos sobre os impactos sociais de grandes obras como a constru\u00e7\u00e3o da usina de Belo Monte, no Par\u00e1, e a transposi\u00e7\u00e3o do Rio S\u00e3o Francisco. Mas tamb\u00e9m a respeito de execu\u00e7\u00f5es sum\u00e1rias, abuso de autoridade, amea\u00e7a \u00e0 independ\u00eancia de ju\u00edzes, povos ind\u00edgenas e quilombolas, pol\u00edtica de drogas e acesso \u00e0 sa\u00fade. \u201cAlguns s\u00e3o casos pontuais em que as v\u00edtimas ou familiares, n\u00e3o conseguindo respostas internamente, recorrem a uma esfera internacional. O governo n\u00e3o pode simplesmente ignorar as demandas e as determina\u00e7\u00f5es dos organismos de direitos humanos dos quais faz parte\u201d, afirma Sandra.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Pre\u00e7o da terra agr\u00edcola sobe mais do que o ouro<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>Puxado pelo aumento das co\u00adta\u00e7\u00f5es da dobradinha soja\/mi\u00adlho no mercado internacional, o pre\u00e7o m\u00e9dio de um hectare de terra destinado ao agrone- g\u00f3cio mais que triplicou em dez anos no Brasil, superando de longe a infla\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m dis\u00adso, em cinco anos, entre 2008 e 2012, a terra se valorizou num ritmo mais acelerado que o d\u00f3lar, aplica\u00e7\u00f5es em renda fi\u00adxa, a\u00e7\u00f5es e at\u00e9 mesmo o ouro, o &#8220;queridinho&#8221; dos investido\u00adres em per\u00edodos de crise.<\/p>\n<p>Uma pesquisa sobre o merca\u00addo de terras feita pela consulto\u00adria Informa Economics\/ FNP mostra que, entre o primeiro bi\u00admestre de 2003 e o \u00faltimo bimes\u00adtre de 2012, o pre\u00e7o m\u00e9dio da ter\u00adra no Brasil aumentou 227%. A cota\u00e7\u00e3o m\u00e9dia do hectare, que engloba \u00e1reas para agricultura, pecu\u00e1ria e reflorestamento, sal\u00adtou de R$ 2.280 para R$ 7.470. Nesse per\u00edodo, o pre\u00e7o da terra subiu 12,6% ao ano, quase o do\u00adbro da infla\u00e7\u00e3o m\u00e9dia anual, de 6,4%, medida pelo \u00cdndice Geral de Pre\u00e7os &#8211; Disponibilidade In\u00adterna (\u00cdGP-DI).<\/p>\n<p>Bimensalmente, os pre\u00e7os das terras s\u00e3o coletados com corre\u00adtores e engenheiros agr\u00f4nomos pela consultoria, que integra o maior grupo de informa\u00e7\u00f5es so\u00adbre o agroneg\u00f3cio no mundo. As cota\u00e7\u00f5es da terras se referem a pre\u00e7os pedidos ou a neg\u00f3cios fe\u00adchados no Pa\u00eds em 133 regi\u00f5es classificadas com o mesmo tipo de terra.<\/p>\n<p>A disparada das cota\u00e7\u00f5es das terras provocou uma certa parali\u00adsia nos neg\u00f3cios de compra e ven\u00adda nos mercados com \u00e1reas mais valiosas do Pa\u00eds, como em Casca\u00advel, no Paran\u00e1, onde o hectare para gr\u00e3os atingiu R$ 36 mil em dezembro \u00faltimo, ou em Rio Ver\u00adde, em Goi\u00e1s, com a terra para soja cotada a R$ 24 mil por hecta\u00adre. &#8220;Aqui n\u00e3o tem terra para ven\u00adder&#8221;, conta o diretor do Sindica\u00adto Rural de Rio Verde, Jos\u00e9 Ro\u00adberto Brucceli. Ele conta que, por sorte, dois anos atr\u00e1s, conse\u00adguiu comprar cerca de 500 hectares na regi\u00e3o. Pagou R$ 12,4 mil pelo hectare. Hoje essa terra vale R$ 20,6 mil. &#8220;O pre\u00e7o chegou no teto&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>A paralisia dos mercados se re\u00adpete nas terras para cana-de-a\u00e7\u00facar em Ribeir\u00e3o Preto (SP), onde o hectare chegou a valer R$ 32 mil em dezembro, com alta de 138% em dez anos, segundo a consultoria. Em Piracicaba (SP), a cota\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais alta: R$ 41 mil o hectar e da terra para cana, com eleva\u00e7\u00e3o de 305% em dez anos. Esse resultado, segundo o diretor t\u00e9cnico da consultoria e respons\u00e1vel pela pesquisa, Jos\u00e9 Vicente Ferraz, foi influenciado pela ida da montadora sul-coreana Hyundai e de outras empre\u00adsas para o munic\u00edpio.