{"id":4423,"date":"2013-03-07T19:22:04","date_gmt":"2013-03-07T19:22:04","guid":{"rendered":"http:\/\/pcb.org.br\/portal2\/?p=4423"},"modified":"2013-03-07T19:22:04","modified_gmt":"2013-03-07T19:22:04","slug":"da-liberdade-de-expressao-e-da-divulgacao-de-mentiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4423","title":{"rendered":"Da liberdade de express\u00e3o e da divulga\u00e7\u00e3o de mentiras"},"content":{"rendered":"\n<p>Tratada como um dogma, a liberdade de express\u00e3o tem sido usada com frequ\u00eancia para a divulga\u00e7\u00e3o de mentiras que beneficiam alguns grupos de interesse alinhados com alguns \u00f3rg\u00e3os de imprensa.<\/p>\n<p>Ontem mesmo (06\/03\/2013), tive o desprazer de ouvir em uma emissora de grande audi\u00eancia e em cadeia nacional, um comentarista que tem uma voz extremamente desagrad\u00e1vel (se \u00e9 que se pode chamar um sujeito desses de comentarista) afirmar que a empresa estatal de petr\u00f3leo venezuelana \u2013 a PDVSA &#8211; perdeu, por causa da interven\u00e7\u00e3o do governo Ch\u00e1vez na empresa, 1 milh\u00e3o de engenheiros e t\u00e9cnicos para empresas americanas, canadenses e \u00e1rabes. Pouco depois, este mesmo sujeito disse que a PDVSA tem atualmente 100 mil empregados.<\/p>\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o desse sujeito \u00e9 mentirosa porque nenhuma empresa de petr\u00f3leo do mundo pode perder 1 milh\u00e3o de empregados na sua \u00e1rea t\u00e9cnica e continuar operando;<\/p>\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o desse sujeito \u00e9 mentirosa porque, embora possa haver demanda por engenheiros e t\u00e9cnicos, n\u00e3o existe demanda por 1 milh\u00e3o de empregados de uma empresa que opera em condi\u00e7\u00f5es convencionais de produ\u00e7\u00e3o e refino de petr\u00f3leo;<\/p>\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o desse sujeito \u00e9 mentirosa porque n\u00e3o \u00e9 plaus\u00edvel que uma empresa perca 1 milh\u00e3o de engenheiros e t\u00e9cnicos mais experientes e opere hoje em condi\u00e7\u00f5es satisfat\u00f3rias com um total de 100 mil empregados em todas as suas \u00e1reas.<\/p>\n<p>A liberdade de express\u00e3o neste caso foi nociva \u00e0 sociedade. Leigos ouviram estes n\u00fameros e assumiram as posi\u00e7\u00f5es induzidas pelo \u201cerro\u201d do tal comentarista. Evidentemente, n\u00e3o se trata de um simples \u201cerro\u201d, tendo em vista o grotesco desvio da l\u00f3gica e dos fatos.<\/p>\n<p>Mais curioso ainda \u00e9 que o tal comentarista da voz desagrad\u00e1vel saiu-se com esta mentira no meio de outros participantes que o ouviam no est\u00fadio. Nenhum destes \u201cpercebeu\u201d o erro. A produ\u00e7\u00e3o do programa sequer entrou em a\u00e7\u00e3o para esclarecer os ouvintes. Enfim, a mentira virou \u201cverdade\u201d por omiss\u00e3o de toda essa gente.<\/p>\n<p>Este fato permite a pergunta: quantas mentiras como esta s\u00e3o transformadas em verdade diariamente no r\u00e1dio, na televis\u00e3o e na imprensa escrita?<\/p>\n<p>Este e muitos outros exemplos de mentira justificam que o tal dogma da liberdade de express\u00e3o mere\u00e7a uma reavalia\u00e7\u00e3o. H\u00e1 que haver liberdade, mas h\u00e1 tamb\u00e9m que haver responsabilidade. Esse tal comentarista da voz desagrad\u00e1vel deveria, no m\u00ednimo, perder seu emprego por fraudar abertamente a boa-f\u00e9 da popula\u00e7\u00e3o e para servir de exemplo. Estes procedimentos iriam progressivamente limpando os meios de comunica\u00e7\u00e3o das mentiras e seus efeitos nocivos.<\/p>\n<p>Conselho de quem est\u00e1 cansado de ver mentiras como essa na imprensa: N\u00e3o se considere informado por ouvir r\u00e1dio, assistir televis\u00e3o ou ler jornais e revistas. Todos esses defendem interesses.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\n\n\nFaixa Livre\n\n\n\n\n\n\n\n\nArgemiro Pertence &#8211; 07\/03\/2013\n<a class=\"moretag\" href=\"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/4423\"> <\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[45],"tags":[],"class_list":["post-4423","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-c54-venezuela"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p659gw-19l","jetpack-related-posts":[],"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4423","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4423"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4423\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4423"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4423"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/pcb.org.br\/portal2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4423"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}