<\/p>\n<p>Regi\u00f5es<\/p>\n<p>As regi\u00f5es do Brasil com as terras que mais se valori\u00adzaram nos \u00faltimos dez anos fo\u00adram a Nordeste e a Norte, apon\u00adta a pesquisa. No Nordeste, o pre\u00ad\u00e7o do hectare subiu 13,5% ao ano e atingiu R$ 3.298 em dezembro de 2012; no Norte, a valoriza\u00e7\u00e3o anual foi de 13,3%, com o hectare valendo R$ 2.228 no fim do ano passado.<\/p>\n<p>Segundo Ferraz, a grande valo\u00adriza\u00e7\u00e3o das terras do Norte e do Nordeste est\u00e1 sendo puxada pe\u00adla regi\u00e3o do &#8220;Mapitoba&#8221;, que en\u00adgloba \u00e1rea para planta\u00e7\u00e3o de mi\u00adlho, soja e algod\u00e3o de quatro Es\u00adtados: Maranh\u00e3o, Piau\u00ed, Tocan\u00adtins e Bahia. A \u00e1rea foi batizada com as s\u00edlabas iniciais dos Esta\u00addos. &#8220;No Mapitoba, os pre\u00e7os es\u00adt\u00e3o explodindo&#8221;, ressalta.<\/p>\n<p>\u00c9 exatamente essa regi\u00e3o que tem uma das terras agr\u00edcolas mais valorizadas do Pa\u00eds. Em Uru\u00e7u\u00ed, no Piau\u00ed, o pre\u00e7o do hec\u00adtare de alta produtividade subiu 15% ao ano desde 2003, ou um total de 321%. Segundo Ferraz, trata-se de uma regi\u00e3o com rele\u00advo excepcional para o cultivo de soja e milho. Mas a infraestrutura \u00e9 um problema. &#8220;Se n\u00e3o tives\u00adse problema de infraestrutura, a valoriza\u00e7\u00e3o teria sido ainda maior&#8221;, diz Ferraz.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das boas condi\u00e7\u00f5es de clima e de topografia, ele ponde\u00adra que parte da grande valoriza\u00ad\u00e7\u00e3o das terras do Noite e do Nor\u00addeste se deve ao fato de o pre\u00e7o nessas regi\u00f5es ser ainda relativa\u00admente baixo. Isso explica, por exemplo, porque as terras da re\u00adgi\u00e3o Sul &#8211; as mais caras, cujo hec\u00adtare vale, em m\u00e9dia, R$ 15 mil &#8211; foram as que menos se valoriza\u00adram em dez anos no Pa\u00eds (um au\u00admento m\u00e9dio de 12,1% ao ano nos pre\u00e7os).<\/p>\n<hr \/>\n<p>Aumento nas importa\u00e7\u00f5es afeta fabricantes de bens de capital<\/p>\n<p>Valor Econ\u00f4mico<\/p>\n<p>O d\u00e9ficit mensal recorde no com\u00e9rcio exterior brasileiro, em fevereiro, confirmou uma tend\u00eancia que vem desanimando investidores nacionais do setor de bens de capital: aumentam as importa\u00e7\u00f5es de m\u00e1quinas e equipamentos, desviando para o exterior parte do est\u00edmulo \u00e0 demanda criado com as grandes obras de infra-estrutura. Em fevereiro, puxadas pelo aumento de 1% na importa\u00e7\u00e3o de maquinaria industrial e de 68% nas compras de &#8220;equipamento m\u00f3vel de transporte&#8221; como locomotivas (mais de 8,6 mil % de aumento) e ve\u00edculos para inspe\u00e7\u00e3o de vias (mais de 1 mil%), a m\u00e9dia di\u00e1ria nas compras externas de bens de capital cresceu 5,4% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo m\u00eas de 2012.<\/p>\n<p>Em janeiro, o aumento j\u00e1 havia sido de quase 15%, o que leva a 10% o crescimento nas importa\u00e7\u00f5es de bens de capital no primeiro bimestre. &#8220;A gente tem um grande problema a\u00ed, que \u00e9 a perda de competitividade, com c\u00e2mbio, juros e tributos&#8221;, desabafou o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de M\u00e1quinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto. &#8220;Do valor de meu produto, 40,3%, s\u00e3o impostos; isso \u00e9 um absurdo&#8221;, comentou Aubert.<\/p>\n<p>Na semana passada, em Bras\u00edlia, ao discursar na reuni\u00e3o do Conselho de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social, o presidente da Abimaq queixou-se \u00e0 presidente Dilma Roussef dos efeitos do que chamou de &#8220;trip\u00e9 do mal&#8221;: a pol\u00edtica de c\u00e2mbio desvalorizado e juros e tributos mais altos. &#8220;O investimento n\u00e3o pode ser penalizado, tem de ser promovido&#8221;, criticou. &#8220;O investimento o Brasil \u00e9 caro, por isso h\u00e1 18 anos n\u00e3o sai de 19%, 20%&#8221;. Embora n\u00e3o haja dados consolidados, muitos fabricantes passaram a complementar a pr\u00f3pria linha de produ\u00e7\u00e3o com equipamentos importados, admite ele.<\/p>\n<p>No setor de bens de capital de encomenda, voltado a fabrica\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas e equipamentos confeccionados com especifica\u00e7\u00f5es exclusivas para determinados projetos industriais, apesar do impulso dado pelos incentivos do governo, os empres\u00e1rios foram surpreendidos pela mudan\u00e7a na balan\u00e7a comercial que passou de superavit\u00e1ria at\u00e9 2007 a uma situa\u00e7\u00e3o de equil\u00edbrio, em 2008 e, desde ent\u00e3o, vem registrando sucessivos d\u00e9ficits.<\/p>\n<p>&#8220;Foi uma guinada hist\u00f3rica brutal&#8221;, comentou para o Valor o presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de Base, Paulo Godoy, que representa grandes empresas do setor. Em 2008, as importa\u00e7\u00f5es de bens de capital sob encomenda chegaram a US$ 5,1 bilh\u00f5es, n\u00famero que caiu para US$ 4,4 bilh\u00f5es no ano seguinte e come\u00e7ou uma trajet\u00f3ria de alta. Em 2012, as importa\u00e7\u00f5es ca\u00edram 1,5% em rela\u00e7\u00e3o ao recorde de US$ 6,2 bilh\u00f5es de 2011; mas a queda ainda maior nas exporta\u00e7\u00f5es do setor fez com que o balan\u00e7o final ficasse negativo, em quase US$ 1,1 bilh\u00e3o.<\/p>\n<p>Por enquanto, nesse subsetor, as importa\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o vistas como uma grande amea\u00e7a, devido \u00e0 cria\u00e7\u00e3o, pelo governo, do Programa de Sustenta\u00e7\u00e3o de Investimentos (PSI), com juros favorecidos na compra de equipamentos nacionais, especialmente, em grandes obras de infra-estrutura. &#8220;O PSI deve ajudar a frear a tend\u00eancia de aumento de importa\u00e7\u00e3o&#8221;, acredita o presidente da Abdib, que desaconselha mudan\u00e7as como uma maior desvaloriza\u00e7\u00e3o do real. Mas a chegada de grandes companhias chinesas como investidoras, principalmente em obras de gera\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o no setor el\u00e9trico, levantam um &#8220;certo alerta&#8221;, segundo Godoy.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o empresas gigantescas, com o Estado por tr\u00e1s, sem dificuldade de financiamento na China&#8221;, diz ele. Esses investidores d\u00e3o prefer\u00eancia a equipamentos chineses, financiados pelo governo local. &#8220;Um dos temas que se discute hoje \u00e9 se n\u00e3o caberia tamb\u00e9m para o setor el\u00e9trico uma pol\u00edtica de conte\u00fado nacional.&#8221;<\/p>\n<hr \/>\n<p>Brasil sobe em lista de investimento externo<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>Em uma d\u00e9cada, o Brasil subiu 11 degraus no ranking dos destinos globais de investimentos estran\u00adgeiros diretos (IED). Em 2003, o Pa\u00eds era o 15.\u00ba na lista e, no ano passado, passou ao quarto lugar, atr\u00e1s apenas de Estados Unidos, China e Hong Kong. A fatia brasileira nos fluxos de investimento foi a que mais cresceu no mun\u00addo, de 1,7% para 5% no per\u00edodo.<\/p>\n<p>O perfil do IED por aqui mu\u00addou nos \u00faltimos cinco anos, co\u00admo mostra estudo da Sociedade Brasileira de Estudos de Empre\u00adsas Transnacionais (Sobeet). Houve crescimento na propor\u00ad\u00e7\u00e3o relativa ao setor de petr\u00f3leo e um recuo na fatia setor de servi\u00ad\u00e7os, que ainda lidera a prefer\u00ean\u00adcia do capital externo em investi\u00admentos brasileiros. Mas a ten\u00add\u00eancia \u00e9 que o setor retome espa\u00ad\u00e7o com as novas concess\u00f5es de infraestrutura.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise da Sobeet foi basea\u00adda em dados do Banco Central e da Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Uni\u00addas para Com\u00e9rcio e Desenvolvi\u00admento (Unctad). O levantamen\u00adto dividiu a d\u00e9cada em dois per\u00edo\u00addos: 2003-2007 e 2008-2012. Os setor de servi\u00e7os viu sua fatia no bolo cair de 51,8% para 42,1% nos \u00faltimos cinco anos.<\/p>\n<p>Os setores de telecomunica\u00ad\u00e7\u00f5es, energia el\u00e9trica e sanea\u00admento foram os mais afetados. No caso das operadoras, os in\u00adgressos de IED despencaram de 10,3% para 2,7%. Para Luis Afon\u00adso Lima, economista da Sobeet, a explica\u00e7\u00e3o \u00e9 que houve forte concentra\u00e7\u00e3o de investimentos logo ap\u00f3s as privatiza\u00e7\u00f5es, no fim dos anos 90.<\/p>\n<p>Composto por agropecu\u00e1ria e extrativismo mineral, o setor pri\u00adm\u00e1rio atraiu mais investimentos no \u00faltimo quinqu\u00eanio, puxado pela extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo. O porcentual do setor petrol\u00edfero nos fluxos de IED saltou de 8,2% pa\u00adra 18,9% na m\u00e9dia dos dois per\u00edo\u00addos. O incremento reflete apor\u00adtes de rodadas de petr\u00f3leo con\u00adclu\u00eddas no in\u00edcio dos anos 2000, j\u00e1 que os investimentos pesados costumam ocorrer cinco anos ap\u00f3s os leil\u00f5es.<\/p>\n<p>Fl\u00e1vio Rodrigues, do Instituto Brasileiro de Petr\u00f3leo e G\u00e1s (IBP), destaca o pesado plano de investimentos anunciado pela Petrobr\u00e1s, que acabou sendo acompanhado pelas parceiras es\u00adtrangeiras. Ele alerta, por\u00e9m, que a aus\u00eancia de rodadas nos \u00faltimos quatro anos tende a re\u00adfletir um menor ritmo da curva de IED do setor. &#8220;Isso deve apare\u00adcer nas pr\u00f3ximas estat\u00edsticas, embora o pr\u00e9-sal possa amorti\u00adzar um pouco tais perdas&#8221;, diz ele, para quem a manuten\u00e7\u00e3o do fluxo de recursos externos de\u00adpende da const\u00e2ncia dos leil\u00f5es.<\/p>\n<p>Apesar da perda de competiti\u00advidade nos anos recentes, a in\u00add\u00fastria brasileira n\u00e3o viu seu porcentual de atra\u00e7\u00e3o de IED ser sig\u00adnificativamente alterado. Hou\u00adve uma perda de apenas 1,2 pon\u00adto porcentual do per\u00edodo 2003-2007 (38,6%) para o per\u00edo\u00addo 2008-2012 (37,4%).<\/p>\n<p>Em termos absolutos, diz Lima, os recursos destinados a se\u00adtores industriais nos \u00faltimos cin\u00adco anos foram at\u00e9 mais robustos.<\/p>\n<p>De um lado porque houve esgota\u00admento de capacidade de setores como metalurgia e produtos qu\u00ed\u00admicos; de outro, pela aposta em setores voltados ao consumo in\u00adterno, como alimentos e bebi\u00addas, turbinados pelo incremen\u00adto na renda da popula\u00e7\u00e3o. &#8220;Isso se soma \u00e0 crise, que reduziu opor\u00adtunidades em pa\u00edses da Europa e abriu novas frentes nos pa\u00edses emergentes.&#8221;<\/p>\n<p>A Sobeet aponta que a atra\u00e7\u00e3o de IED nos \u00faltimos dez anos foi parcialmente influenciada por pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas a ati\u00advidades consideradas estrat\u00e9gi\u00adcas em diferentes momentos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":" Valor Econ\u00f4mico\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4402\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[106],"tags":[],"class_list":["post-4402","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c119-olhovivo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-190","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4402","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4402"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4402\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4402"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4402"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4402"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}